♪ A IMAGEM DO SOM - Postada por Daúde no Facebook, a foto mostra a cantora baiana em estúdio da cidade do Rio de Janeiro (RJ) com os DJs e produtores Alex Moreira BossaCucaNova (à esquerda), Juninho do Vale (ao centro) e Nado Leal. A artista prepara disco com remixes de gravações do último álbum da carreira fonográfica, Código Daúde (Lab 344, 2014), lançado há dois anos (clique aqui para ler a resenha do disco). Daúde já tem CD de remixes na discografia, Simbora (Natasha Records, 1999).
Guia jornalístico do mercado fonográfico brasileiro com resenhas de discos, críticas de shows e notícias diárias sobre futuros lançamentos de CDs e DVDs. Do pop à MPB. Do rock ao funk. Do axé ao jazz. Passando por samba, choro, sertanejo, soul, rap, blues, baião, música eletrônica e música erudita. Atualizado diariamente. É proibida a reprodução de qualquer texto ou foto deste site em veículo impresso ou digital - inclusive em redes sociais - sem a prévia autorização do editor Mauro Ferreira.
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sexta-feira, 10 de junho de 2016
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Quinto disco de Daúde ecoa um código eletrônico já decifrado nos anos 1990
Resenha de álbum
Título: Código Daúde
Artista: Daúde
Gravadora: Lab 344
Cotação: * * * 1/2
Título: Código Daúde
Artista: Daúde
Gravadora: Lab 344
Cotação: * * * 1/2
♪ Se não incluísse arejada abordagem melodiosa de O vento (Rodrigo Amarante, 2005), uma das canções mais bonitas do repertório do ora desativado grupo carioca Los Hermanos, o álbum Código Daúde poderia ter sido lançado no fim dos anos 1990, na sequência de Daúde (Natasha Records, 1995) e # 2 (Natasha Records, 1997), os dois primeiros bons álbuns dessa fervida cantora baiana - radicada no Rio de Janeiro (RJ) desde a década de 1970 - que chegou a cobiçar o posto de diva da música brasileira pós-moderna, mas saiu progressivamente de cena ao longo dos anos 2000. Afinal, além de as outras onze músicas de Código Daúde terem sido lançadas entre 1930 e 1982, a atmosfera eletrônica do disco dá a senha de que Daúde volta ao mundo do disco - onze anos após o lançamento de Neguinha te amo (Real World, 2003) - com som já decifrado pela própria artista em seus hypados álbuns dos anos 1990. Nesse sentido, Código Daúde - quinto título da curta discografia da cantora, se contabilizado o CD de remixes Simbora, editado em 1999 - é extremamente fiel às leis feitas pela própria Daúde, resultando em bom disco. Primeiro pelo fato de Daúde saber garimpar repertório. Suas escolhas quase nunca são óbvias. Segundo porque, ao abordar uma música, a cantora sempre o faz de forma surpreendente, se desviando da gravação original. Joia rara do baú do cantor e compositor carioca Marcos Valle, Que bandeira (Marcos Valle, Paulo Sérgio Valle e Mariozinho Rocha, 1971) é exemplo da habilidade de Daúde de repaginar músicas pouco ou muito ouvidas. A faixa transborda suingue, marcado tanto pelos vocais elétricos da cantora quanto pelo timbre vintage do piano Fender Rhodes pilotado por Valle em gravação em que a bateria de Jam da Silva quebra tudo. Gravado sob a direção artística da própria Daúde, que criou arranjos e programações de todas as músicas, em produção dividida com o guitarrista Clauber Fabre, o disco por vezes se joga em pista modernosa. A recriação do mambo cubano Babalu (Margarita Lecuona, 1939) - sucesso no Brasil desde 1958 na voz de Ângela Maria - cai no suingue, banhado em apropriada latinidade, mas sem contagiar o ouvinte. Outro convidado do disco, Alceu Valença entra novamente no tom lascivo de seu sucesso Como dois animais (Alceu Valença, 1982) sem chegar a surpreender. Música originada de canção brasileira dos anos 1930, Mãe preta, Barco negro - fado luso-brasileiro que tem versos do poeta português David de Jesus Mourão (1927 - 1996), escritos sobre a melodia do compositor gaúcho Matheus Nunes (1919 - 1971), o Caco Velho - atravessa o Atlântico em tom épico na gravação mestiça de Daúde, passando por águas africanas e baianas. Além de emergir na onda que leva Barco negro, o berimbau tocado por Clauber Fabre também se faz ouvir na introdução de Cala a boca, menino (Dorival Caymmi, 1973), subversiva abordagem de tema esquecido do cancioneiro do centenário Dorival Caymmi (1914 - 2008). Hit da dupla Sá & Guarabyra que soa mais sedutor no disco do que nos shows feitos por Daúde desde 2013, Sobradinho (Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra, 1977) é erguido no refrão com as vozes do coral infantil Musimundi. Mote da faixa, o violino de Nicolas Krassik delineia a influência moura absorvida pelo sertão nordestino. Turbinado pela efervescência do canto de Daúde, o samba-rock Segura esse samba, Ogunhê (Osvaldo Nunes, 1969) embute citação da Dança do bole bole (João Roberto Kelly, 1976) e deságua, com tom mais sereno, no irônico samba Falso amor sincero (1979), no qual o compositor carioca Nelson Sargento - convidado da faixa-medley - destila fina ironia sobre uniões afetivas. Eletrizante no dueto de Daúde com Sargento, o samba-rock seguraria sozinho a faixa, alongada em excesso com a colagem do segundo samba. E por falar em samba, um dos achados do repertório do Código Daúde é o samba Minhas razões, sucesso da dupla baiana Antonio Carlos & Jocáfi em 1972 que se revela sedutor com arranjo cheio de molho em que os vocais de Daúde são o tempero especial. Na sequência, Eu não vou mais (Orlandivo e Durval Ferreira, 1966) anima o baile com o eletrônico suingue já vintage de Daúde enquanto a chanson J’ai deux amours (Georges Konyn, Henri Eugene Vantard e Vincent Batiste Scotto) - lançada em 1930 na voz da cantora de origem norte-americana (e nacionalidade francesa) Joséphine Baker - arremata o disco com o toque do violino de Nicolas Krassik e com serenidade sensual que ecoa Neguinha te amo, álbum anterior da artista. É mais uma senha para decifrar o código de álbum que, mesmo tendo lá bons momentos, somente reitera a personalidade de Daúde, apontando para o passado dos anos 1990. Era hora de virar o disco!
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Duo com Alceu promove álbum em que Daúde reúne Sargento e Marcos Valle
♪ Já disponível no iTunes, o dueto de Daúde com Alceu Valença em Como dois animais - música de autoria do cantor e compositor pernambucano, lançada por Alceu em seu álbum Cavalo de pau (1982) - abre os trabalhos promocionais de Código Daúde, quarto álbum de Daúde, nome artístico de Maria Waldelurdes Costa de Santana Dutilleux, a cantora baiana que se radicou no Rio de Janeiro (RJ) nos anos 1970 e que alcançou certa projeção ao longo da década de 1990 com os álbuns Daúde (Natasha Records, 1995) e #2 (Natasha Records, 1997). A artista assinou contrato com o selo carioca Lab 344 para lançar em março de 2014 o CD Código Daúde, disco que, além de Alceu, traz os cantores e compositores cariocas Marcos Valle e Nelson Sargento. Com Sargento, Daúde interpreta Segura esse samba, Ogunhê (Osvaldo Nunes, 1969), música também gravada por Maria Alcina no recém-lançado CD De normal bastam os outros (Nova Estação, 2014) e que Daúde mixa com samba de autoria de Sargento, Falso amor sincero (1979). Já Valle toca piano em Que bandeira, música de seu cancioneiro que compôs com Paulo Sérgio Valle e Mariozinho Rocha e que lançou em 1971. Com regravações do mambo cubano Babalu (Margarita Lecuona, 1939) e do hit Sobradinho (Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra, 1977), Código Daúde é o primeiro álbum de Daúde desde Neguinha, te amo (Real World / EMI Music, 2003). A cantora já vinha trabalhando há (mais de) três anos neste álbum Código Daúde.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Daúde evoca a ancestralidade africana em show feito na pressão (eletrônica)
Resenha de show
Evento: Back2Black
Título: Daúde
Artista: Daúde (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Estação Leopoldina (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 25 de novembro de 2012
Cotação: * * * 1/2
Evento: Back2Black
Título: Daúde
Artista: Daúde (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Estação Leopoldina (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 25 de novembro de 2012
Cotação: * * * 1/2
♪ É sintomático que Daúde tenha aberto seu show no festival Back2Black com música de Jorge Ben Jor - Crioula, lançada no consagrador álbum de 1969 que trouxe País tropical e Charles anjo 45 - que descreva linda dama negra descendente de nobres africanos que por descuido geográfico nasceu no Brasil. De volta à cena com moderno porte de rainha africana, a cantora baiana - radicada no Rio de Janeiro (RJ) - talvez tenha sido a mais perfeita tradução da negritude pop brasileira na programação do festival idealizado para propagar sons negros de diversos sotaques e latitudes. Mesmo prejudicada pela acústica deficiente da ambiência ao ar livre do Palco Petrobrás, que acentuou o desnível do som (baixo) de seu microfone em relação aos instrumentos da banda, a cantora volta à cena com bom show, feito na pressão, dada pela interação uniforme das programações eletrônicas com a guitarra de César Bottinha, imponente na banda. Ao longo de 13 números, o coeso roteiro conciliou músicas incluídas no vindouro quarto álbum da cantora - Código Daúde, com lançamento previsto para 2013 - com temas gravados pela artista em seus três CDs anteriores, evocando a ancestralidade afro-brasileira com sons contemporâneos. O alinhamento de músicas como Pata pata (Miriam Makeba e Jerry Ragovoy, 1957) - sucesso mundial em 1967 na voz da cantora sul-africana Miriam Makeba (1932 - 2008) - e Véu Vavá (Celso Fonseca e Carlinhos Brown, 1995) - sublinhou o tributo à negritude e à dinastia da linda dama negra, que destilou estilosa o veneno de Naja, tema de Paulinho Camafeu, compositor baiano identificado com as tradições da cultura afro-brasileira. Com energia, a elétrica e performática Daúde manteve a pressão do show, na alta velocidade exigida por músicas como o coco de embolada Quatro meninas (tema de domínio público que ela adaptou e gravou em 1995), Lavanda (Carlinhos Brown, 1997) e de Ah! (Luiz Tatit). Parafraseando verso do tema de Tatit, de 1981, a palavra musical de Daúde quase sempre soa carregada de sentido. Mesmo que esse sentido seja de natureza particular quando a cantora revive um mambo cubano imortalizado no Brasil na voz luminosa de Ângela Maria, Babalu (Margarita Lecuona, 1939), reminiscência de sua memória afetiva. Na necessária apropriação de músicas alheias, Daúde - intérprete de personalidade forte - às vezes até peca pela radical desconstrução da moldura rítmica original. Na pressão do show, Cala boca, menino (Dorival Caymmi, 1973) é capaz de silenciar admiradores mais ortodoxos da obra de Caymmi. Contudo, palavras e sons vão fazendo sentido ao longo da apresentação. O suingue nortista reforça a arquitetura sedutora de Casa caiada (Léo Bit Bit, Alain Tavares e Boghan, 1997), destaque do show, momento mais orgânico e nem por isso menos fervido. Se mar e sertão se reviram na estranha pegada eletrônica de Sobradinho (Luiz Carlos Sá e Guarabyra, 1977), a deliciosa Eu não vou mais (Orlandivo e Durval Ferreira, 1966) - pérola rara extraída da discografia do rei dos bailes Ed Lincoln (1932 - 2012) - decifra ao fim parte do Código Daúde, vindouro disco de estúdio que promete recolocar Daúde sob os holofotes em 2013. E o fato de (longa) década separar o quarto álbum da cantora do anterior, Neguinha te amo (Real World / EMI Music, 2003), sinaliza que a antenada dama negra do suingue pode ter nascido no Brasil por um mero descuido geográfico-musical. Se assim foi, a sorte foi do Brasil!
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Roteiro do show de Daúde no Back2Black decifra parte do CD 'Código Daúde'
♪ De novo sob os holofotes, Daúde - uma das mais interessantes cantoras brasileiras surgidas na cena pop dos anos 90 - voltou aos palcos cariocas em show apresentado no terceiro e último dia do Back2Black, o festival que agitou a Estação Leopoldina, no Centro do Rio de Janeiro (RJ), de 23 a 25 de novembro de 2012. O roteiro do show da cantora baiana - radicada na cidade do Rio de Janeiro desde os anos 70 - decifrou parte do Código Daúde, quarto álbum da intérprete, previsto para ser lançado em 2013, uma década após seu antecessor Neguinha te Amo (Real World / EMI Music, 2003). Apresentadas ao longo dos 13 números do show, feito na pressão do baticum eletrônico, músicas como Babalu (Margarita Lecuona, 1939), Cala Boca, Menino (Dorival Caymmi, 1973), Eu Não Vou Mais (Orlandivo e Durval Ferreira, 1966) e Sobradinho (Luiz Carlos Sá e Guarabyra, 1977) deram prévia do Código Daúde. Arquitetado desde 2008, o CD também tem no repertório Como Dois Animais (Alceu Valença, 1982), J’Ai Deux Amours (Vincent Scotto, Géo Koger e Henri Varna, 1930) - sucesso de Joséphine Baker (1906 - 1975) - e Segura Esse Samba, Ogunhê (Oswaldo Nunes, 1969). Eis o roteiro seguido por Daúde - em foto de Mauro Ferreira - em 25 de novembro de 2012 no show do Back2Black:
1. Crioula (Jorge Ben Jor, 1969)
2. Pata pata (Miriam Makeba e Jerry Ragovoy, 1957)
3. Quatro meninas (folclore) - gravado por Daúde em 1995
- com citação de Asa branca (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1947)
4. Sobradinho (Luiz Carlos Sá e Guarabyra, 1977)
5. Alá-lá-ô (Haroldo Lobo e Antônio Nássara, 1941)
6. Naja (Paulinho Camafeu, 198?)
7. Babalu (Margarita Lecuona, 1941)
8. Lavanda (Carlinhos Brown, 1997)
9. Cala boca, menino (Dorival Caymmi, 1973)
10. Casa caiada (Léo Bit Bit, Alain Tavares e Boghan, 1997)
11. Véu Vavá (Celso Fonseca e Carlinhos Brown, 1995)
12. Ah! (Luiz Tatit, 1981)
- com citação de Babá Alapalá (Gilberto Gil, 1977)
13. Eu não vou mais (Orlandivo e Durval Ferreira, 1966)
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Com Sargento, Daúde cai em um samba de Oswaldo Nunes na volta ao disco
♪ Uma das cantoras mais interessantes surgidas nos anos 1990, a baiana Daúde planeja voltar ao disco neste segundo semestre de 2012, nove anos após o lançamento do álbum Neguinha Te Amo (Real World / EMI Music, 2003). Arquitetado desde 2008, o quarto álbum de Daúde conta com a participação do cantor e compositor carioca Nelson Sargento - uma das lendas vivas da história da escola de samba Mangueira - na regravação de Segura esse samba, Ogunhê, samba do cantor e compositor carioca Osvaldo Nunes (1930 - 1991), lançado pelo autor em 1969. Outra regravação é Como dois animais, música de Alceu Valença, gravada pelo compositor com muito sucesso no álbum Cavalo de Pau (1982).
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Daúde inicia no Rio, enfim, produção do quarto álbum, 'Código de referência'
♪ Uma das mais interessantes cantoras surgidas nos anos 1990, Daúde começou - enfim - a produção do quarto álbum, o primeiro desde Neguinha te Amo (Real World, 2003). Intitulado por ora Código de referência, o CD deverá ser lançado ainda neste ano de 2011, dando sequência à discografia iniciada em 1995 com o álbum Daúde (Natasha Records, 1995). Se incluído na conta o disco de remixes Simbora (Natasha Records, 1999), o novo álbum é o quinto título da obra fonográfica da cantora baiana, radicada no Rio de Janeiro (RJ) desde os onze anos. Nada se sabe por ora sobre o repertório.
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