♪ O selo Circus está relançando os três primeiros álbuns de Zé Miguel Wisnik. José Miguel Wisnik (Camerati, 1993), São Paulo Rio (Independente, 2000) e Pérolas aos poucos (Maianga Discos, 2003) retornam ao catálogo em edição física em CD e também já se encontram à venda no iTunes.
Guia jornalístico do mercado fonográfico brasileiro com resenhas de discos, críticas de shows e notícias diárias sobre futuros lançamentos de CDs e DVDs. Do pop à MPB. Do rock ao funk. Do axé ao jazz. Passando por samba, choro, sertanejo, soul, rap, blues, baião, música eletrônica e música erudita. Atualizado diariamente. É proibida a reprodução de qualquer texto ou foto deste site em veículo impresso ou digital - inclusive em redes sociais - sem a prévia autorização do editor Mauro Ferreira.
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
Parceria inédita de Wisnik e Dominguinhos dá novo sopro de vida a 'Ná e Zé'
♪ Lançado em abril deste ano de 2015, o álbum Ná e Zé (Circus) - disco em que a cantora paulista Ná Ozzetti dá voz a músicas de José Miguel Wisnik em gravações feitas com o compositor paulista - ganha extensão. Mais duas faixas estão sendo lançadas neste mês de dezembro de 2015 em single que tem lançamento programado para a próxima sexta-feira, 18 de dezembro, no iTunes. As duas músicas adicionais são Mais simples (José Miguel Wisnik, 1992) - música lançada na voz do autor no álbum José Miguel Wisnik (Cameratti, 1992) e mais conhecida na gravação que batizou CD lançado pela cantora Zizi Possi em 1996 - e a inédita Sopro de flor. Parceria póstuma de Wisnik com o cantor, compositor e sanfoneiro pernambucano Dominguinhos (1941 - 2013), Sopro de flor nasceu quando Wisnik pôs letra em melodia de Seu Domingos. A gravação de Sopro de flor foi feita para Ná e Zé com o toque da sanfona de Marcelo Jeneci. Os registros adicionais de Mais simples e Sopro de flor serão incorporados ao álbum na edição de Ná e Zé em vinil duplo prevista para chegar ao mercado fonográfico em março de 2016. Clique aqui para ler ou reler a resenha do álbum Ná e Zé.
terça-feira, 26 de maio de 2015
Ozzetti e Wisnik fazem registro audiovisual do show em que cantam 'Ná e Zé'
♪ A IMAGEM DO SOM - A foto de Rodrigo Goffredo mostra o compositor e pianista paulista Zé Miguel Wisnik com a cantora e compositora paulistana Ná Ozzetti no palco do teatro do Sesc Vila Mariana, em São Paulo (SP), em 24 de maio de 2015, na última das três apresentações da temporada de estreia de Ná e Zé, show baseado no homônimo CD em que os artistas celebram 30 anos de afinidades. Esta terceira apresentação foi alvo de registro audiovisual, conforme avisado ao público antes do início do show. No espetáculo, Ozzetti & Wisnik vão além do repertório do recém-lançado álbum Ná e Zé (Circus Produções, 2015). O roteiro incluiu Ultrapássaro (parceria de Dante Ozzetti com Wisnik gravada por Ná no álbum Estopim, editado em 1999 via NK Records) e Pérolas aos poucos (música de Wisnik e Paulo Neves gravada por Ná em Piano e voz, CD editado em 2005 com André Mehmari via MCD), além de duas músicas de Wisnik, Mais simples e Se meu mundo cair, lançadas pelo compositor no seu primeiro álbum, José Miguel Wisnik (Camerati, 1992), e gravadas pela cantora paulistana Zizi Possi após quatro anos para seu álbum Mais simples (PolyGram, 1996).
domingo, 3 de maio de 2015
'Ná e Zé' celebra afinidades de Ozzetti e Wisnik entre o passado e o presente
Resenha de CD
Título: Ná e Zé
Artistas: Ná Ozzetti e Zé Miguel Wisnik
Gravadora: Circus Produções
Cotação: * * * 1/2
Disco disponível para download gratuito e legalizado no site oficial do projeto Ná e Zé
Título: Ná e Zé
Artistas: Ná Ozzetti e Zé Miguel Wisnik
Gravadora: Circus Produções
Cotação: * * * 1/2
Disco disponível para download gratuito e legalizado no site oficial do projeto Ná e Zé
♪ As imagens difusas de Ná Ozzeti e Zé Miguel Wisnik na foto de Luiz Romero exposta na capa do CD Ná e Zé - após tratamento de Rogério Azevedo - contrastam com a clareza deste álbum que celebra uma parceria de três décadas entre a cantora e o compositor paulista. Foi há exatos 30 anos, em 1985, que Ná cantou pela primeira vez uma música de Zé, entoando Louvar no casamento de Wisnik com Laura Vinci. Parceria de Wisnik com o poeta e compositor mineiro Cacaso (1944 - 1987), de quem Zé musicou em 1984 os versos que deram origem à canção, Louvar fecha simbolicamente o CD, selando essa nova aliança musical entre Ná e Zé. O álbum remete inevitavelmente ao passado, já que Wisnik tem sido compositor desde então recorrente na discografia de Ná. Somente em seu primeiro álbum solo, lançado em 1988, Ná gravou nada menos do que quatro composições de Zé. Duas delas, A olhos nus (1978) e Orfeu (1982), retornam em Ná e Zé em tons bem mais contemporâneos, sendo que Orfeu ganha o toque do vibrafone de Marcelo Jeneci. Confiada a Márcio Arantes, a produção do disco impede que esse repertório - formado por 15 músicas compostas por Zé, a sós ou com parceiros, entre 1978 e 2014 - soe mofado. Alocada com destaque no arranjo e na mixagem de Alegre cigarra (Zé Miguel Wisnik e Paulo Neves, 1979), faixa em que Ná encarna a própria cigarra com seu canto preciso e límpido, a guitarra noise de Guilherme Held é um dos elementos e instrumentos que fazem com que Ná e Zé aborde o passado com sons do presente. A simples presença do maestro baiano Letieres Leite na arregimentação dos sopros de Noturno do Mangue (1994) - música composta para a trilha sonora da peça Mistérios gozosos (do Teatro Oficina) e ora gravada por Ná em dueto com Arnaldo Antunes - confirma a intenção dos artistas de não se limitar a reabrir a cortina do passado. A rigor um projeto pautado por regravações e sobras, já que músicas inéditas como A noite (Zé Miguel Wisnik e Paulo Neves, 1979) jaziam até então no fundo do baú à espera de um primeiro registro fonográfico, o disco se alimenta da fina sintonia entre o canto de Ná e a obra de Zé sob esse olhar contemporâneo. Cantora projetada no vanguardista Grupo Rumo a partir da primeira metade da década de 1980, Ná tem (total) domínio do idioma musical de Zé, compositor que fala línguas melódicas inusitadas. Canções como Som e fúria (Zé Miguel Wisnik e Paulo Neves, 1992) e Momento zero (Zé Miguel Wisnik, 1992) jamais trilham caminhos óbvios. Para quem sente prazer em percorrer tais trilhas, Ná e Zé é passo firme de Ná Ozzetti que antecede o aguardado passo torto dessa grande cantora.
sábado, 17 de setembro de 2011
Wisnik lustra muitas pérolas para poucos no belo disco duplo 'Indivisível'
Resenha de CD
Título: Indivisível
Artista: Zé Miguel Wisnik
Gravadora: Circus
Cotação: * * * * 1/2
Título: Indivisível
Artista: Zé Miguel Wisnik
Gravadora: Circus
Cotação: * * * * 1/2
A trilha sonora do Brasil dos anos 2000 seria menos pobre se as multidões que consomem a atual música sertaneja cantassem Tristeza do Zé, tema que dialoga inteligentemente com Tristeza do Jeca (Angelino de Oliveira, 1918), um dos clássicos nacionais do gênero. Tristeza do Zé é cantada por seus compositores, Zé Miguel Wisnik e Luiz Tatit, em Indivisível, álbum duplo recém-lançado por Wisnik. Mas é triste saber que o Brasil não vai cantar Tristeza do Zé, tema cujo acento rural é acentuado pelo acordeom de Marcelo Jeneci, nome recorrente na ficha técnica das 25 faixas deste quarto título da discografia do compositor, pianista e escritor. Um dos mais refinados compositores do Brasil, hoje com 62 anos, o paulista Wisnik compõe pérolas para poucos. Valorizado visualmente por projeto gráfico (de Elaine Ramos) que aglutina os dois CDs em embalagem que entrelaça as iniciais do artista, Indivisível reúne 26 pérolas que poucos vão ouvir. A maioria é inédita. Algumas já foram gravadas por nomes como Zélia Duncan e Elza Soares, já que Indivisível reúne a mais expressiva produção autoral de Wisnik pós-2003, ano em que o compositor lançou seu último álbum, Pérolas aos Poucos. Os dois discos são gêmeos univitelinos, inseparáveis, indivisíveis, ligados até por suas diferenças simétricas. O CD de capa azul e encarte marrom é conduzido pelo violão de Arthur Nestrovski. O CD de capa marrom e encarte azul é guiado pelo piano tocado pelo próprio Wisnik (exceto em Canção Necessária, parceria de Guinga com Wisnik, faixa na qual Jeneci assume o piano). Irmanados em sua sofisticação, os dois álbuns apresentam tantas músicas lindas que talvez uma obra-prima como O Primeiro Fole - a primeira melodia composta por Jeneci, ora gravada com a letra feita por Wisnik - passe até despercebida. "A letra fala do piano, que é o nosso instrumento, da sanfona, que é instrumento dele, e do lugar misterioso onde a gente vai buscar as palavras para as canções”, conceitua Wisnik, que também arrisca registro mais intenso ao regravar Feito pra Acabar, parceria com Jeneci e com Paulo Neves que deu título ao álbum lançado pelo recorrente Jeneci em 2010. Produzido por Alê Siqueira, Indivísivel é disco embebido em lirismo e em poesia, inclusive pelo fato de Wisnik ter musicado versos de Antonio Cícero (Os Ilhéus, outra grande faixa do CD conduzido pelo piano), Carlos Drummond de Andrade (Anoitecer), Fernando Pessoa (Tenho Dó das Estrelas, tema gravado por Jussara Silveira em seu vindouro álbum Ame ou se Mande) e Gregório de Matos (Mortal Loucura, da trilha sonora do balé Onqotô, apresentado pelo Grupo Corpo em 2005). E até porque a letra escrita por Wisnik para a camerística Ilusão Real é pura poesia que resiste bem sem a melodia intrincada composta por Guinga. Tal rebuscamento é perceptível também na melodia sinuosa composta por Chico Buarque para a música que veio a se chamar Embebedado quando recebeu a letra precisa de Wisnik. Lançada por Gal Costa em seu álbum Hoje (2005), Embebedado é rebobinada por Wisnik em dueto luxuoso com Chico. No todo, o CD guiado pelo piano resulta mais denso, mais sisudo. No disco conduzido pelo violão, há mais espaço para a leveza e até para o humor detectado em temas como o samba Sem Fundos (Zé Miguel Wisnik e Vadim Nikitim). E por falar em samba, Sócrates Brasileiro (Zé Miguel Wisnik) - já gravado por Ná Ozzetti - celebra o famoso jogador (atualmente às voltas com graves problemas de saúde) em letra cheia de poesia. Em tom mais carnavelesco, Eva e Adão ou Marchinha da Família (Zé Miguel Wisnik, Ana Tatit e Zé Tatit) defende com descontração a construção de famílias derivadas de uniões homoafetivas. Mas há também melancolia no disco guiado pelo violão, perceptível já na pungente faixa de abertura, Serenata (Franz Schubert e Ludwig Rellstab), traduzida para o idioma musical brasileiro na forma de toada pelo violonista Arthur Nestrovski. Há algo também de melancolia sertaneja em Eu Vi, versão de Wisnik para tema de Henri Salvador (1917 - 2008) e M. Modo lançado por Henri em seu álbum Chambre Avec Vue (2001). Entre muitos temas inéditos (como o Acalanto de Wisnik com Nestrovski, raro momento em que o alto nível de inspiração do repertório cai um pouco) e algumas regravações (Presente, Cacilda, Se Meu Mundo Cair), o conceitual Indivisível reitera a grandeza da obra de Zé Miguel Wisnik, mestre em oferecer pérolas para poucos. Como tem Zé nesse triste Brasil sertanejo!...
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