Edu Lobo, Gal Costa, Joyce Moreno, Lula Queiroga, Ney Matogrosso e Vitor Ramil estão entre os 103 nomes indicados nas 16 categorias da 25ª edição do Prêmio da Música Brasileira. Todos têm discos concorrendo a prêmios de melhor álbum nas categorias MPB e Pop / Rock / Reggae / Hip hop / Funk. Mas chama atenção fato inédito na história do prêmio idealizado e produzido pelo empresário José Maurício Machline: indicado a melhor álbum de Pop / Rock / Reggae / Hip hop / Funk, o quarto disco solo do cantor e compositor pernambucano Lula Queiroga, Todo dia é o fim do mundo (2011), já havia disputado em 2012 o mesmo prêmio, na mesma categoria, na 23ª edição do Prêmio da Música Brasileira. A sua nova (discutível...) indicação é resultante de o CD ter sido reeditado em 2013 pela gravadora Universal Music, dois anos após Queiroga ter lançado o disco de forma independente. Seja como for, Todo dia é o fim do mundo vai disputar o troféu com Atento aos sinais (Som Livre, 2013 - registro de estúdio do atual show do cantor Ney Matogrosso) e com Recanto ao vivo (Universal Music, 2013 - registro ao vivo do atual show da cantora Gal Costa). Na categoria MPB, os três CDs indicados ao troféu de melhor álbum do gênero são Edu Lobo & Metropole Orkest (Biscoito Fino, 2013), Foi no mês que vem (Satolep Music, 2013 - CD duplo revisionista do compositor gaúcho Vitor Ramil) e Tudo (Biscoito Fino, 2013 - álbum de inéditas gravado por Joyce Moreno em 2012 para o mercado japonês). Os 103 indicados foram revelados hoje, 14 de abril de 2014.
Guia jornalístico do mercado fonográfico brasileiro com resenhas de discos, críticas de shows e notícias diárias sobre futuros lançamentos de CDs e DVDs. Do pop à MPB. Do rock ao funk. Do axé ao jazz. Passando por samba, choro, sertanejo, soul, rap, blues, baião, música eletrônica e música erudita. Atualizado diariamente. É proibida a reprodução de qualquer texto ou foto deste site em veículo impresso ou digital - inclusive em redes sociais - sem a prévia autorização do editor Mauro Ferreira.
Mostrando postagens com marcador Vitor Ramil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vitor Ramil. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 14 de abril de 2014
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Bom de papo e de música, Ramil reabre seu livro em ótimo show no Rio
Título: Foi no mês que vem
Artista: Vitor Ramil (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Theatro Net Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 15 de outubro de 2013
Cotação: * * * *
A vida musical de Vitor Ramil é um livro aberto. Literalmente. Lançado simultaneamente com o revisionista álbum duplo Foi no mês que vem (Satolep Music, 2013), o Songbook Vitor Ramil (Belas Letras, 2013) desfolha conceitos sobre as páginas mais expressivas do cancioneiro do cantor e compositor gaúcho. Páginas de livro que Ramil reabriu no Rio de Janeiro (RJ), na noite de 15 de outubro de 2013, ao apresentar no Theatro Net Rio Foi no mês que vem, show de caráter retrospectivo como o refinado disco duplo que o inspirou. Foi um longo show, como reconheceu o artista ao se despedir de seu público carioca. É que Ramil é tão bom de papo quanto de música, o que gerou histórias entre uma música e outra. Falatório que prende a atenção da plateia, pelo humor mordaz das tiradas de Ramil, e que evita que o show se torne linear, já que o roteiro é essencialmente autoral. Só que a música é tão boa quanto o papo. A sós com seus três violões, revezados ao longo da apresentação, Ramil também segura a a atenção da plateia quando dá voz a canções como Invento (Vitor Ramil, 2007) - propagada na voz de Ney Matogrosso no show Beijo bandido (2008) - e Espaço (Vitor Ramil, 2000). São páginas trabalhadas na poesia e no apuro. Na estreia carioca do show, a entrada em cena de Ian Ramil, filho do artista, abriu o amplo leque de participações, recorrentes ao longo da apresentação. Ian marcou presença afetiva em Passageiro (Vitor Ramil, 1987) em número que cresceu com os vocais em uníssono de pai e filho. Na sequência, a partir de Ramilonga (Vitor Ramil, 1997), o virtuoso violonista argentino Carlos Moscardini se fez ouvir em set com cinco músicas. A primeira delas - o Tango da independência, composto por Ramil com Paulo Seben para disco de 1987, Tango, mas nunca efetivamente gravado na íntegra pelo cantor até o registro do álbum Foi no mês que vem - expôs a interação da música de Ramil, enraizada na tradições do Sul do Brasil sem ranços folclóricos, com o universo musical portenho. Acima de latitudes, paira a beleza melódica da milonga Deixando o pago (Vitor Ramil e João da Cunha Vargas, 2004) e de Noite de São João (Vitor Ramil sobre poema de Fernando Pessoa, 1997), tema que ganhou o reforço vocal de Kleiton & Kledir - dupla formada por irmãos de Ramil - e que foi composta com inspiração no clima de Estrela, estrela (Vitor Ramil, 1981), canção que se tornou o primeiro sucesso do cancioneiro do artista, tendo sido gravada pelas cantoras Gal Costa e Maria Rita, e que foi alocada no roteiro antes do tema junino. Em número solo, incrementado com imagem projetada em telão, a obra-prima Loucos de cara (Vitor Ramil, 1987) deixou no show a mesma impressão do disco: a sensação de que se trata de música que pede mais do que um violão para ter exposta sua força épica. Na sequência, a entrada em cena do percussionista Marcos Suzano alterou toda a dinâmica do show. Com mais molho, o set com Suzano - composto por Livro aberto (Vitor Ramil, 2007), Neve de papel (Vitor Ramil, 1995) e Viajei (Vitor Ramil, 2007) - reiterou a precisão da estética do calor gerado pela interação entre percussão e violão, mote do disco Satolep sambatown (2007), gravado por Ramil com Suzano. Ainda com Suzano em cena, a cantora Katia B entrou no palco do Theatro Net Rio para fazer boa participação vocal em Que horas não são? - canção de Ramil que B lançou em 2000 e que Ramil somente veio a gravar em 2007 - e em Joquim (Joey) (Bob Dylan e Jacques Levy em versão em português de Vitor Ramil, 1987), longo número em que a entrada da voz da cantora, no refrão, fez toda a diferença. Veio, então, a participação de Milton Nascimento, recebido como entidade por Ramil para cantar (em tons amenos) Não é céu (Vitor Ramil, 1995) e Morro velho (Milton Nascimento, 1967), números em que o trem mineiro cruzou harmoniosamente os vastos trilhos do Sul do Brasil. No fim, Ramil se valeu de Astronauta lírico (Vitor Ramil, 2000) para encerrar o show com o mesmo efeito poético obtido por Ney Matogrosso no bis de seu show Atento aos sinais. No bis, com as adesões do baixista André Gomes (presente nos números feitos com Milton), de Suzano e Moscardini, Ramil desfolhou outra página de seu cancioneiro, Grama verde (Vitor Ramil e André Gomes, 1995), para, então, fechar livro que se conserva em perfeito estado, resistindo aos efeitos do tempo.
Trem mineiro de Milton cruza o trilho gaúcho de Vitor Ramil em show no Rio
♪ O trem mineiro de Milton Nascimento cruzou novamente o trilho gaúcho de Vitor Ramil na estreia carioca de Foi no mês que vem, show baseado no homônimo álbum duplo em que o artista dos Pampas revisa seu refinado cancioneiro. Carioca de alma mineira, Milton foi um dos convidados do show feito por Ramil no Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 15 de outubro de 2013, em apresentação no Theatro Net Rio. Milton refez ao vivo sua participação na música Não é céu (Vitor Ramil, 1995), bisando o dueto gravado para o CD Foi no mês que vem. O número teve as adesões do baixista André Gomes e do percussionista Marcos Suzano. Na sequência, o violonista argentino Carlos Moscardini se juntou ao quarteto para participar da Morro velho (Milton Nascimento, 1967), único número em que Ramil se desviou do trilho autoral de roteiro que abriu espaço para a entrada do percussionista Marcos Suzano (com quem Ramil gravou o álbum Satolep sambatown) e para as intervenções vocais do filho Ian Ramil, de Katia B e Kleiton & Kledir. Eis o roteiro seguido por Vitor Ramil - com Milton na foto de Rodrigo Goffredo - na estreia carioca do show Foi no mês que vem:
1. Foi no mês que vem (Vitor Ramil, 1995)
2. Invento (Vitor Ramil, 2007)
3. Espaço (Vitor Ramil, 2000)
4. A resposta (Vitor Ramil, 1995)
5. Passageiro (Vitor Ramil, 1987)
- com Ian Ramil
6. Ramilonga (Vitor Ramil, 1997)
- com Carlos Moscardini
7. Tango da independência (Vitor Ramil e Paulo Seben, 1987)
- com Carlos Moscardini
8. Estrela, estrela (Vitor Ramil, 1981)
- com Carlos Moscardini
9. Noite de São João (Vitor Ramil sobre poema de Fernando Pessoa, 1997)
- com Carlos Moscardini
10. Deixando o pago (Vitor Ramil e João da Cunha Vargas, 2004)
- com Carlos Moscardini
11. Loucos de cara (Vitor Ramil, 1987)
12. Livro aberto (Vitor Ramil, 2007)
- com Marcos Suzano
13. Neve de papel (Vitor Ramil, 2004)
- com Marcos Suzano
14. Viajei (Vitor Ramil, 2007)
- com Marcos Suzano
15. Que horas não são? (Vitor Ramil, 2000)
- com Katia B e Marcos Suzano
16. Joquim (Joey) (Bob Dylan e Jacques Levy em versão em português de Vitor Ramil, 1987)
- com Katia B e Marcos Suzano
17. Não é céu (Vitor Ramil, 1995)
- com Milton Nascimento, Marcos Suzano e André Gomes
18. Morro velho (Milton Nascimento, 1967)
- com Milton Nascimento, Marcos Suzano, Carlos Moscardini e André Gomes
19. Astronauta lírico (Vitor Ramil a partir de Vielimir Khlébnikov e Haroldo de Campos, 2007)
20. Grama verde (Vitor Ramil e André Gomes, 1995)
- com Carlos Moscardini, Marcos Suzano e André Gomes
Katia B volta no tempo ao cantar 'Que horas não são?' em show de Ramil
Quando procurava repertório para seu primeiro álbum, lançado em 2000, a cantora carioca Katia B pediu música ao compositor gaúcho Vitor Ramil. Ganhou Que horas não são?, destaque do disco Katia B. Sete anos depois, ao gravar sua própria composição em Satolep sambatown (2007), CD assinado com o percussionista Marcos Suzano, Ramil convidou B para pôr nova voz em Que horas não são?. Por isso, fez todo sentido a participação da cantora na estreia no Rio de Janeiro (RJ) de Foi no mês que vem, show em que Ramil revisa seu cancioneiro nos mesmos tons acústicos do recém-lançado homônimo disco duplo. Uma das convidadas da apresentação que seduziu o público do Theatro Net Rio na noite de 15 de outubro de 2013, B (com Ramil na foto de Rodrigo Amaral) cantou Que horas não são? - em número feito com a adição da percussão de Marcos Suzano - e, na sequência, reforçou o refrão de Joquim (Joey) (Bob Dylan e Jacques Levy em versão em português de Vitor Ramil, 1987). Bela volta no tempo!
Tema junino 'original' junta Vitor Ramil aos irmãos Kleiton e Kledir no Rio
Ao se reunir no palco do Theatro Net Rio com seus irmãos Kleiton e Kledir Ramil, na estreia do show Foi no mês que vem no Rio de Janeiro (RJ) em 15 de outubro de 2013, Vitor Ramil aproveitou a oportunidade para contar causo referente ao número do qual a dupla gaúcha iria participar, Noite de São João, música composta por Ramil sobre versos do poeta português Fernando Pessoa (1888 - 1935). É que a melodia do tema junino - somente gravado em 1997 por Ramil, mas composto em 1981, quando o artista ainda iniciava carreira - foi criada por Ramil na casa em que Kleiton & Kledir viviam no Rio de Janeiro (RJ) na época. Durante uma madrugada, Ramil quebrou o silêncio noturno da casa às voltas com a criação da música. Contudo, para sua surpresa, na manhã seguinte Kledir Ramil apareceu com uma música inédita, também intitulada Noite de São João. Feita por Kledir com Pery Souza, a outra Noite de São João foi gravada ainda em 1981 no segundo álbum da dupla. Por isso mesmo, com humor mordaz, Vitor Ramil - visto com os irmãos na foto de Rodrigo Amaral - fez questão de ressaltar que iria cantar com os irmãos, no Theatro Net Rio, a "original" Noite de São João.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
'Foi no mês que vem' confunde o tempo ao resumir grande obra de Ramil
Resenha de CD
Título: Foi no mês que vem
Artista: Vitor Ramil
Gravadora: Satolep Music
Cotação: * * * * 1/2
Título: Foi no mês que vem
Artista: Vitor Ramil
Gravadora: Satolep Music
Cotação: * * * * 1/2
Música lançada por Vitor Ramil em seu álbum de pegada mais roqueira, À beça (1995), Foi no mês que vem embaralha a noção de tempo em seu título. Talvez por isso mesmo a canção tenha sido escolhida para abrir e batizar o disco duplo em que o compositor gaúcho compila sua obra, já grande na qualidade e na quantidade. Com gravações inéditas de 32 músicas selecionadas entre os nove álbuns de Ramil, o CD duplo Foi no mês que vem também brinca com a noção de tempo ao reapresentar em novas embalagens canções velhas que, no entanto, podem soar novas. Sobretudo para quem está se iniciando na obra de Ramil no momento em que suas músicas ganham projeção adicional na voz do cantor Ney Matogrosso. Sucesso do penúltimo disco e show de Ney, Beijo bandido (2009), Invento (2007) figura no repertório aclimatado na ambiência acústica - criada pela predominância de violões nos arranjos - que pauta este álbum retrospectivo produzido pelo próprio Ramil e gravado entre Brasil e Argentina. Enraizado nas tradições musicais dos Pampas, mas sem qualquer ranço folclórico, o cancioneiro de Ramil sempre foi embebido em fina poesia e tem um requinte melódico que se esconde na aparente simplicidade de músicas como Grama verde (Vitor Ramil e André Gomes, 1995) - gravada para Foi no mês que vem com a percussão precisa de Marcos Suzano, com quem Ramil já dividiu inspirado álbum, Satolep sambatown (2007) - e Neve de papel (2004), composição gravada com a Orquestra de Câmara Theatro São Pedro, cujas cordas, arranjadas por Wagner Cunha, adornam também Livro aberto (2007), Perdão (2004) e O primeiro dia (2004). O rodízio de convidados - recrutados entre Argentina, Brasil e Uruguai - impede que a longa revisão soe linear, caindo na monotonia que acomete alguns álbuns de formato acústico. Em tom outonal, Milton Nascimento põe sua voz em Não é céu (1995). Além de tocar mellotron, o roqueiro argentino Fito Paez se aventura a cantar em português carregado Espaço (2000), uma das mais envolventes canções de Ramil. Além de dar voz a À beça (1995), o também argentino Pedro Aznar toca baixo e cuatro venezuelano na faixa. A harmônica de outro argentino, Franco Luciani, aviva a pulsação de Valérie (2000). E tudo soa natural, pois a obra de Ramil dialoga bem com o caloroso universo musical portenho, embora tenha nascido sob a égide da Estética do frio, termo criado pelo próprio Ramil para conceituar temas como Ramilonga (1997), música que exemplifica a habilidade do compositor para se apropriar dos ritmos do Sul com linguagem contemporânea. Há, a propósito, um caráter cosmopolita no cancioneiro de Ramil que faz com que soe natural que uma de suas músicas, Noa noa (2004), reapareça em Foi no mês que vem com leitura em francês (por Isabel Ramil) de trecho do livro homônimo da canção lançada no álbum Longes (2004). Tal cancioneiro adquire por vezes contorno épico em temas como Tango da independência (Vitor Ramil e Paulo Seben) - música que reforça o elo do compositor com o universo portenho e que até então não fazia parte da discografia oficial de Ramil - e Joquim, longa versão de Joey (Bob Dylan e Jacques Levy) feita por Ramil para Tango, o álbum de 1987 que apresentou outra obra-prima de tom épico, Loucos de cara (Kleiton Ramil e Vitor Ramil), música que pede mais do que um violão no arranjo. Acima de rótulos e conceitos, paira a beleza melódica e poética de canções como Astronauta lírico (Vitor Ramil a partir de Vielimir Khlébnikov e Haroldo de Campos, 2007) - música que encerra o bis do atual show de Ney Matogroso, Atento aos sinais - e Deixando o pago (Vitor Ramil e João da Cunha Vargas, 2004). Ney, aliás, também figura na lista de convidados de Foi no mês que vem, dando voz a Que horas não são? (2000). Vasto, o time de convidados inclui também o uruguaio Jorge Drexler - que se harmoniza com Ramil ao cantar Viajei (2007) em português desenvolto - e os manos Kleiton & Kledir, que se unem ao irmão desgarrado (apenas musicalmente) em Noite de São João (Vitor Ramil sobre poema de Fernando Pessoa, 1997). Enfim, Foi no mês que vem pode significar mais do mesmo para o público atento que acompanha Ramil desde seu aparecimento, em 1981, com Estrela, estrela, álbum batizado com o nome da canção - também presente entre as 32 músicas, claro - que ganhou as vozes de cantoras como Gal Costa e Maria Rita ao longo dos 32 anos de carreira fonográfica do compositor. Contudo, ao revisar sua obra com apuro, o artista dá nova vida a velhas canções, viajando no tempo com propriedade e sofisticação. Que horas não são?
terça-feira, 25 de junho de 2013
'Songbook Vitor Ramil' cristaliza e analisa belo cancioneiro do compositor
Resenha de livro
Título: Songbook Vitor Ramil
Autor: Vitor Ramil
Editora: Belas Letras
Cotação: * * * *
Título: Songbook Vitor Ramil
Autor: Vitor Ramil
Editora: Belas Letras
Cotação: * * * *
Vitor Ramil está em tempo de revisão de obra que, nos últimos anos, vem ganhando projeção além do circuito gaúcho-portenho, tanto pela propagação virtual do cancioneiro do artista como pelas já recorrentes incursões do cantor Ney Matogrosso por esse repertório, tendo Ney incluído músicas do compositor de Pelotas (RS) nos roteiros de seus shows Beijo bandido (2009 / 2012) e Atento aos sinais (2013). Além de regravar 32 músicas de seu cancioneiro no álbum duplo Foi no mês que vem, lançado e distribuído por seu selo Satolep Music neste mês de junho de 2013, o autor de Estrela, estrela (1981), Não é céu (1995) e Astronauta lírico (2007) publica simultaneamente pela editora Belas Letras o Songbook Vitor Ramil. Ao longo de suas 310 páginas, o livro revisa, cristaliza - através de partituras de 60 músicas (com harmonias, melodias, afinações, tablaturas, diagramas e letras) - e analisa essa obra em textos que procuram elucidar os cânones de repertório criado na Estética do Frio, longe demais das capitais que ditam modas e tendências musicais. "Vitor Ramil se movimenta esteticamente a partir de uma formação cultural não hegemônica, o sul do Brasil, mais precisamente uma cidade que na vida real se chama Pelotas, mas que em sua obra aparece revertida em Satolep. Não é um trocadilho pensado para fugir do imediato e óbvio reconhecimento, mas uma estratégia, talvez inconsciente, para pegar pela outra ponta, pela ponta oposta, a meada da criação artística, estratégia de quem não está no centro dominador, não pretende aderir a ele e, ao contrário, quer tomar a sua circunstância como um novo centro, o centro de um novo jeito de ler a vida", defende Luís Augusto Fischer, autor do preciso ensaio Nesta rua passa o universo, primeiro dos três textos do songbook que lançam olhares embasados sobre a obra de Ramil. De caráter biográfico, Casa, milonga, livro, canção, tempo, Satolep - texto assinado por Juarez Fonseca e entremeado com fotos de todos os tempos do artista - traça as origens familiares e sociais de Ramil, reconstituindo os principais passos da vida pessoal e profissional do cantor e compositor, inclusive os confrontos ideológicos com as gravadoras por conta da singularidade de seu cancioneiro e da firmeza da ideologia do artista. Abrangente, o texto de Fonseca sinaliza inclusive que o próximo passo de Ramil deverá ser disco de inéditas pontuado pelas parcerias com a poeta conterrânea Angélica Freitas. Já o terceiro texto - Canções, na verdade, de autoria de Celso Loureiro Chaves - radiografa a estrutura da obra de Vitor Ramil através da análise técnica de suas músicas mais emblemáticas. É quando o Songbook Vitor Ramil expõe manuscritos de canções como a obra-prima Loucos de cara (Vitor Ramil e Kleiton Ramil, 1987), Neve de papel (Vitor Ramil, 2004) e Satolep (Vitor Ramil, 1984). Por fim, a publicação da discografia do cantautor ajuda a traçar visualmente a rota de obra iniciada em 1981 e que nunca saiu dos trilhos, veiculando emoções e percepções obtidas pelo artista em sua particular Satolep, o quintal do inspirado Vitor Ramil.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Ramil produz na Argentina CD duplo revisionista baseado em 'songbook'
Vitor Ramil já iniciou em Buenos Aires, na Argentina, a produção de seu próximo álbum. Intitulado Foi no Mês que Vem, o disco vai ser duplo e tem caráter retrospectivo. O cantor e compositor gaúcho - visto em foto de Ana Ruth - vai regravar 30 músicas de sua obra autoral dentre as 60 reunidas em songbook produzido por Vagner Cunha, com assistência de Fabrício Gambogi. A intenção é que o CD - calcado na voz e no violão do artista - apresente as músicas em formato próximo de sua concepção original. Disco e songbook serão lançados no segundo semestre deste ano de 2012. Sucessor de Délibáb (2010), o disco vai ser editado pelo selo de Ramil, Satolep Music, ao passo que o livro de partituras será lançado pela Editora Belas Letras.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Com humor e Carlos Moscardini, Vitor valoriza suas 'ramilongas' em cena
Resenha de Show
Título: Délibáb
Artista: Vitor Ramil (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Solar de Botafogo (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 9 de novembro de 2010
Cotação: * * * *
Show em cartaz no Solar de Botafogo (RJ) até 10 de novembro de 2010
Título: Délibáb
Artista: Vitor Ramil (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Solar de Botafogo (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 9 de novembro de 2010
Cotação: * * * *
Show em cartaz no Solar de Botafogo (RJ) até 10 de novembro de 2010
Uma das mais perfeitas traduções musicais do universo gaúcho, Vitor Ramil expõe em cena sua fidelidade à estética do frio no show Délibáb, em cartaz no Solar de Botafogo, no Rio de Janeiro (RJ), até esta quarta-feira, 10 de novembro de 2010. Na companhia do violonista argentino Carlos Moscardini, Ramil apresenta as 13 milongas que compôs a partir de versos do argentino Jorge Luis Borges (1899 - 1986) e do gaúcho João da Cunha Vargas (1900 - 1980). Gravadas no disco Délibáb, lançado em 2009, as ramilongas são temperadas em cena pelo humor de Vitor, fino como a poesia contida nesses temas de tom ora áspero (como Mango), ora afetuoso (caso da Milonga de los Morenos, um afago de Borges nos negros da Argentina). Tocadas com as cordas de aço dos dois violões alternados por Vitor no show, aos quais se junta ao criollo vioão de nylon de Moscardini, as ramilongas montam belo painel das ideologias e costumes do Sul ao serem enfileiradas no roteiro, em especial as compostas a partir dos versos de Vargas. Curiosa e coincidentemente, Ramil se revela mais inspirado melodicamente ao musicar os versos de Vargas. Tapera, Pé de Espora, Pingo à Soga (único número em que Ramil fica à sós em cena), Querência e, sobretudo, Deixando o Pago (com um toque de toada sertaneja) são os destaques entre as 13 milongas - impressão deixada pelo disco e reiterada no show. De igual forma, a linearidade do CD não se dilui de todo em cena, ainda que os diálogos bem-humorados entre Ramil e Moscardini deem ao show um tom mais descontraído. Com bom domínio do espanhol, idioma de números como a Milonga de los Hermanos (que narra em tom cinematográfico a saga épica de dois irmãos que acabaram se trucidando, como Caim e Abel, citados na letra) e da Milonga para los Orientales (tema que Ramil arrisca registro vocal mais intenso), o compositor reafirma sua total intimidade com repertório que expõe imaginário mítico do Sul - ou uma "ilusão do Sul", como o artista diz em cena. No bis, o artista - que aos 19 anos musicou pela primeira vez um poema de Borges, Milonga de Manuel Flores, incluída no CD e show Délibáb - sai do universo desses dois poetas escritores ao reviver a melancólica Ramilonga (feita por Vitor quando migrou do Sul para o Rio de Janeiro nos anos 80), Noite de São João (composta a partir de versos do poeta português Fernando Pessoa) e Semeadura (música gravada por Mercedes Sosa com o título de Siembra). Enfim, Délibáb, o show, reitera a fidelidade de Vitor Ramil - gaúcho de fina estampa - ao seu universo particular, ainda longe demais das capitais, mas perto do já lendário Sul habitado no imaginário afetivo do brasileiro.
Assinar:
Postagens (Atom)








