Título: Amy - Minha filha
Autor: Mitch Winehouse
Editora: Record
Cotação: * * * 1/2
♪ Houve momento - algum tempo depois da edição do álbum Frank (2003) e antes da gravação do consagrador Back to black (2006) - que o futuro de Amy Winehouse (1983 - 2011) como cantora pareceu incerto para a família da artista e para a própria Amy. Tal incerteza é admitida por Mitch Winehouse numa das 350 páginas de seu bom livro Amy - Minha filha, já lançado no Brasil pela editora Record. Por ser o pai da mais interessante cantora surgida nos anos 2000, Mitch acompanhou de perto os primeiros passos de Amy na vida e na música. Seu livro reconstitui tais passos de forma superficial (mas esclarecedora) para se concentrar na saga de Amy contra as drogas que a tiraram precocemente de cena, aos 27 anos. Essa luta contra os vícios da filha é o assunto quase único de Mitch nos três quartos finais do livro. Ao recontar essa história, Mitch se porta como o pai herói, incansável na batalha cotidiana para afastar Amy do álcool, das drogas e, sobretudo, da companhia do namorado Blake Fielder-Civil, descrito no livro com adjetivos nada lisonjeiros como "mau-caráter". Tampouco a família de Blake é poupada. Sim, Mitch toma partido e marca posição em Amy - Minha filha e, como testemunha privilegiada das idas e vindas de Amy em clínicas de reabilitação de dependentes químicos, o pai herói dá a versão verdadeira dos fatos noticiados com doses de sensacionalismo e mentira pelos tabloides britânicos. E, nesse sentido, parece não ter havido maquiagem dos fatos na redação da saga. Em narrativa sempre fluente, Mitch rememora os tropeços e o mergulho de Amy no inferno das drogas e da relação com Blake. Por mais que o livro tenha sido escrito com indisfarçável oportunismo (por vaidade e vontade de ficar sob os holofotes, não por ganância, já que a renda dos direitos autorais de Mitch é em tese revertida para a Fundação Amy Winehouse, criada para amparar usuários de drogas na luta contra o vício), Amy - Minha filha vai cativar admiradores da artista inglesa. Relevada a pose de pai herói repetida por Mitch ao longo do livro, Amy - Minha filha descortina os bastidores da vida de artista singular. Vida breve, mas intensa, como a obra e o canto por vezes dilacerado de Amy Winehouse.
