Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


Mostrando postagens com marcador Chico César. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Chico César. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Chico César regrava tema popular de Schubert para a trilha de 'Velho Chico'

♪ Um dos temas mais populares da obra erudita do compositor austríaco Franz Schubert (1797 - 1828), Serenata - título em português de Standchen, composição criada em 1826 com versos escritos pelo poeta Ludwig Rellstab (1799 - 1860) - ganha a voz do cantor paraibano Chico César em gravação inédita feita para a trilha sonora de Velho Chico, novela programada pela TV Globo para ser exibida a partir de 14 de março de 2016. Incluída no disco com as músicas do primeiro volume da trilha sonora da novela, previsto para ser lançado já em março, a Serenata gravada por Chico César tem os - românticos - versos em português escritos pelo compositor Arthur Nestrovski.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Chico César toca os vivos no show 'Estado de poesia' com som apaixonante

Resenha de show
Título: Estado de poesia
Artista: Chico César (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Theatro Net Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 24 de novembro de 2015
Cotação: * * * * 1/2

♪ Em 1995, Chico César extrapolou as fronteiras da Paraíba natal com Aos vivos (Velas), registro de show acústico que fez do cantor e compositor paraibano a sensação da MPB em 1996 - a ponto de cantoras disputarem, naquele ano áureo, músicas de autoria dele com telefonemas e atitudes passionais. Decorridos 20 anos, somente Maria Bethânia e Elba Ramalho permanecem realmente atentas à produção autoral do artista, em prova de coerência. Mas Chico César continua exibindo a mesma grandeza como compositor, como provaram os dois últimos álbuns de músicas inéditas que lançou, Francisco, forró y frevo (Chita Discos / EMI Music, 2008) e o recém-editado Estado de poesia (Chita Discos / Urban Jungle / Pommelo Distribuições / Lab Fantasma, 2015). Aos vivos que compareceram à estreia carioca de Estado de poesia, show derivado do homônimo disco feito pelo artista com inspiração na paixão pela mulher Bárbara Santos, Chico César deu mais uma amostra da relevância que tem pautado obra autoral que transita entre o discurso amoroso e a exposição de questões sociais que refletem sobre um Brasil que nega, inclusive, a negritude do país, assunto do reggae Negão (Chico César, 2015), um dos pontos mais altos de show eletrizante. Com suporte do projeto Natura Musical ("Estou no colo da mãe natureza", brincou Chico, citando verso de Rita Lee em Mamãe natureza, 1974, ao falar da empresa que bancou o atual trabalho), Estado de poesia é show feito na pressão, partindo dos arranjos do disco, mas com pegada ainda mais forte. Não é à toa que a luz do show remete à iluminação frenética dos shows de rock'n'roll em músicas como Guru (Chico César, 2015). Número que abriu o roteiro, o xote Caninana (Chico César, 2015) virou xote'n'roll no palco do Theatro Net Rio. A swingueira e a pressão desta parte inicial do show turbinaram o reggae A palavra mágica (Chico César, 2015) e o samba-rock Atravessa-me (Chico César, 2015), que ecoou tanto o balanço de Jorge Ben Jor que a citação de Zazueira (Jorge Ben Jor, 1968) soou perfeitamente natural. Alternando-se entre as guitarras e os violões eletroacústicos, Chico César tem a seu favor, no show e no disco Estado de poesia, afiada banda formada pelo percussionista Escurinho, o baterista Gledson Meira, tecladista Helinho Medeiros e o baixista Xisto Medeiros. Baiana radicada na Paraíba, a sanfoneira Lívia Matos completou a banda na estreia carioca do show em 24 de novembro de 2015. Em estado de graça, Chico César dialogou espirituosamente com a plateia - sem prejudicar o timing do show - e mostrou músicas que conciliam amor e política. Inspirada pela canção sentimental popular, Da taça (Chico César, 2015) sorveu toques de bolero e arrocha, preparando o clima romântico para a melancólica canção Onde estará o meu amor? (Chico César, 1996), propagada na voz de Maria Bethânia e revivida por Chico César no show com sedutora citação de Diana (Paul Anka, 1957, em versão em português de Fred Jorge, 1958). Dentro deste estilo popular romântico, a música-título Estado de poesia (Chico César) - lançada por Bethânia no show Carta de amor (2012 / 2013) - se confirmou no show como uma das pérolas mais reluzentes de um disco apaixonado. A abordagem de Estado de poesia por Chico rivalizou com a da cantora em beleza, mas teve mais energia e um arranjo vintage que fez sobressair o toque dos teclados de Helinho Medeiros com som que remeteu aos órgãos de vários hits da Jovem Guarda. Tema suculento, Caracajus (Chico César, 2015) destilou poesia em estado puro em número que ganhou peso progressivo no show. Já Museu (Chico César, 2015) foi o único instante em que o show sofreu queda de energia e sedução. Na sequência, Chico exalou vivacidade rítmica à moda de Moraes Moreira na nordestina Quero viver (2015) - parceria póstuma com o poeta tropicalista Torquato Neto (1944 - 1972) que ganhou sagaz citação de Besta é tu (Moraes Moreira, Pepeu Gomes e Luiz Galvão, 1972), hit do grupo Novos Baianos - e acertou o passo do frevo Alberto (Chico César, 2015), cuja letra tira o aviador mineiro Santos Dumont (1873 - 1932) do armário. Entre um número e outro, Chico convocou o percussionista Escurinho para a frente do palco para bisarem no palco o dueto que fazem no disco no samba No Sumaré (Chico César, 2015), composto nos moldes dos sambas do compositor paulistano Adoniran Barbosa (1910 - 1982). No bis, Chico disparou os disparates da política agropecuária do Brasil na verborrágica Reis do agronegócio (Chico César e Carlos Rennó, 2015) como se fosse um Bob Dylan encarnado em cantador do sertão nordestino. No segundo bis, iniciado com a sempre pedida Mama África (Chico César, 1995), o cantador aguçou o discurso político de Estado de poesia ao dar voz ao luminoso samba-reggae Brilho de beleza (Nego Tenga, 1988) e ao hino engajador de seu conterrâneo Geraldo Vandré, Pra não dizer que não falei das flores (1968). Caminhando, cantando e compondo com a mesma força de 20 anos atrás, Chico César soa apaixonante no show Estado de poesia, dando recado aos vivos.

Chico César aguça 'Estado de poesia' ao interpretar Tenga e Vandré no show

♪ Um dos mais belos sambas-reggaes compostos e lançados nos anos 1980, década áurea da música afro-pop-baiana rotulada como axé music, Brilho de beleza (1988) - tema de autoria do compositor baiano Nego Tenga, regravado por cantoras como Gal Costa e Margareth Menezes - se afina com o discurso contra a negação da negritude brasileira feito por Chico César em Negão, uma das músicas inéditas de seu nono álbum, Estado de poesia (Chita Discos / Urban Jungle / Pommelo Distribuições / Lab Fantasma, 2015). Por isso mesmo, Brilho de beleza se encaixou bem no roteiro do eletrizante show Estado de poesia, enfim estreado pelo cantor e compositor paraibano no Rio de Janeiro (RJ), em apresentação que seduziu o público que compareceu ao Theatro Net Rio na noite de terça-feira, 24 de novembro de 2015. Parceria do artista com Zeca Baleiro, lançada por Chico no álbum Cuscuz clã (MZA Music, 1996), Mand'Ela também reapareceu no roteiro, aguçando com trocadilho o discurso amoroso-político de Estado de poesia, show nascido de disco cujo repertório foi parido pela paixão romântica do artista por sua atual mulher, Bárbara Santos. Em roteiro que encadeou todas as 14 músicas do álbum, Chico surpreendeu ao sair do trilho autoral quando cantou Espumas ao vento (Accioly Neto, 1997) e quando, já no segundo bis, deu voz a Brilho de beleza e ao maior sucesso do compositor (também paraibano) Geraldo Vandré, Pra não dizer que não falei das flores, canção engajada de 1968 - conhecida popular e nacionalmente como Caminhando - que Chico César revive em arretado ritmo que ficou entre o xote e o reggae. Eis o roteiro seguido em 24 de novembro de 2015 por Chico César - em foto de Mauro Ferreira - na estreia carioca do (apaixonante) show  Estado de poesia no Theatro Net Rio:

1. Caninana (Chico César, 2015)
2. Guru (Chico César, 2015)
3. Palavra mágica (Chico César, 2015)
4. Atravessa-me (Chico César, 2015)
    - com citação de Zazueira (Jorge Ben Jor, 1968)
5. Da taça (Chico César, 2015)
6. Onde estará o meu amor? (Chico César, 1996)
    - com citação de Diana (Paul Anka, 1957, em versão de Fred Jorge, 1958)
7. Negão (Chico César, 2015)
8. Mand'ela (Chico César e Zeca Baleiro, 1996)
9. Miaêro (Chico César, 2015)
10. Espumas ao vento (Accioly Neto, 1997)
11. Estado de poesia (Chico César, 2013)
12. Caracajus (Chico César, 2015)
13. Museu (Chico César, 2015)
14. Quero viver (Chico César e Torquato Neto, 2015)
      - com citação de Besta é tu (Moraes Moreira, Pepeu Gomes e Luiz Galvão, 1972)
15. No Sumaré (Chico César) - com Escurinho
16. Alberto (Chico César)
Bis:
17. Reis do agronegócio (Chico César e Carlos Rennó, 2015)
Bis 2:
18. Mama África (Chico César, 1995)
19. Brilho de beleza (Nego Tenga, 1988)
20. Pra não dizer que não falei das flores (Caminhando) (Geraldo Vandré, 1968)

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Pietá registra no primeiro álbum, 'Leve o que quiser', seus três anos de vida

♪ Com capa assinada por Lucas Canavarro, o primeiro álbum da banda Pietá, Leve o que quiser, vai ser lançado na segunda quinzena deste mês de setembro de 2015 em edição do selo carioca Porangareté. O disco é um registro - gravado em estúdio - do repertório mostrado por Frederico Demarca (violões), Rafael Lorga (percussões) e Juliana Linhares (voz), ao longo de seus três anos de vida, no show homônimo do álbum. O trio surgiu no início de 2012 em Santa Teresa, bairro do centro do Rio de Janeiro (RJ), cidade por onde Pietá tem circulado na cena indie. Mas a banda também tem tocado em Natal (RN), terra natal da vocalista Juliana Linhares. A convite do trio, o cantor e compositor paraibano Chico César - visto com Pietá na foto tirada por Clarisse Lissovsky no estúdio Tenda da Raposa, no Rio de Janeiro (RJ) - figura na música-título Leve o que quiser, parceria do percussionista Rafael Lorga com Elvis Marlon. Eis - na disposição do disco Leve o que  quiser - as dez músicas gravadas pelo grupo carioca e alocadas nas nove faixas do álbum da Pietá:

1. Festejo e fé (Frederico Demarca e Marcelo Fedrá)
2. Justino 
(Frederico Demarca e Marcelo Fedrá) - com Beto Justino e Carlos Malta
3. A vingança de Cunhã (Frederico Demarca e Thiago de Mello)
4. Seu (Frederico Demarca)
5. Leve o que quiser (Rafael Lorga e Elvis Marlon) / Mulher da lua (Tota Zerôncio)

    - com Chico César
6. O samba que não veio (Elisa Ottoni e Rafael Lorga)
7. Matador  (Rafael Lorgas e Elvis Marlon)
8. Perto de mim (Frederico Demarca e Renato Frazão)
9. Roda do mundo (Frederico Demarca)

terça-feira, 4 de agosto de 2015

'Pássaros', disco em que Gisbranco musica poemas de Chico César, alça voo

♪ Duo carioca de pianos, formado por Bianca Gismonti com Claudia Castelo Branco, Gisbranco se prepara para lançar seu terceiro álbum, Pássaros. Neste disco, gravado com verba arrecadada através de plataforma de financiamento coletivo, o duo amplia as conexões com o cantor, compositor e músico paraibano Chico César, que participou de duas músicas - Dúvida cruel (Chico César e Itamar Assumpção, 1995) e Templo (Chico César, Tata Fernandes e Milton de Biasi, 1996) - na gravação do ainda inédito primeiro DVD do Gisbranco, realizada em 12 de março deste ano de 2015 em show no Teatro Municipal de Niterói (RJ). Em Pássaros, o Gisbranco vai apresentar 15 músicas inéditas, compostas por Bianca e Claudia a partir de poemas escritos por Chico César. O disco tem participações dos cantores Mônica Salmaso e Sergio Santos, além do próprio Chico César.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

'Estado de poesia' não altera consciência social de Chico em CD apaixonado

Resenha de CD
Título: Estado de poesia
Artista: Chico César
Gravadora: Chita Discos / Urban Jungle / Pommelo Distribuições / Lab Fantasma
Cotação: * * * *

♪ Quando tudo era ausência, de discos e de amor, Chico César esperou. Até que encontrou a paraibana Bárbara Santos, paixão à primeira vista que inspirou parte do repertório de seu nono álbum solo, Estado de poesia, o primeiro disco de inéditas desde o inspirado Francisco, forró y frevo (Chita Discos e EMI Music, 2008). Represada em disco há sete anos, a produção autoral inédita do compositor se (re)apresenta com vigor, derramando na calda da maioria das 14 composições autorais a polpa da paixão, mote do disco gravado pelo cantor e compositor paraibano com músicos de sua terra natal e finalizado por Chico com o guitarrista austríaco Michi Ruzitschka, produtor do disco ao lado do próprio artista. Explicitado em músicas como Museu (Chico César), esse tom apaixonado já havia sido sinalizado pelo single Da taça (Chico César), lançado em 2 de junho de 2015. Embriagante, Da taça bebe da abolerada canção sentimental com leve toque de erotismo. Mas a canção que melhor traduz o estado inebriante da paixão é a música que dá título ao disco, Estado de poesia (Chico César), a belíssima canção lançada por Maria Bethânia no show Carta de amor (2012 / 2013), entranhada no oásis sertanejo do universo da intérprete que nos últimos anos mais tem dado a voz a Chico César, artista revelado há 20 anos com CD, Aos vivos (Velas, 1995), que jogou no mercado um repertório que provocou disputas entre cantoras. Estado de poesia é a única música já conhecida de um disco que derrama paixão sem cair na breguice. Feita na ponte amorosa que ligava Caracas (cidade da Venezuela onde Chico se encontrava na ocasião) e Aracaju (onde estava a musa Bárbara), Caracajus (Chico César) faz poesia com versos que mostram a alma apaixonada saindo pela boca ("Apalpo muito pouco a pouco / Palpos dos sonhos mais loucos"). Já Caninana (Chico César) - xote de guitarra e de pegada roqueira - expele um xêro no cangote, antídoto contra o despertar do sonho amoroso vivido ao som de um acordeom. Já o reggae Palavra mágica (Chico César) entra na batida de um coração de novela. Contudo, o estado de poesia amorosa de Chico César não altera sua consciência social e política. Iluminado pela musa que atravessa a cidade para lhe fazer cidadão, como poetiza no samba-rock à Jorge Ben Jor Atravessa-me (Chico César), mas também pela experiência de ter ocupado cargo público em João Pessoa (PB), o compositor dá seus toques sociais entre as 14 composições do disco com a mesma intensidade de sua paixão pela musa do álbum. Como um trovador à moda de Bob Dylan, Chico dispara ao longo de onze minutos - munido somente de sua voz e sua guitarra - as denúncias políticas de Os reis do agronegócio (Chico César e Carlos Rennó), libelo contra a praga da agricultura sem lei e sem controle de qualidade. Alberto (Chico César) é frevo frenético que alude poeticamente à homossexualidade do aeronauta mineiro Santos Dumont (1873 - 1932) em versos como "Alado qual borboleta / Na nuvem Alberto vai". Samba à moda do compositor paulista Adoniran Barbosa (1910 - 1982), cantado por Chico em dueto com o cantor Escurinho, No Sumaré dá rasante sobre a paisagem noturna atualmente povoada por cracudos paulistanos num dos corações da cidade. Mas há vida na morte. Parceria póstuma com o poeta tropicalista Torcuato Neto (1944 - 1972), gerada a partir de show feito pelo cantor em 2011, Quero viver exala vivacidade rítmica na pulsação forrozeira do Nordeste que gerou o poeta piauiense. Já Negão é reggae que não nega a raça nem o racismo disseminado como uma praga que dizima as plantações humanas. Chico divide a interpretação provocativa de Negão com o cantor baiano Lazzo Matumbi, mostrando como tentam negar a cor real do Brasil. Entre temas de formatação explicitamente pop, como Guru (Chico César), o artista celebra a beleza a e liberdade da vida em Miaêro (Chico César), tema que evoca as mornas de Cabo Verde. Em estado de paixão e plena musicalidade, Chico César volta ao mercado fonográfico com um ótimo disco dirigido aos vivos, aos que ainda se permitem entorpecer pelo estado de poesia sem se anestesiar face à vida e aos dilemas cotidianos.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Salles celebra a obra e o centenário de Rosil em disco que inclui Chico César

♪ Autor de Sebastiana (1953), pedra fundamental da obra fonográfica do cantor paraibano Jackson do Pandeiro (1919 - 1982), o compositor pernambucano Rosil Cavalcanti (20 de dezembro de 1915, Macaparana - PE / 10 de julho de 1968, Campina Grande - PB) completaria um século de vida neste ano de 2015. O centenário e o cancioneiro deste inspirado compositor da Nação Nordestina - nome indissociável da discografia de Jackson do Pandeiro - estão sendo celebrados pelo cantor paraibano Chico Salles no CD Rosil do Brasil, lançado neste mês de junho de 2015. Produzido por José Milton, o disco traz participações de nomes como Chico César, que canta justamente com Salles o hit Sebastiana. Salles alinha 13 músicas do compositor de Na base da chinela (Jackson do Pandeiro e Rosil Cavalcanti, 1962) - tema malicioso incluído no repertório - nas 12 faixas de Rosil do Brasil. Salles dá voz a músicas como Cabo Tenório (Rosil Cavalcanti, 1957), Quadro negro (Rosil Cavalcanti e Jackson do Pandeiro, 1959), Moxotó (José Gomes e Rosil Cavalcanti, 1956) e Ô véio macho (Rosil Cavalcanti, 1962), entre outros hits de Rosil. O cantor pernambucano Silvério Pessoa, que lançou em março CD dedicado ao repertório de Jackson do Pandeiro, figura em Rosil do Brasil no Forró de Zé Lagoa (Rosil Cavalcanti, 1962), o  baião lançado na voz do cantor paraibano Genival Lacerda.

terça-feira, 2 de junho de 2015

'Da taça' convida público a degustar 'Estado de poesia', disco de Chico César

♪ Com bela capa que expõe arte criada pelo designer paraibano Daniel Vincent a partir de foto de Marcos Hermes, o nono álbum do cantor e compositor paraibano Chico César, Estado de poesia, começa a ser oficialmente promovido hoje, 2 de junho de 2015, com o lançamento do single Da taça nas plataformas digitais. Com 14 músicas, sendo 13 inéditas (a exceção é a música-título Estado de poesia, lançada pela cantora baiana Maria Bethânia em 2013 no CD e DVD que registram o show Carta de amor), o disco tem a participação do cantor baiano Lazzo Matumbi no reggae Negão. Primeiro álbum de inéditas de Chico César desde Francisco, forró y frevo (Chita Discos / EMI Music, 2008), Estado de poesia vai ser lançado nas plataformas digitais através do selo Laboratório Fantasma. Já a edição física em CD sai na sequência através da Pommelo Distribuições.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Selo de Emicida vai lançar edição digital de álbum de inéditas de Chico César

♪ Caberá ao selo do rapper paulistano Emicida, Laboratório Fantasma, orquestrar o lançamento digital do nono álbum do cantor e compositor paraibano Chico César (de vermelho na foto ao lado de Emicida - de boné - e do executivo Evandro Fióti e de seu empresário André Bourgeois). Primeiro trabalho de repertório inédito lançado por Chico desde Francisco, forró y frevo (Chita Discos / EMI Music, 2008), o disco se chama Estado de poesia, nome da belíssima música lançada por Maria Bethânia no show Carta de amor (2012 / 2013). O primeiro single do álbum - ainda não revelado - vai estar nas plataformas digitais a partir de 2 de junho de 2015. Já o lançamento do disco completo - que reúne 14 composições de autoria de Chico -  está agendado para 23 de junho.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Duo Gisbranco entra no 'templo' de Chico César ao gravar seu primeiro DVD

♪ A IMAGEM DO SOM - Dúvida cruel (Chico César e Itamar Assumpção, 1995) e Templo (Chico César, Tata Fernandes e Milton de Biasi, 1996) são as duas músicas do cantor e compositor paraibano Chico César incluídas pelo Duo Gisbranco no roteiro do show gravado ao vivo no Teatro Municipal de Niterói (RJ), em 12 de março de 2015, para dar origem ao primeiro DVD do duo carioca de pianos. Ambas tiveram a adesão de Chico na gravação. A foto de Camilla Guimarães flagra o artista em cena, ao violão,  ao lado das pianistas Bianca Gismonti e Claudia Castelo Branco.  O DVD sai ainda este ano.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Kessous inaugura parceria com Chico César em seu terceiro álbum (autoral)

♪ A IMAGEM DO SOM - "...Querido Chico, agora parceiro, com muita honra...". Por esse comentário, feito para foto que postou há dias em sua página oficial no Facebook, a cantora e compositora carioca Monique Kessous revelou que inaugura parceria com o cantor e compositor paraibano Chico César em seu terceiro álbum de repertório autoral, Dentro de mim cabe o mundo, previsto para ser lançado neste primeiro semestre de 2015.  Berna Ceppas produziu o álbum, idealizado pela artista desde 2012.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Chico César se conecta a músicos paraibanos na gravação do nono disco

♪ Em excelente forma como compositor, atestada por suas duas valiosas contribuições para o repertório do mais recente álbum de Maria Bethânia (Arco da velha índia e Xavante), o paraibano Chico César vai se conectar a jovens músicos de sua terra natal em seu próximo disco. Previsto para 2015, o álbum - o nono da discografia do artista - vai ser gravado na Paraíba. Trata-se do primeiro disco de inéditas autorais de Chico César desde o inspirado Francisco, forró y frevo (Chita Discos / EMI Music, 2008). O último título da discografia do cantor - Aos vivos agora, uma releitura de seu CD de estreia - foi lançado via gravadora Biscoito Fino nos formatos de CD e DVD.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Elba regrava balada de Chico César e Rennó no CD 'Vambora Lá Dançar'

Parceria de Chico César com Carlos Rennó, a balada Quando Eu Fecho os Olhos - gravada por Chico no álbum Respeitem Meus Cabelos, Brancos e por Gal Costa no CD Bossa Tropical no mesmo ano de 2002 - ganha a voz de Elba Ramalho uma década após seu lançamento. Quando Eu Fecho os Olhos é uma das músicas do 31º álbum de Elba, Vambora Lá Dançar, nas lojas até o fim de 2012 em edição independente. A cantora também dá voz a um tema de Sérgio Sá.

domingo, 24 de junho de 2012

Chico César refaz 'Aos Vivos' com sua alma de agora (e com Dani Black)

Resenha de CD e DVD
Título: Aos Vivos Agora
Artista: Chico César
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * *

Chico César provou que está vivo como compositor ao lançar Francisco, Forró Y Frevo (2008), álbum de estúdio no qual armou arraial moderno sob a produção de BiD. Mas quase ninguém dançou a quadrilha junina do artista paraibano. O arretado disco morreu no mercado sem ter alcançado a repercussão a que fazia jus. Talvez por isso, mesmo estando vivo como compositor, Chico dê a marcha ré em Aos Vivos Agora, CD e DVD postos nas lojas pela gravadora Biscoito Fino neste mês de junho de 2012. Trata-se da refazenda do primeiro álbum do artista, Aos Vivos (1995). Gravado na raça em 1994, em três shows de voz-e-violão apresentados na Funarte de São Paulo (SP), Aos Vivos seria lançado somente no ano seguinte pela extinta gravadora Velas, registrando o jorro inicial de inspiração deste compositor que reprocessava sons e ritmos do Nordeste com a mesma habilidade com que compunha baladas apaixonadas que seriam projetadas em outras vozes. Mama África tocou em algumas rádios, suscitando confusões da voz de Chico com a de Caetano Veloso. Em 1996, já contratado pela MZA Music, Chico era a bola da vez no mercado fonográfico. Cantoras disputavam suas canções. Era  moda gravar música de Chico César. E muitas delas - À Primeira Vista, Templo, Mulher Eu Sei -  tinham sido lançadas em registros crus, mas cheios de vivacidade, em Aos Vivos. Vivacidade que Chico reproduz com naturalidade em Aos Vivos Agora, registro resultante da captação de três shows feitos em 2, 3 e 4 de setembro de 2011 no Teatro Fecap, na mesma São Paulo (SP) que pariu Aos Vivos. A voz continua com a mesma potência. Basta comparar o registro de 1994 do aboio Béradêro com a gravação de 2012 - também a capella - na abertura do show. A diferença está nos cabelos, agora mais fartos. E também na participação dos convidados. Emergente cantor e compositor paulista, Dani Black assume as vozes (em Dança e em À Primeira Vista), os violões e as guitarras que foram de Lanny Gordin (insubstituível!) e Lenine (dono também de personalíssimo toque de violão) na gravação de 1994. Escolha coerente, não somente pelo fato de Chico ter sido baby sitter de Dani - filho de Tetê Espíndola e Arnaldo Black - mas também pela nítida influência do som de Lenine na música de Dani. E o fato é que Aos Vivos Agora soa com vigor pela simples razão de que seu repertório resistiu bem ao tempo e compõe quase um best of de Chico César. Mas também pelo fato de não ser uma reprodução obsessivamente fiel do registro de 1994, apesar de o roteiro ser praticamente o mesmo (salvo a inversão de lugares entre Dança e Nato). Ciente de que ninguém é o mesmo ao mergulhar pela segunda vez no mesmo rio, como sentenciou o filósofo, Chico César refez Aos Vivos com sua alma de agora. Mesmo com seu acabamento tosco, a gravação ao vivo de 1994 tem mais peso em sua discografia por captar um compositor ávido por encontrar ouvintes e intérpretes para sua música. O registro de 2011 é a (bela) celebração de um momento inicial que deu tão certo que ainda faz sombra em todos os discos gravados por Chico César de uns tempos para cá, mesmo estando o compositor muitíssimo vivo.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Chico César grava DVD em SP com Dani e o repertório do CD 'Aos Vivos'

Chico César grava seu segundo DVD, Aos Vivos, em show no Teatro Fecap, em São Paulo (SP). Com participação de Dani Black no violão, na guitarra e nos vocais, a gravação ao vivo vai ser feita na minitemporada que acontece entre 2 e 4 de setembro de 2011. O título do DVD é o mesmo do primeiro CD do artista, Aos Vivos (Velas, 1995), porque a ideia do cantor - em foto de Washington Possato - é revisitar o formato nu e cru do álbum ao vivo gravado em 1994 na mesma São Paulo onde o paraibano se radicou em 1985. Eis o texto escrito por Chico César sobre a feitura do DVD Aos Vivos, cujas imagens vão ser captadas e exibidas pelo Canal Brasil: 

Aos Vivos é meu primeiro CD, gravado ao vivo com voz e violão, lançado 16 anos atrás pela gravadora Velas (de Ivan Lins e Vitor Martins). Agora faço o DVD desse álbum que me mostrou primeiro à cena alternativa de São Paulo e, alado, voou Brasil adentro e mundo afora. O disco foi gravado em três noites do outono de 1994 na Funarte da Alameda Nothmann, em Sampa, onde já vivia há nove anos. O lançamento foi só no ano seguinte, 1995. Para o DVD, de novo o centro de Sampa: o Teatro FECAP, na Liberdade, nos dias 2, 3 e 4 de setembro.

Dani Black é meu convidado no DVD. Ele vai participar de algumas músicas tocando violão, guitarra e fazendo vocais. Mais ou menos a mesma coisa que no disco fizeram Lenine e Lanny Gordin. Dani cresceu ouvindo o Aos Vivos e eu fui seu baby sitter e de sua irmã Patrícia inúmeras vezes quando seus pais, meus parceiros Arnaldo Black e Tetê Espíndola, saíam para ir ao cinema ou visitar amigos.

Egídio Conde, do Audiomobile, é um dos principais responsáveis pela existência do CD Aos Vivos. Nos conhecíamos do Festival de Avaré desde 1991 e, ao procurá-lo para que me cedesse seu estúdio para gravar vozes e violões em um material que estava preparando com André Abujamra na produção do que deveria ter sido meu primeiro disco, ele me aconselhou a fazer um disco ao vivo e colocou à disposição seu equipamento, sua sensibilidade e seu tempo para o projeto. "Ao vivo, no palco, não tem pra ninguém. É você onde a força de sua música aparece. É onde você é o cara", me encorajou.

Lenine veio de ônibus noturno do Rio de Janeiro, acho que pagando do próprio bolso a passagem, e ficou hospedado na sala do caótico apartamento que eu dividia com Zeca Baleiro na Heitor Penteado, em cima da Padaria Ceará, onde tínhamos umas compreensivas penduras. Alan Gordin, pai do Lanny, liberou o legendário guitarrista de tocar em sua boate Stardust nessas três noites, já que ele ganharia um pouco mais tocando comigo. As refeições fazíamos na musicasa de Tata Fernandes, Nina Blauth e Míriam Maria, em que Itamar Assumpção (meu parceiro em Dúvida Cruel, que está no disco) observava com divertida cautela o assédio de nossa fauna às suas orquídeas. Na produção, Elaine Marin e Esther Vasconcelos.

Gravei o disco com um violão takamini emprestado de Edson Natale, que mais na frente até tentaria (e fracassaríamos) me ajudar a vender bônus para prensar o disco às próprias custas. Na platéia: Ná Ozetti, Suzana Sales, Vânia Bastos, Vange Milliet, Virgínia Rosa, Gigi Trujilo, todas as Orquídeas do Brasil, Tetê Espíndola, Carlos Careqa, Passoca, Renato Braz. Quase ninguém pagou entrada, mas também depois ninguém cobrou direitos conexos pela excelente performance do coro, que surpreendeu a Ivan Lins: "Como pode um artista desconhecido em seu primeiro disco ter tanta gente cantando na platéia?" Mistérios que só a guerrilha do underground explica: insistentes apresentações em lugares pequenos repetidas vezes para quinze, dez ou até cinco pessoas…

Egídio e eu mixamos e editamos o disco com a TV ligada sem som vendo a tediosa copa de 94, nos Estados Unidos. Vez por outra mudávamos de canal para ver algo interessante na MTV. Disco pronto, tentaram nos convencer a não lançá-lo para não desperdiçar as músicas com aquelas gravações sem arranjo, despidas. Até experimentamos colocar percussão em algumas faixas, mas não dava certo, pois o tempo oscilava.

Finalmente a Velas se decidiu e, um ano depois, veio o lançamento. Um pouco antes, Mama África e À Primeira Vista saíram em uma coletânea por uma revista de áudio. Algumas rádios públicas e "adultas" começaram a tocar, algumas pessoas começaram a se perguntar: "É o Caetano Veloso? É o Gil? É um disco voador?" Era um disco voador, que ganhou vida própria e plana sem planos até hoje. Ele terminou por me levar ao mainstream e também a me defender do mainstream. Nas reuniões mais tensas em que diretores de gravadora tentavam me convencer de algo que eu realmente não faria de jeito algum, usei meu primeiro disco como escudo e argumentava: "Vocês nunca teriam me deixado gravar o disco através do qual me conheceram e que despertou o interesse por mim".

Ah, o DVD. Também estou torcendo para que saia uma versão do áudio em vinil, pois era nesse formato que eu fantasiava meu primeiro disco. O repertório: vou tocar todo o Aos Vivos, respeitando o espírito de certa liberdade irresponsável que há nele. É mais isso do que o compromisso de tentar fazer igualzinho ao disco. Não há como mesmo. Fiz uma noite de Aos Vivos numa recente Virada Cultural em São Paulo, no Teatro Municipal da cidade. Foi emocionante: de madrugada, na fila, a turma tocando e cantando todas as músicas, na seqüência.


Mas também tem o "Aos Outros": algumas músicas que toquei naquelas três noites e que acabaram não entrando no disco (tipo Utopia e Invocação). E outras, minhas ou não, que entraram na minha vida de lá pra cá e que eu acho que tem a ver fazer agora: Dor Elegante (de Itamar e Leminski), Paula e Bebeto (Milton Nascimento e Caetano Veloso), Ilê Aiyê (Paulinho Camafeu). Tocar eu toco, depois a gente vê se entra ou não. Deixa vir pra ver no que dá. Boa noite, São Paulo!

Chico César

domingo, 12 de junho de 2011

CD com áudio do único DVD de Chico César reúne Ana, Bethânia e Elba

Em 2006, Chico César lançou seu sexto belo álbum, De Uns Tempos pra Cá, gravado com o Quinteto da Paraíba e editado pela gravadora Biscoito Fino. O show de lançamento do disco - também feito com o Quinteto da Paraíba - foi captado ao vivo em São Paulo (SP) e deu origem ao primeiro e (até o momento...) único DVD do cantor e compositor paraibano, Cantos e Encontros de Uns Tempos pra Cá, posto no mercado em 2007 pela mesma Biscoito Fino. Quatro anos depois, o áudio do DVD rende o CD homômimo, nas lojas até o fim deste mês de junho de 2011. O disco reúne as cantoras Ana Carolina, Mara Bethânia e Elba Ramalho. Elba já tinha participação da gravação ao vivo em dois números, sendo que um - o medley que junta A Prosa Impúrpura do Caicó (Chico César) com Asa Branca (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira) - foi incluído entre as 16 faixas do CD. Já Ana e Bethânia aparecem em fonogramas captados no estúdio da gravadora Biscoito Fino para os extras do DVD.  Ana interpreta Mulher Eu Sei (Chico César). Bethânia revive A Força que Nunca Seca (Chico César e Vanessa da Mata), música que deu título ao álbum que lançou em 1999. Completando o time de convidados do CD Cantos e Encontros de Uns Tempos pra Cá, o virtuoso violonista Chico Pinheiro toca Uma Valsa para 3.