♪ Derradeira obra-prima do cancioneiro do compositor carioca Noel Rosa (1910 - 1937), Último desejo - samba-canção gravado em 1937 pela cantora carioca Aracy de Almeida (1914 - 1988) para disco lançado somente em março de 1938 - ganha a voz do cantor português António Zambujo. Último desejo é uma das 15 músicas do sexto álbum de Zambujo, Rua da emenda (2014), editado no Brasil neste mês de abril de 2015 em edição do selo MP,B Discos distribuída pela gravadora Som Livre. Em outra conexão com a música brasileira, Zambujo regrava no disco a Valsa lisérgica, parceria de Rodrigo Maranhão com Pedro Luís lançada há cinco anos na voz do próprio Maranhão em seu segundo álbum solo, Passageiro (MP,B Discos / Universal Music, 2010).
Guia jornalístico do mercado fonográfico brasileiro com resenhas de discos, críticas de shows e notícias diárias sobre futuros lançamentos de CDs e DVDs. Do pop à MPB. Do rock ao funk. Do axé ao jazz. Passando por samba, choro, sertanejo, soul, rap, blues, baião, música eletrônica e música erudita. Atualizado diariamente. É proibida a reprodução de qualquer texto ou foto deste site em veículo impresso ou digital - inclusive em redes sociais - sem a prévia autorização do editor Mauro Ferreira.
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sexta-feira, 17 de abril de 2015
sábado, 24 de janeiro de 2015
Valéria mistura cores da obra do poeta da Vila em 'Noel Rosa, preto e branco'
Resenha de CD
Título: Noel Rosa, preto e branco
Artista: Valéria Lobão
Gravadora: Tenda da Raposa
Cotação: * * * 1/2
♪ O título do segundo álbum solo da cantora carioca Valéria Lobão, Noel Rosa, preto e branco (2014), sugere ao menos três significados. O mais aparente é o que relaciona o "preto e branco" do nome do disco duplo às cores das teclas do piano, único instrumento usado na abordagem de 22 músicas do cancioneiro do compositor carioca Noel de Medeiros Rosa (11 de dezembro de 1910 - 4 de maio de 1937). Outro sentido para o título poderia ser o fato de que, a grosso modo, Noel Rosa foi um branco de classe média que se aventurou a compor sua obra no então nascente ritmo surgido da musicalidade dos pretos cariocas - o samba e seus derivados. Por fim, o título Noel Rosa, preto e branco também pode sinalizar o fato de que Valéria Lobão e os 22 pianistas convidados do álbum, a rigor, tocam uma música de preto num ambiente musical de branco, já que o tom camerístico do disco sugere um salão de música de ambiente mais formal, importado da Europa pelo Brasil dos tempos imperiais. Seja como for, Valéria Lobão faz com seu canto límpido - de emissão precisa como o toque dos 22 pianistas arregimentados para o disco - abordagem interessante da obra de Noel, com o mérito de tirar verdadeiras joias do baú do compositor. São pérolas como o fox-canção Julieta (Noel Rosa e Erastótenes Frazão, 1931) - repaginado com ênfase na melancolia dos versos em registro melodioso que junta a voz da cantora ao piano de Rafael Martini - e o samba-canção Suspiro, feito por Noel em parceria com o compositor carioca Orestes Barbosa (1893 - 1966) na década de 1930 em ano ignorado. Valéria reaviva Suspiro - anos após as gravações pouco ouvidas das cantoras Aracy de Almeida (1914 - 1988) e Isaura Garcia (1923 - 1993) - com arranjo e piano de Gabriel Geszil. É fato que, no registro pianístico do disco produzido por Carlos Fuchs, o cancioneiro de Noel adquire tom por vezes solene que se ajusta com maior ou menor precisão ao espírito da obra. No primeiro caso, está a gravação do samba Pra que mentir? (Noel Rosa e Vadico, 1937), feita com o piano de Vitor Gonçalves. No segundo, há o registro da marcha-rancho As pastorinhas (Noel Rosa e João de Barro, 1934) que abre o CD 1 com notas salpicadas com leveza pelo piano divino de André Mehmari. Há faixas cujo arranjo pedia mais do que um piano, mais precisamente pedia uma percussão. É o caso de Positivismo (Noel Rosa e Orestes Barbosa, 1933), samba cantado por Valéria com o piano de Cliff Korman. Em contrapartida, há pianistas que tiram sons percussivos do instrumento. Fernando Leitzke, por exemplo, parece batucar nas teclas de seu piano quando toca o samba Eu agora fiquei mal (Noel Rosa e Antenor Gargalhada, 1931), título pouco conhecido do cancioneiro de Noel. Sons percussivos também ecoam no registro da ruralista Minha viola (Noel Rosa, 1929), faixa arranjada e tocada por Leandro Braga. A propósito, o poeta eventualmente saía das fronteiras musicais de sua Vila e fazia incursões pelo universo caipira. Arranjada por André Mehmari com o piano de Roberto Fuchs, a sertaneja Sinhá Ritinha (Noel Rosa e Moacyr Pinto, 1931) - outra pérola tirada do baú por Valéria para selecionar repertório que mistura clássicos e raridades da obra do compositor - é exemplo da veia caipira de Noel. Cantora de afinação exemplar, treinada e exercitada no grupo vocal Equale, Valéria Lobão convidou alguns cantores para dividir com ela as interpretações das músicas de Noel. Joyce Moreno canta com a anfitriã o desconhecido samba Só pode ser você (Noel Rosa e Vadico, 1935). João Cavalcanti e Moyseis Marques se juntam a Valéria no samba Eu vou pra Vila (Noel Rosa, 1930), faixa de bissexta descontração no disco. Cantora em ascensão, Nina Wirti exercita a leveza na interpretação do pouco ouvido samba Eu sei sofrer (Noel Rosa, 1937). Já Mariana Baltar figura em outro samba, Pela décima vez (Noel Rosa, 1935). Enfim, por mais que soe eventualmente linear, no mesmo tom camerístico que dilui por vezes a espirituosidade da obra do Poeta da Vila, o álbum duplo Noel Rosa, preto e branco reitera a precisão do canto de Valéria Lobão enquanto mistura as cores originais da obra de compositor que marcou a época dele com cancioneiro moderno, de valor perene.
Título: Noel Rosa, preto e branco
Artista: Valéria Lobão
Gravadora: Tenda da Raposa
Cotação: * * * 1/2
♪ O título do segundo álbum solo da cantora carioca Valéria Lobão, Noel Rosa, preto e branco (2014), sugere ao menos três significados. O mais aparente é o que relaciona o "preto e branco" do nome do disco duplo às cores das teclas do piano, único instrumento usado na abordagem de 22 músicas do cancioneiro do compositor carioca Noel de Medeiros Rosa (11 de dezembro de 1910 - 4 de maio de 1937). Outro sentido para o título poderia ser o fato de que, a grosso modo, Noel Rosa foi um branco de classe média que se aventurou a compor sua obra no então nascente ritmo surgido da musicalidade dos pretos cariocas - o samba e seus derivados. Por fim, o título Noel Rosa, preto e branco também pode sinalizar o fato de que Valéria Lobão e os 22 pianistas convidados do álbum, a rigor, tocam uma música de preto num ambiente musical de branco, já que o tom camerístico do disco sugere um salão de música de ambiente mais formal, importado da Europa pelo Brasil dos tempos imperiais. Seja como for, Valéria Lobão faz com seu canto límpido - de emissão precisa como o toque dos 22 pianistas arregimentados para o disco - abordagem interessante da obra de Noel, com o mérito de tirar verdadeiras joias do baú do compositor. São pérolas como o fox-canção Julieta (Noel Rosa e Erastótenes Frazão, 1931) - repaginado com ênfase na melancolia dos versos em registro melodioso que junta a voz da cantora ao piano de Rafael Martini - e o samba-canção Suspiro, feito por Noel em parceria com o compositor carioca Orestes Barbosa (1893 - 1966) na década de 1930 em ano ignorado. Valéria reaviva Suspiro - anos após as gravações pouco ouvidas das cantoras Aracy de Almeida (1914 - 1988) e Isaura Garcia (1923 - 1993) - com arranjo e piano de Gabriel Geszil. É fato que, no registro pianístico do disco produzido por Carlos Fuchs, o cancioneiro de Noel adquire tom por vezes solene que se ajusta com maior ou menor precisão ao espírito da obra. No primeiro caso, está a gravação do samba Pra que mentir? (Noel Rosa e Vadico, 1937), feita com o piano de Vitor Gonçalves. No segundo, há o registro da marcha-rancho As pastorinhas (Noel Rosa e João de Barro, 1934) que abre o CD 1 com notas salpicadas com leveza pelo piano divino de André Mehmari. Há faixas cujo arranjo pedia mais do que um piano, mais precisamente pedia uma percussão. É o caso de Positivismo (Noel Rosa e Orestes Barbosa, 1933), samba cantado por Valéria com o piano de Cliff Korman. Em contrapartida, há pianistas que tiram sons percussivos do instrumento. Fernando Leitzke, por exemplo, parece batucar nas teclas de seu piano quando toca o samba Eu agora fiquei mal (Noel Rosa e Antenor Gargalhada, 1931), título pouco conhecido do cancioneiro de Noel. Sons percussivos também ecoam no registro da ruralista Minha viola (Noel Rosa, 1929), faixa arranjada e tocada por Leandro Braga. A propósito, o poeta eventualmente saía das fronteiras musicais de sua Vila e fazia incursões pelo universo caipira. Arranjada por André Mehmari com o piano de Roberto Fuchs, a sertaneja Sinhá Ritinha (Noel Rosa e Moacyr Pinto, 1931) - outra pérola tirada do baú por Valéria para selecionar repertório que mistura clássicos e raridades da obra do compositor - é exemplo da veia caipira de Noel. Cantora de afinação exemplar, treinada e exercitada no grupo vocal Equale, Valéria Lobão convidou alguns cantores para dividir com ela as interpretações das músicas de Noel. Joyce Moreno canta com a anfitriã o desconhecido samba Só pode ser você (Noel Rosa e Vadico, 1935). João Cavalcanti e Moyseis Marques se juntam a Valéria no samba Eu vou pra Vila (Noel Rosa, 1930), faixa de bissexta descontração no disco. Cantora em ascensão, Nina Wirti exercita a leveza na interpretação do pouco ouvido samba Eu sei sofrer (Noel Rosa, 1937). Já Mariana Baltar figura em outro samba, Pela décima vez (Noel Rosa, 1935). Enfim, por mais que soe eventualmente linear, no mesmo tom camerístico que dilui por vezes a espirituosidade da obra do Poeta da Vila, o álbum duplo Noel Rosa, preto e branco reitera a precisão do canto de Valéria Lobão enquanto mistura as cores originais da obra de compositor que marcou a época dele com cancioneiro moderno, de valor perene.
sábado, 12 de julho de 2014
Beija dá voz a Donato - com Elba - em álbum em que vai de Noel a China
♪ Cantora pernambucana, Claudia Beija programou para agosto de 2014 o lançamento de seu primeiro álbum solo, A.m.a.r.t.e. Produzido por Caca Barreto, o CD já está em pré-venda no site da principal loja indie do Recife (PE), Passadisco. No álbum, Beija regrava - em dueto com Elba Ramalho - Flor de maracujá, música de João Donato e Lysias Ênio lançada na voz de Gal Costa no álbum Cantar (Philips, 1974). Outras regravações do repertório de A.m.a.r.t.e são Só que deram zero pro Bedeu (Luis Vagner, 1973), Último desejo (Noel Rosa, 1937), O habitat da felicidade (Lula Queiroga e Lucky Luciano, 2001) - música lançada por Lula Queiroga no álbum Aboiando a vaca mecânica (Luni Áudio, 2001) - e Vivência (Roberto Andrade e Waltinho, 1973), música que abriu e deu título ao primeiro álbum da pernambucana Banda de Pau e Corda, formada no Recife (PE) em 1972. A propósito, Claudia Beija dá voz em A.m.a.r.t.e a músicas de compositores revelados na cena pernambucana, como China e Ylana Queiroga. Eis as 14 músicas (e seus respectivos compositores) de A.m.a.r.t.e, álbum de Beija:
1. Vamos a Marte (Henrique Macedo e Paulo Marcondes)
2. Engano seu (Diogo Andrade)
3. Nossa (Júlio Morais e Ylana Queiroga)
4. Nothing to lose (Henry Mancini e Donald Black)
5. Último desejo (Noel Rosa)
6. Terminei indo (China, Yuri Queiroga e Jr. Black)
7. Vivência (Roberto Andrade e Waltinho)
8. Um dia lindo de morrer (China)
9. Eu saio (Um dia) (Cláudia Beija e Caca Barreto)
10. Só que deram zero pro Bedeu (Luis Vagner)
11. O habitat da felicidade (Lula Queiroga e Lucky Luciano)
12. Samba tem (Zé Manoel e Guilliard Pereira)
13. Flor de maracujá (João Donato e Lysias Enio) - com Elba Ramalho
14. Fonte (Caca Barreto e Paulo Marcondes)
segunda-feira, 23 de junho de 2014
João Donato faz a 'Felicidade' de Noel ao tocar no disco de Valéria Lobão
♪ João Donato gravou no estúdio Tenda da Raposa, no Rio de Janeiro (RJ), participação no disco duplo em que a cantora Valéria Lobão dá voz a raridades do cancioneiro do compositor carioca Noel Rosa (1910 - 1937) no toque de 22 pianistas. Donato pôs seu piano e suingue em Felicidade, samba de 1932, assinado por Noel em parceria com o compositor carioca René Bittencourt (1910 - 1979). Gravado sob a direção musical do pianista Carlos Fuchs, o álbum Noel Rosa - Preto e branco já tem lançamento programado para o segundo semestre de 2014.
domingo, 1 de junho de 2014
Valéria Lobão canta pérolas de Noel com pianistas e vozes como a de Joyce
♪ A foto acima flagra a cantora Valéria Lobão com Joyce Moreno e com o pianista Rafael Vernet no estúdio Tenda da Raposa, no Rio de Janeiro (RJ), durante a gravação de faixa do álbum duplo Noel Rosa - Preto e branco. No disco, em fase de produção e com lançamento previsto para o segundo semestre de 2014, Lobão canta músicas do compositor carioca Noel Rosa (1910 - 1937) na companhia de 22 pianistas e de cantores convidados como João Cavalcanti, Joyce Moreno, Marcelo Pretto (do grupo paulista Barbatuques), Moyseis Marques e Nina Wirtti. Além de Rafael Vernet, o time estelar de pianistas é formado por Adriano Souza, André Mehmari, Carlos Fuchs, Claudio Andrade, Cliff Korman, Cristóvão Bastos, Duo Gisbranco (Bianca Gismonti e Claudia Castello Branco), Eduardo Farias, Fernando Leitzke, Fernando Merlino, Gabriel Geszti, Gilson Peranzzetta, Itamar Assiere, João Donato, Leandro Braga, Marcelo Caldi, Marcos Nimrichter, Rafael Martini, Robert Fuchs e Vitor Gonçalves. Sob a direção musical de Carlos Fuchs, Lobão dá voz ao cancioneiro de Noel com arranjos inéditos. O repertório inclui títulos pouco ouvidos da obra do Poeta da Vila. Entre eles, Eu agora fiquei mal (samba de 1931, composto por Noel em parceria com Antenor Gargalhada), Julieta (fox-trot, também de 1931, feito com Eratósthenes Frazão), Malandro medroso (samba de 1930), Sinhá Ritinha (tema sertanejo composto por Noel com Moacyr Pinto em 1931) e Suspiro (samba dos anos 1930, feito com Orestes Barbosa). Para finalizar Noel Rosa - Preto e branco, Valéria Lobão inscreveu o disco na plataforma de financiamento coletivo Catarse. Clique aqui caso se interesse em contribuir para viabilizar a edição do disco duplo de Valéria Lobão.
sábado, 17 de agosto de 2013
Livro de Almirante sobre Noel Rosa e seu tempo musical ganha reedição
Em 1951, o cantor e compositor carioca Henrique Foréis Domingues (1908 - 1980) - conhecido como Almirante, apelido que virou seu nome artístico - revolveu suas memórias sobre o amigo Noel Rosa (1910 - 1937) em série de 22 programas apresentados na Rádio Tupi do Rio de Janeiro (RJ) de 6 de abril a 31 de agosto daquele ano. Decorridos 12 anos, as memórias radiofônicas de Almirante foram a base do livro No tempo de Noel Rosa, editado em 1963 e relançado em 1977 com prefácio do jornalista e pesquisador musical Sérgio Cabral. É este livro que volta às livrarias - 50 anos após sua edição original - pela Sonora Editora, o braço editorial da gravadora Discobertas, do pesquisador musical Marcelo Fróes. Em sua terceira edição, que tem prefácio escrito por Fróes, No tempo de Noel Rosa - O nascimento do samba e a era de ouro da música brasileira tem seus 45 capítulos divididos em sete partes. O livro não é um biografia de Noel, como está estampado na capa da terceira edição, mas traça o perfil do compositor carioca através de relatos escritos/narrados por Almirante de forma coloquial, sem formalidades. Almirante salpica dados da biografia de Noel entre causos que envolvem o Poeta da Vila e entre textos que, sem caráter didático, retratam o universo em que o samba nasceu e cresceu, no Rio de Janeiro (RJ), dando origem à primeira era de ouro da música brasileira.
quarta-feira, 27 de março de 2013
Obra de Noel cai no samba-jazz, no ponto de Bala, em disco instrumental
Resenha de CD
Título: Noel Rosa ao entardecer
Artista: Flávio Bala
Gravadora: Selo Sesc
Cotação: * * *
Título: Noel Rosa ao entardecer
Artista: Flávio Bala
Gravadora: Selo Sesc
Cotação: * * *
Afirma Danilo Santos de Miranda, diretor regional do Sesc São Paulo, em texto escrito para o encarte do CD Noel Rosa ao entardecer, que é difícil encontrar leituras da obra de Noel Rosa (1910 - 1937) que não sigam a trilha apontada pelo próprio compositor carioca, mestre nos anos 30 na criação de um samba mais urbano, apimentado com a verve dos seus versos. Pois o saxofonista Flávio Bala aponta outro caminho no disco editado pelo Selo Sesc neste mês de março de 2013. Em Noel Rosa ao entardecer, CD inteiramente instrumental que começou a ser gestado em 2010, ano do centenário de nascimento do compositor, a obra de Noel cai no samba-jazz. Bala lidera quarteto de formação jazzística. Mas os músicos não abusam da liberdade proporcionada pelo jazz para desfigurar a obra do Poeta da Vila. Ao contrário. As melodias inventivas, sempre originais, podem ser apreciadas no disco, sopradas pelo sax de Bala. As intervenções do quarteto ficam geralmente para a parte final das faixas. No suave ponto de Bala, Último desejo (1937) e Feitio de oração (Noel Rosa e Vadico, 1932), por exemplo, têm preservadas suas melancolias. A rigor, aliás, Feitio de oração nem deveria estar no disco, pois, em registro instrumental, sem a letra de Noel, o que fica é a bela e triste melodia do compositor e pianista paulista Oswaldo Gogliano (1910 - 1962), o Vadico, principal parceiro de Noel. Já Palpite infeliz (1935) é exemplo da maestria de Noel no exercício da criação de música e letra. Por conta de um problema de prensagem, a disposição dos sambas Fita amarela (1933) e Onde está a honestidade? (1933) resulta invertida no disco - o mesmo ocorrendo com os sambas Feitiço da Vila (1934) e o menos ouvido Mentir (1933). Problema técnico à parte, o CD Noel Rosa ao entardecer cumpre sua função de abordar a obra do Poeta da Vila por viés pouco usual. Vale por isso, embora o melhor caminho seja o de Noel...
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Vale ver em DVD o show que estendeu a homenagem de prêmio a Noel
Resenha de DVD
Título: Vale Apresenta Turnê 22º Prêmio da Música Brasileira
Show em homenagem a Noel Rosa
Artistas: Arlindo Cruz, Lenine, Sandra de Sá e Zélia Duncan
Apresentação: Murilo Rosa
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * 1/2
Título: Vale Apresenta Turnê 22º Prêmio da Música Brasileira
Show em homenagem a Noel Rosa
Artistas: Arlindo Cruz, Lenine, Sandra de Sá e Zélia Duncan
Apresentação: Murilo Rosa
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * 1/2
Extensão da cerimônia de entrega do 22º Prêmio da Música Brasileira, que celebrou a obra de Noel Rosa (1910 - 1937) na edição de 2011, um show em homenagem ao Poeta da Vila percorreu seis cidades brasileiras. Ao passar por São Paulo (SP), em 21 de julho, o tributo foi gravado ao vivo para originar DVD ora lançado pela Biscoito Fino neste mês de dezembro. Sob a direção geral de José Maurício Machline, autor do roteiro em parceria com Stella Mirana, quatro distintos cantores - Arlindo Cruz, Lenine, Sandra de Sá e Zélia Duncan - se dividem na interpretação de 21 músicas de Noel. Apresentado pelo autor Murilo Rosa, que situa a obra de Noel na cena musical brasileira, o show prioriza no repertório os sucessos do genial compositor, com uma ou outra pérola mais rara de seu profícuo baú, caso de Quando o Samba Acabou (Noel Rosa), tema primorosamente interpretado por Zélia Duncan. A cantora, aliás, se destaca no naipe de intérpretes pelo rigor estilístico com que entoa sambas como O X do Problema (Noel Rosa), Feitiço da Vila (Noel Rosa e Vadico) e Pela Décima Vez (Noel Rosa). A abordagem da obra de Noel é feita sob a direção musical do pianista João Carlos Coutinho, distante do clima de batucada, como conceitua espirituosamente Arlindo Cruz, bem à vontade ao recordar sambas como Palpite Infeliz (Noel Rosa), Com Que Roupa? (Noel Rosa), São Coisas Nossas (Noel Rosa) e Conversa de Botequim (Vadico e Noel Rosa). Como se estivesse no fundo de seu nobre quintal, Arlindo faz os números de maior empatia popular do show, sendo seguido de perto por Sandra de Sá, com quem dueta em Fita Amarela (Noel Rosa). Cantora de voz calorosa, Sandra exagera nos últimos acordes de Três Apitos (Noel Rosa), mas cai bem no samba quando revive De Babado... (Noel Rosa e João Mina) e Gago Apaixonado (Noel Rosa). Lenine - que abre o show em clima ainda naturalmente frio - alcança seus melhores momentos quando esboça apropriada interiorização ao cantar Filosofia (Noel Rosa e André Filho) e Feitio de Oração (Noel Rosa e Vadico). No fim, com o show e o público já bem quentes, os quatro intérpretes unem vozes e se despedem ao som de Até Amanhã (Noel Rosa). Mas o show continua nos extras do DVD, que exibem entrevistas. É quando os cantores apresentam Cantar Noel, boa música inédita que compuseram com o maestro João Carlos Coutinho para celebrar a festiva união em torno da obra imortal do Poeta da Vila. Vale ver em DVD o show que prolongou a homenagem prestada a Noel Rosa pela 22ª edição do Prêmio da Música Brasileira.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Peranzzetta e Senise celebram Noel com Alaíde Costa e Quarteto Bessler
Em 7 de outubro de 2010, o pianista Gilson Peranzzetta e o saxofonista e flautista Mauro Senise subiram ao palco do Teatro Sesc Ginástico, no Rio de Janeiro (RJ), para celebrar o centenário de nascimento de Noel Rosa (1910 - 1937), mote de tributos ao compositor no ano passado. Gravado ao vivo, o show está sendo editado em CD e DVD intitulados Noel Rosa 100 Anos e postos nas lojas pela gravadora Biscoito Fino neste mês de julho de 2011. Com arranjos de Peranzzetta, a dupla faz a festa ao tocar 14 clássicos da obra de Noel. Convidada especial da apresentação, Alaíde Costa canta Cor de Cinza, Último Desejo e Quando o Samba Acabou - além de voltar para o número final, Feitio de Oração, que tem a presença do Quarteto Bessler, cujas (belas) cordas adornam também Pra que Mentir?, Três Apitos e Palpite Infeliz.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Feliz, Ivete canta 'Palpite Infeliz' para lembrar a briga entre Noel e Wilson
Coube a Ivete Sangalo fazer o último número musical solo da 22º edição do Prêmio da Música Brasileira, realizada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 6 de julho. Com a habitual vivacidade, bricando com sua voz grave, a cantora baiana caiu no samba Palpite Infeliz (Noel Rosa, 1935), tema inserido no roteiro do show para lembrar a indiscutível vitória do compositor carioca Noel Rosa (1910 - 1937) - o homenageado do prêmio neste ano de 2011 - na briga musical travada nos anos 30 por Wilson Baptista (1913 - 1968) com o Poeta da Vila. Ivete - vista em foto de Rodrigo Amaral - mostrou que sua voz e seu carisma resistem fora do caldeirão já ralo da axé music. No fecho da cerimônia, todos os solistas reapareceram no palco para cantar improvisadamente Até Amanhã (Noel Rosa, 1932) em clima de fim de festa. Sendo Noel o homenageado da noite, tudo tinha mesmo que acabar em (ótimo) samba.
Marisa canta 'Feitio de Oração' com seu quarteto no 22º Prêmio da Música
Mesmo não estando em um de seus melhores momentos como cantora, Marisa Monte deu um brilho adicional ao show da 22º edição do Prêmio da Música Brasileira com sua aguardada participação. Marisa - na foto de Rodrigo Amaral com o quarteto que a acompanhou no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro (RJ) - cantou Feitio de Oração (Noel Rosa e Vadico, 1933), um dos temas mais bonitos da obra de Noel Rosa (1910 - 1937), o compositor carioca celebrado na premiação realizada na noite de 6 de julho de 2011. A interpretação da cantora para Feitio de Oração dividiu opiniões entre a plateia de convidados, mas ninguém ficou imune à presença sempre imponente e estilosa da artista carioca, que cantou Noel pela primeira vez. E o fato é que, além de sua voz ter soado sem viço, Marisa não imprimiu em sua interpretação a melancolia impregnada na letra da obra-prima de Noel. O número não fez jus à expectativa.
Tantinho e Wilson das Neves cantam Noel no palco do Prêmio da Música
Tantinho da Mangueira e Wilson das Neves - vistos em foto de Rodrigo Amaral - dividiram a cena na 22ª edição do Prêmio da Música Brasileira para cantar dois sambas bem populares da obra do compositor carioca Noel Rosa (1910 - 1937), homenageado da festiva cerimônia realizada no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro (RJ) na noite de 6 de julho de 2011. À vontade no universo de Noel, Tantinho abriu o número com Conversa de Botequim (Noel Rosa e Vadico, 1935). Na sequência, Wilson das Neves vestiu Com que Roupa? (Noel Rosa, 1930) com sua ginga toda própria. No número seguinte, foi a vez de Lenine se encontrar com Luísa Maita. De início, o cantor interpretou Pierrot Apaixonado (Noel Rosa e Heitor dos Prazeres, 1935) em marcha lenta. Depois, Maita engatou As Pastorinhas (Noel Rosa e João de Barro, 1934), outra marcha do repertório do Poeta da Vila. Por fim, Lenine e Maita cantaram O Orvalho Vem Caindo (Noel Rosa e Kid Pepe, 1933), com metais evocando clima de gafieira.
Tulipa e Zélia 'sobem o morro' para cantar Noel no 22º Prêmio da Música
Tulipa Ruiz e Zélia Duncan subiram o morro para cantar dois sambas de Noel Rosa (1910 - 1937) na festa-show que celebrou a obra do Poeta da Vila na 22ª edição do Prêmio da Música Brasileira. O bom número das cantoras - vistas em foto de Gil Ferreira - começou com um dos temas menos conhecidos do compositor carioca, Quando o Samba Acabou (Noel Rosa, 1933). Dominado por Tulipa, o samba retrata disputa amorosa que acaba em morte no Morro de Mangueira. Na sequência, Zélia se impôs em O X do Problema (Noel Rosa, 1936), samba em que Noel - embora identificado no imaginário popular com o bairro carioca de Vila Isabel onde nasceu, viveu e morreu - exalta o Estácio que, décadas depois, voltaria a ser reverenciado na obra de Luiz Melodia. E por falar em Tulipa Ruiz, a derrota da artista para Luísa Maita na categoria Revelação foi a grande surpresa da premiação realizada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (RJ) na noite de 6 de julho de 2011, já que Tulipa ganhou mais projeção e elogios do que Maita em 2010, tendo sido saudada como a grande revelação da música no ano passado.
Zizi defende 'Pela Décima Vez' no Prêmio da Música que reverencia Noel
Sem cantar há anos no Rio de Janeiro (RJ), Zizi Possi reapareceu na cena carioca para pôr sua voz cristalina em samba de Noel Rosa (1910 - 1937), compositor homenageado na 22ª edição do Prêmio da Música Brasileira. Zizi - vista em foto de Rodrigo Amaral - subiu ao palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro (RJ) na noite de 6 de julho de 2011 para reviver Pela Décima Vez (Noel Rosa, 1935) com o habitual padrão de qualidade. Antes, no número anterior, o bandolinista Hamilton de Holanda se uniu ao violonista Yamandú Costa para abordagem vivaz de São Coisas Nossas (Noel Rosa, 1932), samba também conhecido como Coisas Nossas. Show!
Por 'Último Desejo', Municipal aplaude Nana de pé no Prêmio da Música
Cada vez mais reclusa, Nana Caymmi teve a prova na 22º edição do Prêmio da Música Brasileira de que jamais deve pensar em parar de cantar. Aos 70 anos, completados em abril, a cantora foi aplaudida de pé pela plateia que lotou o Theatro Municipal do Rio de Janeiro (RJ) na noite de 6 de julho de 2011. O motivo dos aplausos entusiásticos - os únicos que fizeram o público levantar das cadeiras ao longo dos dez números musicais da cerimônia de entrega dos prêmios - foi sua interpretação arrepiante de Último Desejo (Noel Rosa, 1937), derradeiro clássico da obra de Noel de Medeiros Rosa, o compositor homenageado da noite. Além da banda regida pelo maestro João Carlos Coutinho, Nana foi acompanhada pelo violão de Dori Caymmi, que abriu o número com interpretação solo de Três Apitos (Noel Rosa, 1933). Dori - visto com Nana na foto de Rodrigo Amaral - não chegou a cativar. A emoção veio com Nana!!
Paulinho canta Noel com sua filha Beatriz no Prêmio da Música Brasileira
Presença bissexta em festas e tributos, Paulinho da Viola reiterou a nobreza de seu canto ao fazer o primeiro dos dez números musicais da 22º edição do Prêmio da Música Brasileira, realizada na noite de ontem, 6 de julho de 2011, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (RJ). Paulinho se apresentou em dueto com sua filha, Beatriz Faria. A cantora debutante - vista com o pai na foto de Rodrigo Amaral - deixou boa impressão ao dividir com Paulinho medley que entrelaçou Feitiço da Vila (Noel Rosa e Vadico, 1934) e De Babado (Noel Rosa e João Mina, 1936), dois sambas do compositor carioca Noel Rosa (1910 - 1937), o homenageado da noite.
quinta-feira, 10 de março de 2011
Rob Digital une CDs 'Sem Tostão 1 e 2' para celebrar centenário de Noel
Com alguns meses de atraso, a gravadora Rob Digital celebra o centenário de Noel Rosa (1910 - 1937) com a reunião em CD duplo dos discos Sem Tostão... A Crise Não É Boato e Sem Tostão 2... A Crise Continua... - gravados ao vivo em 1994 e em 2000, respectivamente, em shows feitos pela cantora Cristina Buarque com o cavaquinista Henrique Cazes. Ambas as gravações foram feitas em apresentações do show no bar Bip Bip, em Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ). Nos shows, Cristina e Cazes abordam somente o cancioneiro espirituoso de Noel.
sábado, 4 de dezembro de 2010
Disco põe Noel nas vozes de Zélia, Moska, Joyce, Ivan, Taviani e Vercillo
A tempo de festejar os 100 anos que Noel Rosa (1910 - 1937) iria completar no próximo sábado, 11 de dezembro de 2010, o selo Discobertas anuncia o lançamento de Noel Rosa - Universidade da Vila, disco que apresenta gravações inéditas de 12 clássicos do repertório do Poeta da Vila nas vozes de Isabella Taviani, Ivan Lins, Jorge Vercillo, Joyce Moreno, Paulinho Moska e Zélia Duncan. Gravado entre agosto e setembro no estúdio carioca Corredor 5, sob a batuta do produtor Clemente Magalhães e a direção artística de Marcelo Fróes, o CD expõe no encarte as letras das músicas e um texto de Luiz Ricardo Leitão, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e autor do livro Poeta da Vila, Cronista do Brasil (2009). Eis a relação de músicas e intérpretes do oportuno tributo Noel Rosa - Universidade da Vila:
1. Palpite Infeliz (Noel Rosa) - Isabella Taviani
2. Conversa de Botequim (Noel Rosa e Vadico) - Zélia Duncan
3. Rapaz Folgado (Noel Rosa) - Joyce Moreno
4. Não Tem Tradução (Noel Rosa) - Jorge Vercillo
5. Último Desejo (Noel Rosa) - Isabella Taviani
6. Feitio de Oração (Noel Rosa e Vadico) - Jorge Vercillo
7. Com Que Roupa? (Noel Rosa) - Ivan Lins
8. Três Apitos (Noel Rosa) - Zélia Duncan
9. As Pastorinhas (Noel Rosa e Braguinha) - Moska
10. Feitiço da Vila (Noel Rosa e Vadico) - Joyce Moreno
11. Pierrô Apaixonado (Noel Rosa e Heitor dos Prazeres) - Moska
12. Onde Está a Honestidade? (Noel Rosa) - Ivan Lins
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