Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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domingo, 7 de fevereiro de 2016

Mecânica do Solos aciona Roberto Menescal no toque de 'Brazilian jazz live'

Com edição independente distribuída pela Tratore no mercado fonográfico neste início de 2016, o CD e DVD Brazilian jazz live começaram a sair do plano das ideias quando os integrantes do grupo paulista Mecânica dos Solos conheceram o compositor e guitarrista carioca Roberto Menescal em Araraquara (SP). Nesta cidade do interior paulista, os músicos do grupo mostraram a um dos mais profícuos compositores da Bossa Nova a gravação que haviam feito de Bye bye Brasil (1979), única parceria de Menescal com Chico Buarque. Diante do entusiasmo do compositor com a abordagem pelo grupo da música composta para um dos mais bem-sucedidos filmes do cineasta Cacá Diegues, dois integrantes do Mecânica dos Solos - a cantora Adriana Gennari e o guitarrista e compositor Zé Henrique Martiniano - acionaram Menescal em 2012 com convite para show a ser feito em conjunto no Sesc de Catanduva, outra cidade do interior do Brasil. Foi este show - gravado ao vivo - que gerou o CD e DVD Brazilian jazz live. No roteiro do show, Mecânica dos Solos transita por temas autorais - como Alegria blues (Zé Henrique Martiniano) e Jauaperi (Zé Henrique Martiniano) - antes de convidar Menescal para entrar em cena para reviver com o grupo alguns clássicos de cancioneiro associado à Bossa Nova. Entram na pauta A morte de um Deus de sal (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, 1964), A volta (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, 1966), Tetê (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, 1960) e Você (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, 1964) - além, claro, de  Bye bye Brasil, música que evidenciou a afinidade jazzística entre o grupo e o músico do Brasil.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Violão de Menescal harmoniza Canto na abordagem de músicas de Lupicínio

Por definição a antítese da leveza da Bossa Nova, o cancioneiro amargurado, denso e pesado do compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914 - 1974) ganha o toque do violão de Roberto Menescal - um dos mestres da bossa carioca - no projeto Lupicínio Rodrigues por Eduardo Canto e Roberto Menescal. Gravado sob a direção de Oswaldo Montenegro no estúdio Joá Produções, no Rio de Janeiro (RJ), em maio de 2014, ano de centenário do compositor de Esses moços (Pobres moços) (1948), o projeto foi lançado neste ano de 2015 em edição dupla que junta CD e DVD postos no mercado na Coleção Canal Brasil. Somente com o toque do violão sutil de Menescal, Eduardo Canto dá boa voz - à moda antiga - a músicas como Cadeira vazia (Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves, 1950), Quem há de dizer (Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves, 1948), Nervos de aço (Lupicínio Rodrigues,1947), Nunca (Lupicínio Rodrigues, 1952) e Volta (Lupicínio Rodrigues, 1957). No DVD, a música é aditivada com conversa na qual são contados causos sobre o lendário Lupicínio.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Produzido por Menescal, Luiz Pié lança em 2015 álbum que inclui Milton

Música de Milton Nascimento, lançada pelo cantor e compositor em 1969, Pai grande ganha a voz de Luiz Pié em gravação feita com o aval e a participação de Milton. O dueto vai ser feito no primeiro álbum de Pié, cantor paulista de 26 anos que vai se lançar no mercado fonográfico em 2015. No disco, produzido por Roberto Menescal e em fase de finalização, Pié dá voz a músicas como Último desejo (Noel Rosa, 1937), Ciúme (Carlos Lyra, 1959) e Dorme profundo (Marcos Valle e Pingarilho, 1965) e A volta (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, 1968), entre outros temas.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Ana Lonardi finaliza álbum em que abre parceria com Roberto Menescal

Cantora gaúcha que concorreu na segunda temporada do programa The Voice Brasil, Ana Lonardi finaliza seu primeiro álbum. Uma das músicas do disco, Por querer, traz o violão de Roberto Menescal, parceiro de Lonardi na composição, assinada também pelo poeta gaúcho (radicado no Rio de Janeiro) Allan Dias Castro. A foto acima flagra a cantora com Menescal no estúdio Albatroz, no Rio de Janeiro (RJ), durante a produção da faixa desse álbum que, na discografia da intérprete, sucede single promocional gravado com as músicas Chocolate (Ana Lonardi e Márcio Falcão) e Sexyantagonista (Ana Lonardi) e posto à venda em Porto Alegre-RS.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Menescal quer renovar sua bossa com alma e voz de roqueira do agreste

Em Bossa de alma nova, CD que lança no Brasil neste mês de abril de 2013 por seu selo Albatroz, Roberto Menescal procurou dar cara, voz e alma novas à sua bossa. A novidade vem do fato de o compositor carioca assinar o disco com Andrea Amorim, cantora cuja história foge do estereótipo da cantora de Bossa Nova de tom suave e cool. Ex-roqueira de Garanhuns, cidade do agreste pernambucano onde Dominguinhos veio ao mundo, Amorim dá voz em Bossa de alma nova a músicas compostas por Menescal com parceiros como Chico Buarque, Oswaldo Montenegro, Ronaldo Bôscoli (1928 - 1994) e Wanda Sá. Com capa graciosa que capta o espírito carioca da bossa, o disco já foi lançado no Japão em 2012, a tempo de festejar os 75 anos do parceiro de Bôscoli em maravilhas contemporâneas como Rio e Você, músicas cariocas da gema, ambas aliás incluídas no álbum, ao lado de temas como A morte de um Deus de sal

sábado, 5 de janeiro de 2013

'Ensaio' de Menescal com Wanda Sá ganha um segundo registro em DVD

Lançados no mercado fonográfico já sem qualquer critério, os DVDs com registros de entrevistas do programa Ensaio - exibido pela TV Cultura sob a direção de Fernando Faro - já começam a se repetir. Literalmente. Lançada em DVD em 2006, via Trama, a gravação do programa que uniu Roberto Menescal e Wanda Sá no Ensaio, em 1991, ganha uma segunda edição em DVD. Desta vez, quem põe o vídeo no mercado é a Warner Music. Entre histórias sobre o universo da Bossa Nova, Menescal e Wanda revivem músicas como O barquinho, Rio, Errinho à toa, Vagamente - canção que deu título em 1964 ao primeiro álbum da cantora - e Você. Fora do universo da bossa, a dupla rememora A saudade mata a gente e Beijinho doce

sábado, 5 de maio de 2012

Cinco cantoras dão vozes a sucessos (e a inéditas) da obra de Menescal

A caminho dos 75 anos, a serem festejados em outubro deste ano de 2012, Roberto Menescal tem seu cancioneiro regravado em dois CDs que juntam cinco cantoras - ambos a serem editados pela gravadora do compositor, a Albatroz. Um - Andrea Amorim Canta Roberto Menescal, idealizado pela cantora pernambucana Andrea Amorim - vai ser lançado em parceria com o selo japonês Argo. Produzido e arranjado pelo próprio Menescal, o disco enfileira no repertório 14 músicas do compositor. Já o outro álbum, Elas Cantam Menescal, junta Cely Curado, Nathália Lima, Márcia Tauil e Sandra Duailibe - quatro cantoras radicadas em Brasília (DF). Para este disco, Menescal forneceu quatro músicas inéditas. Cely Curaro apresenta Me Diz (Roberto Menescal e Tamy). Arquiteta do projeto, Márcia Tauil é parceira e intérprete de Clube da Bossa. Nathália Lima mostra Energia Feliz (Roberto Menescal e Felipe Cerquize). Já Sandra Duailibe põe sua voz em 3 x 4 (Roberto Menescal e Paulo César Feital). Saem este ano.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

'Galeria' de Menescal inclui Wanda, BeBossa e 'Barquinho' já cinquentão

Nas lojas em setembro de 2011, o CD A Galeria do Menescal traz o registro de estúdio do show homônimo apresentado pelo Brasil desde 2009. Disco e show juntam Roberto Menescal com a cantora Wanda Sá e o grupo BeBossa. O repertório é assinado por Menescal com parceiros como Ronaldo Bôscoli (1928 - 1994), Paulo César Pinheiro, Carlos Lyra, Paulo César Feital e Oswaldo Montenegro. Assinada pela Ilustrarte Design, a capa de A Galeria do Menescal é mais uma a reproduzir o padrão estético dos discos da extinta gravadora Elenco que foi idealizado por César Villela na década de 60.  O álbum marca os 50 anos das primeiras gravações da música mais conhecida e celebrada da obra de Menescal, O Barquinho, revivida pelo compositor com Wanda e BeBossa. Eis as músicas e intérpretes d'A Galeria do Menescal:

1. Vagamente ( Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli)
- Wanda Sá (violão e solo) e BeBossa (Cauê Nardi, Matias Correa e Zeca Rodrigues)
2. Você (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli)
- Wanda Sá (violão e solo) e BeBossa (Cauê Nardi, Matias Correa e Zeca Rodrigues)
3. Balansamba (Roberto Menescal e Ronaldo Boscoli)
- Roberto Menescal (guitarra e voz), Wanda Sá (voz) e BeBossa
4. Telefone (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli)

- Roberto Menescal e BeBossa (Carol Assad, Marcela Mangabeira e Marcela Velon)
5. Rio (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli)
- Roberto Menescal e BeBossa (Carol Assad, Marcela Mangabeira e Marcela Velon)
6. Ninguém (Roberto Menescal e Wanda Sá)

- Roberto Menescal (guitarra), Wanda Sá (solo) e BeBossa
7. A Morte de Um Deus de Sal ( Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli)
- Roberto Menescal (guitarra e voz), Wanda (solo), Zeca Rodrigues (violão) e BeBossa
8. O Brasil Precisa Balançar (Roberto Menescal e Paulo César Pinheiro)
- Roberto Menescal (guitarra e voz), Wanda Sá (voz) e BeBossa
9. Bye Bye, Brasil ( Roberto Menescal e Chico Buarque)

- Roberto Menescal (guitarra e voz), Wanda Sá (solo), Zeca Rodrigues (violão) e BeBossa
10. Eu Canto meu Blues (Oswaldo Montenegro e Roberto Menescal)
- Roberto Menescal (guitarra e voz), Wanda Sá (solo), Zeca Rodrigues (violão) e BeBossa
11. Agarradinhos ( Roberto Menescal e Rosália de Souza)
- Roberto Menescal (guitarra), Zeca Rodrigues (violão) e BeBossa
12. Japa (Roberto Menescal e Paulo César Feital)

- BeBossa
13. O Barquinho (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli)
- Roberto Menescal (guitarra e voz), Wanda Sá (solo), Zeca Rodrigues (violão) e BeBossa
14. Benção Bossa Nova (Carlos Lyra, Roberto Menescal e Paulo César Pinheiro)
- Roberto Menescal, Wanda Sá e BeBossa com solos de Matias Correa e Carol Assad

domingo, 14 de agosto de 2011

Com (alguma) bossa, Teresa cai no samba de Menescal em show no Rio

Resenha de show
Título: A Bossa do Samba
Artistas: Roberto Menescal e Teresa Cristina (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Teatro do Oi Futuro Ipanema (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 13 de agosto de 2011
Cotação: * * * 1/2
Show em cartaz somente até este domingo, 14 de agosto de 2011, no Oi Futuro Ipanema

"A Bossa Nova nasceu da nossa vontade de aprender a tocar o samba", sintetizou Roberto Menescal no palco do teatro do Oi Futuro Ipanema, antes de receber Teresa Cristina no inédito show apresentado neste fim-de-semana, no Rio de Janeiro (RJ), dentro do projeto A Bossa do Samba, idealizado e dirigido por Solange Kafuri. Ao longo deste mês de agosto de 2011, um ícone da Bossa Nova vai se encontrar no palco com um nome da atual geração do samba carioca para enfatizar que a já cinquentenária bossa é, em essência, apenas uma forma de tocar samba com influência do jazz. E foi isso que Menescal fez antes de convidar Teresa para entrar em cena. Com músicos do naipe do baixista Jorge Helder do saxofonista Zé Canuto, Menescal fez O Barquinho (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli) - também já cinquentenário - navegar por águas sempre novas, enfatizou as quebradas de seu menos conhecido Balansamba (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli) e viajou por outras bossas ao revisitar Bye Bye Brasil (Roberto Menescal e Chico Buarque). Na sequência, com alguma bossa, Teresa entrou em cena para cair no samba de Menescal. De início, a cantora se mostrou insegura e leu a letra do pouco inspirado samba Japa (Roberto Menescal e Paulo César Feital). Essa insegurança foi perceptível até O Brasil Precisa Balançar (Roberto Menescal e Paulo César Pinheiro), embora não tenha saltado tanto aos olhos e aos ouvidos ao longo do dueto com Menescal em Você (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli). No entanto, aos poucos, a cantora foi se acomodando no banquinho da Bossa Nova - literalmente, aliás, quando sentou para interpretar lindamente Medo de Amar (Vinicius de Moraes), ponto alto do show - e terminou o show à vontade, encarando o suingue de Só Danço Samba (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) no bis com uma bossa já perceptível em seu gestual. Em seu set individual, Teresa defendeu bem samba obscuro de Geraldo Pereira (1918 - 1955), Mais Cedo ou Mais Tarde, e mostrou em Pra Cobrir a Solidão - parceria da compositora com Zé Renato - que seu samba bebe da fonte densa da obra de Paulinho da Viola, influência explícita do tema. A partir da citada Medo de Amar, número arrebatador no qual Teresa foi acompanhada pela guitarra de Menescal, a dupla voltou a se reunir em cena. Foi quando, com leveza, a cantora provou que, sim, tem bossa para encarar sambas do porte de A Banca do Distinto (Billy Blanco) e É Com Esse Que Eu Vou (Pedro Caetano). No fim, após várias tiradas bem-humoradas de Menescal, a dupla reiterou seu entrosamento e seu suingue ao encerrar o show com Tem Dó (Baden Powell e Vinicius de Moraes). E todo mundo pediu bis! Tem bossa no samba de Teresa Cristina e Roberto Menescal!

Voz do samba, Teresa se acomoda no banquinho da bossa com Menescal

"Bonito, Teresa! Bonito demais...", elogiou Roberto Menescal em cena na noite de ontem, 13 de agosto, após ouvir a belíssima interpretação de Medo de Amar (Vinicius de Moraes) feita por Teresa Cristina na segunda das três apresentações do show dos artistas no projeto A Bossa do Samba, em cartaz no teatro do Oi Futuro Ipanema neste mês de agosto de 2011. Ponto alto do show que junta pela primeira vez a cantora associada ao samba com o compositor vinculado à Bossa Nova, Medo de Amar foi curiosamente o primeiro número feito por Teresa ao se sentar em banco após ter cantado várias músicas de pé. "Bossa nova, um banquinho...", gracejou a cantora. Eis o roteiro seguido por Teresa Cristina e Roberto Menescal - vistos em foto de Rodrigo Amaral - no show que fica em cartaz somente até este domingo, 14 de agosto:

1. O Barquinho (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli) - Roberto Menescal
2. Balansamba (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli) - Roberto Menescal
3. Bye Bye Brasil (Roberto Menescal e Chico Buarque) - Roberto Menescal
4. Japa (Roberto Menescal e Paulo César Feital) - Roberto Menescal e Teresa Cristina
5. Você (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli) - Roberto Menescal e Teresa Cristina
6. O Brasil Precisa Sambar (Roberto Menescal e Paulo César Pinheiro) - Roberto Menescal e Teresa Cristina
7. Tim Tim por Tim Tim (Haroldo Barbosa e Geraldo Jacques) - Roberto Menescal e Teresa Cristina
8. Mais Cedo ou Mais Tarde (Geraldo Pereira) - Teresa Cristina
9. Delicada (Teresa Cristina e Zé Renato) - Teresa Cristina
10. Pra Cobrir a Solidão (Teresa Cristina e Zé Renato) - Teresa Cristina
11. Medo de Amar (Vinicius de Moraes) - Teresa Cristina e Roberto Menescal
12. A Banca do Distinto (Billy Blanco) - Teresa Cristina e Roberto Menescal
13. É Com Esse que Eu Vou (Pedro Caetano) - Teresa Cristina e Roberto Menescal
14. Tem Dó (Baden Powell e Vinicius de Moraes) - Teresa Cristina e Roberto Menescal
Bis:
15. Só Danço Samba (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes) - Teresa Cristina e Roberto Menescal

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Menescal expõe sua galeria de hits em disco feito com Wanda e Bebossa

Roberto Menescal, Wanda Sá e o grupo carioca Bebossa vão lançar em setembro de 2011 o CD A Galeria do Menescal. Editado pela Sala de Som em parceria com a Albatroz (a gravadora de Menescal), o disco registra em estúdio o show A Galeria do Menescal, em rotação pelo Brasil desde 2009. O repertório faz um apanhado da música de Menescal - visto em estúdio na foto, ao lado de Wanda Sá e do líder do Bebossa, Zeca Rodrigues - com os seus diversos parceiros.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Livro 'O Barquinho Vai' dá voz a Menescal em narrativa leve e superficial

Resenha de livro
Título: O Barquinho Vai... - Roberto Menescal e suas Histórias
Autoria: Bruna Fonte
Editora: Irmãos Vitale
Cotação: * * *

Roberto Menescal é figura emblemática na história da música brasileira. Não somente por ter sido parceiro de Ronaldo Bôscoli (1928 - 1994) em alguns clássicos iniciais da Bossa Nova que ganhariam o mundo, notadamente O Barquinho, mas também por ter ocupado os cargos de produtor e diretor artístico da gravadora Philips - encampada pela Universal Music no fim dos anos 90 - de 1970 a 1985, periodo em que a companhia abrigava quase todos os grandes nomes da MPB. Portanto, uma biografia de Menescal seria, além de oportuna, necessária. Livro escrito pela jornalista Bruna Fonte, ora lançado pela editora Irmãos Vitale, O Barquinho Vai... - Roberto Menescal e suas Histórias não preenche tal lacuna. Antes de ser uma biografia, o livro é uma coletânea de histórias com pinceladas biográficas da vida e obra do compositor capixada, criado no Rio de Janeiro (RJ), a cidade que gerou a bossa que renovaria a música brasileira e daria projeção mundial aos seus principais compositores. Bruna Fonte deu voz a Menescal, que conta na primeira pessoa causos marcantes de sua trajetória na música.  Embora leve e fluente, a narrativa - estruturada em tópicos, em formato parecido com o de um almanaque - patina na superficialidade. As histórias sobre a gênese da Bossa Nova nada acrescentam de relevante ao (muito) que já foi escrito sobre o gênero. A contribuição mais significativa do relato reside nas histórias colecionadas por Menescal em sua passagem pela gravadora Philips. Uns episódios já são bem notórios -  caso do corte ditatorial do microfone quando Chico Buarque e Gilberto Gil apresentavam a música Cálice (primeira parceria dos compositores) no show coletivo Phono 73, evento que reuniu o elenco da Philips no Anhembi, em São Paulo (SP), em maio de 1973. Outros são pouco conhecidos, como o mal-entendido que separou Menescal de Chico, seu parceiro em Bye-Bye Brasil, música composta em 1979 sob encomenda do cineasta Cacá Diegues. A confusão teria começado quando Chico foi convidado a trocar a Philips pela  alemã Ariola, gravadora que se estabeleceu no Brasil no início dos anos 80. Menescal alega que não se opôs à ida do cantor para a concorrente e que ainda sugeriu a Chico uma forma de se livrar de sua obrigação contratual com a Philips. Contudo, o caso levou Chico a romper publicamente com Menescal ao se recusar a receber um prêmio por Bye-Bye Brasil com o parceiro. Como o livro ouve somente Menescal (apesar de relacionar generosos depoimentos sobre o artista ao fim), a história fica incompleta. Como outras tantas contadas em O Barquinho Vai..., livro que também revela - de acordo com o relato do perfilado - a influência determinante de Menescal na escolha do repertório do álbum Elis (1972), título renovador na discografia de Elis Regina (1945 - 1982). Enfim, as histórias são agradáveis e facilitam a leitura. Mas paira a sensação, ao longo das 136 páginas, que O Barquinho Vai... é mero rascunho de uma biografia mais consistente de Roberto Menescal. Que ainda há de ser editada para detalhar a vida e obra desse nome emblemático na história da música brasileira.