♪ A IMAGEM DO SOM - Postadas na página oficial de Zeca Pagodinho no Facebook, as fotos acima flagram o cantor carioca no estúdio Cia. dos Técnicos, no Rio de Janeiro, nas sessões de gravação de seu primeiro álbum de inéditas desde Vida da minha vida (Universal Music, 2010). Os cantores e compositores cariocas Marcos Valle e Monarco figuram no CD. Valle participa de música assinada com o bamba Luiz Carlos da Vila (1949 - 2008). Rildo Hora é o produtor do disco.
Guia jornalístico do mercado fonográfico brasileiro com resenhas de discos, críticas de shows e notícias diárias sobre futuros lançamentos de CDs e DVDs. Do pop à MPB. Do rock ao funk. Do axé ao jazz. Passando por samba, choro, sertanejo, soul, rap, blues, baião, música eletrônica e música erudita. Atualizado diariamente. É proibida a reprodução de qualquer texto ou foto deste site em veículo impresso ou digital - inclusive em redes sociais - sem a prévia autorização do editor Mauro Ferreira.
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
Tulipa põe Mitchell e Valle (com alusão a Black Bloc) em roteiro acústico
Música de Court and spark (1974), álbum emblemático da cantora e compositora canadense Joni Mitchell, o folk People's parties ganhou a voz desenvolta de Tulipa Ruiz em show acústico que estreou no Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 17 de outubro de 2013, em apresentação na casa Miranda que teve na plateia Caetano Veloso - cuja canção Da maior importância (1973) é interpretada pela cantora paulista neste gracioso show feito somente com o violão de Gustavo Ruiz e o clarinete de Alexandre Ribeiro. Tema de espírito soul que Tulipa já havia abordado na edição do programa Som Brasil (TV Globo) que homenageou o compositor carioca Marcos Valle, Black is beautiful - parceria de Marcos com seu irmão Paulo Sérgio Valle, lançada em 1971 em gravações quase simultâneas de Elis Regina (1945 - 1982) e do próprio Marcos - também entrou no roteiro basicamente autoral, com direito a improvisado verso ("Black bloc so peaceful") de tom político que contraria a visão majoritária da sociedade sobre os grupos que vem provocando desordem nos protestos feitos pelo Brasil. Eis o roteiro seguido por Tulipa Ruiz (em foto de Rodrigo Amaral) na estreia carioca de seu show acústico:
1. Pedrinho (Tulipa Ruiz, 2010)
2. É (Tulipa Ruiz, 2012)
3. Ok (Tulipa Ruiz e Gustavo Ruiz, 2012)
4. Da menina (Tulipa Ruiz, 2010)
5. Desinibida (Tulipa Ruiz e Tomás Cunha Ferreira, 2012)
6. Da maior importância (Caetano Veloso, 1973)
7. Like this (Tulipa Ruiz e Ilhan Ersahin, 2012)
8. Do amor (Tulipa Ruiz e Gustavo Ruiz, 2010)
9. Sushi (Tulipa Ruiz e Luiz Chagas, 2010)
10. Black is beautiful (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, 1971)
11. Brocal dourado (Tulipa Ruiz e Gustavo Ruiz, 2010)
12. Dois cafés (Tulipa Ruiz e Gustavo Ruiz, 2012)
13. People's parties (Joni Mitchell, 1974)
14. Às vezes (Luiz Chagas, 2010)
Bis:
15. Víbora (Tulipa Ruiz, Criolo, Caio Lopes, Gustavo Ruiz e Luiz Chagas, 2012)
16. Like this (Tulipa Ruiz e Ilhan Ersahin, 2012)
17. Efêmera (Tulipa Ruiz e Gustavo Ruiz, 2010)
sábado, 14 de setembro de 2013
Compositor de grande obra plural, Marcos Valle chega jovial aos 70 anos
Em 2009, quando Zélia Duncan lançou Pelo sabor do gesto, excelente álbum de tom pop romântico, Os dentes brancos do mundo reluziu como joia moderna escondida no baú dos irmãos Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle. Para grande parte do público, a bela canção soou como inédita, mas tinha sido lançada há 40 anos, em 1969, em gravações quase simultâneas de Marcos Valle e das cantoras Claudette Soares e Evinha. Os dentes brancos do mundo é a prova de que o Brasil ainda precisa se debruçar com mais atenção sobre a obra plural de Marcos Kostenbader Valle, cantor, compositor e pianista natural do Rio de Janeiro (RJ) que veio ao mundo em 14 de setembro de 1943. Consagrado em escala mundial já em 1966, quando seu carioquíssimo Samba de verão (Marcos Valle Paulo Sérgio Valle, 1964) obteve exposição planetária a partir do estouro nos Estados Unidos, Valle chega aos 70 anos de vida com ar jovial como seu cancioneiro. Os 70 anos de vida coincidem com os 50 de carreira fonográfica, iniciada em 1963 com a edição de seu álbum Samba "demais" (Odeon) e com a gravação pelo conjunto vocal Os Cariocas de duas músicas inéditas do então estreante compositor, Vamos amar (Marcos Valle e Edu Lobo) e Amor de nada (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle), ambas incluídas no álbum Mais bossa com Os Cariocas (Philips, 1963). Imersa na onda modernista da Bossa Nova, a obra inicial de Marcos Valle esteve sempre em movimento ao longo desses 50 anos. Mesmo quando revisita seus clássicos, Valle os repagina com novos timbres e climas, tornando sua bossa sempre nova. Aliás, enquadrar a música de Marcos Valle no escaninho da Bossa Nova é reduzir seu cancioneiro à magistral fase inicial. O sucesso de Samba de verão foi tsunami que nunca conseguiu arrastar o compositor na maré da repetição. Ícone da segunda geração da Bossa Nova, Valle deu tom engajado à parte de seu cancioneiro já em 1965, desaguando involuntariamente no subgênero rotulado como música de festival - vertente da qual a toada Viola enluarada (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, 1968) se impôs instantaneamente como obra-prima, ganhando as vozes politizadas de cantores como Milton Nascimento e Beth Carvalho. E Valle seguiu em frente. Em Mustang cor de sangue (Odeon, 1969), o compositor esboçou nova virada com este álbum em que seu cancioneiro ganhou moldura pop e explicitou a influência dos ritmos nordestinos, latente desde o primeiro disco do artista. Na sequência, o álbum Marcos Valle (Odeon, 1970) consolidou a virada pop - com as adesões do grupo Som Imaginário e dos mineiros Nelson Ângelo e Novelli - e Garra (Odeon, 1971) refinou esse enquadramento pop, com soul e suingue, dando vida a clássicos como Black is beautiful e Com mais de 30. Já Vento sul (Odeon, 1972) direcionou a música de Valle para rota progressiva com boa dose de lisergia. Abertas todas as portas da percepção musical na primeira metade dos anos 70, Valle partiu para outra viagem, rumando para os Estados Unidos e voltando ao Brasil somente no início dos anos 1980, década em que se lambuzou com o tecnopop em voga na época. Estrelar (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, 1983) foi a trilha da malhação praticada pelos carioca da geração saúde - sucessores da turma que pegou a onda do sal, céu, sol e Sul em fins dos anos 50. Nos anos 90, Valle viu sua música ser jogada nas pistas mais antenadas da Europa em nova onda de sucesso mundial que alcançou o Brasil e fez com que sua discografia fosse revitalizada em solo nacional, motivando reedições de sua discografia e os lançamentos de discos feitos para o exterior. Neste ano de 2013, o recém-lançado CD Marcos Valle & Stacey Kent ao vivo (Sony Music) - gravado com a cantora norte-americana de jazz Stacey Kent - passou em revista, com frescor, obra já cinquentenária que ainda cheira à real modernidade. Parabéns, Marcos Valle, por seus 70 ensolarados verões!!
terça-feira, 16 de julho de 2013
Belo disco ao vivo com Kent mostra que o som de Valle continua demais
Resenha de CD
Título: Marcos Valle & Stacey Kent ao vivo
Artistas: Marcos Valle e Stacey Kent
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * * *
Título: Marcos Valle & Stacey Kent ao vivo
Artistas: Marcos Valle e Stacey Kent
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * * *
A caminho dos 70 anos, a serem completados em 14 de setembro, Marcos Valle também festeja 50 anos de carreira neste ano de 2013. As duas efemérides poderiam servir de pretexto para a gravação de projeto retrospectivo para dar origem a um DVD como tantos despejados cotidianamente no mercado fonográfico com repertório requentado. Entretanto, em vez de tomar o caminho do óbvio, o cantor e compositor carioca se uniu à cantora norte-americana de jazz Stacey Kent em série de shows que ganha registro ao vivo em CD recém-lançado pela gravadora Sony Music. Marcos Valle & Stacey Kent ao vivo não evita os hits mais expressivos do compositor do Samba de verão (1964) - ora revivido em registro bilíngue que remodela o samba com passagens instrumentais à moda do jazz - mas tampouco se revela um greatest hits ao vivo de Valle. Há vários temas menos ouvidos do cancioneiro dos irmãos Marcos Valle & Paulo Sérgio Valle - caso de The white puma (Puma branco, 1973), que mostra de cara o requinte instrumental da gravação ao abrir o disco - e há até balada inédita, Drift away, que exemplifica bem o tom por vezes introspectivo e cool da gravação captada em abril de 2012 em apresentação de Valle e Kent na casa Miranda, no Rio de Janeiro (RJ). Embora de início associada à Bossa Nova, a música de Marcos Valle extrapola rótulos, abarcando ritmos como samba, funk, jazz e pop. A releitura do samba Batucada surgiu (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, 1965) ilustra a mistura com suingue funky que não descarta passagens de tom jazzy. Gravado com a participação do saxofonista Jim Tomlinson, marido de Stacey Kent, o disco tende por vezes para o pop jazz pela natureza do canto de Kent. Mas também cai no samba. Apropriada para o clima íntimo da bossa, a voz da cantora se ajusta bem ao cancioneiro dos Valle em temas como a balada Dia de vitória (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, 1969) e a valsa La petite valse (Marcos Valle, 2004), tema cantado em francês por Kent no qual o compositor expõe influência da canção francesa. Mesmo quando parece menos natural, como quando arrisca versos em português na balada cool Passa por mim (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, 1965), a cantora não sai do tom da música de Valle. Contudo, Marcos Valle & Stacey Kent ao vivo está longe de ser um disco na linha Stacey Kent canta Marcos Valle. Orquestrador das 14 faixas, arranjadas em parceria com o trompetista Jessé Sadoc, Valle tem voz ativa no disco. Não somente porque canta em dueto com Kent músicas como The face I love (Seu encanto) (Marcos Valle, Paulo Sérgio Valle e Pingarilho, 1965), mas também - e sobretudo - porque o toque de seu piano e o suingue de sua obra estão no d.n.a. dos arranjos renovadores. Basta perceber a exuberância instrumental do samba The answer (A resposta) (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, 1965) para entender que a alma de Valle está em todos os sulcos do disco. Assim como Preciso aprender a ser só (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, 1965) e como a instrumental Gente (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, 1965), veículo para a apresentação da boa banda que inclui virtuoses como o saxofonista Marcelo Martins e o violonista Luzi Brasil, A resposta é uma das seis músicas extraídas do repertório do álbum que sedimentou a obra autoral dos irmãos Valle, O compositor e o cantor Marcos Valle (Odeon, 1965). Obra que resiste bem ao tempo, diga-se. Faz 50 anos que Marcos Valle lançou seu primeiro álbum, Samba demais (Odeon, 1963). Decorridas cinco décadas, o CD Marcos Valle & Stacey Kent ao vivo mostra que o som do compositor continua demais - novo e com bossa.
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Kent dá voz a músicas de Valle em CD ao vivo que registra show de 2012
Já está em fase final de produção o disco ao vivo que registra a miniturnê feita pelo cantor e compositor carioca Marcos Valle com a cantora norte-americana de jazz Stacey Kent. O CD perpetua o show que passou por Fortaleza (CE), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ) na primeira quinzena de abril de 2012. No show, Kent - vista com Valle na foto de Amauri Nehn - dá voz a músicas do compositor em inglês, em português e até em francês (no caso de La petite valse, tema lançado por Valle em 2004 no CD Jet samba). O repertório é centrado na obra do compositor. Kent e Valle se conheceram em outubro de 2011, no Rio de Janeiro (RJ), na gravação ao vivo do CD e DVD idealizados para celebrar os 80 anos do Cristo Redentor (RJ).
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Música nova de West sampleia tema lançado por Marcos Valle em 1972
Parceria do rapper norte-americano Kanye West com Terrence Thornton, New God Flow - segundo single de Cruel Summer, o álbum que West vai lançar em agosto de 2012 com colaborações do elenco de seu selo G.O.O.D. Music - sampleia trecho de Bodas de Sangue, música de Marcos Valle, lançada pelo compositor carioca há 40 anos em seu álbum Vento Sul (1972). Valle - cabe lembrar - tem projeção nos Estados Unidos desde que seu Samba de Verão (1963) fez sucesso em escala mundial na década de 60. Bodas de Sangue é lado B de sua obra.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Registro da ida de Marcos Valle ao programa 'Ensaio' é editado em DVD
Dando continuidade à sua série de registros audiovisuais de edições do programa Ensaio, a gravadora Warner Music põe nas lojas o DVD que perpetua a ida do cantor e compositor carioca Marcos Valle à atração comandada pelo apresentador e diretor Fernando Faro na TV Cultura. No bate-papo, entremeado com 17 números musicais, o artista recorda os momentos mais emblemáticos de sua carreira enquanto revive músicas de várias fases de sua obra, transitando pela Bossa Nova (Samba de Verão), pela MPB engajada da era dos festivais (Viola Enluarada, Terra de Ninguém), pelo soul da virada dos anos 60 para os 70 (Black Is Beautiful) e pelas músicas mais recentes (Escape, Nova Bossa Nova), lançadas em discos gravados para o mercado europeu. O DVD Marcos Valle - Ensaio foi produzido para a Warner por Luiz Pereira.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Caixa com álbuns dos anos 80 expõe face suada da obra de Marcos Valle
Resenha de caixa de CDs
Título: Marcos Valle Anos 80
Artista: Marcos Valle
Gravadora: Discobertas
Cotação da caixa: * * *
Cotações dos álbuns: * * * 1/2 (Vontade de Rever Você), * * * (Marcos Valle) e * * 1/2 (Tempo da Gente)
Título: Marcos Valle Anos 80
Artista: Marcos Valle
Gravadora: Discobertas
Cotação da caixa: * * *
Cotações dos álbuns: * * * 1/2 (Vontade de Rever Você), * * * (Marcos Valle) e * * 1/2 (Tempo da Gente)
É fato incontestável que o supra-sumo da obra fonográfica de Marcos Valle vai dos anos 60 até a primeira metade da década de 70. Cria da Bossa Nova, o compositor carioca gravou nesse período discos que foram da bossa propriamente dita ao soul norte-americano, passando pelas engajadas músicas de festivais. Por isso mesmo, a caixa Marcos Valle Anos 80 - que embala os três álbuns gravados pelo artista na década - expõe face menos conhecida da discografia de Valle. Nos anos 80, Valle gravou com menor regularidade e - a rigor - teve apenas um hit, Estrelar (Marcos Valle, Paulo Sérgio Valle e Leon Ware), marco dessa fase pop, gravado para explorar o culto à malhação que ganhou corpo na época. Estrelar é do álbum Marcos Valle. Neste disco lançado pela Som Livre em 1983, em que os teclados de Lincoln Olivetti (produtor do disco ao lado de Paulo Sérgio Valle) deram o tom suingante do som de Valle à moda da música produzida em Los Angeles (EUA) na época, o compositor lançou algumas pérolas feitas em parceria com o mano Paulo Sérgio (como Tapa no Real, pescada por Renata Gebara em seu segundo recém-lançado disco, Caixa de Música) e revisitou clássicos de seu repertório inicial como Samba de Verão (1963) e Viola Enluarada (1968). Como Estrelar brilhou nas paradas, o cantor continuou na trilha da malhação e gravou Bicicleta (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle), música lançada em compacto de 1984 - com certa repercussão, mas sem bisar o êxito de Estrelar - e incluída como faixa-bônus da reedição do álbum Marcos Valle produzida por Marcelo Fróes para a caixa editada por seu selo Discobertas. Dos três títulos embalados no box, o que mais merece atenção é Vontade de Rever Você, álbum de 1980 que marcou a volta de Marcos Valle ao Brasil - via Som Livre - após cinco anos de vivência em Los Angeles, de onde o artista trouxe na bagagem os grooves funkeados que o compositor iria misturar com ritmos brasileiros - sobretudo samba e baião - neste disco que registra sua aproximação com o músico norte-americano Leon Ware, parceiro dos irmãos Valle na melhor faixa do disco, A Paraíba Não É Chicago. Este híbrido de funk e baião também tem a assinatura de Laudir de Oliveira e Peter Cetera. É que, na fase vivida nos Estados Unidos na década de 70, Valle fez conexões com o grupo norte-americano Chicago que se refletiram no som do disco. Fechando a trilogia fonográfica de Marcos Valle nos anos 80, a caixa apresenta a primeira reedição em CD de Tempo da Gente, álbum lançado em 1986 pela extinta gravadora carioca Arca Som. É o título mais fraco da caixa. Em Tempo da Gente, Valle aplicou doses adicionais de romantismo ao seu cancioneiro suingante e apresentou parceria com Erasmo Carlos, Sem Você Não Dá. Mas o disco não aconteceu e Valle saiu temporariamente de cena até ter o balanço de sua música descoberto por DJs europeus nos anos 90 - o que injetou ânimo em sua discografia. Mas isso é história para uma outra caixa... A dos anos 80 revive o som suado dos verões daquela década.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Caixa do selo Discobertas revive tempo pop de Marcos Valle nos anos 80
O selo carioca Discobertas vai pôr nas lojas, entre janeiro e fevereiro de 2012, um box com os três álbuns lançados por Marcos Valle ao longo dos anos 80. Já reeditados em CD na série Som Livre Masters, produzida em 2005 por Charles Gavin, os dois primeiros - Vontade de Rever Você (1980) e Marcos Valle (1983) - retornam ao catálogo acrescidos de faixas-bônus. O terceiro, Tempo da Gente, permanecia inédito no formato digital até então. Foi lançado sem repercussão em 1986 pela já extinta gravadora carioca Arca Som, completando a trilogia pop de Valle na década de 80. Tempo da Gente é o álbum mais obscuro da discografia do artista.
domingo, 14 de agosto de 2011
Caixa de Marcos Valle com discos da Odeon traz tudo de bom do artista
Resenha de caixa de CDs
Título: Marcos Valle Tudo
Artista: Marcos Valle
Gravadora: EMI Music
Cotação: * * * *
Título: Marcos Valle Tudo
Artista: Marcos Valle
Gravadora: EMI Music
Cotação: * * * *
A carreira fonográfica de Marcos Valle ganhou novo fôlego em meados dos anos 90 quando o suingue de sua música foi descoberto por alguns DJs europeus. Desde então, o compositor tem gravados (bons) discos com regularidade tanto no Brasil quanto no exterior. Mas é inegável que o supra-sumo dessa obra fonográfica está concentrado na recém-lançada caixa Marcos Valle Tudo, que embala os 10 álbuns editados pelo artista na extinta Odeon entre 1963 e 1974 sob produção de Charles Gavin e supervisão do próprio Valle. Nestes dez títulos, aos quais foi adicionado o inédito The Lost Sessions (1996), há toda a base dessa música que encanta o Brasil e o Mundo há 50 verões, já que Valle iniciou sua carreira em 1961. Todos os álbuns foram remasterizados a partir das fitas originais - fato comprovado pelo som límpido - e a maioria ganha faixas-bônus. Os dois primeiros álbuns - Samba "Demais" (1963) e O Compositor e o Cantor (1965) - flagram o artista tragado pela onda modernista da Bossa Nova. Samba "Demais" é pontuado pela leveza e por um romantismo da linha sal, céu, sol e Sul. Disco que traz dois clássicos atemporais da lavra de Marcos Valle com seu irmão Paulo Sérgio Valle, Samba de Verão e Preciso Aprender a Ser Só, O Compositor e o Cantor já antecipa em temas como Gente o engajamento social que daria o tom da obra da dupla no posterior Viola Enluarada (1968), terceiro álbum gravado por Valle para o Brasil, já que o instrumental Braziliance! - A Música de Marcos Valle (1967), embora editado no mercado nacional, foi idealizado para os Estados Unidos, onde foi lançado pela Warner Music. Viola Enluarada, a música, foi gravada com a participação de Milton Nascimento, convidado também de Réquiem, tema assinado por Milton com Valle, Ruy Guerra e Ronaldo Bastos. Da lavra dos irmãos Valle, Terra de Ninguém e Maria da Favela denunciam já em seus títulos o tom politizado das letras deste disco. A colaboração com Milton Nascimento seria repetida em Diálogo, faixa que encerra Mustang Cor de Sangue (1969), disco de virada na obra de Valle. É neste álbum que a obra de Valle começa a ganhar contorno pop e a explicitar a influência dos ritmos nordestinos, latente desde o primeiro disco do artista. É em Mustang Cor de Sangue que aparece Os Dentes Brancos do Mundo, bela música que Zélia Duncan reviveu de forma ainda mais bela em seu álbum Pelo Sabor do Gesto (2009). Na sequência, Marcos Valle (1970) enfatiza a virada pop - efeito do impacto da Tropicália na música brasileira - com as adesões do grupo Som Imaginário e dos mineiros Nelson Ângelo e Novelli. Garra (1971) aprimora a fórmula pop e representa pico de criatividade na obra do compositor. É o disco que traz Black Is Beautiful e Com Mais de 30. Na sequência, Vento Sul (1972) rompe com essa estética bem-sucedida e parte para o experimentalismo radical em viagem feita com doses de psicodelia e sons progressivos. O grupo O Terço participa deste álbum influenciado pelo jeito hippie de ser. Já em Previsão do Tempo (1973) a viagem musical, menos experimental, é feito com o grupo Azymuth. Pontuado por arranjos vocais, feitos por Valle em colaboração com Tavito, Marcos Valle (1974) encerra o ciclo do artista na Odeon. Marcos Valle, a partir daí, iria seguir outras trilhas e voltaria às paradas na primeira metade dos anos 80 com uma música menos original que seguia a cartilha pop daquela década. O renascimento artístico aconteceria somente nos anos 90. Contudo, em essência, a caixa produzida com zelo por Charles Gavin embala tudo de bom que o talentoso artista produziu em seus primeiros verões.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Álbum perdido de 1966, 'The Lost Sessions' embala bem a obra de Valle
Resenha de CD
Título: The Lost Sessions
Artista: Marcos Valle
Gravadora: EMI Music
Cotação: * * * *
O CD The Lost Sessions está disponível somente na caixa Marcos Valle Tudo (EMI Music)
Título: The Lost Sessions
Artista: Marcos Valle
Gravadora: EMI Music
Cotação: * * * *
O CD The Lost Sessions está disponível somente na caixa Marcos Valle Tudo (EMI Music)
Em 1966, Marcos Valle tinha começado a gravar o que seria seu terceiro álbum para a Odeon quando a explosão do Samba de Verão nas paradas norte-americanas provocou reviravolta na sua vida. O estouro da música - gravada pelo autor em seu segundo álbum, O Compositor e o Cantor (1965) - fez com que Valle interrompesse as gravações do disco e fosse para os Estados Unidos, onde cuidou da edição de seu samba e gravou para a Warner um álbum instrumental - Braziliance! Marcos Valle and His Music - que sairia no Brasil via Odeon em 1967. Na volta ao Brasil, já em 1968, Valle já tinha em mente o disco que se chamaria Viola Enluarada (1968) e acabou esquecendo aquele álbum inacabado de 1966, cujas sessões de gravações tinha rendido somente quatro faixas finalizadas. Músicas letradas por Paulo Sérgio Valle, Os Grilos, Batucada Surgiu, É Preciso Cantar e O Amor É Chama seriam lançadas em compacto duplo. Já as outras músicas - nas quais o cantor ainda não tinha posto voz - ficaram guardadas no baú da Odeon (posteriomente incorporado ao acervo da EMI Music) até serem encontradas neste ano de 2011 por Charles Gavin, produtor da caixa Marcos Valle Tudo, que embala os dez álbuns lançados por Valle entre 1963 e 1974 na Odeon. O 11º título da caixa é justamente o CD-bônus The Lost Sessions, disco inédito que apresenta as bases instrumentais (algumas até finalizadas) daquelas músicas gravadas em 1966. A embalagem instrumental é bastante requintada. Basta ouvir as cordas suntuosas que adornam Uma Lágrima (Marcos Valle) e Primeira Solidão (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle), faixas pontuadas por violão de tom bossa-novista. Já Lá Eu Não Vou (Marcos Vasconcellos e Marcos Valle) tende para o balanço do samba-jazz. Aliás, um dos músicos-ícones do gênero, o pianista Dom Salvador, tocou piano em algumas faixas deste álbum perdido. De bela melodia, Pensa (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle) é um dos temas ambientados em atmosfera mais clássica com cordas e sax. O brilho da canção resiste sem os versos de Paulo Sérgio Valle. Pensa exemplifica o requinte que justifica a edição do álbum, assim como Lenda (Marcos Valle e Fernando Freire), canção embalada com leveza por cordas e sopros. Enfim, há unidade em The Lost Sessions, e não remendos de canções. Mesmo inacabados, os temas gravados neste disco de 1966 mostram a exuberância da obra de Marcos Valle - compositor então imerso em seu período de maior produtividade e criatividade.
Grooves e conexão com Camelo movimentam obra de Valle em 'Estática'
Resenha de CD
Título: Estática
Artista: Marcos Valle
Gravadora: Far Out Recordings / EMI Music
Cotação: * * * 1/2
Título: Estática
Artista: Marcos Valle
Gravadora: Far Out Recordings / EMI Music
Cotação: * * * 1/2
Diferentemente do que sugere seu título, Estática, o quarto álbum de estúdio feito por Marcos Valle para a gravadora inglesa Far Out Recordings mostra a obra do compositor em movimento. Lançado na Europa e no Japão (lá com o título de Esphera) em 2010, Estática ganha edição brasileira via EMI Music neste segundo semestre de 2011, posta simultaneamente nas lojas com a caixa Marcos Valle Tudo, que embala os dez álbuns gravados pelo cantor para a Odeon entre 1963 e 1974 e apresenta um título inédito, The Lost Sessions (1966). O melodista inspirado dos anos 60 e início dos 70 não reaparece em Estática, álbum gravado no Brasil com produção do britânico Daniel Maunick e arranjos arejados do próprio Valle. Mas os grooves azeitados das 15 faixas e as conexões com Marcelo Camelo - parceiro de Valle em Vamos Sambar, em Eu Vou e na instrumental Esphera - sinalizam que a obra de Valle não ficou cristalizada no tempo, sempre soando moderna, em sintonia com seu tempo. A rigor, Estática sintetiza a pluralidade dessa obra. Destaque do repertório autoral, Papo de Maluco rebobina o balanço que fez os autores do tema, Marcos Valle e Joyce, caírem nas graças dos DJs europeus ao longo da década de 90 com projeção no exterior que injetou fôlego em suas respectivas discografias. Como seu título já explicita, Baião Maracatu reprocessa os ritmos nordestinos que aparecem na discografia de Valle a partir do álbum Mustang Cor de Sangue (1969). A letra é de Ronaldo Bastos, também autor dos versos de Na Pista. Companheira da praia da Bossa Nova, frequentada por Valle lá pelos idos de 1963, Wanda Sá é a parceira de Marcos e Paulo Sérgio Valle em Novo Acorde. Contudo, é com as conexões com Camelo que a obra de Valle parece ganhar ar novo sem se afastar de sua trilha original. Esphera (faixa que conta com a guitarra de Camelo) e Vamos Sambar (tema de suingue irresistível que abre o disco e o fecha em versão instrumental) ostentam alguns dos grooves mais sedutores da obra de Valle a partir dos anos 90. Já a levemente funkeada Eu Vou soa menos inspirada, mas não empana o brilho de Estática, bom disco que vai contentar fãs novos e antigos de Marcos Valle.
terça-feira, 21 de junho de 2011
Feita por Gavin, caixa com tudo de Valle na Odeon embala disco inédito
Produzida por Charles Gavin, a caixa Tudo vai chegar às lojas em julho de 2011 pela EMI Music com reedições remasterizadas dos dez (bons) álbuns lançados pelo cantor e compositor carioca Marcos Valle na extinta Odeon entre 1963 e 1974. Além da nova remasterização, das faixas-bônus (a maioria instrumental) e do caprichado tratamento gráfico, a isca para fisgar fãs do artista é um disco com inacabadas gravações inéditas, The Lost Sessions, produzido em 1966, mas jamais finalizado e editado comercialmente até ser encontrado por Gavin nos arquivos da Odeon. Supervisionada pelo próprio Marcos Valle, a oportuna caixa Tudo embala os álbuns Samba "Demais" (1963), O Compositor e o Cantor Marcos Valle (1965), Braziliance! A Música de Marcos Valle (1967), Viola Enluarada (1968), Mustang Cor de Sangue (1969), Marcos Valle (1970), Garra (1971), Vento Sul (1972), Previsão do Tempo (1973) e Marcos Valle (1974). A maioria já tinha sido editada em CD, mas estava fora de catálogo. Eis as faixas do álbum inédito The Lost Sessions, encontrado por Charles Gavin no acervo da Odeon:
1. Os Grilos (Crickets Sing For Ana Maria)
2. Uma Lágrima
2. Uma Lágrima
3. Lá Eu Não Vou
4. Batucada Surgiu (Batucada)
5. Primeira Solidão
6. O Amor É Chama (Flame)
7. É Preciso Cantar
8. Pensa
9. Mais Vale Uma Canção
10. Lenda
11. Se Você Soubesse
12. Os Grilos (Crickets Sing For Ana Maria) - Faixa-bônus instrumental
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
EMI Music prevê para este semestre edição de caixa com álbuns de Valle
Embora já relançada em CD no Brasil de forma dispersa, a discografia de Marcos Valle nunca mereceu o tratamento de luxo a que faz jus pela sua importância e que já recebeu no Japão. Corrigindo essa injustiça, a gravadora EMI Music programa para este primeiro semestre de 2011 - possivelmente para maio ou junho - a edição de caixa com os álbuns gravados na Odeon pelo compositor de Samba de Verão. A caixa vai embalar títulos como Samba Demais (1963), O Compositor e o Cantor Marcos Valle (1964), Braziliance! A Música de Marcos Valle (1967), Viola Enluarada (1967), Mustang Cor de Sangue (1969), Marcos Valle (1970), Garra (1971), Vento Sul (1972), Previsão do Tempo (1973) e Marcos Valle (1974). Luxo só!
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