Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


terça-feira, 12 de novembro de 2013

Abertura de parcerias revigora soul de Hyldon em álbum de baladas urbanas

Resenha de CD
Título: Romances urbanos
Artista: Hyldon
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * * *
♪ Disco editado somente em formato digital e já disponível para compra no iTunes

 Há 40 anos, o soulman Hyldon começou a pavimentar carreira solo com a edição de compacto com a canção Na rua, na chuva, na fazenda (Hyldon), música de 1973 que se tornaria o carro-chefe de seu repertório, a ponto de batizar, dois anos depois, o primeiro álbum solo do cantor e compositor baiano. Após breve fase de sucesso popular, Hyldon - assim como todos os artistas brasileiros que fazem som enraizado na black music - se deparou com obstáculos na indústria fonográfica para trilhar o caminho do soul, gênero de prestígio mais alto do que as vendagens dos discos. Aliado à insensibilidade de diretores da indústria do disco em relação ao som black, o temperamento forte do artista contribuiu para que ele logo fosse jogado à margem do mercado. Hyldon então ficou para sempre associado aos sucessos dos anos 70. Há cinco anos, o cantor tentou se reposicionar no mercado com a edição de Soul brasileiro (2008), álbum prejudicado pela irregularidade da safra de inéditas. Faltou a Soul brasileiro o ânimo detectado em Romances urbanos, disco lançado pela Sony Music neste mês de novembro de 2013 em formato exclusivamente digital. Ao abrir parcerias com nomes de diversas tribos e gerações (Arnaldo Antunes, Céu, Dexter, Jorge Vercillo, Leo Cavalcanti, Mano Brown, Pedro Luís e Zeca Baleiro, entre outros), Hyldon revigora sua produção autoral e apresenta disco relevante. Um álbum voltado para baladas românticas de tom urbano, ainda que tenha faixas animadas como Festa do Síndico (Hyldon e Andreia Santiago) - tema em que Hyldon e o convidado Serjão Loroza celebram Tim Maia (1942 - 1998) com a reprodução fiel do suingue metaleiro típico da obra do Síndico, cantor e compositor carioca que soube dar sotaque nacional à soul music norte-americana - e Foi no baile black (Hyldon, Mano Brown e Dexter), faixa que evoca a herança do movimento Black Rio que explodiu no Rio de Janeiro em meados dos anos 70. Romances urbanos trilha agradáveis caminhos melódicos em canções bacanas como No fim da estrada tem uma cidade (Hyldon e Zeca Baleiro), a derramada Lua nova (de Hyldon com Sérgio Natureza), a iluminada Meu sol (de Hyldon com Jorge Vercillo), Revanche (Hydon e Jorge Ailton, 2009) - a balada mais impregnada do espírito do soul, já tendo sido lançada pelo cantor Leo Maia no álbum Sopro do dragão (LGK Music / Som Livre, 2009) - e O velho e novo amor (Hyldon e Hanna Guerra), faixa gravada com a voz de Roberta Spindel e o clarinete de Rui Alvim. Capitaneada pelo próprio Hyldon, a produção não economizou na arregimentação de músicos convidados. Parceria de Hyldon com Arnaldo Antunes e Céu, O tombo cai para o lado nordestino, conduzida pelo acordeom de Marcelo Jeneci em gravação feita com a guitarra de Kassin (uma segunda parceria de Hyldon com Arnaldo, Tempo, tempinho, tempão, reitera a inspiração da safra de baladas). Já Pista perigosa (Hyldon e Leo Cavalcanti) se joga em levadas mais contemporâneas, com toques de rock. No fim do disco, Romance casual (Hyldon e Pedro Luís) repõe Hyldon no baile, sob o suingue dos metais orquestrados por Marlon Sette. Enfim, desde a década de 70, Hyldon não lançava um disco tão interessante, tão coeso e cheio de frescor.

Alcione vai celebrar Dominguinhos e Jovelina em registro ao vivo no Rio

Parceria de Dominguinhos (1941 - 2013) com Anastácia, lançada por Nana Caymmi em álbum de 1979, Contrato de separação vai ganhar a voz de Alcione na gravação ao vivo do show Eterna alegria, agendada para 21 de novembro de 2013 na casa Barra Music, no Rio de Janeiro (RJ). A Marrom - vista em foto de Marcos Hermes - vai cantar Contrato de separação na companhia da sanfona de Cezinha do Acordeom, um dos convidados da gravação que vai dar origem em 2014 a CD e a DVD editados pela Marrom Music em parceria com a gravadora Biscoito Fino. Zeca Pagodinho vai entrar em cena em Êh, êh, samba que compôs com Djavan - inaugurando parceria com o artista alagoano - e que foi lançado por Alcione no CD Eterna alegria, nas lojas desde junho. Com Tárcio Cardo, cantor contratado pelo selo Marrom Music, a Marrom vai cantar Mudança dos ventos (Ivan Lins e Vítor Martins, 1980) - outra música lançada na voz de Nana Caymmi - e A voz de uma pessoa vitoriosa (Caetano Veloso e Waly Salomão, 1978). Com Andreia Caffé, cantora contratada pela Marrom Music, Alcione vai se juntar em Sorriso de banjo (Fidélis Marques, Bira da Vila e Melodia Costa), samba que abriu o sexto álbum da cantora e compositora carioca Jovelina Pérola Negra (1944 - 1998), Vou na fé (1993). Já a música a ser cantada com a dupla Victor & Leo ainda está em fase de escolha. Estão previstas também no roteiro do show - feito com direção de Solange Nazareth e produção musical de Jorge Cardoso - as inéditas Essa gente de Mangueira (Toninho Geraes), A dama e o vagabundo (Jefferson Jr e Umberto Tavares) e Não me venha outra vez (Jason e Lúcia). O diretor Jodele Larcher vai comandar toda a captação das imagens do show.

Parceiro poeta de Ivone Lara, Délcio Carvalho sai de cena no Rio aos 74

Um dos poetas do samba, o cantor e compositor fluminense Délcio Carvalho (8 de março de 1939 - 12 de novembro de 2013) sai hoje de cena no Rio de Janeiro (RJ), aos 74 anos, vítima de câncer, mas deixa obra coerente, indissociável da produção autoral da compositora carioca Dona Ivone Lara, de quem foi o parceiro mais frequente nos anos 70 e 80. Samba iluminado por esperança de tom melancólico, Alvorecer - lançado pela cantora Clara Nunes (1942 - 1983) no álbum homônimo de 1974 - é um dos muitos exemplos de fina sintonia entre as letras poéticas de Délcio e as melodias sensíveis de Ivone Lara. Acreditar (1976) - sucesso na voz do cantor fluminense Roberto Ribeiro (1940 - 1996) - é outro exemplo dessa perfeita interação entre música e letra, assim como Sonho meu (1978), samba imortalizado em gravação feita por Maria Bethânia em dueto com Gal Costa, e assim como Em cada canto uma esperança (1978), lindo samba que Beth Carvalho reviveu há dois anos no álbum Nosso samba tá na rua (2011). Contudo, seria redutor limitar a produção de Délcio Carvalho às parcerias com Ivone Lara. Desde 1968 (ano em que seu samba Pingo de felicidade, feito em parceria com Dias Soares, foi gravado pela efêmera cantora Christiane), a obra deste artista filho de pai saxofonista - nascido em Campos (RJ), onde se formou nos bailes da vida, mas residente no Rio de Janeiro (RJ) desde 1956 - ganhou diversos parceiros e vozes. A cantora baiana Simone, por exemplo, incluiu Acreditar no repertório de seu recém-lançado álbum É melhor ser (2013). Integrante nos anos 60 do grupo Lá vai samba, Délcio também cantava, mas é como compositor que vai permanecer em lugar de honra na história da música brasileira. O sucesso bateu à porta em 1972 - ano em que o grupo Os Originais do Samba registrou Esperanças perdidas (Délcio Carvalho e Adeilton Alves) - e se manteve ao lado de Délcio ao longo das décadas de 70 e da primeira metade dos anos 80. Parceria com Noca da Portela, Vendaval da vida foi lançada em 1978 pelo cantor carioca Aroldo Santos, mas fez sucesso na voz de Alcione em 1983, ano em que Beth Carvalho lançou Nos combates desta vida, outra obra-prima da parceria de Délcio com Ivone Lara, no álbum Suor no rosto (1983). Com Ivor Lancellotti, Délcio Carvalho fez dois grandes sambas, Clarão e Velha cicatriz, que em 1988 ganharam as vozes robustas de Alcione e Nana Caymmi, respectivamente. Ainda da parceria com Ivor, Quando essa paixão me dominar reiterou - na voz de Beth Carvalho - a poesia, esperança e fé no amor habitualmente embutidas nos versos líricos e quase sempre otimistas (apesar da recorrente melancolia) do compositor. A partir dos anos 90, década em que a música brasileira começou a ganhar ares populistas, Délcio Carvalho emplacou menos sucessos, mas manteve sua produção autoral, documentada no álbum triplo Inédito e eterno (2007), penúltimo título de discografia iniciada em 1979 com a edição do LP Canto de um povo, erguida em selos indies e finalizada neste ano de 2013 com Dois compassos, CD assinado por Délcio com o violonista Marcelo Guima. Enfim, o cancioneiro de Délcio Carvalho vai atravessar anos, modismos e gerações pela perenidade dos sambas que criou com os parceiros afinados com sua sensibilidade e sua poesia.

Madeira Brasil toca Piazzolla com Yamandu em gravação ao vivo no Rio

O Trio Madeira Brasil grava seu primeiro DVD em show programado para as 21h desta terça-feira, 12 de novembro de 2013, no Theatro Net Rio, no Rio de Janeiro (RJ). A gravação ao vivo vai ser feita com a participação de Yamandu Costa. O trio carioca formado por Marcello Gonçalves, Ronaldo do Bandolim e Zé Paulo Becker - vistos em foto de Murilo Meirelles - vai juntar suas cordas ao toque do violonista gaúcho em Fuga y misterio, tema do compositor e bandoneonista argentino Astor Piazzolla (1921 - 1992). O roteiro da gravação ao vivo prevê composições como Passarim, música de Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) que deu título ao álbum lançado por Tom em 1987, além de músicas já registradas pelo trio em sua discografia.

Eis a capa do CD/ DVD 'Carta de amor', show gravado por Bethânia no Rio

Eis as capas de Carta de amor, DVD e CDs que registram show gravado por Maria Bethânia em 13 e 14 de abril de 2013, em apresentações na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ). Além do DVD, previsto para chegar efetivamente às lojas no início de dezembro, a gravação ao vivo também dá origem a dois CDs vendidos de forma avulsa pela gravadora Biscoito Fino (cada CD reproduz um ato do show). O roteiro perpetuado na gravação inclui inédita do compositor paraibano Chico César, Estado de poesia, e músicas gravadas pela primeira vez pela cantora baiana, casos de A casa é sua (Arnaldo Antunes e Ortinho, 2009) e Quem me leva os meus fantasmas (Pedro Abrunhosa, 2007). Eis o roteiro em dois atos do show Carta de amor tal como eternizado no DVD simples e nos dois CDs avulsos produzido pelas gravadora Biscoito Fino:

Ato I
1. Canções e momentos (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1986)
2. Sangrando (Gonzaguinha, 1980)
3. Salmo (Raphael Rabello e Paulo César Pinheiro, 2002)
4. Dona do raio e do vento (Paulo César Pinheiro, 2006)
5. Cântico negro (José Régio, Vinicius de Moraes, Luiz Carlos Lacerda e Clarice Lispector) - texto /
6. Não enche (Caetano Veloso, 1997)
7. Fogueira (Ângela RoRo, 1983)
8. Casablanca (Roque Ferreira, 2012)
9. Na primeira manhã (Alceu Valença, 1980)
10. Calúnia (Marino Pinto e Paulo Soledade, 1951)
11. Negue (Adelino Moreira e Enzo de Almeida Passos, 1960)
12. Barulho (Roque Ferreira, 2007)
13. Fera ferida (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1982)
14. Quem me leva os meus fantasmas (Pedro Abrunhosa, 2007)
Intervalo
15. Cais (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1972) - instrumental banda
16. Maria Maria (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1976) - Instrumental banda
Ato II
17. Festa (Gonzaguinha, 1968)
18. Dora (Dorival Caymmi, 1945)
19. Lua branca (Chiquinha Gonzaga, 1912)
20. Estado de poesia (Chico César, 2012)
21. Adeus Guacyra (Heckel Tavares e Joracy Camargo, 1933)
22. A nossa casa (Arnaldo Antunes, Alice Ruiz, Paulo Tatit, João Bandeira, Celeste Moreau, Derdik e Sueli Galdino, 2004)
23. Marambaia (Henricão e Rubens Campos, 1944)
24. A casa é sua (Arnaldo Antunes e Ortinho, 2009)
25. Santo Amaro Ê Ê (domínio público) /
      Quixabeira (domínio público) /
      Reconvexo (Caetano Veloso, 1989) /
      Minha senhora (domínio público) /
      Viola meu bem (domínio público) /
      Reconvexo (Caetano Veloso, 1989)
26. Minha casa (Joubert de Carvalho, 1946)
27. Velho Francisco (Chico Buarque, 1987)
28. Carta de amor (Paulo César Pinheiro com texto de Maria Bethânia, 2012)
29. Escândalo (Caetano Veloso, 1981)
30. Salmo (Raphael Rabello e Paulo César Pinheiro, 2002)
31. Canções e momentos (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1986)
32. Mensagem (Aldo Cabral e Cícero Nunes, 1945) /
      Cartas de Amor (Fernando Pessoa) - texto
33. Explode coração (Gonzaguinha, 1978)
34. O que é o que é (Gonzaguinha, 1982)

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Músico do Yellow Dogs mata dois colegas de banda e se suicida nos EUA

Em tragédia sem precedente no universo pop, um músico do grupo iraniano The Yellow Dogs - expulso recentemente da banda - assassinou a tiros três ex-colegas do grupo e se matou. Os crimes e o suicídio aconteceram na madrugada desta segunda-feira, 11 de novembro de 2013, no Brooklyn, nos Estados Unidos, para onde a banda de indie punk rock - formada em 2006 em Teerã, capital do Irã - emigrara em 2011. O assassino é Ali Akbar Mahammadi Rafie. As duas vítimas da banda são o guitarrista Soroush Farazmand e o baterista Arash Farazmand. O atirador também matou um cantor, Ali Eskandarian, que não fazia parte do Yellow Dogs, mas estava no local da tragédia. O vocalista e o baixista do grupo estavam ausentes do local.

Com espírito soul, Mariah volta às baladas no single 'The art of letting go'

Música que vai dar título ao 14º álbum de estúdio de Mariah Carey, The art of letting go é uma balada de espírito soul. O próximo disco da cantora norte-americana ainda não tem previsão de lançamento, mas a gravação da (boa) canção - produzida por Rodney Jerkins - foi lançada como single por Mariah nesta segunda-feira, 11 de novembro de 2013, já podendo ser ouvida na internet. É provável que - no álbum que vai suceder Memoirs of an imperfect angel (2009) - The art of letting go se junte às antecessoras Beautiful e Triumphant (Get 'em), lançadas pela artista em maio e em agosto. Contudo, não há informações oficiais sobre o disco.

Danilo, Dori e Nana se afinam ao celebrar no Rio obra de Dorival Caymmi

Resenha de show
Evento: 51º Festival Villa-Lobos
Título: Caymmi 100 anos
Artistas: Danilo Caymmi, Dori Caymmi e Nana Caymmi (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 10 de novembro de 2013
Cotação: * * * * 1/2

Os olhares cúmplices dirigidos por Nana Caymmi a Dori Caymmi - com direito a gestos que expressavam seu contentamento com os arranjos do irmão maestro - foram a mais perfeita tradução da afinidade entre os três irmãos no sublime show que abriu no Rio de Janeiro (RJ) as comemorações pelo centenário de nascimento do compositor baiano Dorival Caymmi (1914 - 2008). Ao lado do irmão caçula Danilo Caymmi, Dori e Nana celebraram a beleza atemporal do cancioneiro do patriarca da família, lustrando pérolas raras retiradas das profundezas do mar do compositor - registradas no álbum Caymmi (Som Livre), já garantido na lista de melhores discos de 2013 - e dando voz também aos sambas, canções praieiras e sambas-canção que atravessaram gerações e imortalizaram a obra de Dorival. Depois de passar por São Paulo (SP) em junho, o show de lançamento do CD Caymmi chegou à cidade que acolheu o artista (em abril de 1938) e lhe deu fama nacional. Foi na noite de ontem, 10 de novembro de 2013, em apresentação única que embeveceu o público que lotou o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, apesar dos problemas no som (baixo) do microfone de Danilo Caymmi no início do espetáculo. Programado dentro da 51ª edição do Festival Villa-Lobos, o show roçou a perfeição do disco. "É inacreditável! Fico às vezes viajando nas canções do meu pai. São muito bonitas", enfatizou Nana, se permitindo ainda se surpreender com a arquitetura irretocável das letras e melodias de Dorival. Aos 72 anos, firme no posto de umas maiores cantoras do Brasil de todos os tempos, Nana somente entrou em cena na 16ª música do roteiro - o que fez com que a belíssima Sereia (Dorival Caymmi) fosse ouvida sem sua voz marcante (no disco, essa até então desconhecida canção praieira é entoada pelos três irmãos) no medley que juntou Sereia com Rainha do mar (Dorival Caymmi, 1939) pela afinidade temática. Na primeira parte do show, Dori - presente em cena do início ao fim, na condição de violonista, maestro e (eventual) cantor do espetáculo - dividiu o palco com Danilo, que abriu o show solando Caminhos do mar (Dorival Caymmi, Danilo Caymmi e Dudu Falcão, 2001) com Dori nos vocais. Na sequência, Dori solou Itapoã (Dorival Caymmi, 1972) - com aquela voz que evoca toda a profundeza do canto doce de Dorival - e puxou o cordão de Roda pião (Dorival Caymmi, 1939), sendo seguido por Danilo neste samba que alterna tons lúdicos e melancólicos ao abordar os efeitos do giro inexorável do tempo. Ao solar Fiz uma viagem (Dorival Caymmi, 1957), Danilo caiu com jeito no samba de Dorival. E, cada um a seu jeito, Danilo e Dori seguraram bem a atenção da plateia nesta primeira parte do show. Ao cantar O bem do mar (Dorival Caymmi, 1954) e Sargaço mar (Dorival Caymmi, 1985), Dori pareceu encarnar o velho pescador tão bem decantado no cancioneiro de Dorival. Como arranjador, Dori confirmou sua maestria ao remodelar o samba O que é que a baiana tem? (Dorival Caymmi,1939) com sutis alterações no andamento, no que o próprio Dori caracterizou como "uma versão mais contemporânea". Já Danilo brilhou ao esboçar registro mais emotivo para Nem eu (Dorival Caymmi, 1954), dentro do tom do samba-canção, e ao reger palmas e coro do público em Retirantes (Dorival Caymmi e Jorge Amado, 1975), após trazer à tona a Toada à toa (2009), menos inspirada parceria feita com seu pai (a partir de letra encontrada no baú de Dorival). Afinados entre si, os dois irmãos ainda uniram vozes no medley que agrega os sambas Quando eu durmo - outro título até então desconhecido do cancioneiro de Caymmi - e Balaio grande (Dorival Caymmi e Oswaldo Santiago, 1941). Foi após esse medley que entrou no palco Nana Caymmi, senhora da cena desde que abriu o vozeirão inigualável para entoar Cantiga de cego (Dorival Caymmi e Jorge Amado, 1981) - gravada por Dorival para a trilha sonora da novela Terras do sem fim (TV Globo, 1981/1982) - e, na sequência, solar Modinha para Tereza Batista (Dorival Caymmi e Jorge Amado, 1992), outro tema que linka o cancioneiro de Caymmi à obra literária do escritor baiano Jorge Amado (1912 - 2001), amigo e parceiro de Dorival. A Modinha para Tereza Batista foi a deixa para Danilo Caymmi puxar o samba Vamos falar de Tereza (1992), parceria sua com Dorival, produzida para a trilha sonora da minissérie Tereza Batista (TV Globo, 1992). Então Danilo saiu do palco, que passou a ser ocupado somente por Dori com Nana e com a banda virtuosa formada por Flávio Mendes (violão), Itamar Assiere (piano), Jefferson Lescowich (baixo), Armando Marçal (percussão) e Jurim Moreira (bateria). Foi quando Nana simulou um sotaque português para cantar Francisca Santos das Flores (Dorival Caymmi, 1972) em misto pungente de fado, samba-canção e modinha. Foi um dos momentos culminantes em show de pontos altos. Na sequência, com sua habitual categoria, Nana fez emergir A Mãe d'Água e a menina (Dorival Caymmi, 1985), deu a receita pouco conhecida de Acaçá (Dorival Caymmi, 1997), recontou História pro Sinhozinho (Dorival Caymmi, 1945) e, com o apoio vocal de Dori, elevou os tons para chamar Dora (Dorival Caymmi, 1945) - em momento arrepiante - e perfilou João Valentão (Dorival Caymmi, 1953). Os sambas-canção Só louco (Dorival Caymmi, 1955) e Não tem solução (Dorival Caymmi e Carlos Guinle, 1950) reiteraram o fato de Nana sempre ter sido cantora grande o suficiente para cantar Caymmi à sua moda, num tom que é só seu. Mas que se afinou harmoniosamente com os tons de seus irmãos no samba-canção Marina (Dorival Caymmi, 1947) e no sempre comovente Acalanto (Dorival Caymmi, 1957). No fim, a Canção da partida (Dorival Caymmi, 1957) - parte da Suíte dos pescadores - preparou o clima de despedida da família Caymmi, encerrando show marcado pela emoção de reverenciar o imortal Dorival Caymmi, um dos maiores compositores do mundo.

Família Caymmi alterna raridades e sucessos de Dorival em show no Rio

Primeiro projeto fonográfico lançado em tributo ao centenário de nascimento Dorival Caymmi (1914 - 2008), a ser comemorado ao longo de 2014, o irretocável álbum Caymmi - posto nas lojas em junho deste ano de 2013, em edição da gravadora Som Livre - teve como maior mérito o resgate de músicas raras ou até mesmo desconhecidas do cancioneiro do compositor baiano. Danilo Caymmi, Dori Caymmi e Nana Caymmi deram vozes a pérolas pescadas nas profundezas do mar de Dorival, como a belíssima Sereia. No show de lançamento do disco, que chegou ao Rio de Janeiro (RJ) dentro da programação da 51ª edição do Festival Villa-Lobos cinco meses após a estreia nacional em São Paulo (SP), a família Caymmi entrelaça tais raridades no roteiro com os principais sucessos do compositor. Eis o roteiro seguido por Dori, Nana e Danilo - em foto de Rodrigo Amaral - na apresentação do show Caymmi 100 anos que seduziu o Theatro Municipal do Rio de Janeiro na noite de domingo, 10 de novembro de 2013:

1. Caminhos do mar (Dorival Caymmi, Danilo Caymmi e Dudu Falcão, 2001) - Danilo
2. Itapoã (Dorival Caymmi, 1972) - Dori
3. Fiz uma viagem (Dorival Caymmi, 1957) - Danilo
4. Roda pião (Dorival Caymmi, 1939) - Danilo e Dori
5. Sereia (Dorival Caymmi) / 
6. Rainha do mar (Dorival Caymmi, 1939) - Danilo e Dori
7. O bem do mar (Dorival Caymmi, 1954) - Dori
8. Nem eu (Dorival Caymmi, 1954) - Danilo
9. Sargaço mar (Dorival Caymmi, 1985) - Dori
10. Toada à toa (Dorival Caymmi e Danilo Caymmi, 2009) - Danilo
11. Maricotinha (Dorival Caymmi e Antonio Carlos Jobim, 1994) - Danilo
12. O que é que a baiana tem? (Dorival Caymmi, 1939) - Danilo e Dori
13. Retirantes (Dorival Caymmi e Jorge Amado, 1975) - Danilo
14. Quando eu durmo (Dorival Caymmi) /
15. Balaio grande (Dorival Caymmi e Oswaldo Santiago, 1941) - Danilo e Dori
16. Cantiga de cego (Dorival Caymmi e Jorge Amado, 1981) - Nana
17. Modinha para Tereza Batista (Dorival Caymmi e Jorge Amado, 1992) - Nana
18. Pra falar de Tereza (Dorival Caymmi e Danilo Caymmi, 1992) - Danilo
19. Francisca Santos das Flores (Dorival Caymmi, 1972) - Nana
20. A Mãe d'Água e a menina (Dorival Caymmi, 1985) - Nana
21. Acaçá (Dorival Caymmi, 1997) - Nana
22. História pro Sinhozinho (Dorival Caymmi, 1945) - Nana
23. Dora (Dorival Caymmi, 1945) - Nana (com Dori nos vocais)
24. João Valentão (Dorival Caymmi, 1953) - Nana (com Dori nos vocais)
25. Só louco (Dorival Caymmi, 1955) - Nana
26. Não tem solução (Dorival Caymmi e Carlos Guinle, 1950) - Nana
27. Marina (Dorival Caymmi, 1947) - Danilo, Dori e Nana
28. Acalanto (Dorival Caymmi, 1957) - Danilo, Dori e Nana
29. Canção da partida (Suíte dos pescadores) (Dorival Caymmi, 1957) - Danilo, Dori e Nana
Bis:
30. O bem e o mal (Danilo Caymmi e Dudu Falcão, 1990) - improviso de Danilo Caymmi
31. Modinha para Tereza Batista (Dorival Caymmi e Jorge Amado, 1992) - Danilo, Dori e Nana

'Alive' flagra Jessie J sem identidade e às voltas com já trivial receita pop

Resenha de CD
Título: Alive
Artista: Jessie J
Gravadora: Lava Records / Republic Records / Universal Music
Cotação: * * *

Embora estivesse na estrada desde 2005, Jessie J lançou seu primeiro single, Do it like a dude, em novembro de 2010. Era o anúncio de que o primeiro álbum da cantora e compositora britânica, Who you are (2011), finalmente ia sair. Havia uma expectativa - alimentada pela passional imprensa musical da Inglaterra - em torno de Jessie. Contudo, Who you are (2011) mostrou uma (boa) cantora às voltas com a já trivial fórmula que dá as cartas no universo pop, sobretudo no norte-americano. Alive - segundo álbum de Jessie, lançado em setembro de 2013 no Reino Unido e recém-editado no Brasil via Universal Music - mantém inalterada a visão sobre a artista. Embora tenha músicas vocacionadas para as paradas, como It's a party (faixa de alegria artificial, eleita o segundo single do álbum na sequência de Wild, tema gravado com os rappers Big Sean e Dizzee Rascal) e a deliciosa Harder we fall, Alive não consegue firmar a identidade de Jessica Ellen Cornish. Músicas como Thunder, Sexy lady e Breathe diluem a individualidade da artista. Fica difícil reconhecer uma marca autoral no som da cantora, cuja beleza e potência da voz são facilmente perceptíveis na balada I miss her, veículo para elevação de tons. Com refrão sedutor, Square one ratifica as intenções de Alive. Como a receita é seguida à risca, não falta a música embebida em batidas de dubstep, Excuse my rude. Embora menos previsível, o dueto com a cantora norte-americana Brandy em Conquer the world pouco faz por Alive, álbum que agrega faixas mais interessantes (como Hero e Magnetic) em sua Deluxe Edition. Enfim, a boa cantora quer sobreviver na selva da indústria do disco, e isso é legítimo, mas, por Alive, fica difícil saber quem é de fato Jessie J.

domingo, 10 de novembro de 2013

Djavan grava show 'Rua dos amores' em Sampa com 12 câmeras e 50 canais

♪ Djavan - em foto de Marcos Hermes - gravou ao vivo neste fim de semana o show Rua dos amores. Sob o comando do diretor Hugo Prata, 12 câmeras e 50 canais de áudio foram utilizados para captar as apresentações feitas pelo artista alagoano em 8 e 9 de novembro de 2013 na casa HSBC Brasil, em São Paulo (SP). Realizada sem convidados e sem alterações no repertório original, a gravação vai originar CD e DVD - previstos para serem lançados em março de 2014 pela Sony Music.

Grupo ABBA cogita se reunir em 2014 para festejar 40 anos de sucesso

O quarteto sueco ABBA cogita se reunir em 2014 para festejar seus 40 anos de sucesso. A possibilidade de reunião foi noticiada por uma das duas cantoras do grupo, Agnetha Faltskog, em entrevista a um jornal alemão. Embora formado em 1972, o ABBA conseguiu sucesso internacional somente a partir de 1974, ano em que o quarteto venceu o concurso Eurovision Song Contest - com a música Waterloo (Benny Andersson, Björn Ulvaeus e Stig Anderson) - e ganhou projeção na Europa e, na sequência, no mundo todo. Se a reunião do ABBA for mesmo concretizada, o universo pop certamente vai se agitar, pois Agnetha Faltskog, Bjorn Ulvaeus, Benny Andersson e Anni-Frid Lyngstad deixaram fãs saudosos em todo o planeta terra por conta de músicas como Honey honey (1974), Mamma mia (1975), Fernando (1976) e Dancing queen (1976), um hit das discotecas que, como outras músicas do ABBA, atravessou gerações.

'Audio fidelity collection' traz reedições de quatro álbuns do Deep Purple

Com lançamento programado nos Estados Unidos para a próxima terça-feira, 12 de novembro de 2013,  a caixa metálica Deep Purple - The audio fidelity collection embala reedições remasterizadas de quatro álbuns lançados pelo grupo britânico Deep Purple na primeira metade da década de 70. Os discos Deep Purple in rock (1970), Fireball (1971), Machine head (1972) e Who do we think we are (1973) ganham reedições remasterizadas pelo engenheiro de som Steve Hoffman - com fidelidade ao áudio original - e com toda a arte gráfica do LPs originais. Estes quatro álbuns foram gravados pela banda com sua formação mais clássica, que incluía Ritchie Blackmore (guitarra), Ian Gillan (voz), Roger Glover (baixo), Jon Lord (teclados e órgão) e Ian Paice (bateria e percussão). Com tiragem numerada e limitada a meras cinco mil cópias, a caixa The audio fidelity collection vai ser lançada no Reino Unido em dezembro.

Gaby grava carimbó inédito, feito com Betão Aguiar, para trilha de novela

Gaby Amarantos compôs e gravou música inédita, Carimbó da alegria, para a trilha sonora nacional da nova novela das 19h da Rede Globo, Além do horizonte. Carimbó da alegria é uma composição feita pela cantora-compositora paraense em parceria com o paulista Betão Aguiar.

Com Brian, Korn ganha peso em 'The paradigm shift' sem voltar à origem

Resenha de CD
Título: The paradigm shift
Artista: Korn
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * * *

Uma das principais referências do som rotulado como nu metal,  o grupo norte-americano Korn andou flertando com o dubstep e se afastando de suas origens em álbum, The path of totality (2011), que gerou controvérsias. Nesse sentido, The paradigm shift - o 11º disco de estúdio da banda, lançado em outubro de 2013 e já editado no Brasil via Universal Music - pode até ser encarado como uma volta do Korn ao seu começo, inclusive pelo retorno ao grupo de seu guitarrista original,  Brian Head Welch, cofundador do Korn. Produzido por Don Gilmore, The Paradigm shift é o primeiro álbum do Korn com Welch desde Take a look in the mirror (2003). O que talvez explique o som pesado - com as guitarras em primeiro plano - ouvido em músicas como Prey for me, Love & Meth, What we do e Spike in my veins, quatro petardos que formam a matadora sequência inicial do álbum. Mas seria redutor caracterizar The paradigm shift como o disco que marca a volta do Korn às origens, como já sinalizou o single Never, never - escolha equivocada para dar início aos trabalhos promocionais do disco porque a xoxa Never, never não representa The paradigm shift. Afinal, no todo, o álbum é pesado, coeso e esbanja energia até numa balada agoniada como Lullaby for a sadist. Mesmo as duas faixas da Deluxe EditionTell me what you want (uma das melhores da ótima safra, aliás) e Wish I wan't born today, preservam o peso e a coesão do CD, centrado no nu metal. Contudo, músicas como Mass hysteria e Paranoid and aroused - faixas que combinam magistralmente o peso das guitarras com beats eletrônicos de pegada mais contemporânea - mostram que nada do que foi para o grupo será do que jeito que (já) foi um dia... É se equilibrando no fio entre o passado e o presente que o Korn apresenta um dos álbuns de maior peso em sua discografia.

Edição de 20 anos de 'In utero' expõe gênese do relevante CD do Nirvana

Resenha de CD
Título: In utero - 20th anniversary edition
Artista: Nirvana
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * * * 1/2

A edição comemorativa de 20 anos de In utero - recém-lançada no Brasil pela Universal Music em sua forma mais simplificada (um alentado disco duplo com demos, b-sides e uma versão do álbum com nova mixagem, feita neste ano de 2013) - permite que se compreenda com mais detalhes a gênese do último álbum de estúdio do grupo norte-americano Nirvana. Um álbum consistente e excepcional - qualidades não percebidas com clareza por todo o universo pop na época de seu lançamento, em setembro de 1993 -  com o qual o atormentado Kurt Cobain (1967 - 1994) tentou desviar sua banda do som rotulado como grunge e imortalizado no álbum anterior do Nirvana, Nevermind (1991), pedra fundamental do gênero que gerou grupos como o Pearl Jam. A gênese de In utero começa efetivamente com a gravação, em 26 de outubro de 1992, de embrionárias demos instrumentais produzidas por Jack Endino. Foi quando músicas como Dumb e Radio friendly unit shiffer começaram a ganhar uma forma inicial no estúdio Word of  Mouth, em Seattle (Washington, EUA), berço do grunge. Tais demos figuram no farto material adicional da 20th anniversary edition de In utero. Reouvido 20 anos depois de seu lançamento, In utero permanece impactante, fazendo jus ao status de álbum clássico. As angústias de Cobain estão no disco, relatadas sobretudo na autobiográfica Serve the servants, escolhida - talvez não por mero acaso - para abrir o disco. E também não foi por acaso que o título In utero veio de poema de Courtney Love, a controversa mulher de Cobain. Muitas músicas de In utero nasceram inspiradas na união do casal, caso de Heart-shaped box. Assim como a morte e o sexo, a presença de Courtney está entranhada em In utero, cuja edição de 20 anos agrega lados B de singles, como Moist vagina, que concorreram a uma vaga no repertório do álbum oficial. Mas o conteúdo adicional mais relevante talvez seja a (ótima) versão remixada do álbum, produzida em junho de 2013 por Steve Albini. Afinal, Albini foi o responsável pela mixagem original do álbum, que teria sido rejeitada pela gravadora Geffen e pelo próprio grupo, que queria um som cru, mas não tanto. Tal rejeição nunca foi admitida oficialmente, mas o fato é que Scott Litt foi recrutado - com o aval de Cobain... - para remixar All apologies e Heart-shaped box com o intuito de enquadrar as duas faixas em moldura mais radiofônica (as versões originais das músicas, tal como mixadas por Albini em 1993, estão entre as faixas-bônus dessa edição de 20 anos). E foi assim, formatado para o sucesso, que In utero veio ao mundo em momento em que Cobain já estava atolado na lama da heroína. E cabe ressaltar que a remixagem atual de Albini visa oferecer nova visão e nuances das músicas, e não recuperar a pegada original de 1993. Enfim, de qualquer maneira, In utero é disco que resistiu muito bem a esses 20 anos, continuando relevante como em 1993.

sábado, 9 de novembro de 2013

Coletânea de McKennitt sai antes no Brasil, mas em formato simplificado

Terceira coletânea da discografia de Lorena McKennitt, The journey so far - The best of Loreena McKennitt já está disponível no mercado brasileiro em edição da Universal Music. Contudo, a edição nacional é simples enquanto a compilação vai ser lançada nos Estados Unidos em março de 2014 no formato de CD duplo. Quem optar pela simples edição nacional vai ter à disposição um CD com 12 gravações dessa cantora, compositora, harpista e acordeonista canadense que faz um mix de música celta com new age e sons orientais. A seleção de The journey so far The best of Loreena McKennitt abrange período que vai de 1985 - ano do lançamento do primeiro dos nove álbuns de estúdio de McKennitt, Elemental, representado pela música Stolen child - a 2010, ano em que a artista lançou seu último disco de inéditas, The wind that shakes the barley, que fornece para o best of a faixa Down by The Sally Gardens. Álbuns bem-sucedidos de McKennitt, como The visit (1991) e The book of secrets (1997), estão representados na compilação simples, cuja seleção não inclui gravações inéditas.

Projeção de atriz que revive Elis motiva reedição de CD do Ipanema Lab

A projeção obtida por Laila Garin pelo fato de a atriz e cantora ter sido escolhida para interpretar Elis Regina (1945 - 1982) no espetáculo Elis, a musical - em cartaz no Rio de Janeiro (RJ) desde 8 de novembro de 2013 - motivou o selo carioca Lab 344 a reeditar o CD French kiss bossa nova, primeiro disco do Ipanema Lab, grupo carioca de bossa nova formado pelo compositor, violonista e tecladista Alexandre Elias com Ney Conceição (baixo), Reginaldo Vargas (percussão) e Guta Menezes (trompete). Laila Garin participou do álbum como vocalista convidada, cantando músicas como Just like the sun, Não me cerca, Step by step e This time you need. Lançado em 2011, o CD French kiss bossa nova vai estar disponível para compra no iTunes a partir de 19 de novembro de 2013 e vai ganhar também edição física do selo Lab 344.

Kessous grava enfim no Rio o quarto álbum, com produção de Berna Ceppas

♪ O cronograma inicial previa a entrada de Monique Kessous em estúdio no primeiro semestre de 2013 para começar a gravar o quarto álbum. Mas o disco está sendo efetivamente gravado, no Rio de Janeiro (RJ), neste segundo semestre de 2013 com produção de Berna Ceppas. O sucessor de Monique Kessous (Sony Music, 2010) vai apresentar repertório essencialmente autoral. Contudo, a boa cantora e compositora carioca ganhou música inédita de Moska, Por causa do seu pensamento.

Alcione vai cantar com Zeca e Victor & Leo em gravação de DVD no Rio

Andreia Caffé, Cezinha do Acordeom, Tárcio Cardo, Victor & Leo e Zeca Pagodinho são os convidados da gravação ao vivo do show Eterna alegria, de Alcione. A gravação ao vivo está agendada para 21 de novembro de 2013 em apresentação da cantora na casa Barra Music, no Rio de Janeiro (RJ), e vai dar origem a CD e a DVD - a serem lançados pela Marrom em 2014.

'The last ship' conduz Sting com brilho para porto inseguro do folk inglês

Resenha de CD
Título: The last ship
Artista: Sting
Gravadora: Cherrytree / A & M Records / Universal Music
Cotação: * * * *

Com inspiração, o duplo The last ship conduz Sting a um porto inseguro para o cantor e compositor britânico, já distante do universo pop. Primeiro álbum de inéditas do artista em dez anos, o sucessor de Sacred love (2003) apresenta a trilha sonora de musical - que tem estreia programada para 2014 na Broadway (EUA) - sobre o declínio da indústria naval de Newcastle (zona portuária do Reino Unido) ao longo dos anos 80. Calcada na música folk do Norte da Inglaterra e nas memórias afetivas de Sting, menino crescido perto do porto, a trilha sonora resiste bem fora de cena pela perfeita sintonia entre músicas e letras. Destaques da safra, Augusts winds, Ballad of the Great Eastern, I love her but she loves someone else e Practial arrangement ratificam de imediato o talento de Sting para construir melodias interessantes. Já as letras versam sobre perdas e crises existenciais a partir dos desajustes de família (pai, mãe e filho) residente às margens do porto. A música-título The last ship é especialmente fundamental na trilha por conceituar o ciclo incessante da vida e do trabalho - e, por isso mesmo, faz todo sentido que ela abra o disco e também o feche (em registro mais orquestral). Entre uma e outra versão de sua faixa-título, The last ship navega pelas águas da música folclórica da Irlanda, em What have we got? (música na qual figura o ator, cantor e compositor inglês Jimmy Nail), e até se aproxima (mas não a ponto de atracar...) do porto pop em And yet. No disco 2, de tom mais folclórico, a grande surpresa é a entrada em cena de Brian Johnson, vocalista do grupo australiano de heavy metal AC/DC. Sem o peso do rock de sua banda, Johnson aparece (bem) em Shipyard e em Sky hooks and tartan paint, fazendo companhia a Sting na travessia desse mar desconhecido para quem esperava do artista britânico um disco pop ou um álbum que evocasse os áureos tempos do grupo inglês The Police. Sting brilha em The last ship justamente pela coragem de ter atracado em um porto inseguro.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Eis a capa de 'Água lusa', CD em que Jussara canta Tiago Torres da Silva

Esta é a capa de Água lusa - Jussara Silveira canta Tiago Torres da Silva, álbum que a gravadora Dubas Música lança neste mês de novembro de 2013 com distribuição da Universal Music. No disco, gravado sob a direção musical do guitarrista português Pedro Joia, a cantora dá voz a quatro fados tradicionais e a sete canções portuguesas compostas por Torres da Silva em parceria com nomes lusitanos como Rão Kyao, Rui Veloso e o próprio Pedro Joia. O repertório inclui músicas como Beijo alentejano, Cantiga do ladrão, O mar fala de ti, Quase a amanhecerSereia (Fado menor do Porto), Voltarei à minha terra e Vou num rio (Fado Licas).

Edu Lobo costura a trilha de espetáculo de teatro na linha passional do tango

♪ Enquanto aguarda a edição do DVD e CD comemorativos de seus 70 anos de idade e 50 anos de carreira, gravados ao vivo em 29 de agosto de 2013 em show no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (RJ), Edu Lobo continua às voltas com a criação de música para teatro. Além de arquitetar com o diretor de teatro João Fonseca a nova encenação do espetáculo O grande circo místico (1983), cuja trilha sonora compôs com Chico Buarque, o compositor carioca assina a música da peça Deixe que eu te ame, texto inédito do dramaturgo mineiro Alcione Araújo (1945 - 2012), encenado no Teatro Eva Herz, no Rio de Janeiro (RJ), sob a direção de Aderbal Freire-Filho. É no tom passional do tango que Edu Lobo criou a música que costura a montagem em trilha sonora orquestrada pelo maestro e pianista carioca Cristóvão Bastos. Fragmentos de um tango (inter)ligam todas as cenas da peça com dramaticidade que se afina com o tom do texto, que versa sobre os descompassos emocionais de dois casais de meia-idade em um fim de noite. Trilha não renderá CD.

DVD 'MDNA world tour' perpetua ambiciosa ópera pop de 'lady' Madonna

Resenha de kit de CD duplo e DVD
Título: MDNA world tour
Artista: Madonna
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * * * 1/2

A imagem de Madonna pode resultar estourada - para os padrões habituais da videografia - quando o DVD MDNA world tour exibe as primeiras tomadas do nono show feito pela artista norte-americana em escala nacional. Contudo, feita a regulagem no contraste, de acordo com o gosto e os olhos do espectador, o que se vê e ouve no DVD - recém-lançado no Brasil pela Universal Music em combo triplo que inclui dois CDs com a íntegra da gravação ao vivo - é o registro perpétuo de um dos espetáculos mais ambiciosos de Lady Madonna. O show da MDNA tour é ópera pop em que Madonna vai do céu ao inferno, remexendo em temas como sexo e religião, pilares de sua obra desde a década de 80. Nessa ópera pop, a artista arma jogo de cena em que as coreografias e os vídeos desempenham, no palco, papéis tão importantes quanto a música. Revisto no DVD, com roteiro que inclui a versão desossada de Like a virgin (Billy Steinberg e Tom Kelly, 1984), intitulada Like a virgin waltz, o show da MDNA tour conserva seu impacto, sombras e luzes, tal como visto pelos brasileiros em dezembro de 2012 (clique aqui para ler a resenha do espetáculo, feita na passagem do show pelo Rio de Janeiro). Aos 55 anos, Madonna mostra que ainda reina no universo pop com a gravação de show em que revira seus sucessos do avesso - sim, ninguém espere ouvir Hung up (Madonna, Stuart Price, Benny Anderson e Björn Ulvaeus) com arranjo próximo do registro original apresentado no dançante álbum Confessions on a dance floor (2005)! - e recicla com vitalidade receita inventada pela própria Madonna e seguida por sucessoras como a megalomaníaca Lady Gaga. Para os súditos, o DVD MDNA world tour assegura que, sim, a coroa ainda é de Lady Madonna.

Acústico enquadra CPM 22 em moldura radiofônica renegada pelo grupo

Resenha de CD e DVD
Título: Acústico
Artista: CPM 22
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * *

Há certa ironia no fato de o CPM 22 estar de volta a uma grande gravadora, a Universal Music, com um projeto acústico que segue a fórmula já desgastada da MTV, ainda que tenha sido gravado sem a chancela da emissora. A ironia reside no fato de que, dessa forma, o grupo paulista de hardcore melódico volta a ser enquadrado em moldura radiofônica parecida com a que renegou ao romper de forma pública e ruidosa com seu antigo produtor Rick Bonadio. O rompimento levou a banda a gravar e lançar álbum, Depois de um longo inverno (2011), de forma independente. Com 22 músicas alocadas tanto no CD quanto no DVD, o Acústico do CPM 22 troca as guitarras pelos violões em busca da leveza desplugada típica de projetos do gênero. De toda maneira, o disco até resulta caloroso em números como Vida ou morte (Luciano) e Irreversível (Ricardo Japinha e Rodrigo Koala) por conta do coro da plateia de convidados que se reuniu em 18 e 19 de junho de 2013 no estúdio Way of Light, na cidade de Cotia (SP), para assistir à gravação ao vivo do acústico, feita em duas apresentações. A fórmula da MTV foi seguida à risca, com a adição de inéditas como Perdas (Badauí e Ricardo Galano) e a presença de convidados no set de gravação. No caso, um único convidado, Dinho Ouro Preto, que entra em cena no hit Um minuto para o fim do mundo (Wally e Rodrigo Koala). Pela vontade do grupo, a lista de convidados incluiria mais um nome, Rodolfo Abrantes, mas o ex-vocalista da banda Raimundos recusou o convite por questões religiosas. Com ou sem convidados, o CPM 22 reza pela cartilha do pop folk neste projeto em que rebobina músicas como O mundo dá voltas (Luciano e Badauí). O sopro dos metais nos arranjos de algumas canções - caso de Sofridos e excluídos (Luciano) - areja o repertório e dilui a linearidade do formato acústico. A produção bem cuidada de Paul Ralphes faz com que tudo soe limpo - quase asséptico - dentro do padrão.

The National lança a inédita 'Lean' em trilha de filme e anuncia álbum 'cru'

De volta ao universo pop esta semana para promover a inédita Lean, gravada para a trilha sonora do filme Jogos vorazes - Em chamas, o grupo norte-americano The National anunciou os planos de gravar um disco mais cru e simples. Sucessor de High violet (2010) e Trouble will find me (2013), o sétimo álbum de inéditas da banda pode trazer no repertório músicas descartadas nas sessões de gravação do último CD do quinteto de indie rock, de acordo com declarações de Aaron Dessner - o guitarrista e tecladista do The National - à imprensa inglesa.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

'Lip$ha', álbum que uniria Ke$ha ao grupo The Flaming Lips, é cancelado

O álbum que uniria a cantora norte-americana Ke$ha com o grupo norte-americano The Flaming Lips, Lip$ha, foi cancelado. Confirmada pela gravadora Warner Music, a informação do cancelamento do disco foi dada via Twitter por Wayne Coyne - vocalista e guitarrista do Flaming Lips - nesta quinta-feira, 7 de novembro de 2013. Não se sabe a razão de o projeto - arquitetado desde o primeiro semestre - ter sido abortado. Mas o fato é que o CD não vai sair.

Musical 'A última chanchada' (re)põe em cena o compositor Zé Trindade

Resenha de musical
Título: Zé Trindade - A última chanchada
Texto: Artur Xexéo
Direção: João Fonseca
Direção musical: João Bittencourt
Elenco: Paulo Mathias Jr. (como Zé Trindade), Alice Borges, Rodrigo Nogueira, 
           Helga Nemeczyk, Rodrigo Fagundes, Alexandre Pinheiro, Nêga e Luisa Viotti
Foto: Bianca Pimenta
Cotação: * * 1/2
Musical em cartaz no Centro Cultural dos Correiros, no Rio de Janeiro (RJ)

Imortalizado com o nome artístico de Zé Trindade, adotado em 1935 quando ainda morava na Salvador natal (BA), o artista baiano Milton da Silva Bittencourt (18 de abril de 1915 - 1º de maio de 1990) foi multimídia antes de o termo sequer existir. Talvez ele seja mais lembrado, quando é lembrado, por suas atuações em chanchadas do cinema brasileiro dos anos 40 e 50. Contudo, além de ator, Zé Trindade foi também cantor e compositor, tendo gravado marchas, quadrilhas, xotes e sambas em discos de 78 rotações por minuto editados pela gravadora Columbia entre a segunda metade da década de 50 e a primeira dos anos 60. Sua esquecida obra musical - composta e cantada com a verve que caracterizava a imagem do comediante popularizado no rádio, no cinema e na TV de sua época áurea - é (re)posta em cena no espetáculo Zé Trindade - A última chanchada, em cartaz no Rio de Janeiro (RJ). Encarnado de forma perfeita pelo ator Paulo Mathias Jr., sem traços caricaturais, Zé Trindade ressurge neste misto de chanchada e musical que o junta no palco com a escrachada atriz fluminense Dercy Gonçalves (1907 - 2008), interpretada de forma igualmente luminosa por Alice Borges. Recorrendo ao humor popular das chanchadas (mas com algumas piadas de compreensão limitada a quem convive no meio teatral carioca), o texto metalinguístico do dramaturgo Artur Xexéo salpica dados biográficos de Zé Trindade e, apesar do tom narrativo de algumas falas iniciais do protagonista, foge do didatismo cronológico. Favorecido pela atuação de elenco exemplar, o texto alcança maior amplitude na segunda parte da ação, passada na terra (a primeira, passada no céu, está mais centrada no encontro de Trindade com Dercy Gonçalves). É quando o ator escalado para fazer Zé Trindade na fictícia peça abordada na peça - Rodrigo Fagundes, excelente comediante - questiona os limites do talento de Zé Trindade, ator capaz de fazer rir somente com seus bordões e seus trejeitos, mas sem grandes preocupações com o texto. É também quando o elenco canta marchas como Cobra que não anda (Zé Trindade e Valter Levita, 1959),  Maria manda brasa (Zé Trindade e Waldir Ferreira, 1964), O negócio é perguntar pela Maria (Zé Trindade e Elias Soares, 1959) e Marcha do divórcio (Zé Trindade e Valdir Ferreira, 1963). Até um samba assinado por Trindade com o compositor carioca Moreira da Silva (1902 - 2000) - 1296 mulheres, gravado em 1953 por Moreira - reaparece em cena, ajudando a moldar o perfil do sedutor artista multimídia. Cada vez mais envolvido com a arquitetura de musicais de espírito brasileiro, distantes do padrão norte-americano, o diretor João Fonseca - responsável pelas encenações de blockbusters como Tim Maia - Vale tudo (2011) e o atual Cazuza - Pro dia nascer feliz (2013) - respeita o tom popular de Zé Trindade - A última chanchada. Tom reforçado pela lembrança de músicas gaiatas como Vou pra Maragojipe (Zé Trindade e Niquinho) - tema de pegada nordestina que cita no título a cidade do interior baiano que o soteropolitano Zé Trindade dizia ser sua cidade natal para reforçar o folclore em torno de sua figura - e Quadrilha dos políticos (Zé Trindade), a mais atual das 13 músicas do roteiro do espetáculo, valorizado pela atuação excepcional de Paulo Mathias. Zé Trindade - A última chanchada tem, acima de tudo, o grande mérito de reavivar a memória, a carreira e a importância de um artista até então esquecido por mídia e público.

Dorina dá voz às melodias de Luiz Carlos da Vila no CD 'Sambas de Luiz'

Dez anos após dar voz ao cancioneiro do compositor carioca Almir Guineto no CD Sambas de Almir (2003), a cantora Dorina celebra a obra de outro grande compositor do samba do Rio de Janeiro (RJ), o também carioca Luiz Carlos da Vila (1949 - 2008). Vila é homenageado pela cantora carioca em Sambas de Luiz, CD gravado ao vivo em show no Centro Municipal de Referência da Música Carioca, no Rio de Janeiro (RJ), com produção dividida entre Alessandro Cardozo e Claudio Jorge. Ao selecionar o repertório do disco, lançado neste mês de novembro de 2013, Dorina deu ênfase aos sambas em que Luiz Carlos da Vila assina letra e melodia, casos do poético samba-exaltação ao Cacique de Ramos Doce refúgio (1981), do radiante samba-enredo Por um dia de graça (lançado na voz de Simone em 1984), do partido alto Das origens (1985) e dos sambas Morro molhado (1985) e Diamante (1985). Detalhe: boa parte do repertório vem do segundo álbum do compositor, Pra esfriar a cabeça (Arca Som, 1985), reeditado em 2012 pelo selo carioca Discobertas. Mas a cantora - que formou o trio Os Suburbanistas em 2004 com Luiz Carlos e com o compositor Mauro Diniz - também tira do baú uma raridade da obra de Luiz Carlos da Vila, Graça do mundo, tema lançado em 1978 pelo Conjunto Nosso Samba. Assim como Almir Guineto, Luiz Carlos da Vila é fruto da geração que cresceu (e apareceu) nos anos 80 entre as tamarineiras da quadra do bloco Cacique de Ramos.

Primeiro álbum solo de Temporão começa a girar com o vídeo de 'Bambolê'

♪ Produzido por Kassin com Alberto Continentino, o primeiro álbum solo do cantor e compositor carioca Fernando Temporão, Dentro da gaveta da alma da gente, começa a girar na web com a promoção do clipe da música Bambolê, já em rotação no YouTube. O vídeo foi filmado por Clara Cavour em junho deste ano de 2013 nos estúdios Marini e Áudio Rebel, no Rio de Janeiro (RJ). Com arranjo de metais orquestrados por Continentino, Bambolê tem letra e música de Temporão - em foto de Daryan Dornelles - e integra repertório autoral que apresenta parcerias inéditas do cantor e compositor carioca com nomes como Domenico Lancellotti (em Sem cair do céu) e Mauro Aguiar (em Melancholica). A música-título é obra somente de Temporão. Eis a letra da música  Bambolê:

Bambolê (Fernando Temporão)

Vou pegar um avião pra bem perto de você
Vou cruzar a imensidão, te puxar num bambolê

É bom ter saudade pra depois
Contar essa história e até sorrir
Veja só como a paixão não mais doeu
Depois que a vontade da gente
Sem pressa amanheceu

Se proteja da dor se a tristeza quer bater
Sinta falta desse amor
O amor tem gosto de viver

Também de maçã caramelizada
E cheiro de hortelã, som de gargalhada

Quem vai te deixar sem par? não eu
Demora, namora, que a hora da gente se perdeu
(Olha que essa flor não vai morrer!
Parece que tudo acontece pra simplesmente ser)

Jack Johnson pega a onda certa no solar e zen 'From here to now to you'

Resenha de CD
Título: From here to now to you
Artista: Jack Johnson
Gravadora: Brushfire Records / Universal Music
Cotação: * * * 1/2

É improvável que o cantor, compositor e surfista norte-americano Jack Johnson obtenha com seu sexto álbum de estúdio - From here to now to you, lançado em setembro de 2013 nos Estados Unidos e recém-editado no Brasil via Universal Music - o mesmo sucesso popular atingido por seu terceiro álbum, In between dreams (2005). Johnson já não está na crista da onda, para usar gíria vintage. Mas a onda é a mesma do disco lançado há oito anos. Reunido com o produtor Mario Caldato Jr. para dar forma a 12 composições autorais em CD gravado com energia solar, Jack Johnson apresenta harmoniosa coleção de canções de espírito zen, traduzido pela imagem da capa em que o violão se faz notar não por mero acaso. Na contramão do som eletrificado de seu antecessor To the sea (2010), From here to now to you é disco de alma acústica, calcado no violão, ainda que Johnson pilote também outros instrumentos, como o ukelele. O destaque do repertório é I got you, faixa de romantismo explícito, lançada como single em junho. Mas há outras músicas no disco com bom poder de sedução para atrair admiradores do folk pop do artista, moldado para luaus à beira da praia. A envolvente batida pop de Tape deck - música em que o Johnson recorda a banda punk que teve na juventude - é outro trunfo do disco feito por Caldato sem inventar moda. A safra - que também destaca Washing dishes, Shot reverse shot (canção que exemplifica o alto astral que pauta o disco) e Never fade (tema em que o artista declara amor à sua mulher, Kim, musa inspiradora também dos versos doces de I got you) - é quase toda da lavra solitária do compositor. As exceções são Radiate e Ones and zeros, músicas assinadas por Johnson em parceria com Merlo Podlewski, Zach Gill e Adam Topol, músicos de sua banda. Incentivador do cantor surfista desde a primeira hora, Ben Harper figura em Change, fazendo vocal e tocando guitarra slide weissenborn na faixa. Enfim, From here to now to you é disco leve, feliz, solar, ideal para aquecer luaus com sua boa energia. Jack Johnson pegou de novo a onda certa.