Mauro Ferreira no G1

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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Em harmonia, Legend evoca belo passado do soul em 'Love in the future'

Resenha de CD
Título: Love in the future
Artista: John Legend
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * * *

Ao se juntar ao grupo The Roots para desencavar a raiz social da soul music e do funk no álbum Wake up! (2010), John Legend desfez a má impressão deixada por seu terceiro álbum solo, Evolver (2008), marcado por conexões excessivas com o universo do hip hop dos Estados Unidos que situaram a música do artista no limite do banal. Quarto álbum solo do cantor e compositor norte-americano, lançado em 30 de agosto de 2013 e recém-editado no Brasil pela Sony Music, Love in the future preserva a conexão como hip hop - e nem poderia ser diferente, já que o rap desempenha atualmente na música dos EUA a função social que foi da soul music nos anos 60 e 70 - ao mesmo tempo em que mantém Legend conectado ao passado do soul e do r & b. Passado e presente se harmonizam numa das mais belas e poderosas músicas do disco, Who do we think we are, faixa de tom vintage que embute discurso do rapper Rick Ross. Balada conduzida ao piano, All of me expõe a beleza da voz de Legend e também se destaca em disco recheado de boas canções, como Made to love. Por mais que não reedite a maestria da obra-prima da discografia do artista, Get lifted (2004), Love in the future flagra Legend em momento de inspiração. O time de produtores - Hit-Boy, Bink, 88 Keys, The Runners, Doc McKinney, Q-Tip, Ali Shaheed Muhammad, Kanye West e Dave Tozer - impede que o disco seja mergulho no túnel do tempo, embora uma aura retrô envolva a maior parte do repertório que prioriza temas inéditos, como Save the night, mas abre espaço para covers dos cancioneiros do cantor norte-americano de soul Bobby Caldwell (Open your eyes) e da cantora norte-americana Anita Baker (Angel, interlúdio gravado por Legend em dueto com Stacy Barthe). De todo modo, o disco se desvia do tom politizado de Wake up! para celebrar o amor. De tom positivista, feliz, Love in the future reflete o momento de harmonia familiar vivido por John Legend (ora casado e com filhos). Em Love in the future, o artista vê belo futuro ao mirar o passado da soul music sem deixar de sintonizar o (seu) tempo presente.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Legend lança inédita 'The beginning' e anuncia outro 'single' para dia 25

John Legend começa a revelar o repertório de seu quarto álbum solo, Love in the future, produzido por Dave Tozer e Kanye West. Além de jogar na rede uma das músicas inéditas do disco (The beginning, faixa produzida por Hit-Boy), o cantor e compositor norte-americano anunciou que o primeiro single oficial do sucessor de Evolver (2008) - Who do we think we are, gravado com o rapper norte-americano Rick Ross - será lançado em 25 de março de 2013.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Legend produz quarto álbum solo, 'Love In The Future', com West e Tozer

O cantor e compositor norte-americano John Legend recrutou Dave Tozer e o rapper Kanye West para pilotarem - em parceria com o próprio Legend - a produção executiva de seu quarto álbum solo, Love In The Future, o primeiro desde Evolver (2008). Trata-se do trio que formatou o aclamado álbum de estreia do artista, Get Lifted (2004). Sucessor de Wake Up! (2010), disco dividido por Legend com o grupo norte-americano The Roots, Love In The Future já teve trecho de uma de suas músicas Caught Up - faixa pilotada pelo ascendente produtor Hit-Boy - divulgado pelo cantor em um vídeo postado em seu canal oficial no YouTube.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Legend & The Roots despertam os ideais sociais do soul em 'Wake Up!'

Resenha de CD
Título: Wake Up!
Artista: John Legend & The Roots
Gravadora: Columbia Records / Sony Music
Cotação: * * * * 1/2

John Legend se revelou fino estilista das tradições do soul e do r & b ao despontar no mercado fonográfico com o álbum Get Lifted (2004), que deixou excelente impressão confirmada no posterior Once Again (2006). Só que Legend já vinha banalizando seu som a partir de terceiro álbum de estúdio, Evolver (2008) - a ponto de ter aceitado convite da gravadora Sony Music para fazer dueto despudoradamente pop com Ana Carolina no último álbum de estúdio da artista, N9ve (2009). Contudo, Legend volta para sua trilha original ao desencavar a raiz sócio-política do soul e do funk dos anos 60 e 70 em Wake Up! - o esplêndido álbum gravado e assinado pelo artista com o The Roots, grupo norte-americano ligado ao universo do hip hop. Gestado em 2008, durante a campanha eleitoral que transformou Barack Obama no primeiro presidente negro dos Estados Unidos, Wake Up! traz somente uma música inédita, Shine. O restante do repertório é formado por joias recolhidas sem obviedade no baú áureo da soul music. São petardos como Compared to What (Eugene McDaniels), inflamado protesto contra a Guerra do Vietnã, propagado em 1969 pelo cantor e pianista Les McCann em registro dividido com o saxofonista Eddie Harris. Legend e The Roots lustram tais pérolas com real respeito à sonoridade das gravações originais, mas sem uma devoção extrema e radical que poderia fazer de Wake Up! um álbum fora de sintonia com os dias de hoje. A adesão do rapper Common no soul Wake Up Everyody - lançado por Harold Melvin & The Blue Notes - é exemplo de como o disco se ajusta aos sons atuais sem prejuízo estético e sem traição aos valores musicais dos tempos de guerra que inspiraram este trabalho cheio de energia, vigor, ideias e ideais sócio-políticos. Alinhados, temas dos repertórios de Marvin Gaye (Wholy Holy, com arranjo de cordas), Donny Hathaway (Little Ghetto Boy), Baby Huey and the Babysitters (Hard Times, o petardo que faz o ouvinte despertar para a força de Wake Up! logo na primeira das 12 faixas) evocam tempos em que um álbum poderia ser poderosa arma de conscientização do público que não queria lavar aos mãos. Talvez por isso mesmo Wake Up! soe tão poderoso em época em que a música resulta cada vez mais artificial e vazia de ideias e de ideais sociais e políticos.