Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Nas lojas, CD com trilha de 'Fina Estampa' inclui inéditas de Ana e Ivete

Com chegada às lojas programada para esta última semana de outubro de 2011, o CD com a trilha sonora nacional da novela Fina Estampa apresenta gravações inéditas de Ana Carolina (Problemas, música inédita que integra o repertório do CD e DVD Ensaio de Cores) e Ivete Sangalo (Eu Nunca Amei Alguém Como Eu te Amei, balada de Eduardo Lages e Paulo Sérgio Valle, lançada por Roberto Carlos em seu álbum de 1994). Além de Ana e Ivete, o disco com a trilha de Fina Estampa junta fonogramas de  Aline Calixto (Flor Morena, faixa-título do segundo álbum da cantora), Danni Carlos (Sem Limite), Ed Motta (Vamos Dançar) e Ney Matogrosso (Nada por Mim), entre outros nomes. Detalhe: Filipe Catto chegou a regravar Recado (Gonzaguinha) para a trilha sonora da novela de Aguinaldo Silva, mas, como na novela, o CD rebobina a gravação original feita em 1978 por Gonzaguinha (1945 - 1991). Comenta-se nos bastidores que a gravação de Catto foi inutilizada na trilha por ter sido alardeada pelo cantor na mídia antes da divulgação oficial da TV Globo. Eis as 16 faixas do CD Fina Estampa:

1. Recado - Gonzaguinha
2. Griselda -  Zeca Pagodinho (com Arlindo Cruz e Sombrinha)

3. Flor Morena - Aline Calixto
4. Eu Nunca Amei Alguém Como Eu Te Amei -  Ivete Sangalo

5. Amor Covarde - Jorge & Mateus
6. Colorir Papel - Jammil & Uma Noites

7. Problemas - Ana Carolina
8. Sem Limite - Danni Carlos

9. Memória do Prazer - Jorge Vercillo
10. Nada por Mim - Ney Matogrosso

11. Quem Não Quer Sou Eu -  Seu Jorge
12. Menina Chapa Quente - Perlla

13. Hoje Ainda É Dia de Rock - Marya Bravo
14. Vamos Dançar - Ed Motta

15. Segura - Eduardo Dussek
16. Fina Estampa (Instrumental) - Victor Pozas, Roberto Pollo e Alexandre Castilho

Paula Lima grava Seu Jorge, Meriti e Lokau no quarto álbum de inéditas

Enquanto promove a atual coletânea Outro Esquema - "Inéditas, Remixes e Afins...", Paula Lima já seleciona o repertório de seu quarto álbum de inéditas. A cantora pretende começar a gravar ainda em 2011 o sexto CD de sua carreira solo. Já estão certas no repertório as músicas Sai da Geladeira (Seu Jorge, Rogê, Pretinho da Serrinha e Leandro Fab), O Primeiro Samba (Serginho Meriti e Rodrigo Leite) e Happy Endings (Márcio Lokau). Se tudo correr dentro do cronograma idealizado por Paula Lima, seu disco vai ser lançado no primeiro semestre de 2012.

Registro do show 'Songs 4 U' em SP gera primeiro DVD de Boaventura

Em rotação pelo Brasil desde 2009, o show Songs 4 U - do ator e cantor Daniel Boaventura - ganha registro ao vivo em apresentação única agendada para esta quarta-feira, 26 de outubro de 2011, no Teatro Bradesco, em São Paulo (SP). A gravação vai gerar o primeiro DVD e CD ao vivo de Boaventura (visto em foto de Jairo Goldflus). O roteiro prioriza os standards do álbum Songs 4 You (2009), mas inclui set com músicas italianas revividas pelo artista em seu segundo álbum, Italiano (2010), lançado no rastro da exposição do trabalho de Boaventura como ator na novela Passione (2010). Colega de elenco de Boaventura no musical Evita, a cantora Paula Capovilla vai participar da gravação em dueto com o cantor em All I Ask For You, o tema do musical O Fantasma da Ópera (Andrew Lloyd Webber, 1986). O DVD vai ser editado em 2011.

Victor & Leo formam trio com Paula Fernandes no álbum 'Amor de Alma'

Nas lojas a partir de 1º de novembro de 2011 em edição da Sony Music, o quinto álbum de estúdio de Victor & Leo, Amor de Alma, tem a participação de Paula Fernandes. A dupla forma trio com a cantora mineira em Sonhos e Ilusões em Mim, música de autoria de Victor Chaves. Outra curiosidade do repertório é a regravação de Sexy Yemanjá, parceria de Pepeu Gomes com Tavinho Paes, lançada por Pepeu em álbum de 1993 reeditado pela Warner Music em coleção posta nas lojas neste mês de outubro. Último sucesso de Pepeu, Sexy Yemanjá voltou a ganhar evidência com a reprise da novela Mulheres de Areia pela TV Globo. A música é o tema de abertura da trama reexibida à tarde. Eis as doze faixas do álbum  Amor de Alma:

1. Boteco de Esquina (Victor Chaves)
2. Amor de Alma (Victor Chaves)
3. Venha Ver o Mar (Victor Chaves)
4. Mal Resolvido (Victor Chaves e Leo Chaves)

5. Lu (Victor Chaves)
6. Lágrimas (Marcelo Martins e Sérgio Porto)

7. Sexy Yemanjá (Pepeu Gomes e Tavinho Paes)
8. Fuscão Preto (Jeca Mineiro e Atilio Versutti) / O Doutor e a Empregada (Roniel e
    Augusto Alves Pinto) / O Fuscão e a Empregada (Victor Chaves)
9. Passe Livre (Teodoro e Tupy) / Se Eu Não Puder te Esquecer (Moacyr Franco)
10. Sonhos e Ilusões em Mim (Victor Chaves) - com Paula Fernandes

11. Longe (Victor Chaves)
12. Se Não For Amor (Victor Chaves)

terça-feira, 25 de outubro de 2011

'Relicário' lembra dez anos sem Cássia Eller com três gravações inéditas

Nas lojas nesta última semana de outubro de 2011, o CD Relicário é coletânea em que Cássia Eller (1962 - 2001) canta somente músicas de Nando Reis. Idealizada pela gravadora Universal Music para lembrar os dez anos da morte precoce da cantora, a serem completados em 29 de dezembro, a compilação apresenta três gravações inéditas. A mais importante é Baby Love, demo do álbum Com Você... Meu Mundo Ficaria Completo (2009), à qual foi adicionada a percussão de Francisco Eller, o Chicão, filho de Cássia. Os outros dois registros inéditos são duetos de Cássia com Nando Reis em As Coisas Tão Mais Lindas e em Um Tiro no Coração, extraídos de gravações feitas para show de emissora de rádio. Eis as 14 faixas do CD Relicário:

1. All Star
2. Meu Mundo Ficaria Completo (Com Você)
3. O Segundo Sol
4. Luz dos Olhos

5. Relicário - com Nando Reis
6. No Recreio

7. Baby Love - Gravação inédita
8. As Coisas Tão Mais Lindas

9. E.C.T.
10. Infernal

11. Um Tiro no Coração (com Nando Reis) - Gravação inédita
12. Nenhum Roberto (com João Barone, Bi Ribeiro, Frejat e Nando Reis)

13. Fiz o que Pude / Chororô (com Gilberto Gil)
14. As Coisas Tão Mais Lindas (com Nando Reis) - Gravação inédita

Macalé revive sucessos com Frejat, Gulin, Elton, Melodia e Ava em Jards

Parceria de Nelson Cavaquinho (1911 - 1986) com Élcio Soares, lançada por Cavaquinho em álbum autoral de 1973, Juízo Final ganha regravação de Jards Macalé, feita em dueto com o compositor Elton Medeiros. Juízo Final abre o disco Jards, lançado esta semana pela gravadora Biscoito Fino. O sucessor de Macao (2008) traz também encontros de Macalé com Thaís Gulin (em Hotel das Estrelas), Frejat (em Mal Secreto), Luiz Melodia (no reggae Negra Melodia) e Ava Rocha (em Berceuse Crioulle). No repertório de regravações montado para Jards, Macalé revive duas músicas raras de sua obra que voltaram à tona neste ano de 2011 em gravações de Thaís Gulin e Zezé Motta. De 1972, Revendo Amigos (Volto pra Curtir) é parceria de Macalé com Waly Salomão (1943 - 2003) que Gulin tirou do baú em seu segundo álbum, ôÔÔôôÔôÔ. Já Soluços, música lançada por Macalé em compacto de 1970, ganhou evidência ao se impor como o momento mais ousado do álbum Negra Melodia, editado por Zezé pela gravadora Joia Moderna com repertório que entrelaçava a obra de Macalé com a de Luiz Melodia. Eis as 13 músicas reavivadas por Macalé em Jards, seu primeiro CD em três anos:

1. Juízo Final - com Elton Medeiros
2. Revendo Amigos (Volto pra Curtir)
3. Dona de Castelo
4. Hotel das Estrelas - com Thaís Gulin
5. Black and Blue
6. Negra Melodia - com Luiz Melodia

7. Soluços
8. Só Morto (Burning Night)

9. Movimento dos Barcos
10. Mal Secreto - com Frejat

11. Unicornio
12. Berceuse Crioulle - com Ava Rocha

13. Mulheres

Convite para trilha de novela motiva Elba a retomar projeto sobre Chico

Embora tenha um disco de forró guardado na manga, já em adiantado processo de produção e gravação, Elba Ramalho reavivou o projeto de dedicar um disco inteiro ao repertório de Chico Buarque. A motivação veio de um convite para gravar música do compositor para a trilha sonora da novela A Vida da Gente, em exibição às 18h na Rede Globo. Elba - vista em foto de Renato Filho - gravou Todo o Sentimento (Chico Buarque e Cristóvão Bastos, 1987) e Mil Perdões (Chico Buarque, 1983) para a avaliação do diretor da trama, Jayme Monjardim, que optou por utilizar Todo o Sentimento na trilha da novela. Que inclui o samba Sou Eu (Chico Buarque e Ivan Lins, 2009) na gravação feita pelo compositor para seu atual disco Chico (2011).

Caixa 'Metamorfoses' reúne 14 álbuns e duas coletâneas de Ney Matogrosso

♪ Nas lojas no começo de novembro de 2011, com distribuição da Universal Music, a caixa Metaformoses embala 14 álbuns e duas coletâneas duplas de Ney Matogrosso, dando sequência à caixa Camaleão, editada em 2008 com os discos lançados pelo cantor entre 1975 e 1991. Os 14 álbuns foram lançados entre 1993 e 2009. Já uma das duas coletâneas duplas - também intitulada Metamorfoses e produzida neste ano de 2011 por Rodrigo Faour - aglutina 31 gravações avulsas da obra fonográfica do artista. Em sua maioria, tais registros foram feitos por Ney para discos de colegas e para projetos especiais. A caixa inclui libreto com texto em que Faour contextualiza - com depoimentos inéditos do cantor - cada um dos 16 CDs ora embutidos na caixa  Metaformoses.

1. As aparências enganam (1993)
2. Estava escrito (1994)
3. Um brasileiro (1996)
4. Vinte e cinco (1996) - Coletânea dupla com quatro gravações inéditas
5. O cair da tarde (1997)
6. Olhos de farol (1999)
7. Vivo (1999)
8. Batuque (2001)
9. Ney Matogrosso interpreta Cartola (2002)
10. Ney Matogrosso interpreta Cartola ao vivo (2003)
11. Vagabundo (2004) - com Pedro Luís e a Parede
12. Canto em qualquer canto (2005)
13. Vagabundo ao vivo (2006) - com Pedro Luís e a Parede
14. Inclassificáveis (2008)
15. Beijo bandido (2009)
16. Metamorfoses (2011) - coletânea dupla com gravações avulsas
CD 1:
1. Pra não morrer de tristeza
2. Na chapada - com Tetê Espíndola
3. Os avisos (Terceiro)
4. Quem é? - com Marlene
5. Feitiço da Vila - com Francis Hime e Raphael Rabelo
6. Mal-me-quer - com Aquarela Carioca
7. Vento bravo
8. El justiciero
9. Babalu - com Ângela Maria
10. Serenata suburbana - com Raphael Rabello
11. Página de Dor
12. Duas ou três Coisas
13. Lamento sertanejo - com Marinês e Sua Gente
14. Menino de braçanã - com Camélia Alves
15. Asa branca - com Chitãozinho e Xororó
16. Ave Maria
17. Toda vez que eu digo adeus( Every time we say goodbye) - com Cauby Peixoto


CD 2:
1. Tem que rebolar - com Elza Soares
2. O samba e o tango - com Hebe Camargo
3. A filha da Chiquita Bacana / Chuva, suor e cerveja - com Edson Cordeiro
4. Lig-lig-lig-lé
5. Você não entende o que é o amor - com Rodrigo Santos
6. 4 letras - com George Israel
7. Nobreza - com Luiz Avellar
8. Joana Francesa - com Pedro Aznar
9. Duas nuvens - com Pedro Jóia
10. Lavoura - com Roberta Sá
11. Esperança perdida
12. Pra machucar meu coração - com Leo Gandelman
13. Leo e Bia
14. Choro de viagem - com Lucina

Quinto álbum de Clarkson, 'Stronger', é lançado após vários adiamentos

Após sucessivos adiamentos, o quinto álbum de estúdio de Kelly Clarkson - Stronger, previsto para ser editado no fim de 2010 - está sendo enfim lançado nos Estados Unidos e no Reino Unido nesta última semana de outubro de 2011. Precedido pelo single Mr. Know It All, editado em 5 de setembro, Stronger alinha no repertório temas como Darkside, Honestly, Einstein, Breaking your Own Heart e You Can't Win. Sucessor de All I Ever Wanted (2009), Stronger foi formatado por time de produtores que inclui Brian Kennedy, Greg Kurstin e Rodney Jerkins.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

McCartney vai lançar em fevereiro álbum que reúne 'standards' e inéditas

Paul McCartney vai lançar em fevereiro de 2012 seu primeiro álbum de estúdio em cinco anos, o 23º de sua discografia pós-Beatles. Gravado entre Los Angeles (EUA) e Londres (Inglaterra), o sucessor de Memory Almost Full (2007) vai combinar no repertório standards com músicas inéditas de autoria do artista. McCartney quis regravar standards compostos antes da explosão mundial do rock'n'roll. Especula-se nos bastidores que o título do CD poderia ser My Valentine.

Poesia inflamada sobre Bethânia arde em bela reedição de livro guerreiro

Resenha de reedição de livro
Título: Maria Bethânia Guerreira Guerrilha
Autor: Reynaldo Jardim
Editora: Mobile / Debê Produções
Ano da edição original: 1968
Ano da reedição: 2011
Cotação: * * * *
      
É o travo nos dentes
Guerreira
É o trevo das coxas
Guerrilha
É o grito no canto
Guerreira
É o canto de guerra
Guerrilha
É o roxo acalanto
Guerreira
É o perdão de joelho
Guerrilha 

O trecho do poema polifônico Maria Bethânia Guerreira Guerrilha indica o ponto de fervura com que  o poeta Reynaldo Jardim (1926 - 2011) escreveu os versos editados em livro lançado originalmente em 28 de novembro de 1968, duas semanas antes da promulgação do Ato Institucional nº 5. Até então título de colecionador, disputado a tapas e preços exorbitantes em sebos, o livro-poema está de volta à cena em reedição luxuosa produzida sob a organização de Marcio Debelian e Ramon Mello. Subversivo no conteúdo e na forma (Jardim transpôs o conceito musical de polifonia para o universo da poesia ao estruturar seus versos inflamados com fontes, sonoridades e tempos diversos), o longo poema Maria Bethânia Guerreira Guerrilha ocupa todo o livro original e, por si só, já justifica a reposição em catálogo desse livro perseguido pela censura dos anos mais rebeldes do regime militar instaurado à força no Brasil em 1964. Inspirado pela histórica interpretação de Carcará (João do Vale e José Cândido) apresentada por Bethânia no espetáculo Opinião em 1965, Jardim concebeu poema em chamas que traduz a incendiária força dramática do canto da intérprete ao mesmo tempo em que espalha as labaredas do inconformismo dos mais valentes contra a mordaça oficial que asfixiava as liberdades - sobretudo a de expressão - naquele ano de 1968 que parece não ter terminado a julgar pela repressão e pelo patrulhamento ainda detectados no Brasil de 2011. Talvez por isso o livro de Jardim tenha tido sua primeira edição destruída em sua quase totalidade pelo regime opressor da época. Através de Bethânia, rotulada à revelia como cantora de protesto por conta do voo alto de seu Carcará, Jardim fez ressoar pela poesia o seu canto de guerra. Os versos incandescentes de Maria Bethânia Guerreira Guerrilha ainda queimam a língua de quem se curva face aos podres poderes, mas aquecem a alma dos que se levantam contra os desmandos, dos que se jogam sem rede de proteção. Altiva desde sempre, Maria Bethânia jamais se curvou, impondo desde sempre a personalidade forte de seu canto e de sua alma embebida em teatro e poesia - traço que fica nítido na leitura do caloroso perfil sobre a intérprete, publicado na revista Visão de 30 de novembro de 1967 e reproduzido na reedição de Maria Bethânia Guerreira Guerrilha ao lado de artigo do jornal O Sol sobre a cantora, de depoimento de Jardim sobre a saga heroica do livro - fala transcrita do curta-metragem Profana Via Sacra (Alisson Sbrana, 2010) - e da partitura de Gaivota, tema musicado por Lourdes Ábido a partir de alguns versos do poema que ora volta à cena, quase tão ardente quanto naquele inflamado ano de 1968, nesta oportuna reedição do guerreiro livro.

Saga do Ultraje a Rigor é reconstituída em biografia de narrativa dispersa

Resenha de livro
Título: Ultraje a Rigor - Nós Vamos Invadir sua Praia
Autoria: Andréa Ascenção
Editora: Belas Letras
Cotação: * * 1/2

Dono de um dos álbuns mais emblemáticos da geração 80 do rock brasileiro, Nós Vamos Invadir sua Praia (1985), o grupo paulista Ultraje a Rigor jamais sumiu na poeira da estrada. Mesmo distante da mídia e mesmo sem nunca ter bisado a inspiração do álbum de estreia em discografia que já totaliza 22 títulos (entre álbuns, EPs, compactos e coletâneas), a banda de Roger Moreira atravessou gerações com diversas formações e com shows sempre elogiados pela pegada. Essa história - pouco conhecida a partir dos anos 90 - é contada pela jornalista paulistana Andréa Ascenção na biografia do grupo, Ultraje a Rigor - Nós Vamos Invadir sua Praia. Estruturado com leveza, na forma de almanaque pop, o livro peca pela narrativa dispersa, sobretudo em seu início. Em vez de focar somente na saga bem-humorada de Roger e Cia., a autora perde tempo ao discorrer sobre as origens do punk e sobre a cena roqueira do Brasil no início dos anos 80 com informações dispensáveis para quem se interessa por biografia de um grupo de rock. Também não havia motivo para salpicar tantos depoimentos de Kid Vinil ao longo do livro. Vinil entende do assunto, discorre com propriedade sobre as mudanças e posturas do mercado fonográfico - e do próprio Ultraje - mas nunca participou efetivamente da história do grupo. Por fim, há outro detalhe técnico que empobrece o texto. Ascenção optou por inserir os depoimentos dos integrantes da banda no meio das frases dela. Mesmo grafando os depoimentos dos músicos em itálico, a construção gramatical resulta confusa, como - somente para citar um exemplo - pode ser observado na frase "Roger confessa que foi chato, mas todo mundo acaba se interessando por politica, mesmo que não queira", sobre o rótulo de rock político que tentaram impingir de início ao som do Ultraje a Rigor por conta das músicas Inútil e Mim Quer Tocar. Em que pesem os graves problemas estruturais e as gorduras do texto, o livro soa interessante por expor a trajetória do grupo sem maquiar os fatos mais desagradáveis. Ao contrário, o livro ressalta todos os conflitos e desencontros de uma banda. A rigor, o Ultraje sempre foi a banda de Roger Moreira, cérebro e coração do grupo que mostrou a face mais bem-humorada do rock de São Paulo. A autora expõe os embates do Ultraje com a Warner Music - gravadora que foi se desinteressando pelo grupo à medida que os álbuns posteriores a Nós Vamos Invadir Sua Praia foram amargando vendas descendentes e descasos crescentes - e também a sutil queda de braço do Ultraje com a MTV na gravação ao vivo do show acústico que revitalizou a carreira da banda ao ser editada em CD e DVD em 2005. Ao mesmo tempo, a biografia reitera a postura sempre íntegra de Roger face ao mercado fonográfico e à mídia. Por isso mesmo, na segunda metade, quando foca somente na história do Ultraje, o livro fica mais cativante. Até porque nem sempre se ouviu falar do Ultraje a Rigor nos últimos anos. Mas o grupo enfrenta o medo que Roger tem de avião e continua na estrada - o Ultraje é uma das atrações da edição 2011 do festival SWU, tendo show agendado para 13 de novembro - e já aglutina gerações em suas apresentações, gente que nem era nascida em 1985 quando Ciúme e Rebelde sem Causa invadiram todas as praias, rádios e programas de televisão. Para os que perderam a piada, aliás, a leitura de  Ultraje a Rigor - Nós Vamos Invadir sua Praia vai ter mais graça. Mas, a rigor, a bio podia ser melhor.

Pinheiro participa de CD de Mintzer nos EUA e grava primeiro DVD em SP

Mal chegou dos Estados Unidos, para onde foi gravar em Pittsburgh participação no CD e DVD que a big-band do saxofonista norte-americano de jazz Bob Mintzer lança ainda em 2011, o violonista e compositor Chico Pinheiro - visto em foto de seu site oficial - grava seu primeiro DVD em São Paulo (SP). O registro ao vivo tem início no show feito pelo artista no NaCena Studios nesta segunda-feira, 24 de outubro de 2011, e vai ser concluída na apresentação de 25 de outubro. A cantora Luciana Alves participa do show. O repertório é essencialmente autoral.

Roberta Sá agrega Mario Adnet, Drexler e Daniel Jobim em seu quinto CD

Postada por Roberta Sá em seu Facebook oficial, a foto acima flagra a cantora com o músico e maestro Mario Adnet no estúdio, nas gravações do quinto CD da artista, no Rio de Janeiro. Produzido por Rodrigo Campello, o disco tem sopros arranjados por Adnet. No álbum, que tem lançamento previsto para o início de 2012, Roberta solta a voz límpida pela primeira vez em espanhol, na faixa Esquirlas, inédita dada à cantora por Jorge Drexler. Aproveitando a vinda ao Brasil para fazer show no Rock in Rio 2011 com Tiê, o cantor e compositor uruguaio gravou a música em dueto com Roberta. O pianista carioca Daniel Jobim também participa do álbum.

domingo, 23 de outubro de 2011

Já em rotação na web, faixa 'Dançando' promove álbum do duo Agridoce

Já disponibilizado para audição no Facebook oficial do Agridoce, Dançando é o primeiro single promocional do álbum de estreia do duo formado por Pitty (piano e voz) com Martin Mendezz (violão e voz). Nas lojas no início de novembro de 2011, em edição do selo Vigilante (Deck), o álbum Agridoce traz músicas como Ne Parle Pas - faixa cantada em francês - e Upside Down.

Ao vivo no Rio, Sade prova que seu som fica ainda mais sedutor no palco

Resenha de show
Título: Sade Live
Artista: Sade (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: HSBC Arena (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 22 de outubro de 2011
Cotação: * * * * *
Show em cartaz no estádio Nilson Nelson, em Brasília (DF), em 25 de outubro de 2011

Havia toda uma expectativa em torno da passagem da turnê Sade Live pelo Brasil. Afinal, é a primeira vez que a cantora de origem nigeriana e sua banda se apresentam em palcos nacionais. A própria Sade estava fora de cena há dez anos, desde que rodou o mundo com a Lovers Rock Tour (2011). Mas a alta expectativa se cumpriu plenamente. Festa para olhos e ouvidos, pela perfeita sincronicidade da música com as imagens de alta definição projetadas nos telões, o show de Sade na HSBC Arena, no Rio de Janeiro (RJ), resultou impecável. Em cena, Sade amplia o raio de sedução de sua música - já elegante e sofisticada em sua essência - com aparato visual de igual refinamento. Álbum que inspirou a turnê, Soldier of Love (2010) pode  não ser o disco mais inspirado de Sade - e não é - mas a primeira apresentação carioca de Sade resultou tão perfeita que uma ou outra música menos inspirada, caso de Skin (2010), se mostrou sem poder para alterar tal perfeição e diminuir o bilho do show da turnê Sade Live. Tudo por conta da classe da cantora. Aos 52 anos, Sade conserva o viço, o volume e a potência de sua voz grave, perfeita para ambientar temas como Your Love Is King (1984) e Kiss of Life (1992). Retumbante sucesso do álbum de estreia de Sade (Diamond Life),  Smooth Operator (1984) ganhou imagens de metrópoles e foi - assim como No Ordinary Love (1992) - um dos muitos números em que a vibração do público contribuiu para construir a magia do show. Além de cantar, Sade também dança charmosamente pelo palco enquanto apresenta Love Is Found (2011), uma das músicas inéditas da compilação The Ultimate Collection, lançada em maio pela gravadora Sony Music no rastro da estreia mundial da turnê Sade Live, em abril. As baladas Is It a Crime? (1985) e Jezebel (1985) foram momentos que beiraram o sublime. Turbinada com matador solo do saxofonista da banda, Jezebel deslumbrou com sua atmosfera íntima que ambienta a música em tom jazzy. Verdade seja dita: a fina sintonia entre música e imagem valoriza bastante a apresentação. Em Bring me Home (2010), a projeção de estradas e de trilhos parece encaminhar Sade para a casa, realçando o significado dos versos da música lançada no álbum Soldier of Love. Em Cherish the Day (1992), já no bis, um praticável eleva a cantora e a deixa no mesmo nível dos arranha-céus de Nova York (EUA) projetados no telão. Antes, em Pearls (1992), Sade fica sozinha no palco - em cujo fundo se projeta a imagem de uma lua cheia - e proporciona outro grande momento de beleza visual e musical. Enfim, Sade esbanja classe e sofisticação em cena com seu som que se situa entre o pop, o soul e o r & b sem se deixar enquadrar em nenhum destes gêneros. Impossível resistir à elegância de Sade e de baladas como By Your Side (2000). Até mesmo quem não é fã da artista se deixa seduzir pela elegância do show da turnê Sade Live.

Sade segue em sedutor show no Rio o roteiro oficial da turnê 'Sade Live'

Com direito a quatro figurinos e projeções de belas imagens de alta definição, Sade tem se apresentado pelo mundo desde abril de 2011 com o show da turnê Sade Live. Primeira turnê da artista nigeriana desde Lovers Rock Tour (2001), Sade Live é inspirada em Soldier of  Love, álbum de inéditas que marcou, em 2010, a volta da banda liderada pela cantora após hiato fonográfico de dez anos. Sade - vista em foto de Rodrigo Amaral com o terceiro dos quatro figurinos do espetáculo - costuma seguir roteiro oficial nos shows. E assim foi na passagem de Sade Live pela HSBC Arena, no Rio de Janeiro (RJ), em 22 de outubro de 2011. Dos 22 números do set list oficial da turnê, Sade fez 21, excluindo somente Safest Place, alocado no bis. Eis o roteiro da primeira perfeita apresentação de Sade Adu em palcos cariocas:

1. Soldier of Love
2. Your Love Is King
3. Skin
4. Kiss of Live
5. Love Is Found
6. In Another Time
7. Smooth Operator
8. Jezebel
9. Bring me Home
10. Is It a Crime?
11. Stronger Than Pride
12. All About Our Love
13. Paradise / Nothing Can Come Between Us
14. Morning Bird
15. King of Sorrow
16. Sweetest Taboo
17. The Moon and the Sky
18. Pearls
19. No Ordinary Love
20. By Your Side
Bis:
21. Cherish the Day

Projeções fazem o show visual de Sade ser festa também para os olhos

A foto de Rodrigo Amaral flagra o  momento em que Sade Adu canta a balada Morning Bird na passagem da turnê Sade Live pela HSBC Arena, no Rio de Janeiro (RJ), em 22 de outubro de 2011. Projeções de imagens de alta definição nos telões - posicionados ao centro e nas laterais do palco - fizeram do show uma festa também para os olhos pela beleza das imagens exibidas em perfeita sincronicidade com as 21 músicas do roteiro. Impossível resistir à sedução de Sade no palco! De volta à cena após dez anos, a artista nigeriana canta pela primeira vez no Brasil em turnê cuja curta rota nacional - iniciada em São Paulo (SP) - vai se encerrar na terça-feira, 25 de outubro, em apresentação do show Sade Live no estádio Nilson Nelson, em Brasília (DF).

'Como Diria Blavatsky' reitera vícios e virtudes autorais de Jorge Vercillo

Resenha de CD
Título: Como Diria Blavatsky
Artista: Jorge Vercillo
Gravadora: Leve / Posto 9 Música / Microservice
Cotação: * * 1/2

Segundo disco independente de Jorge Vercillo, Como Diria Blavatsky reitera vícios e virtudes autorais do compositor. Dono de discografia que atingiu pico de densidade em Todos Nós Somos Um (2007), álbum humanista de tom mais brasileiro, Vercillo retrocedeu em D.N.A. (2010) ao patamar mediano em que se situa Como Diria Blavatsky, nono álbum de inéditas do artista. O CD começa interessante - apesar de o balanço suave do samba Ventou - Ventou (Jorge Vercillo) parecer ter reincorporado com naturalidade o d.n.a. rítmico de Djavan, ressuscitando comparação que já havia ficado para trás - e vai se revelando repetitivo, talvez por conta de a safra de inéditas ter sido composta quase solitariamente por Vercillo. A balada que dá nome ao álbum - Como Diria Blavatsky (Jorge Vercillo), inspirada nos conceitos de teosofia da escritora russa Helena Petrovna Blavatsky (1831 - 1891) - é  das mais inspiradas da lavra de Vercillo, sendo sustentada pelo piano de Glauton Campello e pelas cordas arranjadas por Jessé Sadoc. Em contrapartida, outra balada - Distante (Jorge Vercillo) - se revela trivial, inclusive pelos versos de romantismo derramado. Entre uma e outra, há Eu Quero a Verdade (Jorge Vercillo), balada de tom quase épico que perde o foco na letra, que prega de início o valor da sinceridade em relação afetiva para, na segunda metade, disparar (sem nexo) versos sobre a violência na cidade do Rio de Janeiro (RJ), a condenação do uso da camisinha pela Igreja e a apatia do povo brasileiro frente aos problemas ambientais da Amazônia. A crítica social resulta mais focada em Rio Delírio (Jorge Vercillo), tema de tom jazzy. Já Acendeu (Dudu Falcão e Jorge Vercillo) - tema que celebra o arquipélago Fernando de Noronha é aberto por texto dito de forma empostada por Paulo César Feital - se impõe pelo suingue e pelo refrão contagiante, virtudes do compositor que domina bem o idioma radiofônico. Disco de menor diversidade rítmica no confronto com os dois álbuns anteriores do artista, Como Diria Blavatsky quase mira um salão de gafieira com os metais que adornam o samba Invictor (Jorge Vercillo) - composto em homenagem ao filho do cantor, Victor Vercillo, cuja voz abre a faixa - e evoca o funk à moda da disco music na introdução da dançante Me Leve a Sério (Jorge Vercillo), instante pop do disco. Já Nos Espelhos (Jorge Vercillo e Dudu Falcão) - que ganha remix alocado como faixa-bônus - reflete certa desatenção ao reanimar o fantasma da comparação com Djavan pelos versos iniciais ("Aton, atum / Aton, atol") que juntam palavras pela sonoridade sem roçar a maestria do compositor alagoano na função. Por fim, há outra balada (Quer Dizer, da lavra de Vercillo com João Bani) e há o samba Faixa de Gaza (Jorge Vercillo), no qual Vercillo dá resposta - sem argumentar de forma  convincente - ao público que  o recebeu com hostilidade no show comemorativo dos 70 anos de Jorge Mautner, em janeiro, no Circo Voador (RJ). Enfim, mesmo que ostente as virtudes de Vercillo, Como Diria Blavatsky sinaliza que já é hora de o artista ajustar o foco autoral e buscar outros parceiros para arejar obra que já começa a se enredar nos vícios naturais do bom compositor.

sábado, 22 de outubro de 2011

Marisa faz terceira conexão com Ben Jor onze anos após 'Cinco Minutos'

Nas lojas a partir de 31 de outubro de 2011, o oitavo álbum solo de Marisa Monte, O Que Você Quer Saber de Verdade, apresenta a terceira conexão da cantora com a obra de Jorge Ben Jor. Segunda das 14 faixas do disco, Descalço no Parque é regravação de música de Jorge, lançada pelo compositor em seu segundo álbum, Ben É Samba Bom (1964). É uma das poucas músicas em que Ben destila melancolia. A conexão é feita 11 anos após Marisa ter recriado Cinco Minutos - música lançada por Jorge Ben no antológico álbum A Tábua de Esmeralda (1974) - em Memórias, Crônicas e Declarações de Amor (2000) e 17 anos após a inclusão de Balança Pema - samba do primeiro LP de Jorge, o definidor Samba Esquema Novo (1963) - no terceiro CD da cantora, Verde Anil Amarelo Cor de Rosa e Carvão (1994), de tom brasileiro.