Mauro Ferreira no G1

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quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Com trio de Dudu Lima, Milton dá outro mergulho no jazz com CD 'Tamarear'

Resenha de CD
Título: Tamarear
Artista: Milton Nascimento e Dudu Lima Trio
Gravadora: MP,B Discos / Som Livre
Cotação: * * * 1/2

Desde sempre embutido na arquitetura original do cancioneiro de Milton Nascimento, a ponto de o cantor e compositor carioca já ter gravado em 1974 álbum com o saxofonista norte-americano Wayne Shorter, o jazz dá o tom de Tamarear, álbum que junta o artista de alma mineira com o trio do baixista - mineiro de nascimento - Dudu Lima. Virtuose no toque do baixo, Dudu Lima sempre fez conexões com a obra de Milton em seus discos, alguns gravados com a participação deste gênio da MPB. Mas Tamarear é o primeiro álbum que assinam juntos. Gravado em vários estúdios entre julho e outubro de 2014, sob a direção musical de Dudu, o álbum alude no título ao projeto Tamar, criado para evitar a extinção de espécies raras de tartarugas marinhas. Tamarear é também o nome da música inédita composta por Guy Marcovaldi para o disco e gravada com o toque da guitarra de Stanley Jordan, músico norte-americano de jazz. Milton cita verso da canção praieira O mar (Dorival Caymmi, 1940) no canto do tema. Mas, por mais que apresente algumas músicas inéditas no repertório (nenhuma da lavra de Bituca), Tamarear se sustenta na recriação do cancioneiro de Milton com a liberdade do jazz. Sim, nada é como antes, embora pareça. Dos sete minutos da atual regravação de Clube da esquina nº 2 (Milton Nascimento, Lô Borges e Fernando Brant, 1972), dois minutos e meio são puro jazz. A partir dos três minutos, a faixa fica instrumental e propicia o exercício do jazz pelo trio de Dudu Lima, formado pelo baixista com Leandro Scio (bateria e percussão) e Ricardo Itaborahy (piano e teclados). Gran circo (Milton Nascimento e Márcio Borges, 1975) já é armado com lona jazzística desde o início do registro. Tamarear é disco para quem fala a língua do jazz. Para quem não domina o idioma, o álbum poderá ser visto como uma coleção de regravações menos sedutoras do cancioneiro de Milton - até porque a voz do cantor já perdeu o viço e a potência dos áureos tempos. A perda é evidente em músicas como Fé cega, faca amolada (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1974). Mas a qualidade alta dos arranjos do disco torna insignificante tal perda. De todo modo, mesmo nos tons outonais da maturidade, Milton ainda continua sendo um senhor cantor, como reiteram os registros de Um cafuné na cabeça, malandro, eu quero até de macaco (Milton Nascimento e Leila Diniz, 1980) - tema que começa acústico (com o violão de Milton), cai no toque largo do baixo de Dudu Lima e culmina com a récita dos versos da letra pelo cantor - e Meditação (Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça, 1959), clássico da Bossa Nova que ganha uma de suas abordagens mais jazzísticas. Ambientado dentro dessa atmosfera, o inédito tema instrumental Belafonte (Dudu Lima) - gravado com sons das águas do oceano, captados por Pauly Di Castro para o projeto Tamar - expõe a limpidez do toque da guitarra de Stanley Jordan, convidado da faixa na qual Milton recita o poema Sem fronteiras (Guy Marcovaldi). Enfim, Tamarear é mais um mergulho de Milton Nascimento nas águas do jazz. Quem sabe nadar em tais águas entenderá a profundeza do mergulho dado no disco.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Milton se une ao trio de Dudu Lima em CD de projeto que protege tartaguras

Distribuído em todas as plataformas digitais pela gravadora Som Livre na última sexta-feira, 18 de setembro de 2015, o álbum Tamarear - título do disco editado pelo selo MP,B Discos que junta o cantor e compositor carioca Milton Nascimento ao mineiro Dudu Lima Trio - é projeto de caráter beneficente. Tamarear é o verbo conjugado por quem colabora com o Tamar, projeto criado para proteger da extinção espécies raras de tartarugas marinhas. Milton e o jazzístico Dudu Lima Trio colaboram em forma de música com disco que aloca 11 composições em nove faixas gravadas em vários estúdios entre julho e outubro de 2014. A maioria vem do repertório de Milton. Mas há temas inéditos como a música-título Tamarear (Guy Marcovaldi), gravada com a adesão, na guitarra, do músico norte-americano de jazz Stanley Jordan, também convidado de Belafonte (Dudu Lima), tema instrumental turbinado com sons aquáticos captados por Pauly Di Castro para o projeto Tamar. A propósito, a gravação de Tamarear cita O mar (1940), clássica canção praieira do compositor baiano Dorival Caymmi (1914 - 2008). Em clima de jazz mineiro, Milton e o virtuoso Dudu Lima Trio recriam composições famosas como Clube da esquina nº 2 (Milton Nascimento, Lô Borges e Márcio Borges, 1972), Fé cega, faca amolada (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1974), Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967) - unida em medley com o tema instrumental Nascimento (Dudu Lima) - e Gran circo (Milton Nascimento e Márcio Borges, 1975), entre outras músicas do clube mineiro dos anos 1970.  O disco sai também em edição física em CD.