Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


sábado, 7 de maio de 2011

Velozes e furiosos, Cavaleras celebram 'thrash' em 'Blunt Force Trauma'

Resenha de CD
Título: Blunt Force Trauma
Artista: Cavalera Conspiracy
Gravadora: Roadrunner Records / Warner Music
Cotação: * * * 1/2

Por mais que se ouça um solo de guitarra em Target e outro em Genghis Khan, dois dos 11 temas da edição standard do segundo álbum do quarteto Cavalera Conspiracy, não espere ouvir solos ao longo de Blunt Force Trauma. Desertores do Sepultura, o grupo que eles mesmos criaram no Brasil na década de 80, os irmãos mineiros Max Cavalera (voz e guitarra) e Iggor Cavalera (bateria) não estão preocupados em demonstrar virtuosismo ao longo do álbum - cuja edição especial adiciona mais três músicas ao repertório essencial de Blunt Force Trauma, incluindo Electric Funeral, cover do grupo Black Sabbath. Ao lado do guitarrista Marc Rizzo e do baixista Johny Chow, os Cavaleras celebram o thrash metal em disco veloz e furioso. Não há firulas. Não há excessos. Como já sinalizara o single Killing Inside e como mostra o título da música Thrasher, o quarteto vai direto ao ponto em faixas como Burn Waco, Warlord e Lynch Mob - as melhores de um disco realmente pesado em que os vocais sujos e guturais de Max evocam a atmosfera punk dos anos 70. Difícil não identificar verdade e coesão em temas com I Speak Hate. Para o bem ou para o mal, Blunt Force Trauma é fiel ao espírito dos Cavalera com suas altas doses de brutalidade. Repleto de riffs poderosos, o sucessor de Inflikted (2008) confirma a interação dos manos - com certo destaque para Max - enquanto continua a expectativa sobre o futuro do Sepultura e o lançamento próximo do álbum Kairos.

Tulipa e Céu dão voz às memórias luso africanas de Gui Amabis em CD

Produtor de trilhas sonoras de filmes como O Senhor das Armas (2005) e  Quincas Berro d'Água (2010), ambas criadas em parceria com Antônio Pinto, Gui Amabis lança disco solo, Memórias Luso/Africanas, com repertório inteiramente autoral e arranjos que - em tese - sugerem imagens cinematográficas. Amabis conta com luxuoso time de colaborações vocais. Céu e Tulipa Ruiz estão entre os intérpretes que dão voz às memórias musicadas de Amabis. Colega de Amabis no projeto Sonantes, Céu canta Swell e Doce Demora, além de fazer vocais em Imigrantes e Fim de Tarde. Detalhe: Siba faz o contracanto e a segunda voz de Doce Demora. Já a incensada Tulipa solta a voz com desenvoltura em Ao Mar e em Sal e Amor (destaque da safra de inéditas do produtor e compositor pela envolvente pegada pop). Por sua vez, Lucas Santtana é o solista e autor dos versos de O Deus que Devasta mas Também Cura, postos em melodia assinada por Amabis com Dengue. Produzido pelo próprio Gui Amabis, o CD Memórias Luso/Africanas já está disponível para audição no site oficial do artista. Vale ouvir!

Com ouvido apurado, Talem vai de Luiz Melodia a Simply Red em 'Olhos'

Três anos após lançar um primeiro disco (Patricia Talem, 2008) que colheu alguns elogios na mídia alternativa dos Estados Unidos, a cantora paulistana Patricia Talem volta ao mercado fonográfico neste ano de 2011 com refinado segundo álbum, Olhos, gravado em 2010 no Bennett Studios, em New Jersey (EUA), com produção do baterista Marco da Costa. Com ouvido apurado e ambiência jazzy, criada sobretudo pelo piano de Russell Ferrante (músico do grupo Yellowjackets que assina os arranjos do CD), Talem desfia com afinação repertório que irmana em atmosfera intimista temas de Luiz Melodia (Presente Cotidiano), Simply Red (a balada For your Babies, um dos grandes hits do grupo inglês liderado por Mick Hucknall), Sérgio Ricardo (Folha de Papel) e Johnny Alf (Olhos Negros, samba-canção letrado poeticamente por Ronaldo Bastos). Em Olhos, Talem faz dueto com a cantora norte-americana de jazz Jane Monheit, intérprete dos versos em inglês de Nascente, música de Flávio Venturini. Ainda na seara mineira, o próprio Venturini explora bem a região de agudos de sua voz ao cantar Clube da Esquina 2 (Milton Nascimento e Lô Borges) em dueto que expõe a afinação de Patricia Talem, sofisticada voz de bom gosto a tentar um lugar ao sol neste populoso país de cantoras.

Músicos levam obra de Pixinguinha na flauta em disco com duas inéditas

Encontradas na coleção de Radamés Gnattali (1906 - 1988) abrigada na Fundação Banco do Brasil, no Rio de Janeiro (RJ), duas músicas inéditas de Pixinguinha (1897 - 1973) - Grelando e Gorjeando, compostas presumivelmente entre 1915 e 1925 - ganham seu primeiro registro fonográfico no CD Pixinguinha for Flute and Sax, lançado pelo selo Choro Music. As duas composições dão valor adicional a este disco em que 16 solistas levam a obra de Pixinguinha na flauta e no sax. Editado com encarte bilíngue em português e em inglês, já visando o mercado internacional, o CD agrega instrumentistas como Carlos Malta (solista de Desprezado), Dirceu Leite (solista de Joaquim Virou Padre), Eduardo Neves (solista de Diplomata) e Mário Séve (solista de Os Cinco Companheiros). Solos à parte, todas as músicas foram gravadas com o acompanhamento de um conjunto regional de choro integrado por Alessandro Cardoso (cavaquinho), Charlles da Costa (violão de seis cordas), Netinho Albuquerque (pandeiro) e Paulão 7 Cordas (violão de sete cordas). Coube a Teco Cardoso tocar flauta e sax tenor numa das duas inéditas (Gorjeando) enquanto a outra, Grelando, tem um solo de Franklin da Flauta.

Warner Music é vendida por 3,3 bilhões de dólares para empresário russo

Uma das quatro gravadoras multinacionais que dominam a indústria fonográfica em escala mundial, a Warner Music foi vendida por 3,3 bilhões de dólares para Access Industries, empresa dirigida por Len Blavatnik, empresário russo radicado nos Estados Unidos. Alvo de especulações no mercado fonográfico nas últimas semanas, a compra da Warner Music pela Acess Industries foi anunciada oficialmente em 6 de maio de 2011. A Warner Music - que conta em seu elenco com nomes como o grupo Green Day - é a terceira maior gravadora do mundo, mas vinha enfrentando dificuldades financeiras por conta da queda contínua das vendas de CDs e dos lucros ainda moderados obtidos com o comércio de música digital. Blavatnik já tinha cerca de 2% das ações da companhia, tendo feito parte do conselho do grupo que a comprara em 2004.

Cantora evangélica grava DVD em Vigário Geral, favela ainda sem UPP

Cantora evangélica que em 2012 já vai completar 20 anos de carreira fonográfica, iniciada em 1992 com a edição do álbum Feliz da Vida, a carioca Fernanda Brum faz seu quarto registro ao vivo neste sábado, 7 de maio de 2011. A novidade é que Brum vai gravar o DVD Glória in Rio em show realizado na favela de Vigário Geral, comunidade do Rio de Janeiro (RJ) ainda não pacificada pela polícia. Com apoio do grupo AfroReggae e produção musical de Emerson Pinheiro, a gravação ao vivo acontece na Praça Tropicalismo, no Centro Cultural Waly Salomão. O Afrolata - grupo derivado do AfroReggae formado por adolescentes da comunidade - figura entre os convidados do DVD, que vai ser lançado neste ano de 2011 pela gravadora MK Music.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Faixa inédita de Frejat integra trilha internacional de 'Insensato Coração'

Hino dos Rolling Stones nos anos 60 que atravessa gerações, (I Can't Get No) Satisfaction ganha registro de Frejat. A gravação inédita foi feita pelo vocalista e guitarrista do Barão Vermelho - grupo carioca que vai ser reativado em 2012 para celebrar os 30 anos de sua formação - para a trilha sonora da novela Insensato Coração, exibida pela TV Globo às 21h. A faixa abre o primeiro dos dois volumes do CD Insensato Coração Internacional - postos nas lojas simultaneamente neste mês de maio de 2011 pela gravadora Som Livre - com o detalhe de que, no encarte e na contracapa do disco, a música de Mick Jagger e Keith Richards aparece grafada como Satisfaction (I Can't Get No), invertendo a ordem das palavras do título original. Distrações à parte, além da gravação de Frejat, o CD 1 inclui faixas de mais dois artistas brasileiros. João Gilberto figura na seleção com 'S Wonderful. Já Bibi Ferreira aparece com Mon Manège a Moi (Tu me Fais Tourner La Tetê), tema do repertório da cantora francesa Edith Piaf (1915 - 1963). Já o CD 2 enfileira fonogramas recentes de Katy Perry (Firework), Kylie Minogue (All the Lovers), Bruno Mars (Talking to the Moon) e James Blunt (Calling out your Name), entre outros nomes em (maior ou menor) evidência no universo pop.

Sepultura divulga capa de CD que vai sair no Brasil pela Laser Company

Com lançamento mundial agendado para 24 de junho de 2011, o 12º álbum de estúdio do Sepultura, Kairos, vai ser editado pela Nuclear Blast Records, gravadora especializada em metal. No Brasil, a  chegada às lojas do CD Kairos vai estar sob responsabilidade da Laser Company, empresa de São Paulo (SP) que distribui os produtos da Nuclear Blast no mercado nacional. Divulgada esta semana pelo grupo mineiro, a capa do álbum foi criada pelo artista norte-americano Erich Sayers, admirador do Sepultura, com base no significado do título Kairos. "Eu comecei a pesquisa pela palavra Kairos, que significa tempo, as ações que tomamos, e a repercussão positiva ou negativa que as seguem. Eu sabia que a imagem teria que ter asas e que de alguma forma ela deveria representar o tempo. Conversando com Andreas Kisser, ele teve a idéia de uma caveira de gel. As ações e suas repercussões são representadas pelos braços. O fundo foi feito a partir de algumas fotos que tirei em  viagem recente ao Marrocos. Elas dão à composição uma qualidade mística", conceitua Sayers. "Esta é uma capa diferente das que o Sepultura já fez até hoje, mas ao mesmo tempo tem uma pegada old school, que combina com a sonoridade do disco”, avaliza Kisser, guitarrista do grupo. Eis as faixas de Kairos, que inclui DVD com making of do álbum na Deluxe Edition, também programada para ser lançada no Brasil pela Nuclear Blast Records via Laser Company:

1. Spectrum
2. Kairos
3. Relentless
4. (2011)
5. Just One Fix (cover do Ministry)
6. Dialog
7. Mask
8.(1433)
9. Seethe
10. Born Strong
11. Embrace the Storm
12.(5772)
13. No One Will Stand
14. Structure Violence (Azzes)
15. (4648)
16. Firestarter (cover do grupo The Prodigy) - Faixa da Deluxe Edition de Kairos
17. Point of no Return - Faixa da Deluxe Edition de Kairos

'O Bem' inicia promoção do CD 'Batuques e Romances', de Arlindo Cruz

O Bem é a música escolhida pela Sony Music para dar início à promoção do primeiro álbum de Arlindo Cruz na gravadora, Batuques e Romances. A faixa chega às rádios na próxima quinta-feira, 12 de maio de 2011. No CD, o compositor - visto no estúdio Cia. dos Técnicos, no Rio de Janeiro (RJ), onde o disco foi gravado - registra parceria com Teresa Cristina, Oferendas.

Gavin discute sabor de 'Araçá Azul', de Caetano, na volta do Som do Vinil

Título mais controvertido da extensa discografia de Caetano Veloso, Araçá Azul volta à discussão no primeiro episódio da temporada de 2011 de O Som do Vinil, programa comandado por Charles Gavin no Canal Brasil. O próprio Caetano expõe para Gavin detalhes do processo de criação deste álbum de 1973. Considerado na época de sabor indigesto por parte do público do artista, Araçá Azul hoje é reconhecido como um disco pioneiro na utilização de samples e colagens. No programa que vai ao ar às 21h30m desta sexta-feira, 6 de maio de 2011, fãs fervorosos do álbum - caso do guitarrista Pedro Sá, integrante da BandaCê, que atualmente é a companhia preferida de Caetano em discos e shows - defendem as ideias e o conceito atípico de Araçá Azul. Os depoimentos de Sá e de críticos musicais, como Antonio Carlos Miguel, são costurados com a entrevista de Caetano - com Gavin na foto de Juliana Torres - sobre o álbum, gravado na volta do artista ao Brasil após o seu forçado exílio londrino.

Beyoncé lança música 'God Bless The USA' em favor de vítimas do terror

Na noite de 5 de maio de 2011, Beyoncé lançou oficialmente no talk show de Piers Morgan na CNN uma música, God Bless The USA, cuja gravação vai ter renda revertida para New York Police & Fire Widows & Children's Benefit Fund, instituição beneficente que ampara vítimas dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Lançada oficialmente na semana em que os Estados Unidos celebram a morte de Bin Laden (mentor dos ataques às torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York), God Bless The USA é de autoria do compositor Lee Greenwood.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Tori Amos lança em setembro 'Night of Hunters', álbum de clima clássico

Tori Amos vai lançar em setembro de 2011 seu primeiro álbum de inspiração clássica. Sucessor de Abnormally Attracted to Sin (2009), Night of Hunters vai marcar a estreia da cantora e compositora norte-americana no selo alemão Deutsche Grammophon. O álbum é conceitual. Inspirada por temas eruditos compostos ao longo dos últimos 400 anos, Amos expõe no disco a jornada emocional e musical de uma mulher imersa em um agonizante relacionamento afetivo.

Coletânea dupla refaz trajetória de Taiguara nos festivais de 1966 a 1970

Na sequência da edição pela gravadora Joia Moderna do tributo A Voz da Mulher na Obra de Taiguara, o selo Discobertas põe nas lojas a coletânea dupla Festivais, que mapeia a trajetória do cantor e compositor Taiguara (1945 - 1996) nos festivais de 1966 a 1970. De alto valor documental, a compilação traz para o formato digital alguns até então raros fonogramas extraídos de álbuns de festivais e de compactos. São os casos de Eu Quis Viver - parceria de Taiguara e Cido Bianchi que foi eliminada no II Festival Internacional da Canção em 1967 e acabou registrada em compacto duplo editado pela gravadora Odeon em 1969 - e de Faço o Amor, Não Faço a Festa (Taiguara) e Canta (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli), dois temas defendidos por Taiguara no Musicanossa, minifestival realizado em Niterói (RJ) em 1968. Com informações sobre a procedência de cada faixa, a coletânea Festivais traz à tona músicas como A Hora de se Dar (Eduardo Souto Neto e Sergio Bittencourt) - composição defendida por Taiguara em 1968 no Festival de Juiz de Fora e lançada no mesmo compacto duplo de 1969 que trouxe a já citada Eu Quis Viver - e A Vez e a Voz da Paz (Paulo Machado e Paulo Sérgio Valle), tema registrado pelo cantor no álbum O Brasil Canta no Rio, editado pela Odeon em 1968. Com fotos das capas dos compactos e LPs que lançaram as músicas, a coletânea apresenta no CD 2 cinco registros ao vivo captados em fevereiro de 1970 no Festival de Rock, realizado no Espírito Santo. Nessas gravações ao vivo até então inéditas em disco, Taiguara canta músicas de sua lavra - Geração 70, Viagem, O Medo, Amanda, Hoje - e aborda hit de Cat Stevens na época, Wild World. Enfim, ao contrário das coletâneas volta e meia lançadas pela EMI Music, Festivais é título que realmente vem somar à discografia de Taiguara em CD.

Mr. Jam produz álbum que Wanessa vai lançar em junho via Sony Music

O DJ Fabianno Almeida, o Mr. Jam, assina a produção do oitavo álbum de Wanessa, nas lojas em junho de 2011 em edição da gravadora Sony Music. Trata-se do primeiro disco dedicado inteiramente ao pop dance pela artista. Algumas músicas do álbum - Falling for U, Worth It e Stuck on Repeat - vem sendo disponibilizadas por Wanessa na internet desde meados de 2010.

Katy Perry vira nerd na capa de disco com remixes de 'Last Friday Night'

Katy Perry posa de nerd - com direito a óculos e a um aparelho nos dentes - na capa do EP que traz remixes de Last Friday Night (TGIF), o quinto single do álbum Teenage Dream (2010). O clipe da música já foi filmado. Last Friday Night (TGIF) foi antecedido por quatro singles de sucesso. California Gurls, Teenage Dream, Firework e E.T. chegaram ao topo da parada dos EUA e tornaram o segundo álbum de Perry um dos lançamentos mais bem-sucedidos de 2010.

Manzotti canta com Fafá e revive canção religiosa do 'Rei' em CD e DVD

Um dos seguidores de padre Marcelo Rossi no mercado fonográfico, Reginaldo Manzotti - "o padre que reúne multidões" como o sacerdote e cantor paranense vem sendo chamado no meio católico - está lançando pela gravadora Som Livre o CD e DVD Milhões de Vozes - Ao Vivo em Fortaleza. Gravado em outubro de 2010 em show-culto do padre no Aterro de Iracema, em Fortaleza (CE), o registro ao vivo do astro católico conta com a participação de Fafá de Belém em A Tempestade Vai Passar, tema da lavra de Manzotti. Em repertório majoritariamente autoral, o destaque é O Homem, uma das mais belas e ignoradas canções religiosas de Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Esquecida até pelo Rei, que a gravou em seu álbum de 1973, O Homem integra roteiro formado quase inteiramente por temas católicos. É o espetáculo da fé!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

De volta ao quintal, Fundo canta sua verdade em (bom) disco de inéditas

Resenha de CD
Título: Nossa Verdade
Artista: Fundo de Quintal
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * 1/2

"Aqui nada mudou. Mudar por quê?", pergunta o Fundo de Quintal nos versos iniciais de Nossa Verdade, samba de Sereno e André Renato que dá título ao disco de inéditas recém-lançado pela gravadora Biscoito Fino. Sem mudanças, o bom CD repõe nos trilhos a discografia do grupo carioca, diluída após redundantes registros ao vivo de show que vinham minando a força da obra fonográfica do sexteto. Nossa Verdade traz o Fundo de volta para seu quintal. Tanto que Ubirany, Bira Presidente, Sereno, Ademir Batera, Flavinho Silva e Ronaldinho celebram o próprio samba em temas como Lá Debaixo da Tamarineira (Flavinho Silva, Ronaldinho e André Rocha), Cacique, a Consagração (grande samba de Sereno e André Renato que festeja os 50 anos do bloco Cacique de Ramos com a adesão de Beth Carvalho), Coisa da Raça (Sereno, Flavinho Silva e Ronaldinho - outro samba bonito que se destaca no repertório) e O Poder de Curar (regravação do samba de Arlindo Cruz, Sombrinha e André Rocha). Sem falar em Nossa Verdade, que dá título ao disco e termina em clima de roda de samba. É fato que o álbum tem a mais alta dose de romantismo da discografia do Fundo de Quintal. Contudo, temas como Subtração (Sereno) e Fera no Cio (Cleber Augusto, Jorginho Chinna, Djalma Falcão e Bicudo) estão acima da média do subgênero rotulado de pagode romântico. Em que pese um ou outro samba menor como Romance Proibido (Ubirany, Serginho Madureira e Capri), Nossa Verdade preserva grande parte do D.N.A. melódico e poético do grupo entre samba de roda (Teu Jogo, de Roque Silva, Diógenes, Tiê, Gilberto Gomes e Flávio Cardoso) e partido alto (Nossa Bossa, de Claudemir e Dado). E ainda ostenta a nobreza que ilumina Luz da Alvorada, parceria de Ivone Lara com Délcio Carvalho e Paulinho Carvalho. Bem que poderia terminar com Luz da Alvorada o disco produzido por Rildo Hora e Paulinho Sete Cordas, já que o Fundo de Quintal e o CD nada ganham ao rebobinar Conselho e Insensato Destino, sucessos de Almir Guineto nos anos 80. Ainda assim, o saldo do oportuno Nossa Verdade é mais do que positivo.

Com inédita de Martinho, segundo CD de Calixto vai do terreiro à gafieira

Aline Calixto vai do terreiro à gafieira em seu segundo CD, nas lojas ainda neste mês de maio de 2011, via Warner Music. Inédita de Martinho da Vila, Gemada Carioca evoca a pulsação dos seminais sambas de terreiro enquanto conta a história da escrava Castorina, tataravó dessa cantora mineira-carioca. Já Je Suis la Marie - parceria de Dora Lopes, Jorge Rangel e Jean Pierre - é samba que conta com humor a história fictícia de Maria, moradora do morro que, ao se casar com homem rico, vira emergente e começa a falar francês, adotando o nome de Marie. Os sopros arranjados por Marcelo Martins transportam o samba para um salão de gafieira. Já Flor Morena - inédita de Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e Junior Dom - é samba mais melodioso e poético. A julgar pelas três faixas divulgadas pela Warner Music, o segundo disco de Aline Calixto tem tudo para firmar o nome da cantora nos quintais e salões cariocas.

Chega às lojas a edição em blu-ray da primeira gravação ao vivo de Gadú

Com distribuição da Som Livre, a edição em blu-ray do primeiro registro ao vivo da cantora Maria Gadú está sendo posta nas lojas esta semana pelo selo SLAP. O blu-ray Multishow ao Vivo - Maria Gadú chega ao mercado seis meses depois das edições do DVD e dos (dois) CDs.

Dominguinhos grava com Lenine - na casa de Aydar - para documentário

Após João Donato, foi a vez de Dominguinhos receber Lenine para um outro encontro musical captado pelas lentes do diretor Felipe Briso para o documentário Dominguinhos, Volta e Meia, idealizado por Mariana Aydar, Duani e Eduardo Nazarian. Dominguinhos e Lenine - vistos em foto de Ding Musa - se encontraram na casa de Mariana Aydar, em São Paulo (SP), em 25 de abril de 2011. Em clima informal, pautado pelo improviso, os compositores tocaram músicas como Relampiano (parceria de Lenine com Moska), Arrebol (tema composto por Dominguinhos com Anastácia) e Doidinho, Doidinho (mais uma parceria de Dominguinhos com Anastácia). O documentário Dominguinhos, Volta e Meia tem produção assinada pela empresa bigBonsai.

'Alvoroço' de Leny Andrade volta ao catálogo em edição da Joia Moderna

O DJ Zé Pedro ainda nem relançou ...Maravilhosa, álbum cult gravado por Wanderléa em 1972 para a Philips, e já planeja a reedição por sua gravadora Joia Moderna de outro disco ainda inédito no formato de CD. Trata-se de Alvoroço, álbum de Leny Andrade, originalmente lançado em 1973 pela Odeon. Leny acabara de voltar ao Brasil em 1972 - após anos de vivência no México - quando, na sequência de disco gravado ao vivo com Pery Ribeiro, entrou em estúdio para fazer Alvoroço, dando voz a compositores da MPB que emergiam na época. O repertório inclui Não Tem Perdão (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza), Moto 1 (Fagner e Belchior), Partido Rico (João Nogueira e Paulo César Pinheiro) e Bolero (Luiz Alves, Wagner Tiso, Milton Nascimento, Robertinho Silva e Tavito). Postal é parceria de Renato Corrêa com Maria Thereza Guinle. A faixa-título do álbum Alvoroço é de Ivor Lancellotti e João de Aquino.

Documentário sobre Foo Fighters, 'Back and Forth', sai em DVD em junho

Apresentado nos cinemas ao longo de abril de 2011, o documentário Foo Fighters - Back and Forth,  que conta a história da banda de Dave Grohl, será lançado em DVD e blu-ray. A edição foi agendada para 13 de junho. Uma semana antes, em 6 de junho, o filme do Foo Fighters - visto em foto de Steve Gullick - já vai estar disponível para venda no iTunes em versão digital.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Universal lança no Brasil primeiro lote de reedições de álbuns do Queen

Dando início as reedições de álbuns do Queen, a Universal Music lançou o primeiro pacote da coleção que celebra os 40 anos do grupo inglês, fundado em 1971. Voltaram às lojas em escala mundial - remasterizados e com faixas-bônus - os primeiros cincos álbuns da banda: Queen (1973), Queen II (1974), Sheer Heart Attack (1974), A Night at the Opera (1975) e A Day at the Races (1976). O material adicional é eventualmente valioso. O seminal Queen, por exemplo, incorpora sobra das sessões de gravação (Mad The Swine) e cinco demos gravadas pelo grupo em dezembro de 1971 no De Lane Lea Studios, em Wembley. As cinco músicas gravadas na sessão - Keep Yourself Alive, The Night Comes Down, Great King Rat, Jesus e Liar - foram os primeiros registros de estúdio do Queen. Queen II traz registros feitos para a BBC, casos de Nevermore (música nunca tocada pela banda em shows) e See What a Fool I've Been. Sheer Heart Attack inclui o remix a capella de Bring Back That Leroy Brown. Além de remixes inéditos, a obra-prima A Night at the Opera agrega a já famosa versão acústica de Love of my Life captada ao vivo em 1979 em show em Frankfurt, na Alemanha. Por fim, A Day at the Races rebobina alguns bons registros ao vivo de músicas como Somebody to Love.

Na sequência destas reedições, a Universal Music vai pôr nas lojas em junho de 2011 os álbuns News of the World (1977), Jazz (1978),  The Game (1980), Flash Gordon (1981 - trilha sonora do filme, assinada pelo Queen) e Hot Space (1982). Fechando a coleção Queen 2011 Digital Remaster, voltarão ao catálogo em setembro The Works (1984), A Kind of Magic (1986), The Miracle (1989), Innuendo (1991) e o póstumo Made in Heaven (1995), último álbum do Queen com a voz do cantor Freddie Mercury (1946 - 1991), lançado quatro anos após a saída de cena do vocalista que, bem mais do que a voz, era a cara e a alma do grupo Queen.

Álbum de Kanye West com Jay-Z inclui música que une Beyoncé e Mars

Beyoncé gravou com Bruno Mars uma faixa para Watch the Throne, o álbum gravado em dupla pelos rappers Jay-Z e Kanye West. Lift Off é o nome da música que junta as vozes de Beyoncé e Mars.  Gravado desde 2010, o álbum já teve vazado o single H.A.M. - produzido por Lex Luger - em janeiro de 2011, mas seu lançamento tem sido adiado diversas vezes pela Def Jam. Por ora, ainda não há uma data certa para a chegada às lojas do CD Watch the Throne.

Salmaso desfila poesia nas belas melodias do CD 'Alma Lírica Brasileira'

Resenha de CD
Título: Alma Lírica Brasileira
Artista: Mônica Salmaso (com Nelson Ayres e Teco Cardoso)
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * * 1/2

"Meu Carnaval é desfilar poesia / Na melodia de uma canção", avisa Mônica Salmaso em verso de Carnalvazinho (Meu Carnaval), tema de Lisa Ono e Mario Adnet que abre seu álbum Alma Lírica Brasileira. Trata-se de disco de trio, assinado por Salmaso com Nelson Ayres e Teco Cardoso. A sublinhar o canto preciso de Salmaso - que dispara sutil arsenal percussivo ao longo das 14 faixas - há somente o piano de Ayres e os sopros de Cardoso. É o suficiente para realçar o lirismo de cancioneiro irretocável que pesca pérolas como Promessa de Violeiro (Raul Torres e Celino), embalada na forma de toada, com direito a um tambor de reisado percutido pela intérprete. É fato que faixas como a valsa Lábios que Beijei (J. Cascata e Leonel Azevedo) e Melodia Sentimental (Heitor Villa-Lobos) reiteram a solenidade que pauta, em maior ou menor grau, o canto preciso de Salmaso. Mortal Loucura - belíssima melodia posta por José Miguel Wisnik em poema de Gregório de Matos (1636 - 1695) - roça até a arquitetura de um tema sacro. Tal solenidade alcança seu pico em Derradeira Primavera (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) - quase transformada numa peça de câmara - mas jamais desmerece um disco sedutor e refinado. Até porque há momentos mais descontraídos que deixam o álbum mais equilibrado. O piano de Ayres, as flautas de Cardoso e a frigideira de Salmaso sublinham a verve quase irônica do samba Meu Rádio e Meu Mulato (Herivelto Martins). Em Samba Erudito (Paulo Vanzolini), o mesmo piano de Ayres evoca gracioso o universo da música clássica em sintonia com o título do tema de Vanzolini, adaptador de Cuitelinho, o tema de domínio público recolhido por Antonio Xandó e regravado com lirismo por Salmaso. Além de tocar todos os pianos do disco, Ayres comparece como compositor da bela e inédita valsa Noite e do tema instrumental Veranico de Maio. Sempre entrosado, o trio consegue até recontar com suingue A História de Lily Braun (Chico Buarque e Edu Lobo) - ainda que Salmaso não traga na voz todo o molejo necessário para realçar o tom teatral dos versos do tema do balé O Grande Circo Místico (1983). Ao fim do álbum, quando o Trem das Onze (Adoniran Barbosa) passa mais silencioso por trilhos minimalistas, Alma Lírica Brasileira deixa a certeza de ser fiel à alma musical de uma das melhores cantoras brasileiras de todos os tempos. Com seu canto preciso solene, Mônica Salmaso faz folia ao desfilar poesia nas belas melodias reunidas no disco.

Sepultura faz 'cover' de tema do grupo The Prodigy no seu álbum 'Kairos'

O quarteto Sepultura gravou cover de Firestarter - tema do grupo inglês de música eletrônica The Prodigy - para inclusão na Deluxe Edition de seu 12º álbum de estúdio, Kairos, cujo lançamento está agendado no exterior para 24 de junho de 2011. A edição especial de Kairos - disco gravado em São Paulo (SP) entre fevereiro e março de 2011, com produção de Roy Z - vai incluir também a música Point of no Return. Já o cover de Just One Fix - tema do grupo norte-americano Ministry - entra também na edição standard do álbum. Eis as onze músicas gravadas pelo Sepultura - visto em foto de Estevam Romera - para a edição simples de Kairos:

* Spectrum
* Kairos

* Relentless
* Just One Fix
* Dialog

* Mask
* Seethe
* Born Strong
* Embrace The Storm
* No One Will Stand
* Structure Violence (Azzes)

Guitarrista da Rage Against the Machine, Morello lança EP 'Union Town'

Guitarrista da banda norte-americana de metal Rage Against the Machine, Tom Morello vai lançar ainda neste mês de maio de 2011 um EP solo intitulado Union Town. Com oito faixas, o disco vai ser lançado pela New West Records em edição digital e no formato de vinil. Das oito músicas, cinco são covers. As três inéditas são A Wall Against the Wind, Which Side Are You on? e a faixa-título, Union Town. Detalhe: Morello - visto em foto de Sean Ricigliano - lança a sua discografia solo sob o codinome The Nightwatchman. Tal alter-ego veio ao mundo em 2003.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Preta Gil finaliza segunda parceria com Brown e quer pôr seu bloco em DVD

♪ Preta Gil e Carlinhos Brown estão dando os últimos retoques em sua segunda parceria, ainda sem título. A primeira, A coisa tá preta, foi composta por telefone em 2009 para o Bloco da Preta e ganhou registro no CD, DVD e blu-ray Noite Preta ao Vivo (2010). Já a segunda vai integrar provavelmente o repertório do DVD que a artista planeja gravar no segundo semestre deste ano de 2011 com as música do Bloco da Preta. Preta já busca parceiros para ampliar o repertório do bloco.

Jota verte hit do grupo espanhol El Canto del Loco em inédita de 'Quinze'

Hit do grupo espanhol El Canto del Loco, o rock Corazón ganhou registro em português do Jota Quest. Intitulada Coração, a versão é uma das três gravações inéditas produzidas por Dudu Marote para Quinze, a coletânea dupla ora editada pela Sony Music para celebrar os 15 anos do ingresso do quinteto mineiro na companhia. As outras duas faixas inéditas são É Preciso (Próxima Parada) - tema bem pop composto pelo baterista Paulinho Fonseca com o vocalista Rogério Flausino, já em rotação na internet e nas rádios - e a balada Luta de Viver, parceria de Flausino com seu irmão Wilson Sideral. No caso de Coração, a faixa inédita que tem mais jeito de hit, vale lembrar que Flausino já havia gravado o tema de Daniele Martin e de David Otero no último álbum do grupo El Canto del Loco, produzido pelo argentino Afo Verde e editado no Brasil pela Sony Music no segundo semestre de 2010. Quinze fecha com o soul Jogo, gravado de forma independente pelo Jota Quest em 1995. A compilação alinha 30 fonogramas.

Luiza canta Djavan com Ivete e se reúne com Zizi em gravação de DVD

Já recuperada de um problema de saúde que a tirou momentaneamente de cena, Zizi Possi reapareceu na gravação do segundo DVD e CD ao vivo de Luiza Possi, Seguir Cantando. O reencontro de mãe e filha no palco aconteceu no show registrado por Luiza na casa Citibank Hall, em São Paulo (SP), na noite de sexta-feira, 29 de abril de 2011. Luiza e Zizi cantaram juntas Cacos de Amor e O Amor Vem para Cada Um. Outra convidada do registro ao vivo, Ivete Sangalo gravou participação em O Circo Pega Fogo (Luiza Possi e Nelson Jr.) e, no bis, voltou para fazer duo com Luiza em música antiga de Djavan, Azul, lançada por Gal Costa em 1982.  

Eumir arranja e produz faixa do disco de estreia da cantora Laura Rizzotto

O pianista Eumir Deodato arranjou e produziu no estúdio Cia. dos Técnicos, no Rio de Janeiro (RJ), a balada Who You Are, faixa do álbum de estreia da cantora e compositora carioca Laura Rizzotto. Previsto para ser lançado em agosto de 2011, com distribuição da Universal Music, o CD de Rizzotto - vista com Eumir Deodato na foto de Dani Motta - inclui outras músicas com títulos em inglês como Better Place, Friend in Me e When I Look in Your Eyes.

Tributo aos 75 anos de Buddy Holly sai em junho com Reed, Paul e Patti

Um dos pioneiros do rock'n'roll, Buddy Holly (1936 - 1959) talvez chegasse aos 75 anos em 7 de setembro de 2011 se não tivesse sido tirado precocemente de cena, aos 22, por acidente de avião. Seja como for, o 75º aniversário do cantor e compositor norte-americano vai ser comemorado com o lançamento do CD Rave on Buddy Holly. Previsto para chegar às lojas a partir de 28 de junho, em parceria da Fantasy Records com o Concord Music Group, o CD Rave on Buddy Holly celebra a data com a reunião de 19 gravações inéditas de Holly por nomes como Cee Lo Green, Fiona Apple, Julian Casablancas, Lou Reed, Paul McCartney, Patti Smith e a dupla She & Him. Eis as músicas (e respectivos intérpretes) do tributo Rave on Buddy Holly:

1. Dearest -The Black Keys
2. Every Day - Fiona Apple & Jon Brion

3. It's So Easy - Paul McCartney
4. Not Fade Away - Florence + The Machine

5. (You're So Square) Baby, I Don't Care - Cee Lo Green
6. Crying, Waiting, Hoping - Karen Elson

7. Rave on - Julian Casablancas
8. I'm Gonna Love You Too - Jenny O.

9. Maybe Baby - Justin Townes Earle
10. Oh Boy - She & Him

11. Changing All Those Changes - Nick Lowe
12. Words of Love - Patti Smith

13. True Love Ways - My Morning Jacket
14. That'll Be The Day - Modest Mouse

15. Well All Right - Kid Rock
16. Heartbeat - The Detroit Cobras
17. Peggy Sue - Lou Reed
18. Peggy Sue Got Married - John Doe

19. Raining In my Heart - Graham Nash

domingo, 1 de maio de 2011

Outra Teresa Cristina entra em cena para cantar Roberto com Os Outros

Resenha de show
Título: Teresa Cristina & Os Outros Cantam Roberto Carlos
Artista: Teresa Cristina & Os Outros (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Teatro Rival (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 1º de maio de 2011
Cotação: * * * * 1/2

Como Zélia Duncan, Teresa Cristina também pode se transformar em outras. Quem viu a compositora de Cantar no palco do  Teatro Rival (RJ) interpretando marota o fox I Love You (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1971) - aliás, revivido por Zélia no show Pelo Sabor do Gesto (2009) - testemunhou a inusitada transformação. Foi uma outra Teresa Cristina que entrou em cena para cantar o repertório de Roberto Carlos com o grupo indie carioca Os Outros em show iniciado já na primeira hora deste domingo, 1º de maio de 2011. Idealizado por ora para ter somente uma única apresentação dentro do projeto Rival  Mais TardeTeresa Cristina & Os Outros Cantam Roberto Carlos vai provavelmente voltar à cena e até ganhar merecido registro ao vivo. "Quero fazer esse show de novo", disse Teresa ao fim do bis, em sintonia com a vontade do público que lotou a pista e as mesas do Teatro Rival. O show é excelente. Tal excelência já começa pelo repertório. O cancioneiro de Roberto Carlos nos anos 60 e 70 é simplesmente irresistível. Tratado com misto de reverência e ousadia pelos Outros, criadores dos inventivos arranjos, esse repertório foi encarado com bravura por uma Teresa Cristina de canto mais exteriorizado, quente e roqueiro. A transformação da intérprete - verdade seja dita - começou em 2009 na gravação ao vivo do show que originou o CD e DVD Melhor Assim. Lá, Teresa já começou a se soltar no palco e até esboçou ar de diva em um ou outro número. Mas nada que se compare a essa outra intérprete que dividiu o palco do Rival com o grupo formado por Botika (voz), Eduardo Sodré (guitarra), Fabiano Ribeiro (bateria), Papel (guitarra), Vitor Paiva (baixo) e Yuri Villar (sopros). No primeiro número, Convite a Roberto Carlos (Chico da Silva, 1983), ainda era a Teresa habitual que estava em cena mostrando um samba desconhecido que romantiza a figura do Rei. Já no segundo, Ilegal, Imoral ou Engorda (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1976), Teresa já era outra, soltando a voz em música dos tempos em que Roberto Carlos era menos politicamente correto e, por isso mesmo, bem mais interessante. Como exemplificado em músicas como Do Outro Lado da Cidade (Helena dos Santos, 1969), os arranjos d'Os Outros flertam com o rock indie ao mesmo tempo em que evocam o som das Jovens Tardes de Domingo - sempre com toques inusitados como a citação de Congênito (Luiz Melodia) no início e no fim de À Janela (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1972) ou o latido de um cachorro simulado ao término de O Portão (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1974). Ou ainda a mistura de rock e galope nordestino que dá outra pegada a Quando (Roberto Carlos, 1967). Em total sintonia com o sexteto, Teresa exteriorizou a interpretação de Como 2 e 2 (Caetano Veloso, 1971) para acompanhar o tom vibrante do arranjo. Trata-se do melhor momento de um show repleto de bons momentos. E talvez por isso mesmo Como 2 e 2 tenha sido a única música repetida - já no segundo bis - na estreia do show. Grande surpresa do roteiro (além evidentemente do samba de Chico da Silva), O Moço Velho (Sílvio César, 1973) reitera a total interação entre cantora e banda. Arranjo e interpretação soam de início econômicos, mas vão ganhando crescente intensidade ao reviver um dos temas mais reflexivos do repertório gravado por Roberto nos anos 70. Na década de 60, o então Rei da Juventude cantou músicas mais ingênuas, algumas até pueris. Mas quem há de resistir a uma canção como Aquele Beijo que te Dei (Edson Ribeiro, 1965)? Ou a um tema tão sincero como E Por Isso Estou Aqui (Roberto Carlos, 1967)? Ninguém que estava no Teatro Rival resistiu. E foi por isso que o show transcorreu em clima de magia. Que quase virou catarse quando, pontuada somente pelo ukelele tocado por Vítor Paiva, Teresa Cristina encarou os versos de Detalhes (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1971) com certa ironia, em interpretação que ostentou mais atitude e menos melancolia do que os registros habituais do Rei. Ironia também perceptível na abordagem pouco sensual de Proposta (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1973), um dos números em que a cantora usa uma rosa como elemento cênico. À vontade e feliz, Teresa não se intimidou em cena nem quando se atrapalhou com os versos de Nada Vai me Convencer (Paulo César Barros, 1969), número que ratificou o tom pop roqueiro do show. Em Um Leão Está Solto nas Ruas (Rossini Pinto, 1964), a cantora virou backing-vocal da banda e cedeu o microfone principal para o guitarrista Eduardo Sodré fazer seu  solo como cantor Na sequência, foi a vez de o vocalista Botika solar Muito Romântico (Caetano Veloso, 1977) e Sua Estupidez (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1969). É fato que ambas as músicas já ganharam intérpretes bem mais afinados e expressivos que Botika. É fato também que o dueto do cantor com Teresa Cristina em As Curvas da Estrada de Santos (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1969) derrapa ao dissipar toda a melancolia e o espírito soul desta obra-prima do Rei. É fato ainda que Cama e Mesa (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1981) soa deslocada no roteiro por expor um outro Roberto Carlos, menos inspirado e já no processo inicial de banalização de seu cancioneiro. Mas tudo isso são detalhes pequenos que vão sumir na longa estrada e que não tiram a grandeza do show em que Teresa Cristina se transforma em outra para cantar Roberto Carlos com Os Outros. No fim do bis, quando a turma manda Quero que Vá Tudo pro Inferno (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1965), a magia se refaz no palco e na plateia. Detalhes à parte, o show é fantástico, sedutor, vibrante. Numa palavra já usada, irresistível. Teresa Cristina & Os Outros Cantam Roberto Carlos merece voltar à cena como deseja a cantora. E merece até um registro fonográfico ao vivo ou de estúdio. E que tudo mais vá pro inferno!!

Teresa faz 'Convite a Roberto Carlos' na abertura de show com Os Outros

Samba pouco conhecido de Chico da Silva, lançado pelo compositor em 1983, Convite a Roberto Carlos abriu com propriedade e surpresa o show em que Teresa Cristina aborda o repertório do Rei na companhia do sexteto indie carioca Os Outros. Iniciado já madrugada neste domingo, 1º de maio de 2011, o show Teresa Cristina & Os Outros Cantam Roberto Carlos foi um dos maiores sucessos de público do projeto Rival Mais Tarde, idealizado pela atriz Leandra Leal dentro da programação alternativa do Teatro Rival, no Rio de Janeiro (RJ). Teresa Cristina - vista em foto de Rodrigo Amaral - fez passeio nada convencional pelo sedutor cancioneiro gravado por Roberto Carlos, escorada nos arranjos inventivos do grupo formado por Botika (voz), Eduardo Sodré (guitarra), Fabiano Ribeiro (bateria), Papel (guitarra), Vitor Paiva (baixo) e Yuri Villar (sopros). Eis o roteiro seguido pela cantora e a banda Os Outros na consagradora estreia do show que, embora idealizado de início para ser apresentado uma única vez, certamente vai voltar à cena por conta do sucesso e da justa vontade de Teresa Cristina:

1. Convite a Roberto Carlos (Chico da Silva, 1983)
2. Ilegal, Imoral ou Engorda (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1976)
3. À Janela (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1972)
4. Como 2 e 2 (Caetano Veloso, 1971)
5. I Love You (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1971)
6. O Moço Velho (Sílvio César, 1973)
7. O Portão (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1974)
8. Aquele Beijo que te Dei (Edson Ribeiro, 1965)
9. Do Outro Lado da Cidade (Helena dos Santos, 1969) *
10. E Por Isso Estou Aqui (Roberto Carlos, 1967)
11. Detalhes (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1971)
12. Um Leão Está Solto nas Ruas (Rossini Pinto, 1965)
13. Muito Romântico (Caetano Veloso, 1977)
14. Sua Estupidez (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1969)
15. Quando (Roberto Carlos, 1967)
16. Nada Vai me Convencer (Paulo César Barros, 1969)
17. Proposta (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1973)
18. As Curvas da Estrada de Santos (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1969)
Bis:
19. Cama e Mesa (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1981)
20. Quero que Vá Tudo pro Inferno (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1965)
21. Como É Grande o meu Amor por Você (Roberto Carlos, 1967)
Bis 2:
22. Como 2 e 2 (Caetano Veloso, 1977)

* Embora creditada oficialmente a Helena dos Santos por iniciativa de Roberto Carlos, a música Do Outro Lado da Cidade é - na realidade - de autoria do próprio Roberto Carlos

Teresa se confraterniza com Os Outros ao fim de tributo a Roberto Carlos

A foto de Rodrigo Amaral capta o abraço emotivo de Teresa Cristina nos músicos da banda Os Outros ao fim do show em tributo a Roberto Carlos que fascinou o público que lotou o Teatro Rival, no Rio de Janeiro (RJ), na madrugada de sábado para este domingo, 1º de maio de 2011. Ao fim do bis, Teresa puxou a capella a canção Como É Grande o meu Amor por Você (Roberto Carlos, 1967) para expressar seu afeto aos músicos do sexteto indie carioca formado por Botika (voz), Eduardo Sodré (guitarra), Fabiano Ribeiro (bateria), Papel (guitarra), Vitor Paiva (baixo) e Yuri Villar (sopros). O abraço coletivo selou o momento de confraternização e celebrou o sucesso arrebatador do show Teresa Cristina & Os Outros Cantam Roberto Carlos, agendado pela atriz Leandra Leal dentro da programação do projeto Rival Mais Tarde.

Com sua família musical, Martinho recria a criação em 'Lambendo a Cria'

Resenha de CD e DVD
Título: Lambendo a Cria
Artista: Martinho da Vila
Gravadora: MZA Music
Cotação: * * * * (CD) e * * * 1/2 (DVD)

Embora apresente algumas (boas) composições inéditas de Martinho da Vila, Lambendo a Cria é um projeto fonográfico em que o sambista recria sua criação na companhia de sua família musical. E, no caso, o conceito de família musical não se restringue aos laços de sangue. Lambendo a Cria não abre espaço apenas para os cinco dois oito filhos de Martinho que posam com o patriarca na foto de Débora 70 exposta nas capas do CD e DVD produzidos por Marco Mazzola e editados pela gravadora MZA Music. Saudada na faixa-título Lambendo a Cria, tema instrumental tocado em clima de samba jazzy, a família abrange também músicos amigos. Sozinho, Martinho assina somente as regravações de Na Minha Veia (Martinho da Vila e Zé Katimba) - faixa em que faz pulsar de seu jeito manemolente o samba que deu para Simone em 2009 - e dos (belos) sambas-enredos Noel - A Presença do Poeta (composto por Martinho para o Carnaval de 2010 da escola de samba Unidos de Vila Isabel) e Cruz e Souza, Cria Lambida (outra joia de Martinho no gênero que ele domina como poucos compositores). Se o DVD está dividido entre takes de estúdio e imagens da roda de samba armada e captada ao vivo no estúdio da gravadora MZA Music em março de 2010, o CD alinha coesos 16 registros de estúdio que expõem facetas variadas da obra de Martinho e de sua família. Mart'nália dá sua cara ao inédito samba Lara, composto por ele e Zé Katimba em tributo aos 90 anos de Ivone Lara. O samba seduz ao evocar o estilo da compositora sem deixar de ser um samba de Martinho. Maíra Freitas toca teclado e canta em Jobiniando, bissexta parceria de Martinho com Ivan Lins que se ajusta com perfeição ao universo musical da filha pianista de Martinho, pois Maíra costuma vestir o samba com traje de gala. Já Tunico Ferreira entoa o bonito samba romântico Vivo pra Sentir seu Prazer, de sua autoria. Por sua vez, Analimar Ventapane - a filha que atua há anos como vocalista dos discos e shows do pai - cai animada no carnavalesco Que Bom!, esfuziante parceria de Martinho com Dudu Nobre. Ainda na seara carnavalesca, o violonista Cláudio Jorge põe o bloco na rua com Volante com Cachaça Não Combina (Cláudio Jorge e Mauro Diniz) - tema escrito em sintonia com os rigores da Lei Seca - enquanto o baterista Paulinho Black e o cavaquinista Wanderson Martins defendem alegres a marchinha Melô do Xavier (Martinho da Vila e Wanderson Martins). Em outro universo musical, Juju Ferreira - filha ainda pouco conhecida de Martinho - causa boa surpresa ao sustentar um rap no medley que une O Amor da Gente (Martinho da Vila e Roque Ferreira) com Casa de Bamba (Martinho da Vila). Em faixa de tom mais íntimo, Todos os Sentidos (Gabriel de Aquino e Martinho da Vila), o violonista Gabriel de Aquino - filho de João de Aquino - toca seu violão enquanto Martinho desfia os versos que celebram o amor e a vida. Como faz em última análise este projeto familiar Lambendo a Cria, dedicado ao percussionista Ovídio Brito (1945 - 2010), morto oito meses depois de ter posto voz em Cuca Maluca, samba de Gracia do Salgueiro, gravado por Martinho da Vila em seu álbum Tá Delícia, Tá Gostoso (1995). Seja filho ou seja músico amigo, todo mundo continua sendo muito bamba na casa espaçosa de Martinho da Vila.

Daniel Boaventura vai relançar disco 'Songs for U' com faixa-bônus, 'She'

Embora Daniel Boaventura já tenha apresentado em novembro de 2010 seu segundo disco, Italiano, com temas italianos revividos pelo ator e cantor na novela Passione, a Sony Music decidiu relançar o primeiro álbum do artista, Songs for U (2009), neste mês de maio de 2011. O motivo da reedição é a regravação por Boaventura de She - um dos maiores sucessos do cantor francês Charles Aznavour - para a trilha sonora da atual novela das 19h da Rede Globo, Morde & Assopra. She obviamente vai entrar como faixa-bônus na reedição de Songs for U.

Grupo Kasabian revela nomes de faixas de seu quarto álbum de estúdio

Arquitetado desde 2010, mas gravado efetivamente desde o início deste ano de 2011 no British Groove Studios com produção de Dan The Automator, o quarto álbum de estúdio do grupo inglês Kasabian reúne músicas como Switchblade Smile, Neon Noon, Goodbye Kiss, I Hear Voices, Shelter From The Storm e Velociraptor. O sucessor de West Ryder Lunatic Pauper Asylum (2009) - CD também produzido por Automator - tem lançamento previsto para outubro.