Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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domingo, 4 de outubro de 2015

Francis Hime lança EP (digital) com conteúdo adicional do show dos 50 anos

Em julho deste ano de 2015, a gravadora Biscoito Fino editou CD e DVD com a gravação ao vivo do show comemorativo dos 50 anos de carreira do cantor, compositor e pianista carioca Francis Hime. O DVD 50 anos de música traz o registro integral do show apresentado pelo artista em 23 de novembro de 2014 no Teatro Tom Jobim, no Rio de Janeiro (RJ), e captado ao vivo. Já o CD homônimo reproduz somente 16 números do show. Para quem prefere ter somente os áudios dos números, o conteúdo adicional do projeto 50 anos de música está sendo disponibilizado em EP lançado em edição exclusivamente digital pela mesma gravadora Biscoito Fino neste mês de outubro de 2015. O EP alinha cinco fonogramas, abarcando o samba-enredo Navega ilumina (Francis Hime e Geraldo Carneiro, 2014), a valsa Luiza (Antonio Carlos Jobim, 1981 - música gravada com a cantora Malu Von Kruger), Lua de cetim (Francis Hime e Olivia Hime, 1981), Parceiros (Francis Hime e Milton Nascimento, 1984) e o choro Meu caro amigo (Francis Hime e Chico Buarque, 1976).

sábado, 18 de julho de 2015

Além de show, DVD expõe as memórias musicais de Francis em '5 em ponto'

O carioca multimídia Nelson Motta começou a chamar atenção como compositor em 1966 quando Saveiros, música que fez em parceria com Dori Caymmi, venceu a fase nacional do I Festival internacional da canção (FIC). Mas a carreira musical de Motta começara, a rigor, em 1964, quando ele pôs letra em samba composto por Francis Hime. Intitulado Morro triste, tal samba é revivido por Francis no piano do estúdio da gravadora Biscoito Fino, diante de Motta. O momento é um dos mais curiosos de 5 em ponto, ótimo extra do DVD 50 anos de música, lançado pela gravadora Biscoito Fino neste mês de julho de 2015 com a gravação ao vivo do show de lançamento do álbum Navega ilumina (Selo Sesc, 2014). O show em si já vale o DVD (clique aqui para reler a resenha da gravação ao vivo do DVD). Mas o vídeo, coproduzido pelo Canal Brasil, é valorizado por esse extra. Em 5 em ponto, programa exibido em preto e branco, Francis recebe no estúdio, separadamente, Nelson Motta, Flávio Marinho (diretor do show exibido no DVD) e Geraldo Carneiro, parceiro de Francis no samba-enredo Navega ilumina, música-título do estupendo CD de inéditas lançado pelo artista em novembro de 2014. Enquanto recebe seus convidados, Francis lembra ao piano músicas como Pra Cartola, samba que compôs na década de 1960 em tributo ao compositor carioca Cartola (1908-1980), e O rei de Ramos (Francis Hime, Chico Buarque e Dias Gomes, 1980).

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Registro ao vivo do show de 50 anos de carreira de Francis sai em CD e DVD

Em 23 de novembro de 2014, Francis Hime subiu ao palco do Teatro Tom Jobim, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), para fazer o show de lançamento de seu álbum Navega ilumina (Selo Sesc, 2014) e, de quebra, celebrar 50 anos de carreira e 75 anos de vida. Na ocasião, a apresentação foi gravada ao vivo para gerar o CD (foto) e o DVD que a gravadora Biscoito Fino vai pôr no mercado fonográfico já neste mês de julho de 2015. Eis as (16) músicas incluídas no CD 50 anos de música:

1. Ilusão (Francis Hime, 2014)
2. Amor barato (Francis Hime e Chico Buarque, 1981)
3. Sem mais adeus (Francis Hime e Vinicius de Moraes, 1963)
4. Maria da Luz (Francis Hime e Vinicius de Moraes, 2014) - com Cristina Braga
5. Cecília - Fantasia para harpa e orquestra (Francis Hime, 2014) - com Cristina Braga
6. Minha (Francis Hime e Ruy Guerra, 1966)
7. Amorosa (Francis Hime e Olivia Hime, 2014)
8. Sessão da tarde (Francis Hime e Joana Hime, 2014)
9. Isabel - Fantasia para violino e orquestra (Francis Hime, 2014) - com Claudio Cruz
10. Passaredo (Francis Hime e Chico Buarque, 1975)
11. Atrás da porta (Francis Hime e Chico Buarque, 1972)
12. Breu e graal (Francis Hime e Thiago Amud, 2014)
13. Mistério (Francis Hime, 2014)
14. Canção apaixonada (Francis Hime e Olivia Hime, 2014)
15. Trocando em miúdos (Francis Hime e Chico Buarque, 1977)
16. Navega ilumina (Francis Hime e Geraldo Carneiro, 2014)

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Retrô 2014: Dez excelentes músicas que vão transcender o ano de 2014

Retrospectiva 2014 - Na era dos singles digitais, uma grande música pode ter (e geralmente tem) mais poder do que um álbum para projetar um artista ou grupo na cena contemporânea. Excelentes músicas foram lançadas em disco ao longo deste ano de 2014 em formatos de singles ou inseridas em álbuns nem sempre ouvidos com a atenção a que fazem jus. Eis na avaliação de Notas Musicais - por ordem alfabética - dez composições que têm cacife para transcender 2014:

* Alguma voz (Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro)
- Obra-prima do álbum Setenta anos, de Dori, a canção ganhou a voz de Maria Bethânia.


* Bossa negra (Diogo Nogueira, Hamilton de Holanda e Marcos Portinari)
- Com refrão vibrante, o magnetizante samba sintetizou o suingue negro do Brasil mulato.


* Fardado (Sergio Britto e Paulo Miklos)
- Rock de espírito punk em que os Titãs questionaram o papel da polícia em disco de peso.


* Mais ninguém (Mallu Magalhães)
- Música que deu o tom pop solar do primeiro álbum da Banda do Mar e que já virou um hit.


* Meu recado (Michael Sullivan e Alice Caymmi)
- Balada de vocação radiofônica pronta para virar um hit popular como tantos de Sullivan.


* Mistério (Francis Hime) (em foto de Leo Aversa)
- Grande e sinfônico samba sobre o mistério da vida lançado por Francis em CD iluminado.


* Story in blue (Thiago Pethit)
- A balada de grande beleza melódica evocou a era do doo-wop na via marginal de Pethit.


* Tomara (Gustavo Galo e arrudA)
- Bela melodia embebida em poesia resultou numa das melhores músicas do CD de Galo.


* Velho amarelo (Rodrigo Campos)
- Tema sobre a finitude escancarou, na voz de Juçara Marçal, as vísceras de CD de morte.


* Xavante (Chico César)
- O tema reiterou na voz de Maria Bethânia que Chico é da tribo dos bons compositores.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Ao vivo, Francis navega por músicas novas e antigas sob a luz da inspiração

Resenha de show - Gravação ao vivo de CD e DVD
Evento: Festival Villa-Lobos
Título: Navega ilumina
Artista: Francis Hime (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Espaço Tom Jobim (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 23 de novembro de 2014
Cotação: * * * * 1/2

De todos os compositores brasileiros surgidos ao longo dos anos 1960, Francis Hime é o único que mantém a chama criativa na mesma altitude dos tempos de juventude e de consolidação da obra autoral. No show gravado ao vivo pelo artista carioca na cidade do Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 23 de novembro de 2014, o entrelaçamento de músicas de seu recém-lançado álbum de inéditas Navega ilumina - posto no mercado fonográfico neste mês de novembro de 2014 em CD editado via Selo Sesc - com títulos do cancioneiro dos anos 1970 e 1980 evidenciou o nivelamento da obra atual com o repertório de outrora. Com o fogo de uma vida profissional ainda em ebulição, o cantor, compositor, pianista e maestro carioca faz sua navegação por músicas novas e antigas sob a luz da mesma inspiração. O voo sinfônico de Passaredo (Francis Hime e Chico Buarque, 1975), por exemplo, alcançou a mesma altitude do novo samba Ilusão (Francis Hime, 2014), uma das várias grandes músicas do álbum Navega ilumina. Da mesma forma, a proximidade da primeira e da última parceria de Francis com o poeta e compositor carioca Vinicius de Moraes - Sem mais adeus (1963) e Maria da Luz (2014), alocadas lado a lado no roteiro - reforçou a equidade entre o cancioneiro de ontem e o de hoje. A voz do compositor pode até não ser o veículo mais ideal para expressar os sentimentos das canções mais densas. Tanto que, do ponto de vista vocal, a melhor interpretação do show foi a dada por Olivia Hime, convidada do bis, para Trocando em miúdos (Francis Hime e Chico Buarque, 1977), cantada sem drama, com a dose exata de emoção e melancolia pedida por essa canção de separação. Assim como Atrás da porta (Francis Hime e Chico Buarque, 1972) soou mais pungente quando a primeira parte da melodia foi soprada pelo sax soprano de Marcelo Bernardes, integrante da virtuosa big-band arregimentada pelo maestro para tocar no show dirigido por Flávio Marinho - sem invenções de moda, prejudiciais a um recital - e perpetuado na gravação feita no Espaço Tom Jobim. De todo modo, resultou magistral a apresentação captada pela gravadora Biscoito Fino - em parceria com o Canal Brasil - para edição de CD ao vivo e DVD programados para 2015. Ao piano, tocado com absoluta precisão no número solo Canção apaixonada (Francis Hime e Olivia Hime, 2014), o músico maestro regeu sua mini-orquestra e mostrou a exuberância de melodias como a do samba-enredo que batiza o disco e o show, Navega ilumina, parceria com o poeta Geraldo Carneiro cujos vocais femininos evocam por vezes a jobiniana Banda Nova. Regidos por seu maestro, soberano na apresentação feita com fluência e sem pausas para repetições (deixadas para depois do bis), os músicos da big-band tiveram realçados os toques de seus instrumentos. Se o violoncelo de Hugo Pilger sublinhou o lirismo de Minha (Francis Hime e Ruy Guerra, 1966), a flauta de Dirceu Leite ajudou Francis a levar o samba de tom bossa-novista Sessão de tarde (Francis Hime e Joana Hime, 2014). Já Cristina Braga - que entrou em cena na valsa Amorosa (Francis Hime e Olivia Hime, 2014) - brilhou, majestosa, em Cecília - Fantasia para harpa e orquestra (Francis Hime, 2014), tema arquitetado dentro dos rigores da música erudita. Em contrapartida, a graça de Lua de cetim (Francis Hime e Olivia Hime, 1981) não foi iluminada a contento no dueto sem viço da vocalista Eliza Lacerda com Francis. Mas são detalhes pequenos de grande show, encerrado no bis com a épica Parceiros (1984), composição de Francis com Milton Nascimento. Entre um samba novo como o questionador Mistério (2014) e um samba antigo como Amor barato (Francis Hime e Chico Buarque, 1981), o maestro reitera sua maestria na construção de melodias envolventes, não raro sublimes. Em águas passadas ou no produtivo tempo presente, o show Navega ilumina se acende sob a luz da contínua inspiração do grande Francis Hime.

Francis põe parcerias com Chico e com Milton no roteiro de gravação ao vivo

 Parceria bissexta de Francis Hime com Milton Nascimento, Parceiros - música lançada por Francis há 30 anos no álbum Essas parcerias (Elenco / Opus Columbia, 1984) - foi a grande surpresa da estreia carioca de Navega ilumina, show baseado no magistral álbum homônimo lançado por Francis neste mês de novembro de 2014. Música menos conhecida dentre as parcerias feitas por Francis Hime com Chico Buarque nos anos 1970 e 1980, Luiza - lançada por Francis no álbum Passaredo (Som Livre, 1977) - foi outra presença surpreendente no roteiro do show em número feito por Francis em dueto com a vocalista Malu Von Kruger. Na sequência imediata da chegada ao mercado fonográfico do álbum Navega ilumina, posto nas lojas em edição física em CD via Selo Sesc, o cantor, compositor, pianista e maestro carioca fez a gravação ao vivo do show para edição de CD e DVD programados para serem lançados em 2015 pela gravadora Biscoito Fino em parceria com o Canal Brasil. A gravação aconteceu na noite de ontem, 23 de novembro de 2014, em show feito no Espaço Tom Jobim, no Rio de Janeiro (RJ), dentro da programação da 52ª edição do Festival Villa-Lobos. Além das exuberantes composições do disco Navega ilumina, o artista reviveu parcerias antigas com Vinicius de Moraes (1913 - 1980) - como a seminal Sem mais adeus, que deu início em 1963 ao cancioneiro de Francis - e com Chico Buarque, de cuja parceria o maestro também recordou os sucessos Passaredo (1975) e Trocando em miúdos, músicas gravadas no álbum de 1977 em que Luiza veio ao mundo como homenagem às respectivas filhas dos parceiros, ambas chamadas Luiza. A canção Trocando em miúdos foi ouvida na gravação ao vivo na voz da cantora Olivia Hime - que orquestrou a produção do show dirigido por Flávio Marinho - já no bis, em número que apresentou a mais bela interpretação vocal da apresentação. Outras parcerias com Chico, como Atrás da porta (1972) e Amor barato (1981), também entraram na pauta da gravação ao vivo. Eis o roteiro seguido por Francis Hime - em foto de Mauro Ferreira - no Espaço Tom Jobim, no Rio de Janeiro (RJ), em 23 de novembro de 2014, no show feito pelo artista carioca com os grandes músicos Mauricio Carrilho (violão), Jorge Helder (baixo), Jayme Vignolli (cavaquinho), Marcus Thadeu (bateria), Magno Cordeiro (percussão), Dirceu Leite (sax alto, clarone e flauta), Marcelo Bernardes (clarinete, sax soprano, sax tenor), Cristiano Alves (clarinete e clarone) e Hugo Pilger (violoncelo), com as vocalistas Eliza Lacerda e Malu Von Kruger e com as participações realmente especiais de Claudio Cruz (violino), Cristina Braga (harpa) e Olivia Hime (voz):

1. Navega ilumina (Francis Hime e Geraldo Carneiro, 2014) - trecho
2. Sem mais adeus (Francis Hime e Vinicius de Moraes, 1963)
3. Maria da Luz (Francis Hime e Vinicius de Moraes, 2014) - com Cristina Braga
4. Cecília - Fantasia para harpa e orquestra (Francis Hime, 2014) - com Cristina Braga
5. Minha (Francis Hime e Ruy Guerra, 1966)
6. Amorosa (Francis Hime e Olivia Hime, 2014)
7. Ilusão (Francis Hime, 2014)
8. Luiza (Francis Hime e Chico Buarque, 1977) - com Malu Von Kruger
9. Sessão da tarde (Francis Hime e Joana Hime, 2014)
10. Lua de cetim (Francis Hime e Olivia Hime, 1981) - com Eliza Lacerda
11. Isabel - Fantasia para violino e orquestra (Francis Hime, 2014) - com Claudio Cruz
12. Passaredo (Francis Hime e Chico Buarque, 1975)
13. Atrás da porta (Francis Hime e Chico Buarque, 1972)
14. Breu e graal (Francis Hime e Thiago Amud, 2014)
15. Amor barato (Francis Hime e Chico Buarque, 1981)
16. Mistério (Francis Hime, 2014)
17. Navega ilumina (Francis Hime e Geraldo Carneiro, 2014)
Bis:
18. Canção apaixonada (Francis Hime e Olivia Hime, 2014)
19. Trocando em miúdos (Francis Hime e Chico Buarque, 1977)
20. Parceiros (Francis Hime e Milton Nascimento, 1984)
21. Meu caro amigo (Francis Hime e Chico Buarque, 1976)

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

'Navega ilumina' expõe maestria da obra de Francis do popular ao erudito

Resenha de CD
Título: Navega ilumina
Artista: Francis Victor Walter Hime
Gravadora: Selo Sesc / Biscoito Fino (edição digital)
Cotação: * * * * 1/2

 Aos 72 anos, Francis Victor Walter Hime se confirma um dos maiores nomes da música brasileira de todos os tempos com a edição de seu álbum Navega ilumina, lançado neste mês de novembro de 2014 pelo Selo Sesc em parceria com a gravadora Biscoito Fino (responsável pela edição digital do disco). Após CD gravado por Hime com seu conterrâneo Guinga e centrado em regravações dos títulos mais expressivos dos cancioneiros de ambos os artistas, o cantor, compositor e pianista carioca volta a apresentar repertório inédito com a maestria habitual. Do samba popular à música rotulada como erudita, o parceiro do poeta Geraldo Carneiro na música-título Navega ilumina - samba-enredo gravado com coro feminino de tom lírico e ornamentado com letra que faz ode à felicidade e à integração do povo da cidade do Rio de Janeiro (RJ) - se mostra novamente inspirado na criação de melodias grandiosas, não raro geniais. A de Amorosa abre o disco na forma de valsa-canção que ecoa sons de tempos idos e faz declaração de amor ao Rio através de esperançosos versos de Olivia Hime, parceira de Francis na vida e na música. Por falar em poesia, o disco ostenta versos assinados por seu criador, letrista bissexto que se revela afinado na escrita de dois sambas divinos, Ilusão e Mistério, ambos magistralmente orquestrados, sendo que Mistério tem moldura mais sinfônica. Entre um samba e outro, Navega ilumina apresenta Maria da Luz, parceria inédita de Francis com o poeta e compositor Vinicius de Moraes (1913 - 1980). Maria da Luz era para ter nascido nos anos 1970, como tema para balé jamais concretizado (Polichinelo, ideia do cineasta francês Jean Gabriel Albicocco). Só que Francis acabou não fazendo a melodia para o poema que Vinicius lhe deixou em manuscrito reencontrado recentemente. Nasceu, então, quadro década depois do previsto, Maria da Luz, canção que remente ao universo lírico e dolente das primeiras músicas compostas por Hime com Vinicius, seu primeiro parceiro, com quem Francis despontou como compositor em 1963. Se Canção noturna reitera a total afinidade entre a música de Francis e a poesia de Olivia, Beatriz - Choro seresta é belíssimo tema camerístico solado por Francis ao piano. Dentro do universo da música de concerto, Navega ilumina apresenta outros dois magnéticos temas instrumentais, Cecília - Fantasia para harpa e orquestra (solado pela harpa virtuosa de Cristina Braga) e Isabel - Fantasia para violino e orquestra, que reiteram a maestria do maestro e compositor. Beatriz, Cecília e Isabel - a propósito - são os nomes das netas que Francis celebra neste disco concebido em universo familiar em todos os sentidos. A filha Joana Hime é a letrista de Sessão da tarde, o samba melodicamente menos inspirado do álbum (na comparação com a genialidade dos outros três sambas do disco). Sessão da tarde tem placidez bossa-novista. Já Breu e Graal - parceria de Francis com o talentoso Thiago Amud - aponta caminhos mais inusitados tanto do ponto de vista rítmico e melódico quanto poético. Menos sedutora das três parcerias de Francis com Olivia Hime, mas ainda assim bela, Canção apaixonada sublinha a sensação de que Navega ilumina é disco entranhado em universo musical de outrora. O álbum soa antigo, mas jamais velho. Ao contrário, Navega ilumina é banhado pelo vigor jovial de Francis Hime na composição de melodias que, afinadas com letras embebidas em lirismo poético, satisfazem os ouvintes mais exigentes da MPB.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Francis grava ao vivo, no Rio, show do disco de inéditas 'Navega ilumina'

Nem bem lançou seu disco de inéditas Navega ilumina, editado pelo Selo Sesc neste mês de novembro de 2014, Francis Hime já se prepara para gravar ao vivo o show baseado no álbum para edição de DVD, programado para chegar ao mercado fonográfico em 2015 através da gravadora Biscoito Fino. A gravação ao vivo vai ser feita pelo cantor e compositor carioca - em foto de Leo Aversa - em 23 de novembro de 2014 em show no Espaço Tom Jobim, no Rio de Janeiro (RJ). No roteiro, estão previstos sucessos de seus 50 anos de carreira e músicas inéditas do disco, como Amorosa (parceria com Olivia Hime) e Maria da Luz, canção de melodia criada por Francis sobre manuscrito do poeta e compositor Vinicius de Moraes (1913 - 1980). Francis - que debutou como compositor em 1963 em parceria com o então já consagrado Vinicius - encontrou o manuscrito recentemente. O (grande) samba-enredo que dá nome ao CD é de Francis com Geraldo Carneiro.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Francis Hime vai lançar em novembro álbum de inéditas 'Navega ilumina'

 Já há cinco anos sem lançar disco de inéditas, o cantor e compositor carioca Francis Hime renova seu repertório com o lançamento em novembro de 2014 do álbum Navega ilumina. O título do disco - que vai ser lançado pela gravadora Biscoito Fino- é extraído de samba-enredo assinado por Francis com o poeta e compositor Geraldo Carneiro. O último disco de inéditas de Francis, O tempo das palavras...  Imagem, foi lançado em 2009, também pela Biscoito Fino.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Na 10ª formação, Os Cariocas estão aí com CD que tem Chico e Francis

Primeiro disco do conjunto vocal Os Cariocas com sua 10ª formação, Estamos aí chega às lojas pela gravadora Biscoito Fino ainda neste mês de setembro de 2013, 65 anos após o lançamento do primeiro disco do grupo carioca, um 78 rotações editado em 1948. Em Estamos aí, Severino Filho (primeira voz e único nome presente em todas as formações d'Os Cariocas), Fabio Luna (segunda voz), Neil Teixeira (terceira voz) e Eloi Vicente (quarta voz) cantam repertório que destaca O amor em movimento (inédita de Chiquito Braga e Ronaldo Bastos feita para Os Cariocas), Madame quer sambar - samba de Joyce, Roberto Menescal e Carlos Lyra que soluciona a questão proposta em Pra que discutir com madame? (Janet de Almeida e Haroldo Barbosa) - e Eu e a brisa (Johnny Alf), faixa em que o quarteto conta com uma quinta voz, a de Hernane Castro, um ex-integrante d'Os Cariocas. Francis Hime toca seu piano em A noiva da cidade, parceria com Chico Buarque. E por falar em Chico, o cantor e compositor carioca pôs voz na regravação de Januária, música de sua lavra, lançada em 1967. O registro de Januária é homenagem a Antônio José Waghabi Filho (1943 - 2012), o Magro, integrante do grupo MPB-4 falecido há pouco mais de um ano. A música que dá título ao CD é Estamos aí, a já clássica parceria de Maurício Einhorn e Durval Ferreira com Regina Werneck.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Francis e Guinga unem canções e afetos em álbum grande como suas obras

Resenha de CD
Título: Francis e Guinga
Artista: Francis Hime e Guinga
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * * 1/2

 Os caminhos musicais de Francis Hime e Guinga se cruzaram em 1976 na gravação de Canto das três raças, álbum que marcou o encontro da cantora mineira Clara Nunes (1942 - 1983) com o compositor e produtor carioca Paulo César Pinheiro. No registro da valsa Ai, quem me dera (Vinicius de Moraes), uma das dez músicas do disco, Guinga tocou o violão do arranjo criado por Francis. Nasceu ali uma admiração entre os dois compositores e músicos cariocas que, 37 anos depois, gera o primeiro disco gravado em dupla pelos artistas. Francis e Guinga - o CD que a gravadora Biscoito Fino está lançando neste mês de fevereiro de 2013 - irmana as obras dos dois compositores na mesma estrutura do roteiro do show estreado por Francis e Guinga em 23 de outubro de 2012 no Studio RJ, no Rio de Janeiro (RJ), dentro do evento Noite Jazzmania (clique aqui para ler a resenha do show postada em Notas Musicais). Os cancioneiros dos compositores se entrelaçam em medleys que unem as músicas por afinidades rítmicas e temáticas, sendo que, normalmente, um compositor dá voz à música do outro. A noiva da cidade (Francis Hime e Chico Buarque, 1976), por exemplo, é entoada (lindamente) por Guinga no medley que a une com Senhorinha (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1986), cantada por Francis no tom de modinha que pauta a faixa. Aliás, além de excepcional compositor, de talento atestado já nos anos 70 por cantoras como a citada Clara Nunes e Elis Regina (1945 - 1982), Guinga foi se revelando intérprete capaz de alcançar emoções profundas com sua voz rouca. Seu solo em Saudade de amar (Francis Hime e Vinicius de Moraes, 1966) - música da fase em que Francis era visto como um dos expoentes da segunda fase da Bossa Nova - é um dos ápices deste disco que realça todo o lirismo e toda a poesia de obras de almas afins. Essa irmandade salta aos ouvidos quando Francis canta Noturna (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1991), para citar somente um exemplo. Não, Francis não é um intérprete tão imponente quanto Guinga. Contudo, mesmo que não atinja profundas regiões emotivas com sua voz sempre bem colocada, Francis também se mostra um intérprete habilidoso ao abordar temas do colega como Mar de Maracanã (Guinga e Edu Kneip, 2007). Paradoxalmente, ao mesmo tempo em que expõe as afinidades entre os cancioneiros dos compositores ao irmaná-los em medleys como o que junta Porto de Araújo (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1989) com Desacalanto (Francis Hime e Olivia Hime, 2006) e o que une Saci (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1993) com Parintintin (Francis Hime e Olivia Hime, 1980), o CD Francis e Guinga também realça as individualidades dos autores. Fica nítido que é de Francis o desenho melódico da segunda parte da instantânea obra-prima A ver navios, uma das duas inéditas parcerias de Francis com Guinga lançadas no disco. A ver navios navega em águas densas, no tom poético dos versos de Olivia Hime, letrista do tema. Quase tão genial quanto A ver navios, a outra parceria inédita de Francis e Guinga, Doentia, tem versos de Thiago Amud, que perfila na letra o caráter escorregadio de mulher que "tem a lábia de uma atriz". Enfim, diante da magnitude das obras de Francis Hime e Guinga, o álbum Francis e Guinga - gravado somente com o piano de Francis e o violão de Guinga - logo se impõe naturalmente como um grande disco ao cruzar harmoniosamente as canções e os afetos destes dois gênios da Música Popular Brasileira em união pautada por uma beleza atemporal.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Com sons e silêncios cúmplices, casal Hime expõe o seu refúgio musical

Resenha de CD e DVD
Título: Almamúsica ao Vivo - Sons & Silêncios
Artista: Francis Hime & Olivia Hime
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * *

No início do documentário Sons & Silêncios, exibido no DVD em que Francis Hime & Olivia Hime perpetuam o show Almamúsica (2011), a cantora e compositora carioca abre a janela da casa de Itaipava (Petrópolis, RJ), refúgio do casal. A abertura da janela simboliza a permissão para que o espectador do vídeo entre na intimidade (ensaiada) dos Hime. É nesse documentário - filmado sob a direção de Wiland Pinsdorf - que o casal discorre com simulada naturalidade sobre detalhes do show inspirado no belo disco de estúdio lançado em 2011 enquanto comenta detalhes da paisagem bucólica e apresenta temas como Se Todos Fossem Iguais a Você (Tom Jobim e Vinicius de Moraes, 1956), cantados por Olivia e Francis ao pé do piano tocado pelo compositor. Captado para edição em DVD e CD ao vivo em apresentações feitas em 26 e 27 de novembro de 2011 no Teatro Fecap, em São Paulo (SP), o bom show Almamúsica é - como o disco que o gerou - sensível relicário do casal, bordado em tons afetivos a partir das costura de seis quadros alinhados no roteiro assinado por Francis e Olivia. Por sua própria natureza íntima, o show parece moldado para palcos pequenos em que se observa a cumplicidade do casal em cena. Na transposição para o DVD, parte dessa intimidade se perde, mas permanecem a refinada musicalidade que pauta as suítes - clique aqui para ler a resenha da estreia nacional do show - e os textos que destoam do tom íntimo do recital. Em cena, há somente o piano do compositor e as vozes de Francis e Olivia a encadear, numa atmosfera clássica, temas de compositores como Ary Barroso (1903 - 1964) e Tom Jobim (1927 - 1994), entre músicas da lavra do próprio casal. No início da exibição do show no DVD, Olivia Hime fecha a janela da casa de Itaipava. É como se, a partir dali, ao espectador fosse permitido somente apreciar o trabalho tal como ele é exposto no palco. E no palco brotam, dos sons e dos silêncios cúmplices do casal, os bons momentos deste CD/DVD Almamúsica ao Vivo.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Em perfeita harmonia, Francis e Guinga irmanam as obras em show poético

Resenha de show
Evento: Noite Jazzmania
Título: Guinga & Francis Hime
Artistas: Francis Hime e Guinga (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Studio RJ (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 23 de outubro de 2012
Cotação: * * * * 1/2

♪ "Tarja preta...". Feito em voz alta, logo que Francis Hime e Guinga acabaram de apresentar ao público do Studio RJ a primeira parceria dos compositores, A ver navios, o comentário espirituoso sobre a canção, letrada com lirismo por Olivia Hime, aludiu à densidade poética do tema, que já nasceu com cara de obra-prima. Compositores de alto nível, da turma que cria melodias requintadas e jamais abre mão da poesia, Francis e Guinga irmanaram suas obras em belo show que deu prévia do (possivelmente grande) disco que vai ser lançado no primeiro semestre de 2013 pela gravadora Biscoito Fino. Embora vá apresentar parcerias inéditas dos compositores, como Doentia, em que Thiago Amud perfila na letra o caráter escorregadio de mulher que "tem a lábia de uma atriz", o álbum vai estar centrado - tal como o show feito em 23 de outubro de 2012 - no entrelaçamento dos cancioneiros de Francis e Guinga. A exposição das afinidades entre as obras saltou aos ouvidos em medleys temáticos que costuraram canções de um e de outro com perfeita harmonia. Se Nem mais um pio (Guinga e Sérgio Natureza, 2001) se irmana com Passaredo (Francis Hime e Chico Buarque, 1975) no retrato bucólico da fauna brasileira, Saci (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1993) pula vivaz - em dueto dos compositores transformados em cantores por força do ofício (embora Guinga tenha se revelado grande intérprete ao longo dos anos) - em medley que o conecta com a brasilidade de Parintintin (Francis Hime e Olivia Hime, 1980). Se o ainda inédito Cambono (Guinga e Thiago Amud, 2012) cai no samba com a ambiência afro que aclimata Anoiteceu (Francis Hime e Vinicius de Moraes, 1968), Porto de Araújo (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1989) transporta a carga pesada que embala os versos desassossegados escritos por Olivia Hime para Desacalanto, parceria com Francis, lançada pelo compositor no álbum Arquitetura da flor (2006). Com Francis ao piano e Guinga ao violão, os compositores alternam vocais ao revisitar o próprio cancioneiro e ao abordar a obra alheia. Fã das canções de amor, Guinga conduz Minha (Francis Hime e Ruy Guerra, 1966) momentos após Francis iluminar Noturna (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1991). É fato que o canto de Francis não traduz toda a carga emocional dessas canções de amor (às vezes dilacerado) - como fica evidente no bis quando o compositor sola Atrás da porta (Francis Hime e Chico Buarque, 1972). Contudo, essa falta de vocação para interpretações intensas jamais embaça o brilho de show que evoca os climas das modinhas imperiais no medley que agrega Senhorinha (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1983) - tema que Francis solou sem o rigor estilístico das interpretações de Mônica Salmaso e Nana Caymmi - e A noiva da cidade (Francis Hime e Chico Buarque), canção de beleza inebriante que Guinga não conseguiu cantar até o final, vencido pela emoção traduzida pelo choro incontido no meio do tema, cuja origem remete à música Amor a esmo, lançada por Francis em LP de 1964 quando ainda integrava o conjunto Os Seis em Ponto (a letra de Chico Buarque foi feita nos anos 1970 para a trilha sonora do filme A noiva da cidade). Cariocas, Francis e Guinga fizeram a bola rolar redonda no medley que uniu Mar de Maracanã (Guinga e Edu Kneip, 2007) - tema cantado por Francis com Guinga ao violão - e Maracanã (Francis Hime e Paulo César Pinheiro, 1997), samba de arquitetura menos empolgante no qual os artistas fizeram tabelinha vocal. E tudo acabou - antes do bis - em samba, E se, parceria menos ouvida de Francis e Chico Buarque. Em sintonia, harmonizados pela sofisticação dos respectivos cancioneiros, Francis Hime e Guinga protagonizaram show que, por analogia, ressaltou os parentescos de obras grandes e afins que, irmanadas em cena, dão a impressão de serem ainda maiores do que já são.

Roteiro de show de Francis com Guinga linka temas afins dos compositores

 Prévia do disco que vai ser lançado no primeiro semestre de 2013 pela gravadora Biscoito Fino, o show que juntou Francis Hime e Guinga no palco do Studio RJ em 23 de outubro de 2012 - na comemoração de um ano do projeto Noite Jazzmania - expôs e realçou afinidades entre as obras destes dois magistrais compositores cariocas. Aberto e fechado com as duas primeiras parcerias dos artistas,  A ver navios (Francis Hime, Guinga e Olivia Hime) e Doentia (Francis Hime, Guinga e Thiago Amud), o roteiro foi montado essencialmente com medleys temáticos que linkam uma composição de Francis com outra de Guinga. Destas obras, o afro-samba Cambono (Guinga e Thiago Amud) se diferenciou por ainda ser inédito. Eis o roteiro seguido pelos cantores, músicos e compositores Francis Hime e Guinga - em foto de Mauro Ferreira - na estreia do poético show que arrebatou todo o público que foi à casa de shows do Rio de Janeiro (RJ) em 23 de outubro de 2012:

1. A ver navios (Francis Hime, Guinga e Olivia Hime, 2012)
2. Nem mais um pio (Guinga e Sérgio Natureza, 2001) /   
    Passaredo (Francis Hime e Chico Buarque, 1975)
3. Cambono (Guinga e Thiago Amud, 2012) /
    Anoiteceu (Francis Hime e Vinicius de Moraes, 1968)
4. Saci (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1993) /
    Parintintin (Francis Hime e Olivia Hime, 1980)
5. Porto de Araújo (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1989) /
    Desacalanto (Francis Hime e Olivia Hime, 2006)
6. Noturna (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1991) /
    Minha (Francis Hime e Ruy Guerra, 1966)
7. A noiva da cidade (Francis Hime e Chico Buarque, 1976) /
    Senhorinha (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1986)
8. Saudade de amar (Francis Hime e Vinicius de Moraes, 1966)
9. Mar de Maracanã (Guinga e Edu Kneip, 2007) /
    Maracanã (Francis Hime e Paulo César Pinheiro, 1997)
10. E se (Francis Hime e Chico Buarque, 1980)
Bis:
11. Catavento e girassol (Guinga e Aldir Blanc, 1993)
12. Atrás da porta (Francis Hime e Chico Buarque, 1972)
13. Doentia (Francis Hime, Guinga e Thiago Amud, 2012)

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Francis Hime e Guinga abrem parceria em CD que será lançado em 2013

♪ Em 2013, Francis Hime e Guinga vão lançar álbum gravado no estúdio da gravadora Biscoito Fino, no Rio de Janeiro (RJ), ao longo deste ano de 2012. Durante os ensaios do disco, os compositores abriram parceria e compuseram juntos músicas que ganham o primeiro registro no disco dos dois artistas. Entre elas, há A ver navios (assinada com Olivia Hime) e Doentia (composta com a adesão de Thiago Amud). O repertório do disco - que tem lançamento previsto para fevereiro de 2013 pela Biscoito Fino - entrelaça músicas das obras dos dois compositores com arranjos inéditos. De Francis, entraram Passaredo (Francis Hime e Chico Buarque, 1975), Minha (Francis Hime e Ruy Guerra, 1966) e A noiva da cidade (Francis Hime e Chico Buarque, 1976). Guinga - em foto de Maria Paola Tallini - assina Saci (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1993), Senhorinha (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1983) e Nem mais um pio (Guinga e Sergio Natureza, 2001), entre outras músicas.

domingo, 5 de junho de 2011

Casal Hime tece bordado afetivo em show que expande costura do disco

Resenha de show
Título: Almamúsica
Artista: Francis Hime & Olivia Hime (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Teatro Café Pequeno (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 4 de junho de 2011
Cotação: * * * *
Show em cartaz às sextas-feiras, sábados e domingos de junho de 2011 no Café Pequeno
exceto em 19 de junho, quando estará em cartaz no Auditório Ibirapuera (São Paulo, SP)

As rendas e bordados que emolduram com delicadeza o palco do Teatro Café Pequeno durante o show Almamúsica - apresentado por Francis Hime e Olivia Hime em temporada que se estende por todos os finais de semana de junho - não estão lá por acaso. Iluminado pela bela luz de Paulo César Medeiros, o cenário de Edward Monteiro traduz com exatidão o espírito de Almamúsica. Em cena, o casal tece o bordado do amor em série de quadros musicais que expandem a fina costura feita no recém-lançado disco homônimo do show. Os artistas abrem diante do público um diário afetivo escrito com notas musicais, para usar as palavras usadas por Olivia para conceituar o show na estreia da temporada carioca. Tanto que Saudade de Amar (Francis Hime e Vinicius de Moraes), reminiscência dos tempos de namoro, abre a cortina do passado amoroso. De modo geral, o diretor Flávio Marinho consegue reproduzir no pequeno palco do café a atmosfera íntima do CD, criando ambiência delicada que somente é cortada pela efusiva (e destoante) saudação aos sambistas de hoje e de ontem. Conduzida pelo piano de Francis, seu maestro na música e na vida, Olivia solta a voz em músicas como A Ostra e o Vento (Chico Buarque), encadeada em suíte com músicas marítimas de Dorival Caymmi (1914 - 2008). Francis puxa a rede com O Mar, Olivia segue ao cantar a Morena do Mar e, na sequência, o casal harmoniza vozes em João Valentão. A propósito, disco e show Almamúsica fazem Francis se exercitar como intérprete de obras alheias. Ao piano, ele até volta e meia extrapola seu terreno autoral - como na suíte frenética do bis que costura temas como Garota de Ipanema (Tom Jobim e Vinicius de Moraes), Aquele Abraço (Gilberto Gil) e Vai Passar (Francis Hime e Chico Buarque). Contudo, como cantor, Francis nunca saiu tanto de seu universo autoral como em Almamúsica. Ainda que sejam de Olivia as melhores interpretações do show. Com a voz lapidada por maturidade que somente o tempo traz, Olivia entoa A Minha Valsa - versão de Ronaldo Bastos para La Valse des Lilas (Michel Legrand, Eddie Barclay e Eddie Marnay), já gravada por Nana Caymmi - e realça com divisão e entonação apropriadas o humor contido na Canção de Pedroca (Francis Hime e Chico Buarque). É também na voz dela que Trocando em Miúdos (Francis Hime e Chico Buarque) dá o ponto inicial no quadro do desencontro, tecido com a oportuna lembrança do samba-canção Risque (Ary Barroso) pela voz de Francis. Neste número, em silêncio, Olivia se posiciona de costas para o cantor e pianista em marca teatral do diretor Flávio Marinho que simboliza o desencontro, mote desse bloco mais denso em que os cantores recorrem a um segundo samba-canção de Ary Barroso (1903 - 1964), Pra Machucar meu Coração. Bela inédita de Francis com Olivia, Almamúsica prepara o fim, simbolizando a redenção dos amantes pela música. Seguem-se então Canta, Maria (acalanto do recorrente Ary Barroso) e o realce de um verso de Desde que o Samba É Samba (Caetano Veloso) - "Cantando eu mando a tristeza embora" - que reitera a força redentora da música na vida. No bis, tudo acaba em harmonia quando o casal Hime expressa o amor mútuo em Eu Não Existo sem Você (Tom Jobim e Vinicius de Moraes), tema que celebra a inexorável comunhão afetiva de duas almas - no caso, almas embebidas em música da mais alta costura.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Relicário afetivo, 'Almamúsica' reitera harmonia do casal Hime em disco

Resenha de CD
Título: Almamúsica
Artista: Olivia Hime & Francis Hime
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * *

Primeiro disco gravado conjuntamente por Francis Hime com Olivia Hime em 46 anos de vida amorosa, Almamúsica deve ser apreciado como um relicário afetivo do casal. As 26 músicas cantadas ou citadas ao longo das seis faixas-suítes do álbum formam mosaico de significado entendido plenamente apenas pelos artistas, dois compositores que sempre se harmonizaram na vida e na música. Disco de natureza intimista, até mesmo por conta da opção pelo formato de voz & piano (o de Francis, claro), Almamúsica reitera a harmonia e a afinação do casal Hime. "A intenção foi fazer uma viagem musical a partir de algumas canções que nos marcaram", conceitua Francis logo no início do texto que escreveu para o encarte, de arte gráfica delicada como o disco em si. Nessa viagem, a condução é do maestro Francis com seu piano sempre preciso, sem firulas ou notas jogadas fora apenas para mostrar um virtuosismo que já é conhecido de todos. "Apesar desse meu jeito cheio de opinião, cheio de argumentos, é tudo mentira: me deixei conduzir por você o tempo todo", ressalta Olivia para Francis num dos trechos mais bonitos da carta em que declara publicamente seu amor ao seu maestro. Dentro desse relicário íntimo e pessoal, urdido com referências afetivas-musicais, salta aos ouvidos tanto Paciência - em belo registro vocal de Olivia - como o dueto do casal em Saudade de Amar, antiga parceria de Francis com Vinicius de Moraes (1913 - 1980), a música que ele cantava para ela no início do namoro. Na quarta das seis suites, o apropriado entrelaçamento da Canção de Pedroca - composta por Francis para o musical O Rei de Ramos (1979) com múltiplas referências ao universo francês na letra escrita por Chico Buarque - com dois temas do repertório de Yves Montand, Du Soleil Plein la Tête e Chiens Perdus Sans Collier, sinaliza que tudo tem um sentido por mais que esse sentido nem sempre seja perceptível ou explícito. Para o ouvinte pouco interessado na intimidade conjugal dos artistas, Almamúsica se sustenta pelo bom gosto do repertório selecionado. Parceria de Olivia com Francis, a inédita faixa-título já valeria o disco com suas camadas de sons e silêncios que louvam a deusa música. Uma segunda inédita, Balada do Café Triste, composta por Francis com versos do poeta Geraldo Carneiro, também se impõe dentro desse repertório majoritariamente já conhecido. Contudo, músicas pouco ouvidas pelo público em geral - casos de Minas Geraes (Novelli e Ronaldo Bastos) e de História Antiga (Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro), tema solado por Francis com ares melancólicos das modinhas do século 19 - dão ao disco valor adicional e mostram que nem tudo é conhecido na medida de sua beleza. Ao fim da viagem, quando Olivia entoa Canta Maria (acalanto  com o qual sua mãe a ninou e com o qual Olivia embalou o sono de suas filhas), o ouvinte está impregnado da sensibilidade e musicalidade refinadas que pautam Almamúsica, disco que pede atmosfera calma e contemplativa para que seja degustado em sua plenitude.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Primeiro disco de Francis com Olivia Hime, 'Almamúsica' já está no forno

Primeiro disco assinado conjuntamente pelo casal Olivia & Francis Hime, Almamúsica já está no forno da gravadora Biscoito Fino. O CD vai chegar às lojas ainda neste mês de maio de 2011. O álbum está estruturado em seis quadros. Eis a divisão do repertório em Almamúsica:

1. Alma Música
2. Valsa de Eurídice / Saudade de Amar / O Grande Amor / Tristeza e Solidão / Lamento no Morro (citação)/ A felicidade (citação) / Desde que o Samba é Samba / Smile / Minas Gerais (citação) / Paciência / Morro Velho (citação)

3. A Ostra e o Vento / Senhorinha (citação) / História Antiga  / Canta Maria / Olha Maria / Valsa Dueto / Valsa de Eurídice (citação)
4. Du Soleil Plen La Tete / Canção de Pedroca / Chiens Perdus Sans Collier

5. Tristão e Isolda (citação) / O Que Será (À Flor da Pele) /  Balada de um Café Triste / Minas Gerais (citação) / Alma Música
6. Canta Maria

terça-feira, 19 de abril de 2011

Olivia e Francis cantam Ary, Minas e suíte de 'Eurídice' em 'Alma Música'

Parceria inédita de Francis Hime com sua mulher Olivia Hime, Alma Música dá título ao primeiro disco gravado e assinado conjuntamente pelo casal. A música abre e fecha o CD, estruturado a partir do que Francis chama de quadros. Há um quadro dedicado às canções de Minas Gerais, por exemplo. Outro é uma suíte criada a partir da Valsa de Eurídice, de Vinicius de Moraes (1913 - 1980).  Entre temas instrumentais e sucessos de várias épocas da música brasileira, Alma Música inclui Canta, Maria, tema de Ary Barroso (1903 - 1964) que Olivia ouviu na voz de sua mãe e que ela própria cantou ao ninar as filhas que teve com Francis. Alma Música chega às lojas entre maio e junho de 2011 em edição da gravadora Biscoito Fino.

sábado, 27 de novembro de 2010

Biscoito Fino lança CD em que Osesp toca concertos de Hime e Ayres

Dando continuidade à serie de lançamentos de registros ao vivo de concertos da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, a gravadora Biscoito Fino põe nas lojas neste mês de novembro de 2010, através de seu selo Biscoito Clássico, um CD em que a Osesp toca peças orquestrais assinadas por Francis Hime - pianista e compositor popular que transita também pelo terreno erudito - e pelo também pianista e  compositor Nelson Ayres. De Hime, a Osesp toca o Concerto para Violão e Orquestra, solado por Fabio Zanon - sob a regência de Alondra de la Parra - e gravado em novembro de 2009 na Sala São Paulo (SP). De Ayres, a peça perpetuada no disco é o Concertino para Percussão e Orquestra, encomendado a Ayres em 2000 pelo maestro John Neschling - diretor artístico da Osesp entre 1997 e 2008 - e gravado na mesma Sala São Paulo em dezembro de 2008, quando a Osesp ainda era regida por Neshling. Em texto escrito para o encarte o disco, Hime conta que foi o violonista Raphael Rabello (1962 - 1995) que lhe encomendou o Concerto para Violão e Orquestra, estruturado pelo compositor em três movimentos (Modinha, Ibéria e Ponteio) que evocam Brasil e Espanha.