Mauro Ferreira no G1

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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Natália Matos reforça a ponte Belém - São Paulo em seu primeiro álbum

Resenha de CD
Título: Natália Matos
Artista: Natália Matos
Gravadora: Edição independente da artista
Cotação: * * * 1/2

 Fenômeno midiático dos anos 2010, a reinserção do Pará no mapa da música do Brasil tem dado maior visibilidade às cantoras e compositoras da Região Norte. Muitas vem tentando obter projeção nacional no rastro da exposição de Gaby Amarantos. Natália Matos se posiciona de forma curiosa nessa corrente. Em atividade profissional desde 2012, a artista pegou o caminho de volta para Belém (PA) - sua cidade natal - após oito anos de vivência em São Paulo (SP). Essa rota inversa explica as trilhas seguidas pela artista em seu primeiro álbum, Natália Matos, produção independente viabilizada com patrocínio do projeto Natura Musical. Produzido por Guilherme Kastrup, o disco reforça a ponte que liga São Paulo a Belém através das conexões de músicos do Norte -  como Felipe Cordeiro, cuja guitarra é ouvida no CD em Cândido brilho (Natália Matos e Renato Torres) - com nomes da efervescente cena paulistana contemporânea como Kiko Dinucci, parceiro de Douglas Germano em Cio, música que abre o disco em flerte com a cumbia. Composição lançada em 2009 pelo Duo Moviola, formado por Dinucci com Germano, Cio sinaliza a leveza que pauta o álbum e o canto pequeno de Natália Matos. Leveza que dilui o peso sugerido pelos versos de Coração sangrando, joia brega da lavra da veterana paraense Dona Onete lapidada por Matos em dueto com Zeca Baleiro, cantor maranhense que transita com naturalidade por esse universo kitsch. Nessa conexão Belém-São Paulo, o álbum Natália Matos embute levadas de carimbó na regravação de Este pranto é meu (Carlos Gomes, Nicéas Drumont e Pim) e soa especialmente embriagante quando cai no suingue de Beber você, música assinada por Arnaldo Antunes, Felipe Cordeiro, Manoel Cordeiro, Betão Aguiar e Luê (a mesma turma de Ela é tarja preta, faixa de tom nortista do último álbum de Arnaldo, Disco). Outro acerto é Um amor de morrer, exemplo da inspiração da parceria de Romulo Fróes com Clima. Já bela em si, a música é valorizada pelo arranjo de tom celestial que combina o cavaco de Rodrigo Campos com a viola de Caçapa e os teclados etéreos de Zé Nigro. Lindo! A flor do segredo (Almirzinho Gabriel) também desabrocha com encantamento em Natália Matos, disco que se situa acima da média das produções de cantoras do Norte. Os pontos menos luminosos são as músicas de autoria da própria cantora e compositora, casos de Pouca luz e de Você me ama, mas (de textura mais pop e universal). Contudo, entre referências da música do Norte (algumas explicitadas já no título das músicas, caso de Maria do Pará, de Iva Rothe) e flerte com o suingue cubano na inédita Baila de Havana (Ronaldo Silva), o primeiro álbum de Natália do Matos não reinventa  a roda, mas demole clichês regionais ao reciclar tradições da região da cantora em tom moderno e sedutor.

domingo, 13 de abril de 2014

EP indica que álbum de Natália Matos extrapola clichês musicais do Norte

Resenha de EP
Título: Natália Matos EP digital
Artista: Natália Matos
Gravadora: Edição da artista / Natura Musical
Cotação: * * * 1/2
Disco disponível para download gratuito e legalizado no portal Natura Musical

Mais uma cantora e compositora do Pará busca visibilidade nacional no embalo da revalorização da cena musical do Norte. A julgar pelo EP de quatro faixas disponibilizado para download gratuito e legalizado no portal Natura Musical a partir deste mês de abril de 2014, o álbum de estreia de Natália Matos - previsto para maio - extrapola os clichês musicais da cena do Norte, buscando conexão com a efervescente cena indie paulistana. É sintomático que o EP digital de Natália abra com Cio, música de Kiko Dinucci e Douglas Germano lançada pelos compositores no álbum Retrato do artista quando pede (Independente 2009), do Duo Moviola, formado por Dinucci com Germano. Música repleta de imagens e cores vivas, Cio flerta com a cumbia no arranjo inventivo do baterista e percussionista Guilherme Kastrup, a quem foi confiada a produção do álbum. Na sequência, Beber você - música assinada por Arnaldo Antunes, Felipe Cordeiro, Manoel Cordeiro, Betão Aguiar e Luê (a mesma turma de Ela é tarja preta, faixa de tom nortista do último álbum de Arnaldo) - cai em suingue irresistível e mantém o alto nível da primeira metade do EP. Música mais fraca do disco, Você me ama, mas sinaliza que Natália Matos ainda precisa sofrer mais para compor uma boa música sobre os dramas de amor, como a própria autora iniciante (se) ironiza em versos metalinguísticos da letra. A sonoridade - urdida a partir do arranjo executado pelos músicos Ricardo Herz (violinos), Caçapa (guitarra), Rodrigo Campos (guitarra), Zé Nigro (baixo) e Guilherme Kastrup (bateria e percussões) - é mais sedutora do que a composição em si. Por fim, Coração sangrando é brega da lavra de Dona Onete, compositora recorrente em discos de cantoras do Pará. O arranjo e a sagaz participação de Zeca Baleiro - cantor e compositor maranhense que sempre transita com desenvoltura por esse universo mais kitsch - valorizam a gravação e desviam a música dos clichês do gênero. Que venha o álbum de Natália Matos para comprovar se a cantora, de timbre suave, vai fazer realmente diferença na cena pop nativa!...