Mauro Ferreira no G1

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terça-feira, 19 de novembro de 2013

À flor da pele que habita recantos escuros, Buika faz show fogoso no B2B

Resenha de show
Evento: Festival Back2Black
Título: La noche más larga
Artista: Buika (em foto de Cristina Granato)
Local: Grande Sala - Cidade das Artes (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 17 de novembro de 2013
Cotação: * * * * *

Atração mais esperada da terceira e última noite da quinta edição do festival Back2Black, a cantora e compositora espanhola Maria Concepción Balboa Buika - conhecida como Concha Buika ou, simplesmente, Buika - estreou em palcos brasileiros de forma feliz e arrebatadora, seduzindo com seu canto visceral o público que encheu a Grande Sala da Cidade das Artes e testemunhou um show histórico. Com doses altas de emoção, que elevaram a temperatura do show desde que a artista entrou em cena e que a levaram inclusive a chorar no palco, Buika deu voz caliente a canções que revolvem dores de amores. Em essência, os amores desfeitos e os corações partidos são os temas-motes de repertório que ergue ponte entre o flamenco e a África, evocando ancestralidade que passa pelo jazz, pelo blues e pela música cigana. Seu último álbum, La noche más larga (2013), temperou o flamenco de Buika com toque farto de latin jazz. No palco do Back2Black, contudo, o canto profundo de Buika - entranhado em recantos escuros - demoliu rótulos e fronteiras estéticas, enlevando a plateia pela emoção em estado bruto que saiu de sua voz desde que ela entrou em cena e cantou Mi ninã lola (Luis Rivas Gómez, Andrés Molina Moles e José Torres Garzón), música-título de seu segundo álbum solo, o disco que tornou Buika a sensação do universo pop em 2006. Ao lado direito da cantora, havia um pianista que eventualmente virou percussionista. Ao esquerdo, um percussionista propriamente dito. Mas o centro das atenções foi sempre Buika. Na sequência, Oro santo (Canción isleña) - música que Buika gravou com o cantor e compositor espanhol Javier Limón no álbum Mujeres de agua (2010), de Limón - reiterou a entrega total da artista em cena. A conexão com Limón foi mantida em Volverás, composição de autoria deste guitarrista também ligado ao flamenco. Neste número, já menos emocionada, Buika mostrou em cena o bom humor com que trata as dores de amores quando não está cantando. A artista ironizou diversas vezes o fato de seu coração permanecer solitário ao fim do show, quando cessam os adjetivos superlativos dirigidos a ela pelo público embevecido por seu canto. Na sequência, a releitura de Siboney - clássico de 1929 de autoria do compositor cubano Ernesto Lecuona (1895 - 1963) - aumentou a voltagem rítmica do show sem diluir a teatralidade do canto de Buika. "Yo solo canto la verdad", sentenciou a intérprete. Ninguém duvidou disso quando Buika deu voz e alma ao bolero Se me hizo fácil (Agustín Lara). Mais tarde, um suingue caribenho deu balanço a Mentirosa (Buika) - música do álbum Ninã de fuego (2008) - enquanto El último trago (José Alfredo Jiménez Sandoval) inebriou o público, ávido por outras doses de Buika, cantora com fogo na voz e na alma que manteve alta a chama no seu primeiro show no Brasil.

sábado, 3 de agosto de 2013

Buika põe dose mais forte de latin jazz no flamenco de álbum globalizado

Resenha de CD
Título: La noche más larga
Artista: Buika
Gravadora: Warner Music
Cotação: * * * *

Sensação do universo pop em 2006 quando lançou seu álbum Mi niña sola com distribuição da Warner Music, a cantora e compositora espanhola (de ascendência africana) Concha Buika logo delineou sua identidade com azeitada fusão de flamenco, jazz e ritmos latinos, sobretudo os de Cuba (tanto que a artista chegou a gravar disco, El último trago, com o pianista cubano Chucho Valdés). A mistura ganha dose um pouco mais forte de jazz no quarto álbum solo de Buika, La noche más larga. Tal pitada adicional de jazz é sentida, por exemplo, no sabor da releitura de Siboney - o clássico de 1929 de autoria do compositor cubano Ernesto Lecuona (1895 - 1963) - e na salutar conexão de Buika com o guitarrista norte-americano de jazz Pat Metheny, convidado da balada No lo sé (Buika). De repertório globalizado, La noche más larga apresenta cinco composições da lavra da artista entre suas 12 músicas, sendo que Sueño con ella é o destaque absoluto nessa seara autoral. Contudo, La noche más larga põe mais foco na intérprete. E é na abordagem de temas alheios que Buika reitera sua personalidade. Mesmo que cante em inglês sem a naturalidade com que interpreta em espanhol, a tradução de Don't explain (Billie Holiday e Arthur Herzog Jr.) - sucesso da cantora norte-americana de jazz Billie Holiday (1915 - 1959) em 1946 - para o idioma do flamenco atesta essa personalidade singular de Buika. A cantora também gasta (bem) seu francês para reler o clássico Ne me quitte pas (Jacques Brel, 1959) em clima de latin jazz num registro surpreendente. No espanhol nativo, a cantora rebobina um clássico do cantor e compositor argentino Fito Paez, Yo vengo a ofrecer mi corazón (1985), com a dose mais forte de jazz que pontua La noche más larga. De todo modo, aquela Buika de canto mais caliente também aparece plena no álbum, sobretudo em La nave del olvido (1970), tema do compositor argentino Dino Ramos (???? - 1984). Gravado nos Estados Unidos, entre Miami e Nova York, La noche más larga é álbum que expande a mistura de Concha Buika - produtora do CD - sem alterar substancialmente seu delicioso sabor original.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

CD 'En Mi Piel' coleta gravações de Buika com direito a músicas inéditas

Recém-editada no Brasil pela Warner Music, a compilação En Mi Piel (2011) coleta gravações de quatro álbuns da cantora espanhola Concha Buika e apresenta músicas inéditas como Sueño con Ella e Cómo Era, ambas da lavra da própria Buika. A seleção destaca também dois temas incluídos na trilha sonora do último filme do cineasta espanhol Pedro Almodóvar, A Pele que Habito (2011). Trata-se de Por El Amor de Amar (Jean Manzon e José Toledo) e Se me Hizo Fácil (Agustín Lara). No mais, a coletânea rebobina fonogramas dos álbuns Buika (2005), Mi Niña Lola (2006), Ninã de Fuego (2008) e El Último Trago (2009 - CD dividido com o pianista cubano Chucho Valdés), além de regravação do tango Volver (Carlos Gardel e Alfredo Le Pera).