Título: Loved me back to life
Artista: Celine Dion
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * *
Pode parecer incrível, mas Celine Dion - cantora canadense que vendeu milhões de discos nos seus áureos 90 como discípula aplicada da escola de canto elevada às alturas na década de 80 por sua colega norte-americana Whitney Houston (1963 - 2012) - tenta soar como a inglesa Amy Winehouse (1983 - 2011) em duas das 13 músicas de Loved me back to life (2011), primeiro álbum em inglês de Dion em seis anos. Basta ouvir Water and a flame (Francis Eg White e Daniel Merriweather) e Save your soul (Daniel Murcia) para perceber que Dion tenta clonar o estilo - e até o timbre! - de Amy nessas duas faixas. Dion, a rigor, permanece perdida no mercado fonográfico, tentando achar um caminho para não soar ultrapassada na cena pop contemporânea. No seu distante álbum anterior em inglês, Taking chances (2007), a cantora enveredou até pelo rock. Badalado em setembro de 2013 com sua pulsante faixa-título, Loved me back to life (Hasham Hussain, Denarius Motes e Sia Furler), o 11º álbum em inglês da cantora é um bom disco - que isso fique claro! - mas deixa a impressão de que Dion esboça uma virada que não consegue efetivamente concretizar. Até porque seu (ainda vasto) público espera ouvir a Celine Dion de antes. Para esse público, Loved me back to life apresenta dueto com o cantor e compositor norte-americano Stevie Wonder em Overjoyed - música lançada por Wonder em 1985 que ganha suingue contemporâneo no registro com Dion sem bisar a sedução da gravação original do compositor - e uma série de baladas de bom nível. Incredible (Andrew Goldstein, Emanuel Eman Kiriakou e Shafter Smith) é uma delas, tendo sido gravada por Dion em dueto com o cantor norte-americano de r & b Ne-Yo. Breakaway (Johan Fransson, Tim Larsson, Tobias Lundgreen e Audra Mae) é outra balada, cujo pegajoso refrão apresenta resquício da Dion de tons altos dos anos 80. De todo modo, a cantora experimenta registros mais suaves - como fica claro na regravação de At seventeen (Janis Lan, 1975), o maior sucesso da cantora e compositora Janis Lan - ao longo de Loved me back to life sem prejuízo de suas interpretações. Mesmo assim, há e talvez sempre haverá certa suntuosidade nos álbuns de Dion, como atesta o coro gospel de Thankful (Dana Parish e Andrew Hollander). E - que isso também fique claro!! - mal nenhum há nessa grandiosidade. É melhor Celine Dion continuar sendo Celine Dion do que tentar soar eventualmente como (um pastiche de) Amy Winehouse...


