Título: 18º Prêmio Multishow
Local: HSBC Arena (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 6 de setembro de 2011
Cotação: *
Foto: Paula Fernandes em foto de Murilo Tinoco (Divulgação / Multishow)
Na tentativa de reverter sua progressiva queda de status, o Prêmio Multishow decidiu dar poder de voto a um júri especializado em sua 18ª edição, mas sem restringir a atuação da audiência, normalmente concentrada em fãs-clubes de adolescentes que idolatram cantores e grupos que dialogam com o público teen e são presenças assíduas no canal de TV que produz o prêmio. Pois a ideia - em tese, salutar - pareceu ter efeito contrário. Na tentativa vã de conciliar dois mundos musicais que não se cruzam e tampouco se reconhecem, o Prêmio Multishow esfriou. Nem a boa sacada de reviver o clima apaixonado dos programas de auditório tornou menos constrangedora a cerimônia de entrega do 18º Prêmio Multishow, realizada na noite de 6 de setembro na HSBC Arena, no Rio de Janeiro (RJ). Pode ser que a transmissão ao vivo pelo canal de TV Multishow tenha maquiado a cerimônia e disfarçado os momentos de constrangimento. Ao vivo, no entanto, a cerimônia transcorreu apática com ausências de premiados, números musicais insossos - com exceção da reunião de Cidadão Instigado, Odair José e Pitty no medley com Eu Vou Tirar Você Desse Lugar, Pare de Tomar a Pílula e Me Adora - e uma frieza incômoda. O maior erro foi alocar os fãs nas afastadas arquibancadas da arena para reservar os melhores lugares do estilizado auditório para profissionais do meio fonográfico, artistas, jornalistas, amigos de artistas e convidados em geral. Essa plateia gélida parecia petrificada - talvez constrangida com o que presenciava ao vivo - e sequer se deu ao trabalho de aplaudir burocraticamente artistas como a cantora e compositora Monique Kessous, contemplada com o prêmio de Revelação pelo voto popular. Em contrapartida, o baterista João Barone - eleito o melhor instrumentista pela mesma votação popular - chegou a ser vaiado por fãs do NX Zero que faziam barulho nas arquibancadas a cada menção ao grupo. Pela audiência, os grandes vencedores do 18º Prêmio Multishow foram Paula Fernandes (Melhor Cantora e Melhor Artista Sertanejo), Restart (Melhor Álbum por By Day e Melhor Clipe pelo vídeo de Pra Você Lembrar) e o supra-citado NX Zero (Melhor Música por Onde Você Estiver e prêmio de Melhor Cantor para seu vocalista Di Ferrero). Já os prêmios dados pelo júri especializado constrangeram mais pelas ausências. Eleito o Melhor Cantor, Marcelo Camelo foi representado pelo produtor Paul Ralphes. Sensação de 2011, o rapper Criolo não deu as caras para receber o prêmio Experimente, dividido com o cantor MoMo (um ilustre desconhecido para o público do canal) e com o grupo Nevilton. Empatados na votação de Melhor Grupo, Copacabana Club e Holger também não foram receber seus prêmios por estarem fazendo shows na noite, uma véspera de feriado, data erroneamente escolhida para a cerimônia por impossibilitar a presença de artistas como Luan Santana (contemplado pelo voto popular com o prêmio de Melhor Show). Eleita a Melhor Cantora, Tulipa Ruiz não estava na plateia na hora de subir ao palco receber o prêmio. Atrasada, acabou recebendo o troféu dois blocos depois das mãos do apresentador Bruno Mazzeo, que desceu até a plateia para entregar o prêmio de Tulipa. Já Marcelo Jeneci - agraciado com o prêmio de Melhor Música por Felicidade, parceria com Chico César - estava lá, mas parecia um estranho naquele ninho que prioriza a vertente mais populista da música brasileira. Enfim, tudo pareceu fora da ordem no 18º Prêmio Multishow. Inclusive o anticlimático número final, Ogum, feito por Zeca Pagodinho com Jorge Ben Jor, que depois lançou mão da sempre infalível Taj Mahal. A direção do Prêmio Multishow precisa decidir se quer contemplar o lixo ou o luxo da música brasileira. Ficar em cima do muro não basta para elevar o (baixo) status do prêmio.
