Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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quarta-feira, 25 de maio de 2016

'MM3' expele as seivas de anti-canções no sangue tom carmim do Metá Metá

Resenha de álbum
Título: MM3
Artista: Metá Metá
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * * 1/2
♪ Disco disponível para download gratuito e legalizado no site oficial do Metá Metá

♪ "A imagem do amor / Não é para qualquer um", sentencia, reiteradas vezes, Juçara Marçal no refrão de A imagem do amor (Kiko Dinucci e Rodrigo Campos), terceira das nove músicas que compõem o repertório essencialmente inédito e autoral do terceiro álbum do Metá Metá, MM3, lançado hoje, 25 de maio de 2016. Entre dissonâncias, ruídos e ritmos alternados que culminam na polifonia que ocupa o último dos seis minutos da faixa, A imagem do amor discorre com crueza sobre o parto de criatura de beleza disforme. Em analogia, essa tal criatura bem poderia ser o sucessor dos EPs Metá Metá (Independente, 2015), Alakorô (Independente, 2013) e dos álbuns MetaL MetaL (Independente, 2013) e Metá Metá (Independente, 2012). O álbum parido hoje, de surpresa, pelo Metá Metá tem beleza disforme, pois segue o passo torto do trio formado por Juçara Marçal (voz), Kiko Dinucci (guitarra e voz) e Thiago França (saxofone). Mesmo sem ostentar a coesão conceitual e a força do repertório do antológico álbum solo de Juçara Marçal, Encarnado (Independente, 2014), MM3 é disco que se encontra ao se perder por caminho caótico que oscila entre o hardcore de Angoulême (Juçara Marçal, Thiago França e Kiko Dinucci) e o afrobeat serelepe de Toque certeiro. Parceria de Kiko Dinucci com Siba, Toque certeiro cai lépido no suingue com leveza que contrasta com a atmosfera tensa e angustiada que pauta a maior parte de MM3. Essa tensão já é perceptível na passagem instrumental de quase um minuto e meio que introduz Três amigos (Rodrigo Campos, Thiago França e Sérgio Machado), primeira das nove músicas do álbum. Gravado de 21 a 23 de março deste ano de 2016 no Red Bull Studio, na cidade de São Paulo (SP), MM3 ostenta um som intenso, pesado, que se anuncia logo em Três amigos. Os toques da bateria de Sérgio Machado e do baixo de Marcelo Cabral se integram ao toque do trio, gerando som encorpado. Corpo vão (Juçara Marçal, Thiago França e Kiko Dinucci) é faixa que sintetiza bem a organicidade sonora construída no aparente caos. Nada parece ser em vão. Com voz inicialmente límpida, Juçara canta para o orixá subir em Mano Légua, tema afro-brasileiro composto pela artista com Kiko Dinucci. MM3 também canta para subir em Ossanyn (Kiko Dinucci) - saudação às folhas e ao senhor das folhas feita por Juçara em língua africana - e Obá Kosso, tema de domínio público também cantado (no caso, por Kiko Dinucci) em dialeto africano sobre jam que se estende por mais de nove minutos. É ode a um rei nagô, ao qual o Metá suplica que não mande o fogo sobre nós. O pedido faz sentido. Até porque o mundo retratado nas letras de MM3 já arde em chamas. Os versos das músicas do terceiro álbum do Metá abrem feridas, sangram. Parafraseando versos de Angolana (Juçara Marçal, Thiago França e Kiko Dinucci), uma das poucas músicas que roçam em MM3 o formato da canção (assim como Toque certeiro), é como se o som do disco fosse o pus expelido junto com as seivas dessas anti-canções esculpidas no sangue tom carmim do trio. "Pele tatuada, carne mutilada, o seu dente sangra / Chora enquanto ri sozinha, faz careta, grita um verso a quem passar", canta Juçara em Angoulême. "Escuridão / Oco voraz / Vai engolir o mundo / E regurgitar", avisam versos de Corpo vão. É sobre esse oco que MM3 avança vorazmente, vomitando sobre mundo em decomposição em que o vão faz o torto voltar a ser regra. O passo é torto. Tal como a imagem do amor, MM3 não é para qualquer um. Mas tem alma, carne e sangue.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Grupo Metá Metá conclui - em apenas três dias - a gravação do quarto disco

♪ "Atualização de status: disco novo gravado!!!". Assim, de forma direta e sucinta, o trio paulistano Metá Metá - formado por Kiko Dinucci, Juçara Marçal e Thiago França - anunciou na página oficial do grupo no Facebook que concluiu a gravação do quarto disco. Iniciada na última segunda-feira, 21 de março de 2016, a gravação foi feita em apenas três dias. O disco anterior do trio foi um EP.

terça-feira, 22 de março de 2016

Metá Metá entra em estúdio em São Paulo para gravar quarto disco do grupo

♪ Trio paulistano formado pela cantora Juçara Marçal com o saxofonista Thiago França e com o guitarrista Kiko Dinucci, Metá Metá entrou ontem, 21 de março de 2016, em estúdio da cidade de São Paulo (SP) para começar a gravar o quarto título da discografia independente do grupo. O disco sucede os álbuns Metá Metá ( 2011) e MetaL MetaL (2012) e o EP Metá Metá (2015) na obra fonográfica do trio. Clique aqui se quiser (re)ler a resenha do (excelente) EP Metá Metá, de 2015.

sábado, 17 de outubro de 2015

Instituto avoluma seu som gregário em 'Violar' com Metá, Nação, Tulipa e cia.

Resenha de álbum
Título: Violar
Artista: Instituto
Gravadora: YB Music
Cotação: * * * *

♪ "Tambor de crioula merece respeito / Duro é saber que o país que eu almejo / Já foi vendido por um tão baixo preço", dispara o cantor paulistano Criolo, dando voz ao povo sem voz nos versos de Vai ser assim (Rica Amabis, Junior Areia, Tony Allen, Criolo, Gioavani Mendes Baffô), segunda das 13 músicas de Violar, primeiro álbum do coletivo paulistano Instituto em longos 13 anos. Gravada com dream team de músicos (Fred Zero Quatro no cavaco, Lanny Gordin na guitarra, Pupillo e o nigeriano Tony Allen - mestre do afrofunkbeat - nas baterias, entre outros virtuoses), a faixa sobressai no repertório, reitera o vigor da pegada do Instituto no sucessor de Coleção nacional (YB Music, 2002) e incorpora na letra uma frase lapidar ("Em casa de menino de rua, o último a dormir apaga a lua") do livro Delitos e deleites (Editora Poesia Maloquerista, 2010), do poeta Giovani Mendes Baffô, incorporado ao time de compositores do tema por conta da citação. Produzido por Rica Amabis e Tejo Damasceno, condutores do coletivo em sua atual formação (já sem Daniel Ganjaman), o disco Violar tem capa e títulos criados por Alexandre Orion, artista visual cuja obra urbana tem sido sonorizada com temas instrumentais do Instituto. Dois deles, Polugravura (Tejo Damasceno, Pupillo, Dengue e Thiago França) e Ossário (Rica Amabis, Tejo Damasceno e Luca Raele) figuram no repertório do disco, sendo que Ossário consegue combinar tensão e lirismo na sua arquitetura sonora. O título Violar remete à face mais combatente e politizada da música da nação nordestina. E, de fato, o disco põe os pés na lama dessa terra ao celebrar o cantor e compositor pernambucano Chico Science (1966 - 1997) em Alto do Zé do Pinho, música póstuma de autoria do rapper paulistano Sabotage (1973 - 2003), cuja voz é ouvida nesta música gravada com o toque da Nação Zumbi e cantada também por Otto e pelo rapper Sombra. Alto do Zé do Pinho - que não é um rap (apesar da intervenção de Sombra) e está mais para um blues-rock de tom psicodélico - e Vai ser assim já valem este disco valorizado mais pela estupenda sonoridade do que pelas músicas em si. Como em Coleção nacional, o Instituto agrega múltiplos parceiros e convidados em Violar, refazendo suas conexões com nomes como BNegão, Otto, Nação Zumbi e o próprio Sabotage. Mas outras vozes se fazem ouvir naturalmente em Violar. Afinal, mais de uma década separa um álbum do outro. Formatado com a adesão da cantora e compositora Tulipa Ruiz em duas músicas, Mais carne (Karol Conká, Tulipa Ruiz, Rica Amabis, Tejo Damasceno, Alexandre Basa e Mike Relm) e a pop Tudo que se move (Rica Amabis, Dengue, Pupillo e Gui Amabis), Violar está impregnado da pegada da Nação, mais presente no atual álbum. A recorrente interação do Instituto com os músicos da banda pernambucana - pedra fundamental do Mangue Beat - encorpa e avoluma o som gregário do coletivo neste disco em faixas como Na surdina (Rica Amabis, Luca Raele e Jorge Du Peixe), música gravada com o baixo de Dengue e com a voz de Jorge Du Peixe, também intérprete e parceiro da sombria Isso é sangue (Tejo Damasceno, Daniel Ganjaman, Rica Amabis e Jorge Du Peixe). Em essência, Violar é disco escaldado em água fervente, mas alterna tons, timbres e climas, escapando da linearidade e do experimentalismo pelo experimentalismo. Na sequência de Bossa chinesa (Rica Amabis), tema instrumental que abre espaço em Violar para certa serenidade, o samba Pacto com mato (Rica Amabis e Curumim) harmoniza sons eletrônicos e acústicos com maestria e a voz e a bateria de Curumim, um dos compositores do tema. Já Seco é um rap poliglota que embute as vozes do rapper japonês Lyrics Born e da cantora norte-americana de rap e soul Joyo Velarde em faixa pautada pelo discurso árido do rapper carioca BNegão, parceiro de Tejo e Rica na composição. Já Irôco (Rica Amabis, Klaus Sena, Guilherme Held, Kiko Dinucci, Thiago França e Juçara Marçal) tem intervenções cortantes do saxofone de Thiago França que jamais dissolvem o elo com a mãe África, evocada pela voz transcendental de Juçara Marçal. O grupo paulistano Metá Metá garante a pulsação da faixa, encorpada também pelo toque heavy da guitarra de Guilherme Held. E por falar em África, Baía (Tejo Damasceno, Thiago França e Tony Allen) fecha Violar em grande estilo com os afrofunkbeats da bateria de Tony Allen. Enfim, nesta coleção (inter)nacional de sons que completa Violar, o Instituto confirma sua importância na cena.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Metá se encontra no tempo 'hard' de EP que transita entre o punk e o samba

Resenha de EP
Título: Metá Metá EP 2015
Artista: Metá Metá
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * * * *
♪ Disco disponível para download gratuito e audição na web

♪ "Penso que o tempo / Sempre quis me devorar / Me perco nesse tempo / Me perco nesse tempo...", vociferou a banda paulistana As Mercenárias, expoente feminino do punk brasileiro dos anos 1980, através dos versos de Me perco nesse tempo (Edgard Scandurra), tema do primeiro álbum do grupo, Cadê as armas? (Baratos Afins, 1986). Decorridos quase trinta anos dessa primal gravação, outro grupo paulistano, Metá Metá, se encontra nesse tempo hard em gravação pesada que valoriza EP gravado em 2 de abril de 2015 no estúdio El Rocha, em São Paulo (SP), e lançado esta semana pelo Metá Metá às vésperas de partir para turnê europeia. Disponibilizado para download gratuito e audição desde ontem, 18 de maio de 2015, o EP retrata em três gravações - que totalizam inebriantes 10 minutos e 46 minutos - o momento áureo vivido por Juçara Marçal (voz, forte), Kiko Dinucci (voz e guitarra), Thiago França (sax), Marcelo Cabral (baixo) e Serginho Machado (bateria) desde a estreia em disco, em 2011, há apenas quatro anos. A regravação de Me perco nesse tempo consegue ser tão punk quanto o registro d'As Mercenárias ao mesmo tempo em que escapa do universo punk oitentista, trazendo a música para os dias e os sons atuais. Música de autoria de Kiko Dinucci que abre o EP e que foi lançada pelo compositor paulistano há oito anos no álbum que dividiu com Juçara Marçal, Padê (Independente, 2007), Atotô tem revolvida sua raiz afro-brasileira com gás e o peso da guitarra de Dinucci. No registro do Metá, Atotô é envolvida em ambiência noise que combina distorções, ruídos e tensões sem macular a matriz afro. É a mesma tensão que pauta a terceira faixa do EP, Sozinho, um transamba de Douglas Germano que o Metá Metá já mostrava em shows, mas até então nunca tinha registrado em disco. A rigor, a gravação é acústica, mas a fricção do violão de Dinucci com o sopro intencionalmente torto do sax tenor de Thiago França produz eletricidade e se afina com o tom inquieto, hard, deste disco em que o Metá Metá se encontra em estado de ebulição,  em plena efervescência criativa, devorando o seu tempo.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Tulipa revela a capa (e o título) de álbum que inclui Donato, Metá e Cordeiro

♪ Com lançamento programado para 5 de maio de 2015 pela Pommelo Distribuições, o terceiro álbum de Tulipa Ruiz tem capa criada pela designer gráfica Tereza Bettinardi a partir de desenho feito pela própria cantora e compositora paulistana. Dancê é o título do esperado disco produzido por Gustavo Ruiz com participações do pianista e compositor acriano João Donato, do grupo paulistano Metá Metá e do cantor, compositor e guitarrista paraense Felipe Cordeiro. "Dancê é um disco para ouvir com corpo", conceitua Tulipa em comunicado enviado por sua assessoria. Gravado no estúdio da Red Bull Station em São Paulo (SP), com apoio do projeto Natura Musical, Dancê sucederá Efêmera (YB, 2010) e Tudo tanto (Independente, 2012) na discografia da artista, exemplo de sucesso na cena indie nativa.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Tulipa finaliza álbum que, além de Cordeiro, inclui Donato e o Metá Metá

♪ Tulipa Ruiz conclui hoje, 27 de fevereiro de 2015, a gravação de seu terceiro álbum. Formatado ao longo deste mês de fevereiro no estúdio da Red Bull Station, em São Paulo (SP), com produção de Gustavo Ruiz, o disco amplia as conexões musicais da cantora e compositora paulistana. Além de Felipe Cordeiro, parceiro e piloto da música Virou (Tulipa Ruiz, Gustavo Ruiz, Luiz Chagas, Felipe Cordeiro e Manoel Cordeiro), o sucessor do álbum Tudo tanto (Independente, 2012) tem participações do compositor e pianista acriano João Donato e do grupo paulistano Metá Metá. Donato virou admirador fervoroso do som de Tulipa desde que a convidou para participar do show em que reviveu o repertório de seu álbum Quem é quem (EMI-Odeon, 1973) em fevereiro de 2014, em São Paulo (SP). Já a conexão da artista com o Metá Metá é inédita. Gravado com patrocínio do projeto Natura Musical  e com banda formada pelos músicos Caio Lopes (bateria), Luiz Chagas (guitarra) e Márcio Arantes (baixo), além de Gustavo Ruiz, o terceiro álbum de Tulipa Ruiz - em foto de Fábio Piva - já tem lançamento programado para 5 de maio e vai chegar ao mercado fonográfico pelas mesmas vias independentes do belo álbum anterior da artista projetada em 2010.