Mauro Ferreira no G1

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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Maia lembra em 'Ladrão de Purezas' que Manezinho foi além da embolada

Com a reedição do CD Ladrão de Purezas - Um Tributo a Manezinho Araújo, gravado pelo cantor pernambucano Geraldo Maia em 2010 e lançado originalmente em março deste ano de 2011, a Biscoito Fino amplifica a homenagem de Maia ao seu conterrâneo Manoel Pereira de Araújo (1910 - 1993), mais conhecido como Manezinho Araújo, o Rei da Embolada. Pois Ladrão de Purezas mostra que a obra do compositor - muito em evidência dos anos 30 aos 50 - extrapolou o universo da embolada. O disco abre inclusive com Vatapá, samba que não é o de Dorival Caymmi (1914 - 2008), mas o samba gravado por Manezinho em 1956. Embora tenha sido entronizado na história da música brasileira como o Rei da Embolada, epíteto que também lhe faz jus por conta de sucessos como O Carrité do Coroné (1939) e Cuma É o Nome Dele? (1956), Manezinho compôs sambas, cocos, baiões e toadas como Adeus, Pernambuco (Hervê Cordovil e Manezinho Araújo, 1952), destaque do disco ao lado de Beata Mocinha (Manezinho Araújo e Zé Renato, 1952) - espécie de oração sertaneja que pede proteção para os romeiros do Norte - e de Novo Amanhecer, valsa-canção que exala lirismo seresteiro nunca associado à obra plural de Manezinho Araújo. Que também foi pintor de telas como as reproduzidas na capa e no encarte do álbum. Produzido, arranjado e gravado por Geraldo Maia com o violonista Vinicius Sarmento e o percussionista Lucas dos Prazeres, Ladrão de Purezas chega atrasado ao mercado fonográfico nacional para festejar o centenário de nascimento de Manezinho Araújo - injustamente esquecido até por Pernambuco, Estado natal do compositor - só que  (ainda) a tempo de se impor como um dos mais importantes discos brasileiros de 2011.