Mauro Ferreira no G1

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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Vale ver em DVD o show que estendeu a homenagem de prêmio a Noel

Resenha de DVD
Título: Vale Apresenta Turnê 22º Prêmio da Música Brasileira
            Show em homenagem a Noel Rosa
Artistas: Arlindo Cruz, Lenine, Sandra de Sá e Zélia Duncan
Apresentação: Murilo Rosa
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * 1/2

Extensão da cerimônia de entrega do 22º Prêmio da Música Brasileira, que celebrou a obra de Noel Rosa (1910 - 1937) na edição de 2011, um show em homenagem ao Poeta da Vila percorreu seis cidades brasileiras. Ao passar por São Paulo (SP), em 21 de julho, o tributo foi gravado ao vivo para originar DVD ora lançado pela Biscoito Fino neste mês de dezembro. Sob a direção geral de José Maurício Machline, autor do roteiro em parceria com Stella Mirana, quatro distintos cantores - Arlindo Cruz, Lenine, Sandra de Sá e Zélia Duncan - se dividem na interpretação de 21 músicas de Noel. Apresentado pelo autor Murilo Rosa, que situa a obra de Noel na cena musical brasileira, o show prioriza no repertório os sucessos do genial compositor, com uma ou outra pérola mais rara de seu profícuo baú, caso de Quando o Samba Acabou (Noel Rosa), tema primorosamente interpretado por Zélia Duncan. A cantora, aliás, se destaca no naipe de intérpretes pelo rigor estilístico com que entoa sambas como O X do Problema (Noel Rosa), Feitiço da Vila (Noel Rosa e Vadico) e Pela Décima Vez (Noel Rosa). A abordagem da obra de Noel é feita sob a direção musical do pianista João Carlos Coutinho, distante do clima de batucada, como conceitua espirituosamente Arlindo Cruz, bem à vontade ao recordar sambas como Palpite Infeliz (Noel Rosa), Com Que Roupa? (Noel Rosa), São Coisas Nossas (Noel Rosa) e Conversa de Botequim (Vadico e Noel Rosa). Como se estivesse no fundo de seu nobre quintal, Arlindo faz os números de maior empatia popular do show, sendo seguido de perto por Sandra de Sá, com quem dueta em Fita Amarela (Noel Rosa). Cantora de voz calorosa, Sandra exagera nos últimos acordes de Três Apitos (Noel Rosa), mas cai bem no samba quando revive De Babado... (Noel Rosa e João Mina) e Gago Apaixonado (Noel Rosa). Lenine - que abre o show em clima ainda naturalmente frio - alcança seus melhores momentos quando esboça apropriada interiorização ao cantar Filosofia (Noel Rosa e André Filho) e Feitio de Oração (Noel Rosa e Vadico). No fim, com o show e o público já bem quentes, os quatro intérpretes unem vozes e se despedem ao som de Até Amanhã (Noel Rosa). Mas o show continua nos extras do DVD, que exibem entrevistas. É quando os cantores apresentam Cantar Noel, boa música inédita que compuseram com o maestro João Carlos Coutinho para celebrar a festiva união em torno da obra imortal do Poeta da Vila. Vale ver em DVD o show que prolongou a homenagem prestada a Noel Rosa pela 22ª edição do Prêmio da Música Brasileira.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

22º Prêmio da Música consagra Roberta Sá e a rica diversidade brasileira

Análise de premiação
Título: Prêmio da Música Brasileira - 22ª Edição
Idealização: José Maurício Machline
Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 6 de julho de 2011

A 22ª edição do Prêmio da Música Brasileira consagrou a ousadia de Roberta Sá ao dedicar todo seu terceiro álbum de estúdio à obra do compositor baiano Roque Ferreira. Um gesto até arriscado que reiterou a inteligência e a personalidade raras da artista na concepção e no desenvolvimento de sua obra fonográfica. Já às voltas com o seu quarto disco de estúdio, produzido por Rodrigo Campello e com lançamento previsto para este segundo semestre de 2011, a cantora saiu do Theatro Municipal do Rio de Janeiro (RJ) na noite de 6 de julho com dois importantes troféus na categoria MPB. Pelo júri do Prêmio da Música Brasileira, Roberta foi eleita a Melhor Cantora (derrotando Maria Bethânia e a subestimada Célia) enquanto o irretocável CD Quando o Canto É Reza - Canções de Roque Ferreira, produzido por Pedro Luís, Renato Alscher e Marcello Gonçalves (visto com Roberta na foto de Gil Ferreira) foi eleito o Melhor Álbum na categoria MPB. Que fez justiça também ao premiar Emílio Santiago como Melhor Cantor (pelo primoroso disco Só Danço Samba) e o grupo Os Cariocas (por um grande disco, Nossa Alma Canta, que merecia ter tido maior repercussão ao longo de 2010). Além de Roberta Sá, somente o bandolinista Hamilton de Holanda levou dois troféus em caráter individual, tendo sido eleito o melhor solista da Categoria Instrumental pelo álbum Esperança – Ao  Vivo na Europa e agraciado com o troféu de Melhor Álbum Instrumental por Gismontipascoal – A Música de Egberto e Hermeto. Zeca Pagodinho foi premiado com razão como Melhor Cantor na Categoria Samba por seu álbum Vida da Minha Vida, mas a vitória da faixa Dolores e suas Desilusões como Melhor Canção é mais dos compositores do samba, Mauro Diniz e Monarco, do que de Zeca. Da mesma forma, o prêmio de Projeto Visual para o álbum Capoeira de Besouro - eleito o melhor da Categoria Regional - é de Gringo Cardia e não de Paulo César Pinheiro. Dentro da Categoria Canção Popular, saíram vitoriosos nomes recorrentes no segmento como Roupa Nova (Melhor Grupo) e Zezé Di Camargo & Luciano (Melhor Dupla) ao mesmo tempo em que o prêmio projetou dupla indie iniciante, Criolina, agraciada com o troféu de Melhor Álbum da categoria por Cine Tropical. Já na genérica Categoria Pop / Rock / Reggae / Hip Hop / Funk o prêmio fez justiça a Vanessa da Mata - eleita a Melhor Cantora por seu estupendo quarto álbum de estúdio, Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias - e ao coletivo Pedro Luís e a Parede, escolhido o Melhor Grupo por seu DVD Navilouca, registro ao vivo de raro requinte audiovisual. Em contrapartida, a premiação de Lulu Santos como Melhor Cantor - por seu anêmico Acústico MTV II - deve ser creditada mais à produção rala da categoria no ano de 2010 do que aos dotes vocais do artista. Mais justa foi a premiação do álbum Adoniran 100 Anos na Categoria Projeto Especial por dar visibilidade ao batalhador produtor Thiago Marques Luiz, das gravadoras Lua Music e Joia Moderna. Enfim, com poucas zebras (a maior foi a derrota de Tulipa Ruiz na Categoria Revelação para Luísa Maita) e com elegante homenagem prestada a Noel Rosa em traje de gala, em números feitos por cantores como Nana Caymmi e Marisa Monte, a 22ª edição do Prêmio da Música Brasileira espelhou - como nas edições anteriores - a diversidade que pauta a rica produção fonográfica nacional. O prêmio é da música brasileira.