Mauro Ferreira no G1

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domingo, 16 de junho de 2013

'In Rio' requenta a bossa tipo exportação de Bebel em DVD sem brilho

Resenha de CD e DVD
Título: In Rio
Artista: Bebel Gilberto
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * 1/2

O título In Rio deixa claro o principal destino do primeiro DVD de Bebel Gilberto. A ideia foi requentar a bossa tipo exportação dessa cantora e compositora nascida nos Estados Unidos em 1966, mas de vivência carioca. Sob direção musical de Kassin e Liminha, Bebel recicla músicas de seus quatro álbuns de estúdio com leve ênfase no repertório do primeiro, Tanto tempo (2000), disco fundamental na carreira da artista e na apresentação de um estilo de bossa eletrônica que seria imitado à exaustão. A ponto de já soar déjà vu. Tanto que In Rio prioriza sons orgânicos na formatação de músicas como Bananeira (João Donato e Gilberto Gil, 1975) e Samba da benção (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1965). Justiça seja feita: resulta bonita a filmagem do show feito a céu aberto em 5 de dezembro de 2012, em palco armado na Praia do Arpoador, cartão-postal do Rio de Janeiro (RJ) onde Bebel deu os primeiros passos artísticos no Circo Voador. A beleza natural da cidade emoldura a apresentação. Contudo, nenhuma paisagem disfarça o fato de o canto de Bebel soar opaco e de o repertório em si também ter pouco brilho quando a artista canta músicas de sua própria lavra. August day Song (Bebel Gilberto, Nina Miranda e Chris Frank, 2000) e Simplesmente (Bebel Gilberto, Didi Gutman e Marius De Vries, 2004) - faixa bilíngue, cantada de início em inglês - são exemplos dos limites da compositora. De todo modo, In Rio cumpre bem a função de resumir a obra de Bebel. É a primeira vez que a cantora registra Preciso dizer que te amo - parceria de Bebel com Cazuza (1958 - 1990) e Dé Palmeira lançada pela autora em obscuro EP de 1986 - após ter obtido projeção mundial. Já o samba-rap Na palma da mão - gravado com o rapper mineiro Flávio Renegado, compositor do tema que cita na letra um verso do samba Na cadência do samba  Ataulfo Alves e Paulo Gesta, 1950) - é novidade na voz da cantora. Intérprete pálida, Bebel tira todo o brilho do reggae Sun is shining (Bob Marley, 1971) com sua bossa eletrônica - em registro ouvido no DVD em clipe filmado na orla carioca - e recebe o tio Chico Buarque para dueto terno em Samba e amor (Chico Buarque, 1969). Gravado em estúdio, o registro de vozes e violão figura no CD e no DVD, para o qual foi gravado um clipe em preto e branco. Tudo a ver com o canto descolorido de Bebel, que foca o Rio por ótica estrangeira, de gringo. Tanto que, não por acaso, a releitura insossa de Rio (Simon Le Bon, Andy Taylor, John Taylor, Roger Taylor e Nick Rodes), hit do grupo inglês Duran Duran em 1982, figura no requentado primeiro registro ao vivo de Bebel Gilberto, um produto para exportação. Falta o calor do Rio!

20 comentários:

Mauro Ferreira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Beto Gonzales disse...

Em geral gosto muito das críticas publicadas no blog. Tenho lido nos últimos tempos alguns textos que beiram a crítica pessoal. Este e um deles....

Estalactites hemorrágicas disse...

Bebel?
Sim, gosto não.

Ricardo Sérgio

Ricardo Moreira disse...

Típica resenha de alguém que não gosta da cantora, nunca gostou e ai escolheu o momento "certo" para falar mal. Tanto que não reconhece nada de bom no registro, além da paisagem. Mauro, você precisa ser mais imparcial em seus textos. O blog não existe só para você se encher de amores por suas preferidas.

Rafael M. disse...

Áudio 2.0? Que pobreza, hein? Ao invés da sgravadoras investirem pesado no 5.1 ficam insitindo nesse 2.0? A única coisa que é alta aqui é o preço absurdo desse DVD...

Anônimo disse...

Concordo plenamente com o Ricardo Moreira!
Totalmente certo.

Anônimo disse...

Concordo com alguns comentários acima, pois percebi uma certa má vontade com Bebel. Creio que ela nunca teve a pretensão de ser "Diva" ou coisa parecida. Seu canto pode ser um tanto limitado em relação a grandes vozes a que estamos acostumados como Gal, Nana, Bethânia, Zizi, Elba, Simone e tantas outras, mas dentro de sua proposta como artista, tem muito valor. Um canto agradável, correto, moderno, repertório sofisticado e mesmo focando o Rio com "uma visão estrangeira", não acho que seja tão descolorido assim. Ao contrário, é cheio de encanto e matizes. E "Mais feliz" já ganhou um registro posterior ao EP de 1986, em "Tanto Tempo", CD de 2000.

Francisco Frankson de Freitas Franco disse...

Pegou mal esse comentário, se fosse no FACE até daria pra apertar a opção EDITAR e refazer tudo de novo.

Anônimo disse...

DVD lindo, emocionante, obra prima

Fabio disse...

Discordo plenamente de você, Mauro. O DVD é primoroso e não é só para gringo ver. Ele é belíssimo e as músicas não estão datadas. O clipe de Sun is Shining ficou tão legal, me deu saudades do Rio. Você acha a versão feita pela Bebel sem brilho?????? Pra mim é a melhor música!
Bebel pode não ter a melhor voz, mas sua música é palatável.
OBS: Samba da Benção abre o DVD e Rio abre o CD.

Bernardo Barroso Neto disse...

Concordo com alguns comentários postados acima: percebe-se uma má vontade com a Bebel Gilberto. Eu comprei o dvd e tem opção sim para mudar para o aúdio 5.1 e como o Vitor falou aí em cima a música Mais feliz já tinha sido gravada pela Bebel no cd Tanto tempo. A única coisa que achei ruim no dvd é que ela poderia mostrar pelo menos uma ou duas músicas inéditas, o resto o dvd é muito bom. Melhor do que pelo menos 90% do que se faz aqui no Brasil hoje em dia.

Adriano Soares disse...

Como a própria Bebel disse uma vez, não sei onde, que no Brasil ela sofre uma especie de síndrome de Carmem Miranda, ou seja, respeitada fora do seu país e criticada, sem motivo, por críticos brasileiros. Isso ficou evidente nesta resenha. Bebel é uma cantora de bossa, tem o canto doce, delicado, como o ritmo pede.

Denilson Santos disse...

Estão cobrando imparcialidade do crítico, mas estão se colocando como fãs ardorosos da cantora.
Creio que aceitar opiniões divergentes, seja do crítico, seja de qualquer outra pessoa, é de muito bom tom.
PS: o pouco a que assisti desse show na Internet, me passou a impressão de ser muito "mais do mesmo" e "para turistas". Como quase tudo na música brasileira recente, faltou ousadia.
Abração

Elba Mota disse...

O que eu percebo aqui é não pode se criticar? Este blog é um espaço de crítica, quando é para criticar artistas populares como Sandy, Paula Fernandes ou Ivete Sangalo não há problema, mas quando é alguém do dito cenário cult, o Mauro está de má vontade? Sejamos justos minha gente, eu fui à gravação do DVD, em Ipanema, e não fiquei até o final e sim, eu gosto da Bebel, mas ela não é nada de outro mundo....

Fabio disse...

Bom, não sou fã ardoroso de Bebel, apenas gosto dela e tenho todo direito de discordar do Mauro. Tenho de dizer amém para que os críticos dizem? Críticos são mais do que eu? Tenho de abafar minha opinião?

Elba, você gosta de Sandy! Faça-me um favor e shhhhhhhh.

Denilson Santos disse...

Fábio,

Concordo com você totalmente.

Ninguém é obrigado a concordar com o Mauro. Nesse caso, simplesmente responda "não concordo com você, Mauro", como já fiz dezenas de vezes aqui no blog.

Agora, (não é o seu caso) ficar escrevendo que ele tem perseguição pessoal, má vontade com a cantora, etc., não creio que seja correto.

abração,
Denilson

Elba Mota disse...

Fábio, não é questão de gostar de Sandy, é o espaço de democracia do blog,e não falo de vc especificamente, como vi que quer fazer comigo, inclusive dizendo para eu ficar calada, é assim que vc coloca a sua opinião? então tá, é como o Denílson disse, é o direito a discordar que o dono do blog tem, assim como vc e nem por isso vc deve falar para alguém se calar ou não, vamos respeitar as opiniões e gostos contrários ao nosso, foi isso que eu quis dizer, e respeito á diferença sempre é bom!!!!!

Fabio disse...

Sorry, Elba! S2 pra vc. bjo :)

Anônimo disse...

O blog é um espaço democrático, mas confesso não compreender muito bem, nos últimos tempos, o verdadeiro sentido de "Democracia". Talvez seja uma questão de ponto de vista? Quem há de dizer? Enfim, ainda não tive a oportunidade de assistir sequer um clip do referente DVD. Infelizmente. Sou fã de Bebel sim, como curto Sandy e acho que gostar de uma não exclui o fato de eu gostar de outra. Música é uma questão de bater e ficar. Ou você gosta ou não gosta. Independente de estilo, de ser ou não "cult", "Brega"... Quem define isso? À mim, não interessa rótulos, mas o efeito que a canção e a voz me despertam. Em relação ao repertório, acho que Bebel poderia sim ter ousado mais. Achei muito presa ao que já havia gravado nos seus Cds anteriores. Faltou diferencial ou um pouco de ineditismo. Porém, acredito que isso não seja motivo de "sub-qualificar" o produto em questão. Respeito a opinião do crítico, por ser ele alguém especializado no assunto e dotado de experiência profissional para emitir suas impressões com conhecimento mais técnico. Mas, possuo as minhas próprias e não sou obrigado a acatar tudo que ele escreve aqui. Considero esse espaço, um local agradável de discussões saudáveis, onde possamos trocar informações, conhecimentos, visões, de forma elegante e civilizada. Críticas, por incrível que pareça, podem ser construtivas e não imposições de pseudo-verdades. E assim, respeitosamente, espero que continue a caminhar a humanidade.

Sweet Kiwi disse...

DVD majestoso! Discordo dessa crítica. Aliás esse ano na MPB por enquanto só se salvam 3 DVDs: Gal Costa com "Recanto", Bebel Gilberto com "In Rio" e Filipe Catto com "Entre Cabelos, Olhos e Furacões". Na espera do DVD da Baby do Brasil, "Baby Sucessos" que deve vir mais pro final do ano.