Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Caixa 'Anos 70' prova que camaleão Ney sempre escolheu as próprias cores

Resenha de caixa de CDs
Título: Ney Matogrosso - Anos 70
Artista: Ney Matogrosso
Gravadora: Warner Music
Cotação: * * * *

Caso Ney Matogrosso concretize o projeto de gravar neste ano de 2016 álbum com músicas de compositores rotulados como malditos, como Jards Macalé e Jorge Mautner, o cantor mato-grossense vai dar mais uma prova de coerência na condução de carreira solo iniciada há 41 anos. Lançados originalmente entre 1975 e 1980, os seis álbuns embalados na caixa Ney Matogrosso - Anos 70 (Warner Music), posta nas lojas em dezembro de 2015, flagram um artista livre de fórmulas, amarras e pressões da indústria do disco. Um cantor livre, em essência. Este seis álbuns já haviam sido reeditados em CD na caixa Camaleão (Universal Music, 2008). Embora atualizados, os textos escritos pelo pesquisador Rodrigo Faour sobre cada um dos seis álbuns são essencialmente os mesmos das reedições de 2008. Contudo, houve real ganho na qualidade do som dos três álbuns gravados por Ney na extinta gravadora Continental - Água do céu-pássaro (1975), Bandido (1976) e Pecado (1977) - porque as reedições de 2008 foram produzidas (com esmero) a partir de cópias em vinil. As reedições de 2015 foram remasterizadas a partir das matrizes originais dos álbuns, como alardeado na contracapa da caixa, embora as fichas técnicas das reedições não traga informações sobre quem remasterizou os discos. O ganho na qualidade do som não chega a justificar a compra da atual caixa por quem já tem a caixa de 2008. Mas valoriza a caixa de 2015, inclusive porque os álbuns gravados por Ney na década de 1970 resistem bem ao tempo. Água do céu-pássaro (1975), em especial, é um disco ainda moderno, um passo ousado dado por cantor que vinha de grupo, Secos & Molhados, que tinha alcançado sucesso de massa. Neste primeiro voo solo, Ney já mostra a forte personalidade artística que nortearia a discografia do artista - ainda que o cantor tenha seguido a receita de sucesso do produtor Marco Mazzola na primeira metade da década de 1980 sem jamais baixar o nível do repertório. De tom vanguardista, Água do céu-pássaro tem linguagem pop e dose alta de sensualidade em Açúcar candy (Sueli Costa e Tite de Lemos, 1975). Se América do Sul (Paulo Machado, 1975) expôs latinidade que pautaria várias gravações do cantor, Pedra de rio (Luhli, Lucina e Paulo César, 1975) já escancarou o apego do artista à natureza. Infelizmente, as duas músicas-bônus da atual reedição de Água do céu-pássaro - As ilhas (Astor Piazzola e Geraldo Carneiro) e 1964 II (Astor Piazolla e Jorge Luis Borges),  faixas do compacto gravado por Ney em novembro de 1974, em Milão (Itália) -  tocam de forma invertida em relação à disposição das músicas indicada na contracapa. no encarte e no selo da reedição em CD. Mais acessível ao público, Bandido (1976) é álbum que emplacou o primeiro grande sucesso popular da carreira solo de Ney, Bandido corazón, delícia pop roqueira latina da lavra de Rita Lee, então no auge da produção autoral. Bandido foi produzido por Guilherme Araújo sob a supervisão da violonista e compositora Rosinha de Valença (1941 - 2004), autora de uma das dez músicas do disco, Usina de prata (1976). Em Bandido, Ney deu voz a músicas então inéditas de Chico Buarque, Mulheres de Atenas (1976), e Gilberto Gil, Gaivota, canção gravada com o violão de Gil, de beleza ainda por ser descoberta pelo público. A regravação da rumba cubana Pa-ran-pan-pan (Sergio de Karlo, 1938) explicitou a latinidade que pulsava no canto de Ney. A atual reedição de Bandido incorpora, como faixas-bônus, as duas gravações do compacto gravado em 1975 por Ney com o cantor cearense Raimundo Fagner - Postal de amor (Raimundo Fagner, Fausto Nilo e Ricardo Bezerra) e Ponta do lápis (Clodô Ferreira e Rodger Rogério) - e o take original do samba Pra não morrer de tristeza (João Silva e K-Boclinho, 1965) incluído na trilha sonora da novela Saramandaia (TV Globo, 1976). Gravado com parte do repertório do show Bandido que não havia sido registrado no disco homônimo de 1976, o terceiro e último álbum de Ney na Continental, Pecado (1977), apresentou baixo teor de músicas inéditas no repertório de tom sensual. Contudo, o finíssimo repertório do álbum - Da cor do pecado (Bororó, 1939), Boneca cobiçada (Palmeira e Biá, 1956), Desafinado (Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça, 1959), San Vicente (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1972) Metamorfose ambulante (Raul Seixas, 1973) e a então recente Tigresa (Caetano Veloso, 1977), para citar as músicas mais conhecidas  - soava à altura da voz andrógina do cantor e estava em sintonia com o conceito dos álbuns gravados por Ney após a saída turbulenta do trio Secos & Molhados. Coerência mantida no álbum seguinte, Feitiço (1978), o primeiro dos três gravados por Ney na novata Warner Music. Produzido por Mazzola, produtor determinante na discografia do cantor, Feitiço ampliou a popularidade de Ney a reboque de músicas como Bandolero (Luhli e Lucina, 1978), Mal necessário (Mauro Kwitko, 1978), o samba Tic-tac do meu coração (Alcyr Pires Vermelho e Valfrido Silva, 1935) - primeira das muitas incursões que seriam feitas por Ney no repertório da cantora Carmen Miranda (1909 - 1955) - e Não existe pecado ao sul do Equador (Chico Buarque e Ruy Guerra, 1973), frevo que Ney jogou na pista então fervida da disco music. Na sequência, Seu tipo (1979) revelou um Ney menos esfuziante, mas ainda ardente. O cantor rasgou a fantasia para mostrar a cara, a voz e a coragem de gravar compositoras que emergiam naquele ano de 1979 como Fátima Guedes (Dor medonha) e Joyce Moreno (Ardente). O maior destaque do repertório - de alto nível, mas de menor empatia - foi Seu tipo, o fox de Eduardo Dussek e Luiz Carlos Góes (1944 - 2014) que deu título ao disco. Por fim, Sujeito estranho (1980) foi álbum feito para Ney encerrar o contrato com a Warner Music e partir para a Ariola, gravadora que tinha fisgado o produtor Mazzola. Puxado por Napoleão, composição então inédita da dupla Luli & Lucina, fiel fornecedora de músicas para o cantor, o repertório incluía músicas do show Seu tipo não incluídas no disco homônimo de 1979. A curiosidade reside sobre duas músicas de Angela Ro Ro - Não há cabeça (lançada por Marina Lima e regravada logo depois pela compositora para o álbum de 1979 que deu projeção a Ro Ro) e Balada da arrasada (outra música do álbum de estreia de Ro Ro) - gravadas por Ney neste título obscuro da discografia do cantor. Produzido por Miguel Cidrás sob a direção de Guti Carvalho, Sujeito estranho é disco realmente estranho, mas reitera - como todos os outros cinco álbuns embalados na caixa, projeto de Elaine Medeiros para a Warner Music - a inteligência do camaleão para escolher as próprias cores na selva de mercado feroz que costuma dar e ditar os tons dos cantores.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Ney desiste do projeto em que cantaria obras de Carlos Gomes e Villa-Lobos

Ney Matogrosso desistiu de fazer o projeto em que cantaria músicas dos compositores Carlos Gomes (1836 - 1896) e Heitor Villa-Lobos (1887 - 1959). O recital seria dirigido pela cineasta Ana Carolina e entrelaçaria as obras dos dois compositores com versos do poeta romântico Gonçalves Dias (1823 - 1864), recitados na voz do ator Jesuíta Barbosa. Em contrapartida, o cantor mato-grossense - em foto de Marcelo Faustini - alimenta a ideia de gravar (em data incerta) álbum com músicas de compositores brasileiros carimbados como malditos - casos de Itamar Assumpção (1949 - 2003), Jards Macalé e Jorge Mautner e Luís Capucho.  Ney fará 75 anos em 1º de agosto de 2016.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Caixa com os álbuns feitos por Ney nos anos 1970 inclui tema raro de novela

Em 1976, Ney Matogrosso gravou duas vezes o samba Pra não morrer de tristeza (João Silva e K-Boclinho, 1965). Uma gravação entrou no segundo álbum solo do cantor, Bandido, editado pela extinta gravadora Continental em 1976. O outro registro foi produzido para a trilha sonora da novela Saramandaia, exibida pela TV Globo naquele mesmo ano de 1976. Mais raro, embora tenha sido incluído na coletânea criada para a caixa Metamorfoses (Universal Music, 2011), o fonograma da trilha sonora da novela é uma das faixas-bônus incluídas pelo pesquisador musical Rodrigo Faour nas atuais reedições em CD dos seis álbuns gravados pelo cantor mato-grossense entre 1975 e 1980. As reedições dos álbuns Água do céu pássaro (Continental, 1975), Bandido (Continental, 1976), Pecado (Continental, 1977), Feitiço (WEA, 1978), Seu tipo (WEA, 1979) e Sujeito estranho (WEA, 1980) estão embaladas na caixa Ney Matogrosso - Anos 70, lançada pela Warner Music neste mês de dezembro de 2015. De acordo com informação exposta na contracapa externa da caixa, os seis álbuns foram remasterizados a partir das masters originais, o que qualificaria ganho em relação ao som das reedições de Água do céu pássaro, Bandido e Pecado produzidas para a caixa Camaleão (Universal Music, 2008) a partir de cópias em vinil, já que, na época, as masters dos três álbuns solos gravados por Ney na Continental - na sequência da saída do cantor do grupo Secos & Molhados - estavam perdidas (ou deterioradas, como informaram as fichas técnicas das três reedições de 2008). De todo modo, não há informação nas fichas técnicas das reedições de 2015 sobre onde e por quem foi feita a remasterização. Como as reedições da caixa Camaleão, as atuais reedições reproduzem capas, contracapas e encartes dos álbuns originais. Com eventuais atualizações, os textos sobre os discos são os mesmos escritos por Faour para as reedições de 2008.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Álbuns feitos por Ney na Continental e Warner são novamente encaixotados

Lançada em 2008 pela gravadora Universal Music com edições em CD dos álbuns gravados por Ney Matogrosso de 1975 a 1991, a caixa Camaleão repôs em catálogo os seis álbuns feitos pelo cantor mato-grossense na extinta gravadora Continental e na WEA na primeira fase da discografia solo do artista (em foto de Daryan Dornelles). Reeditados na caixa Camaleão a partir de cópias em vinil (nos casos dos três primeiros álbuns, lançados pela Continental), estes seis álbuns serão novamente encaixotados. O pesquisador musical Rodrigo Faour prepara box - previsto para chegar ao mercado fonográfico ainda em 2015 pela Warner Music (dona do acervo da Continental) - com edições em CD dos álbuns Água do céu pássaro (Continental, 1975), Bandido (Continental, 1976), Pecado (Continental, 1977), Feitiço (WEA, 1978), Seu tipo (WEA, 1979) e Sujeito estranho (WEA, 1980). Resta saber se as reedições dos três primeiros álbuns vão oferecer expressivos ganhos na qualidade do som em relação às reedições embaladas na caixa Camaleão para justificar a compra do box da Warner Music por quem tem a caixa editada em 2008 pela Universal Music. Consta que as reedições destes três álbuns da Continental serão produzidas a partir das - já recuperadas - masters originais.

domingo, 22 de novembro de 2015

Próximo projeto de Ney agrega Gonçalves Dias, Carlos Gomes e Villa-Lobos

Embora tenha alinhavado disco com músicas de compositores brasileiros rotulados como malditos, como Jards Macalé e Jorge Mautner, Ney Matogrosso está com outro projeto em vista, à frente na lista de prioridades. Em 2016, o cantor - em foto de Marcelo Faustini - vai fazer espetáculo que alterna versos do poeta romântico Gonçalves Dias (1823 - 1864) e músicas dos compositores Carlos Gomes (1836 - 1896) e Heitor Villa-Lobos (1887 - 1959). Ney vai dividir o palco com o ator Jesuíta Barbosa sob direção da cineasta Ana Carolina. Como tem sido praxe em seus últimos trabalhos, o cantor primeiramente vai estrear e apresentar pelo Brasil o recital - provisoriamente intitulado O cantor e o poeta - para depois arquitetar o registro fonográfico do show em estúdio e/ou ao vivo.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

DVD infantil (re)anima gravações de Elba, Elis Elza, Nara e Ney sobre a fauna

DVD direcionado pela gravadora Universal Music ao público infantil e lançado neste ano de 2015 por conta da movimentação do mercado de música infantil na época do Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, Pra gente miúda - Bichinhos (re)anima gravações de músicas sobre a fauna nacional com a adição de animações computadorizadas em 3D que criam personagens para as canções. São fonogramas antigos, gravados por nomes como Elba Ramalho, Elis Regina (1945 - 1982), Elza Soares, Marina Lima, Moraes Moreira, Nara Leão (1945 - 1989) e Ney Matogrosso, entre outros nomes. Elza, por exemplo, canta O pato (Jaime Silva e Neusa Teixeira, 1960) em gravação de 1973. Elis é ouvida em A corujinha (Toquinho e Vinicius de Moraes, 1980), fonograma do álbum A arca de Noé (Ariola, 1980). Já Nara abre a coletânea com seu registro de O circo (Sidney Miller, 1967) - feito no álbum Vento de maio (Philips, 1967) - enquanto Elba canta O peru (Toquinho, Vinicius de Moraes e Paulo Soledade) em gravação do álbum Arca de Noé 2 (Ariola, 1981). Até o choro Tico-tico no fubá (Zequinha de Abreu e Eurico Barreiros, 1931) entra na brincadeira com a gravação feita por Ney Matogrosso para o álbum Batuque (Universal Music, 2001). Outro fonograma inusitado na fauna do DVD é Rock da barata, composto por Jorge Mautner e ouvido na voz do autor em gravação de 1973. A coletânea Pra gente miúda - Bichinhos sai também no formato de CD, evidentemente sem as animações em 3D que são as novidades do DVD.

sábado, 3 de outubro de 2015

Eis a capa do primeiro DVD de Maria Alcina, gravado com Ney e Karina Buhr

Esta é a capa do primeiro DVD da cantora Maria Alcina, De normal bastam os outros, batizado com o mesmo título do álbum lançado em janeiro de 2014. Dirigido por Rafael Saar e Thiago Brito, o DVD exibe - em tom documental - o show produzido por Thiago Marques Luiz e gravado em 6 de julho de 2014 em apresentação da artista mineira no Auditório Ibirapuera, em São Paulo (SP). Com distribuição da Eldorado, o DVD será lançado pela gravadora Nova Estação em novembro de 2015 - mês em que o Canal Brasil (braço da produção erguida em parceria com a Dilúvio Produções, empresa de Saar, e com a Nova Estação) exibirá o DVD. Karina Buhr figura no DVD em Cocadinha de sal (2014), música de sua autoria, feita para o CD de Alcina. Felipe Cordeiro entra em cena em Fogo da morena (2011), composição de sua lavra. Já Anastácia participa de Concurso de bicho, parceria sua com Liane, lançada por Alcina no CD De normal bastam os outros. Já o dueto com Ney Matogrosso em Bigorrilho (Paquito, Sebastião Gomes e Romeu Gentil, 1963) - sucesso do cantor carioca Jorge Veiga (1910 - 1969) no Carnaval de 1964 - vai ser visto no DVD em meio aos números do show,  embora o clipe com Ney tenha sido gravado em estúdio,  sob a direção de Saar.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Gravado com Danilo e Ney, álbum da Meia Banda ganha edição física em CD

Com a voz de Ney Matogrosso na música Vespertina (Bruno Di Lullo e Domenico Lancellotti), o primeiro álbum da Meia Banda - quarteto carioca encabeçado por Bruno Di Lullo e completado por Domenico Lancellotti, Eduardo Manso e Estevão Casé - ganha edição física em CD neste mês de setembro de 2015, mais de um após seu lançamento em formato digital. Disponível na web desde 3 de junho de 2014, o álbum Meia Banda - produzido por Di Lullo com Casé - traz também as participações de Dado Villa-Lobos (guitarra solo em Vespertina) e Danilo Caymmi (flautas em Clímax, tema do compositor Simon Boswell, e em Vespertina). Músicos da turma de Di Lullo e Domenico - como Moreno Veloso (voz em Eu vou ser como a toupeira, regravação do repertório cantor e compositor português Zeca Afonso), Pedro Baby (guitarra solo em Rastro aéreo) e Pedro Sá (guitarra em faixas como A morenaAmina) - engrossam o time de convidados do álbum. Eis, na ordem do disco, as dez músicas do repertório (essencialmente inédito e autoral) de Meia Banda:

1. Romance espacial (Bruno Di Lullo e Domenico Lancellotti)
2. A morena (Bruno Di Lullo, Domenico Lancellotti e Eduardo Manso)
3. Amina (Bruno Di Lullo)
4. Projeção (Bruno Di Lullo e Domenico Lancellotti)
5. Eu vou ser como a toupeira (Zeca Afonso)
6. Doce é o amor (Bruno Di Lullo e Domenico Lancellotti)
7. Rastro aéreo (Bruno Di Lullo, Domenico Lancellotti e Pedro Baby)
8. Clímax (Simon Boswell)
9. Vespertina (Bruno Di Lullo e Domenico Lancellotti)
10. Murmúrios (Bruno Di Lullo e Domenico Lancellotti)

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Ney grava Adoniran para trilha de filme inspirado por músicas do compositor

Ney Matogrosso dá voz a Iracema (1957) - título triste do cancioneiro do compositor paulistano Adoniran Barbosa (1910 - 1982) - em gravação realizada para a trilha sonora do curta-metragem Dá licença de contar, filme inspirado pela obra de Adoniran (e pelo universo peculiar da música do compositor) e dirigido pelo cineasta Pedro Serrano. Além do registro de Ney (em  foto de Marcelo Faustini), a trilha sonora do filme inclui gravações inéditas de outras músicas de Adoniran Barbosa.

domingo, 2 de agosto de 2015

Ney grava música, no Rio, para disco da dupla Luis Felipe Gama & Ana Luiza

A IMAGEM DO SOM - Postada no Facebook da dupla Luis Felipe Gama & Ana Luiza, a foto acima mostra Ney Matogrosso em estúdio do Rio de Janeiro (RJ) durante a gravação Um Deus aleijado, parceria de Gama com o poeta e compositor português Tiago Torres da Silva. A gravação foi feita para o próximo CD do duo de música brasileira. Gama é pianista. Ana é cantora. Ambos compõem.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

CDs de Alice, Ney e Paralamas disputam troféu pop no 26º Prêmio da Música

Um dos discos mais cultuados na cena indie brasileira em 2014, o segundo álbum da cantora carioca Alice Caymmi - Rainha dos raios, produzido por Diogo Strausz e lançado pela gravadora Joia Moderna - incidiu com força na lista de indicados à 26º edição do Prêmio da Música Brasileira. Além de ter rendido a Alice uma indicação de melhor cantora na categoria pop / rock/ reggae / hip hop / funk, Rainha dos raios disputa o troféu de melhor álbum dessa abrangente categoria com discos ao vivo de Ney Matogrosso e Paralamas do Sucesso. O cantor mato-grossense concorre com Atento aos sinais ao vivo (Som Livre, 2014), registro do show de tom pop roqueiro que estreou em fevereiro de 2013. Já o trio carioca está no páreo com Multishow ao vivo - Os Paralamas do Sucesso 30 anos, registro do espetáculo em que Herbert Vianna (voz e guitarra), João Barone (bateria) e Bi Ribeiro (baixo) revisaram três coerentes décadas de vida e som. Nessa categoria, o júri do Prêmio da Música Brasileira - criado pelo empresário José Maurício Machline - minimizou a força de Encarnado (Independente, 2014), o atordoante álbum solo de Juçara Marçal, indicada ao prêmio de cantora da categoria juntamente com Alice Caymmi e Marisa Monte. Disco que encarou a morte de frente, Encarnado figurou em várias listas de melhores CDs de 2014.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Ney vai dar voz em CD às 'maldições' de Itamar, Macalé, Mautner e Capucho

 O próximo álbum de Ney Matogrosso vai juntar os cancioneiros de quatro compositores rotulados como malditos na cena musical brasileira. O cantor - em foto de Marcelo Faustini - arquiteta CD com músicas dos malditos Itamar Assumpção (1949  -  2003), Jards Macalé, Jorge Mautner e Luís Capucho.

sábado, 29 de novembro de 2014

DVD 'Atento aos sinais vivo' capta a fervura pop do show sem transgredir

Resenha de CD e DVD
Título: Atento aos sinais vivo
Artista: Ney Matogrosso
Gravadora: Som Livre
Cotação: * * * *

Show estreado por Ney Matogrosso em 28 de fevereiro de 2013, em Juiz de Fora (MG), Atento aos sinais tem temperatura quente (clique aqui para ler a resenha da estreia nacional do espetáculo). Feito sob a direção de Felipe Nepomuceno para DVD lançado pela gravadora Som Livre neste mês de novembro de 2014, o registro audiovisual de Atento aos sinais preserva a fervura e a vitalidade pop do espetáculo em que o cantor sul-matogrossense dá sua desafiadora voz metálica a músicas de compositores como Caetano Veloso (Two naira fifty kobo, 1977), Criolo (Freguês da meia-noite, 2011), Pedro Luís (Incêndio, 1991) e Rafael Rocha (Não consigo e Samba do blackberry, 2010, a segunda em parceria com Alberto Continentino), entre outros nomes do universo pop nativo, em roteiro pautado pela urgência urbana. Esses compositores discorrem sobre a gênese das músicas do show em breves depoimentos enfileirados no mini-documentário Há minutos atrás (Poema), também dirigido por Nepomuceno e alocado nos extras do DVD. A costura desse curto filme é Poema, música composta por Roberto Frejat a partir do texto de carta endereçada por Cazuza (1958 - 1990) a uma de suas avós. Lançada por Ney há 15 anos no álbum Olhos de farol (PolyGram, 1999), Poema foi adicionada pelo cantor ao roteiro original de Atento aos sinais ao longo da turnê nacional do show por conta da nova e inesperada propagação da música na trilha sonora da novela Sangue bom (TV Globo, 2013). Assim como Amor (João Apolinário e João Ricardo, 1973), Poema é número exclusivo do DVD Atento aos sinais vivo. Ambas as músicas foram suprimidas do CD homônimo, que reproduz 17 dos 19 números captados em 8 de junho de 2014 na apresentação de Atento aos sinais na casa HSBC Brasil, em São Paulo (SP). A imagem retorcida do cantor na expressiva capa do DVD - criada com arte gráfica de Cássia d'Élia a partir de fotografia de Marcos Hermes - está em sintonia com as disformes imagens em movimento vistas no menu do DVD (cujo áudio 5.1 DTS é exemplar). Essa transgressão ensaiada na capa e no menu do DVD deveria ter sido mais explorada na filmagem do show em si - especialmente impactante nos momentos finais da música Tupi fusão (Vitor Pirralho, Dinho Zampier, Pedro Ivo Euzébio e André Meira, 2009). Já que o canto de Ney Matogrosso sempre transgrediu, a captação e edição das imagens do show Atento aos sinais estaria mais em sintonia com o show se fosse mais além do convencional. Ainda assim, o show - como já dito - chega quente ao DVD. Pena que sem Oração (Dani Black, 2010) - a música da qual foi extraído o título Atento aos sinais - no roteiro do show, perpetuado no DVD com o deslocado samba Ex-amor (Martinho da Vila, 1981) no bis. De todo modo, Atento aos sinais indica a contínua vitalidade de Ney Matogrosso, ainda um senhor cantor aos bravos 73 anos, sempre atento a todos os sinais.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

'Olho nu', documentário com Ney, ganha edição em DVD via Canal Brasil

Um dos melhores documentários sobre música dos últimos anos, Olho nu - filme em que o diretor Joel Pizzini enxerga o cantor e compositor Ney Matogrosso por frestas de palcos, casas e matas - ganha edição em DVD editado na Coleção Canal Brasil. O DVD chega ao mercado fonográfico neste mês de novembro de 2014 simultaneamente com o CD posto nas lojas pela gravadora Som Livre com a trilha sonora do filme que estreou nos cinemas em maio deste ano de 2014 após ser exibido em festivais ao longo de 2013. Se o CD traz músicas ouvidas na trilha sonora do filme, produzido com o aval e a colaboração de Ney, o DVD vai além do documentário e rebobina nos extras dois episódios do programa O som do vinil dedicados a LPs do cantor (o primeiro disco do trio Secos & Molhados e o primeiro álbum da carreira solo de Ney, de 1973 e 1975 respectivamente) Clique aqui para reler a resenha de Olho nu postada em Notas musicais.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Trilha sonora de 'Olho nu', documentário sobre Ney, ganha edição em CD

Documentário sobre Ney Matogrosso dirigido e roteirizado por Joel Pizzini, Olho nu vai ter sua trilha sonora editada em CD da Coleção Canal Brasil, previsto para chegar às lojas no fim deste mês de setembro de 2014. O CD reúne 16 gravações extraídas da discografia do artista - com ênfase na obra fonográfica dos anos 1970 e 1980 - e utilizadas no filme que estreou nos cinemas do Brasil em maio de 2014 após ter percorrido o circuito de festivais em 2013. Clique aqui para ler a resenha do filme. Eis, na ordem do CD, as 16 faixas da trilha do filme Olho nu:

1. Delírio
2. Mãe Preta
3. Açúcar candy

4. Johnny pirou (Johnny B. Goode)
5. Fé menino
6. Airecillos
7. O doce e o amargo
8. O patrão nosso de cada dia
9. Melodia sentimental
10. Pedra de rio (sobre texto de Paulo Cesar)
11. Quem sabe?
12. Ponta do lápis - com Fagner
13. Tem gente com fome
14. Uai, uai - com Rita Lee
15. Simples desejo
16. Preciso me encontrar (ao vivo)

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Abravanel lança single em cujo vídeo personifica Amy, Elvis, Lennon e Ney

Ator e cantor paulistano que debutou profissionalmente no teatro musical em 2004 e que ganhou projeção nacional em 2011 ao mimetizar o cantor carioca Tim Maia (1942 - 1998) em musical de grande sucesso popular, Tiago Abravanel lança seu primeiro single, Eclético. A música é de autoria de Edu Tedeschi, compositor paulistano gravado por cantores como Maria Rita, Luciana Mello, Pedro Mariano e Zélia Duncan. Composição de suingue pop black, Eclético gerou clipe - já em rotação na web - no qual Tiago Abravanel se vale de ótimas caracterizações para encarnar personalidades musicais como Amy Winehouse (1983 - 2011), Elvis Presley (1935 - 1977), John Lennon (1940 - 1980) e Ney Matogrosso - como visto no mosaico com fotos de Adriano Fagundes. Após atuar em duas novelas da TV Globo, Abravanel pretende dar prioridade à sua carreira de cantor, estreando em 3 de outubro de 2014, no Rio de Janeiro (RJ), show que vai percorrer o Brasil em turnê nacional. No roteiro, Abravanel dará voz a mais duas músicas de Edu Tedeschi, De brim e Estrada afora, entre hits de Barão Vermelho, Ritchie, Rosana, Sidney Magal e, claro, de Tim Maia.

domingo, 8 de junho de 2014

Ney faz em São Paulo a gravação ao vivo de seu show 'Atento aos sinais'

Em turnê pelo Brasil com o show Atento aos sinais (2013), o cantor Ney Matogrosso - visto em cena na foto de Taiz Dering - aproveita a volta do espetáculo à cidade de São Paulo (SP) para fazer a gravação ao vivo do show. A captação vai ser feita hoje, 8 de junho de 2014, em apresentação na casa HSBC Brasil. Não estão previstas adições no roteiro por conta do registro.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Dan convida Ney em show no Rio em que canta Dylan e Moraes Moreira

Desde que gravou Um pouco de calor (Dan Nakagawa, 2005) em seu álbum Inclassificáveis (EMI Music, 2008), o cantor Ney Matogrosso tem chamado atenção para o talento do compositor paulistano Dan Nakagawa, que lançou um dos melhores álbuns autorais de 2011, O oposto de dizer adeus (YB Music). Além de ter dado voz a outras músicas de autoria do artista em discos e shows posteriores, caso de Todo mundo o tempo todo (Dan Nakagawa, 2011), Ney tem participado de vários shows de Dan - inclusive do que está registrado no CD e DVD Dan Nakagawa convida Ney Matogrosso (Canal Brasil, 2013). Por isso, o convite para dividir o palco com o compositor foi refeito a Ney para o show apresentado por Nakagawa no teatro do Solar de Botafogo, no Rio de Janeiro (RJ), em 28 de maio de 2014. Além de cantar com Dan Um pouco de calor e Todo mundo o tempo todo, Ney solou Na neblina do samba (Dan Nakagawa, 2005) - com o anfitrião no ukelele - e fez subir Sangue latino (João Ricardo e Paulinho Mendonça, 1973), sucesso do trio Secos & Molhados. Antes de Ney entrar em cena, Dan cantou dez músicas, apresentando parceria inédita com a atriz e cineasta Helena Ignez (Vlad Rimbaud) e fazendo Bloco do prazer (Moraes Moreira e Fausto Nilo, 1979) sair fora de seu habitual trilho carnavalizante. Do compositor baiano Moraes Moreira, aliás, Dan também cantou Dê um rolê (1971), da parceria de Moraes com Luiz Galvão. Já com Ney em cena, como espectador, Dan fez eletrizante abordagem de Negro amor (1977), versão em português de Caetano Veloso e Péricles Cavalcanti para It's All Over Now, Baby Blue (Bob Dylan, 1965) lançada na voz cristalina de Gal Costa. Eis o roteiro seguido em 28 de maio de 2014 por Dan Nakagawa - visto com Ney Matogrosso na foto de Rodrigo Goffredo - no (bom) show que evidenciou seu talento como compositor no palco do Solar de Botafogo, no Rio de Janeiro (RJ):

1. Vlad Rimbaud (Dan Nakagawa e Helena Ignez, 2014)
2. Coração coragem (Dan Nakagawa, 2011)
3. Furobá (Dan Nakagawa, 2005)
4. Assim assim (Dan Nakagawa e Celso Sim, 2011)
5. O sol da meia noite (Dan Nakagawa, 2011)
6. Infinito instante (Dan Nakagawa, 2011)
    Texto: Reza para Ganesha (Dan Nakagawa)

7. O oposto de dizer adeus (Dan Nakagawa, 2011)
8. Bloco do prazer (Moraes Moreira e Fausto Nilo, 2009)
9. Eu sofro por amor (Dan Nakagawa, 2011)
10. Dê um rolê (Luiz Galvão e Moraes Moreira, 2011)
11. Sangue latino (João Ricardo e Paulinho Mendonça, 1973) - com Ney Matogrosso
12. Um pouco de calor (Dan Nakagawa, 2005) - com Ney Matogrosso
13. Negro amor (It's all over now, baby blue) 

      (Bob Dylan, 1965, em versão em português de Caetano Veloso e Péricles Cavalcanti, 1977)
14. Na neblina do samba (Dan Nakagawa, 2005) - com Ney Matogrosso
Bis:
15: Ser e não ser (Dan Nakagawa)
16. Todo mundo o tempo todo (Dan Nakagawa, 2011) - com Ney Matogrosso

quinta-feira, 15 de maio de 2014

25º Prêmio da Música laureia álbuns de Ney, Edu, Das Neves e Caymmi

A expressão de felicidade de Ney Matogrosso - captada pelas lentes do fotógrafo Roberto Filho - traduz o orgulho do artista por ter sido laureado no 25º Prêmio da Música Brasileira com os troféus de Melhor cantor e Melhor álbum (Atento aos sinais, Som Livre, 2013) na categoria Pop / rock / reggae / hip hop / funk. Roteirizada pela cantora e compositora Zélia Duncan em torno do samba, homenageado da 25ª edição do prêmio idealizado e dirigido pelo empresário José Maurício Machline, a cerimônia de entrega dos prêmios aconteceu na noite de quarta-feira, 14 de maio de 2014, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, na cidade natal da premiação, o Rio de Janeiro (RJ). Além de Ney, merecidamente reconhecido por ainda estar fazendo CDs tão arrojados quanto os discos do início de sua carreira solo, o 25º Prêmio da Música Brasileira laureou álbuns de Adriana Calcanhotto (mentora da contemporânea releitura do repertório do projeto infantil Arca de Noé, de Vinicius de Moraes), Ângela Maria & Cauby Peixoto (Reencontro, mais uma brava ação do produtor Thiago Marques Luiz para manter os dois veteranos cantores em atividade), Edu Lobo (o majestoso disco gravado ao vivo com a Metropole Orkest), Famíia Caymmi (Caymmi, irretocável tributo ao centenário de nascimento de Dorival Caymmi), Hamilton de Holanda (um tributo ao seminal Pixinguinha), Osesp e Wilson das Neves (o superestimado Se me chamar, ô sorte), entre outros nomes. Eis todos os álbuns premiados em 14 de maio nas diversas categorias 25º edição do Prêmio da Música Brasileira:

* Canção popular - Reencontro (Ângela Maria e Cauby Peixoto) 
* Eletrônico - Carnaval beach club vol. 1 (Rodrigo Sha)
* Erudito - Heitor Villa-Lobos - Sinfonia nº 6 e nº 7 (Osesp)
* Infantil - Arca de Noé (vários artistas)
* Instrumental - Mundo de Pixinguinha (Hamilton de Holanda)
* Língua estrangeira - Leila Maria canta Billie Holiday in Rio (Leila Maria)
* MPB - Edu Lobo e Metropole Orkest (Edu Lobo e Metropole Orkest)
* Pop / rock / reggae / hip hop / funk - Atento aos sinais (Ney Matogrosso)
* Projeto especial - Caymmi (Danilo Caymmi, Dori Caymmi e Nana Caymmi)
* Projeto visual - Arca de Noé (vários artistas)
* Regional - Zulusa (Patrícia Bastos)
* Samba - Se me chamar, ô sorte (Wilson das Neves)
* DVD - Criolo & Emicida ao vivo (Criolo e Emicida)

terça-feira, 29 de abril de 2014

Documentário 'Olho nu' enxerga Ney por frestas de palcos, casas e matas

Resenha de documentário
Título: Olho nu (com Ney Matogrosso)
Direção e roteiro: Joel Pizzini
Produção: Paloma Cinematográfica e Canal Brasil
Cotação: * * * *
Filme com estreia programada nos cinemas para 15 de maio de 2014

É pelas frestas - dos palcos, das casas e das matas da mãe natureza - que Olho nu enxerga Ney Matogrosso. Não a ponto de decifrar inteiramente a alma desse enigmático sujeito estranho, mas com foco suficiente para retratar com nitidez a na tela personagem documentada com riqueza de imagens (novas e antigas) e sem os robotizados depoimentos típicos dos filmes que procuram entronizar o artista enfocado. Desde 2013 exibido em concorridas sessões avulsas de festivais, o documentário Olho nu entra em cartaz nos cinemas a partir de 15 de maio com cacife para atrair admiradores deste cantor mato-grossense que há 41 anos desafia seu público com um olhar provocativo sobre a vida, expressado através de seu canto. Com o aval de Ney, coprodutor do filme, o diretor e roteirista Joel Pizzini confronta imagens do passado e do presente em Olho nu, espreitando Ney através de câmeras que investigam os ambientes filmados para o documentário. Penetrar por casas e matas habitadas pelo artista é uma forma de enfocar o cidadão Ney de Souza Pereira, já que o Ney Matogrosso dos palcos e camarins é - com ou sem maquiagem e fantasia - uma personagem que sai de cena tão logo o show acaba, como o próprio Ney ressalta quase ao fim do filme, em fala determinante para se entender a natureza de seu processo artístico. Pizzini foca Ney com estilo, no tempo sem pressa de um artista que sempre caminhou com suas próprias pernas - e com personalidade - pelo mundo e pela música. Um caminhar feito com livre trânsito entre (quase) todos os estilos e gêneros de música brasileira - o que explica as imagens já raras que mostram Ney em duetos com artistas de universos musicais tão distintos como Astor Piazzolla (1921 - 1992), Caetano Veloso, Chico Buarque, Emilinha Borba (1923 - 2005), Fagner, Luli & Lucina e Toquinho. A propósito: as imagens de arquivo exibidas por Olho nu, com foco no Ney dos anos 1970 e 1980, são verdadeiras pérolas pescadas no baú que dão brilho adicional ao documentário. Vê-se fragmentos do show Bandido (1976), o clipe da gravação de Barco negro (Matheus Nunes e David de Jesus Mourão) e trechos de show histórico do trio Secos & Molhados no Maracanãzinho, entre outras raras imagens que são a mais perfeita tradução da natureza camaleônica do artista. E por falar em natureza, imagens novas e antigas de Ney nas matas e rios ajudam o espectador a enxergar na tela um pouco da alma de um ser humano criado com natural intimidade com os matos e os bichos. A ponto de causar arrepios urbanoides a cena em que Ney aparece deitado em pedra de rio com um caramujo a lhe cobrir inteiramente os lábios. Os depoimentos do artista - geralmente ouvidos em off - pontuam uma narrativa também feita de necessários silêncios. E é também pelas frestas desses depoimentos que Olho nu captura Ney. "Tenho medo do mar", revela o artista à certa altura do filme, deixando entrever trauma por ter sido, criança, carregado por onda e salvo por homem de um braço só. Além de permitir que o vejam chorando, ao fim de número com o violonista Raphael Rabello (1962- 1995), Ney não evita assuntos. Ao longo dos 100 minutos do filme, ele fala da relação contestatória com o pai (ouvido em depoimento de arquivo), do azedume da relação dos Secos & Molhados quando a força da grana ergueu e destruiu coisas belas e das sucessivas perdas de amigos dos anos 1980 por conta da Aids, entre outros temas abordados de forma espontânea, sem sensacionalismos. Naturais em artista de natureza camaleônica, as eventuais contradições aparecem no confronto entre depoimentos antigos e atuais. "Não pensem que eu acredito em tudo que canto", avisa Ney após o filme exibir trecho do show Beijo bandido (2009) em que o cantor dá voz à música Medo de amar (Vinicius de Moraes) - "O ciúme é o inferno do amor", sentencia, contrariando a visão romântica exposta na letra do poeta. "Tudo o que eu quero dizer está ali nas letras", afirmava Ney com sincera convicção, em fala (de antiga entrevista) reproduzida em Olho nu. Tais contradições jamais diluem a integridade artística com que o já septuagenário Ney de Souza Pereira conduziu a carreira do Matogrosso pós-Secos & Molhados. Ao capturar o cantor em imagens dos recentes shows Inclassificáveis (2007) e Beijo bandido, alocando tais imagens no roteiro ao lado de cenas de espetáculos dos anos 1970 e 1980, Olho nu escancara a coerência que pautou vida e obra de Ney, enigmática força da natureza que o documentário de Joel Pizzini espreita pelas frestas, atento aos sinais, mas sem deixar Ney nu.