Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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terça-feira, 21 de abril de 2015

Timóteo repisa passos de estrada já cinquentenária em gravação ao vivo

Em 1964, já radicado na cidade do Rio de Janeiro (RJ), o cantor mineiro Agnaldo Timóteo debutou no mercado fonográfico com a edição pelo selo Caravelle de disco de 78 rotações por minuto que incluía as músicas Sábado no morro (Mário Russo e Sebastião Gomes) e Cruel solidão (Renato Gaetani). Mas o sucesso popular veio somente a partir de seu primeiro álbum, Surge um astro, lançado em 1965 pela gravadora Odeon. Por isso, embora Timóteo tenha iniciado de fato sua carreira em cidades mineiras entre o fim dos anos 1950 e o início da década de 1960, fecha a conta feita pelo cantor na celebração fonográfica de 50 anos de estrada asfaltada, gravação ao vivo comercializada na Coleção Canal Brasil a partir deste mês de abril de 2015 em edição dupla que junta CD e DVD produzidos por Thiago Marques Luiz. Trata-se de registro de show feito por Timóteo em 11 de abril e 2014 no Teatro São Pedro, em São Paulo (SP), com intervenções de nomes como Alcione - convidada do bolero Alguém me disse (Jair Amorim e Evaldo Gouveia, 1960) e do samba Garoto maroto (Franco e Marcos Paiva, 1986) - e Claudette Soares, que entra em cena em De tanto amor (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1971). Ângela Maria e Cauby Peixoto também participam da gravação ao vivo. A Sapoti - que já gravou disco com Timóteo - reabre Bar da noite (Bidu Reis e Haroldo Barbosa, 1953) em dueto com o anfitrião. Já Cauby divide com o colega as interpretações de Onde ela mora (Getúlio Macedo e Lourival Faissal, 1957), Tarde fria (Poly e Henrique Lobo, 1957) e Nono mandamento (Renné Bittencourt e Raul Sampaio, 1957), músicas que fizeram sucesso na voz do próprio Cauby nos anos 1950. Sozinho, Timóteo repisa passos decisivos na sua estrada fonográfica, como as músicas Meu grito (1967) e Os brutos também amam (1972), dadas a ele por Roberto Carlos e Erasmo Carlos. O show tem 22 músicas.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Timóteo faz DVD em São Paulo com Alcione, Ângela, Cauby e Claudette

Cantor mineiro que alcançou projeção nacional nos anos 1960 e 1970, Agnaldo Timóteo vai fazer registro audiovisual de show neste mês de abril de 2014. Sob direção e produção de Thiago Marques Luiz, o artista vai grava ao vivo, para edição de DVD, o show intitulado 50 anos na estrada asfaltada. Programado para 11 de abril no Theatro São Pedro, em São Paulo (SP), o show vai ter - como mostra o flyer visto acima - participações de Alcione, Ângela Maria, Cauby Peixoto, Claudette Soares e Martinha. O roteiro do show tem caráter revisionista.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Timóteo compositor reaparece na segunda caixa com álbuns dos anos 70

Em 1975, Agnaldo  Timóteo surpreendeu o universo da canção popular ao se revelar compositor de sucesso. De autoria do artista, a música A Galeria do Amor deu nome ao álbum lançado naquele ano de 1975 e se tornou um dos maiores hits radiofônicos da carreira do cantor mineiro que despontara nos anos 60 com seu vozeirão de tom empostado, à moda dos intérpretes da era pré-Bossa Nova. Na época, a maior parte do público não entendeu que o "certo ambiente" da letra, o "lugar de emoções diferentes", era a Galeria Alaska, reduto gay do Rio de Janeiro (RJ) da década de 70. Produzido por Miguel Plopshi, com (bons) arranjos do maestro Edmundo Peruzzi, Galeria do Amor (1975) é o primeiro dos seis álbuns embalados pelo produtor Marcelo Fróes na caixa Agnaldo Timóteo Anos 70 Vol. 2, posta nas lojas neste mês de agosto de 2012 pelo selo carioca Discobertas. Segundo álbum da caixa, Perdido da Noite (1976) deu sequência ao sucesso do disco anterior por conta do êxito popular da faixa-título - outra música de autoria de Timóteo que versava sobre a procura de sexo no mesmo universo urbano de A Galeria do Amor - e da regravação de Olhos nos Olhos (Chico Buarque), lançada logo após a gravação original de Maria Bethânia. Perdido na Noite marcou também o encontro de Timóteo com o Maestro Pachequinho, arranjador de álbuns posteriores como Eu Pecador (1977) - título de menor repercussão na discografia de Timóteo - e Te Amo Cada Vez Mais (1978), álbum em que, a despeito de ter cinco faixas assinadas pelo cantor que se descobriu compositor, obteve êxito mais por conta da regravação de Quem É (Silvio Lima e Maurílio Lopes), sucesso do cantor Silvinho em 1960. Na sequência, Deixe-me Viver (1979) foi outro disco puxado por uma regravação - no caso, a de Sombras (Sombras... Nada Más) (Francisco J. Lomuto e Contursi em versão de Hélio Araújo). Sem falar na polêmica que envolveu a gravação de Grito de Alerta, música feita por Gonzaguinha (1945 - 1991) para Timóteo, a partir de história particular contada pelo cantor ao compositor, mas dada por Gonzaguinha primeiramente para Maria Bethânia. Timóteo não se conformou de ver a sua música no disco de Bethânia. De todo modo, é de Gonzaguinha - colega de Timóteo na extinta gravadora Odeon - o texto do encarte do disco. Por fim, a caixa Agnaldo Timóteo Anos 70 Vol. 2 traz para o formato digital Ângela & Timóteo, Juntos (1979), álbum de estúdio que juntou Timóteo com a cantora Ângela Maria, para quem ele havia trabalhado como motorista antes de alcançar sucesso como cantor. A reedição reúne todos os 16 gravações do álbum, reincorporando ao repertório do disco as quatro músicas - Cabecinha no Ombro (Paulo Borges), Saudades de Matão (Jorge Gallati e Raul Torres), Amor (Gabriel Ruiz e Ricardo Lopez Mendez em versão de Haroldo Barbosa) e Jura-me (Maria Grever em versão de Ariovaldo Pires) - substituídas (por questões editoriais) por Mamãe (Herivelto Martins e David Nasser), Ontem e Hoje (Getúlio Macedo e Irany de Oliveira), Cantando (Mercedes Simone em versão de Virgínia Amorim) e Só Nós Dois (Joaquim Pimentel). Com reproduções das capas, contracapas e selos dos álbuns originais, a segunda caixa com discos de Timóteo nos anos 70 flagra o cantor em sua última fase de sucesso. A partir da década de 80, o artista amargaria progressivo declínio de popularidade, embora ainda hoje - já a caminho dos 76 anos - tenha seu nome associado ao universo da música brega brasileira por conta dessa galeria de canções populares.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Caixa com discos dos anos 70 expõe conexões de Timóteo com Roberto

Em 1972, Agnaldo Timóteo encomendou a Roberto Carlos e a Erasmo Carlos uma música intitulada Os Brutos Também Amam.  Cantor mineiro que havia obtido projeção nacional nos anos 60, década em que ganhara de Roberto em 1967 a canção Meu Grito, um grande sucesso na sua voz potente, Timóteo pretendia que a canção encomendada à dupla batizasse o disco que lançaria naquele ano de 1972. Timóteo teve seu pedido atendido. Impulsionado pelo êxito da bela balada que lhe deu título, o álbum Os Brutos Também Amam obteve repercussão nacional. Tanto que no ano seguinte, 1973, Timóteo fez outra encomenda a Roberto e a Erasmo, dando o mote do tema que queria ver composto pela dupla, mas a canção Frustrações não bisou o sucesso de Os Brutos Também Amam. Tais conexões de Timóteo com Roberto Carlos vêm à tona na caixa Agnaldo Timóteo Anos 70 Vol. 1, lançada pelo selo carioca Discobertas neste mês de agosto de 2012. Produzida por Marcelo Fróes, a caixa embala seis álbuns gravados por Timóteo entre 1970 e 1974 (uma segunda caixa, posta simultaneamente no mercado, reúne os outros seis álbuns lançados pelo cantor na década de 70). Desses seis primeiros álbuns dos 70, um - Agnaldo Timóteo Canta en Castellano (1971) - foi gravado para o mercado argentino. Os demais - O Intérprete (1970), Sempre Sucesso (1971), Os Brutos Também Amam (1972), Frustrações (1973) e Encontro de Gerações (1974) - foram editados no Brasil pela extinta gravadora Odeon. Com maior ou menor resultado comercial, tais discos seguiram à risca a receita de sucesso já testada pelo artista: versões em português de músicas estrangeiras, inéditas de compositores identificados com o cancioneiro sentimental nacional e eventuais incursões pelo universo da MPB e/ou da música brasileiras pré-Bossa Nova. A cargo do maestro Edmundo Peruzzi, os arranjos destes discos - gravados sob a firme direção musical de maestros cono Lyrio Panicali (1906 - 1984) e Lindolfo Gaya (1921 - 1987) -  formatavam com requinte o repertório de tom kitsch. As reedições trazem faixas-bônus extraídas de compactos - com destaque para a gravação de These Are The Songs (Esta É a Canção), tema de Tim Maia (1942 - 1998) abordado por Timóteo em compacto duplo de 1970 - e reproduções da arte gráfica dos LPs originais, além de breves textos em que o produtor Thiago Marques Luiz contextualiza superficialmente cada álbum encaixotado por Fróes. A caminho dos 76 anos, a serem completados em 16 de outubro de 2012, Agnaldo Timóteo foi uma das vozes mais expressivas do universo da música popular rotulada como brega. Contudo, a julgar pelos arranjos, o brega dos anos 70 por vezes foi chique. Os brutos eram requintados.