Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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sábado, 28 de maio de 2016

Trilha sonora de filme destaca canção inédita gravada por Milton Nascimento

A IMAGEM DO SOM - Extraída de vídeo postado na página do filme O outro lado do paraíso no Facebook, a foto flagra Milton Nascimento tocando violão no estúdio onde fez a gravação de música inédita, Ventos irmãos. Composta por Patrick de Jongh, autor da trilha sonora do longa-metragem filmado sob direção de André Ristum, a canção Ventos irmãos foi gravada pelo cantor e compositor carioca (de vivência mineira) para a trilha sonora do filme inspirado em obra do escritor mineiro Luiz Fernando Emediato, amigo de Milton. Na gravação, Milton também tocou acordeom. O filme O outro lado do paraíso entrará em circuito na próxima quinta-feira, 2 de junho de 2016.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

'Tarde' cai muito bem no clima outonal do canto mítico de Milton Nascimento

Resenha de show
Título: Tarde
Artista: Milton Nascimento (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Teatro Bradesco (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 4 de fevereiro de 2016
Cotação: * * * 1/2

Milton Nascimento já é uma entidade da MPB. Aos 73 anos, o cantor, compositor e músico carioca - de alma musical mineira - já perdeu parte da força física e da potência da voz divina. Contudo, Milton acende a aura já mítica erguida em torno da figura do artista sempre que entra em cena - como na noite de ontem, 4 de fevereiro de 2016, quando pisou no palco do Teatro Bradesco do Rio de Janeiro (RJ) para mostrar, enfim, ao público carioca o show que teve que cancelar em dezembro de 2015 por problemas de saúde. Em turnê pelo Brasil desde janeiro de 2015, mês em que estreou na cidade de São Paulo (SP), Tarde é show eletroacústico calcado em quarteto de cordas. Algumas dessas cordas são do violão tocado por Milton em cena em músicas de empatia imediata com o público, caso de Nos bailes da vida (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1981). As outras cordas são as do trio formado pelos irmãos violonistas Beto Lopes e Wilson Lopes com Alexandre Ito (no toque do contrabaixo acústico). Influenciados pelo toque de mestre dos sócios do Clube da Esquina (o movimento pop que pôs as Geraes no mapa-múndi da música ao longo da década de 1970), os irmãos armam bela cama harmônica para que Milton deite e role no revival de músicas que fazem parte da história do cantor e da música do Brasil. Milton - que é Minas Gerais, como reforça em um dos versos de Para Lennon & McCartney (Lô Borges, Márcio Borges e Fernando Brant, 1970), não por acaso a música que fecha o roteiro de Tarde, antes do bis, em arranjo calcado na repetição mântrica do verso "Não sabem do lixo ocidental" - está em casa, está em família musical, em afinidade e fina sintonia com o trio. Aberto com a música que dá nome ao show, Tarde (Milton Nascimento e Márcio Borges, 1969), o roteiro alinha sucessos cantaroláveis pelo público de meia-idade, entre eventuais surpresas como Idolatrada (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1975). Na estreia carioca de Tarde, a voz do cantor estava em bom estado e, ocasionalmente, ofereceu lampejos do brilho singular dos tempos áureos, como em certa passagem de Clube da Esquina nº 2 (Milton Nascimento, Lô Borges e Márcio Borges, 1972). Aí, nesses breves momentos, o canto de Milton arrepia - como se a grande voz ainda fosse sinal de Deus na presença de mero mortais, como logo notou a antenada Elis Regina (1945 - 1982), cantora que lançou o cantor e compositor em 1966 ao gravar a Canção do sal (Milton Nascimento, 1966) retrabalhada por Milton em Tarde com grande arranjo. Os vocais dos irmãos violonistas contribuem para a harmonia do show. Eles, os vocais, são notáveis em músicas como Sueño con serpientes (1975), canção do compositor cubano Silvio Rodríguez que Milton apresenta em Tarde após recitar pensamento politizado do dramaturgo e poeta alemão Bertolt Brecht (1898 - 1956) - "Hay hombres que luchan un día y son buenos. Hay otros que luchan un año y son mejores. Hay quienes luchan muchos años, y son muy buenos. Pero hay los que luchan toda la vida: esos son los imprescindibles" - tal como fez a cantora argentina Mercedes Sosa (1935 - 2009) na gravação de Sueño con serpientes feita para álbum de Milton, Sentinela (Ariola, 1980). Quando Milton reaviva uma música que pede mais volume e potência vocal, caso em especial de Caçador de mim (Sérgio Magrão e Luiz Carlos Sá, 1980), Tarde explicita o clima outonal que tempera shows e discos do cantor. E, sim, Tarde cai muito bem neste clima outonal, pela trama bem urdida das cordas do trio, pela força do cancioneiro do compositor - como resistir a pungência política da canção ruralista O cio da terra (Milton Nascimento e Chico Buarque, 1977)? - e pela própria presença da entidade Milton em cena. É fato que Milton já cantou músicas como Encontros e despedidas (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1981) - desde 2003 mais associada à cantora Maria Rita do que ao próprio compositor ou à intérprete original da canção, Simone - com mais ardor, de forma mais arrebatadora. Ainda assim, a força já mítica do artista prevalece e valoriza o show no cômputo geral. Nada será como antes. Mas Milton está em cena. O coro popular de Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967) - incentivado com as mãos pelo próprio cantor - refaz o casamento entre canção e momento. Apoiado na força já irracional de Milton Nascimento, o show Tarde amarra todos na plateia em um único sentimento de adoração a esse cantor-entidade - gênio que já paira acima do bem e do mal.

Milton diz textos de Adélia e Brecht no roteiro de hits do outonal show 'Tarde'

"Hay hombres que luchan un día y son buenos. Hay otros que luchan un año y son mejores. Hay quienes luchan muchos años, y son muy buenos. Pero hay los que luchan toda la vida: esos son los imprescindibles". No roteiro de Tarde, show que estreou em janeiro de 2015 em São Paulo (SP) e cuja turnê chegou (enfim) à cidade do Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 4 de fevereiro de 2016, Milton Nascimento reproduziu o pensamento do dramaturgo e poeta alemão Bertolt Brecht (1898 - 1956) antes de cantar Sueño com serpientes, música do cantor e compositor cubano Silvio Rodríguez, lançada pelo autor há 41 anos no álbum Días y flores (EGREM / Ojalá / Fonomusic, 1975). Na introdução da gravação da música feita por Milton com Mercedes Sosa (1935 / 2009) para o álbum Sentinela (Ariola, 1980), coube a cantora argentina dizer o pensamento de Brecht. Além de Brecht, Milton também recitou versos célebres da poeta mineira Adélia Prado - "Um trem-de-ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida, virou só sentimento" - antes de cantar Encontros e despedidas (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1981). Em Tarde, Milton revisita o próprio cancioneiro na companhia de trio de cordas formado por Alexandre Ito (contrabaixo acústico) e pelos irmãos Beto Lopes e Wilson Lopes (nos violões). Eis o roteiro seguido em 4 de fevereiro de 2016 por Milton Nascimento - visto em foto de Mauro Ferreira - na boa estreia carioca de show Tarde no Teatro Bradesco do Rio de Janeiro (RJ):

1. Tarde (Milton Nascimento e Márcio Borges, 1969)
2. Clube da esquina nº 2 (Milton Nascimento, Lô Borges e Márcio Borges, 1972)
3. Nos bailes da vida (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1981)
4. Me deixa em paz (Monsueto Menezes e Aírton Amorim, 1952)
     - Música gravada por Milton Nascimento em 1972
 Texto de Bertolt Brecht
5. Sueño con serpientes (Silvio Rodríguez, 1975)

    - Música gravada por Milton Nascimento em 1980
6. Idolatrada (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1975)
7. Caçador de mim (Sérgio Magrão e Luiz Carlos Sá, 1980)
    - Música gravada por Milton Nascimento em 1981
8. Canção do sal (Milton Nascimento, 1966)
    - Música gravada por Milton Nascimento em 1967
9. O cio da terra (Milton Nascimento e Chico Buarque, 1977)
 Texto de Adélia Prado
10. Encontros e despedidas (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1981)
      - Música gravada por Milton Nascimento em 1985
11. Maria solidária (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1976)
12. Maria, Maria (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1976)
      - Música da trilha de balé do Grupo Corpo gravada por Milton Nascimento em 1978
13. Para Lennon & McCartney (Lô Borges, Márcio Borges e Fernando Brant, 1970)
Bis:
14. Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967)
15. Nada será como antes (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1972)

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Com trio de Dudu Lima, Milton dá outro mergulho no jazz com CD 'Tamarear'

Resenha de CD
Título: Tamarear
Artista: Milton Nascimento e Dudu Lima Trio
Gravadora: MP,B Discos / Som Livre
Cotação: * * * 1/2

Desde sempre embutido na arquitetura original do cancioneiro de Milton Nascimento, a ponto de o cantor e compositor carioca já ter gravado em 1974 álbum com o saxofonista norte-americano Wayne Shorter, o jazz dá o tom de Tamarear, álbum que junta o artista de alma mineira com o trio do baixista - mineiro de nascimento - Dudu Lima. Virtuose no toque do baixo, Dudu Lima sempre fez conexões com a obra de Milton em seus discos, alguns gravados com a participação deste gênio da MPB. Mas Tamarear é o primeiro álbum que assinam juntos. Gravado em vários estúdios entre julho e outubro de 2014, sob a direção musical de Dudu, o álbum alude no título ao projeto Tamar, criado para evitar a extinção de espécies raras de tartarugas marinhas. Tamarear é também o nome da música inédita composta por Guy Marcovaldi para o disco e gravada com o toque da guitarra de Stanley Jordan, músico norte-americano de jazz. Milton cita verso da canção praieira O mar (Dorival Caymmi, 1940) no canto do tema. Mas, por mais que apresente algumas músicas inéditas no repertório (nenhuma da lavra de Bituca), Tamarear se sustenta na recriação do cancioneiro de Milton com a liberdade do jazz. Sim, nada é como antes, embora pareça. Dos sete minutos da atual regravação de Clube da esquina nº 2 (Milton Nascimento, Lô Borges e Fernando Brant, 1972), dois minutos e meio são puro jazz. A partir dos três minutos, a faixa fica instrumental e propicia o exercício do jazz pelo trio de Dudu Lima, formado pelo baixista com Leandro Scio (bateria e percussão) e Ricardo Itaborahy (piano e teclados). Gran circo (Milton Nascimento e Márcio Borges, 1975) já é armado com lona jazzística desde o início do registro. Tamarear é disco para quem fala a língua do jazz. Para quem não domina o idioma, o álbum poderá ser visto como uma coleção de regravações menos sedutoras do cancioneiro de Milton - até porque a voz do cantor já perdeu o viço e a potência dos áureos tempos. A perda é evidente em músicas como Fé cega, faca amolada (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1974). Mas a qualidade alta dos arranjos do disco torna insignificante tal perda. De todo modo, mesmo nos tons outonais da maturidade, Milton ainda continua sendo um senhor cantor, como reiteram os registros de Um cafuné na cabeça, malandro, eu quero até de macaco (Milton Nascimento e Leila Diniz, 1980) - tema que começa acústico (com o violão de Milton), cai no toque largo do baixo de Dudu Lima e culmina com a récita dos versos da letra pelo cantor - e Meditação (Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça, 1959), clássico da Bossa Nova que ganha uma de suas abordagens mais jazzísticas. Ambientado dentro dessa atmosfera, o inédito tema instrumental Belafonte (Dudu Lima) - gravado com sons das águas do oceano, captados por Pauly Di Castro para o projeto Tamar - expõe a limpidez do toque da guitarra de Stanley Jordan, convidado da faixa na qual Milton recita o poema Sem fronteiras (Guy Marcovaldi). Enfim, Tamarear é mais um mergulho de Milton Nascimento nas águas do jazz. Quem sabe nadar em tais águas entenderá a profundeza do mergulho dado no disco.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Milton se une ao trio de Dudu Lima em CD de projeto que protege tartaguras

Distribuído em todas as plataformas digitais pela gravadora Som Livre na última sexta-feira, 18 de setembro de 2015, o álbum Tamarear - título do disco editado pelo selo MP,B Discos que junta o cantor e compositor carioca Milton Nascimento ao mineiro Dudu Lima Trio - é projeto de caráter beneficente. Tamarear é o verbo conjugado por quem colabora com o Tamar, projeto criado para proteger da extinção espécies raras de tartarugas marinhas. Milton e o jazzístico Dudu Lima Trio colaboram em forma de música com disco que aloca 11 composições em nove faixas gravadas em vários estúdios entre julho e outubro de 2014. A maioria vem do repertório de Milton. Mas há temas inéditos como a música-título Tamarear (Guy Marcovaldi), gravada com a adesão, na guitarra, do músico norte-americano de jazz Stanley Jordan, também convidado de Belafonte (Dudu Lima), tema instrumental turbinado com sons aquáticos captados por Pauly Di Castro para o projeto Tamar. A propósito, a gravação de Tamarear cita O mar (1940), clássica canção praieira do compositor baiano Dorival Caymmi (1914 - 2008). Em clima de jazz mineiro, Milton e o virtuoso Dudu Lima Trio recriam composições famosas como Clube da esquina nº 2 (Milton Nascimento, Lô Borges e Márcio Borges, 1972), Fé cega, faca amolada (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1974), Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967) - unida em medley com o tema instrumental Nascimento (Dudu Lima) - e Gran circo (Milton Nascimento e Márcio Borges, 1975), entre outras músicas do clube mineiro dos anos 1970.  O disco sai também em edição física em CD.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Milton já planeja álbum de inéditas após fazer letras para Pedrinho do Cavaco

Milton Nascimento planeja gravar e lançar álbum de músicas inéditas ao longo de 2016. Contudo, antes deste esperado álbum, o cantor e compositor carioca (de alma mineira) vai lançar no Brasil e nos Estados Unidos um disco idealizado com o cantor, compositor e multi-instrumentista carioca Pedro Bernardo - o Pedrinho do Cavaco, visto com Milton na foto de Vanusa Campos - e com o guitarrista brasileiro (radicado em Nova York) Ricardo Vogt. Intitulado Conversas, desenhos e pinturas, o disco apresenta músicas compostas por Pedrinho e Ricardo com letras de Milton. A cantora, compositora e baixista norte-americana de jazz Esperanza Spalding participa deste disco. Paralelamente,  Pedrinho do Cavaco prepara o EP autoral Vem comigo ser feliz, com oito músicas.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

'Mil Tom 2' acerta mais do que o 1 ao apontar trilhos para trem 'bão' de Milton

Resenha de disco
Título: Mil Tom - Disco 2
Artista: Vários
Gravadora: Edição independente do produtor
Cotação: * * *
Disco disponível para download gratuito e legalizado no site Scream & Yell

Por mais que cada uma das 15 inéditas gravações alocadas no segundo volume do projeto Mil Tom reitere a soberania dos registros originais do cancioneiro de Milton Nascimento, sobretudo os feitos entre 1967 e 1982 pelo próprio artista e por intérpretes como Elis Regina (1945 - 1982) e Nana Caymmi, o Disco 2 soa mais coeso e sedutor do que o primeiro volume do tributo idealizado pelo produtor Pedro Ferreira. Boa parte dos convidados aponta trilhos interessantes para o trem bão deste compositor carioca de alma mineira. Aliás, o arranjo da banda carioca Baleia para E daí? (A queda) (Milton Nascimento e Ruy Guerra, 1978) evoca ligeiramente o barulho de um trem, símbolo da obra de Milton, entranhada entre as montanhas das Geraes, entre ares sempre novos. Há boas surpresas entre inevitáveis subversões. A cantora paranaense Ana Larousse inventa um belo Cais (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1972) sem inventar moda. Verônica Ferriani também trabalha bem a Canção do sal (Milton Nascimento, 1966), confirmando sua evolução como intérprete em arranjo que remete ao tom indie de seu terceiro álbum. Já a cantora gaúcha Gisele de Santi encara Nos bailes da vida (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1981) com serenidade sem forçar um tom efusivo - o que valoriza a música e seu fraseado vocal. Voz de Curitiba (PR) que tem se feito ouvir no eixo Rio-São Paulo, Thaís Gulin confirma a afinação de sua voz límpida, de início soberana e quase solitária em registro de Amor de índio (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1978) cujo arranjo vai sobressaindo ao longo da gravação. Já Dani Black se excede nos floreios que mais embaçam do que enfeitam Paisagem da janela (Lô Borges e Fernando Brant, 1971). Por sua vez, o grupo cearense de rock Selvagens à Procura de Lei arma roda folk para fazer passar Nuvem cigana (Lô Borges e Ronaldo Bastos, 1972). Caindo no suingue, o paraense Felipe Cordeiro põe seu tempero do Norte em Cravo e canela (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1971). A Banda Mais Bonita da Cidade chega a Ponta de areia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1974) com climas e personalidade. Já Blubell esfacela as mágoas de Beijo partido (Toninho Horta, 1975) entre um tom jazzy e um clima bluesy. Por fim, o grupo acriano Los Porongas toca Nada será como antes (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1972), mostrando que, sim, resiste na boca da noite um gosto de sol. Com saldo positivo, Mil Tom - Disco 2 tem seus momentos de brilho entre subversões.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

'Mil Tom 1' oscila entre reverências, (in)capacidades e subversões de Milton

Resenha de álbuns
Título: Mil Tom - Disco 1
Artista: vários
Gravadora: Edição independente do produtor
Cotação: * * 1/2
Disco disponível para download gratuito e legalizado no site Scream & Yell

Tributo duplo organizado e produzido por Pedro Ferreira para celebrar a obra e o legado de Milton Nascimento, Mil Tom é - quase sempre - para quem desconhece essa obra. É para quem nunca cruzou as esquinas mineiras que gerou um repertório de arquitetura universal. Para quem conhece os registros originais, seria injusto e cruel qualquer comparação com os fonogramas inéditos apresentados neste tributo que totaliza 32 nomes recrutados na cena indie de todo o Brasil. Até pelo fato de as 30 músicas ouvidas nos dois álbuns - produzidos somente em edição digital, ambos já disponíveis para download gratuito e legalizado no site Scream & Yell - terem sido gravados por Milton, um dos maiores cantores do mundo. Com o detalhe de que a maioria das composições ganhou a voz divina do cantor e compositor carioca (de alma mineira) nos anos 1970 quando o artista estava no auge vocal. No primeiro volume, Mil Tom - Disco 1, os artistas se debatem entre a subversão e a excessiva reverência. Há quem corra riscos e encare o desafio de trazer a música de Milton para o seu universo contemporâneo. É o caso da rapper curitibana Karol Conka, que se aliou a Boss in Drama para fazer O rouxinol (Milton Nascimento, 1997) voar em outro céu, desconstruindo a canção e o lirismo a serviço de sua batida. Pedro Morais falha na tarefa ingrata de dar alguma emoção a Travessia (MIlton Nascimento e Fernando Brant, 1967), feita com arranjo modernoso. Já a Filarmônica de Pasárgada embarca com segurança em Canoa, Canoa (Nelson Ângelo e Fernando Brant, 1977). Há uma real modernidade no registro do grupo paulistano que valoriza a canção. O grupo carioca Tono iria gravar Pablo (Milton Nascimento, 1973), mas acabou optando por Lágrima do Sul (Milton Nascimento e Marco Antônio Guimarães, 1985) e acertou na troca. Com arranjo eletrônico-tribal, o Tono revitaliza música pouco ouvida no cancioneiro de Milton. Já o cantor paulistano Pélico e a cantora carioca Barbara Eugenia diluem a pulsação inebriante de Paula e Bebeto (Milton Nascimento e Caetano Veloso, 1975). Não, qualquer maneira de cantar nem sempre vale a pena... Por sua vez, o carioca Fernando Temporão se mostra intérprete sem alcance para música da altura de Para Lennon & McCartney (Márcio Borges, Lô Borges e Fernando Brant, 1970). Em contrapartida, a cantora mineira Aline Calixto surpreende positivamente ao encarar a perda e a dor embutida em Vera Cruz (Milton Nascimento e Márcio Borges, 1967), música difícil de ser cantada (com muitas de Milton, aliás), mas que Calixto leva bem até o fim. Dentro do time dos reverentes, a carioca Banda Tereza refaz Maria Maria (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1976) com arranjo vocal calcado na gravação de Milton. Há reverência em excesso, no caso. Quase no mesmo tom, o Vanguart segue a rota original de Clube da Esquina 2 (Milton Nascimento, Lô Borges e Márcio Borges, 1972) sem tropeços, mas tampouco sem um lampejo de novidade. Já a banda paranaense Simonani cria climas dentro da mata escurta de Caçador de mim (Sérgio Magro e Luiz Carlos Sá, 1980), merecendo a honra de fechar o primeiro volume de Mil Tom. Enfim, entre reverências a Milton e subversões de sua obra, Mil Tom - Disco 1 está aí, no ar e na rede, cumprindo adicionalmente a função de propagar a poesia imortal de Fernando Brant (1946 - 2015), cujos versos são indissociáveis do cancioneiro de Milton Nascimento. 

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Milton externa gratidão ao seu amigo e parceiro Brant em texto no Facebook

A saída de cena do compositor mineiro Fernando Brant (Caldas - MG, 9 de outubro de 1946 / Belo Horizonte - MG, 12 de junho de 2015) - na noite da última sexta-feira, aos 68 anos, em decorrência de complicações de transplante de fígado - representa perda de dimensão inestimável para o patrimônio da música projetada a partir de 1965, na era dos festivais, com o rótulo de MPB. Na qualidade de fundamental e mais importante parceiro de Milton Nascimento, Brant construiu obra - contabilizada em mais de 200 composições - que rivaliza em relevância e beleza com a produção autoral de outros gigantes da MPB como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque. Sim, Brant foi somente o letrista. A música sempre foi de Milton. Mas a música de Milton não teria tido a força que teve nos anos 1960 e 1970 sem a contundência e a poesia dos versos de Brant, o parceiro que desde sempre se fez amigo para se guardar do lado esquerdo do peito. Fato que o próprio Milton reconhece e tem feito questão de ressaltar em seus depoimentos sobre a saída de cena de Brant. Em texto publicado com foto (acima) na sua página oficial do Facebook, o cantor e compositor carioca de alma mineira externa a gratidão pelo amigo parceiro de tantas canções e momentos que enobreceram a MPB a partir de 1967. Com a palavra, o parceiro Milton Nascimento:

"A última vez em que estive com Fernando foi há menos de seis meses, em minha casa, no Rio. Ele chegou junto com outro grande amigo, Ronaldo Bastos, e foi uma noite como há muitos anos não acontecia. Passamos horas lembrando de histórias, canções, amigos e, principalmente, a amizade que nos guiava em todos estes anos em que passamos juntos. Eu já sabia que Fernando estava com um problema de saúde, mas em nenhum momento falamos disso naquela noite. Não precisava. Fernando esteve ao meu lado nos acontecimentos mais importantes da minha vida. E isso já era o suficiente a ser lembrado.

Em meu último show, em Santos, no dia 5 de junho, uma jornalista pediu para eu contar uma história, qualquer uma. Não sei como, mas automaticamente comecei a falar do Fernando, e de quando eu estava em São Paulo, e fiz três músicas no mesmo dia: Pai grande, Morro velho e Travessia, esta última, a que levei para Fernando Brant fazer a letra em Belo Horizonte. O resto é história. 

Sem ele, as coisas não teriam acontecido desta maneira. Nenhuma palavra do mundo é capaz de descrever o quanto eu sou agradecido por ele ter feito parte da minha existência. 

Obrigado, amigo, muito obrigado;"

(BH, 13/06/2015)
                                                      Milton Nascimento

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Dônica revela título de álbum que lança em junho e que tem faixa com Milton

Continuidade dos parques é o título do primeiro álbum da banda carioca Dônica. O nome do disco é o mesmo de conto do escritor belga-argentino Julio Cortázar (1914 - 1984), Continuidad de los parques, publicado originalmente na segunda edição do livro Final del juego (Editorial Sudamericano, 1964). Com a participação de Milton Nascimento na música Pintor (José Ibarra e Tom Veloso), o disco Continuidade dos parques vai ser lançado em junho de 2015 em edição da gravadora Sony Music. Com influência do rock progressivo, o quinteto - visto em foto de Fernando Young - debutou no mercado fonográfico em dezembro de 2014 com a edição digital do EP Dônica.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Zélia se equilibra no trem mineiro em movimento ao cantar Milton com afeto

Resenha de show
Título: Inusitado - Zélia Duncan canta Milton Nascimento
Artista: Zélia Duncan (em foto de Rodrigo Goffredo) com Jaques Morelenbaum (violoncelo)
Local: Teatro de Câmara - Fundação Cidade das Artes (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 5 de maio de 2015
Cotação: * * * *
♪ Show com transmissão ao vivo agendada pelo Canal Bis para as 21h de 6 de maio de 2015

Zélia Duncan ficou na defensiva na primeira vez em que se dirigiu ao público que foi ao Teatro de Câmara da Cidade das Artes, no Rio de Janeiro (RJ), na noite de 5 de maio de 2015, para ver a estreia do show em que a cantora fluminense aborda o repertório de Milton Nascimento. Zélia disse que iria apresentar as canções de Milton sem "reinventar a roda". E que procurava "nem lembrar" que boa parte dessas canções do compositor carioca de alma mineira tinha sido gravada por intérpretes como Elis Regina (1945 - 1982), Nana Caymmi e Simone. Pois, mesmo sem reinventar a roda, Zélia provou - a quem porventura ainda não soubesse - que ela também faz parte do time de grandes cantoras do Brasil. Sua grandeza consistiu em cantar (bem) Milton com uma formação que - mais do que a abordagem inédita do repertório de Milton por Zélia - foi o toque mais inusitado deste show criado para a terceira edição do Inusitado, o projeto do executivo André Midani em que artistas trilham caminhos musicais ainda inexplorados. Zélia dividiu o palco somente com Jaques Morelenbaum, virtuose do violoncelo, instrumento que, pela própria natureza, não oferece base segura para uma cantora. Ou seja, de certa forma, Zélia pegou o trem mineiro sem chão. E jamais caiu dele ao longo dos 19 números do show, se confirmando grande cantora. Já na primeira música, Ponta de areia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1974), ficou evidente que Zélia optou por cantar Milton com ternura e com afeto, suavizando os tons de sua voz grave. É um caminho coerente com um cancioneiro que reflete fraternidade, sentimento já explicitado no título da Canção amiga (Milton Nascimento e Carlos Drummond de Andrade, 1978). Ao lado de Zélia, Morelenbaum também caminhou bem por essa estrada natural. Por ter o total domínio de seu instrumento, o virtuoso Morelenbaum forneceu o adorno, o floreio, da cada canção, explorando possibilidades de seu violoncelo, que eventualmente soou como baixo, como na introdução de Encontros e despedidas (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1981) - música em que o canto de Zélia embutiu simultaneamente a saudade e a expectativa contidas na letra - e como em algumas passagens de Beijo partido (Toninho Horta, 1975). Sim, Morelenbaum foi além do tom lírico normalmente associado ao violoncelo, instrumento típico de espetáculo de câmara, tirando até um inusitado suingue no toque das cordas de seu cello em Peixinhos do mar (Cantiga de marujada em adaptação de Tavinho Moura). Sem se ater exclusivamente ao repertório composto por Milton, Zélia selecionou 20 músicas gravadas pelo cantor em período que vai de 1967 a 1981 - não por acaso, a  fase áurea da produção autoral e fonográfica do sócio majoritário e fundador do Clube da Esquina em 1972. Zélia, aliás, mergulha com leveza neste cancioneiro, dando voz a músicas como Tudo que você podia ser (Lô Borges e Márcio Borges, 1972) e Nada será como antes (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1972) - número, aliás, em que o toque do violoncelo de Morelenbaum pareceu evocar o barulho dos pés na estrada. Sim, há músicas que pediam os tambores de Minas Gerais no arranjo, caso de Caxangá (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1977). Ainda assim, Zélia se equilibrou bem no trem mineiro em movimento, afiando o ritmo de Fé cega, faca amolada (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1974) na batida da palma da mão, acompanhando muito bem o (com)passo de Volver a los 17 (Violeta Parra, 1976) - música que simboliza a conexão de Milton Nascimento com a música da América Latina, em especial com a obra resistente da cantora argentina Mercedes Sosa (1935 - 2009) - e adicionando a Cravo e canela (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1971)  a ternura que temperou todo o show. Sim, é fato que quase todas essas canções já ganharam registros emblemáticos de Elis Regina e do próprio Milton - o que torna injustas comparações inevitáveis como a suscitada por O que será (À flor da pele) (Chico Buarque, 1976), quando Zélia reproduz o vocal da introdução da gravação feita por Milton para o álbum Geraes (EMI-Odeon, 1976) em momento divino, e por Canção da América (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1979), já ouvida em registros mais pungentes. Mas Zélia acertou ao evitar se transformar em outras para cantar Milton. Zélia cantou Milton como Zélia - e também emocionou quando interpretou San Vicente (Milton Nascimento e  Fernando Brant, 1972) e quando soltou a voz na sua estrada para encerrar o show com Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967), música de tons escuros como a luz do espetáculo, iluminada pelo coro da plateia. Em harmonia consigo mesma, Zélia Duncan honrou a obra de Milton Nascimento ao lado de Jaques Morelenbaum, levando o belo trem mineiro por sua estrada natural, sem sobressaltos, rumo à cidade e suas luzes.

Em show no Rio, Zélia canta Milton (também) através de Chico, Joyce e Horta

Zélia Duncan pegou o trem mineiro na companhia de Jaques Morelenbaum. Em terno show feito somente com o violoncelo do músico carioca, a cantora fluminense deu sua voz grave a 20 canções amigas do repertório de Milton Nascimento. Nem todas as músicas do show - que estreou na noite de ontem, 5 de maio de 2015, dentro da programação da terceira edição do projeto Inusitado - foram compostas por este carioca de alma mineira, mas todas ganharam a voz de Milton. Entre as criações alheias, Zélia cantou músicas de Chico Buarque, Joyce Moreno, Lô Borges e Toninho Horta. A grande maioria do repertório do show foi gravada por Milton na década de 1970, quando sua voz era divina, como bem caracterizou Elis Regina (1945 - 1982) - intérprete de parte dessas canções - com adjetivo lembrado por Zélia no palco do Teatro de Câmara da Fundação Cidade das Artes, no Rio de Janeiro (RJ). Com transmissão ao vivo agendada para as 21h de hoje no Canal Bis, o show aborda o repertório de Milton em período que vai de 1967 - ano da seminal Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant), cantada por Zélia no fecho do bis - até 1981, ano de Encontros e despedidas (Milton Nascimento e Fernando Brant). Eis o roteiro seguido em 5 de maio de 2015 por Zélia Duncan e Jaques Morelenbaum - em foto de Rodrigo Goffredo - na Cidade das Artes na estreia do lindo show criado para terceira edição do Inusitado, projeto do executivo André Midani: 

1. Ponta de areia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1974)
2. Canção amiga (Milton Nascimento e Carlos Drummond de Andrade, 1978)
3. Encontros e despedidas (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1981)
4. O que foi feito devera (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1978) /
    O que foi feito de Vera (Milton Nascimento e Márcio Borges, 1978)
5. Canção da América (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1979)
6. Fé cega, faca amolada (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1974)
7. Caxangá (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1977)
8. Beijo partido (Toninho Horta, 1975)
9. Mistérios (Joyce Moreno e Maurício Maestro, 1978)
10. Volver a los 17 (Violeta Parra, 1966)
11. Tudo que você podia ser (Lô Borges e Márcio Borges, 1972)
12. Nada será como antes (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1972)
13. O que será? (À flor da pele) (Chico Buarque, 1976)
14. San Vicente (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1972)
15. Calix bento (tema de Folia de Reis com música e letra adaptada por Tavinho Moura)
16. Peixinho do mar (cantiga de marujada em adaptação de Tavinho Moura)
17. Cravo e canela (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1971)
Bis:
18. Cais (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1972)
19. Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967)

segunda-feira, 6 de abril de 2015

'Mil Tom' regrava a obra de Milton com adesões de (32) nomes da cena 'indie'

Com capa que expõe arte da ilustradora paraibana Luyse Costa, o álbum duplo Mil Tom tem lançamento previsto para junho de 2015. Assinado pelo produtor mineiro Pedro Ferreira, o disco celebra e recria o cancioneiro do compositor carioca (de alma mineira) Milton Nascimento através de 30 inéditas gravações da obra do artista feita por 32 nomes recrutados na cena indie de 11 estados do Brasil. A seleção inclui músicas não compostas por Milton, mas gravadas por ele, casos de Beijo partido (Toninho Horta, 1975) e de Paisagem na janela (Lô Borges e Fernando Brant, 1972), entre outras. Eis, em ordem alfabética, os 32 nomes que figuram em Mil Tom e as respectivas músicas que abordam no tributo que será disponibilizado para download gratuito e legalizado pelo site Scream & Yell:

♪ A Banda Mais Bonita da Cidade (PR) - Ponta de areia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1974)
♪ Aláfia (SP)  - Saudade dos aviões da Panair (Conversando no bar) (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1974)
♪ Aline Calixto (MG) - Vera Cruz (Milton Nascimento e Márcio Borges, 1969)
♪ Ana Larousse (PR) - Cais (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1972)
♪ Baleia (RJ) - E daí? (A queda) (Milton Nascimento e Ruy Guerra, 1978)
♪ Banda Tereza (RJ) - Maria Maria (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1976)
♪ Blubell (SP) - Beijo partido (Toninho Horta, 1975)
♪ Bruno Souto (com Banda Chá de Pólvora) (PE – SP) - San Vicente (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1972)
♪ Dani Black (SP) - Paisagem na janela (Lô Borges e Fernando Brant, 1972)
♪ Dom Pepo (MG) - Credo (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1978)
♪ Felipe Cordeiro (PA) - Cravo e canela (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1971)
♪ Fernando Temporão (RJ) - Para Lennon & McCartney (Márcio Borges, Lô Borges e Fernando Brant, 1970)
♪ Filarmônica de Pasárgada (SP) - Canoa canoa (Nelson Ângelo e Fernando Brant, 1977)
♪ Gisele De Santi (RS) - Nos bailes da vida (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1981)
♪ Karol Conka (PR) - O rouxinol (Milton Nascimento, 1997) - com Boss in Drama
♪ Letuce (RJ) - Sereia (Milton Nascimento e Caetano Veloso, 2005)
♪ Los Porongas (AC) - Nada será como antes (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1972)
♪ Orquestra Contemporânea de Olinda (PE) - Caxangá (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1977)
♪ Pedro Morais (MG) - Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967)
♪ Pélico & Bárbara Eugênia (SP – RJ) - Paula e Bebeto (Milton Nascimento e Caetano Veloso, 1975)
♪ Phill Veras (MA) - Paixão e fé (Tavinho Moura e Fernando Brant, 1977)
♪ Rashid (SP) - Tudo que você podia ser (Lô Borges e Márcio Borges, 1972)
♪ Selvagens à Procura de Lei (CE) - Nuvem cigana (Lô Borges e Ronaldo Bastos, 1972)
♪ {Sí}monami (PR) - Caçador de mim (Sérgio Magrão e Luiz Carlos Sá, 1980)
♪ Thaís Gulin (PR) - Amor de índio (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1978)
♪ The Outs (RJ) - O trem azul (Lô Borges e Ronaldo Bastos, 1972)
♪ Tiberio Azul (PE) - Canção amiga (Milton Nascimento e Carlos Drummond de Andrade, 1978)
♪ Tono (RJ) - Pablo (Milton Nascimento, 1973)
♪ Vanguart (MT) - Clube da esquina nº 2 (Milton Nascimento, Lô Borges e Márcio Borges, 1972)
♪ Veronica Ferriani (SP) - Canção do sal (Milton Nascimento, 1966)

Com Bosco e Milton, Dudu garimpa mais ouro de Minas em 'Gran circo'

Em 2009, o baixista mineiro Dudu Lima - virtuose nacional no toque do instrumento - celebrou o cancioneiro das Geraes em CD e DVD intitulados Ouro de Minas e gravados com as participações do cantor e compositor mineiro João Bosco e do cantor e compositor carioca (de alma mineira) Milton Nascimento. Cinco anos depois, em 2014, Dudu voltou a garimpar joias do cancioneiro de sua terra no projeto intitulado Ouro de Minas 2 - Gran Circo. E, novamente, contou com as adesões de Bosco e Milton. Lançado por vias independentes nos formatos de CD e DVD, Ouro de Minas 2 traz a voz e o violão de Bosco no samba Incompatibilidade de gênios (João Bosco e Aldir Blanc, 1976). Já Milton põe voz em Gran circo, parceria sua com o mineiro Márcio Borges - lançada há 40 anos no álbum Minas (EMI-Odeon, 1975) - que dá subtítulo ao CD e DVD. Com o trio que formou com o tecladista Ricardo Itaborahy e com o baterista e percussionista Leandro Seio, Dudu põe o toque lapidar de seu baixo em pérolas como O trem azul (Lô Borges e Ronaldo Bastos, 1972), Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967), Encontros e despedidas (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1981), Aquelas coisas todas (Toninho Horta, 1995) e Caxangá (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1977).  A direção musical é de Dudu Lima.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Single com Milton mostra a Moura que certo pode ser contrário do acerto

Resenha de single 
Título: O certo
Artista: Gabriel Moura (com a participação de Milton Nascimento)
Gravadora: Som Livre
Cotação: * * * 1/2
Single já disponível para compra e / ou audição nas plataformas digitais

À primeira audição, a canção parece ser da lavra de Moska. Mas por vezes também dá a impressão de ser uma daquelas baladas melodiosas compostas por Frejat para o grupo carioca Barão Vermelho. Mas o single O certo - lançado hoje, 23 de fevereiro de 2015, nas plataformas digitais através da gravadora Som Livre - é de Gabriel Moura, cantor e compositor carioca projetado na segunda metade dos anos 1990 como integrante do grupo carioca Farofa Carioca. Como Moura costuma cair no suingue em sua discografia, O certo abre uma janela melódica para a obra do artista. Introduzida por sons de violão, na melhor tradição pop folk, O certo é boa canção assinada por Moura com o parceiro Rogê. A nobre participação de Milton Nascimento valoriza a gravação. Ainda que a voz de Bituca já tenha perdido viço e potência, o convidado se afina com o anfitrião em total harmonia. E o certo é que O certo distancia Moura do som de seu outro parceiro Seu Jorge. Moura vem tentando se firmar como cantor há alguns anos, mas, como seu parceiro Rogê, sempre esbarrou nas comparações com Jorge, com quem integrou o seminal grupo Farofa Carioca. Mesmo que jamais soe original, O certo é canção que cresce e que seduz mais a cada audição. Como diz verso da letra positivista, "o certo às vezes pode ser o contrário do seu acerto".

Música do álbum da Dônica, 'Pintor' tem os tons e a cor de Milton Nascimento

Pintor é o nome da música gravada pela banda carioca Dônica para seu primeiro álbum com a participação de Milton Nascimento. O cantor e compositor carioca de vivência mineira é o padrinho artístico dessa banda que tem o som do Clube da Esquina como uma das principais referências na arquitetura de sua música. A composição Pintor é parceria de Tom Veloso (com Milton na foto tirada em estúdio e postada na página oficial da Dônica no Facebook) com José Ibarra, tecladista, vocalista e compositor da banda. O álbum da Dônica tem lançamento previsto pela Sony Music para este primeiro semestre de 2015. Clique aqui se quiser reler a resenha do excelente EP Dônica (Sony Music,  2014).

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Com produção de Profeta, Lenine canta Milton em trilha sonora de filme

Enquanto prepara o álbum de inéditas Carbono, 14º título de sua discografia (se postas na conta as trilhas sonoras e coletâneas), Lenine dá voz a um dos maiores sucessos do cancioneiro de Milton Nascimento, Fé cega, faca amolada, parceria de Milton com Ronaldo Bastos lançada pelo MPB-4 no LP Palhaços e reis (Philips, 1974). Arranjada, produzida e mixada por Plínio Profeta, a gravação de Fé cega, faca amolada por Lenine está na trilha sonora do filme Meus dois amores, comédia rural dirigida por Luiz Henrique Rios que tem estreia nos cinemas prevista para 19 de março de 2015. O clipe da regravação de Fé cega, faca amolada já está em rotação no YouTube.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Milton grava participação, no Rio, no primeiro álbum da banda carioca Dônica

A IMAGEM DO SOM - Postada pela banda carioca Dônica em sua página oficial no Facebook, a foto flagra Milton Nascimento com os cinco integrantes do grupo no estúdio Maravilha 8, no Rio de Janeiro (RJ). O cantor e compositor carioca gravou ontem, 21 de janeiro de 2015, participação no primeiro álbum da Dônica, previsto para ser lançado neste primeiro semestre de 2015 pela gravadora Sony Music. O som do Clube da Esquina é uma das principais influências do pop progressivo da Dônica, cujo primeiro EP - lançado em dezembro em formato digital, como aperitivo do CD - credencia a banda carioca a entrar no clube mineiro. Clique aqui para (re)ler a resenha do (excelente) EP Dônica.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Biglione toca Baden, Donato e Milton em álbum calcado no violão de aço

Sem esquecer de lembrar no CD Violão de aço Brasil sua origem argentina, evocada no toque do tango Por una cabeza (Carlos Gardel e Alfredo Le Pera, 1935), o guitarrista Victor Biglione apresenta um disco com repertório centrado na música brasileira. Como explicita o título, o músico repõe o violão de aço em absoluto primeiro plano - como instrumento solista, e não como mero acompanhamento - no toque de composições assinadas por nomes do primeiro time da MPB. Embora o violão de aço desempenhe papel solista no álbum, Biglione se cercou de virtuoses - como os baixistas Arthur Maia e Jorge Helder, o pianista Marcos Ariel, o percussionista Marcos Suzano (autor da música Flash) e o violoncelista Lui Coimbra, entre outros músicos - para gravar o CD produzido pelo próprio Biglione. Com essa turma, o músico dá sua própria visão de temas como As rosas não falam (Cartola, 1976) e Wave (Tom Jobim, 1967) com a liberdade do improviso. Tostão (Milton Nascimento, 1970) ganha toques andinos e flamencos. Fé cega, faca amolada (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1974) é afiada com sequências modais e escalas inusitadas. Amazonas (João Donato, 1967) ganha acento cigano. Com seu violão de aço, Biglione também cai no samba Cai dentro (Baden Powell e Paulo César Pinheiro, 1979). O CD Violão de aço Brasil é independente e já está sendo distribuído no mercado fonográfico brasileiro via Tratore.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Produzido por Menescal, Luiz Pié lança em 2015 álbum que inclui Milton

Música de Milton Nascimento, lançada pelo cantor e compositor em 1969, Pai grande ganha a voz de Luiz Pié em gravação feita com o aval e a participação de Milton. O dueto vai ser feito no primeiro álbum de Pié, cantor paulista de 26 anos que vai se lançar no mercado fonográfico em 2015. No disco, produzido por Roberto Menescal e em fase de finalização, Pié dá voz a músicas como Último desejo (Noel Rosa, 1937), Ciúme (Carlos Lyra, 1959) e Dorme profundo (Marcos Valle e Pingarilho, 1965) e A volta (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, 1968), entre outros temas.