Mauro Ferreira no G1

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domingo, 30 de junho de 2013

Registro ao vivo põe o ascendente Catto no olho do furacão mercadológico

Resenha de CD e DVD
Título: Entre cabelos, olhos & furacões - Ao vivo
Artista: Filipe Catto
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * * 1/2

♪ Filipe Catto é o melhor cantor de sua geração. Na contramão da estrada cool trilhada pela maioria de seus colegas (mais pela falta de voz do que por opção estética), o artista gaúcho - radicado em São Paulo (SP) - arde em cena com seu canto inflamado. Postos nas lojas neste mês de junho de 2013, o CD e DVD Entre cabelos, olhos & furacões são produtos que se justificam pela natureza teatral do intérprete, vocacionado para o palco. Trata-se do registro ao vivo do show baseado no primeiro álbum de Catto, Fôlego (2011). Uma gravação que põe o ascendente jovem cantor no olho do furacão mercadológico. Em essência, a grandeza do show estreado no segundo semestre de 2011 está perpetuada no DVD. Contudo, a estratégica escolha da gravação de Eu te amo (1977) para promover o CD e o DVD sinaliza a intenção da gravadora Universal Music de propagar a voz de Catto no limite entre o popular e o brega, embora o arranjo da faixa contribua para diminuir o alto teor de glicose da melosa versão da balada dos Beatles And I love her (John Lennon e Paul McCartney, 1964), feita por Roberto Carlos e Erasmo Carlos na déca de 1970, gravada pelo Rei em 1984 e mais tarde revivida pela dupla sertaneja Zezé Di Camargo & Luciano. Da mesma forma, embora reitere a precisão do canto de Catto, a abordagem de Quem é você (Eduardo Dussek e Isolda, 1995) - gravada em estúdio, sob encomenda da TV Globo para a trilha sonora da novela Sangue bom (2013), e alocada como faixa-bônus - corrobora a sensação de que Catto vai precisar estar atento e forte na escolha do repertório do segundo álbum de estúdio para preservar o prestígio conquistado com o disco e show Fôlego. Com público crescente e já ardoroso em todo o Brasil, sobretudo na cidade de São Paulo (SP), o cantor dá muitas provas neste Entre cabelos, olhos & furacões de que pode dispensar muletas na caminhada para a consagração popular. O alto voo artístico alcançado em Ave de prata (Zé Ramalho, 1979) - com interpretação tão forte que Elba Ramalho, intérprete original da música, se viu motivada a voltar a cantar o tema em seus shows - é um dos atestados da soberania da voz do artista entre o time masculino de sua geração. Já o apuro da interpretação de Redoma (Filipe Catto, 2011) mostra que Catto é cantor capaz de fazer crescer no palco até música que soa menor em disco. Se o compositor ainda pode maturar sua obra, como mostra a inédita A sós (Filipe Catto, 2013), o cantor parece já ter nascido pronto e maduro o suficiente para juntar em medley um standard da canção norte-americana Boulevard of broken dreams (Harry Warren e Al Dubin, 1933) com um bolero do compositor mexicano Agustín Lara (1900 - 1970), Piensa em mi (1943), sem sair do tom. Produzida por Paul Ralphes, a gravação ao vivo dosa a intensidade do canto de Catto em números como Sem medida (Pélico) - bela canção lançada pelo compositor paulista em seu segundo álbum, Que isso fique entre nós (2011) - e Mergulho (Alzira Espíndola e Alice Ruiz, 2008), mas sem diluir a paixão do canto, mote deste intérprete que sabe fazer o jogo de cena. Não é à toa que uma das músicas do eclético roteiro do show - captado em duas apresentações no Auditório Ibirapuera, em São Paulo (SP), em 2 e 3 de fevereiro de 2103 - é Puro teatro (Catalino Curet Alonso, 1968), tema conhecido na voz da cantora cubana La Lupe (1939 - 1992). Catto nasceu para a cena, dividida em Johnny, Jack & Jameson (Filipe Catto, 2011) com a convidada Blubell, à vontade no vivaz número jazzy ambientado em clima de cabaré com toques de blues. Por isso mesmo, o lançamento de Entre cabelos, olhos & furacões faz sentido. É o registro do artista em cena, um retrato da ascensão de Filipe Catto no mercado comum da música. Mas - vale repetir - é preciso estar atento aos próximos passos fonográficos, sem se embriagar com o sucesso e casas cheias, para não ser sugado pelo furacão do mercado e trilhar caminhos errados que podem ser irreversíveis no futuro. 

6 comentários:

Mauro Ferreira disse...

Filipe Catto é o melhor cantor de sua geração. Na contramão da estrada cool trilhada pela maioria dos seus colegas mais pela falta de voz do que por opção estética, o artista gaúcho - radicado em São Paulo (SP) - arde em cena com seu canto inflamado. Postos nas lojas neste mês de junho de 2013, o CD e DVD Entre cabelos, olhos & furacões são produtos que se justificam pela natureza teatral do intérprete, vocacionado para o palco. Trata-se do registro ao vivo do show baseado no primeiro álbum de Catto, Fôlego (2011). Uma gravação que põe o ascendente jovem cantor no olho do furacão mercadológico. Em essência, a grandeza do show estreado no segundo semestre de 2011 está perpetuada no DVD. Contudo, a estratégica escolha da gravação de Eu te amo (1977) para promover o CD e o DVD sinaliza a intenção da gravadora Universal Music de propagar a voz de Catto no limite entre o popular e o brega, embora o arranjo da faixa contribua para diminuir o alto teor de glicose da melosa versão da balada dos Beatles And I love her (John Lennon e Paul McCartney, 1964), feita por Roberto Carlos e Erasmo Carlos nos anos 70, gravada pelo Rei em 1984 e mais tarde revivida pela dupla sertaneja Zezé Di Camargo & Luciano. Da mesma forma, embora reitere a precisão do canto de Catto, a abordagem de Quem é você (Eduardo Dussek e Isolda, 1995) - gravada em estúdio, sob encomenda da TV Globo para a trilha sonora da novela Sangue bom (2013), e alocada como faixa-bônus - corrobora a sensação de que Catto vai precisar estar atento e forte na escolha do repertório do segundo álbum de estúdio para preservar o prestígio conquistado com o disco e show Fôlego. Com público crescente e já ardoroso em todo o Brasil, sobretudo na cidade de São Paulo (SP), o cantor dá muitas provas neste Entre cabelos, olhos & furacões de que pode dispensar muletas na caminhada para a consagração popular. O alto voo artístico alcançado em Ave prata (Zé Ramalho, 1979) - com interpretação tão forte que Elba Ramalho, intérprete original da música, se viu motivada a voltar a cantar o tema em seus shows - é um dos atestados da soberania da voz do artista entre o time masculino de sua geração. Já o apuro da interpretação de Redoma (Filipe Catto, 2011) mostra que Catto é cantor capaz de fazer crescer no palco até música que soa menor em disco. Se o compositor ainda pode maturar sua obra, como mostra a inédita A sós (Filipe Catto, 2013), o cantor parece já ter nascido pronto e maduro o suficiente para juntar em medley um standard da canção norte-americana Boulevard of broken dreams (Harry Warren e Al Dubin, 1933) com um bolero do compositor mexicano Agustín Lara (1900 - 1970), Piensa em mi (1943), sem sair do tom. Produzida por Paul Ralphes, a gravação ao vivo dosa a intensidade do canto de Catto em números como Sem medida (Pélico) - bela canção lançada pelo compositor paulista em seu segundo álbum, Que isso fique entre nós (2011) - e Mergulho (Alzira Espíndola e Alice Ruiz, 2008), mas sem diluir a paixão de seu canto, mote deste intérprete que sabe fazer seu jogo de cena. Não é à toa que uma das músicas do eclético roteiro do show - captado em duas apresentações no Auditório Ibirapuera, em São Paulo (SP), em 2 e 3 de fevereiro de 2103 - é Puro teatro (Catalino Curet Alonso, 1968), tema conhecido na voz da cantora cubana La Lupe (1939 - 1992). Catto nasceu para a cena, dividida em Johnny, Jack & Jameson (Filipe Catto, 2011) com sua convidada Blubell, à vontade no vivaz número jazzy ambientado em clima de cabaré com toques de blues. Por isso mesmo, o lançamento de Entre cabelos, olhos & furacões faz sentido. É o registro do artista em cena, um retrato da ascensão de Filipe Catto no mercado comum da música. Mas - cabe repetir - é preciso estar atento aos próximos passos fonográficos, sem se embriagar com o sucesso e as casas cheias, para não ser sugado pelo furacão do mercado e trilhar caminhos errados que poderão se revelar irreversíveis no futuro.

Tiago Rios disse...

Vi esse show 3 vezes, é de muita técnica o canto do moço e ele é de fato um dos melhores de sua geração, não vi o DVD completo ainda, espero que o registro tenha ficado a altura.

Fabio disse...

Comprei o CD mas não consegui ouvir até o final. Não fiquei instigado. Li uma entrevista de Catto no UOL e achei o cara pretensioso, uma diva! Tem gente que vai reclamar aqui mas dizem que o Jorge Vercillo é genérico de Djavan, pois então prefiro Ney Matogrosso à seu genérico Catto.

Regina Klenk disse...

Acompanho a carreira do Filipe Catto já há algum tempo e nunca li ou ouvi uma entrevista em que se mostrasse pretensioso..muito pelo contrário, Filipe Catto é simples demais, mas ele é também muito inteligente e sabe o que quer e isso talvez assuste um pouco as pessoas que nao se abrem para o novo.
Infelizmente nao tive o prazer de assistir o show de gravacao do CD/DVD ao vivo, mas comprei o CD e achei fantástico. Cada música, cada verso, cada palavra tem a sua marca..e é única, exclusiva dele sem precisar ser genérico de ninguem.
A única coisa FABIO, que voce disse e que eu concordo plenamente com voce, (e acho que voce errou ali nas vogais) é que ele é um Divo. Realmente FABIO, ele é um DIVO...ele tem "luz própria", tem carisma, beleza e acima de tudo muito talento....mas infelizmente nem todas as pessoas tem a sensibilidade para captar tudo isso nem inteligencia para entender!

Cadu Oliveira disse...

Sensibilidade demais ou de menos (ou seja, gosto é relativo), vejo muito incensamento em torno de Catto. Suas interpretações são quase sempre over (e cover). Tem um timbre bonito, um repertório ousado, mas lembra muito Elis e Ney, o que lhe tira um pouco de identidade.

ADEMAR AMANCIO disse...

Boa resenha ,e bom conselho.