Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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domingo, 25 de outubro de 2015

'Nave-mãeana' inclui Chico, Gil, Lennon e Yemanjá na rota espacial do show

♪ Uma das composições mais obscuras do cancioneiro autoral de Gilberto Gil - Músico simples, lançada pelo cantor, compositor e pianista carioca Johnny Alf (1929 - 2010) no álbum Nós (EMI-Odeon, 1974) - entrou na rota especial e tropicalista seguida por Ana Cláudia Lomelino, nora de Gil, no voo solo de seu show mãeana. Apresentado em 23 e 24 de outubro de 2015 no projeto Levada, no teatro do Oi Futuro Ipanema, no Rio de Janeiro (RJ), o show foi feito na sequência imediata da edição do primeiro álbum solo da artista de origem baiana, mãeana, recém-lançado pela gravadora Joia Moderna em edição digital e em luxuosa edição física em CD. Além das 14 músicas do afetivo repertório do disco produzido por Bem Gil e da pérola rara do cancioneiro de Gilberto Gil, Lomelino deu voz a uma canção de Chico Buarque, Não fala de Maria (1970), e a uma versão em português de Beautiful boy (Darling boy), música de John Lennon (1940 - 1980), lançada há 25 anos pelo artista inglês no seu último álbum, Double fantasy (Geffen, 1980). Essa versão em português é inédita, tendo sido feita por Gilberto Gil especialmente para a artista. Em cena aberta por músicas afro-brasileiras cantadas pela voz forte de Giulia Drummond, em número ritualístico de saudação às Iabás feito antes do início do show propriamente dito, Lomelino recebeu convidados como Letícia Novaes (que cantou um ponto de Yemanjá após ampliar no show, com sua presença vivaz, o tamanho de Conchinha, música de sua autoria lançada por Lomelino em mãeana), Lôu Caldeira - com a alegria de um erê no canto de Ufolclore (Porto do Conde), música de sua lavra também incluída no repertório do álbum mãeana - e João Paulo Lomelino. Tal como no disco, o irmão de Ana Cláudia tocou cavaquinho em Bem feito, samba inédito de Adriana Calcanhotto, fornecido para o voo solo da vocalista do grupo carioca Tono. Eis o roteiro seguido por Ana Cláudia Lomelino - em foto de Vitor Jorge - na bonita apresentação de 24 de outubro de 2015 do gregário show mãeana:

♪  Abertura com temas afro-brasileiros - Giulia Drummond e Vanessa Matos
    ♪ A rainha e a princesa (Paulo César Pinheiro, 2015) /
    ♪ Iansã (Luhli, 1982) /
    ♪ Ponto de Oxum (Luhli e Lucina, 1982) /
    ♪ Cordeiro de Nanã (Mateus Aleluia e Dadinho, 1977)
1. Mãe imã (Luana Carvalho, 2015)
2. Pérola-poesia (Domenico Lancellotti e Ana Cláudia Lomelino, 2015)
3. Sonho de voo (Ana Cláudia Lomelino e Bem Gil, 2015)
4. Mãe Ana (Rubinho Jacobina, 2015)
5. Vontade (André Dahmer, 2015)
6. Dom (João Bernardo e Ana Cláudia Lomelino, 2015)
7. Não sei amar (Caetano Veloso, 2015)
8. Não fala de Maria (Chico Buarque, 1970)
9. Romance espacial (Bruno Di Lullo e Domenico Lancellotti, 2015)
10. Músico simples (Gilberto Gil, 1974)
11. Colo do mundo (Cézar Mendes e Quito Ribeiro, 2015)
12. Bem feito (Adriana Calcanhotto, 2015) - com João Paulo Lomelino
13. Meu filho (Paulo Camacho, 2015)
14. Conchinha (Letícia Novaes, 2015) /  - com Letícia Novaes
15. Ponto de Yemanjá (tema do folclore afro-brasileiro, de domínio público) - Letícia Novaes
16. Ufolclore (Porto do Conde) (Lôu Caldeira, 2015) - com Lôu Caldeira
Bis:
17. Minha cama (Marcelo Callado, 2015)
18. Filho bonito / Beautiful boy (Darling boy)
      (John Lennon, 1980, em inédita versão em português de Gilberto Gil, 2015) 
19. Mãe Ana (Rubinho Jacobina, 2015) - com todos os convidados

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Abravanel lança single em cujo vídeo personifica Amy, Elvis, Lennon e Ney

♪ Ator e cantor paulistano que debutou profissionalmente no teatro musical em 2004 e que ganhou projeção nacional em 2011 ao mimetizar o cantor carioca Tim Maia (1942 - 1998) em musical de grande sucesso popular, Tiago Abravanel lança seu primeiro single, Eclético. A música é de autoria de Edu Tedeschi, compositor paulistano gravado por cantores como Maria Rita, Luciana Mello, Pedro Mariano e Zélia Duncan. Composição de suingue pop black, Eclético gerou clipe - já em rotação na web - no qual Tiago Abravanel se vale de ótimas caracterizações para encarnar personalidades musicais como Amy Winehouse (1983 - 2011), Elvis Presley (1935 - 1977), John Lennon (1940 - 1980) e Ney Matogrosso - como visto no mosaico com fotos de Adriano Fagundes. Após atuar em duas novelas da TV Globo, Abravanel pretende dar prioridade à sua carreira de cantor, estreando em 3 de outubro de 2014, no Rio de Janeiro (RJ), show que vai percorrer o Brasil em turnê nacional. No roteiro, Abravanel dará voz a mais duas músicas de Edu Tedeschi, De brim e Estrada afora, entre hits de Barão Vermelho, Ritchie, Rosana, Sidney Magal e, claro, de Tim Maia.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Alentada entrevista editada em livro esboça perfil espontâneo de Lennon

Resenha de livro
Título: A Última Entrevista do Casal John Lennon e Yoko Ono
Autor: David Sheff
Editora: Nova Fronteira
Cotação: * * * *

"Quem sabe o que vai acontecer"?, ponderou John Lennon (1940 - 1980) ao fim da longa série de entrevistas que concedeu ao jornalista norte-americano David Sheff - juntamente com a mulher Yoko Ono - no seu apartamento no edifício Dakota, em Nova York (EUA), para a edição norte-americana da revista Playboy. Foram as últimas palavras de Lennon nas fitas em que Sheff registrou uma entrevista que se tornaria a última - e, por isso mesmo, histórica - por força das circunstâncias. A Playboy com a entrevista de Lennon e Yoko chegou às bancas dos Estados Unidos em 6 de dezembro de 1980. Dois dias depois, em 8 de dezembro de 1980, o genial beatle seria assassinado na porta de seu edifício, tornando profética uma das centenas de frases - "Somos pacifistas, mas não sei o que significa ser tão pacifista a ponto de levar um tiro" - ditas por Lennon a Sheff durante as sessões da entrevista perpetuada em livro ora lançado no Brasil pela editora Nova Fronteira. A Última Entrevista do Casal John Lennon e Yoko Ono esboça retrato espontâneo do casal, em especial um alentado perfil de Lennon, voz dominante nas respostas (ainda que as intervenções de Yoko sejam reveladoras de seu poder de persuasão na relação com o marido). A entrevista tem valor até pelo fato de mostrar a ideologia de Lennon numa época em que ele já não estava tanto sob os holofotes. Vale lembrar que o casal havia se retirado voluntaria e progressivamente de cena desde 1975 e se preparava para voltar justamente naquele ano de 1980 com o álbum Double Fantasy (título dado por Yoko como fica claro ao fim da entrevista). Conduzida por Sheff com autoridade, mas com leveza propiciada pelo clima de intimidade criado entre o jornalista e o casal de artistas, a entrevista resulta fluente e interessante 32 anos após sua publicação. Ao longo de suas conversas com o entrevistador, tidas com naturalidade que jamais ofuscou a objetividade jornalística, Lennon avaliou com simpatia a explosão punk, admitiu a surpresa de ter visto seu cético amigo Bob Dylan se converter ao Cristianismo e dissecou boa parte do cancioneiro que assinou nos Beatles e após a dissolução do grupo (Get Back, para Lennon, continha num dos versos um recado indireto de Paul McCartney para Yoko). Enfim, mesmo com a existência de boas e confiáveis biografias de Lennon, o livro A Última Entrevista do Casal John Lennon e Yoko Ono consegue ser relevante por ter subsídios que ajudam a entender - um pouco mais - uma das mentes mais brilhantes do universo pop. Lennon sabia explicar o que tinha acontecido.

domingo, 27 de novembro de 2011

Beatlemaníaco carioca discorre em livro sobre a vida e a obra de Lennon

Bancário e professor, o carioca Sergio Farias é em essência um dos muitos beatlemaníacos espalhados pelo mundo. É com esse alegado conhecimento de causa que Farias discorre sobre a trajetória e a música de John Lennon (1940 - 1980) em biografia recém-lançada pela Litteris Editora. John Lennon - Vida e Obra propõe visão mais analítica sobre o rico legado do Beatle.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Obra reeditada de Lennon soa verdadeira 30 anos após a morte do artista

Resenha de coleção de CDs
Título: Plastic Ono Band (1970), Imagine (1971), Some Time in New York City (1972),
Mind Games (1973), Walls and Bridges (1974), Rock'n'Roll (1975), Double Fantasy
(1980), Milk and Honey (1984) e Double Fantasy Stripped Down (2010)
Artista: John Lennon
Gravadora: EMI Music
Cotação: * * * *

Ora reeditada dentro do projeto Gimme Some Truth, a obra pós-Beatles de John Lennon (1940 - 1980) soa extremamente verdadeira ao ser reouvida e reavaliada 30 anos após a morte do artista - completados nesta quarta-feira, 8 de dezembro de 2010. Por conta dos 70 anos que Lennon teria feito em 9 de outubro, a EMI Music - com o devido aval de Yoko Ono - relançou os oito discos gravados pelo cantor entre 1970 e 1980 em reedições remasterizadas, sem faixas-bônus. De quebra, incluiu no pacote inédita versão acústica de Double Fantasy (1980), intitulada Stripped Down. Vendidos de forma avulsa ou embalados na importada caixa The John Lennon Signature Box, que apresenta inéditas gravações caseiras no CD Home Tapes, esses oito álbuns resistem bem ao tempo e exalam a verdade de Lennon na época em que foram gravados. Álbum que apresentou músicas como Mother e Love, Plastic Ono Band (1970), por exemplo, foi trabalho marcado pela desilusão e uma certa desolação, efeito provável da consciência de que o sonho havia acabado, como o próprio Lennon sentenciara naquele ano. Embalado pelo hino pacificista que lhe deu título, Imagine (1971) reafirmou as posições políticas de Lennon em temas como I Don't Wanna Be a Soldier e, por isso mesmo, a Justiça dos Estados Unidos tirou a paz do artista com perseguição implacável por conta dessas posições políticas. O que explica e justifica a raiva destilada por Lennon no irado Some Time in the New York City (1972). De tom mais positivo, Mind Games (1973) é, de certa forma, uma declaração de amor de Lennon à Yoko Ono, de quem tinha se separado. Trata-se de raro álbum do cantor gravado sem a interferência de Yoko. A faixa-título, Mind Games, foi a música que mais se destacou. Contudo, Lennon iria reencontrar o sucesso comercial, de fato, em Wall and Bridges (1974), álbum de tom mais otimista em que o artista expressou a saudade de Yoko. O sucesso veio a reboque da participação de Elton John - então no auge do sucesso artístico e comercial - em Whatever Gets You Thru the Night, hit instantâneo nos Estados Unidos. Na sequência, Rock'n'Roll (1975) - álbum lançado à revelia de Lennon, embora incorporado à discografia oficial do cantor na fase pós-Beatles - foi um reencontro do artista com o garoto de Liverpool encantado com o rock que daria sentido à vida pautada por turbilhão emocional. Reconciliado com Yoko, Lennon então fechou para balanço. Recolhido na segunda metade da década de 70, o artista somente voltou ao mercado fonográfico cinco anos depois com o romântico Double Fantasy (1980), álbum assinado com Yoko Ono, musa inspiradora do hit Woman. Eram tempos de paz. Mas o jovem perturbado Mark David Chapman resolveu cruzar o caminho de Lennon e, em 8 de dezembro de 1980, tirou a vida do garoto já quarentão que havia feito a cabeça de meio mundo com sua música e seus ideais. Lançado postumamente, Milk and Honey (1984) fechou definitivamente uma obra que exalou verdade. E, por isso, 30 anos depois, continua com sua credibilidade inabalada. John Lennon está vivo!!!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

'O Garoto de Liverpool' dá belo tom novelesco à adolescência de Lennon

Resenha de filme
Título: O Garoto de Liverpool (Nowhere Boy, 2009, Canadá e Inglaterra)
Direção: Sam Taylor-Wood
Elenco: Aaron Johnson (John Lennon), Kristin Scott Thomas (Mimi), Anne-Marie Duff
(Júlia) e Thomas Brodie-Sangstger (Paul McCartney), entre outros
Cotação: * * * 1/2
Em cartaz nos cinemas brasileiros a partir de 3 de dezembro de 2010

É sintomático que O Garoto de Liverpool - filme que foca a adolescência de John Lennon (1940 - 1980), ora em cartaz nos cinemas brasileiros - termine ao som de Mother, canção em que Lennon se dirige postumamente à sua mãe, Júlia, morta por conta de um atropelamento justamente quando começava a estabelecer uma relação tardia com o filho. O fantasma da rejeição materna sempre rondou a vida e a obra de Lennon - antes, durante e depois dos Beatles. Daí o fascínio exercido por este belo longa-metragem que marca a estreia cinematográfica da diretora Sam Taylor-Wood. Roteirizado por Matt Greenhalgh a partir do livro de memórias de Julia Baird, meia-irmã de Lennon, o filme está centrado na relação conturbada do futuro Beatle - então um garoto que, como tantos outros de sua época, amava Elvis Presley (1935 - 1977) - com sua mãe. É um relacionamento conflituoso que roça o incesto e que tinha como terceiro vértice do triângulo Mimi, a tia que criou Lennon desde quando ele tinha cinco anos. O tom novelesco de O Garoto de Liverpool é de um bom folhetim. Contudo, a narrativa sedutora não chega a cair no melodrama, mas tampouco aprofunda os perfis esquematizados das três personagens centrais. Mimi - encarnada com apropriada austeridade por Kristin Scott Thomas - representa o protótipo da repressão britânica. Júlia - vivida com igual brilho por Anne-Marie Duff - simboliza a liberdade pela qual a vida cobra um preço. Entre as duas, paira o disputado adolescente John Lennon, tipificado de forma crível nas telas pelo estreante Aaron Johnson. A rigor, O Garoto de Liverpool esboça retrato quase superficial da personagem-título, sem mergulhar nas profundezas da mente por vezes atormentada e desajustada de Lennon. Contudo, os conflitos exteriorizados da adolescência do garoto são interessantes o suficiente para que o filme jamais deixe de prender a atenção mesmo sem fazer referência explícita aos Beatles - mesmo quando entra em cena um engomado Paul McCartney (Thomas Brodie-Sangstger), o parceiro com quem Lennon (então já imerso no mundo da música, incentivado pela mãe) iria fazer a cabeça de toda uma geração. Mas isso é outra história. A contada com segurança por Sam Taylor-Wood em O Garoto de Liverpool é mais folhetinesca e vem embalada por trilha sonora nada sentimental, recém-editada em CD no Brasil pela gravadora Sony Music. No caso, vale a pena ver o filme e ouvir também o disco.