Título: Ritmo Explosivo
Artista: Paraphernalia
Gravadora: Pimba / Tratore
Cotação: * * * 1/2
Produzida em estilo vintage, a capa do primeiro CD do Paraphernalia - coletivo carioca criado em 2001 quando o guitarrista Bernardo Bosisio e o contrabaixista Alberto Continentino se juntaram com a ideia de fazer música dançante e instrumental - está em fina sintonia com o que se ouve nas 11 faixas de Ritmo Explosivo. Mesmo que soe contemporâneo, o som instrumental do grupo reverbera as tradições dos bailes capitaneados desde os anos 50 por nomes como João Donato, Ed Lincoln e - mais tarde - Lincoln Olivetti. Na formação perpetuada no disco editado neste mês de janeiro de 2012 pelo selo Pimba (criado por Leonel Pereda e Ronaldo Bastos como um desdobramento da gravadora Dubas), o Paraphernalia agrega alguns dos músicos mais hypados da cena indie carioca - entre eles, o tecladista Donatinho, o flautista Felipe Pinaud e o trombonista Marlon Sette, além dos seminais Bosisio e Continentino. O ritmo não é explosivo como afirma o título do CD produzido por Kassin com Ricardo Garcia (um dos maiores especialistas do Brasil na arte de remasterizar discos). Suingante, o baile transcorre sem grandes efervescências, mas soa azeitado e até certo ponto ousado porque, em vez de cair na tentação de filtrar sucessos populares por essa sonoridade retrô, o Paraphernalia registra repertório autoral e inédito, apostando na safra dos compositores que integram o coletivo. Sozinho ou em parceria com os colegas do grupo, Alberto Continentino assina oito dos 11 temas de Ritmo Explosivo. As exceções são Com Curry Por Favor (Bernardo Bosisio) - faixa de tempero indiano - e Nu Flava (Donatinho) e Rei Salomão (Marlon Sette), dois temas incrementados com vocais (a rigor, dispensáveis no disco). Da safra farta de Continentino, 22 de Setembro é de longe o tema mais inspirado, seguido de perto por A Fúria do Dragão II, parceria do baixista com Bosisio e Donatinho que reprocessa a levada do funk da década de 70 que veio a desaguar na disco music evocada pelo Paraphernalia em Champagne, tema da lavra solitária de Continentino. No fim menos animado, o baile termina cheio de climas com Salvem as Baleias (Alberto Continentino, Bernardo Bosisio, Donatinho e Juliano Zanoni). No todo, Ed Lincoln aprovaria o som dançante do Paraphernalia...