Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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domingo, 18 de outubro de 2015

Com Horta, Alaíde derrama alegrias e dramas guardados nos cofres mineiros

Resenha de CD
Título: Alegria é guardada em cofres, catedrais
Artista: Alaíde Costa e Toninho Horta
Gravadora: Minas Records
Cotação: * * *

Com a autoridade de ter sido a única presença feminina no álbum duplo Clube da Esquina (EMI-Odeon, 1972), a cantora carioca Alaíde Costa já dedicou disco ao cancioneiro do sócio fundador do clube mineiro, Milton Nascimento. A diferença de Amor amigo - Alaíde Costa canta Milton (Lua Music, 2008) para Alegria é guardada em cofres, catedrais - álbum gravado em 2012 para celebrar os 40 anos do LP de 1972, com produção de Geraldo Rocha, e efetivamente lançado neste ano de 2015 pela gravadora Minas Records - é a presença luxuosa de Toninho Horta (no violão e na guitarra) e o fato de que, desta vez, a cantora dá voz não apenas a temas de Milton, mas também a compositores associados ao gregário movimento pop das Geraes. De todo modo, há três músicas recorrentes nos dois álbuns. Entre elas, Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967) e Outubro (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967). O título Alegria é guardada em cofres, catedrais foi extraído do verso do samba Aqui, oh! (1969), parceria de Horta com Fernando Brant (1946 - 2015), um dos poetas do clube. O samba caiu bem no toque do violão de Horta e no canto de Alaíde. Perto de completar 80 anos, a serem festejados em 8 de dezembro, Alaíde é dona de estilo singular de canto, pautado pela técnica, com direito a prolongamentos de notas. A questão é que esse estilo por vezes lacrimoso nem sempre se ajusta ao tom otimista de músicas como Sol de primavera (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1979) - exceto nos versos "Já choramos muito / Muitos se perderam no caminho". Horta brilha invariavelmente no toque virtuoso de seu violão e de sua guitarra. Já a interpretação de Alaíde oscila porque, se a técnica vocal parece desmentir a chegada dos 80 anos, o estilo às vezes está fora do tom das canções. Por mais que não deixe de se portar no disco como a grande cantora que sempre foi, Alaíde não clareia toda a sensualidade ardente de Nascente (Flávio Venturini e Murilo Antunes, 1977). A voz da cantora se afina mais com o tom dramático de Beijo partido (Toninho Horta, 1975). Embora possa soar idealmente mais leve, Tudo o que você podia ser (Lô Borges e Ronaldo Bastos) se impõe como bom momento de disco aberto com inédito tema instrumental de Toninho, Nos tempos de Paulinho, composto em memória de seu irmão Paulo Horta, também músico (era baixista). Sem você (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1959) - canção presente no repertório em licença poética, já que trata-se da primeira música que Horta ouviu na voz de Alaíde em gravação feita em 1961 com o toque magistral do violão de Baden Powell (1937 - 2000) - encerra o álbum no apropriado tom dramático, até mesmo desesperado, do canto de Alaíde Costa.  A intérprete trilha com (mais) brilho a travessia do drama.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Horta edita no Brasil CD em que toca temas napolitanos com cantor da Itália

Em 2009, o cantor italiano Stefano Silvestri se emocionou ao ouvir pela primeira vez uma composição de Toninho Horta. Era Durango Kid, parceria do compositor, violonista e guitarrista mineiro com seu conterrâneo Fernando Brant (1946 - 2015). Desde então, Silvestri nunca perdeu contato com a música de Horta, ouvindo discos do artista e indo ao shows feitos pelo artista brasileiro na Europa, sobretudo na Itália. Até que Horta notou a existência de Silvestri em master class dada pelo músico mineiro em Mercogliano, no Sul da Itália. O napolitano Silvestri participou da aula magna, na qual teve a oportunidade de cantar temas de sua terra natal, para apreciação de Horta. A admiração ficou mútua entre os artistas e evoluiu para o projeto de um disco, No horizonte de Napoli, lançado no Brasil por Horta em agosto de 2015 através de seu selo Minas Records. Gravado em Belo Horizonte (MG) de janeiro a maio de 2013, sob a direção artística de Horta, o álbum No horizonte de Napoli tem produção musical assinada por Salvatore Dell'Aversano. No disco, Horta toca seu violão em conhecidos temas napolitanos entoados pela voz de Silvestri. A seleção inclui Anema e core (Salve D'Esposito e Tito Manlio, 1950), Maria Mari' (Eduardo Di Capua e Vincenzo Russo, 1899) e Passione (Ernesto Tagliaferri, Nicola Valente e Libero Bovio, 1934). Em alguns temas, além de tocar seu violão magistral, Horta faz vocalizes que por vezes evocam o canto de Milton Nascimento, fundador do clube das esquinas mineiras do qual Horta é sócio importante. Entre os temas adornados com vocalizes de Horta, há Torna a surriento (E. de Curtis e G. de Curtis, 1902), 'O sole mio (Eduardo Di Capua, Giovanni Capurro e Alfredo Mazzucchi, 1898) - hit napolitano que embute no disco citação de Peixe vivo, tradicional tema mineiro - e Resta cu'mme (Domenico Modugno e Dino Verde, 1957).  O disco independente tem 14 temas napolitanos.

domingo, 23 de agosto de 2015

Eis a capa do álbum em que Alaíde canta hits do Clube da Esquina com Horta

Com capa assinada pelo designer mineiro Leonardo Tasori, o álbum em que a cantora carioca Alaíde Costa dá voz a músicas do repertório do Clube da Esquina - somente com o toque do violão do músico e compositor mineiro Toninho Horta - já está no forno. O título inusitado - Alegria é guardada em cofres, catedrais - foi extraído da letra de Aqui, oh! (1969), parceria de Horta com o compositor mineiro Fernando Brant (1946 - 2015). Gravado em 2012, com produção de Geraldo Rocha, o disco vai ser lançado em setembro de 2015 de forma independente. O CD abre com inédito tema instrumental de Toninho, Nos tempos do Paulinho, composto em memória de seu irmão Paulo Horta. O repertório inclui hits de compositores associados ao Clube da Esquina como Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967), Outubro (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967), Beijo partido (Toninho Horta, 1975), Nascente (Flávio Venturini e Murilo Antunes, 1977), Sol de primavera (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1979) e Tudo que você podia ser (Márcio Borges e Lô Borges, 1972). Entre as músicas menos conhecidas, o disco rebobina Saguin (Toninho Horta, 1980) e Bons amigos (Toninho Horta e Ronaldo Bastos, 1980). O repertório tem licença poética com a inclusão de Sem você (Tom Jobim e Vinicius de Moraes, 1959), primeira música que Horta ouviu na voz de Alaíde em gravação de 1961 feita com o violão de Baden Powell (1937-2000).

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Alaíde e Horta finalizam CD em que celebram clube dos autores mineiros

Em 2010, Alaíde Costa e Toninho Horta fizeram em Belo Horizonte (MG) um show de voz e violão. Bisado em 2011, esse show foi o embrião e a motivação do primeiro CD gravado pela cantora carioca com o compositor e guitarrista mineiro. Produzido por Geraldo Rocha, o disco - também de voz e violão - está em fase de finalização em Belo Horizonte (MG) e tem lançamento independente previsto para o fim deste ano de 2012 pelo selo de Horta, Minas Records. No embalo das comemorações pelos 40 anos do álbum Clube da Esquina (1972), Alaíde e Horta decidiram celebrar no álbum a obra dos compositores admitidos no seleto clube. O repertório inclui músicas como Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967), Outubro (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967), Aqui, Oh! (Toninho Horta e Fernando Brant, 1969), Tudo Que Você Podia Ser (Márcio Borges e Lô Borges, 1972), Nascente (Flávio Venturini e Murilo Antunes, 1977), Sol de Primavera (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1979), Bons Amigos (Toninho Horta e Ronaldo Bastos, 1980) e Saguin (Toninho Horta, 1980). Embora seja compositor dissociado do clube mineiro, Tom Jobim (1927 - 1994) é a lembrança afetiva do repertório com Sem Você (Tom Jobim e Vinicius de Moraes, 1959), música que Horta ouviu pela primeira vez na voz de Alaíde. O disco inclui ainda dois temas instrumentais de Horta. Um foi feito em memória do irmão do guitarrista, Paulo Horta, incentivador da carreira musical de Toninho. O outro, Canção Para Alaíde, reverencia a cantora que - cabe lembrar - foi a única presença feminina do belo álbum duplo de 1972 que estabeleceu os estatutos musicais do clube.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Com a guitarra de Horta, Milton celebra, no Rio, os 40 anos da obra de Bosco

♪ No compasso do canto afro do ator mineiro Maurício Tizumba, os tambores de Minas Gerais ressoaram no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro na noite desta quarta-feira, 13 de junho de 2012, para celebrar a obra de João Bosco. Mineiro de alma musical carioca, Bosco foi o grande homenageado da 23º edição do Prêmio da Música Brasileira. Na sequência da abertura da cerimônia com os tambores de Minas, entrou em cena Milton Nascimento, carioca de alma musical mineira, para cantar Agnus sei (João Bosco e Aldir Blanc) - música de 1972 que revelou para o Brasil a obra já quarentona de Bosco - no toque magistral da guitarra de Toninho Horta (visto com Milton na foto de Rodrigo Goffredo). Alternados com os anúncios dos vencedores das 16 categorias da premiação, os números musicais montaram bom painel da obra de Bosco nas vozes de cantores como Alcione (Quando o Amor Acontece, João Bosco e Abel Silva, 1987), Criolo (De frente pro crime, João Bosco e Aldir Blanc, 1974), Ivete Sangalo (Corsário, João Bosco e Aldir Blanc, 1975), Ney Matogrosso (O cavaleiro e os moinhos, João Bosco e Aldir Blanc, 1976) e Zélia Duncan (Dois pra lá, dois pra cá, João Bosco e Aldir Blanc, 1974), entre outros. O ator José Wilker leu um texto de Aldir Blanc, o principal parceiro de Bosco,  com quem construiu obra singular na década de 1970.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Em clima de paz e amor, Horta harmoniza sua obra com vozes estelares

Resenha de CD
Título: Harmonia & Vozes - Um Canto para a Paz no Planeta
Artista: Toninho Horta
Gravadora: Minas Records
Cotação: * * * 1/2

Embora tenha se celebrizado como guitarrista a partir de sua participação no álbum duplo Clube da Esquina (1972), Toninho Horta lançou em 1980 dois álbuns - Terra dos Pássaros e Toninho Horta - que revelaram um compositor eventualmente inspirado. É essa obra autoral que Horta aborda em Harmonia & Vozes - Uma Canto para a Paz no Planeta, disco lançado 30 anos após a implementação das bases desse cancioneiro. Em clima de paz e amor, Horta fez um disco suave e positivo, com letras e melodias "dedicadas à família, à natureza e aos povos do nosso planeta" - de acordo com as palavras do artista, reproduzidas no encarte. Das 16 músicas, dez são inéditas em disco. As outras são regravações dos temas mais conhecidos do cancioneiro de Horta, feitas com adesões de vozes estelares. Manuel, o Audaz - música associada à voz de Jane Duboc por conta de emblemática gravação de 1980 - tem intervenções da voz e do violão de aço de Frejat, guitarrista como Horta. Diana, um clássico do álbum Terra dos Pássaros, revive na voz de Ivete Sangalo, com direito a coral e metais arranjados pelo maestro Letieres Leite. Embora seja pontuado pela guitarra precisa de Horta e traga dois temas instrumentais como faixas-bônus, Valsa Alegre e Saudades do meu Grande Pai, o disco é moldado pela profusão de vozes ouvidas em suas primeiras 14 músicas. Horta não tem vocação para o canto, mas sua voz está bem colocada, ajustada ao tom suave de Harmoniza & Vozes, cuja sonoridade evoca o clima de álbuns de Beto Guedes e, sobretudo, Flávio Venturini - ambos conterrâneos de Horta. Beto, aliás, é o convidado de Meu Nome É que Diz (Nenel), parceria de Horta com Fernando Brant. Gravado por Seu Jorge com Sergio Mendes, o samba Agora, Amor, É com Você (Horta e Tatta Spalla) até destoa - pelo tom de exportação - deste disco que evoca a paz das montanhas das Geraes e que expõe visões romantizadas do amor e da família, a exemplo da melodiosa e nostálgica Canção para Minha Nobre Mãe. Destaque da safra autoral, a também melodiosa Luz que Vem do Céu - gravada com D'Black - se adequa mais ao clima e ao conceito do CD. Já Serenade (Toninho Horta e Ronaldo Bastos) - tema do disco Terra dos Pássaros - ambienta o solo do guitarrista em atmosfera roqueira, em sintonia com a escolha do solista convidado, Erasmo Carlos, lenda viva do rock nativo. Harmonia & Vozes agrega também Ivan Lins (em Você me Trouxe o Sol) e Djavan, que participa do Canto de Fada (Luísa). Com tal combinação de vozes, canções, instrumentos e temas, o disco acaba soando naturalmente harmônico e, de fato, transmite sensação de paz.