Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Eis a capa do CD em que Alcina dá voz a Ben Jor e a Péricles Cavalcanti

Esta é a (expressiva) capa do disco comemorativo dos 40 anos de carreira de Maria Alcina, De normal bastam os outros. Nas lojas em janeiro de 2014, com distribuição da gravadora Eldorado, o CD é o segundo título do selo fonográfico Nova Estação, aberto pelo produtor Thiago Marques Luiz. Neste álbum, pilotado por Marques Luiz sob a direção musical do violonista Rovilson Pascoal, a cantora mineira dá voz à música obscura do compositor carioca Jorge Ben Jor - Sem vergonha, já gravada pela própria Alcina em álbum, Bucaneira (1992), de pouca visibilidade - e a tema do compositor carioca Péricles Cavalcanti, Dionísio, deus do vinho e do prazer, entre inéditas feitas para a artista por Arnaldo Antunes (a música-título De normal bastam os outros), Karina Buhr (Cocadinha de sal) e Zeca Baleiro (Eu sou Alcina). Eis as 13 músicas do disco De normal bastam os outros, que tem participação de Ney Matogrosso:

1. Eu sou Alcina (Zeca Baleiro, 2014)
2. De normal bastam os outros (Arnaldo Antunes, 2014)
3. Sem vergonha (Jorge Ben Jor, 1992)
4. Nhém nhém nhém (Totonho, 2001)
5. Segura esse samba, Ogunhê (Osvaldo Nunes, 1969) /

    Dondoca (Adoniran Barbosa e Hervê Cordovil, 1972)
6. Não se avexe, não (Haydée de Paula e Chico Anysio, 1959)
7. Bigorrilho (Paquito, Sebastião Gomes e Romeu Gentil, 1964) - com Ney Matogrosso
8. O Chefão (João Bosco e Aldir Blanc, 1974)
9. Cocadinha de sal (Karina Buhr, 2014)
10. Fogo da morena (Felipe Cordeiro, 2011)
11. Concurso de bichos (Anastácia e Liane, 2014)
12. Dionísio, Deus do vinho e do prazer (Péricles Cavalcanti, 2013)

Eis a capa do disco em que Ângela e Cauby recordam um sucesso de Benito

♪ Com foto de Jardiel Carvalho na capa, o CD Reencontro - terceiro álbum gravado por Ângela Maria & Cauby Peixoto em discografia que já inclui Ângela & Cauby (EMI-Odeon, 1982) e Ângela & Cauby ao Vivo (BMG-Ariola, 1992) - chega às lojas em janeiro de 2014  com distribuição da gravadora Eldorado. Reencontro é o título inaugural do selo Nova Estação, aberto por Thiago Marques Luiz - produtor do disco gravado sob a direção musical do pianista Daniel Bondaczuk. O repertório inclui Se não for amor, grande sucesso do cantor e compositor fluminense Benito Di Paula, do álbum Um novo samba (1973). Eis, na ordem do CD, as 12 faixas do álbum  Reencontro:

1. Abandono (Nazareno de Brito e Presyla de Barros, 1955) /
    Nono mandamento (Renê Bittencourt e Raul Sampaio, 1957) /
    Orgulho (Waldir Rocha e Nelson Wederking, 1953) /
    Molambo (Augusto Mesquita e Jayme Florence, 1953)

2. Alguém como tu (Jair Amorim e José Maria de Abreu, 1952)
3. Apelo (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1963)
4. Como é grande o meu amor por você (Roberto Carlos, 1967)
5. Somos iguais (Jair Amorim e Evaldo Gouveia, 1964)
6. Dez anos (Rafael Hernandez em versão em português de Lourival Faissal, 1951)
7. Se não for amor (Benito Di Paula, 1973)
8. You'll never know (Harry Warren e Mack Gordon, 1943) / 

    Eu vou ter sempre você (Harry Warren e Mack Gordon em versão de Antonio Marcos, 1980)
9. Tres palabras (Osvaldo Farrés, 1946) /
    Quizás, quizás, quizás (Osvaldo Farrés, 1947)

10. Chove lá fora (Tito Madi, 1957) /
      Franqueza (Denis Brean e Osvaldo Guilherme, 1957)
11. O mundo é um moinho (Cartola, 1976)
12. Bronzes e cristais (Nazareno de Brito e Alcyr Pires Vermelho, 1958)

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

P!nk arma o circo pop no registro em DVD da turnê 'The truth about love'

P!nk ainda colhe os frutos do sucesso de seu sexto álbum de estúdio, The truth about love tour (2012), disco que rendeu à cantora e compositora norte-americana neste ano de 2013 um grande sucesso, Just give me a reason, música gravada com Nate Russ e indicada ao 56º Grammy Awards na relevante categoria Canção do ano. O álbum gerou também espetáculo de estética circense que percorreu parte do mundo em turnê e que foi eternizado no terceiro DVD de P!nk, The truth about love tour - Live from Melboune, recém-lançado no Brasil via Sony Music. O show da turnê foi captado em apresentação na Austrália, país em que a artista vive pico de popularidade, tendo feito 18 apresentações do espetáculo para público estimado em quase 250 mil pessoas. A turnê - que será encerrada em janeiro de 2014, nos Estados Unidos - totalizará 142 apresentações. O registro do show em DVD perpetua 21 números do roteiro, além de exibir imagens de bastidores da turnê em que P!nk armou novamente o seu circo pop.

Daniela é o canto da diversidade em CD com grupo Cabeça de Nós Todos

Resenha de CD
Título: Daniela Mercury & Cabeça de Nós Todos
Artista: Daniela Mercury & Cabeça de Nós Todos
Gravadora: Eldorado
Cotação: * * * 

Negra demais no repertório e no coração apaixonado, Daniela Mercury celebra o canto da diversidade afetiva e musical em álbum de estúdio gravado em 2012 com o grupo baiano Cabeça de Nós Todos e lançado neste último trimestre de 2013, um ano após sua gênese e feitura. "Qualquer maneira de amor vale o canto", determina a cantora através de verso de Paula e Bebeto (Caetano Veloso e Milton Nascimento, 1975), regravação que adquire sentido especial no disco dedicado pela assumida Daniela à sua companheira Malu Verçosa. Com capa que exibe ilustração do artista plástico Herbert Loureiro, o CD Daniela Mercury & Cabeça de Nós Todos traz a cantora de volta à reativada gravadora Eldorado, companhia por onde debutou na carreira solo, em 1991, com disco que mostrou a cor negra do swing e do canto caloroso da menina baiana, hoje senhora de carreira que vem sendo pavimentada em trilhos já independentes. O samba dita o ritmo do repertório essencialmente inédito, mas o iê iê iê pop romântico Sei lá (Aila Menezes, Leonardo Reis, Emerson Taquari, Mikael Mutti e Sérgio Rocha) - alocado já na abertura do disco - sinaliza que o canto de Daniela já pode ser de qualquer tempo ou lugar. Chato flash nostálgico de amor de juventude, Carteira de estudante (Leonardo Reis, Magary Lord e Peu Meurray) reabre a cortina do passado afetivo com suingue cool, reiterando o romantismo embutido em parte do desigual repertório com a harmoniosa combinação das vozes dos integrantes do Cabeça de Nós Todos. Sinto (Deco Simões, Emerson Taquari e Sérgio Rocha) joga cantora e grupo na praia do pop reggae. Mas é na cadência bonita do samba que o balé mulato ganha cor e movimento. Com ginga, Tira onda (Leonardo Reis, Emerson Taquari e Peu Meurray) cai no suingue da malandragem carioca. De olho na Copa do Mundo de 2014, a ser disputada no Brasil, Neguinho maravilha (Mikael Mutti) traça no compasso do samba o perfil de garoto que vai do morro aos campos de futebol, com ritmo que acelera no pique de um passe veloz. Nesse mesmo campo, Cheia de graça (Daniela Mercury e Gabriel Póvoas) exalta a bola que corre nos gramados com suingue derivado e diluído da obra-matriz de Jorge Ben Jor. "Sou o canto da cidade", lembra Daniela em verso de Alma feminina (Aila Menezes e Mikael Mutti), música lançada pela cantora em novembro de  2012. Introduzida por berimbau, Alma feminina é samba-reggae sustentado pelo baticum do gênero que pauta a azeitada regravação de Aquele abraço (Gilberto Gil, 1969), saudação que integra os cantos das cidades de Rio de Janeiro (RJ) e Salvador (BA) ao embutir na batida do samba-reggae toques da batucada carioca, do samba-rock e do samba-funk. Já Vai ser como o rei mandar (Aila Menezes e Mikael Mutti) abre a roda para celebrar o samba da Bahia com direito à citação de Todo menino é um rei (Zé Luiz e Nelson Rufino, 1978), sucesso do cantor fluminense Roberto Ribeiro (1940 - 1996). Única faixa captada ao vivo, Couchê (Adson Tapajós, Zeca Brasileiro e Sérgio Rocha) desencava mais a raiz africana, festejando o semba herdado de Angola. Instante de menor cor e pulsação rítmica, Seda azul (Deco Simões e Karina Faria) é entoada em dueto, no tempo da delicadeza, mas culmina com o canto a capella de Daniela Mercury, artista negra demais no coração e consciente de que qualquer maneira de amor vale o canto da diversidade.

Luiza alcança ponto de harmonia e coesão com CD 'Sobre o amor e o tempo'

Resenha de CD
Título: Sobre o amor e o tempo
Artista: Luiza Possi
Gravadora: Radar Records
Cotação: * * * *

 Bons ventos sempre chegam. Sétimo álbum de Luiza Possi, o quinto gravado em estúdio, Sobre o amor e o tempo conduz a irregular discografia da cantora carioca a um ponto inédito de coesão e harmonia. A unidade é resultante não somente do fato de as 14 músicas versarem sobre o amor e o tempo - o que evitou na última hora que o disco recebesse o inexpressivo título de Sétimo - mas, sobretudo, da suave tonalidade pop formatada pelo produtor Dadi Carvalho. O rock enfatizado pela artista nas entrevistas promocionais do disco se impõe mais na segunda metade de Sobre o amor e o tempo, em especial nas autorais D.C. (Luiza Possi) e Velho do restelo (Luiza Possi e Nelsinho Botega), tema cantado na velocidade de uma embolada. Contudo, no geral, a vibe roqueira que eventualmente se insinua em faixas como Passageiro (André Carvalho) e Coisas pequenas (Zé Rodrix e Tavito) - regravação da obscura balada bluesy Coisas pequenas, lançada pelo cantor e compositor carioca Zé Rodrix (1947 - 2009) em álbum de 1973 - é filtrada pela estética pop e limpa da produção de Dadi, cujos violões e guitarra são recorrentes nos arranjos. Em essência, Sobre o amor e o tempo é disco melódico, herdeiro das delicadezas do anterior álbum de estúdio de Luiza, Bons ventos sempre chegam (LGK Music, 2009), até então o melhor CD da cantora. Grande sacada, Coisas pequenas é bissexta regravação em repertório predominantemente inédito. Em sintonia com a suavidade pop do álbum, Tao da lua abre Sobre o amor e o tempo, expondo de cara a evolução de Luiza como compositora com canção que se alinha com outras músicas do disco assinadas por artistas consagrados. Inédita parceria de Marisa Monte com Adriana Calcanhotto e Dadi Carvalho, Devo lhe dizer deixa logo reconhecível o d.n.a. melódico das canções simples e sedutoras de Marisa. Da mesma forma, Tempo em movimento traz a assinatura pessoal e intransferível de Lulu Santos, o rei do pop nativo, parceiro de Nelson Motta nesta canção gravada com a guitarra slide e a voz do próprio Lulu (em harmonioso uníssono com a de Luiza). Já O mundo era nós dois é balada ao estilo pop passional de Ana Carolina, parceira de Chiara Civello e Antonio Villeroy (e cabe um parêntesis para realçar a generosidade de Ana como compositora, pois a artista mineira volta e meia cede para outros cantores músicas que poderiam ser hits em sua voz ardente). As melódicas canções Pode vir (Juca Chuquer), Venha - parceria de Luiza com Barbara Rodrix - e Logo eu (Sonekka e Zé Edu Camargo) contribuem para a coesão do disco por estarem afinadas com o tom suave de Sobre o amor e o tempo. Já a releitura em tom bluesy de Solidão - música da cantora e compositora carioca Dolores Duran (1930 - 1959), lançada em 1958 na voz da autora - destoa do espírito do disco porque, nesta faixa, Luiza experimenta intensidade inadequada para seu canto (além do mais, paira a comparação com a releitura - ainda - contemporânea de Solidão feita por Marina Lima em 1979, no seu primeiro álbum). Na seara das regravações, Luiza é mais feliz ao pescar pérola na discografia de Erasmo Carlos, Dois em um,  tema da lavra solitária do Tremendão, que entra com seu vocal rapeado nesta gravação que soa mais aliciante do que o registro original da canção, feito pelo cantor e compositor carioca em seu irregular álbum Santa música (Indie Records, 2004). Por sua vez, na abordagem de Luiza, Dois perdidos - linda canção composta por Dadi Carvalho com Arnaldo Antunes, lançada por Dadi em 2007 e regravada com mais repercussão em 2011 pela voz precisa do cantor gaúcho Filipe Catto - ganha em leveza pop o que perde na exposição da melancolia entranhada na letra. Mas é essa leveza pop que sustenta, unifica e justifica Sobre o amor e o tempo, (ótimo) álbum à altura da voz bonita e afinada de Luiza Possi.

Single 'Cannonball' anuncia 'Louder', primeiro álbum solo de Lea Michele

Já disponível no iTunes, o single Cannonball (Sia Furler, Benny Blanco, Erik Hermansen e Mikkel Storleer Eriksen) promove e anuncia oficialmente o lançamento - previsto para 28 de fevereiro de 2014 pela gravadora Columbia Records - do primeiro álbum solo de Lea Michele, Louder. Atriz e cantora norte-americana projetada na série de TV Glee, Michele dedica duas músicas do disco - If you say so e You're mine - ao seu colega na série dos Estados Unidos e ex-namorado Cory Monteith (1982 - 2013), ator, cantor e músico canadense morto em julho. Eis as 14 músicas da Deluxe edition de Louder, álbum que vai ser lançado no Brasil via Sony Music:

1. Cannonball
2. On my way
3. Burn with you
4. Battlefield
5. You're mine
6. Thousand needles
7. Louder
8. Cue the rain
9. Don't let go
10. Empty handed
11. If you say so
12. What's love? - faixa excluvisa da Deluxe edition
13. Gone tonight - faixa excluvisa da Deluxe edition
14. The bells - faixa excluvisa da Deluxe edition

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Grammy 2014, que pode consagrar o duo Daft Punk, foi injusto com West

Por mais que seja egocêntrico, o rapper norte-americano Kanye West está certo quando reclama publicamente do fato de o seu sexto (excelente) álbum solo, Yeezus, não figurar entre os cinco indicados da categoria Álbum do ano na 56ª edição do Grammy Awards. Como West argumenta com razão, Yeezus vem figurando em várias listas de melhores discos de 2013 e não merecia ter recebido somente duas indicações em categorias dedicadas ao rap (Álbum de rap e Melhor rap, por conta da faixa New slaves). Sua ausência nas categorias realmente importantes é injusta. Até porque o Grammy indicou Red, o bom (mas jamais excepcional) quarto álbum de estúdio da cantora norte-americana de country Taylor Swift. Tal indicação pode causar indignação fora dos Estados Unidos, mas está em sintonia com o espírito de um prêmio criado pela indústria norte-americana do disco e voltado para os interesses dessa indústria. Nesse sentido, a consagração do duo francês Daft Punk - por seu espetacular e irretocável quarto álbum, Randon access memories - é incerta, embora merecida. A incerteza vem do enquadramento do disco na categoria Eletrônica / dance, habitualmente desvalorizada pelo Grammy em seus prêmios mais relevantes. Ao menos, Randon access memories está indicado a Álbum do ano ao lado de Good kid, M.A.A.D. city (CD do novato Kendrick Lamar, sensação atual do hip hop dos EUA, rapper indicado ao Grammy de Artista revelação), The blessed unrest (quarto álbum da cantora, compositora e pianista norte-americana Sara Bairelles) e The heist (de Macklemore & Ryan Lewis, dupla norte-americana formada pelo rapper Macklemore com o DJ e produtor Ryan Lewis). Qualquer que seja o vencedor da categoria Álbum do ano, as indicações ao 56º Grammy Awards - que vai eleger seus vencedores em cerimônia agendada para 26 de janeiro de 2014 - reiteraram uma apatia do universo pop em 2013, mas também o bom momento comercial e artístico de Bruno Mars (no páreo de Gravação do ano e Canção do ano com Locked out of heaven), Katy Perry (concorrendo ao Grammy de Canção do ano com a irresistível Roar) e Robin Thicke, um concorrente a ser levado a sério na categoria Gravação do ano por conta de Blurred lines, a sedutora música-título de seu sexto álbum de estúdio, provavelmente excluída da categoria Canção do ano por conta de acusações que sustentam que a música plagia tema de Marvin Gaye (1939 - 1984). De qualquer forma, Thicke encontra rival à altura no duo Daft Punk, cujo hit Get lucky - formatado com o toque disco da guitarra de Nile Rodgers - também concorre ao troféu de Gravação do ano. Eis os (principais) indicados à 56ª edição do Grammy Awards:

Álbum do ano:
Good Kid, M.A.A.D. City - Kendrick Lamar
Random Access Memories - Daft Punk
The Blessed Unrest - Sara Bareilles
The Heist - Macklemore & Ryan Lewis
Red - Taylor Swift

Gravação do ano:
Get Lucky - Daft Punk e Pharrell
Radioactive - Imagine Dragons
Royals - Lorde
Locked Out of Heaven - Bruno Mars
Blurred Lines - Robin Thicke, T.I. e Pharrell Williams


Canção do ano:
Just Give me a Reason - P!nk e Nate Ruess
Locked Out of Heaven - Bruno Mars
Roar - Katy Perry
Royals - Lorde
Same Love - Macklemore & Ryan Lewis


Artista revelação:
James Blake
Kendrick Lamar
Macklemore & Ryan Lewis
Kasey Musgraves
Ed Sheeran


Álbum vocal pop
Paradise - Lana Del Rey
Pure Heroine - Lorde
Unorthodox Jukebox - Bruno Mars
Blurred Lines - Robin Thicke
The 20/20 Experience (The Complete Experience) - Justin Timberlake

Álbum country:
Night Train - Jason Aldean
Two Lanes of Freedom - Tim McGraw
Same Trailer Different Park - Kacey Musgraves
Based on a True Story - Blake Shelton
Red - Taylor Swift


Álbum de música eletrônica / dance:
Random Access Memories - Daft Punk
Settle - Disclosure
18 Months - Calvin Harris
Atmosphere - Kaskade
A Color Map of the Sun - Pretty Lights


Álbum de rock:
13 - Black Sabbath
The Next Day - David Bowie
Mechanical Bull - Kings Of Leon
Celebration Day - Led Zeppelin
...Like Clockwork - Queens Of The Stone Age
Psychedelic Pill - Neil Young With Crazy Horse

Álbum de r & b:
R&B Divas - Faith Evans
Girl on Fire - Alicia Keys
Love in the Future - John Legend
Better - Chrisette Michele
Three Kings - TGT


Álbum de rap:
Nothing Was The Same - Drake
Magna Carta...Holy Grail - Jay Z
Good Kid, M.A.A.D City - Kendrick Lamar
The Heist - Macklemore & Ryan Lewis
Yeezus - Kanye West


Álbum urbano contemporâneo:
Love and War - Tamar Braxton
Side Effects of You - Fantasia
One: In the Chamber - Salaam Remi
Unapologetic - Rihanna
New York: a Love Story - Mack Wilds

Em CD feito com Tostoi, Amud revolve águas passadas com sons atuais

Resenha de CD
Título: De ponta a ponta tudo é praia-palma
Artista: Thiago Amud
Gravadora: Delira Música
Cotação: * * * *

Aos 33 anos, Thiago Amud já tem parcerias assinadas com os geniais compositores Francis Hime e Guinga - o que já basta para atestar o talento deste artista carioca que, como Hime e Guinga, parece ter se tornado cantor para dar voz à produção de suas músicas autorais. Segundo CD de Amud, recém-posto no mercado fonográfico pelo selo carioca Delira Música, De ponta a ponta tudo é praia-palma explora o território da música do Brasil - sob a produção noise do guitarrista JR Tostoi - a partir do descobrimento do país. Quem está no comando do barco que caminha por águas e formas nunca dantes navegadas é o próprio Amud, diretor musical do disco. Só que a conexão com Tostoi dá tom contemporâneo ao álbum - cujo caprichado projeto gráfico foi criado a partir da obra ...Com Hiroshige para os mares e as águas, da artista plástica carioca Anna Bella Geiger - e impede que De ponta a ponta tudo é praia-palma fique ancorado em algum remoto lugar do passado. A formatação experimental das 12 músicas autorais - produtos da lavra solitária de Amud, com exceção d'A saga do grande líder, parceria com Edu Kneip que narra em tom épico a aventura do descobrimento - tornou o disco instigante e desbravador de caminhos. Na música-título De ponta a ponta tudo é praia-palma, o pandeiro de Sergio Krakowski insinua um samba, mas sem seguir a cadência bonita do gênero, diluída entre experimentações e dissonâncias. Com título extraído da carta enviada pelo escrivão lusitano Pero Vaz de Caminha (1450 - 1500) ao então rei de Portugal Dom Manuel I (1469 - 1521) sobre o achamento do Brasil, De ponta a ponta tudo é praia-palma segue o fluxo de águas conceituais, partindo de Portugal com o Fado de Bandarra até aportar no Brasil, terra de sertões secos (desbravados em Devastação na batida noise do produtor JR Tostoi), de samba e do Carnaval, evocado no samba No contratempo e no frevo Carnaval na Mesopotâmia. O tom rebuscado de letras verborrágicas como a de Papoula brava expõe o caráter delirante do disco, cuja salutar estranheza vem justamente do confronto de versos e ritmos antigos com o som noise de Tostoi. Aberta por coro lírico, a cantiga Estigma derrama poesia, expondo a eventual semelhança do timbre da voz de Amud com a do cantor carioca Zé Renato. Composta em memória de Dorival Caymmi (1914 - 2008), Outro acalanto versa com lirismo sobre outros mares, pescando pérolas poéticas no tempo da delicadeza dos vibrafones de Arthur Dutra, único instrumento a se harmonizar com o canto de Amud. "Sou velho / Minha raça limita com a dos patriarcas", depõe Amud nos versos de Ancestral, tema que embute o toque afro-baiano do ijexá. O compositor parece mesmo velho, egresso de outros Carnavais da música brasileira. Mas nada soa velho em De ponta a ponta tudo é praia-palma, disco que também ecoa e confronta a força de tambores ancestrais em Toante com a pegada atual de Tostoi. Última música do CD, gravada por Amud em dueto com a cantora carioca Cintia Graton, Silêncio d'Água conduz o disco ao seu porto final, selando com suavidade o êxito da atípica viagem desse navegante delirante e instigante. Descubra o Brasil torto de Thiago Amud!

Influente guitarrista de jazz, Jim Hall sai de cena - nos EUA - aos 83 anos

O norte-americano James Stanley Hall (4 de dezembro de 1930 - 10 de dezembro de 2013) - conhecido no mundo da música pelo nome artístico de Jim Hall - foi um dos guitarristas mais influentes da história do jazz. Com o toque lírico e introspectivo de sua guitarra, Jim Hall logo influenciaria guitarristas como Bill Frisell e Pat Metheny (ambos também norte-americanos). Guitarrista, compositor e arranjador, Hall saiu de cena na última terça-feira, 10 de dezembro, nos Estados Unidos. Tinha 83 anos. Sua saída de cena enlutou o meio jazzístico dos EUA, que já tinha reverenciado Hall com honrarias, pela combinação precisa de técnica e emoção no toque do instrumento que lhe fez imortal na história da música e - em particular - na do jazz.

Com 'falhas naturais', Ângela e Cauby reiteram a realeza em show no Rio

Resenha de show
Título: Reencontro
Artista: Ângela Maria e Cauby Peixoto (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Theatro Net Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 10 de dezembro de 2013
Cotação: * * * 1/2
Show em cartaz no Theatro Net Rio, no Rio de Janeiro (RJ), até 11 de dezembro de 2013
Show em cartaz no Theatro São Pedro, em São Paulo (SP), em 18 de dezembro de 2013

"Um rei não perde a majestade", gritou para Cauby Peixoto, da segunda fila do Theatro Net Rio, exaltada espectadora da estreia nacional de Reencontro, show baseado no homônimo disco que chega às lojas em janeiro de 2014. Terceiro projeto fonográfico gravado por Cauby em duo com Ângela Maria, o CD Reencontro (Nova Estação / Eldorado) é o pretexto para reunir em cena - mais uma vez - os dois cantores fluminenses, ícones sobreviventes da fase pré-Bossa Nova, época dominada por sambas-canção e boleros de tom folhetinesco. Mesmo com "falhas naturais", como a própria Sapoti reconheceu ao se dirigir ao público após o segundo dos 20 números do roteiro costurado pelo diretor Thiago Marques Luiz, Como é grande o meu amor por você (Roberto Carlos, 1967), o show Reencontro reiterou a majestade destes dois intérpretes que reinaram na era do rádio. Aos 84 anos, Ângela já não atinge as notas altas de tempos idos, mas continua sendo senhora cantora e mantém o porte de rainha. Aos 82 anos, Cauby já parece meio disperso e aéreo no palco ("Cauby não fala nada, ele só ri", sublinhou Ângela em cena). Vieram dele, que precisou ler a maioria das letras e nem sempre se mostrou atento às entradas e andamentos das músicas, as tais falhas que - como disse a cantora - são mesmo naturais para quem já está em atividade há seis décadas. Mesmo assim, Cauby foi rei - mais uma vez - na noite de 10 de dezembro de 2013. E ele soube disso desde o ínicio, como sinalizou ao levar o polegar direito em meio à interpretação de Orgulho (Waldir Rocha e Nelson Wederking, 1953) - samba-canção do medley inicial em que os cantores trocaram de repertório - para agradecer os aplausos calorosos do (seu) público. O roteiro alocou alguns duetos dos cantores - em músicas como Alguém como tu (Jair Amorim e José Maria de Abreu, 1952) e Somos iguais (Jair Amorim e Evaldo Gouveia, 1964) - mas também abriu espaço para que cada intérprete brilhasse sozinho, embora ambos tenham permanecido juntos no palco durante todo o show. Para provar que não perdeu a majestade, Ângela sustentou e alongou notas ao cantar Babalu (Margarita Lecuona, 1939), mambo cubano que, desde 1958, é um dos carros-chefes do repertório da Sapoti, ao qual já está definitivamente associado. Embora inadequado para o atual momento da cantora, o exibicionismo vocal surtiu efeito entre o público idoso e saudoso de tempos idos. Estrela da canção brasileira, Ângela Maria nem precisava ter se exibido. A propriedade com que interpretou o samba-canção Noite chuvosa (João Leal Brito - Britinho - e Fernando César, 1960) - linkado no roteiro com Chove lá fora (1957), tema do modernista Tito Madi ouvido na voz de Cauby - bastou por si só para atestar sua perene realeza. Por isso mesmo, não teve a menor importância o fato de ela ter interrompido Eu vou ter sempre você (Harry Warren e Mack Gordon em versão de Antonio Marcos, 1980) por ter esquecido a letra da música, cantada antes por Cauby no original idioma inglês. A precisão com que a Sapoti entoa e entende as letras melodramáticas de sambas-canção como Vida de bailarina (Américo Seixas e Chocolate, 1953) e Fósforo queimado (Roberto Lamego, Milton Legey e Paulo Menezes, 1953) - música em que a cantora deu show de interpretação - foi suficiente para arrebatar o público. Escorado no timbre aveludado de sua personalíssima voz de barítono, o afinado Cauby obteve seus melhores momentos no show Reencontro quando solou músicas que já domina - como Bastidores (Chico Buarque, 1980), número em que o artista deixou a impressão de jamais ter cantado tão lindo assim, e sua eterna Conceição (Jair Amorim e Valdemar de Abreu - Dunga, 1956) - e quando mostrou fôlego ao entoar em espanhol Granada (Agustín Lara, 1932), número valorizado pela pulsação da percussão e das cordas da banda orquestrada pelo pianista Daniel Bondaczuk. Granada preparou o clima solene para o tom épico imprimido ao samba Na Baixa do Sapateiro (Ary Barroso, 1938), número final de show arrematado com ternura no bis  ao som de Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro, 1937). Enfim, Ângela Maria e Cauby Peixoto são reis de seu tempo. Não precisam provar mais nada para ninguém. Mesmo com as falhas e as tensões naturais de toda estreia, o bom show Reencontro - vale ressaltar de novo - reiterou a realeza e a afinidade de dois grandes cantores que se afinaram em cena sem perder suas majestades.

Ângela e Cauby trocam de repertório no reencontro em bom show no Rio

Quando as cortinas que encobriam o palco do Theatro Net Rio foram descerradas na noite de ontem, 10 de dezembro de 2013, Cauby Peixoto abriu sua voz grave e começou a cantar os versos de Abandono (Nazareno de Brito e Presyla de Barros, 1955). Este samba-canção foi sucesso na emblemática voz de mezzo-soprano de Ângela Maria. Na sequência, foi a vez de a cantora - que já estava em pé, ao lado esquerdo de Cauby, quando as cortinas se abriram - interpretar Nono mandamento (Renê Bittencourt e Raul Sampaio, 1957), sucesso do cantor em tempos idos. Prosseguida com Orgulho (Waldir Rocha e Nelson Wederking, 1953) e com Molambo (Augusto Mesquita e Jayme Florence, 1953), a troca de repertório entre Ângela Maria e Cauby Peixoto foi a bossa inicial do roteiro do show Reencontro, dirigido por Thiago Marques Luiz para lançar o CD homônimo, também aberto com esse medley de músicas e vozes trocadas. Terceiro disco gravado pelos cantores fluminenses em dupla, Reencontro é o título inaugural do selo Nova Estação, aberto por Marques Luiz, e vai estar nas lojas a partir de janeiro de 2014. Ângela & Cauby cantaram as músicas antigas do novo disco - caracterizado pela Sapoti em cena como um "resgate" de repertório para "o público jovem" - e recordaram seus sucessos mais emblemáticos para deleite do público idoso. Eis o roteiro seguido por Ângela Maria e Cauby Peixoto - vistos em foto de Mauro Ferreira no palco do Theatro Net Rio - na estreia nacional do bom show Reencontro no Rio de Janeiro (RJ), em 10 de dezembro de 2013:

1. Abandono (Nazareno de Brito e Presyla de Barros, 1955) - Cauby /
    Nono mandamento (Renê Bittencourt e Raul Sampaio, 1957) - Ângela /
    Orgulho (Waldir Rocha e Nelson Wederking, 1953) - Cauby /
    Molambo (Augusto Mesquita e Jayme Florence, 1953) - Ângela /
    Abandono (Nazareno de Brito e Presyla de Barros, 1955) - Ângela e Cauby

2. Como é grande o meu amor por você (Roberto Carlos, 1967) - Ângela e Cauby
3. Alguém como tu (Jair Amorim e José Maria de Abreu, 1952) - Ângela e Cauby
4. Somos iguais (Jair Amorim e Evaldo Gouveia, 1964) - Ângela e Cauby
5. Tres palabras (Osvaldo Farrés, 1946) - Cauby /
    Babalu (Margarita Lecuona, 1939) - Ângela

6. Chove lá fora (Tito Madi, 1957) - Cauby
7. Noite chuvosa (João Leal Brito - Britinho - e Fernando César, 1960) - Ângela
8. You'll never know (Harry Warren e Mack Gordon, 1943) - Cauby /
    Eu vou ter sempre você (Harry Warren e Mack Gordon em versão de Antonio Marcos, 1980) - Ângela
9. A pérola e o rubi (Jay Livingston em versão de Haroldo Barbosa, 1955) - Cauby

10. Vida de bailarina (Américo Seixas e Chocolate, 1953) - Ângela
11. Bastidores (Chico Buarque, 1980) - Cauby
12. Estava escrito (Lourival Faissal, 1954) - Ângela
13. Conceição (Jair Amorim e Valdemar de Abreu - Dunga, 1956) - Cauby
14. Fósforo queimado (Roberto Lamego, Milton Legey e Paulo Menezes, 1953) - Ângela
15. Evergreen (Barbra Streisand e Paul Williams, 1976) - Cauby
16. Gente humilde (Garoto, Vinicius de Moraes e Chico Buarque, 1969) - Ângela
17. Ave Maria no morro (Herivelto Martins, 1942) - Ângela e Cauby
18. Granada (Agustín Lara, 1932) - Cauby
19. Na Baixa do Sapateiro (Ary Barroso, 1938) - Ângela e Cauby 
Bis:
20. Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro, o Braguinha, 1937) - Ângela e Cauby

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Ney vai filmar seu show 'Atentos aos sinais' para DVD somente em 2014

Ney Matogrosso ainda não agendou uma data para captar imagens do DVD de seu show Atento aos sinais para edição em DVD. A intenção do cantor é filmar o show somente em meados de 2014. Ney quer dar tempo para que o registro de estúdio do show - recém-lançado em CD, posto nas lojas pela gravadora Som Livre - alcance a projeção devida no mercado fonográfico.

'#AC', álbum de Ana, ganha edição 'deluxe' com vídeos de duas músicas

Álbum de inéditas lançado por Ana Carolina no iTunes em 28 de maio de 2013, um mês antes de a edição física em CD chegar efetivamente às lojas via Sony Music, #AC ganha tardia versão deluxe, disponibilizada no iTunes pela mesma Sony Music nesta terça-feira, 10 de dezembro de 2013. Multimídia, o CD #AC deluxe vem turbinado com os vídeos da balada Combustível (Ana Carolina e Edu Krieger) e do samba Resposta da Rita (Ana Carolina e Edu Krieger), composto por Ana em alusão ao samba A Rita (1965), composto por Chico Buarque, convidado da faixa.

Álbum inédito de Cash, gravado na década de 80, ganha edição em março

Um álbum inédito de Johnny Cash (26 de fevereiro de 1932 -  12 de setembro de 2003) - até então dado como perdido - foi descoberto por John Carter Cash, único filho do cantor norte-americano com a cantora de country June Carter (1929 - 2003), enquanto organizava o material de arquivo deixado por seus pais. Gravado na Columbia Records em 1981 e em 1984, o álbum se chama Out among the stars e vai ser lançado em 25 de março de 2014 - 30 anos após sua finalização - em edição da Sony Legacy Recordings. Produzido por Billy Sherrill, Out among the stars reúne 12 músicas em repertório voltado para o country. Uma das músicas é Baby ride easy, gravada por Cash com Carter. O disco foi feito com músicos como o pianista Hargus Pig Robbins, o baixista Henry Strzelecki e os guitarristas Jerry Kennedy e Pete Drake.

Show menos marcante de Bethânia, 'Carta de amor' cresce muito no DVD

Resenha de CD e DVD
Título: Carta de amor
Artista: Maria Bethânia
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * *

Por atrair atenções e devoções, a magnética força dramática de Maria Bethânia em cena por vezes atenua eventuais redundâncias de seus espetáculos. Oriundo de álbum (Oásis de Bethânia, 2012) menos relevante no conjunto da obra fonográfica da intérprete baiana, o show Carta de amor - em cartaz de novembro de 2012 a novembro de 2013 - se revelou também menos marcante na nobre trajetória da cantora nos palcos brasileiros. Era para ser um show de ruptura, já que o maestro mineiro Wagner Tiso assumiu em Carta de amor a função de diretor musical (confiada por Bethânia a Jaime Alem desde 1988), só que a presença de Tiso acabou ofuscada pelo magnetismo da intérprete. Sob a direção de Bia Lessa, Bethânia reescreveu em Carta de amor trechos de sua história de sucesso, reciclando músicas, gestos e ênfases com seu habitual domínio cênico. Por tudo isso, o DVD Carta de amor - posto nas lojas pela gravadora Biscoito Fino neste mês de dezembro de 2013, simultaneamente com os dois CDs avulsos intitulados Carta de amor ato 1 e Carta de amor ato 2 - surpreende positivamente. Filmado em 13 e 14 de abril de 2013, na mesma casa Vivo Rio onde houve sua estreia nacional no Rio de Janeiro (RJ) em 18 de novembro de 2012, o show Carta de amor cresce no DVD. O apuro da filmagem - supervisionada pela diretora Bia Lessa - valoriza e de certa forma até aprimora o espetáculo. Tal apuro é nitidamente perceptível já no início do DVD, quando a tela de abertura reproduz imagem do palco. Quando essa imagem ganha movimento, para dar início à exibição do show, vê-se os pés da cantora caminhando pelo palco para chegar à cena em que reina mais soberana quando descarta as tais redundâncias e apresenta novidades em sua voz, como a belíssima inédita sertaneja do compositor paraibano Chico César, Estado de poesia, e como a dramática canção do compositor português Pedro Abrunhosa, Quem me leva os meus fantasmas, grande momento no fecho do primeiro ato. Outro mérito do DVD Carta de amor é eternizar interpretações precisas de Bethânia. Quem viu o show ao vivo e pelo YouTube sabe que, ao longo da turnê, Bethânia quase nunca acertou o ritmo do samba-reggae Não enche (Caetano Veloso, 1997).  Pois o número ganha no DVD o peso e o tom que sempre deveria ter tido no show. O domínio dos closes na filmagem se revela acertado, pois Bethânia é o único foco de interesse na cena de seus espetáculos para seu devotado público. A delicada captação de Fogueira (Ângela RoRo, 1983) entende isso e reitera o êxito da filmagem. Por isso mesmo, destoa a exposição de cabeças do público no preguiçoso bis dado com a interpretação a capella de Explode coração - número herdado de show de 1990 e já revivido pela cantora em seu espetáculo anterior, Amor, festa, devoção (2009) - e com o já exaurido samba O que é o que é (Gonzaguinha, 1982). Outro ponto discutível no DVD é a perpetuação do erro na entrada do segundo ato. Desconfortável com seu equipamento de retorno, Bethânia interrompe Festa (Gonzaguinha, 1968) em erro eternizado no DVD (e no CD Ato 2) por vontade da artista, já que a captação do show foi feita em dois dias. Tal como o disco Oásis de Bethânia, o show Carta de amor - cujo diretor de fotografia é o cineasta Lauro Escorel - nasceu da raiva da cantora por ter sido pega em 2011 para bode expiatório em polêmica discussão nacional sobre captação de verbas públicas para a criação de blog de poesia.  Disco e show são as respostas contundentes de Bethânia ao injusto linchamento moral que sofreu na época. Músicas como A dona do raio e do vento (Paulo César Pinheiro e Pedro Caminha Amorim) cospem raios e trovadas em roteiro de conceito menos sólido no confronto com outros espetáculos da artista. Ainda assim, a costura do roteiro - o último criado por Bethânia com seu fiel colaborador Fauzi Arap (1938 - 2013) - se revela fina em muitas canções e momentos, como aquele que linka Casablanca (Roque Ferreira, 2012) no roteiro com Na primeira manhã (Alceu Valença, 1984) por afinidade temática da perda. Em contrapartida, a música ouvida no intervalo entre os dois atos - quando Wagner Tiso e banda tocam deslocado medley instrumental que une Cais (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1972) e Maria Maria (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1976) - tem mais a ver com a história e o universo musical do maestro mineiro do que com a trajetória de Bethânia. Já o arranjo de Fera ferida (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1982) resultou equivocado ao passo que o link de Mensagem (Aldo Cabral e Cícero Nunes, 1945) - música que ganha seu primeiro registro audiovisual na voz de Bethânia no DVD Carta de amor - com o texto-título do poeta português Fernando Pessoa (1888 - 1935) soa déjà vu. Mas são detalhes que se apequenam diante da grandeza da cantora em cena. Embora soe por vezes redundante (afinal, o registro de Carta de amor em DVD não resolve todos os problemas do show), Maria Bethânia ainda vai ao infinito, amarrando todos nós com um só sentimento na plateia e na voz ainda poderosa.

Bieber apresenta cinco inéditas em 'Journals', coletânea de vida efêmera

O cantor e compositor canadense Justin Bieber anunciou o lançamento de coletânea em formato (por enquanto...) exclusivamente digital. Compilação de vida efêmera que precede o lançamento do quarto álbum de estúdio do artista, disco cuja gravação e edição estão previstas para 2014,  Journals estará à venda somente via iTunes no período que vai de 16 de dezembro de 2013 a 2 de janeiro de 2014. A compilação apresenta cinco músicas inéditas - Backpack (faixa na qual figura o rapper norte-americano Lil Wayne), Memphis (gravada com outro rapper dos Estados Unidos, Big Sean), One life, Swap it outWhat's Hatnin' (faixa que traz Future, outro nome do hip hop dos EUA) - e agrega todas as dez músicas lançadas por Bieber ao longo dos últimos três meses no projeto Music mondays, através do qual o astro juvenil disponibilizou uma gravação inédita a cada segunda-feira. As dez composições são Heartbreaker, All that matters (música cujo vídeo também está incluído na coletânea multimídia), Hold tight, Recovery, Bad day, All bad, PYD (gravada com o cantor norte-americano R. Kelly), Roller coasterChange me e ConfidenceJournals inclui o trailer de Believe, filme estrelado por Bieber, cuja estreia está agendada para 25 de dezembro de 2013.

'Gilbertos samba' é o título do disco em que Gil canta repertório de João

Gilbertos samba é o título do CD em que o cantor e compositor baiano Gilberto Gil interpreta o repertório do cantor, compositor e violonista também baiano João Gilberto. O lançamento do CD está programado para o primeiro semestre de 2014. O álbum já está inteiramente gravado.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

'Acabou chorare', clássico do grupo Novos Baianos, é reeditado em vinil

Clássico da discografia do grupo Novos Baianos, Acabou chorare - segundo álbum de estúdio do coletivo baiano formado por Baby Consuelo (voz e percussão), Dadi Carvalho (baixo), Jorginho Gomes (bateria, cavaquinho e bongô), Luiz Galvão (composição), Moraes Moreira (voz, violão, composição e arranjos), Paulinho Boca de Cantor (voz e percussão) e Pepeu Gomes (guitarra, violão, craviola e arranjos) - ganha reedição no formato de LP, fabricado pela Polysom na série Clássicos em vinil. Como é praxe na coleção, o vinil de 180 gramas foi produzido após a remasterização feita a partir das fitas originais do disco, lançado pela gravadora Som Livre em 1972. Assinado essencialmente por Moraes Moreira em parceria com Luiz Galvão, o repertório de Acabou chorare é praticamente um best of dos Novos Baianos, incluindo os sucessos A menina dança, Acabou chorareBesta é tu, Mistério do planeta, Preta pretinha, Swing de Campo Grande e Tinindo trincando, além do registro do samba Brasil Pandeiro (Assis Valente).

Selo Nova Estação sintoniza mercado via CDs de Alcina, Ângela e Cauby

Mais um selo indie chega ao mercado fonográfico brasileiro. Produtor paulista já desvinculado da gravadora Lua Music, por onde editou nos últimos anos os discos que idealizou e formatou, Thiago Marques Luiz abriu na cidade de São Paulo (SP) seu selo Nova Estação. Os dois primeiros lançamentos do selo Nova Estação - os discos De normal bastam os outros (projeto criado para celebrar os 40 anos de carreira da cantora mineira Maria Alcina) e Reencontro (terceiro álbum gravado por Ângela Maria com Cauby Peixoto) - vão chegar às lojas com distribuição da reativada gravadora Eldorado. Os álbuns de Maria Alcina e de Ângela Maria com Cauby Peixoto - vistos em foto de Jardiel Carvalho - serão lançados neste mês de dezembro de 2013, que terá shows de Ângela & Cauby, mas estarão efetivamente nas lojas a partir de janeiro de 2014.

Vander Lee anuncia o álbum '8' com EP em que mostra duas músicas inéditas

♪ Produzido por Robertinho Brant, o oitavo álbum de Vander Lee - obviamente intitulado 8 - vai ser lançado no início de 2014. Como aperitivo, o cantor, compositor e músico mineiro lança EP neste mês de dezembro de 2013 com duas músicas inéditas e autorais que estão no repertório do álbum. O EP apresenta as canções Tu e Siga em paz, gravadas com o violão de Lee e com os músicos Cristiano Caldas (piano acústico, órgão e fender rhodes), Enéias Xavier (baixo), Lincoln Cheib (bateria), Marco Lobo (percussão) e Matheus Barbosa (guitarra). Tu é declaração de amor em forma de apaixonada canção. Já Siga em paz versa - com suingue e resignação - sobre o momento de ruptura de um caso de amor. Embora ambas não estejam entre os títulos melodicamente mais inspirados do cancioneiro do artista mineiro, gravado por várias cantoras, as duas canções de 8 são agradáveis e sinalizam álbum formatado com leveza pop. As músicas Tu e Siga em paz já podem ser ouvidas no portal  SoundCloud.