♪ Parceiro de Cazuza (1958 - 1990) e de Ezequiel Neves (1935 - 2010) em Exagerado (1985), hit e marco inicial da carreira solo de Cazuza, Leoni criou melodias para duas letras - sem datas - do baú do cantor e compositor carioca. Estranha palavra e Tocha acesa foram musicadas por Leoni para o disco produzido com letras inéditas deixadas por Cazuza. O time de intérpretes inclui Baby do Brasil, Bebel Gilberto (parceira e intérprete de Brazilian prayer, letra em inglês creditada ao ano de 1989), Caetano Veloso, Seu Jorge e Rogério Flausino, entre outros. O álbum vai ser lançado pela gravadora Sony Music neste segundo semestre de 2015, lembrando os 25 anos da morte do artista.
Guia jornalístico do mercado fonográfico brasileiro com resenhas de discos, críticas de shows e notícias diárias sobre futuros lançamentos de CDs e DVDs. Do pop à MPB. Do rock ao funk. Do axé ao jazz. Passando por samba, choro, sertanejo, soul, rap, blues, baião, música eletrônica e música erudita. Atualizado diariamente. É proibida a reprodução de qualquer texto ou foto deste site em veículo impresso ou digital - inclusive em redes sociais - sem a prévia autorização do editor Mauro Ferreira.
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sexta-feira, 3 de julho de 2015
terça-feira, 16 de junho de 2015
Sony faz álbum com músicas compostas a partir de letras inéditas de Cazuza
♪ Ao sair de cena, há 25 anos, Cazuza (1958 - 1990) deixou 65 letras inéditas. Parte destas letras está ganhando música - composta e/ou gravada por nomes como Bebel Gilberto, Caetano Veloso, Leoni, Rogério Flausino e Seu Jorge, entre outros - para álbum que vai ser lançado pela gravadora Sony Music no segundo semestre deste ano de 2015. Parceira de Cazuza e de Dé Palmeira em músicas como Mais feliz (1986) e Preciso dizer que te amo (1986), Bebel Gilberto, por exemplo, musicou letra em inglês intitulada Brazilian prayer e creditada a 1989. Bebel gravou a sua música.
segunda-feira, 25 de maio de 2015
Som Livre edita o single 'Exagerado 3.0', 30 anos após lançar o hit de Cazuza
♪ Trinta anos após lançar a gravação original de Exagerado (Leoni, Cazuza e Ezequiel Neves, 1985), pedra fundamental da carreira solo de Cazuza (1958 - 1990), a gravadora Som Livre lança single digital com registro turbinado da música. Intitulado Exagerado 3.0, o single tem produção assinada por Liminha. À voz original de Cazuza, foram adicionadas a guitarra de Dado Villa-Lobos, a bateria de João Barone e as intervenções de Kassin. O objetivo foi atualizar o som deste rock de cepa pop.
segunda-feira, 9 de junho de 2014
Ao cantar Cássia, Catto dá voz a Ataulfo, Brown, Caetano, Cazuza e Rita
São Paulo (SP) - Ao dar sua voz potente ao repertório gravado entre 1990 e 2001 pela cantora carioca Cássia Eller (1962 - 2001), o cantor gaúcho Filipe Catto irmanou obras de compositores díspares no show que apresentou de 4 a 6 de junho de 2014 no teatro do Sesc Vila Mariana, em São Paulo (SP). Com touca incorporada ao figurino rocker nos primeiros números, como visto na foto de Rodrigo Goffredo, Catto abriu leque estilístico que abarcou desde o samba do compositor mineiro Ataulfo Alves (1909 - 1969) até o underground hino gay do compositor paulista Mário Manga, Rubens (1986), gravado pela homenageada no seu primeiro álbum, o marginal Cássia Eller (Polygram, 1990). Entre um e outro, Catto cantou Cássia através de Caetano Veloso, Carlinhos Brown, Cazuza (1958 - 1990), Itamar Assumpção (1949 - 2003), Luís Capucho, Luiz Melodia, Nando Reis e Rita Lee, entre outros compositores gravados pela artista carioca em discografia que transitou a partir de 1994 - sem perda da personalidade artística - entre o indie e o mainstream. Eis o roteiro do teatral show Filipe Catto canta Cássia Eller:
1. Eu queria ser Cássia Eller (Péricles Cavalcanti, 1998)
2. E.C.T. (Nando Reis, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 1994)
3. Gatas extraordinárias (Caetano Veloso, 1999)
4. Mapa do meu nada (Carlinhos Brown, 1999)
5. Rubens (Mario Manga, 1986)
- Música gravada por Cássia Eller em 1990
6. Na cadência do samba (Ataulfo Alves e Paulo Gesta, 1962)
- Música gravada por Cássia Eller em 1994
7. Que o Deus venha (Roberto Frejat e Cazuza sobre Clarice Lispector, 1986) /
- Música gravada por Cássia Eller em 1990
Todo amor que houver nessa vida (Roberto Frejat e Cazuza, 1982)
- Música gravada por Cássia Eller em 1997
8. Por enquanto (Renato Russo, 1985)
- Música gravada por Cássia Eller em 1990
9. Maluca (Luis Capucho, 1995)
- Música gravada por Cássia Eller em 1999
10. Eu sou neguinha? (Caetano Veloso, 1987)
- Música gravada por Cássia Eller em 1996
11. Nós (Tião Carvalho, 1988)
- Música gravada por Cássia Eller em 1996
12. Vá morar com o diabo (Riachão) - em dueto com Lan Lan
- Música gravada por Cássia Eller em 2001
13. Sonhei que viajava com você (Itamar Assumpção, 1992)
14. Esse filme eu já vi (Luiz Melodia e Renato Piau, 1999)
15. Smells like teen spirit (Dave Grohl, Krist Novoselic e Kurt Cobain, 1991)
- Música gravada por Cássia Eller em 2000
16. Luz dos olhos (Nando Reis, 2001)
17. Luz del fuego (Rita Lee, 1975)
- Música gravada por Cássia Eller em 1998 em CD / DVD de Rita Lee
18. Toda vez que eu digo adeus (Ev'ry time we say goodbye)
(Cole Porter, 1944, em versão em português de Carlos Rennó, 2000)
19. Relicário (Nando Reis, 2001)
20. O segundo sol (Nando Reis, 1999)
Bis:
21. Non, je ne regrette rien (Charles Dumont e Michel Vaucaire, 1956)
- Música gravada por Cássia Eller em 2001
22. Malandragem (Cazuza e Frejat, 1994)
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Show com holograma de Cazuza dá a impressão de que o poeta está vivo
Título: GVT music live show - Cazuza
Artista: vários
Local: Praia de Ipanema (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 19 de janeiro de 2014
Cotação: * * *
Foi preciso esperar uma hora e 15 minutos para que a atração principal da noite, Cazuza (1958 - 1990), entrasse em cena. E ele entrou, na forma de holograma que deu a impressão - para a multidão carioca que lotou a Praia de Ipanema na noite de domingo, 19 de janeiro de 2014 - que o poeta estava vivo, a impulsionar a grande roda da história, como dizem os versos de Dulce Quental, parceira de Roberto Frejat na música O poeta está vivo, sucesso do grupo Barão Vermelho em 1990. Na indústria da música, hábil na exumação de seus mortos rentáveis, a roda da história gira atualmente em torno dos hologramas, tecnologia que forja a permanência no palco de artistas que se já saíram de cena. No caso do cantor e compositor carioca Cazuza, cuja obra é um dos pilares que sustentou o rock brasileiro projetado nos anos 1980, os ajustes feitos no holograma - apresentado pela primeira vez em show feito em São Paulo (SP), em dezembro de 2013 - alimentaram a sensação de que, sim, era Cazuza quem dividia com músicos como o saxofonista George Israel o palco armado nas areias em que o artista viveu parte de sua vida louca vida. Foram somente cinco músicas - Exagerado (Leoni, Ezequiel Neves e Cazuza, 1985), Faz parte do meu show (Renato Ladeira e Cazuza, 1988), Amor, amor (Roberto Frejat, George Israel e Cazuza, 1992), O tempo não para (Arnaldo Brandão e Cazuza, 1989) e Brasil (George Israel, Nilo Romero e Cazuza, 1988) - e uma sensação estranha no ar. Animada, a imagem em movimento de Cazuza sentou no banquinho quando se ouviu a voz do cantor na bossa-novista Faz parte do meu show - como mostra uma das fotos de divulgação - e se enrolou na Bandeira do Brasil ao som do indignado samba roqueiro Brasil. Não era Cazuza, as feições do rosto eram distintas, mas parecia ser Cazuza. E esse parecer bastou para resolver a equação poesia + tecnologia = magia de que falou o apresentador Otaviano Costa no início do espetáculo. Show que nunca chegou a empolgar, diga-se. Tensões na plateia - provocadas por grupo que gritava palavras de ordem em protesto isolado, mas barulhento - pontuaram toda a apresentação. Inflados pelas réplicas vãs de artistas como Arnaldo Brandão e George Israel (condutor da parte musical do show), os protestos abafaram especialmente a interpretação de Codinome Beija-flor (Reinaldo Arias, Ezequiel Neves e Cazuza, 1985) por Gal Costa, convidada que já tinha aberto o roteiro, após uma overture, com o já citado Brasil. O outro convidado da banda, Paulo Ricardo, fez o que pode, mas todos os números anteriores ao holograma soaram como anticlímax. Mera espera para a entrada em cena de Cazuza, a grande atração da noite. Se o poeta foi ao inferno e voltou na forma de um controvertido holograma, a indústria da música parece estar no paraíso.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Gadú interpreta Cazuza em show no Rio sem recorrer à muleta do 'cover'
Resenha de show
Evento: Banco do Brasil covers
Título: Maria Gadú interpreta Cazuza
Artista: Maria Gadú (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Vivo Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 1º de dezembro de 2013
Cotação: * * * 1/2
Evento: Banco do Brasil covers
Título: Maria Gadú interpreta Cazuza
Artista: Maria Gadú (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Vivo Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 1º de dezembro de 2013
Cotação: * * * 1/2
Maria Gadú usou muleta na apresentação carioca do show em que interpreta o repertório de Cazuza (1958 - 1990) dentro do projeto Banco do Brasil covers. Mas a muleta foi usada somente para ajudar a artista paulista - ainda com sua locomoção parcialmente comprometida por ter rompido os ligamentos do joelho - a se movimentar pelo palco da Casa Vivo Rio na noite de 1º de dezembro de 2103. Em cena, Gadú jamais recorreu à muleta dos covers. Ao contrário: cantou Cazuza com ousadias estilísticas e com a personalidade forte já mostrada em seu show de intérprete Doncovim (2012). Alvo de amores e ódios expressados na mesma intensa proporção, Gadú - justiça seja feita - jamais escolheu o caminho mais fácil. Em 2011, ao gravar seu segundo álbum de estúdio, Mais uma página (Slap, 2011), mexeu no time vitorioso do CD de estreia Maria Gadú (2009) e mudou o disco, virando a página. Já o show Maria Gadú interpreta Cazuza - formatado sob a direção de Monique Gardenberg - virou do avesso o cancioneiro do Exagerado, retrato contundente do Brasil e do rock dos anos 80. Já na abertura do show - em que o violoncelista Federico Puppi fez seu instrumento soar como frenética rabeca - Gadú deu a pista de que ia inventar moda, cantando os versos de O tempo não para (Arnaldo Brandão e Cazuza, 1988) de forma recitada, sob baticum intenso, com direito à troca da palavra bicha por sapatão na letra que teve seu sentido realçado na voz da assumida Gadú. Na sequência, Posando de star (Roberto Frejat e Cazuza, 1982) - rock do primeiro álbum do Barão Vermelho, o grupo carioca que projetou Cazuza como cantor e compositor - veio à cena em tom agitado, nervoso. Não, Gadú não fez covers de Cazuza em clima de barzinho. Se alguém ainda duvidava, a cantora mostrou definitivamente a que veio ao alterar a divisão e a entonação de O nosso amor a gente inventa (Estória romântica) (João Rebouças, Rogério Meanda e Cazuza, 1987), terceira das 20 músicas do roteiro pontuado por saudações a João Araújo (1935 - 2013), pai do homenageado, morto na véspera da apresentação do show no Rio de Janeiro (RJ), cidade natal de Cazuza e destino final (em 2013) da turnê que passou Natal (RN), Recife (PE), Fortaleza (CE) e Porto Alegre (RS). Se Mais feliz (Dé Palmeira, Cazuza e Bebel Gilberto, 1986) ganhou suingue inadequado no toque da banda que incluiu o guitarrista Fernando Caneca e o baterista Cezinha, Faz parte do meu show (Renato Ladeira e Cazuza, 1988) teve diluída a aura bossa-novista da gravação original de Cazuza sem perder seu clima de intimidade, como se Gadú sussurrasse a letra ao pé do ouvido da personagem de uma estória romântica. Já Medieval II (Rogério Meanda e Cazuza, 1985) recuperou a pegada roqueira do show enquanto Bete Balanço (Roberto Frejat e Cazuza, 1985) caiu no suingue da percussão da banda. Um dos grandes momentos do show, Vida louca vida (Lobão e Bernardo Vilhena, 1987) ganhou interpretação arrebatadora, perfeita ao alternar andamentos elétricos e os tons suaves do refrão, cantado por Gadú quase como um lamento pela brevidade da vida. Todo amor que houver nessa vida (Roberto Frejat e Cazuza, 1982) foi outro acerto, pois o toque mais minimalista do arranjo evidenciou toda a força poética dos versos que, entre 1982 e 1983, chamaram a atenção de nomes da MPB, como Caetano Veloso, para o nome e a música de Cazuza. Em contrapartida, Preciso dizer que te amo (Dé Palmeira, Cazuza e Bebel Gilberto, 1986) - linkada no roteiro com Todo amor que houver nessa vida - perdeu sua delicadeza romântica na pulsação agitada da abordagem de Gadú. Pequeno deslize encoberto, dois números depois, pela grande interpretação do Blues da piedade (Roberto Frejat e Cazuza, 1988). Gestos, tons e ênfases da cantora valorizaram a pregação da letra impiedosa com as almas pequenas. Alocado no roteiro após a releitura veloz de Exagerado (Leoni, Ezequiel Neves e Cazuza, 1985), luminoso instante pop da carreira solo de Cazuza, o samba-rock Brasil (George Israel, Nilo Romero e Cazuza, 1988) também ganhou tom bluesy em outra amostra de que Gadú se debruçou sem preguiça no cancioneiro de Cazuza. Ao fechar o show cantando os versos "Aquele garoto que ia mudar o mundo / Agora assiste a tudo em cima do muro", a cantora deu sentido metafísico a esses versos de Ideologia (Roberto Frejat e Cazuza, 1988) em (mais uma) prova de que não precisou de muletas para interpretar Cazuza.
Com saudações a João Araújo, Gadú interpreta Cazuza em show no Rio
Foi ainda sob o efeito da notícia da morte de João Araújo (1935 - 2013) - pai do cantor e compositor Cazuza (1958 - 1990) - que Maria Gadú apresentou no Rio de Janeiro (RJ) o show em que canta músicas compostas e/ou gravadas por Agenor de Miranda Araújo Neto, artista carioca que passou a ser nacionalmente conhecido como Cazuza em 1982, quando ainda era vocalista e compositor da banda carioca Barão Vermelho. Terceira e última atração carioca da edição de 2013 do projeto Banco do Brasil covers, o show Maria Gadú interpreta Cazuza teve seu roteiro pontuado na apresentação de 1º de dezembro por saudações a Araújo, morto na véspera. Logo após o primeiro número, a artista paulista - em foto de Rodrigo Amaral - se referiu no palco da casa Vivo Rio ao fato de o dia do show ser ao mesmo tempo "bonito e triste" por força das circunstâncias. Já no fim da apresentação, Gadú lembrou inclusive o fato de ser contratada há cinco anos da Som Livre, a gravadora carioca dirigida pelo executivo ao longo de 38 de seus 78 anos de vida. Eis o roteiro seguido por Maria Gadú na apresentação carioca do show em que interpreta Cazuza com ousadias sob a direção de Monique Gardenberg:
1. O tempo não para (Arnaldo Brandão e Cazuza, 1988)
2. Posando de star (Roberto Frejat e Cazuza, 1982)
3. O nosso amor a gente inventa (Estória romântica) (João Rebouças, Rogério Meanda e Cazuza, 1987)
4. Mais feliz (Dé Palmeira, Cazuza e Bebel Gilberto, 1986)
5. Faz parte do meu show (Renato Ladeira e Cazuza, 1988)
6. Um trem para as estrelas (Gilberto Gil e Cazuza, 1987)
7. Medieval II (Rogério Meanda e Cazuza, 1985)
8. Bete Balanço (Roberto Frejat e Cazuza, 1984)
9. Vida louca vida (Lobão e Bernardo Vilhena, 1987)
10. Todo amor que houver nessa vida (Roberto Frejat e Cazuza, 1982) /
11. Preciso dizer que te amo (Dé Palmeira, Cazuza e Bebel Gilberto, 1986)
12. Codinome beija-flor (Reinaldo Arias, Ezequiel Neves e Cazuza, 1985)
13. Eu queria ter uma bomba (Roberto Frejat e Cazuza, 1985)
14. Blues da piedade (Roberto Frejat e Cazuza, 1988)
15. Exagerado (Leoni, Ezequiel Neves e Cazuza, 1985)
16. Brasil (George Israel, Nilo Romero e Cazuza, 1988)
17. Ideologia (Roberto Frejat e Cazuza, 1988)
Bis:
18. Malandragem (Roberto Frejat e Cazuza, 1994)
19. Poema (Roberto Frejat e Cazuza, 1999)
20. Pro dia nascer feliz (Roberto Frejat e Cazuza, 1982)
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Ator mimetiza Cazuza em ótimo musical que restaura ideologia do artista
Título: Cazuza Pro dia nascer feliz O musical
Texto: Aloisio de Abreu
Direção: João Fonseca
Direção musical: Daniel Rocha
Elenco: Emilio Dantas (Cazuza), Susana Ribeiro (Lucinha Araújo), Marcelo Varzea (João
Araújo), André Dias (Ezequiel Neves), Thiago Machado (Frejat), Yasmin
Gomlevsky (Bebel Gilberto), Fabiano Medeiros (Ney Matogrosso e Guto Graça
Mello), Bruno Narchi (Serginho Maciel), Bruno Sigrist (Guto Goffi e Dr. Sheldon
Wolf), Saulo Segreto (Dé Palmeira), Bruno Fraga (Maurício Barros) e outros
Foto: Leonardo Aversa
Cotação: * * * * 1/2
Espetáculo em cartaz no Theatro Net Rio, no Rio de Janeiro, de quinta-feira a domingo
Estreia em São Paulo prevista para março de 2014
Provável grande sucesso da temporada teatral carioca neste último trimestre de 2013, o musical Cazuza - Pro dia nascer feliz descende da linhagem de outro espetáculo nascido em palco do Rio de Janeiro (RJ), Tim Maia - Vale tudo, musical que levou multidões ao teatro entre 2011 e 2012. O diretor, João Fonseca, inclusive é o mesmo. E, se o vibrante musical sobre o cantor e compositor carioca Tim Maia (1942 - 1998) se sustentou na robusta atuação do ator Tiago Abravanel (impecável ao encarnar o Síndico em todas as fases da atribulada vida do artista), o espetáculo sobre Cazuza (1958 - 1990) tem como grande trunfo a interpretação perfeita de Emilio Dantas. Ator e cantor que tinha tido até então presença irrelevante na cena brasileira, Dantas mimetiza Cazuza de forma impressionante. O jeito de corpo, a maneira de falar e o timbre da voz de Dantas em cena são incrivelmente iguais aos de Cazuza, sendo justo fazer menção honrosa ao perfeito trabalho de caracterização do ator. A mudança do visual do ator do primeiro para o segundo ato - centrado na fase em que Cazuza já tinha a saúde debilitada pela ação do vírus da Aids - é absolutamente convincente. Com atuação situada no mesmo alto nível da interpretação de Daniel Oliveira no filme Cazuza - O tempo não para (Brasil, 2004), o ator conduz o espetáculo com extrema segurança e, quando canta músicas como Down em mim (Cazuza, 1982) e Mal nenhum (Cazuza e Lobão, 1985), fica nítido que Dantas é Cazuza com toda a energia e plenitude de um artista que, em apenas oito anos de atuação no universo pop nacional, deixou seu nome cristalizado no hall da fama do rock brasileiro, embora sua obra transcenda o rock. Além da interpretação de Dantas, o musical se escora no fluente texto de Aloisio de Abreu, hábil ao restaurar a história e a ideologia de Cazuza, diluídas no filme de Sandra Werneck e Walter Carvalho. Se o filme chegou a omitir a importante presença de Ney Matogrosso na vida de Cazuza, o musical repõe Ney em cena no seu devido lugar - infelizmente em atuação pouco crível de Fabiano Medeiros tanto na questão vocal como na parte gestual, como fica claro no dueto entre Dantas e Medeiros em Pro dia nascer feliz (Frejat e Cazuza, 1983), música gravada por Ney simultaneamente com o Barão Vermelho. A homossexualidade de Cazuza - e não bissexualidade, como quis fazer crer o filme - está exposta em cena sem maquiagem, com ênfase no caso de amor do Exagerado com Serginho Maciel, ilustrado no início ao som de Vem comigo (Guto Goffi, Dé Palmeira e Cazuza, 1983) e no fim ao som da bossa Faz parte do meu show (Renato Ladeira e Cazuza, 1988). A propósito, outro grande trunfo do espetáculo é o encaixe perfeito das 29 músicas do roteiro na narrativa em contextos inusitados. Exagerado (Leoni, Cazuza e Ezequiel Neves, 1985), por exemplo, pontua o amor incondicional de Lucinha Araújo - Susana Ribeiro, ótima, sobretudo nas cenas de maior voltagem emocional - por seu filho único. Eu queria ter uma bomba (Cazuza, 1985) é disparada no momento da primeira ruptura séria entre Cazuza e Frejat. Já Cobaias de Deus (Angela Ro Ro e Cazuza, 1989) sonoriza a entrada da Aids em cena. Musicalmente, o único nome do elenco de Cazuza que impressiona como cantor é mesmo Emilio Dantas. Se falta voz a alguns atores, falta também pressão aos arranjos dos rocks cantados pelo Barão Vermelho, casos de Maior abandonado (Frejat e Cazuza, 1984) - número valorizado pela projeção de animações que ilustram a conquista do Brasil pela banda - e de Rock'n geral, parceria de Cazuza com Frejat (cujos créditos na música são atribuídos a Guto Goffi no programa da peça) lançada em 1982 no seminal primeiro álbum do grupo. Outro problema é o tom equivocado de algumas interpretações. Yasmin Gomlevski compõe uma Bebel Gilberto no limite da caricatura. Fiel escudeiro de Cazuza e do Barão, o produtor e jornalista mineiro Ezequiel Neves (1935 - 2010) também é retratado em tom de galhofa pelo (habitualmente excelente) André Dias. Contudo, esses pequenos defeitos somem no conjunto grandioso da obra posta em cena. Até porque a história da vida de Cazuza é tão boa que resistiria em cena até sem o auxílio da música. Da mesma forma, a música é tão poderosa - com sua poesia mezzo beatnik, mezzo dor-de-cotovelo à moda de Lupicínio Rodrigues (1914 - 1974) e Maysa (1936 - 1977) - que paira acima de qualquer direção musical e legitima toda a história (bem) contada por Aloísio de Abreu. Com brilho, o dramaturgo sintetiza no ágil texto todas as passagens realmente importantes da vida e obra de Cazuza. Já o diretor João Fonseca arma algumas cenas criativas, como o balé de médicos e enfermeiros do hospital de Boston (EUA) que abre o sucinto segundo ato ao som de Ideologia (Frejat e Cazuza, 1988). Em contrapartida, resultou gratuita e sem sentido a cena em que os atores se desnudam ao som do Blues da piedade (Frejat e Cazuza, 1988). De todo modo, cabe ressaltar -mais uma vez - que a força do espetáculo encampa eventuais deslizes ou exageros. Quando cai o pano, ao som da anticlimática Sorte e azar (Cazuza e Frejat, 1982 / 2012), o espectador nem sente que transcorreram mais de duas horas. Aliada ao poder de sedução da música de Cazuza, a interpretação de Emilio Dantas - arrebatadora do primeiro ao último minuto do espetáculo - deixa a certeza de que o poeta (re)vive no palco do Theatro Net Rio neste musical fiel à ideologia do heroico personagem real que lhe dá título. Cazuza - Pro dia nascer feliz é ótimo.
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Projeto 'Agenor' se expande em noite de tributo aos exageros de Cazuza
Resenha de show
Título: Agenor - Um tributo a Cazuza
Artista: Vários
Local: Miranda (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 28 de agosto de 2013
Foto: Rodrigo Goffredo
Cotação: * * *
Título: Agenor - Um tributo a Cazuza
Artista: Vários
Local: Miranda (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 28 de agosto de 2013
Foto: Rodrigo Goffredo
Cotação: * * *
"Cazuza deixou uma lacuna. Até hoje, não acho que surgiu uma pessoa tão boa quanto ele...", disparou Lucinha Araújo, no palco da casa Miranda, ao ser questionada pela jornalista Lorena Calábria sobre a falta que faz Agenor de Miranda Araújo Neto (4 de abril de 1958 - 7 de julho de 1990), o Cazuza, filho único de Lucinha e um dos mais importantes cantores e compositores brasileiros projetados na geração pop dos anos 80. Soberano na noite de ontem, 28 de agosto de 2013, o talento de Cazuza foi louvado por Lucinha, pelo DJ Zé Pedro - idealizador de Agenor, o recém-lançado disco que deu origem ao show ao apresentar releituras contemporâneas de títulos menos ouvidos do cancioneiro de Cazuza - e pelos artistas da geração 2010 que subiram ao palco da Miranda, no Rio de Janeiro (RJ), para cantar as músicas do parceiro de Roberto Frejat em sucessos como Maior abandonado (1984), música que encerrou o tributo em número coletivo puxado por Bruno Cosentino. Apresentado dentro do Projeto Pensar, o show coletivo foi antecedido por entrevista do DJ Zé Pedro a Lorena Calábria. Zé Pedro - que migrou do Rio de Janeiro (RJ) para São Paulo (SP) em 1993 e, após 20 anos, se reconectou com o som e a turma indie carioca através de Agenor - explicou o conceito do disco, gravado sob a curadoria de Lorena Calábria, e os rumos de sua gravadora Joia Moderna, criada em 2010 para abrir mercado para cantoras sem voz na indústria da música. "Não me cobrem coerência. Às vezes, eu me perco no caminho - no bom sentido", argumentou o DJ, dissolvendo as esperanças do que esperam que a Joia Moderna volte para seu trilho original. Encerrada a breve pensata sobre Cazuza, teve início o show que expandiu o projeto Agenor em cena, não somente por incorporar ao roteiro músicas ausentes do disco disponibilizado para audição no portal SoundCloud - caso de Eu queria ter uma bomba (Frejat e Cazuza, 1985), arremessada pelo duo Letuce ao lado do cantor carioca Botika com adicional sentido político (cantora do Letuce, Letícia Novaes fez referência ao atual prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que agrediu Botika em recente confusão). Mas sobretudo porque algumas releituras ganharam vida no palco, caso da até então esquecida A Inocência do prazer (George Israel e Cazuza, 1988), defendida pelo supra-citado Bruno Cosentino com vocais que evocaram o suingue de Gilberto Gil. O grande destaque do show foi a interpretação teatral e doída de Letuce para Não amo ninguém (Frejat, Ezequiel Neves e Cazuza, 1984). Dividindo a cena com Lucas Vasconcellos (na guitarra portuguesa) e Arthur Bragatto (nos teclados), Letícia Novaes bisou o êxito do disco com interpretação dilacerada, meio à moda de PJ Harvey, do tema lançado pelo grupo Barão Vermelho em seu terceiro álbum de estúdio - o último gravado com Cazuza. Embora tenha saído do tom em seu número adicional, Codinome beija-flor (Reinaldo Árias, Ezequiel Neves e Cazuza, 1985), Mariano Marovatto cresceu e apareceu ao interpretar Incapacidade de amar (Leoni e Cazuza, 1987) com intensidade e com compreensão (dos versos desaforados) superiores ao do grupo Heróis da Resistência, autor do registro original. Brunno Monteiro também brilhou, dando grandeza, emoção e uma pegada roqueira a Nunca sofri por amor (Joanna e Cazuza, 1989) - tal como fizera no disco. Monteiro ainda uniu vozes com seu xará Bruno Cosentino em O nosso amor a gente inventa (Estória romântica) (João Rebouças, Rogério Meanda e Cazuza, 1987), em dueto que adquiriu aura gay. Já Qinho se escorou na sua bela presença cênica tanto ao jogar Sorte e azar (Frejat e Cazuza, 1982 / 2012) na companhia do Tono - o (bom) grupo que acompanhou a maioria dos artistas na celebração e que apresentou Amor, amor (Frejat, George Israel e Cazuza, 1984) com suingue que remete ao samba-reggae baiano - como ao fazer insípido dueto com MoMo em Faz parte do meu show (Renato Ladeira e Cazuza, 1988). MoMo brilharia sozinho ao apresentar sua personalíssima releitura folk do Blues do iniciante (Frejat, Dé Palmeira, Guto Goffi, Maurício Barros e Cazuza, 1983) - belo contraponto introspectivo para a efervescência rítmica nortista posta pelo paraense Felipe Cordeiro na rumba Tapas na cara (Cazuza, 1987). Acima de brilhos individuais, pairou a soberania da música de Cazuza, um exagero de talento.
Sucessos e encontros extrapolam em cena o repertório do disco 'Agenor'
Por questões de agenda, nem todos os 17 artistas reunidos em Agenor - o CD recém-lançado pela gravadora Joia Moderna com releituras de títulos menos ouvidos do cancioneiro de Cazuza (1958 - 1990) - puderam estar presente no show de lançamento do disco idealizado pelo DJ Zé Pedro e gravado sob curadoria da jornalista Lorena Calábria. Em contrapartida, sucessos do cantor e compositor carioca turbinaram o roteiro do show apresentado na casa Miranda, no Rio de Janeiro (RJ), na noite de 28 de agosto de 2013, dentro do Projeto Pensar. Muitos hits de Cazuza foram revividos em encontros inéditos dos artistas, como o que reuniu o duo Letuce - formado por Letícia Novaes (em foto de Rodrigo Amaral) com Lucas Vasconcellos - com o cantor Botika, vocalista da banda carioca Os Outros, na música Eu queria ter uma bomba (Frejat e Cazuza, 1985). Os músicos da banda Tono acompanharam a maioria dos artistas. Eis o roteiro seguido pelo elenco indie do bom show Agenor - Um tributo a Cazuza:
1. Gatinha de rua (Frejat e Cazuza, 1985) - Do Amor
2. Amor, amor (Frejat, George Israel e Cazuza, 1984) - Tono
3. Ritual (Cazuza e Frejat, 1987) - Botika
4. Eu queria ter uma bomba (Frejat e Cazuza, 1985) - Botika e Letuce
5. Não amo ninguém (Frejat, Ezequiel Neves e Cazuza, 1984) - Letuce
6. Vem comigo (Dé Palmeira, Guto Goffi e Cazuza, 1983) - Mombojó
7. Exagerado (Leoni, Ezequiel Neves e Cazuza, 1985) - Mombojó
8. Incapacidade de amar (Leoni e Cazuza, 1987) - Mariano Marovatto
9. Codinome beija-flor (Reinaldo Árias, Ezequiel Neves e Cazuza, 1985) - Mariano Marovatto
10. A Inocência do prazer (George Israel e Cazuza, 1988) - Bruno Cosentino
11. O nosso amor a gente inventa (Estória romântica)(João Rebouças, Rogério Meanda
e Cazuza, 1987) - Bruno Consentino e Brunno Monteiro
12. Nunca sofri por amor (Joanna e Cazuza, 1989)- Brunno Monteiro
13. Sorte e azar (Cazuza e Frejat, 1982 / 2012) - Qinho
14. Faz parte do meu show (Renato Ladeira e Cazuza, 1988) - Qinho e MoMo
15. Blues do iniciante (Frejat, Dé Palmeira, Guto Goffi, Maurício Barros e Cazuza, 1983) - MoMo
16. Tapas na capa (Cazuza, 1987) - Felipe Cordeiro
Bis:
17. Maior abandonado (Cazuza e Frejat, 1984) - Todos os artistas
12. Nunca sofri por amor (Joanna e Cazuza, 1989)- Brunno Monteiro
13. Sorte e azar (Cazuza e Frejat, 1982 / 2012) - Qinho
14. Faz parte do meu show (Renato Ladeira e Cazuza, 1988) - Qinho e MoMo
15. Blues do iniciante (Frejat, Dé Palmeira, Guto Goffi, Maurício Barros e Cazuza, 1983) - MoMo
16. Tapas na capa (Cazuza, 1987) - Felipe Cordeiro
Bis:
17. Maior abandonado (Cazuza e Frejat, 1984) - Todos os artistas
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Poesia de Cazuza lateja entre as experimentações e ousadias de 'Agenor'
Resenha de CD
Título: Agenor - Canções de Cazuza
Artistas: vários
Gravadora: Joia Moderna
Cotação: * * *
Disco disponível para download gratuito a partir desta quarta-feira, 7 de agosto de 2013, em http://www.projetoagenor.com.br
Título: Agenor - Canções de Cazuza
Artistas: vários
Gravadora: Joia Moderna
Cotação: * * *
Disco disponível para download gratuito a partir desta quarta-feira, 7 de agosto de 2013, em http://www.projetoagenor.com.br
A poesia de Agenor de Miranda Araújo Neto (4 de abril de 1958 - 7 de julho de 1990), o Cazuza, foi a mosca que em 1982 pousou no açaí dos meninos do Rio de Janeiro (RJ) - garotos dourados que se impuseram na então emergente cena carioca com rock tão pop e descolado quanto o tal espírito carioca. Roqueiro mais por atitude do que por vocação musical, o carioca Cazuza engrossou o açaí com poesia descarada que escancarava vícios e virtudes de uma juventude que, beneficiada pelos ventos da abertura, começava a se mostrar nas ruas e nas músicas. Projeto idealizado pelo DJ Zé Pedro para sua gravadora Joia Moderna e produzido sob a curadoria da jornalista Lorena Calábria, Agenor - Canções de Cazuza conecta nomes da cena carioca contemporânea - com algumas licenças geográficas - àquele Cazuza da primeira metade dos anos 80, poeta e cantor do Barão Vermelho, grupo carioca no qual encontrou sua cara-metade musical, Frejat, entre riffs de rocks stonianos, baladas e blues. Um Cazuza urgente, direto, sincero, dono de versos latejantes. E essa poesia lateja viva entre as experimentações e ousadias estilísticas ouvidas na maioria das 17 gravações feitas por cada artista, com liberdade artística, para este disco que tem capa assinada por Omar Salomão. Mesmo que os cantores sejam falsos, não importa: são bonitos os versos que esquadrinham sentimentos menos nobres que o poeta arremessa como tapas na capa. Aliás, Tapas na cara (Cazuza, 1987) é o título da rumba que o Exagerado deu para Ângela Maria e que o cantor paraense Felipe Cordeiro revive em Agenor com frescor e com levadas de lambada e carimbó. Mesmo miseráveis algumas melodias, os seus versos serão sempre bons pela poesia urbana que salta de cada um deles. É por isso que Gatinha de rua (Frejat e Cazuza, 1985) - música que Cazuza gravou com Marcelo em Estrela do meu clip (1985), álbum do cantor carioca - sintetiza o espírito de Agenor no registro do quarteto carioca Do Amor. Entre climas, efeitos e ruídos urbanos, a gravação deixa a impressão, em determinado momento, de que Gabriel Bubu, Gustavo Benjão, Marcelo Callado e Ricardo Dias Gomes estão cantarolando a música descontraidamente na mesa de um bar do Baixo Leblon, notório habitat do poeta que insiste em viver nas 17 gravações do CD disponibilizado para download gratuito a partir desta quarta-feira, 7 de agosto de 2013. Música da trilha sonora do filme Bete Balanço, lançada no lado B de compacto de 1984 na voz da atriz Débora Bloch (intérprete da personagem-título), Amor, amor (Frejat, George Israel e Cazuza, 1984) é tirada da geografia carioca pelo grupo (carioca) Tono em registro que evoca a batida baiana do samba-reggae, mas que é prejudicado pelo canto esmaecido de Ana Cláudia Tomelino. Ainda fora da rota carioca, o pernambucano China expia Culpa de estimação (Frejat e Cazuza, 1987) com leveza pop, em gravação de tom caseiro. Bem mais ousado, Domenico Lancellotti tenta dar grandeza com climas, ruídos e sintetizadores a uma canção menor do poeta, Vingança boba (Sérgio Serra e Cazuza, 1993), lançada por Fafá de Belém no álbum Do fundo do meu coração (1993). Música que ganha status de hit em repertório que prioriza lados B do cancioneiro de Cazuza, Down em mim (Cazuza, 1982) tem seu tom depressivo evocado pelo catarinense Wado. Se a vida é tão desconhecida e mágica, como sentencia o poeta em Ritual (Cazuza e Frejat, 1987), Botika - vocalista e baixista do grupo carioca Os Outros - poderia ter soado menos comportado na gravação desta música lançada por Cazuza em seu segundo álbum solo, Só se for a dois (1987). Kassin também nada faz por Doralinda (Cazuza e João Donato, 1997), pérola de romantismo gauche já lustrada em gravações de João Donato - parceiro do poeta no tema - e Nana Caymmi. É preciso correr riscos, abrir o peito e ir mais fundo ao cantar Cazuza, poeta que se desnudou ao longo de seus produtivos anos 80. Por isso, a faixa do duo carioca Letuce, Não amo ninguém (Frejat, Ezequiel Neves e Cazuza, 1984), é um grande momento de Agenor. Com teatralidade e real entrega, Letícia Novaes (voz) e Lucas Vasconcellos (piano wurlitzer, sintetizadores e guitarras portuguesas) transmitem todo o desconforto existencial impresso nos versos do tema em registro tenso, sofrido, à beira do abismo. Escorado nas guitarras de JR Tostoi, o cantor carioca Brunno Monteiro também dá peso, em tom roqueiro, a Nunca sofri por amor (Joanna e Cazuza, 1989), música em que a melodia de Joanna jamais acompanha a intensidade dos versos de Cazuza - o que aumenta muito o mérito de Monteiro, destaque do elenco indie de Agenor. Mais leve, Silva reafirma sua vocação tecnopop ao reviver Mais feliz (Dé Palmeira, Bebel Gilberto e Cazuza, 1986), música sem a fúria santa que animava os versos do poeta. Já o grupo pernambucano Mombojó segue Vem comigo (Dé Palmeira, Guto Goffi e Cazuza, 1983) no compasso do rock enquanto Mariano Marovatto diz ao pé do ouvido os versos suplicantes (mas desaforados) de Incapacidade de amar (Leoni e Cazuza, 1987). O poeta não esmorecia nem na iminência de um pé na bunda... Qinho transforma em rock a balada Sorte e azar (Cazuza e Frejat, 1982 / 2012), sobra do primeiro LP do Barão Vermelho que veio à tona em 2012 na edição comemorativa de 30 anos do álbum Barão Vermelho (1982). Cantora e DJ de Recife (PE) que transita pelo universo do hip hop, Catarina Dee Jah poderia ter se soltado mais em Largado no mundo (Frejat e Cazuza, 1983). Por fim, Blues do iniciante (Frejat, Dé Palmeira, Guto Goffi, Maurício Barros e Cazuza, 1983) ganha a voz, o violão, a cara, a introspecção e o tom folk do carioca Marcelo Frota, o MoMo. Enfim, com maior ou menor grau de loucuras tão sóbrias, as gravações de Agenor - Canções de Cazuza jogam luz sobre versos menos batidos de Cazuza, escritos com a contundência de um poeta que sempre deu sua cara a tapa ao expor as fraturas da alma humana. Viva Cazuza!
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Edição de 30 anos de 'Barão Vermelho' inclui música inédita com Cazuza
Música inédita do Barão Vermelho com a voz de Cazuza (1958 - 1990), composta por Cazuza com Frejat para o álbum de estreia do grupo carioca (Barão Vermelho, Som Livre, 1982), mas cortada da seleção final do disco pelo produtor Ezequiel Neves (1935 - 2010) por ser balada, Sorte e Azar vai ser revelada na edição comemorativa dos 30 anos do primeiro álbum da banda. Faixa-bônus do disco, Sorte e Azar vai ser ouvida com a voz de Cazuza, mas a parte instrumental foi regravada pelos integrantes da formação original do Barão neste ano de 2012 - com adição de cordas arranjadas por Luiz Brasil. Com lançamento programado para novembro de 2012 pela gravadora Som Livre, a edição de 30 anos de Barão Vermelho terá mais duas faixas-bônus no disco físico (uma versão em espanhol de Down em Mim fará parte somente da edição digital). Trata-se do reggae Nós (Frejat e Cazuza) - tema incluído pelo grupo em seu terceiro álbum, Maior Abandonado (1984), com arranjo diferente - e de take alternativo de Por Aí (Frejat e Cazuza). Mas o maior diferencial da edição de 30 anos de Barão Vermelho vai ser a remixagem do disco, feita sob a supervisão da banda. A mixagem original do LP de 1982 é considerada muito aquém da força do repertório lançado pelo grupo em sua histórica estreia.
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