Título: The Origin of Love
Artista: Mika
Gravadora: Casablanca / Universal Music
Cotação: * * *
Mika despontou com álbum tão pop e perfeito, Life in Cartoon Motion (2007), que se tornou cruel exigir do cantor e compositor libanês - batizado Michael Holbrook Penniman Jr., criado na Inglaterra e ora radicado na França - êxito na missão (impossível) de reeditar o brilho daquele álbum de estreia. The Boy Who Knew Too Much (2009) já desfez a magia. Terceiro álbum de Mika, recém-lançado no Brasil via Universal Music, The Origin of Love, mostra que a festa gay de Mika está cada vez menos animada, embora nem por isso menos interessante. Se havia ecos da alegria da disco music em Life in Cartoon Motion, evocada entre falsetes de canto que remetia a Freddie Mercury (1946 - 1991) e a George Michael, The Origin of Love está mais para o tecnopop dance dos Pet Shop Boys em bons temas autorais como Stardust, Make You Happy e a balada Underwater. De todo modo, justiça seja feita, Mika acerta ao procurar se renovar a cada disco. A épica faixa-título Origin of Love mostra que o cantor evita seguir fielmente sua receita de sucesso. Lola é azeitado pop radiofônico estruturado fora do universo dance. Dentro do que se espera do artista, o falsete de Mika continua sedutor e ecoa forte no refrão de Overrated. Sim, tais músicas são legais e conectam o artista com eficiência à música eletrônica produzida desde os anos 90, mas o fato é que elas jamais resistem à comparação com a perfeição pop de Grace Kelly, Lollipop, Love Today, Relax (Take It Easy), Billy Brown e Big Girl (You Are Beautiful) - obras-primas do vibrante primeiro álbum. The Origin of Love jamais contagia, ainda que a balada Kids exponha certa maturidade de Mika e que Love You When I'm Drunk contribua para animar a festa. Se Step With Me concilia leves toques de r & b e pop reggae em melodia envolvente que cresce no refrão, Popular Song é pop rap à moda de Mika. No fim, Celebrate procura animar a festa novamente. E até consegue. De qualquer maneira, mesmo resistindo com bravura à tentação de clonar a fórmula de seu primeiro e melhor álbum, Mika falha na missão (impossível) de fazer deste The Origin of Love um CD tão bom e vibrante quanto seu deliciosamente frívolo álbum de estreia. A vibe é outra.






























