Mauro Ferreira no G1

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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Arranjos e repertório valorizam samba com boogie woogie de Antonia Adnet

Resenha de CD
Título: Tem + boogie woogie no samba
Artista: Antonia Adnet & convidados
Gravadora: Biscoito Fino / Adnet Mvsica
Cotação: * * * 1/2

♪ Violonista que se tornou cantora há cinco anos com um primeiro álbum sintomaticamente intitulado Discreta (Biscoito Fino / Adnet Mvsica, 2010), a carioca Antonia Campello Adnet tem uma voz de pequeno alcance, sem brilho. Mas nem por isso deixa má impressão em seu terceiro álbum, Tem + boogie woogie no samba, produzido pela própria artista com Mario Adnet. Arranjos e repertório valorizam um disco em que Antonia Adnet cai com elegância discreta no samba sincopado. No contexto disco, o tal boogie-woogie é um swing importado pelo Brasil dos Estados Unidos nos anos 1940 e 1950 que se integrou perfeitamente ao suingue nativo da cadência bonita do samba carioca. Antonia já havia incursionado por esse universo ao dar voz ao Boogie woogie do rato (Denis Brean, 1947) em seu segundo álbum, Pra dizer sim (MP,B Discos / Universal Music, 2012). Mas o mergulho atual é mais fundo, tendo por base a pesquisa de repertório feita por Alfredo Del-Penho e Mario Adnet para álbum, Samba meets boogie woogie (Adventure Music, 2008), lançado somente no exterior. Contribuições adicionais de Pedro Paulo Malta e Rodrigo Alzuguir resultaram nas escolhas dos 12 temas de Tem + boogie woogie no samba. Seleção que soa sempre interessante, integrando clássicos como Chiclete com banana (Almira Castilho e Gordurinha, 1958) - ora mastigado com frescor no toque do trio de metais arregimentado para o arejado arranjo - com pérolas realmente raras como O que é que tem? (Joel de Almeida e Pedro Caetano, 1939), samba feito como resposta ao sucesso inaugural do cancioneiro do compositor baiano Dorival Caymmi (1914 - 2008), O que é que a baiana tem? (1939). Reavivado por Antonia em dueto com Roberta Sá, O que é que tem? tenta elevar a autoestima das cariocas face aos elogios feitos por Caymmi às baiana, mas a resposta ao samba da terra de Caymmi perde feito em ritmo, letra e melodia. Outra joia tirada do fundo do baú é Cadê a Jane? (Erasmo Silva e Wilson Batista, 1948), samba lançado pelo grupo Os Cariocas e regravada por Antonia com Pedro Paulo Malta. Os vocais do arranjo evocam sutilmente Os Cariocas. A propósito, Mario Adnet e Antonia Adnet brilham como arranjadores, imprimindo leveza ao repertório de Tem + boogie woogie no samba. Cabe ressaltar o suingue entranhado nos arranjos pelo toque do piano de Marcos Nimrichter. O disco tem um sotaque vintage. Como a voz opaca de Antonia Adnet está bem colocada em composições como Eu quero um samba (Haroldo Barbosa e Janet de Almeida, 1945), o resultado é um disco agradável. Há boas ideias como o convite ao cantor e compositor carioca João Cavalcanti para travar com Antonia o diálogo telefônico de Joãozinho boa pinta (Geraldo Jacques e Haroldo Barbosa, 1952), samba ouvido na inédita (em disco) versão de 1952 da composição lançada em 1950 pelo cantor paulista Otávio Henrique de Oliveira (1919 - 1983), o Blecaute. Os nomes dos autores, aliás, se repetem ao longo do disco. O compositor paulista batizado como Augusto Duarte Ribeiro (1917 - 1969), mas conhecido no meio artístico pelo pseudônimo de Denis Brean, é - por exemplo - nome recorrente na ficha técnica do disco por ter investido pioneiramente neste tipo de samba sincopado feito com a tal influência do suingue norte-americano. De Brean, Antonia dá voz a Boogie woogie na favela ( Denis Brean, 1945) e - em dueto com Pedro Miranda - ao pouco ouvido samba Bahiana no Harlem (Denis Brean e Oswaldo Guilherme, 1950), exemplo típico de como o Brasil soube a fazer política da boa vizinhança na fronteira musical. Em seu dueto com Alfredo Del-Penho em Pra que discutir com madame? (Janet de Almeidt e Haroldo Barbosa, 1945), Antonia também faz sua política da boa vizinhança com João Gilberto, evocado no tom reverente da gravação de um samba que, embora tenha sido lançado em disco por seu compositor Janet de Almeida (1919 - 1945), está definitivamente associado à bossa de João. E cabe ressaltar que, entre tanta bossa e tanto suingue, há espaço também para a melancolia embutida em Tintim por tintim (Geraldo Jacques e Haroldo Barbosa, 1951) e realçada pelo canto de Antonia. Enfim, fora do trilho autoral de seus dois primeiros álbuns, Antonia Adnet dá boa contribuição à discografia nacional com álbum conceitual feito com respeito à estrutura original dos sambas, mas sem ranço tradicionalista.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Segundo disco de Antonia Adnet, 'Pra Dizer Sim' reúne Joyce e Lenine

Segundo CD da violonista, cantora e compositora Antonia Adnet, Pra Dizer Sim chega às lojas a partir de 15 de maio de 2012, em edição do selo carioca MP,B distribuída pela Universal Music. Gravado em novembro e dezembro de 2011, no Rio de Janeiro (RJ), o sucessor de Discreta (2010) conta com participações de Lenine (em Giz, parceria de Antonia com Gabriel Pondé), Joyce Moreno (em Frevo em Tamandaré, inédita de Antonia com Daniel Basílio) e Pedro Miranda (no Boogie Woogie do Rato, pérola de Denis Brean, da década de 40). Entre regravações de Flor de Maracujá (João Donato e Lysias Ênio) e Nanã (Moacir Santos e Mário Telles), Pra Dizer Sim apresenta no repertório músicas como Entre o Céu e o Pé no Chão (Pedro Mann e Gabriel Pondé) e Trote da Raposa (Mario Adnet). A produção do segundo álbum de Antonia Adnet foi dividida entre Rodrigo Campello (integrante do Ministereo) e Mario Adnet.