Mauro Ferreira no G1

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domingo, 12 de junho de 2016

Álbum clássico de Cassiano é reeditado em vinil 40 anos após o lançamento

♪ Um dos criadores da soul music à moda brasileira, o cantor, compositor e guitarrista paraibano Genival Cassiano dos Santos, o Cassiano, viveu pico de popularidade há 40 anos com a edição do terceiro álbum solo, Cuban soul - 18 kilates (Polydor, 1976). Reeditado em CD pela Universal Music em 2001, em série coordenada por Charles Gavin, Cuban soul está voltando ao catálogo neste mês de junho de 2016 na coleção Clássicos em vinil, da Polysom. O vinil de 180 gramas reproduz as nove músicas do repertório autoral do álbum original, todas assinadas por Cassiano em parceria com Paulo Zdanowski, que produziu o disco ao lado de Gastão Lamounier. Das nove músicas, duas foram incluídas em trilhas de novelas da TV Globo e, na sequência, migraram para as rádios, fazendo com o que o soul brasileiro de Cassiano fosse ouvido e cantado em escala nacional. A lua e eu e Coleção - temas das novelas O grito (1975 / 1976) e Locomotivas (1977) - formam com Primavera (Cassiano e Silvio Roachel, 1969) a trinca de grandes sucessos deste compositor genial que tem atualmente 72 anos e vive recluso na cidade do Rio de Janeiro (RJ). A lua e eu foi lançada no fim de 1975, no LP com a trilha sonora nacional da novela O grito. Já Primavera (Vai chuva) - lançada em 1970 na voz de Tim Maia (1942 - 1998) - tinha sido gravada por Cassiano no primeiro álbum solo, Imagem e som (RCA, 1971). Eis as nove faixas do LP Cuban soul - 18 kilates,  título mais fundamental da discografia de Cassiano:

Lado A:
1. Hoje é Natal (Cassiano e Paulo Zdanowski, 1976)
2. Coleção (Cassiano e Paulo Zdanowski, 1976)
3. Ana (Cassiano e Paulo Zdanowski, 1976)
4. Onda (Cassiano e Paulo Zdanowski, 1976)

Lado B:
1. Central do Brasil (Cassiano e Paulo Zdanowski, 1976)
2. Sai dessa fossa (Cassiano e Paulo Zdanowski, 1976)
3. De bar em bar (Cassiano e Paulo Zdanowski, 1976)
4. Salve essa flor (Cassiano e Paulo Zdanowski, 1976)
5. A lua  e eu (Cassiano e Paulo Zdanowski, 1975)

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Quarenta anos após seu primeiro LP, Cassiano permanece esquecido...

Parafraseando o título da música de Fábio e Paulo Imperial, gravada por Sandra de Sá em 1982, precisamos urgentemente falar com Cassiano e dar as flores em vida a este gênio da soul music à moda brasileira, tão importante quanto Tim Maia (1942 - 1998) na tradução desse ritmo norte-americano para o idioma musical nacional. Ganchos não faltam para providencial redescoberta do autor de Primavera (Vai Chuva) pela mídia neste ano de 2011. Faz 40 anos que Cassiano lançou seu primeiro disco solo, o álbum Imagem e Som (RCA, 1971). Faz 20 que lançou o último, Cedo ou Tarde (Sony Music, 1991), trabalho revisionista gravado ao lado de fãs ilustres como Marisa Monte. A menos que tenha morrido no mesmo silêncio em que passou os últimos anos, Genival Cassiano está com 67 anos, pois nasceu em Campina Grande, na Paraíba, em 16 de setembro de 1943. Por ser nordestino, poderia ter trilhado com seu suingue os nobres caminhos forrozeiros que deram fama a vários conterrâneos seus. Contudo, Cassiano pautou sua obra por outros caminhos musicais. Embebido do suingue da música negra norte-americana, notadamente a soul music e o rhythm and blues, Cassiano construiu obra original, de harmonias ricas e acento todo próprio que tornaram sua música menos palatável para ouvidos habituados ao padronizado pop radiofônico. Ainda assim, Cassiano emplacou definitivamente nada menos do que três baladas no cancioneiro nacional. Além de Primavera (Vai Chuva), propagada pelo vozeirão de Tim Maia em 1970, Cassiano é o autor de Coleção e A Lua e Eu, sucessos de seu terceiro álbum, Cuban Soul - 18 Kilates (Polydor, 1976), popularizados em novelas exibidas pela TV Globo. Contudo, o relativo sucesso comercial deste disco não impediu a implosão da carreira fonográfica do artista. Talvez por seu temperamento difícil e pela inabilidade de aceitar as regras e leis da indústria da música, Cassiano se retirou no auge. Chega a ser inacreditável que tenha gravado apenas quatro álbuns em 40 anos de carreira solo. Apesar do nome típico de álbuns de estreantes, Apresentamos Nosso Cassiano (Odeon, 1973) foi o segundo título da trilogia fundamental dos anos 70, deixada como legado por este artista singular que não deve permanecer esquecido. Muita música boa também jaz esquecida nestes discos, caso de Onda, revivida por Thalma de Freitas no recente show Asé. Enfim, Cassiano é um gênio e, como tal, merece ser reverenciado. Precisamos urgentemente falar com essa lenda do soul nacional para saber como Cassiano está, o que pensa e o que faz.