Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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domingo, 28 de dezembro de 2014

Saem CD e DVD com o show da turnê do 25º 'Prêmio da Música Brasileira'

Chegam às lojas nesta segunda quinzena de dezembro de 2014, com distribuição da gravadora Universal Music, o CD e DVD que trazem a gravação ao vivo do show derivado da cerimônia da 25ª edição do Prêmio da Música Brasileira. O samba foi o homenageado do prêmio neste ano de 2014. O show da turnê itinerante foi captado logo em sua primeira parada, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Na gravação ao vivo, feita em 15 e 16 de maio de 2014 em apresentações do show no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Beatriz Rabello, Péricles e Xande de Pilares se juntaram ao elenco fixo da turnê, formado por Arlindo Cruz, Beth Carvalho, Dudu Nobre e Mariene de Castro. O DVD traz nos extras o inédito Samba da turnê, composto coletivamente ao longo da turnê do show roteirizado pela cantora Zélia Duncan sob a direção do empresário José Maurício Machline. Eis as faixas do CD e do DVD Turnê 25º Prêmio da Música Brasileira - Homenagem ao samba:

1. Viva meu samba (Billy Blanco, 1958) - somente no DVD
Arlindo Cruz:
2. Dor de amor (Arlindo Cruz, Acyr Marque e Zeca Pagodinho, 1986)

3. A pureza da flor (Arlindo Cruz, Jr. Dom e Babi, 2006) - somente no DVD
4. O show tem que continuar (Arlindo Cruz, Sombrinha e Luiz Carlos da Vila, 1988)
Dudu Nobre:
5. Vou botar teu nome na macumba (Dudu Nobre e Zeca Pagodinho, 1995) /
    Quem é ela? (Dudu Nobre e Zeca Pagodinho, 2005)
6. Mulata assanhada (Ataulfo Alves, 1956)
7. Não deixe o samba morrer (Edson Conceição e Aluísio, 1975)

Mariene de Castro:
8. ...E o mundo não se acabou (Assis Valente, 1938)
9. Menino Deus (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1974)
10. Tirilê (Dunga e Roque Ferreira, 2014)

Xande de Pilares:
11. Pedi ao céu (Almir Guineto e Luverci Ernesto, 1979)
12. Me deixa em paz (Monsueto Menezes e Aírton Amorim, 1952)
13. Do jeito que a vida quer (Benito Di Paula, 1976)

Beatriz Rabello:
14. Timoneiro (Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho, 1996) /
      Onde a dor não tem razão (Paulinho da Viola e Elton Medeiros, 1981) /
      Na linha do mar (Paulinho da Viola, 1973)

Angélique Kidjo e Péricles:
15. Sinfonia da paz (Altay Veloso, 1991) /
      O canto das três raças (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1976)

Péricles:
16. O mar serenou (Candeia, 1975)
17. Saudosa maloca (Adoniran Barbosa, 1955)
Dudu Nobre e Xande de Pilares:
18. Do fundo do nosso quintal (Jorge Aragão e Alberto Souza, 1987)

Arlindo Cruz e Péricles:
19. A voz do morro (Zé Kétti, 1956)

Arlindo Cruz, Dudu Nobre, Péricles e Xande de Pilares:
20. Camarão que dorme a onda leva (Arlindo Cruz, Beto sem Braço e Zeca Pagodinho, 1983)

Beth Carvalho:
21. Preciso me encontrar (Candeia, 1976) /
     O sol nascerá (Cartola e Elton Medeiros, 1964) /
     Juízo final (Nelson Cavaquinho e Élcio Soares, 1973)
22. Vou festejar (Jorge Aragão, Dida e Neoci, 1978)

Beth Carvalho, Mariene de Castro e Beatriz Rabello:
23. Coisinha do pai (Jorge Aragão, Almir Guineto e Luiz Carlos, 1979) - somente no DVD

Arlindo Cruz, Beatriz Rabello, Beth, Dudu Nobre, Mariene de Castro, Péricles e Xande:
24. Canta, canta minha gente (Martinho da Vila, 1974)
25. Samba de arerê (Xande de Pilares, Arlindo Cruz e Mauro Jr., 1999)

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Show em tributo ao samba inclui Ataulfo e Martinho em gravação ao vivo

Nome fundamental na história do samba, Martinho da Vila foi omitido no roteiro musical da cerimônia de entrega do Prêmio da Música Brasileira, estruturada para celebrar o gênero quase centenário. Contudo, no caloroso show derivado da 25ª edição da premiação, o cantor e compositor fluminense é lembrado com seu samba Canta, canta minha gente (Martinho da Vila, 1974) no bis do espetáculo, em numero coletivo que reiterou o poder agregador do samba. Roteirizado por Zélia Duncan sob a direção do empresário José Maurício Machline, criador do Prêmio da Música Brasileira, o show originado da 25ª edição está em turnê por sete cidades do Brasil. Iniciada no Rio de Janeiro (RJ), cidade em que o show foi gravado ao vivo no Theatro Municipal do Rio de Janeiro em 15 e 16 de maio de 2014 para edição de CD, DVD e blu-ray, a turnê traz no elenco quatro nomes fixos  - Arlindo Cruz, Beth Carvalho, Dudu Nobre e Mariene de Castro - que se juntam a convidados locais. Nas duas apresentações cariocas, os convidados foram Beatriz Rabello, Péricles e Xande de Pilares (vistos com os anfitriões na foto de Rodrigo Goffredo), além da cantora africana Angélique Kidjo, cujo número com Péricles foi o ponto alto da gravação ao vivo. Além de Martinho, o roteiro abarca outros compositores omitidos na cerimônia do prêmio, casos do mineiro Ataulfo Alves (1909 - 1969) e do carioca Zé Kétti (1921 - 1999), representados por seus respectivos sambas Mulata assanhada (1956) e A voz do morro (1956).  Eis o roteiro seguido na apresentação carioca de 15 de maio de 2014 pelo elenco que se alterna entre solos, duetos, trios e números coletivos no empolgante show, costurado por textos de Zélia Duncan (lidos pela apresentadora Cris Vianna):

Arlindo Cruz:
1. Dor de amor (Arlindo Cruz, Acyr Marque e Zeca Pagodinho, 1986)
2. A pureza da flor (Arlindo Cruz, Jr. Dom e Babi, 2006)
3. O show tem que continuar (Arlindo Cruz, Sombrinha e Luiz Carlos da Vila, 1988)

Dudu Nobre:
4. Vou botar teu nome na macumba (Dudu Nobre e Zeca Pagodinho, 1995) /
5. Quem é ela? (Dudu Nobre e Zeca Pagodinho, 2005)
6. Mulata assanhada (Ataulfo Alves, 1956)
7. Não deixe o samba morrer (Edson Conceição e Aluísio, 1975)

Mariene de Castro:
8. ...E o mundo não se acabou (Assis Valente, 1938)
9. Menino Deus (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1974)
10. Tirilê (Dunga e Roque Ferreira, 2014)

Xande de Pilares:
11. Pedi ao céu (Almir Guineto e Luverci Ernesto, 1979)
12. Me deixa em paz (Monsueto Menezes e Aírton Amorim, 1952)
13. Do jeito que a vida quer (Benito Di Paula, 1976)

Beatriz Rabello:
14. Timoneiro (Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho, 1996) /
15. Onde a dor não tem razão (Paulinho da Viola e Elton Medeiros, 1981) /
16. Na linha do mar (Paulinho da Viola, 1973)

Angélique Kidjo e Péricles:
17. Sinfonia da paz (Altay Veloso, 1991) /
18. O canto das três raças (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1976)

Péricles:
19. O mar serenou (Candeia, 1975)
20. Saudosa maloca (Adoniran Barbosa, 1955)
Dudu Nobre e Xande de Pilares:
21. Do fundo do nosso quintal (Jorge Aragão e Alberto Souza, 1987)

Arlindo Cruz e Péricles:
22. A voz do morro (Zé Kétti, 1956)

Arlindo Cruz, Dudu Nobre, Péricles e Xande de Pilares:
23. Camarão que dorme a onda leva (Arlindo Cruz, Beto sem Braço e Zeca Pagodinho, 1983)

Beth Carvalho:
24. Preciso me encontrar (Candeia, 1976) /
25. O sol nascerá (Cartola e Elton Medeiros, 1964) /
26. Juízo final (Nelson Cavaquinho e Élcio Soares, 1973)
27. Sei lá, Mangueira (Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho, 1968)
28. Vou festejar (Jorge Aragão, Dida e Neoci, 1978)
29. Acreditar (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1976)

Beth Carvalho, Mariene de Castro e Beatriz Rabello:
30. A fonte secou (Monsueto Menezes e Mário Barbato, 1954)
31. Coisinha do pai (Jorge Aragão, Almir Guineto e Luiz Carlos, 1979)

Arlindo, Beatriz Rabello, Beth, Dudu Nobre, Mariene de Castro, Péricles e Xande:
32. Canta, canta minha gente (Martinho da Vila, 1974)
33. Samba de arerê (Xande de Pilares, Arlindo Cruz e Mauro Jr., 1999)

quinta-feira, 15 de maio de 2014

25º Prêmio da Música Brasileira é feito para festejar a MPB que (ainda) brilha

 Editorial - Post publicado hoje pelo cantor e compositor carioca Fernando Temporão em seu Facebook faz duras críticas ao Prêmio da Música Brasileira por conta da distribuição de troféus da 25ª edição da premiação criada pelo empresário José Maurício Machline em 1988. "É um prêmio naftalina, que estacionou no tempo, e insiste em afagar os mesmos artistas de 'SAMBA' e 'MPB' que estão por aí há 30, 40 anos. Os mesmos nomes mofados, ano após ano, ganhando os mesmos prêmios", alfinetou Temporão, externando pensamento que talvez seja o de parte de uma geração jovem crescida sem ter a MPB como referência. O artista - que lançou em 2013 seu (interessante) primeiro álbum solo, Dentro da gaveta da alma da gente - critica o prêmio sob a ótica da cena contemporânea da qual faz parte. Para Temporão, o Prêmio da Música Brasileira é "surdo, ignorante, cego e desinteressado pelo novo", como caracteriza em seu post. Embora reconheça que há uma cota para o novo no prêmio (preenchida este ano, por exemplo, com a eleição do paulistano Passo Torto como o melhor grupo da genérica categoria Pop / rock / reggae / hip hop / funk), Temporão sustenta que o Prêmio da Música Brasileira tem "uma visão estereotipada, careta, preconceituosa da produção cultural brasileira". Há lógica no seu ponto de vista, mas essa lógica ignora que o Prêmio da Música Brasileira é feito para festejar uma produção de MPB que ainda se revela interessante - assim como o Grammy é organizado para consagrar a produção fonográfica já avalizada pela indústria do disco nos Estados Unidos. "A música popular brasileira NÃO É MAIS a MPB. A MPB é datada, acabou, passou!", sentencia Temporão em seu post. De fato, a MPB nascida e consagrada na era dos festivais, a partir de 1965, pode até soar datada. Mas ainda é uma música rica, sedutora, pulsante, como provam os últimos (grandes) álbuns de inéditas de Dori Caymmi (Setenta anos, 2014) e Joyce Moreno (Tudo, 2012), por exemplo. O grupo carioca Boca Livre - para citar um terceiro exemplo - lançou em 2013 álbum irretocável, Amizade, que lhe rendeu o prêmio de Melhor grupo na categoria MPB. Querer impor a essa rica produção cultural o status de ultrapassada ou careta é atitude tão preconceituosa quanto ignorar a produção de artistas alinhados com sons de estética mais contemporânea, como Alice Caymmi, Juçara Marçal, Gustavo Galo e o próprio Temporão. A música não tem fronteiras. Danilo Caymmi - ilustre representante da MPB - está gravando disco produzido por Domenico Lancellotti e Bruno Di Lullo. É dessa interação que se alimenta a música brasileira. Minimizar a MPB - e, por consequência, artistas como Maria Bethânia e Milton Nascimento (vistos na foto de Roberto Filho com seus merecido troféus de Melhor cantora e Melhor cantor de MPB) - é virar as costas para um passado glorioso da música brasileira que ainda dá saborosos frutos no presente. É provável que o corpo de jurados do Prêmio da Música Brasileira - da qual faz parte o editor de Notas Musicais - seja mais sensível aos discos dos nomes tradicionais da MPB e do samba por questão de formação musical e de geração. Mas o Prêmio da Música Brasileira nunca alardeou ser indie, embora em seu palco já tenham se apresentado artistas como Céu, Criolo, João Cavalcanti e Tulipa Ruiz. É um prêmio que renova a louvação a ícones da MPB e do samba como Alcione, Maria Bethânia e Milton Nascimento. Ídolos de música que, mesmo datada, ainda insiste em soar brilhante. Juçara Marçal é maravilhosa. Mas Joyce Moreno também é. E, como diz sentença propagada pelo próprio Facebook, música boa não tem prazo de validade. E que venha, em 2015, a 26ª edição do Prêmio da Música Brasileira!!!

Sem riscos, 25º Prêmio da Música cai alto no samba com Kidjo e Péricles

Resenha de números musicais de premiação
Título: 25º Prêmio da Música Brasileira
Artista: Vários
Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro RJ)
Data: 14 de maio de 2014
Foto: Roberto Filho
Cotação: * * * 1/2

Ao festejar suas Bodas de Prata, o Prêmio da Música Brasileira caiu sem riscos no samba, respeitando a organização e a linhagem nobre dos quintais dos bambas. Quando escapou do óbvio na formação dos números, como ao juntar a cantora africana Angélique Kidjo com o cantor Péricles em número que bebeu na fonte ao evocar toda a carga ancestral da Mãe África, a cerimônia da 25ª edição do Prêmio da Música Brasileira voou alto, derrubando fronteiras. O dueto de Kidjo (cantora nascida em Benin, pequeno país da África) com Péricles (cantor paulista de voz potente, projetado como vocalista do grupo de pagode Exaltasamba) foi o ponto mais alto e mais inusitado da apresentação roteirizada pela cantora e compositora fluminense Zélia Duncan sob a direção do empresário José Maurício Machline, idealizador do prêmio. Inclusive porque o número surpreendeu ao ecoar a obscura Sinfonia da paz - bela música de Altay Veloso lançada por Alcione no álbum Promessa (1991) e ouvida na cerimônia com o reforço de coro de tons afros - em medley com Canto das três raças (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1976), música que representou o legado luminoso da cantora mineira Clara Nunes (1942 - 1998) na história do samba. Cantando na sua língua-mãe, Kidjo arrepiou o Theatro Municipal do Rio de Janeiro na noite de 14 de maio de 2014 ao mesmo tempo em que Péricles mostrou que, quando dá voz a bom repertório, se agiganta como intérprete. Kidjo e Péricles foram instantes de ousadia. Mas a força da tradição também se impôs no roteiro que celebrava um homenageado sem nome, sobrenome ou naturalidade certa - como lembrou Zélia Duncan no seu bonito texto lido por Gilberto Gil na abertura da cerimônia apresentada pelos atores Camila Pitanga e Mateus Solano (descolados o suficiente para corrigir seus eventuais erros com charme). Além de perfilar o samba sob a ótica de Zélia, Gil fez o primeiro dos dez números musicais da cerimônia, compensando a falta de viço na voz com o toque sagaz de um violão que criou nova harmonia para o samba É luxo só (Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1957) enquanto uma esbelta Mariene de Castro dançava como a perfeita personificação da mulata retratada no samba, mesclado pela dupla com Escurinho (Geraldo Pereira, 1954). Evidente também nos arranjos do maestro Rildo Hora, a força da tradição sobressaiu no Municipal quando Beth Carvalho saudou os bambas Candeia (1935-1978), Cartola (1908-1980) e Nelson Cavaquinho (1911 - 1986) - amalgamando os sambas Preciso me encontrar (Candeia, 1976), O sol nascerá (Cartola e Elton Medeiros, 1964) e Juízo final (Nelson Cavaquinho e Élcio Soares, 1973) - e quando Paulinho da Viola reiterou sua elegância ao encerrar o evento com set em que reviveu seus sambas Timoneiro (Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho, 1996), Onde a dor não tem razão (Paulinho da Viola e Elton Medeiros, 1981) e Foi um Rio que passou em minha vida (Paulinho da Viola, 1970) com adesões do bandolinista Hamilton de Holanda e da bateria da escola de samba Portela. Dentro dos limites dessa tradição, o trio formado por Arlindo Cruz, Almir Guineto e Zeca Pagodinho hasteou alto a bandeira do samba quando deu voz aos partidos Dor de amor (Arlindo Cruz, Acyr Marques e Zeca Pagodinho, 1966), Pedi ao céu (Almir Guineto e Luverci Ernesto, 1979) e Vai vadiar (Monarco e Ratinho, 1998). Dentro de seu quintal, Maria Bethânia entrou mais uma vez na roda e cantou - com sua presença magnética, em momento iluminado - sambas que evocam o Recôncavo Baiano, em especial sua natal Santo Amaro da Purificação. E por falar na Bahia, o compositor Assis Valente (1911 - 1958) - que também veio ao mundo em Santo Amaro - teve seu samba ...E o mundo não se acabou (1938) eletrizado por Baby do Brasil, que pôs seu jazz no tema de Assis. Baby cantou emoldurada por corpo de bailarinas vestidas à moda tropicalista da cantora Carmen Miranda (1909 - 1955), intérprete original do samba de Assis. Ainda dentro da Bahia, o também elétrico Riachão mostrou energia jovial, aos 92 anos, ao dividir com o rapper paulista Criolo a interpretação de seu samba Vá morar com o diabo. Faltou interação entre os artistas, mas o vigor de Riachão fez do número um dos destaques do roteiro, que também transitou pela cidade de São Paulo (SP), lembrando a valiosa contribuição ao samba dada pelos compositores Adoniran Barbosa (1910 - 1982), Eduardo Gudin e Paulo Vanzolini (1924 - 2013), ouvidos nas vozes da paulistana Fabiana Cozza e da resistente Leci Brandão (sambista carioca que tem tido mais público em Sampa do que na sua cidade natal). Mas como o samba também é natural do Rio de Janeiro - embora Zélia tenha lá sua razão ao apontar a incerteza dessa naturalidade - um trio de cantores projetados na revitalizada Lapa nos anos 2000 (João Cavalcanti, Moyseis Marques e Pedro Miranda) lembrou outros bambas do samba. Em constante evolução como cantor, João deu bela voz  a Quem te viu quem te vê (Chico Buarque, 1966). Moyseis reiterou a beleza melódica e poética de Além da razão (Sombrinha, Sombra e Luiz Carlos da Vila, 1988). Já Pedro puxou Não deixe o samba morrer (Edson Conceição e Aluísio, 1975). Cabe lamentar a ausência no roteiro de sambas de Noel Rosa (1910-1937), Dorival Caymmi (1914-2008) e Martinho da Vila, compositores de estilos originais que apontaram caminhos para o samba ao entrarem em cena. Mesmo assim, enraizados nas tradições do gênero que celebrava, os dez números musicais da 25ª edição do Prêmio da Música Brasileira honraram a história desse homenageado sem nome e sem sobrenome, mas que tem identidade e até pode ser chamado - como cunhou Altay Veloso em samba que deu título a álbum lançado por Alcione em 1994 - de Brasil de Oliveira da Silva do Samba, país mulato e viril de identidade transbordante.

Roteiro de prêmio em tributo ao samba enfatiza Cacique entre omissões

Diante da impossibilidade de abarcar todos os nomes representativos da história do samba, o roteiro dos dez números musicais da 25ª edição do Prêmio da Música Brasileira apontou vertentes - como o samba feito pelos bambas de São Paulo e o samba de roda cultivado no Recôncavo Baiano - e realçou a produção portentosa dos compositores do Rio de Janeiro (RJ), sobretudo os  projetados na quadra do bloco Cacique de Ramos, no Rio de Janeiro, entre o fim dos anos 1970 e o início dos anos 1980. Amadrinhada por Beth Carvalho, essa geração - que inclui Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho, entre outros - esteve bem representada no roteiro apresentado por vários artistas na festa-show que lotou o Theatro Municipal do Rio de Janeiro na noite de ontem, 14 de maio de 2014, em cerimônia no qual o homenageado foi o próprio samba. Mas compositores seminais - como o baiano Assis Valente (1911 - 1958), de quem Baby do Brasil (em foto de Roberto Filho) cantou ...E o mundo não se acabou (1938) em abordagem eletrizante - também foram lembrados. De todo modo, as omissões de Noel Rosa (1910-1937), Dorival Caymmi (1914-2008), Jorge Ben e Martinho da Vila mostraram que dez números musicais são insuficientes para traçar painel minimamente abrangente da evolução de um gênero já quase centenário. Eis o roteiro musical da cerimônia do 25º Prêmio da Música Brasileira, roteirizada por Zélia Duncan sob a supervisão do empresário José Maurício Machline: 

1. É luxo só (Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1957) /
    Escurinho (Geraldo Pereira, 1954) - Gilberto Gil e Mariene de Castro

2. Quem te viu quem te vê (Chico Buarque, 1966) /
    Além da razão (Sombrinha, Sombra e Luiz Carlos da Vila, 1988) /
    Não deixe o samba morrer (Edson Conceição e Aluísio, 1975)
    - João Cavalcanti, Moyseis Marques e Pedro Miranda

3. Santo Amaro Ê Ê (domínio público) /
    Quixabeira (domínio público) /
    Reconvexo (Caetano Veloso, 1989) /
    Minha Senhora (domínio público) /
    Viola Meu Bem (domínio público) /
    Reconvexo (Caetano Veloso, 1989) - Maria Bethânia

4. ...E o mundo não se acabou (Assis Valente, 1938) - Baby do Brasil
5. Chorei (Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro, 1977) /
    Saudosa maloca (Adoniran Barbosa, 1955) /
    Volta por cima (Paulo Vanzolini, 1962) - Fabiana Cozza e Leci Brandão

6. Preciso me encontrar (Candeia, 1976) /
    O sol nascerá (Cartola e Elton Medeiros, 1964) /
    Juízo final (Nelson Cavaquinho e Élcio Soares, 1973) - Beth Carvalho
7. Vá morar com o diabo (Riachão) - Criolo e Riachão
8. O canto das três raças (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1976) /
    Sinfonia da paz (Altay Veloso, 1991) - Angélique Kidjo e Péricles
9. Dor de amor (Arlindo Cruz, Acyr Marque e Zeca Pagodinho, 1986) /
    Pedi ao céu (Almir Guineto e Luverci Ernesto, 1979) /
    Vai vadiar (Monarco e Ratinho, 1998)
     - Arlindo Cruz, Almir Guineto e Zeca Pagodinho
10. Timoneiro (Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho, 1996) /
      Onde a dor não tem razão (Paulinho da Viola e Elton Medeiros, 1981) /

      Foi um Rio que passou em minha vida (Paulinho da Viola, 1970) - Paulinho da Viola

25º Prêmio da Música laureia álbuns de Ney, Edu, Das Neves e Caymmi

A expressão de felicidade de Ney Matogrosso - captada pelas lentes do fotógrafo Roberto Filho - traduz o orgulho do artista por ter sido laureado no 25º Prêmio da Música Brasileira com os troféus de Melhor cantor e Melhor álbum (Atento aos sinais, Som Livre, 2013) na categoria Pop / rock / reggae / hip hop / funk. Roteirizada pela cantora e compositora Zélia Duncan em torno do samba, homenageado da 25ª edição do prêmio idealizado e dirigido pelo empresário José Maurício Machline, a cerimônia de entrega dos prêmios aconteceu na noite de quarta-feira, 14 de maio de 2014, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, na cidade natal da premiação, o Rio de Janeiro (RJ). Além de Ney, merecidamente reconhecido por ainda estar fazendo CDs tão arrojados quanto os discos do início de sua carreira solo, o 25º Prêmio da Música Brasileira laureou álbuns de Adriana Calcanhotto (mentora da contemporânea releitura do repertório do projeto infantil Arca de Noé, de Vinicius de Moraes), Ângela Maria & Cauby Peixoto (Reencontro, mais uma brava ação do produtor Thiago Marques Luiz para manter os dois veteranos cantores em atividade), Edu Lobo (o majestoso disco gravado ao vivo com a Metropole Orkest), Famíia Caymmi (Caymmi, irretocável tributo ao centenário de nascimento de Dorival Caymmi), Hamilton de Holanda (um tributo ao seminal Pixinguinha), Osesp e Wilson das Neves (o superestimado Se me chamar, ô sorte), entre outros nomes. Eis todos os álbuns premiados em 14 de maio nas diversas categorias 25º edição do Prêmio da Música Brasileira:

* Canção popular - Reencontro (Ângela Maria e Cauby Peixoto) 
* Eletrônico - Carnaval beach club vol. 1 (Rodrigo Sha)
* Erudito - Heitor Villa-Lobos - Sinfonia nº 6 e nº 7 (Osesp)
* Infantil - Arca de Noé (vários artistas)
* Instrumental - Mundo de Pixinguinha (Hamilton de Holanda)
* Língua estrangeira - Leila Maria canta Billie Holiday in Rio (Leila Maria)
* MPB - Edu Lobo e Metropole Orkest (Edu Lobo e Metropole Orkest)
* Pop / rock / reggae / hip hop / funk - Atento aos sinais (Ney Matogrosso)
* Projeto especial - Caymmi (Danilo Caymmi, Dori Caymmi e Nana Caymmi)
* Projeto visual - Arca de Noé (vários artistas)
* Regional - Zulusa (Patrícia Bastos)
* Samba - Se me chamar, ô sorte (Wilson das Neves)
* DVD - Criolo & Emicida ao vivo (Criolo e Emicida)

Homenagem póstuma a quem saiu de cena abre o 25º Prêmio da Música

Já está virando tradição no Prêmio da Música Brasileira a homenagem póstuma aos cantores e músicos que saíram de cena no ano que precede o prêmio. Na 25ª edição do prêmio, realizada na noite de 14 de maio de 2014 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, o tributo póstumo abriu a cerimônia com discurso do José Maurício Machline. Empresário idealizado do Prêmio da Música Brasileira, Machline lembrou especialmente da homenagem prestada a Jair Rodrigues (1939 - 2014) na edição de 2006 enquanto o telão projetava fotos e vídeo com trecho em que o cantor paulista - visto atrás de Machline na imagem do fotógrafo Roberto Filho - chorou de emoção na noite em que sua vida e obra foram celebradas no Prêmio da Música Brasileira. Ágil, a produção do prêmio inclui até foto de Alexandre Pessoal (1974 - 2014) - cantor carioca falecido na noite de anteontem, 13 de maio - entre as imagens de nomes como Délcio Carvalho (1939 - 2013), Dominguinhos (1941 - 2013), João Araújo (1935 - 2013), Nelson Ned (1947 - 2014), Oscar Castro Neves (1940 - 2013) e Reginaldo Rossi (1944 - 2013). Em contrapartida, Márcio Antonucci (1945 - 2014) - cantor e produtor musical paulista, projetado nos anos 1960, na Jovem Guarda, como integrante da dupla Os Vips - foi esquecido.

sábado, 3 de maio de 2014

Arlindo, Beth, Dudu e Mariene se juntam em turnê que vai virar CD e DVD

Pelo quarto ano consecutivo, o Prêmio da Música Brasileira vai ser desdobrado em um show itinerante que vai sair em turnê nacional que estreia em 15 e 16 de maio de 2014 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro - na cidade do Rio de Janeiro (RJ), sede da premiação - e cuja rota prevê apresentações em São Luís (MA) (em 20 de maio), Belém (PA) (em 22 de maio), Parauapebas (PA) (em 25 de maio), Belo Horizonte (MG) (em 28 de maio), Vitória (ES) (em 31 de maio) e Corumbá (MS) (em 3 de junho). Arlindo Cruz, Beth Carvalho, Dudu Nobre e Mariene de Castro integram o elenco fixo do show roteirizado pelo empresário José Maurício Machline - criador do Prêmio da Música Brasileira - com consultoria de Beth. Homenagem ao samba, o show vai ser gravado ao vivo - já nas duas apresentações cariocas que iniciam a turnê - para dar origem a CD e DVD que serão editados no segundo semestre de 2014. Esse elenco fixo vai ter adesões diferentes em cada cidade. Nas apresentações que serão gravadas ao vivo no Rio, Angelique Kidjo, Beatriz Rabello, Péricles e Xande de Pilares vão se juntar a Arlindo, Beth, Dudu e Mariene ao longo do roteiro que prevê solos, duetos e números coletivos. Foi um rio que passou em minha vida (Paulinho da Viola, 1970), Juízo final (Nelson Cavaquinho e Élcio Soares, 1973) e O mar serenou (Candeia, 1975) são alguns sambas-hits incluídos no repertório.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Fotos valorizam livro que faz leitor penetrar na festa da música brasileira

Resenha de livro
Título: Prêmio da Música Brasileira - 25 anos
Autor: Antonio Carlos Miguel
Editora: Edições de Janeiro
Cotação: * * * 1/2

De caráter documental e oficial, o livro sobre o Prêmio da Música Brasileira historia os 25 anos da premiação musical carioca que se tornou - ao longo dessas duas décadas e meia - a mais importante do Brasil pela própria longevidade e, sobretudo, por aglutinar e mobilizar artistas de todos os escalões e tendências do mercado fonográfico nacional. Embora jamais tenha alterado o status de seus vencedores na mídia e no próprio mercado da música, o prêmio - idealizado pelo empresário carioca José Maurício Machline e existente desde 1988 - é sempre notícia pela concentração de artistas e pelas belas homenagens prestadas a cantores e compositores vivos ou mortos com inéditos números musicais criados em torno da obra do homenageado do ano - números que pontuam a fluente cerimônia de entrega dos prêmios e que promovem encontros inusitados entre os artistas. Obviamente, por seu caráter chapa branca, o livro documenta a evolução do prêmio sem tecer críticas às cerimônias ou ao critérios de avaliação de CDs e DVDs pelo júri formado por críticos musicais, cantores e músicos. Mesmo assim, tal documento se revela relevante para quem se interessa pela história da música brasileira. O alto preço da publicação nas livrarias - R$ 120 - é justificado pelo luxuoso formato de livro de arte. Mais do que os textos objetivos escritos pelo jornalista Antonio Carlos Miguel, que descreve cada cerimônia ano por ano e perfila cada artista homenageado em breves ensaios publicados em folhetos encartados no livro (inovação de Gringo Cardia, design da publicação), são as fotos que contam muito da história do prêmio e falam nas entrelinhas. Expostas em tamanhos grandes, não raro ocupando uma página inteira, as imagens dão status de livro de arte a Prêmio da Música Brasileira - 25 anos, que ao fim lista todos os vencedores das 24 edições já realizadas (a 25ª está programada para maio deste ano de 2014 e inova ao homenagear não um nome, mas um gênero, o samba). Logo nas primeiras páginas, foto grande da cantora carioca Elizeth Cardoso (1920 - 1990) sentada ao lado do também carioca Renato Russo (1960 - 1996) na plateia do teatro do Hotel Nacional - sede no Rio de Janeiro (RJ) da primeira edição do prêmio, realizada em 31 de maio de 1988 - vale mais do que mil palavras sobre o poder aglutinador do Prêmio da Música Brasileira. Às vezes, a foto nem tem muito foco ou beleza plástica, mas eterniza momento inusitado que deu o que falar na mídia - caso da imagem que flagra Gilberto Gil usando saia sobre calça na premiação de 1993, em modelito bisado por seu parceiro e amigo Caetano Veloso em combinação estratégica que fez os figurinos dos artistas baianos serem mais destacados no Ano Ângela Maria & Cauby Peixoto do que a distribuição dos prêmios. Folhear o livro é repisar os caminhos da música brasileira ao longo desses 25 anos, concluindo que o prêmio foi justo ao eleger o cantor e compositor pernambucano Lenine a revelação de 1998 - categoria que também fez justiça ao laurear o rapper paulista Criolo como a revelação da edição de 2012. Folhear o livro também é perceber, pelas fotos, como alguns artistas antes tão presentes na premiação foram se tornando presenças cada vez mais raras até sumir de cena por não terem conseguido se manter em evidência no mercado e na mídia - caso da cantora paulista Rosana, que faturou diversos prêmios de melhor cantora na categoria Canção Popular (um eufemismo para brega) entre o fim dos anos 1980 e o início da década de 1990. Enfim, goste-se ou não do Prêmio da Música Brasileira e do empresário José Maurício Machline (e há quem desdenhe - ou finja desdenhar - de ambos), a instantânea e total adesão da classe musical ao prêmio legitima desde 1998 a iniciativa do empresário. Se as (sutis) mutações do prêmio foram muitas ao longo dos 25 anos, como lembram os textos de Antonio Carlos Miguel, as fotos expostas no livro Prêmio da Música Brasileira - 25 anos falam por si só. O prêmio é a maior festa da música brasileira. O livro convida o leitor a penetrar na concorrida festa anual.

terça-feira, 15 de abril de 2014

25º prêmio da música une Careqa, Cauby e Monobloco na canção popular

Categoria quase sempre sujeita a distorções ao longo das 25 edições do Prêmio da Música Brasileira, Canção popular -  nome que, em sua origem, já simboliza um eufemismo para brega - junta neste ano de 2014 três álbuns de universos musicais bem distintos. Reencontro (Nova Estação, 2013) - terceiro disco gravado em dupla pelos cantores fluminenses Ângela Maria e Cauby Peixoto - concorre ao prêmio de Melhor Álbum nessa genérica categoria com Made in China (oitavo CD de Carlos Careqa, editado em 2013 pelo selo BED, deste compositor catarinense radicado em São Paulo e mais associado à cena indie do que à canção popular) e com Arrastão da alegria (Som Livre, 2013), segundo álbum de estúdio do carnavalesco grupo carioca, habituado a trazer sucessos da MPB e do pop nacional para o universo do samba. Tirados dos 103 indicados em 16 categorias, os vencedores do 25º Prêmio da Música Brasileira serão conhecidos em cerimônia agendada para o dia 14 de maio de 2014 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, no Rio de Janeiro (RJ). Eis álbuns indicados em outras categorias:

Álbum erudito:
* Concerto antropofágico - Osesp
* Heitor Villa-Lobos (Sinfonias n° 6 e n° 7) - Osesp
* Rachmaninov - Osesp

Álbum infantil:
* A família - Cria
* Arca de Noé - vários artistas
* Rabiola, ola, catibiribola - Silvia Negrão

Álbum instrumental:
* Continente - Yamandu Costa
* Mundo de Pixinguinha - Hamilton de Holanda
* Ninho de vespa - Spok Frevo Orquestra

Álbum em língua estrangeira:
* As canções do Rei - Leny Andrade
* Leila Maria canta Billie Holiday in Rio - Leila Maria
* Zeski - Tiago Iorc

Álbum projeto especial:
* Ao vivo - Marcos Valle e Stacey Kent
* Caymmi - Danilo Caymmi, Dori Caymmi e Nana Caymmi
* Sambabook - Martinho da Vila

Álbum projeto visual:
* Arca de Noé - Vários artistas
* Atento aos sinais - Ney Matogrosso
* Todo dia é o dia do mundo - Lula Queiroga

Álbum regional:
* 3 Brasis - 3 Brasis
* Quinteto Violado canta Gonzagão - Quinteto Violado
* Zulusa - Patrícia Bastos

Gal e Zélia disputam 25º prêmio da música com rappers na categoria DVD

Categoria especial do Prêmio da Música Brasileira que abrange todos os gêneros musicais, o troféu de melhor DVD vai ser disputado de forma acirrada na 25ª edição da premiação por dois rappers paulistanos, Criolo e Emicida, com duas cantoras. Os rappers concorrem com Gal Gosta e Zélia Duncan por conta do DVD Criolo & Emicida ao vivo, registro de show que uniu os dois artistas da cena hip hop de São Paulo. Com fôlego, Gal está no páreo com Recanto ao vivo, DVD que perpetua com requinte o consagrado show baseado no renovador álbum Recanto (2011). Mas Gal tem em Zélia Duncan concorrente de igual peso. A artista fluminense também pode levar o prêmio por Totatiando, primoroso registro do espetáculo teatral em que Zélia dá voz e vida a músicas do compositor paulista Luiz Tatit sob a fina direção da atriz Regina Braga.

Recordista do 25º prêmio da música, Das Neves enfrenta baiano Riachão

O cantor, compositor e baterista carioca Wilson das Neves é o recordista de indicações da 25ª edição do Prêmio da Música Brasileira. Por conta de seu quarto disco como cantor, Se me chamar, ô sorte (MP,B Discos / Universal Music, 2013), o artista disputa consigo mesmo o prêmio de Melhor canção. Todas as três músicas que concorrem na categoria - Cara de queixa (Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro, 2013), Samba para João (Wilson das Neves e Chico Buarque, 2013) e Se me chamar, ô sorte (Wilson das Neves e Cláudio Jorge) - são oriundas incrivelmente do mesmo disco de Das Neves. Diante desse feito inusitado, o CD Se me chamar, ô sorte obviamente concorre ao troféu de Melhor álbum na categoria samba, disputando o prêmio com Matéria-prima (disco de inéditas lançado de forma independente em 2013 pelo cantor e compositor carioca Sombrinha) e com Mundão de ouro (disco do compositor baiano Riachão). Cabe lembrar que o samba é o homenageado de 2014 na premiação idealizada e produzida pelo empresário José Maurício Machline. Tirados dos 103 indicados em 16 categorias, os vencedores do 25º Prêmio da Música Brasileira serão conhecidos em cerimônia agendada para o dia 14 de maio de 2014 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, no Rio de Janeiro (RJ).

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Álbuns de Edu, Gal, Joyce, Ney e Ramil disputam o 25º prêmio da música

Edu Lobo, Gal Costa, Joyce Moreno, Lula Queiroga, Ney Matogrosso e Vitor Ramil estão entre os 103 nomes indicados nas 16 categorias da 25ª edição do Prêmio da Música Brasileira. Todos têm discos concorrendo a prêmios de melhor álbum nas categorias MPB e Pop / Rock / Reggae / Hip hop / Funk. Mas chama atenção fato inédito na história do prêmio idealizado e produzido pelo empresário José Maurício Machline: indicado a melhor álbum de Pop / Rock / Reggae / Hip hop / Funk, o quarto disco solo do cantor e compositor pernambucano Lula Queiroga, Todo dia é o fim do mundo (2011), já havia disputado em 2012 o mesmo prêmio, na mesma categoria, na 23ª edição do Prêmio da Música Brasileira. A sua nova (discutível...) indicação é resultante de o CD ter sido reeditado em 2013 pela gravadora Universal Music, dois anos após Queiroga ter lançado o disco de forma independente. Seja como for, Todo dia é o fim do mundo vai disputar o troféu com Atento aos sinais (Som Livre, 2013 - registro de estúdio do atual show do cantor Ney Matogrosso) e com Recanto ao vivo (Universal Music, 2013 - registro ao vivo do atual show da cantora Gal Costa). Na categoria MPB, os três CDs indicados ao troféu de melhor álbum do gênero são Edu Lobo & Metropole Orkest (Biscoito Fino, 2013), Foi no mês que vem (Satolep Music, 2013 - CD duplo revisionista do compositor gaúcho Vitor Ramil) e Tudo (Biscoito Fino, 2013 - álbum de inéditas gravado por Joyce Moreno em 2012 para o mercado japonês). Os 103 indicados foram revelados hoje, 14 de abril de 2014.