Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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quinta-feira, 28 de abril de 2016

Nascido para compor, Ivor baixa tons em CD, mas a 'febre de amor' está alta

Resenha de álbum
Título: Tudo que eu quis
Artista: Ivor Lancellotti
Gravadora: Dubas Música
Cotação: * * * 1/2

♪ "Nasci para compor / Queria tanto ter você por aqui / Pra interpretar a minha febre de amor / Nessas canções que hoje brotam de mim", lamenta Ivor Lancellotti em versos de Pois é, professor, uma das dez músicas inéditas dentre as 12 composições do repertório do quinto bom álbum do compositor carioca.  Disco inteiramente autoral produzido com requinte por Dany Roland, Tudo que eu quis reitera que o autor de Abandono - grande música lançada por Eliana Pittman em 1974 e popularizada na voz de Roberto Carlos a partir de 1979 - nasceu mesmo para compor canções. Como cantor, Ivor se presta ao papel de dar voz ao compositor. No caso de Tudo que eu quis, em tons mais baixos, adequados ao tempo de um artista que completou 71 anos em 30 de março de 2016. Contudo, a febre de amor continua, numa temperatura alta evidenciada pelas belas cordas orquestradas por Joey Altruda para o arranjo de Sonhos e planos - expressiva música lançada pela cantora Andreia Carneiro em álbum de 2010 - e por Renata Neves para Morro, uma das três parcerias de Ivor com o filho Alvinho Lancellotti registradas em Tudo que eu quis (as outras duas são Efeitos e Feito pena). Título mais inspirado do cancioneiro gravado por Ivor em Tudo que eu quis, Nascente e ocaso foi previamente apresentada como o primeiro single de álbum que evoca um clima de fado na música-título Tudo que eu quis. Música lançada pelo grupo carioca Fino Coletivo no álbum Copacabana (Oi Música, 2010), Bravo mar - parceria de Ivor com o outro filho, Domenico Lancellotti - reitera a impressão de que o compositor segue os ventos da inspiração sem saudosismo. Por mais que o cancioneiro traga o d.n.a. do compositor, a arquitetura do álbum - orquestrada por Dany Roland com músicos da cena contemporânea carioca, como o próprio Domenico - prima pela modernidade, seguindo a linha do álbum anterior do artista, Em boas e mais companhias (Dubas Música, 2011). Em evidência desde os anos 1970, a produção autoral do compositor sinaliza no CD que, ao contrário dos tons da voz, a febre de amor vai permanecer alta.

sábado, 19 de março de 2016

Ivor Lancellotti dá voz à safra de inéditas do quinto álbum, 'Tudo que eu quis'

♪ Perto de completar 71 anos de vida, no dia 30 deste mês de março de 2016, o compositor carioca Ivor Lancellotti tem feito conexões com a jovial turma musical do filho Domenico Lancellotti, parceiro do pai e autor da letra de Bravo mar, música lançada pelo grupo carioca Fino Coletivo no álbum Copacabana (Oi Música, 2010). Bravo mar é uma das duas músicas já lançadas em disco dentre as 12 composições autorais alinhadas por Ivor no quinto álbum, Tudo que eu quis, editado pela gravadora Dubas Música com distribuição nacional da Universal Music. A outra é Sonhos e planos (Ivor Lancellotti), lançada pela cantora Andreia Carneiro em álbum de 2010. Daniel Roland assina a produção de Tudo que eu quis. Compositor de Abandono (música lançada em 1974 em obscuras gravações feitas pelo autor e pela cantora Eliana Pittman, mas propagada somente a partir do registro feito por Roberto Carlos para álbum de 1979), Ivor apresenta em Tudo que eu quis nada menos do que quatro parcerias com o outro filho parceiro, Alvinho Lancellotti, coautor de Milagres, Feito pena, Porvir e Morro - esta gravada por Ivor com adesão vocal do filho parceiro. Com o baiano Roque Ferreira, Ivor assina Quixeramobim. Já as outras seis composições - Efeitos, Força de vontade, Sonhos e planos, a música-título Tudo que eu quis, Nascente e ocaso e Pois é, professor - são produtos da criação solitária de Ivor, cuja musicografia inclui sambas feitos em parceria com Délcio Carvalho (1939 - 2013), João Nogueira (1941 - 2000) e Paulo César Pinheiro. Sucessor de Em boas e mais companhias (Dubas Música / Universal Music, 2011), Tudo que eu quis tem arranjos conduzidos pelo violão tocado pelo próprio Ivor Lancellotti, integrante de banda formada essencialmente por músicos da cena contemporânea como Joey Altruda (contrabaixo), Altino Toledo (bandolim), Zero Telles e Domenico Lancellotti (percussão), Renata Neves (violino), Pedro Sá, Camila Costa e Junior Pita (violões).  Alvinho Lancellotti e Maria Borba fizeram os vocais.

domingo, 3 de janeiro de 2016

'Nascente e ocaso' evidencia o álbum de Ivor Lancellotti 'Tudo o que eu quis'

♪ Já disponível em lyric video no YouTube, a música inédita Nascente e ocaso anuncia o quinto álbum do compositor carioca Ivor Lancellotti. Intitulado Tudo o que eu quis, o disco já tem lançamento agendado para 22 de janeiro de 2016 em edição da gravadora Dubas Música distribuída via Universal Music. O álbum Tudo o que eu quis sucede Em boas e mais companhias (Dubas Música / Universal Music, 2011) na discografia do artista. Música assinada pelo compositor sem parceiros, Nascente e ocaso foi gravada por Ivor com os toques do violões do artista e de Pedro Sá.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Ivor Lancellotti rejuvenesce aos 66 e renova repertório em boas companhias

Resenha de CD
Título: Em boas e mais Companhias
Artista: Ivor Lancellotti
Gravadora: Dubas / Universal Music
Cotação: * * * *

♪ Compositor carioca, Ivor Lancellotti vai entrar em 2012 em clima de festa pelos 40 anos de carreira, iniciada em 1972 com a defesa da canção autoral Estrada por Marisa Gata Mansa (1933 - 2003) no Festival universitário da TV Tupi. Aos 66 anos, Ivor Lancellotti é ainda hoje identificado como o autor de Abandono, canção romântica gravada por Roberto Carlos em álbum de 1979. Só que transita como compositor sobretudo no universo do samba, ritmo predominante no quarto disco solo do artista, Em boas e mais companhias, lançado via Dubas neste último trimestre de 2011. Neste primeiro álnum em 13 anos, Lancellotti renova repertório autoral, apresentando inéditas como Vou fugir (Ivor Lancellotti e Délcio Carvalho) - o belíssimo samba que abre o trabalho - e Água-mãe (Ivor Lancellotti e Roque Ferreira), tema situado na roda do samba baiano e cantado pelo compositor com Moyseis Marques. Como o título já sugere, Em boas e mais companhias é disco repleto de convidados. Se Pedro Miranda ressalta o leve clima seresteiro de Alma aventureira (Ivor Lancellotti e Paulo César Pinheiro), Soraya Ravenle solta a voz afinadíssima no magoado (mas resignado) samba Contradizendo (Ivor Lancellotti e Roque Ferreira). O fato de o baterista Domenico Lancellotti (filho de Ivor) ter arregimentado hype turma de músicos amigos para tocar no disco - nomes como Stéphane San Juan (percussão) e Alberto Continentino (baixo) - não impede o disco de se encaixar na moldura mais tradicional do samba. Continentino, a propósito, pilota o baixo do xote Pelos ventos - parceria de Ivor com Domenico, solista da faixa -  e da regravação pálida de Sem companhia (Ivor Lancellotti e Paulo César Pinheiro), feita pelo compositor com Teresa Cristina sem sequer roçar o brilho do registro original feito em 1980 por Clara Nunes (1942 - 1983). A leveza dos arranjos impede que Sete e meia (Ivor Lancellotti e Alvinho Lancellotti) fique com ranço folclórico ao mesmo tempo em que respeita a arquitetura de melodias sublimes como a de Escudo (Ivor Lancellotti e Wanderlei Monteiro), samba em que a convidada Áurea Martins reitera a alta classe vocal em gravação que rivaliza com o registro feito por Fabiana Cozza no recém-lançado terceiro disco de Cozza. No mais, Em boas e mais companhias perpetua o canto grave de Mariana Bernardes, toque luxuoso de Bela cigana (Ivor Lancellotti e João Nogueira), faixa adornada pelo cavaquinho de João Callado e pelo violão de sete cordas de Bernardo Dantas, ambos igualmente luxuosos. Enfim, rejuvenescido pela presença de companhias de vários estilos e idades, Ivor Lancellotti lança disco à altura do histórico que ergueu como compositor desde que Marisa Gata Mansa abriu a estrada dele, há quase 40 anos.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Após 13 anos, Ivor retorna ao disco via Dubas 'em boas e mais companhias'

♪ Após 13 anos sem lançar disco, Ivor Lancellotti - em foto de Sergio Renato Menezes - retorna ao mercado fonográfico com o CD Em boas e mais companhias, editado pelo selo Dubas Música. No álbum, o compositor de Abandono, Sem companhia e Velha cicatriz - músicas que ganharam as vozes de Roberto Carlos, Clara Nunes (1942 - 1983) e Nana Caymmi em 1979, 1980 e 1988, respectivamente - apresenta safra de inéditas que inclui Escudo (Ivor Lancellotti e Wanderlei Monteiro), Vou fugir (Ivor Lancellotti e Délcio Carvalho), Água-mãe (Ivor Lancellotti e Roque Ferreira) e Alma aventureira (Ivor Lancellotti e Paulo César Pinheiro), entre outros temas autorais. Arregimentada pelo baterista Domenico Lancellotti, filho de Ivor, a produção do disco contou com adesões de músicos como Stephane San Juan e Dany Roland, com os quais Domenico forma o trio carioca Os Ritmistas. O violonista Marcelo Menezes também toca no CD. Coerente com o trocadilho do título Em boas e mais companhias, Ivor recebeu durante as gravações convidados como Teresa Cristina, Áurea Martins, Mariana Bernardes, Moyseis Marques, Soraya Ravenle, Pedro Miranda e o próprio Domenico Lancellotti. Sucessor de Ivor Lancellotti (1998), álbum lançado no Japão com o título Bolero eterno, Em boas e mais companhias chega às lojas em novembro deste ano de 2011.