Em 1961, Ray Charles (1930 - 2004) já era rei nos Estados Unidos, mas ainda não havia conquistado a Europa. Sua estreia no território europeu aconteceu de 18 a 22 de julho de 1961, datas em que The Genius se apresentou no Antibes Jazz Festival, na França. Perdidos há 50 anos, os registros audiovisuais dessas apresentações foram descobertos em 2011, restaurados (a partir dos filmes originais de 16mm) e remasterizados para edição no DVD Ray Charles - Live in France 1961, recém-lançado no mercado brasileiro via ST2. O DVD exibe nove números do show de 18 de julho de 1961, cinco da apresentação do dia 19, um (a balada I Wonder) do show de 21 de julho e onze da apresentação do dia 22, totalizando cerca de 1 hora e 45 minutos de gravação. Tais apresentações abriram as portas do mercado europeu para Ray. Sem a big band que o acompanhava nos shows feitos pelos Estados Unidos, o cantor aportou no festival francês com grupo mais reduzido, integrado pela nata dos músicos - Bruno Carr (bateria), Edgar Willis (baixo), John Hunt (trompete) Philip Guilbeau (trompete) e o trio de saxofonistas formado por Hank Crawford, David Fathead Newman e Leroy Hog Cooper - que gravaria com o cantor os discos feitos por Charles em sua fase na Atlantic Records. Na companhia de suas Raelettes (Darlene McCrea. Gwen Berry, Margie Hendrix, Pat Lyles e Darlene McCrea), Charles passeia por jazz e soul com a habitual maestria em roteiro que rebobina clássicos como Georgia on my Mind, What'd I Say (tema que pode ser ouvido no DVD em três apresentações distintas), Let The Good Times Roll, I Believe To My Soul e Ruby. Luxo!
Guia jornalístico do mercado fonográfico brasileiro com resenhas de discos, críticas de shows e notícias diárias sobre futuros lançamentos de CDs e DVDs. Do pop à MPB. Do rock ao funk. Do axé ao jazz. Passando por samba, choro, sertanejo, soul, rap, blues, baião, música eletrônica e música erudita. Atualizado diariamente. É proibida a reprodução de qualquer texto ou foto deste site em veículo impresso ou digital - inclusive em redes sociais - sem a prévia autorização do editor Mauro Ferreira.
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terça-feira, 10 de janeiro de 2012
sexta-feira, 25 de março de 2011
Willie Nelson e Wynton Marsalis celebram Ray com Norah em CD ao vivo
Três anos após o lançamento do álbum Two Men with The Blues (2008), o cantor Willie Nelson - lenda viva da música country - volta a se reunir em disco com o trompetista de jazz Wynton Marsalis. Com lançamento mundial agendado para 29 de março de 2011, Here We Go Again - Celebrating the Genius of Ray Charles foi gravado ao vivo em show no evento Jazz at Lincoln Center que contou com a adesão da cantora Norah Jones em temas como What'd I Say, Makin' Whoopee, Hit the Road Jack, Unchain my Heart e Come Rain or Come Shine. Como o subtítulo do álbum já explicita, trata-se de tributo do trio à música de Ray Charles (1930 - 2004), gênio que transitou com maestria por ritmos como soul, country, jazz e blues.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Sobras de Ray reunidas em 'Rare Genius' são iguarias que justificam CD
Resenha de CD
Título: Rare Genius - The Undiscovered Masters
Artista: Ray Charles
Gravadora: Concord Music / Universal Music
Cotação: * * * *
Título: Rare Genius - The Undiscovered Masters
Artista: Ray Charles
Gravadora: Concord Music / Universal Music
Cotação: * * * *
Rare Genius - The Undiscovered Masters é um disco póstumo de Ray Charles (1930 - 2004) idealizado para celebrar os 80 anos que o artista teria completado neste ano de 2010. Trata-se de compilação de 10 gravações inéditas registradas e produzidas por Ray em estúdio entre 1970 e 1995. Coube a John Burk - produtor do último álbum do cantor, Genius Loves Company (2004) - dar o acabamento para que tais gravações viessem à tona neste CD recém-lançado no Brasil pela Universal Music. São sobras, mas as sobras de Ray são iguarias que justificam a edição do disco. Somente Wheel of Fortune - uma balada embebida em puro soul, gravada em Los Angeles (Califórnia, EUA) em 1972 - já valeria a audição de Rare Genius. Inclusive porque Ray foi mesmo um gênio daqueles que raramente aparecem em cena. Hábil tanto na interpretação de um blues como There'll Be Some Changes Made - música de 1921, regravada pelo artista com a pegada e o sentimento do blues por volta de 1990 - como na de um tema jazzy de base funkeada, I'm Gonna Keep on Singin', captado em 1995 com músicos ignorados no fino acompanhamento. A propósito, todos os arranjos de Rare Genius são luxuosos, em sintonia com o universo musical de Ray. Os registros soam coesos, sem evidenciar a existência da produção adicional feita por Burk. O que valoriza o lançamento de iguarias como It Hurts to Be in Love, um clássico do r & b dos anos 50 que Ray sempre cantou em shows, mas que nunca tinha entrado em seus discos de estúdio (a rara gravação encontrada nas undiscovered masters é de 1980). E o que dizer de She's Gone (faixa gravada na década de 80) além da constatação de que poucas vozes no Mundo souberam expressar tanta solidão através do canto? Ao fim, quando apresenta o inusitado dueto de Ray com Johnny Cash (1932 - 2003) em Why me, Lord? (um gospel tingido de blues), Rare Genius deixa a certeza de transcender qualquer oportunismo ao celebrar os 80 anos e a Arte plural de Ray Charles, esse gênio de estirpe rara.
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