Mauro Ferreira no G1

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sábado, 4 de janeiro de 2014

Atores e direção graciosa majoram texto narrativo de musical sobre Cyro

Resenha de musical de teatro
Título: Amigo Cyro, muito te admiro!
Texto: Rodrigo Alzuguir
Direção: André Paes Leme
Direção musical e arranjos: Luis Barcelos
Elenco: Alexandre Dantas, Claudia Ventura, Milton Filho e Rodrigo Alzuguir
Foto: Silvana Marques
Cotação: * * *
Musical em cartaz no Teatro II do CCBB do Rio de Janeiro (RJ) até 9 de fevereiro de 2014

Uma mesa de sinuca de botequim ocupa o centro do palco na encenação de Amigo Cyro, muito te admiro!, musical que estreou no Rio de Janeiro (RJ) em 3 de janeiro de 2014 para festejar, já com atraso, o centenário de nascimento do cantor carioca Cyro Monteiro (28 de maio de 1913 - 13 de julho de 1973). Na cena erguida com graça pelo diretor André Paes Leme, os tacos dessa sinuca simulam em determinado momento as janelas da casa do artista. Em outro instante, duas bolas dessa mesma sinuca são os peitos de mulher alvo do interesse de Cyro. Somadas à harmonia e afinação dos quatro atores (Alexandre Dantas, Claudia Ventura, Milton Filho e Rodrigo Alzuguir) que interagem para contar as passagens mais importantes da vida e obra do cantor, as soluções cênicas de Paes Leme valorizam o texto essencialmente narrativo do musical. Escrito por Rodrigo Alzuguir com base em duas extensas entrevistas retrospectivas concedidas por Cyro em 1970, três anos antes de sua saída de cena, o texto do musical é seu ponto fraco por abdicar da ação teatral. Sem construir uma dramaturgia propriamente dita, o texto se limita a expor - na primeira pessoa - preferências, causos e acontecimentos da vida e obra do artista entre breves (e leves) teatralizações de momentos emblemáticos da trajetória do cantor que lançou em 1938 o samba Se acaso você chegasse (Lupicínio Rodrigues). Contudo, diretor e elenco driblam as limitações de texto narrativo e estabelecem boa comunicação com a plateia, especialmente na segunda metade do musical, quando o jogo cênico já está estabelecido e se desenrola com mais fluência. O musical abole também a figura do protagonista. Todos os quatro atores encarnam Cyro em cena e se revezam nas interpretações das 30 músicas do roteiro. Em sua grande maioria, são sambas, gênero musical predileto do imortal Rei do Telecoteco. Sem grandes vozes e interpretações individuais, o espetáculo se escora - do ponto de vista musical - na combinação sempre harmoniosa do canto dos quatro atores, embora seja justo destacar o solo de Claudia Ventura na melancólica Testamento (Cyro Monteiro e Dias da Cruz). Para o público que pouco ou nada ouviu falar de Cyro Monteiro, o espetáculo cumpre com certo didatismo a função de informar sobre quem foi esse artista que caiu com suingue no samba carioca. São relatados em cena o medo de avião (com piada repetida à exaustão), a briga com Ary Barroso (1903 - 1964) por conta da recusa de samba do compositor mineiro e a perseguição pessoal do diretor artístico da gravadora na qual o cantor atuava no coro antes do sucesso, entre outros fatos mais ou menos relevantes. Cyro Monteiro viveu seu auge artístico nos anos 1940 e 1950. Sua voz manemolente propagou sambas como Beija-me (Roberto Martins e Mário Rossi, 1943), Escurinho (Geraldo Pereira, 1955), Oh, seu Oscar (Wilson Baptista e Ataulfo Alves, 1939) - alocado no roteiro para expor a presença forte da voz de Cyro nos Carnavais de sua época áurea - e Formosa (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1963), sucesso da segunda fase da longa carreira do artista, que tirou um pulmão, por conta de complicações decorrentes de tuberculose, mas se manteve em cena como cantor, dando continuidade a uma carreira na qual nem o próprio Cyro acreditava mais após a operação. Enfim, Amigo Cyro, muito te admiro! - musical cujo título vem do samba Ilmo Sr. Ciro Monteiro ou receita para virar casaca de neném (1969), composto por Chico Buarque ao recusar a camisa rubro-negra com a qual Cyro, doente flamenguista, presenteara sua filha recém-nascida - tem lá sua graça e seu telecoteco, mesmo abdicando da forma essencial da ação teatral. Mérito dos atores e direção.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Compilação lembra o centenário de nascimento do cantor Cyro Monteiro

Pouco ou nada festejado ao longo deste ano de 2013, o centenário de nascimento do cantor e compositor carioca Cyro Monteiro (28 de maio de 2013 - 13 de julho de 1973) foi lembrado pelo selo curitibano Revivendo. Único produto fonográfico idealizado por conta da efeméride (dupla, já que em 2013 a morte do artista completou 40 anos), a coletânea Cyro Monteiro 100 anos reúne 22 gravações deste cantor que caía no samba com suingue e que esteve em evidência na segunda metade da década de 1930 e ao longo de todos os anos 1940. Eis os 22 fonogramas da compilação que chega ao mercado em tempo de celebrar os 100 anos de Cyro:

1. Se acaso você chegasse (Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins)
2. Chamei pelo teu nome – (Haroldo Lobo e Roberto Cunha)
3. Linda Yayá (Jardel Noronha e Célio Ferreira)
4. Ela bateu a Janela (Marino Pinto e Garcez)
5. Ela não teve paciência (Geraldo Pereira e Augusto Garcez)
6. Será possível? (Rubens Campos e Henricão)
7. Não vá atrás de ninguém (Ismael Silva)
8. Ela não compreende (Amaro Silva)
9. Tua beleza (Marques Porto e Waldemar Silva)
10. Tá maluca (Wilson Baptista e Germano Augusto)
11. Perdoa (Kid Pepe e J. Barcellos)
12. Se eu lhe perder (Djalma Esteves, Luiz Soberano e Afonso Teixeira)
13. Quem fica mal sou eu (Zé Pretinho e Mário Amorim)
14. Bonito papel, hein? – (Antônio Nássara e Dunga)
15. Quem gostar de mim (Dunga)
16. Toma o lenço e vai (Juracy de Araújo e Gomes Filho)
17.  Acabou a sopa (Garcez e Geraldo Pereira)
18. Sopa de concha (Pedro Caetano e Alcyr Pires Vermelho)
19. Você quis saber da minha vida (Kid Pepe e Paulo Actis)

20. Vida apertada (Cyro de Souza)
21. Dinheiro não é semente (Felisberto Martins e Mutt)
22. A mulher que eu gosto (Wilson Baptista e Cyro de Souza)

terça-feira, 30 de abril de 2013

Sucesso de Cyro Monteiro alonga repertório do samba de Inez no teatro

Sucesso de Cyro Monteiro (1913 - 1973), gravado pelo cantor carioca em 1954 e revivido em 1966 pelo mesmo Cyro em dueto com Elizeth Cardoso (1920 - 1990), o samba Tem que rebolar é uma das três músicas que expandem em cena no show Samba no teatro - apresentado às terças e quartas-feiras por Inez Vianna no Sesc Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ) - o repertório do CD homônimo do show, lançado pela atriz-cantora carioca em dezembro de 2012. Além de Tem que rebolar, Viana adicionou ao roteiro outras duas músicas ausentes do disco, Na batucada da vida (Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1934) e A mais bonita (Chico Buarque, 1939). Eis o roteiro seguido por Inez Viana - em foto de Mauro Ferreira - sob a direção musical de João Callado em Samba no teatro, ótimo show teatral em cartaz até 1º de maio de 2013:

1. Tem mais samba (Chico Buarque 1964)
2. O forrobodó (Chiquinha Gonzaga, 1912)
3. Pop pop popular (Eduardo Dussek, 197?)
4. Eu e o meu amor (Tom Jobim e Vinicius de Moraes, 1956)
5. Linda Flor (Henrique Vogeler, Luiz Peixoto, Cândido Costa e Marques Porto, 1929)
6. No tabuleiro da baiana (Ary Barroso, 1936) - com Pedro Miranda

7. Tem que rebolar (José Batista e Magno de Oliveira, 1954) - com Pedro Miranda
8. Biscate (Chico Buarque, 1993) - com Pedro Miranda
9. Tatuagem (Chico Buarque e Ruy Guerra, 1973)
10. A mais bonita (Chico Buarque, 1989)
11. Na batucada da vida (Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1934)
12. Tipo zero (Noel Rosa, 1934)
13. Toque de benguela (Paulo César Pinheiro, 2006)
14. O rei de Ramos (Francis Hime, Chico Buarque e Dias Gomes, 1979)
Bis:
15. Cacilda (José Miguel Wisnik, 1998)

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Reedição de álbum de 1969 revive o samba da fase crespuscular de Cyro

Cantor carioca que esteve em evidência nas paradas dos anos 30 e 40, Cyro Monteiro (1913 - 1973) já vivia fase crepuscular quando gravou pela Copacabana Discos o álbum Meu Samba, Minha Vida, lançado em 1969. De volta ao catálogo neste segundo semestre de 2011, em reedição produzida e distribuída pela Microservice (empresa detentora até dezembro de 2012 dos direitos sobre o catálogo da gravadora Copacabana, hoje pertencente à EMI Music), Meu Samba, Minha Vida enfileira registros de sambas como Saudade Dela (Alcyr Pires Vermelho e Pedro Caetano) e Moreninha Boa (Fardel e Estevão Camargo), tema gravado em tom rural. Cyro assina Saquinho de Dinheiro em parceria com Lilian de Matos. Infelizmente, ao repor em catálogo o disco de Cyro, a Microservice reproduz o padrão gráfico de série de relançamentos anteriores produzidos pela EMI. Não há informações e textos adicionais que contextualizem a vida e obra de Cyro Monteiro para novos consumidores do samba de cantor que marcou época.