Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


terça-feira, 6 de novembro de 2012

Festa gay de Mika soa bem menos animada no álbum 'The Origin of Love'

Resenha de CD
Título: The Origin of Love
Artista: Mika
Gravadora: Casablanca / Universal Music
Cotação: * * *

Mika despontou com álbum tão pop e perfeito, Life in Cartoon Motion (2007), que se tornou cruel exigir do cantor e compositor libanês - batizado Michael Holbrook Penniman Jr., criado na Inglaterra e ora radicado na França - êxito na missão (impossível) de reeditar o brilho daquele álbum de estreia. The Boy Who Knew Too Much (2009) já desfez a magia. Terceiro álbum de Mika, recém-lançado no Brasil via Universal Music, The Origin of Love, mostra que a festa gay de Mika está cada vez menos animada, embora nem por isso menos interessante. Se havia ecos da alegria da disco music em Life in Cartoon Motion, evocada entre falsetes de canto que remetia a Freddie Mercury (1946 - 1991) e a George Michael, The Origin of Love está mais para o tecnopop dance dos Pet Shop Boys em bons temas autorais como Stardust, Make You Happy e a balada Underwater. De todo modo, justiça seja feita, Mika acerta ao procurar se renovar a cada disco. A épica faixa-título Origin of Love mostra que o cantor evita seguir fielmente sua receita de sucesso. Lola é azeitado pop radiofônico estruturado fora do universo dance. Dentro do que se espera do artista, o falsete de Mika continua sedutor e ecoa forte no refrão de Overrated. Sim, tais músicas são legais e conectam o artista com eficiência à música eletrônica produzida desde os anos 90, mas o fato é que elas jamais resistem à comparação com a perfeição pop de Grace Kelly, Lollipop, Love Today, Relax (Take It Easy), Billy Brown e Big Girl (You Are Beautiful) - obras-primas do vibrante primeiro álbum. The Origin of Love jamais contagia, ainda que a balada Kids exponha certa maturidade de Mika e que Love You When I'm Drunk contribua para animar a festa. Se Step With Me concilia leves toques de r & b e pop reggae em melodia envolvente que cresce no refrão, Popular Song é pop rap à moda de Mika. No fim, Celebrate procura animar a festa novamente. E até consegue. De qualquer maneira, mesmo resistindo com bravura à tentação de clonar a fórmula de seu primeiro e melhor álbum, Mika falha na missão (impossível) de fazer deste The Origin of Love um CD tão bom e vibrante quanto seu deliciosamente frívolo álbum de estreia. A vibe é outra.

Backstreet Boys lançam no iTunes 'single' natalino gravado com Kevin

Enquanto finaliza o primeiro álbum com sua formação original desde Never Gone (2005), previsto para ser lançado em 2013, o grupo norte-americano Backstreet Boys edita via iTunes nesta terça-feira, 6 de novembro de 2012, o single natalino It's Christmas Time Again, de autoria dos integrantes da boyband. O single alude no título It's Christmas Time Again à balada Christmas Time, gravada pelo grupo em 1996. De novo um quinteto desde a volta do dissidente Kevin Richardson ao grupo, em abril, os Boys se preparam para festejar 20 anos de carreira em 2013 com a edição do álbum gravado desde julho com produção de Martin Terefe.

Álbum de peso, 'Monster' acorda o Kiss que adormecia já há alguns anos

Resenha de CD
Título: Monster
Artista: Kiss
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * * * 

À beira dos 40 anos, a serem completados em janeiro de 2013, o grupo norte-americano Kiss surpreende o universo pop ao lançar um dos álbuns de maior peso em sua discografia irregular. Produzido pelo vocalista Paul Stanley com a colaboração de Greg Collins, tal como seu antecessor Sonic Boom (2009), Monster acorda o Kiss que adormeceu ao longo dos anos 2000. Já na primorosa faixa que abre o CD recém-lançado no Brasil via Universal Music, Hell or Hallelujah (Paul Stanley) turbinada com matador solo de guitarra de Tommy Thayer, fica perceptível a pegada, a energia e o vigor do repertório de Monster. Não se trata de obra do acaso. Na sequência, Wall of Sound (Paul Stanley, Gene Simmons e Tommy Thayer) - talvez a melhor dentre tantas músicas boas que tornam coesa a safra de inéditas de Monster - e Freak (Paul Stanley e Tommy Thayer) mantém a pressão e o alto nível do álbum. Como os músicos vem alardeando, Monster é álbum "sem frescura, sem baladas". Em bom português, Monster é disco de rock pesado, moldado para estádios e arenas. Poderia soar requentado, mas o fato é que músicas como Long Way Down (Paul Stanley e Tommy Thayer), Back To The Stone Age (Paul Stanley, Gene Simmons, Eric Singer, e Tommy Thayer) e Eat Your Heart Out (Gene Simmons) evocam os tempos áureos do Kiss. Como compositor, baixista e também vocalista, Gene Simmons - parte da alma da banda - se mostra em boa forma, inclusive em uma ou outra faixa de menor peso como The Devil Is Me. Mesmo Outta This World (Tommy Thayer) - tema em que Thayer concilia a guitarra com os vocais bissextos - está dentro do espírito de um álbum imponente na discografia do Kiss. O monstro do glam rock estava em sono pesado, mas acordou. A tempo de fazer barulho na turnê que passa este mês pelo Brasil.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

TLC vai lançar em 2013 seu primeiro álbum desde a morte de Lisa Lopes

Reduzido a um duo com a morte de Lisa Left Eye Lopes (1971 - 2002) há dez anos, o grupo norte-americano de r & b e rap TLC vai lançar em 2013 seu primeiro álbum desde 3D (2002). Rozonda Chilli Thomas e Tionne T-Boz Watkins planejam ainda turnê e cinebiografia do TLC.

Autoramas busca financiamento para produção e edição do segundo DVD

Aos 15 anos de carreira, a banda carioca Autoramas - formada em 1997 a partir da mudança de seu vocalista e guitarrista Gabriel Thomaz para o Rio de Janeiro (RJ) - busca financiamento coletivo para viabilizar a produção e a edição de seu segundo DVD. É preciso captar arrecadar R$ 9.999,90 até 18 de dezembro de 2012. O DVD Autoramas Internacional vai documentar com números de shows e cenas de bastidores as andanças do trio pela cena indie estrangeira. A intenção é traçar no DVD a rota das turnês internacionais da banda que, além do Brasil, faz regularmente shows em países como Alemanha, Argentina, Bélgica, Chile, Espanha, França, Holanda, Inglaterra, Japão, Peru, Portugal, Suíça e Uruguai - sempre tocando e cantando em português o repertório autoral de seus seis álbuns. Clique aqui para se inteirar da nova ação de crowfounding promovida pela banda, que viabilizou a gravação e edição de seu sexto álbum, o bom Música Crocante (Coqueiro Verde, 2011), pelo mesmo estilo de financiamento coletivo.

Paulinho arquiteta DVD com registro do show comemorativo dos 70 anos

Paulinho da Viola arquiteta a gravação ao vivo - para edição em CD e DVD - do inédito show comemorativo de seus 70 anos de vida. O aniversário do cantor e compositor carioca é em 12 de novembro de 2012. Já o show é gratuito, ao ar livre, e está (re)programado para 17 de novembro, no Parque Madureira, em Madureira, um bairro do subúrbio do Rio de Janeiro (RJ).

Walker recebe convite da Joia Moderna para celebrar obra de Sueli Costa

Os 70 anos da compositora carioca Sueli Costa - a serem completados em 25 de julho de 2013 - deverão gerar pelo menos um tributo fonográfico. Projetado nos anos 70 com a gravação de Alfazema, o cantor carioca Carlos Walker recebeu convite da gravadora Joia Moderna para fazer disco com músicas da compositora de sucessos como Coração Ateu, parceira de poetas como Tite de Lemos (1942-1989) e Cacaso (1944-1987). Embora esteja receptivo ao convite, Walker ainda não formalizou vínculo contratual com o selo do DJ Zé Pedro para gravar o disco. 

Grupo que agrega Yorke e Flea, Atoms For Peace lança álbum em janeiro

Tem lançamento previsto para 28 de janeiro de 2013 o primeiro álbum do Atoms for Peace, o supergrupo formado em 2009 em Los Angeles (EUA) com a reunião de Thom Yorke (cérebro e voz do Radiohead), Flea (baixista do Red Hot Chili Peppers), o produtor do Radiohead Nigel Godrich (nos teclados e na guitarra), o baterista Joey Waronker e o percussionista brasileiro Mauro Refosco (radicado em Nova York desde 1992). De acordo com informações extra-oficiais, o álbum se chama Amok e vai ser editado pela XL Recordings. A faixa Default já foi divulgada pela banda. Eis as prováveis nove músicas inéditas que formam o repertório de Amok:

1. Before Your Very Eyes…
2. Default
3. Ingenue
4. Dropped
5. Unless
6. Stuck Together Pieces
7. Judge, Jury And Executioner
8. Reverse Running
9. Amok

domingo, 4 de novembro de 2012

'Depois' ganha clipe com cenas destoantes da amorosa balada de Marisa

Resenha de clipe
Música: Depois (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte)
Artista: Marisa Monte
Direção: Dora Jobim
Ideia Original:
Giovanni Bianco
Edição: Guilherme Schumann
Produção: Gabriela Figueiredo

Produtora: Samba Filmes
Cotação: * *

Há algo fora da ordem no clipe de Depois (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte), a bela balada romântica lançada por Marisa Monte em seu álbum O Que Você Quer Saber de Verdade (2011). E não é o somente o fato de o lançamento do vídeo - posto em rotação na internet em 1º de novembro de 2012 - estar sendo feito meses após a veiculação maciça da canção na trilha sonora da novela Avenida Brasil e sua consequente execução em rádio. Dirigido por Dora Jobim a partir de ideia original de Giovanni Bianco, o clipe de Depois apresenta imagens fora de sintonia com o tom pacífico dos versos da canção. Na letra de Depois, a protagonista de falida relação afetiva aceita resignada o fim da união e deseja felicidade ao ex-companheiro com a convicção de que ela também vai ser feliz de novo. No clipe, a costura de cenas de filmes em preto e branco - com imagens de brigas e reconciliações de casais - resulta agressiva e destoa do espírito amoroso da sedutora balada. Em que pese o acabamento estiloso da produção da Samba Filmes, o estranho clipe de Depois jamais traduz a mensagem da canção e em nada contribui para realçar outros (possíveis) significados da letra.

'Maneira de Ser' é bela carta de intenções e impressões do mundo de Marina

Resenha de livro
Título: Maneira de Ser
Autoria: Marina Lima
Organização: Marina Lima e Marcio Debellian
Editora: Língua Geral
Cotação: * * * *

♪ Mais um caderno de intenções e impressões (próprias e alheias) da vida e obra de Marina Lima do que uma autobiografia da cantora e compositora, Maneira de Ser desvenda parte do mundo da cantautora com a elegância e o charme peculiares da artista. Mesmo sem entregar o ouro e a alma ao leitor, Marina descortina afetos e dores neste livro originado de série de entrevistas com o DJ Zé Pedro. Com o mesmo título da primeira canção composta pela artista sem parceiros e gravada no seu primeiro álbum, o ardente Simples Como Fogo (1979), Maneira de Ser está estruturado como almanaque, com textos curtos, fotos, seções, sem preocupações cronológicas ou didáticas. É livro para entendidos no assunto Marina Lima, que veio ao mundo na cidade de Campo Maior, no Piauí, mas construiu alma carioca. Mas a leveza dos almanaques se restringe à edição arejada e moderna desses textos e fotos. O conteúdo tem peso - e Maneira de Ser se avoluma justamente quando toca em feridas como as provocadas pelas dores emocionais que levaram a então estressada artista a cancelar a turnê do show Abrigo (1995) no meio dos ensaios. Marina esclarece esse momento de ruptura com a mesma aparente sinceridade com que expõe a admiração pelo pai herói Ewaldo ("Eu queria que aquele homem se orgulhasse de mim"), com que se dirige afetivamente à mãe Amélia em carta póstuma, com que recorda a dor de ter perdido o irmão Beto e a delícia de ter convivido com o lado quente desse ser tão especial em sua jornada existencial. Neste caderno de afetos, como o livro é (bem) caracterizado no texto introdutório escrito por seu organizador Marcio Debellian, Marina se expõe no limite do (seu) possível. Mas esse limite já é grande para uma artista que sempre se distanciou dos holofotes da indústria das celebridades e que sempre primou pelo detalhismo na criação e formatação de sua música em discos e shows. "Subir ao palco, fazer um disco, criar uma obra, não é como ir tomar cafezinho na esquina", delimita logo num dos primeiros textos de Maneira de Ser. Tal precisão transparece na análise lúcida de sua discografia e de algumas músicas de seu cancioneiro de fina estampa. Marina revela que a regravação de Solidão (Dolores Duran) no seminal Simples Como Fogo foi sugestão de André Midani (então na presidência da Warner Music), lamenta a onipresença dos arranjos de Lincoln Olivetti em Olhos Felizes (1980) sem deixar de ressaltar o talento do maestro ("Um ás, mas só ter arranjo dele descaracterizou algumas músicas", pondera, cheia de charme e razão) e ressalta seu contentamento com os resultados finais de álbuns como Certos Acordes (1981), Virgem (1987), Marina Lima (1991) e Pierrot do Brasil (1998), entre outros títulos definidores dos caminhos tomados por sua música. Em foro mais íntimo, Marina explicita em Maneira de Ser a cumplicidade com a empresária e companheira Marcia Alvarez ao longo dos anos 80 no auge da carreira - elo retomado momentaneamente na confecção do pálido álbum Setembro (2001) - e louva a irmandade adquirida com os amigos Cao Albuquerque e Candé Salles ("Candé me fez ver que eu poderia amar um homem, namorá-lo e não estranhar"). Entre reproduções de textos escritos sobre Marina na imprensa e de posts publicados pela artista em seu blog, Maneira de Ser expõe algumas imagens reveladoras como a foto feita por Thereza Eugênia no Arpoador em 1973 e os croquis do show Primórdios (2005). Aliadas às impressões alinhadas no livro, tais imagens expõem a personalidade forte de Marina Lima nesta vida e nesta Arte de criar sua música, que sempre foi a mais perfeita tradução, afinal, das emoções salpicadas de maneira confessional nesta afetiva carta de intenções.

Sai de cena Carmélia Alves, a discípula de Carmen coroada 'rainha do baião'

♪ Como todas as cantoras que iniciaram carreira na primeira metade dos anos 1940, Carmélia Alves (14 de fevereiro de 1923 - 3 de novembro de 2012) começou seguindo a trilha aberta por Carmen Miranda (1909 - 1955), matriz do canto popular feminino do Brasil. Mas Carmélia Alves Curvello - carioca filha de pai cearense e mãe baiana, criada em Petropólis (RJ) - sai de cena para permanecer na história da música brasileira como a Rainha do baião. O epíteto lhe foi cunhado por ninguém menos do que Luiz Gonzaga (1912 - 1989), o rei do gênero que estilizou e que propagou no Brasil na segunda metade dos anos 1940. Gênero que foi abraçado por Carmélia, com enorme adesão popular, ao longo da década de 1950, quando o acordeom dava o tom da música brasileira até ser destronado em 1958 pelo violão e os sons urbanos da Bossa Nova. Antes de ser entronizada no auge da carreira como a Rainha do baião, Carmélia foi caloura nos anos 1930 e cantora de rádio (a Mayrink Veiga) já em 1941, ano em que também assumiu no Rio de Janeiro (RJ) o cobiçado posto de crooner do Copacabana Palace. A carreira fonográfica começa em 1943 - com o disco de  78 rotações que trazia Deixei de sofrer (Popeye do Pandeiro e Horondino Silva) e Quem dorme no ponto é chofer (Assis Valente), editado pela Victor - mas deslancha somente na extinta Continental, gravadora onde Carmélia fez, entre 1949 e 1954, as gravações do período áureo da discografia. Foi quando deu voz vivaz a músicas de compositores como Capiba (1904 - 1997), Hervê Cordovil (1914 - 1979), Humberto Teixeira (1915 - 1979) e, claro, Luiz Gonzaga - autores recorrentes nos créditos dos discos de 78 rotações lançados pela cantora na Continental e, a partir de 1955, na também já extinta Copacabana. Nos anos 1960, Carmélia se viu obrigada a aderir à onda trazida pela Bossa Nova - chegando a gravar pela Mocambo em 1964 álbum, Bossa Nova com Carmélia Alves, dedicado ao gênero - mas logo voltou aos ritmos nordestinos, pilares da obra fonográfica da artista. A partir dos anos 1970, a cantora gravou com regularidade cada vez menor. Esquecida na década de 1980, ressurge em cena - com algumas colegas de geração - no grupo As Eternas Cantoras do Rádio, com o qual fez turnês pelo Brasil e gravou discos saudosistas até se afastar por conta dos problemas de saúde que tirariam a vida e calariam a voz da cantora na noite do último sábado, 3 de novembro de 2012. Carmélia Alves sai de cena, mas permanece na história.

Cara romântico, Rei entra no baile funk sem perder pose de conquistador

Resenha de CD
Título: Esse Cara Sou Eu
Artista: Roberto Carlos
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * *

"Do que é meu, eu cuido e não me distraio", avisa Roberto Carlos em verso de Furdúncio, o funk melody que compôs com Erasmo Carlos na linha light dos sucessos de MC Leozinho e da extinta dupla Claudinho & Buchecha. O verso deixa entrever visão possessiva e machista da mulher-objeto que, por ser alvo de muitos admiradores, cria furdúncio por onde passa. Sim, Roberto Carlos entra no baile funk sem perder a pose de conquistador e latin lover alimentada desde os tempos da Jovem Guarda. Gravado com  o DJ Batutinha e o tecladista Tutuca Borba, o funk melody do Rei preserva o estilo de sua majestade. Ainda assim, Furdúncio é a maior novidade de Esse Cara Sou Eu, CD com quatro músicas - reedição do formato do velho compacto duplo - lançado pela Sony Music neste mês de novembro de 2012, no lugar do prometido - mas nunca cumprido - álbum de inéditas de Roberto Carlos. Neste single duplo, as inéditas são apenas duas. Além de Furdúncio, o cada vez menos profícuo compositor apresenta a balada que dá título ao disco, Esse Cara Sou Eu, cedida (assim como o funk) para a trilha sonora da novela Salve Jorge, recém-estreada pela TV Globo. Mesmo sem sequer roçar a beleza das clássicas canções de amor do artista, Esse Cara Sou Eu é boa balada de romantismo derramado, gravada com as adesões de Chocolate (bateria) e Jorge Aílton (baixo), músicos que formam a azeitada cozinha da atual banda do cantor e compositor carioca Lulu Santos. A estrutura da canção é simples, mas enreda o ouvinte. Bem mais do que A Mulher que Eu Amo, a (também boa) balada lançada na trilha sonora da novela Viver a Vida (TV Globo, 2009) e até então nunca incluída na discografia oficial de Roberto Carlos. Completa o single duplo a gravação de A Volta, feita em 2004. Música de Roberto Carlos com Erasmo Carlos, lançada com sucesso pela dupla Os Vips em compacto de fevereiro de 1966, A Volta tinha permanecido inédita na voz de Roberto até a gravação feita para a trilha sonora da novela América (TV Globo, 2004) e incluída no CD Pra Sempre ao Vivo no Pacaembu (2004). Mudam os ritmos e os tempos, mas o CD Esse Cara Sou Eu sinaliza que Roberto Carlos jamais perde a pose de conquistador romântico. Por isso mesmo, sua majestade se recusa a entrar no baile da pesada.

Segundo CD do Dois em Um, 'Agora' sai em janeiro com letra de Bastos

Com foto de Mayra Lins na (bela) capa, o segundo álbum de Dois em Um, Agora, vai ser lançado em janeiro de 2013. No disco, o duo baiano - formado por Luisão Pereira (guitarra) e Fernanda Monteiro (voz e violoncelo) - abre parceria com o compositor Ronaldo Bastos, letrista da música Você Tem o Que Eu Preciso, faixa que abre os trabalhos promocionais do CD nesta primeira semana de novembro de 2012. A faixa-título, Agora, é parceria de Luisão Pereira com Mateus Borba. O primeiro álbum do Dois em Um foi lançado em 2009 no mercado indie.

sábado, 3 de novembro de 2012

Zélia canta Itamar em CD que traz Martinho, Ney e inéditas do compositor

Nas lojas neste mês de novembro de 2012, em edição distribuída pela Warner Music, o CD Zélia Duncan Canta Itamar Assumpção - Tudo Esclarecido apresenta seis inéditas recolhidas no baú do saudoso compositor paulista. A Gruta da Solidão, Não É Por Aí, Quem Mandou, É de Estarrecer, Zélia Mãe Joana e a faixa-título Tudo Esclarecido são as seis inéditas do disco produzido por Kassin e gravado com participações de Martinho da Vila (na inédita É de Estarrecer) e Ney Matogrosso (em Isso Não Vai Ficar Assim, música lançada pelo compositor no álbum Sampa Midnight, de 1986). Um dos principais pilares da vanguarda paulistana dos anos 80, Itamar Assumpção (13 de setembro de 1949 - 12 de junho de 2003) tem sua obra abordada por uma cantora-fã que já havia registrado 11 músicas de autoria do compositor ao longo de sua discografia. Eis as 13 músicas de Tudo Esclarecido e, na sequência, depoimento da própria Zélia sobre a natureza do CD, arquitetado "sem pretensão didática ou cronológica":

1. Tua Boca (Itamar Assumpção)
    - Música do álbum Bicho de 7 Cabeças Vol. II (1993)
2. Cabelo Duro (Itamar Assumpção)
    - Música do álbum Isso Vai Dar Repercussão (2004)
3. Isso Não Vai Ficar Assim (Itamar Assumpção) - com Ney Matogrosso 
    - Música do álbum Sampa Midnight (1986)
4. Mal Menor (Itamar Assumpção)
    - Música do álbum Intercontinental! Quem Diria!! Era Só o que Faltava!!! (1988)
5. A Gruta da Solidão (Itamar Assumpção)
    - Música inédita
6. Quem Mandou (Itamar Assumpção e Alice Ruiz)
    - Música inédita
7. Tudo Esclarecido (Itamar Assumpção e Alice Ruiz)
    - Música inédita
8. Noite Torta (Itamar Assumpção) 
    - Música do álbum Bicho de 7 Cabeças (1993)
9. Enquanto Penso Nela (Itamar Assumpção)
    - Música do álbum Bicho de 7 Cabeças (1993)
10. Vê Se Me Esquece (Itamar Assumpção e Alice Ruiz)
      - Música do álbum Bicho de 7 Cabeças Vol. II (1993)
11. Não é Por Aí (Itamar Assumpção e Alice Ruiz)
      - Música inédita
12. É de Estarrecer (Itamar Assumpção e Alice Ruiz) - com Martinho da Vila
      - Música inédita
13. Zélia Mãe Joana (Itamar Assumpção)
      - Música inédita

Tudo Esclarecido nas palavras de Zélia Duncan: “Faz alguns anos, comecei a dizer que, um dia, gravaria um disco só de Itamar Assumpção. Ao longo do tempo e dos meus álbuns, disfarçadamente já fui fazendo isso. Ao todo, 11 faixas, espalhadas pela minha vida fonográfica, já deixavam os rastros de sua importância pra mim, até este momento. Agora, como se eu tivesse finalmente engolido a orquídea, flor que ele tanto amava, me transformo de uma vez por todas em uma daquelas do seu jardim. Nos anos 80, só pensava em ir pra Sampa, batalhar uma vaga como sua vocalista. Isso não acontece, mas eu nunca vou deixar de me sentir uma delas. Mastigo suas palavras, mais vivas do que nunca. Elas me dão nutrientes, oxigênio, pétalas, cores, perfumes e cheiros fortes de terra fértil e negra. Este é um álbum ainda mais egoísta do que os meus anteriores. Ele existe porque eu amo Itamar e ponto final. Porém, me redime, porque preciso e quero muito dividi-lo com cada incauto ouvinte que passar por aqui – que, adoraria, fossem muitos. Não há aqui nenhuma pretensão didática ou cronológica. É uma gota no oceano caudaloso e precioso de sua obra. Ney Matogrosso e Martinho da Vila me fizeram explodir de emoção nas gravações e na cumplicidade em relação à importância de ter a música de Itamar cada vez mais entre nós. Kassin e os músicos por ele escolhidos encheram de sol e som os caminhos do bendito Beleléu Assumpção. Mais do que cantora de Itamar, sou sua devotada ouvinte e aprendiz. Entre os casos esquecidos, estão as melhores lembranças. Entre as coisas perdidas, estão os melhores achados. Tudo Esclarecido".

Revelação gravita em torno do samba populista nos CD e DVD '360º ao Vivo'

Resenha de CD e DVD
Título: 360º ao vivo
Artista: Grupo Revelação
Gravadora: Universal Music
Cotação: * 1/2

♪ Após alguns álbuns que se equilibraram na fronteira entre o pagode romântico e o samba colhido nos mais nobres quintais cariocas, o Grupo Revelação descamba para a linha populista no quinto registro de show, 360º ao vivo, captado pelo engenheiro Marcos Sabóia em apresentação feita pelo sexteto carioca na HSBC Arena, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em 5 de julho de 2012. Basta listar o time de convidados do CD e DVD 360º ao vivo -projeto produzido por Ivan Paulo e recém-lançado pela Universal Music - para perceber a guinada populista do Revelação. Belo divide com o vocalista e compositor Xande de Pilares Trilha sem fim (André Renato, Xande de Pilares e Gilson Bernini), pagode de forte apelo popular. Vocalista do grupo Aviões do Forró, Xandy Avião dá rasante em Amor pra sempre, faixa exclusiva do DVD. Até David Elliott - opaco cantor cujo único crédito é ser filho da cantora norte-americana Dionne Warwick - entra em cena em Essência da paixão (Xande de Pilares, Helinho do Salgueiro e Mauro Jr.), pagode entoado por Elliott em inglês, em momento que beira o constrangimento. Por sua vez, Benito Di Paula - sambista de grande projeção nos anos 1970 com samba de arquitetura particular - se junta ao grupo no medley que junta três títulos - Além de tudo, Retalhos de cetim e Charlie Brown - da personalíssima obra autoral do artista. Em que pesem o tom desleixado das interpretações, o número com Benito é um dos mais cativantes de 360º ao vivo pela calorosa adesão do público que assistiu à gravação ao vivo que ainda contou com a presença de Carlinhos Brown, convidado de Explosão de alegria (André Renato e Charles André), um daqueles sambas de ritmo elétrico e veloz típicos do Revelação. Dentro desse estilo mais populista adotada pelo grupo em temas como Só vai de camarote (André Renato, Xande de Pilares e Gilson Bernini), a regravação de Batida de limão (Aroldo Santos e Zardino) - samba que fez sucesso nos anos 1970 na voz de Aroldo Santos - até desce bem. Mas não atenua a ressaca experimentada pelo ouvinte de 360º ao vivo, projeto - apesar do apuro técnico desta gravação - aquém das possibilidades já mostradas pelo Grupo Revelação em discos anteriores.

Centenário de Herivelto gera coletânea dupla da EMI com 36 gravações

Além do ainda inédito tributo produzido por Thiago Marques Luiz para a paulista Lua Music com gravações inéditas e de compilação recém-lançada pelo selo curitibano Revivendo, o centenário de nascimento do compositor fluminense Herivelto Martins (1912 - 1992) gera coletânea dupla que vai ser posta nas lojas pela EMI Music neste mês de novembro de 2012. Herivelto Martins 100 Anos - Faça de Conta que o Tempo Passou agrega em dois CDs 36 gravações de músicas do compositor nas vozes de vários cantores. Eis as faixas da coletânea feita por Rodrigo Faour, que assina o texto biográfico do encarte sobre a vida e a obra do centenário Herivelto Martins:

CD 1 - Sucessos
1. Caminhemos - Nelson Goncalves e Maria Bethânia (1986)
2. Bom Dia - Dalva de Oliveira (1968)
3. Carlos Gardel - Nelson Gonçalves (1954)
4. Dois Corações - Dalva de Oliveira e Francisco Alves (1942)
5. Edredon Vermelho - Isaura Garcia e Walter Wanderley (1960)
6. Negro Telefone - Elza Soares (1967)
7. Às Três da Manhã - Aracy de Almeida (1946) 
8. A Lapa - Márcio Gomes (2011)
9. O Maior Samba do Mundo - Linda Batista e Nelson Gonçalves (1958)
10. Izaura - Miltinho (1968)
11. Nega Manhosa - Nelson Gonçalves (1957)
12. Odette - Francisco Alves e Trio de Ouro (1944)
13. Cabelos Brancos - Roberto Silva (1959)
14. Pensando em Ti - Nelson Gonçalves e Ângela Maria (1984)
15. Fracassamos - Dalva de Oliveira (1971)
16. A Camisola do Dia - Maria Bethânia e Chico Buarque (1975)
17. Um Caboclo Abandonado - Sylvio Caldas (1936)
18. Ave Maria no Morro - Dalva de Oliveira (1961)

CD 2 - Mais Sucessos e Relíquias
1. A Bahia te Espera - Dalva de Oliveira  (1963)
2. Não Posso Nem Comigo - 4 Ases e Um Coringa (1961)
3. Amuleto - Miltinho (1966)
4. Mamãe - Angela Maria e João Dias (1957)
5. Segredo - Dalva de Oliveira (1961)
6. Atiraste Uma Pedra - Waleska (1979)
7. Quase - Miltinho (1966)
8. Ela - Trio Irakitan (1961)
9. Redoma de Vidro - Nelson Gonçalves (1952)
10. Vaidosa - Os Cinco Crioulos (1968)
11. Amigo - Nelson Gonçalves (1957)
12. Se É Pecado - Francisco Alves (1943)
13. Estrelas na Lama - Nelson Gonçalves (1956)
14. Mais Uma Estrela - Nara Leão (1972)
15. Amélia na Praça Onze - Linda Batista (1942)
16. Praça Onze - Trio Irakitan (1959)
17. Mangueira Não - Francisco Alves e Trio de Ouro (1943)
18. Saudosa Mangueira - Alcione e Velha Guarda da Mangueira (2000)

Do samba ao funk, Olimpo Carioca traça a beleza, o caos e os sons do Rio

Resenha de musical
Título: A Revista do Ano - O Olimpo Carioca
Texto: Tânia Brandão
Direção: Sérgio Módena
Direção musical: Marco Pereira
Elenco: Alcemar Vieira, Ana Carbatti, Ana Velloso, Celso Andre, Cilene Guedes,
           Édio Nunes, Helga Nemecyzk, Marcelo Capobiango, Mona Vilardo, Marta
           Metzler, Milton Filho, Rogério Freitas, Stela Maria Rodrigues, Thiago Pach
           e Vera Novello
Músicos: Carlos Cesar Motta (bateria), Firmino (percussão), Humberto Araújo (sax
           e flauta), Itamar Assiere (teclados), Nando Duarte (violão e guitarra), Pedro
           Mann (baixo) e Ricardo Rente (sax e flauta)
Foto: Guga Melgar
Cotação: * * * 
Em cartaz no Teatro Clara Nunes, no Rio de Janeiro (RJ), de quinta-feira a domingo

Ao revitalizar no espetáculo musical Olimpo Carioca o teatro de revista, mais especificamente a Revista de Ano, gênero entronizado na cena carioca ainda no século XIX pelo seminal dramaturgo brasileiro Artur Azevedo (1855 - 1908), a dramaturga e historiadora Tânia Brandão se vale da principal arma da revista - o humor cáustico - para mapear a beleza, o caos e os sons do Rio de Janeiro (RJ). Sob a direção musical do violonista Marco Pereira, Olimpo Carioca expõe a diversidade da trilha sonora de uma cidade partida em  facções musicais. Do samba-canção Copacabana (obra-prima de João de Barro - o Braguinha - com Alberto Ribeiro, erroneamente creditada a Tom Jobim  no programa da peça) ao Funk do Bueiro (MC Cezinha da Lapa), passando pelo empolgante samba-enredo Peguei Um Ita no Norte (Demá Chagas, Arizão, Bala, Guaracy e Celso Trindade), a revista musical traça painel vivaz da sonoridade carioca em  números costurados com a crítica mordaz da autora ao caos da saúde carioca e a controvertidas decisões políticas que envolvem o cotidiano da cidade, casos da Lei Seca (personificada por Vera Novello) e da intenção ainda não concretizada de extinguir a Perimetral (avenida encarnada em cena por Ana Carbatti num dos momentos em que o humor e a crítica resultam mais eficientes). Sob a direção de Sérgio Módena, hábil ao ressaltar na encenação o tom popular e ácido do texto, Olimpo Carioca brinca com signos da mitologia grega em enredo estruturado a partir da vinda dos deuses Hefaísto (Rogério Freitas), Dionísio (Alcemar Vieira) e Mulher Labareda (Helga Nemeczyk) para o Rio de Janeiro (RJ). O início do espetáculo ainda precisa ter seu ritmo ajustado, pois a breve apresentação da trama dá a impressão de ser mais longa do que realmente é. Contudo, a revista engrena a partir da chegada dos deuses à cidade maravilha descrita com precisão por Fernanda Abreu, Fausto Fawcett e Carlos Laufer na letra do samba-funk Rio 40º, clássico contemporâneo entrelaçado no apoteótico pot-pourri final com temas emblemáticos do espírito e da geografia da cidade como o samba Aquele Abraço (Gilberto Gil) e o funk Do Leme ao Pontal (Tim Maia). Perdido na cidade, o trio purga pecados entre a beleza e o caos do Rio. É da perplexidade dos deuses gregos com os códigos particulares da cidade que Tânia Brandão extrai o humor e faz suas críticas incisivas. Diplomado na escola informal dos musicais brasileiros, o elenco entra no espírito da revista e garante o riso em vários momentos. Ana Velloso está especialmente impagável como a colombiana incapaz de absorver as regras de coleta do lixo. Milton Filho se comunica de imediato com a plateia pela composição escrachada de Escândalo, símbolo da imprensa marrom que mancha o jornalismo carioca. Já Édio Nunes mostra toda sua ginga ao interpretar Malandro Não Vacila (Julinho), samba propagado na voz de Bezerra da Silva (1927 - 2005). Do terreiro (Benguelê, de Pixinguinha e Gastão Vianna) ao Carnaval (representado por pot-pourri de marchinhas turbinadas com paródias inéditas de tom corrosivo), Olimpo Carioca alfineta e simultaneamente exalta o Rio ao passar em revista o mapa sócio-musical da cidade. Com o auxílio de bons instrumentistas, os números musicais resultam sedutores em sua maior parte. O samba Eu Vou pra Lapa (Serginho Meriti e Claudinho Guimarães) merece menção especial por resultar mais bonito do que na gravação de Alcione. Já o afro-samba Labareda (Baden Powell e Vinicius de Moraes) pode arder em chama mais alta. No todo, o saldo teatral e musical é positivo. O canto crítico da cidade ressoa com força suficiente para dar novo fôlego a um gênero que já parecia confinado a uma cena do passado, mas que ainda pode soar atual.

Reduzido a trio, Paramore finaliza álbum produzido por Meldan-Johnsen

Desde 2010 reduzido a um trio por conta da saída dos irmãos Josh Farro e Zac Farro, o grupo norte-americano Paramone finalizou seu quarto álbum de estúdio sob a produção de Justin Meldal-Johnsen. O término da gravação do disco - iniciada em abril deste ano de 2012 - foi anunciado e festejado pelo vocalista da banda, Hayley William, via Twitter. O lançamento está previsto para 2013. Daydreaming é uma das músicas do sucessor de Brand New Eyes (2009).

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Bethânia, Diogo, Melodia e Paulinho engrossam 'Sambabook' de Martinho

As gravações do Sambabook de Martinho da Vila - segundo homenageado na série iniciada com tributo a João Nogueira (1941 - 2000) - vão começar neste mês de novembro de 2012. Diogo Nogueira, Luiz Melodia, Maria Bethânia e Paulinho da Viola figuram entre os intérpretes que já confirmaram presença no Sambabook de Martinho. Cada convidado vai dar voz a uma música do cantor e compositor fluminense. O lançamento do CD/DVD/livro está programado para 2013.

Cantor de forte presença cênica, Catto vai lançar primeiro DVD em 2013

Cantor e compositor gaúcho que ganhou projeção e público ao longo deste ano de 2012, por conta da crescente repercussão do álbum e show Fôlego (2011), Filipe Catto - visto em foto psicodélica de Rick Scaff - vai registrar sua elogiada performance em cena. Em 2013, Catto vai lançar sua primeira gravação ao vivo. O DVD vai dar continuidade à carreira fonográfica iniciada com o EP indie Saga (2009) e impulsionada dois anos depois com o lançamento, já pela gravadora multinacional Universal Music, do álbum Fôlego. Intérprete de forte presença cênica, não raro associado a Ney Matogrosso, Filipe Catto é um dos poucos cantores nacionais com voz e personalidade para desafiar a (já histórica) supremacia do canto feminino no Brasil.

Buchecha tenta reconquistar seu sucesso com a edição de seu primeiro DVD

♪ Em 2011, a pretexto de festejar seus "15 anos de sucesso", o cantor e compositor fluminense Buchecha refez seu baile pop funk em show no Pepsi on Stage, em Porto Alegre (RS). Na época, fazia mesmo 15 anos que o funkeiro tinha ganhado projeção - como integrante da dupla Claudinho & Buchecha - por conta do sucesso do primeiro álbum do duo de MCs de São Gonçalo (RJ), disco lançado em 1996, um ano após a formação da dupla. Feito em 3 de novembro de 2011, o registro ao vivo do show de Porto Alegre está sendo editado pela Warner Music um ano depois nos formatos de CD, DVD e em edição dupla que junta CD e DVD no mesmo produto. O título 15 Anos de Sucesso soa irreal não somente porque já se passaram 16 anos desde a projeção de Buchecha, mas também - e principalmente - pelo fato de que a morte do parceiro Claudinho (1975 - 2002) em acidente de carro sepultou a dupla e interrompeu a trajetória de sucesso de Buchecha, que nunca decolou em sua carreira solo. Em 15 Anos de Sucesso, quinto título de sua discografia solo, o artista recicla os hits colecionados nos sete anos de vida da dupla Claudinho & Buchecha - Nosso sonho (Claudinho e Buchecha), Só love (Buchecha), Rap do Salgueiro (Claudinho & Buchecha), Coisa de cinema (Buchecha, Abdullah e Cacá Moraes), Quero te encontrar (Buchecha) e Fico assim sem você (Abdullah e Cacá Moraes) - e recebe os convidados Belo e Jorge Vercillo. Com Belo, Buchecha divide os vocais de Cristal (Umberto Tavares e Jefferson Junior). Com Vercillo, Buchecha canta Andar, andar, música que Vercillo compôs para Claudinho & Buchecha, mas que a dupla não teve tempo de gravar. Além de hit de Lulu Santos, Tempos modernos, o repertório inclui Hot dog e Beyoncezinha, músicas assinadas por compositora denominada  Rosana Só Love.  O CD e o DVD já estão nas lojas.

A Dama da Canção encaixota 18 álbuns de Nana e coletânea de raridades

Idealizada pelo pesquisador musical Rodrigo Faour para ser lançada pela EMI Music em 2011, dentro das comemorações pelos 70 anos de Nana Caymmi, a caixa A Dama da Canção chega efetivamente às lojas neste mês de novembro de 2012. Foram encaixotados 18 álbuns da cantora e a coletânea dupla Eu Sei que Vou te Amar, que reúne 41 fonogramas avulsos da discografia da cantora como as gravações de  Nossos Beijos (Hianto de Almeida e Macedo Neto - de compacto editado pela Odeon em 1960), O Penúltimo Cordão (Danilo Caymmi, Sérgio Fayne e Caetano Veloso - de compacto editado pela RGE em 1967), Alegria Alegria (Caetano Veloso - de compacto editado pela RGE em 1967). A coletânea vai de 1960 a 2001. Dos álbuns propriamente ditos, a seleção abrange discos lançados entre 1965 e 2000. Além dos 13 discos gravados por Nana na EMI-Odeon entre 1979 e 2000, a caixa embala o raríssimo álbum de 1973 feito para a gravadora argentina Trova - Nana Caymmi, editado no Brasil em 1977 pela CID com o título Atrás da Porta - e o álbum Nana, lançado pela gravadora RCA em 1977. Eis o conteúdo da caixa Nana Caymmi - A Dama da Canção, presente para fãs de Nana:

Álbuns:
* Nana (Elenco, 1965)
* Nana Caymmi (Trova, 1973)
* Nana Caymmi (CID, 1975)
* Renascer (CID, 1976)
* Nana (RCA, 1977)
* Nana Caymmi (EMI-Odeon, 1979)
* Mudança dos Ventos (EMI-Odeon, 1980)
* ...E a Gente Nem Deu Nome (EMI-Odeon, 1981)
* Voz e Suor (EMI-Odeon, 1983)
* Chora Brasileira (EMI-Odeon, 1985)
* Nana (EMI-Odeon, 1988)
* Só Louco (EMI-Odeon, 1989) - com Wagner Tiso
* Bolero (EMI Music, 1993)
*  A Noite do Meu Bem - As Canções de Dolores Duran (EMI Music, 1994)
* Alma Serena (EMI Music, 1996)
* No Coração do Rio (EMI Music, 1997)
* Resposta ao Tempo (EMI Music, 1998)
*  Sangre de Mi Alma (EMI Music, 2000) 

Fonogramas da coletânea Eu Sei que Vou te Amar:
CD 1:
1. Acalanto  - com Dorival Caymmi
2. Nossos Beijos

3. Adeus
4. Saveiros

5. Alegria, Alegria
6. Bom Dia
7. O Cantador
8. O Penúltimo Cordão
9. Mentiras - com João Donato

10.Ponta Negra - com Danilo Caymmi
11. Por Um Segundo
12. Sentinela - com Milton Nascimento
13. Eu te Amo
14. Siameses - com João Bosco
15. As Sobrinhas - com Joyce

16. Nosotros, Nosotras - com Geraldo Azevedo
17. Tema de Amor de Gabriela - com Zé Luiz Mazziotti
18. Pare de me Arranhar - com Zé Luiz Mazziotti

18. Dejame ir
19. Fruta Mulher

CD 2:
1. João Valentão
2. Flor da Bahia
3. Vem Morena
4. Bancarrota Blues
5. Segue o Teu Destino
6. Solidão - com Flávio Venturini e Toninho Horta
7. Cansei de Ilusão - com Tito Madi
8. Deixa Ficar

9. Buda Nagô - com Gilberto Gil
10. Zabelê
11. Dois Corações
12. Estava Escrito - com Ângela Maria
13. Passa por Mim
14. Você - com Fagner
15. Até Quem Sabe
16. Suave Veneno
17. Hoje Canções - com Herbert Vianna
18. Simples Carinho
19. Bye Bye Brasil
20. Tarde Triste
21. Eu Sei Que Vou te Amar

Na linha de Il Divo, quarteto Bravoz vai de Beyoncé a Tim no primeiro CD

Quarteto de tenores formado a partir de concurso promovido em Tudo É Possível, programa comandado pela apresentadora Ana Hickmann na TV Record, Bravoz lança seu primeiro CD via Sony Music. Espécie de versão brasileira do quarteto inglês Il Divo, o grupo - formado por Ângelo Varella, Rafael Arkanjo, Roney Calazans e Thiago Neves - faz o habitual cruzamento do canto lírico com o universo pop, mas com certa liberdade estilística na seleção de repertório do disco gravado sob a produção e a direção musical de Marco Camargo. Entre temas gravados com fidelidade aos registros do inspirador Il Divo, casos de Aleluya (versão em espanhol de Hallelujah, canção de Leonard Cohen lançada em 1984) e Somewhere (Leonard Bernstein e Stephen Sondheim, 1957 - o clássico do musical West Side Story), o Bravoz rebobina a canção soul Primavera (Cassiano e Silvio Roachel, 1970) - sucesso de Tim Maia (1942 - 1998) em 1970 - e dá voz a sucessos recentes de Adele (Someone Like You, balada de 2011 que impulsionou as vendas do segundo álbum da artista) e Beyoncé (Halo, hit mundial em 2008). Um destaque do CD Bravoz é a abordagem de Cinema Paradiso (Ennio Morricone e Andrea Morricone), música-título do filme italiano de 1988, regravada com a grandiloquência e a emotividade dos tenores.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Luz sobe morro ao realçar 'valor histórico' de Nara em Cantoras do Brasil

Resenha de programa de TV
Série: Cantoras do Brasil
Título: Lurdez da Luz Canta Nara Leão
Idealização: Mariana Rolim, Mercedes Tristão e Simone Esmanhotto
Direção: Simone Elias
Emissora: Canal Brasil
Foto: Cris Valias
Cotação: * * * *
Exibição programada pelo Canal Brasil para as 18h45m de 1º de novembro de 2012


Em depoimento para o nono dos 13 episódios da série Cantoras do Brasil, exibida às quintas-feiras pelo Canal Brasil, a ascendente rapper paulista Lurdez da Luz admite com sinceridade que desconhecia a obra de Nara Leão (1942-1989) até ser convidada pela produção da série para celebrar a cantora carioca, símbolo feminino da Bossa Nova. Luz acrescenta que - ao pesquisar a obra de Nara para participar da série em que uma cantora contemporânea dá voz ao repertório de uma cantora de tempos idos - descobriu uma intérprete única e original, de "valor histórico", e que se identificou com o repertório de Nara na fase em que a cantora começou a gravar compositores oriundos do morro. Dessa fase mais politizada do cancioneiro de Nara, Luz escolheu Opinião (Zé Kéti) - lançado por Nara em 1964 em álbum que ajudou a definir os cânones da MPB - e turbinou o samba com suas rimas feitas no compasso do rap. O coro masculino - formado pelos músicos Gabriel Muzak, Maurício Tagliari (diretor musical de Cantoras do Brasil) e Pipo Pegoraro - ajudou a ambientar Opinião em clima contemporâneo, sem perda da contundência dos versos. O mesmo trio vocal masculino faz o contracanto do primeiro dos dois números do programa, Quando o Carnaval Chegar (Chico Buarque, 1972), tema repaginado com pulsação que evoca o universo do hip hop sem transformar a música de Chico num rap propriamente dito. Em essência, Lurdez sobe o morro para iluminar o universo musical de Nara Leão com luz própria e com a consciência social de que samba e rap são - em última instância - ritmos gerados no mesmo Brasil periférico das injustiças e sequelas sociais.

Aos 60, com a voz tinindo, Baby dá testemunho de fé na sua brasilidade pop

Resenha de show
Evento: Vivo Open Air
Título: Baby Sucessos
Artista: Baby do Brasil (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Jockey Club (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 31 de outubro de 2012
Cotação: * * * * *

Como se uma conjunção cósmica conspirasse a favor de sua volta à cena pop, Baby do Brasil fez retorno triunfal ao repertório dos tempos de Baby Consuelo no show Baby Sucessos, atração mais esperada da programação 2012 do Vivo Open Air, evento que mistura cinema e música no Jockey Club do Rio de Janeiro (RJ). Foi um show memorável, à altura do culto midiático armado em torno dessa ansiada volta. Aos 60 anos, completados em 18 de julho de 2012, Baby estava recolhida ao universo da música evangélica desde 1999. Contudo, por obra e graça do Senhor e do filho da artista, o guitarrista Pedro Baby, a cantora desceu do púlpito e pregou para um público jovial as mensagens de paz, amor e alegria que, sim, já existiam no cancioneiro propagado nos anos 70 e 80 por Baby. Com a voz tinindo, a intérprete mostrou que conserva a mesma vivacidade e a mesma brasilidade pop evidenciadas desde que integrava o grupo Novos Baianos. Cósmica e telúrica, Baby transcendeu rótulos, tirou do baú da Consuelo pouco ouvidas canções que nem destoariam do repertório de cantoras evangélicas - casos de Minha Oração (Baby do Brasil, Oswaldinho do Acordeom e Pepeu Gomes, 1980), do rock-funk Paz e Amor (Baby do Brasil, Didi Gomes e Pepeu Gomes, 1981) e de Seus Olhos (Baby do Brasil e Jorginho Gomes, 1982) - e caiu no suingue atemporal do repertório dos Novos Baianos. Os arranjos da banda capitaneada por Pedro Baby - com Donatinho nos teclados, Betão Aguiar (filho do Novo Baiano Paulinho Boca de Cantor) no baixo, Maicon Lopes no trompete e Carlos Darci (da atual banda Black Rio) no trombone, entre outras feras - repaginaram e atualizaram na pressão o cancioneiro de Baby, mas sem anular a concepção dos arranjos das gravações originais. Foi bem fácil reconhecer aos primeiros acordes o clássico novo baiano A Menina Dança (Moraes Moreira e Galvão, 1972) e a balada Sem Pecado e Sem Juízo (Baby do Brasil e Pepeu Gomes, 1985), hit radiofônico da fase secular, turbinado por sua execução na trilha sonora da novela  Roque Santeiro (TV Globo, 1985) e revivido em Baby Sucessos com a letra original e na sequência em surpreendente versão em inglês. Tais músicas foram acompanhadas espontaneamente em forte coro pelo público receptivo, ávido da eletricidade de Baby. O clima de louvação contribuiu para a criação da atmosfera de magia que envolveu a estreia nacional de Baby Sucessos (há planos de turnê nacional e de registro do show em DVD). A participação afetuosa e terna de Caetano Veloso - em Menino do Rio (Caetano Veloso, 1979) e no medley que uniu Farol da Barra (Caetano Veloso e Galvão, 1978) com Acabou Chorare (Moraes Moreira e Galvão, 1972) - reiterou o caráter especial, mágico, da apresentação. Na pressão, Baby lembrou Telúrica (Baby do Brasil e Jorginho Gomes, 1981), caiu no suingue pop funkeado de Ele Mexe Comigo (Baby do Brasil,. Galvão e Pepeu Gomes, 1979) - espécie de pré-axé - e entrou na cadência bonita e sacudida do samba Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira (Moraes Moreira e Pepeu Gomes, 1979). Mote do show, o diálogo cúmplice com o filho guitarrista Pedro Baby, mentor da volta da mãe, ficou especialmente explícito no dueto em Sorrir e Cantar Como Bahia (Moraes Moreira e Galvão, 1973). Nem uma ou outra música menor, como Força do Olhar (Baby do Brasil e Pepeu Gomes, 1984), atenuou a grandeza do show e do momento. Mais para o fim, Todo Dia Era Dia de Índio (Jorge Ben Jor, 1981) - hit há 31 anos que se torna cruelmente atual em tempos de conflitos com povos indígenas - reiterou a total comunhão entre artista e plateia. O público carioca pôs fé na volta de Baby do Brasil. Em retribuição, a cantora, tinindo aos 60 anos, deu vibrante testemunho de fé na brasilidade pop de repertório revitalizado na glória de Deus por sua ainda vivaz intérprete.

'Popstora' Baby do Brasil prega a paz e o amor ao dar voz aos seus sucessos

"O meu coração flutua / Nessa tua divindade". Foi ao som dos versos de Seus Olhos (Baby do Brasil e Jorginho Gomes, 1982), música lançada no álbum Cósmica (Warner Music, 1982), que Baby do Brasil entrou no palco do Vivo Open Air, às 23h30m de 31 de outubro de 2012, para apresentar pela primeira vez o show Baby Sucessos. Pelos versos iniciais de Seus Olhos, parecia que a popstora - termo inventado por ela com a junção das palavras popstar e pastora - iria pregar os valores espirituais de seu repertório evangélico. Mas a convertida cantora estava novamente pondo fé no repertório imortalizado nos anos 70 e 80, décadas em que Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade ainda adotava o nome artístico de Baby Consuelo. Só que esse repertório cósmico de certa forma já pregava paz, amor e espiritualidade. "Eu quero estar sempre assim / Certa comigo / Tendo como abrigo o meu ser infinito", afirmou Baby através dos versos de Minha Oração (Baby Consuelo, Oswaldinho do Acordeom e Pepeu Gomes, 1980), registrada pela cantora no álbum Ao Vivo em Montreux (1980)."Ainda continuo / Realizando o sonho / Chamando o criador", garantiu Baby ao pescar no seu baú, no bis, Paz e Amor (Baby do Brasil, Didi Gomes e Pepeu Gomes, 1981), música do álbum Canceriana Telúrica (1981). Entre sucessos dos Novos Baianos, hits de sua carreira solo e temas menos conhecidos, mas afins com os valores positivistas de sua conversão, Baby do Brasil fez sua pregação musical aos 60 anos, justificando o culto hype armado em torno do show idealizado e orquestrado pelo guitarrista Pedro Baby, filho da artista fluminense. Eis o roteiro seguido pela cantora de Niterói (RJ) - em foto de Rodrigo Goffredo - na estreia nacional do divino show Baby Sucessos,  no palco do Jockey Club do Rio de Janeiro (RJ),  em 31 de outubro de 2012:

1. Seus Olhos (Baby do Brasil e Jorginho Gomes, 1982)
2. Telúrica (Baby do Brasil e Jorginho Gomes, 1981)
3. Tinindo Trincando (Moraes Moreira e Galvão, 1972)
4. Sem Pecado e Sem Juízo (Baby do Brasil e Pepeu Gomes, 1985)
5. Um Auê com Você (Baby Consuelo, 1981)
6. Ele Mexe Comigo (Baby do Brasil,. Galvão e Pepeu Gomes, 1979)
7. Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira (Moraes Moreira e Pepeu Gomes, 1979)
8. Minha Oração (Baby do Brasil, Oswaldinho do Acordeom e Pepeu Gomes, 1980)
9. Menino do Rio (Caetano Veloso, 1979) - com Caetano Veloso
10. Farol da Barra (Galvão e Caetano Veloso, 1978) - com Caetano Veloso /
      Acabou Chorare (Moraes Moreira e Galvão, 1972) - com Caetano Veloso
11. Sorrir e Cantar Como Bahia (Moraes Moreira e Galvão, 1973) - com Pedro Baby
12. Cósmica (Baby do Brasil, 1982)
13. Força do Olhar (Baby do Brasil e Pepeu Gomes, 1984)
14. Todo Dia Era Dia de Índio (Jorge Ben Jor, 1981)
15. A Menina Dança (Moraes Moreira e Galvão, 1972)
Bis:
16. Mistério do Planeta (Moraes Moreira e Galvão, 1972) - com Pedro Baby
17. Paz e Amor (Baby do Brasil, Didi Gomes e Pepeu Gomes, 1981)
18. Masculino e Feminino (Baby do Brasil, Pepeu Gomes e Didi Gomes, 1983)

Com 'Jesus Forever', Baby recebe o 'menino' Caetano em vivaz show no Rio

"A gente tá junto aqui agora é algo sobrenatural", sentenciou  Baby do Brasil para Caetano Veloso após cantar Menino do Rio com o compositor da música de 1979, sucesso nacional na voz da cantora fluminense em gravação veiculada na abertura da novela Água Viva (TV Globo, 1980). "Assim seja! Amém!", devolveu Caetano. A foto de Rodrigo Goffredo capta a ternura que regeu o afetuoso reencontro da cantora e compositora com Caetano Veloso no show Baby Sucessos, a atração mais esperada da programação da edição 2012 do Vivo Open Air, evento que mistura música e cinema, realizado anualmente no Jockey Club do Rio de Janeiro (RJ). Após anos dedicada a pregar as mensagens de seu repertório evangélico, a popstora Baby do Brasil aceitou o convite do filho - o guitarrista Pedro Baby - para cantar os sucessos da época em que adotava o nome artístico de Baby Consuelo. Caetano Veloso foi o convidado do hypado show apresentado na noite de 31 de outubro. O cantor e compositor baiano entrou em cena no meio de Menino do Rio - canção que teve seu verso "Dragão tatuado no braço" alterado pela convertida Baby para "Jesus forever tatuado no braço" - e, na sequência, iluminou com tons suaves Farol da Barra, samba que Caetano fez em parceria com Galvão e que deu título ao álbum lançado pelo grupo Novos Baianos em 1978 (já sem Moraes Moreira na formação). Farol da Barra foi emendado em medley com Acabou Chorare (Moraes Moreira e Galvão, 1972), música-título do álbum mais cultuado do grupo. Enquanto Caetano estava em cena, Baby lembrou que, quando ainda morava em Niterói (RJ), ouvia Caetano no rádio e sonhava fazer parte da turma tropicalista. "Eu queria tanto andar com eles. Eles são tanto a minha cara", disse Baby, rememorando seus pensamentos na época. Após 45 anos, Baby do Brasil dividiu o palco com Caetano Veloso, voltando a cantar os vivazes sucessos popularizados pela então Baby Consuelo nas décadas de 1970 e 1980. Sim,  parece haver algo sobrenatural nessa volta.

Baby do Brasil dialoga e se afina com seu filho Pedro Baby em show de hits

♪ "Mãe pode ter e ser bebê / E pode ser Baby também". Dividir os versos de Sorrir e cantar como Bahia - música de Moraes Moreira e Galvão, lançada pelo grupo Novos Baianos no álbum Novos Baianos F.C. (1973) -  foi uma das muitas formas encontradas por Baby do Brasil para externar em público seu amor pelo filho Pedro Baby, guitarrista que idealizou e orquestrou a volta da mãe coruja aos palcos em show de hits que estreou em 31 de outubro de 2012, no Jockey Club do Rio de Janeiro (RJ), dentro da programação do evento Vivo Open Air. Durante as passagens instrumentais da música, mãe e filho - vistos em foto de Rodrigo Goffredo - fizeram até número de dança, bailando cúmplices e enternecidos pelo sucesso imediato do show. No início do bis, Pedro puxou de improviso Mistério do planeta (Moraes Moreira e Galvão)  - outro tema do repertório dos Novos Baianos, do álbum Acabou chorare (1972) - enquanto Baby se preparava para voltar ao palco e terminar a música com o filho. Show que vai percorrer o Brasil em turnê nacional e que vai ganhar registro em DVD, Baby sucessos traz a convertida Baby do Brasil para os sucessos da antiga Baby, a Consuelo, por obra e graça de Pedro. Aos 60 anos, completados em 18 de julho deste ano de 2012, Baby do Brasil é mãe e já pode ser novamente Baby também... para a alegria de seus fãs.

Notas Musicais entra em seu sétimo ano de vida já conectado ao Facebook

♪ Com esse post, de número 10.264, Notas Musicais completa seis anos nesta quinta-feira, 1º de novembro de 2012, e entra em seu sétimo ano de vida sem crise no casamento da informação com a opinião sobre música. A principal novidade desse ano que passou foi que, atento à explosão do Facebook no Brasil, o blog se conectou à rede social mais importante do universo pop com a criação, em 20 de fevereiro de 2012, da página de Notas Musicais. Postados diariamente na página, no ritmo veloz da atualização diária do blog, os links das resenhas e notícias de Notas Musicais captam e atraem instantaneamente leitores para o site - um público interessado em discos que se junta aos fiéis leitores diários de Notas Musicais. Uma rede social de consumidores de CDs, apaixonados amantes da música - em especial, a brasileira - que faz valer a pena a dura tarefa cotidiana de escrever cinco posts diários, de domingo a domingo. Entra ano, sai ano, a diretriz de Notas Musicais permanece a mesma: informar e opinar sobre música através de resenhas de CDs/DVDs, notas sobre futuros lançamentos fonográficos, análises de shows e críticas de livros e musicais que tangenciem o universo pop. Informação clara, de tom jornalístico, e uma opinião honesta, independente, exposta sem intuito de contentar artistas, assessores de imprensa, empresários, produtores de discos e diretores de gravadoras. Enfim, o show jamais pode parar, a indústria do disco continua viva (apesar dos prognósticos fúnebres) e Notas Musicais entra em seu sétimo ano com gratidão renovada a Rodrigo Goffredo (fiel colaborador na cobertura fotográfica dos shows, incansável na busca dos melhores ângulos dos artistas em cena), a todos que acessam o blog - sobretudo aos que deixam comentários que alertam sobre erros de informação e digitação - e na torcida para que, ao longo dos próximos 365 dias, venham ao mundo grandes álbuns e shows.