♪ Em julho de 2014, a cantora e compositora paraibana Socorro Lira subiu ao palco do Auditório Ibirapuera, na cidade de São Paulo (SP), para fazer o show de lançamento do décimo álbum, Amazônia - Entre águas e desertos (Independente / Tratore). Na ocasião, a artista gravou a apresentação que gerou o registro audiovisual do show. Neste mês de fevereiro de 2016, Socorro Lira sobe a outro palco da cidade de São Paulo (SP) - o do Sesc Pompeia - para lançar o primeiro DVD da carreira. A capa do DVD Amazônia - Entre águas e desertos (Independente) reproduz a arte de Elifas Andreato exposta na capa do CD. O show exibido no DVD tem direção musical do violonista pernambucano Jorge Ribbas, integrante da banda que tocou com a cantora no Auditório Ibirapuera. Às 14 músicas que compõem o repertório original do CD, Lira adicionou duas ao DVD, Delicado - tema assinado somente pela artista - e Poema didáctico, parceria da compositora com o escritor moçambicano Mia Couto. Saga da Amazônia (Vital Faria,1982) é a faixa que divulga o DVD.
Guia jornalístico do mercado fonográfico brasileiro com resenhas de discos, críticas de shows e notícias diárias sobre futuros lançamentos de CDs e DVDs. Do pop à MPB. Do rock ao funk. Do axé ao jazz. Passando por samba, choro, sertanejo, soul, rap, blues, baião, música eletrônica e música erudita. Atualizado diariamente. É proibida a reprodução de qualquer texto ou foto deste site em veículo impresso ou digital - inclusive em redes sociais - sem a prévia autorização do editor Mauro Ferreira.
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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 13 de julho de 2015
Alaíde grava Socorro em 'Porcelana', disco feito com Gonzaga Leal no Recife
♪ A IMAGEM DO SOM - A foto de Georgia Branco flagra a cantora carioca Alaíde Costa com o cantor pernambucano Gonzaga Leal no estúdio Muzak, no Recife (PE), durante a gravação de Porcelana, álbum feito pelos dois artistas. O repertório inclui músicas como Delicado - tema de Socorro Lira, lançado pela cantora e compositora paraibana em seu álbum Singelo tratado sobre a delicadeza (Independente / Tratore, 2012) - e Bem-me-quer (Consuelo de Paula, Rubens Nogueira e Luiz Salgado), já registrada por Consuelo de Paula no DVD intitulado Negra (Independente, 2011).
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
Socorro Lira canta a Amazônia sem recorrer aos clichês (dos sons) do Norte
Título: Amazônia - Entre águas e desertos
Artista: Socorro Lira
Gravadora: Edição independente da artista / Tratore
Cotação: * * * *
♪ Cantora e compositora paraibana, natural de Brejo da Cruz (PB), Socorro Lira foi à Amazônia captar sons e buscar inspiração para compor o repertório de seu décimo álbum. Foi numa cabana de madeira de hotel da região que a artista compôs as melodias de Deixa viver - batuque com jeito de samba embasado com percussões, sons da floresta e versos em macuxi recitados por filho de índia da Guiana Inglesa com brasileiro - e a iluminada canção Gema, posteriormente letrada por Roberto Adami Tranjan. As duas músicas figuram no repertório de Amazônia - Entre águas e desertos, belo disco produzido pela própria Socorro Lira sob a direção musical de Jorge Ribbas, criador dos arranjos acústicos das 14 faixas do CD. Socorro desfia a lira amazônia sem recorrer aos clichês dos sons do Norte, já exauridos pelas cantoras oriundas do Pará em discos feito com a intenção de conquistar o Brasil no rastro da exposição nacional de Gaby Amarantes. Amazônia se banha até na praia do reggae - ritmo que dita Porque é da natureza (Cátia de França e Abel Silva, 1980), oportuna lembrança da obra da paraibana Cátia de França - e sobretudo na delicadeza que pauta a singela discografia de Socorro Lira. Por mais que regrave dois standards da região, como Uirapuru (1934) e Tamba-tajá (1934), clássicos da obra do compositor paraense Waldemar Henrique (1905 - 1995) abordados na cadência de xote (Uirapuru) e de canção (Tamba-tajá), Socorro dribla as trilhas mais previsíveis quando revive o verborrágico ponteio Saga da Amazônia (Vital Farias, 1982) e quando se embrenha pelo universo da floresta ao som da autoral canção abolerada O desejo, diálogo com a banda kitsch do cancioneiro brasileiro. Baião de Luiz Gonzaga (1912 - 1989) e Lourival Passos que dá a receita de iguarias da região, Tacacá (1956) tem seu sabor nortista realçado na levada do carimbó em faixa que dialoga como o álbum anterior da cantora, O samba do rei do baião (Genesis Music / Instituto Memória Brasil, 2013). Com seu canto suave e afinado, Lira também dá voz à bela canção Gaia (Nilson Chaves e Eliakin Rufino, 2000), música-título de álbum lançado há 14 anos por Nilson Chaves, uma das referências nacionais da música do Norte do Brasil. Misto de baião e ciranda, A Lua (Zeneida Lima) ilumina a inspiração de Socorro Lira na seleção do repertório. O marabaixo A dança (Socorro Lira e Joãozinho Gomes) e a canção Calme (Socorro Lira) também contribuem para perfilar a Amazônia lírica da artista no bonito álbum, corroborando a (boa) sensação de que há sons inusitados na floresta de Socorro Lira.
domingo, 8 de setembro de 2013
Com o acordeom de Oswaldinho, Lira faz a festa com raridades de Gonzaga
Título: O samba do Rei do Baião
Artista: Socorro Lira e Oswaldinho do Acordeon
Gravadora: Genesis Music / Instituto Memória Brasil
Cotação: * * * 1/2
♪ Lançado neste ano de 2013, desgarrado dos tributos apresentados ao longo de 2012 por conta do centenário de nascimento de Luiz Gonzaga (1912 - 1989), o CD O samba do Rei do Baião tem título dúbio. O nome pode sugerir um disco que reúna os sambas feitos pelo compositor pernambucano ou mesmo uma releitura em ritmo de samba da obra essencialmente nordestina de Gonzagão. Ambas as interpretações estão erradas. No caso, samba - como explica o jornalista Assis Ângelo (produtor do disco) - significa festa, tal como o termo era usado no século 19 e ainda na primeira metade do século 20. É nesse sentido que Socorro Lira - cantora paraibana, natural de Brejo da Cruz - faz sua festa ao lado de Oswaldinho do Acordeon ao dar voz a raridades do cancioneiro do compositor de Exu (PE). Gonzaga foi entronizado como Rei do Baião, mas sua obra cruzou a fronteira rítmica do Nordeste ao longo dos anos 40 e 50, como provam algumas preciosidades reunidas no disco. Meu pandeiro (Luiz Gonzaga e Ary Monteiro, 1947) é um samba mesmo, e dos bons, regravado por Lira em dueto com o cantor paulistano Oswaldinho da Cuíca, ex-integrante do grupo Demônios da Garoa. Já Tacacá (Luiz Gonzaga e Lourival Passos, 1956) é carimbó - o único composto por Gonzaga (sem o balanço típico do gênero). Gravado em O samba do Rei do Baião com a apropriada adesão da cantora portuguesa Susana Travassos, Ai, ai, Portugal (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1951) mistura fado e baião com ironia e orgulho nordestino. Já Bamboleado (Luiz Gonzaga e Miguel Lima, 1945) é maxixe quase tão buliçoso quanto os melhores títulos do gênero, tendo sua interpretação sido dividida por Lira com o supra-citada Oswaldinho da Cuíca. Menos rara, pois já resgatada por Elba Ramalho em gravação mais sedutora, a valsa Dúvida (Luiz Gonzaga e Domingos Ramos, 1946) ganha no disco o tom empostado do cantor Ventura Ramirez, convidado da faixa. Companheiro certeiro de todas as 14 gravações do disco, o acordeom de Oswaldinho brilha soberano no choro Sanfonando e na polca Fuga da África, dois temas instrumentais, lançados por Gonzaga em 1942 e em 1944, respectivamente. E por falar em África, o maracatu Rei Bantu (Luiz Gonzaga e Zé Dantas, 1950) - gravado por Lira em dueto com a voz de Papete - também bebe na fonte. Ritmo de compasso ternário e origem polonesa, a mazurca está presente n'O samba do Rei do Baião através de Dança Mariquinha (Luiz Gonzaga e Miguel Lima, 1945). Há eventuais temas no vivaz CD que destoam do espírito festivo de um samba no sentido que o termo tem no disco, caso do Aboio apaixonado (Luiz Gonzaga, 1956), mas, no todo, a festa de Socorro Lira e Oswaldinho do Acordeom é boa e animada, além de ter valor documental.
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Socorro Lira faz seu 'Singelo tratado sobre a delicadeza' em disco autoral
O título do CD Singelo tratado sobre a delicadeza já traduz de forma clara o tom do repertório do sétimo álbum da cantora e compositora paraibana Socorro Lira, distribuído pela Tratore. Com intervenções do cantor carioca João Pinheiro, solista de temas como Delicadeza V - Absorta, a artista experimenta climas delicados nas canções, toadas, modinhas e valsas que compõem o repertório inteiramente autoral do disco. São 13 músicas intituladas Delicadeza e numeradas de 1 a 13. Delicadeza I - Delicado e a seresteira Delicadeza VI - Frágil são alguns destaques do cancioneiro pautado pelo tema que inspirou o repertório evocador de tempos idos.
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