Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


Mostrando postagens com marcador Jair Rodrigues. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jair Rodrigues. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Homenagem póstuma a quem saiu de cena abre o 25º Prêmio da Música

Já está virando tradição no Prêmio da Música Brasileira a homenagem póstuma aos cantores e músicos que saíram de cena no ano que precede o prêmio. Na 25ª edição do prêmio, realizada na noite de 14 de maio de 2014 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, o tributo póstumo abriu a cerimônia com discurso do José Maurício Machline. Empresário idealizado do Prêmio da Música Brasileira, Machline lembrou especialmente da homenagem prestada a Jair Rodrigues (1939 - 2014) na edição de 2006 enquanto o telão projetava fotos e vídeo com trecho em que o cantor paulista - visto atrás de Machline na imagem do fotógrafo Roberto Filho - chorou de emoção na noite em que sua vida e obra foram celebradas no Prêmio da Música Brasileira. Ágil, a produção do prêmio inclui até foto de Alexandre Pessoal (1974 - 2014) - cantor carioca falecido na noite de anteontem, 13 de maio - entre as imagens de nomes como Délcio Carvalho (1939 - 2013), Dominguinhos (1941 - 2013), João Araújo (1935 - 2013), Nelson Ned (1947 - 2014), Oscar Castro Neves (1940 - 2013) e Reginaldo Rossi (1944 - 2013). Em contrapartida, Márcio Antonucci (1945 - 2014) - cantor e produtor musical paulista, projetado nos anos 1960, na Jovem Guarda, como integrante da dupla Os Vips - foi esquecido.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Cantor grande como sua alegria, Jair Rodrigues sai de cena aos 75 anos

Com orgulho indisfarçável, Jair Rodrigues (6 de fevereiro de 1939 - 8 de maio de 2014) se gabava de ter dado sua voz esfuziante ao primeiro rap brasileiro. Pioneirismo a que o cantor paulista se atribuía por ter gravado em 1964 - com sucesso - uma música, Deixa isso pra lá (Edson Menezes e Alberto Paz), que continha partes faladas. Mas Jair Rodrigues foi cantor maior do que esse pequeno detalhe de discografia iniciada em 1962 com a gravação de um disco de 78 rotações por minuto com duas músicas candidatas à trilha sonora da Copa do Mundo daquele ano. Jair Rodrigues foi um cantor versátil, grande como a alegria que parece ter pautado sua vida, encerrada na manhã de hoje, em Cotia (SP), aos 75 anos. A saída de cena do cantor talvez propicie a reavaliação e o redimensionamento de carreira que alcançou auge artístico nos anos 1960 e que garantiu visibilidade para o artista ao longo da década de 70. Jair logo alcançou o topo. Em 1965, um ano após ter lançado seus dois primeiros álbuns, Vou de samba com você (Philips, 1964) e O samba como ele é (Philips, 1964), o novato cantor já dividia palcos e discos com ninguém menos do que Elis Regina (1945 - 1982), uma então também novata cantora gaúcha que naquele ano de 1965 se tornara ídolo e sensação instantânea da MPB nascida na era dos festivais. Era que projetou Elis e que rendeu a Jair um dos maiores sucessos de seus 52 anos de carreira fonográfica, Disparada (Geraldo Vandré e Theo de Barros, 1966). Música (bem) defendida pelo cantor no II Festival da Música Popular Brasileira, Disparada evoca um mundo rural que seria adotado por Jair nos anos 1980 em adesão à música sertaneja que lhe garantiu boa sobrevida no mercado fonográfico brasileiro nessa década em que o cantor também gravou discos de caráter seresteiro, respeitando as leis da indústria. Na fase sertaneja, foi Jair quem lançou com fenomenal sucesso nacional - no LP Jair Rodrigues (Copacabana, 1985), em gravação feita com a paranaense dupla sertaneja Chitãozinho & Xororó - a canção A majestade o sabiá, música que revelou sua compositora Roberta Miranda. Contudo, se existe um gênero musical que defina Jair e sua alegria, esse gênero é o samba, presente não por acaso nos títulos de seus dois primeiros álbuns e também no nome do álbum duplo, Samba mesmo (Som Livre, 2014), que se tornou o derradeiro título da discografia desse cantor nascido na interiorana cidade paulista de Igarapava. Aliás, foi no interior paulista que, como crooner, Jair deu em 1957 os primeiros passos na caminhada que, em 1960, desembocaria na capital de São Paulo, na cidade que daria fama ao cantor ainda na primeira metade daquela década de grande efervescência cultural. No começo dos anos 1970, com a era dos festivais já em agonia, o cantor vestiu novamente a pele de sambista em álbuns como Festa para um rei negro (1971) e Orgulho de um sambista (Phonogram, 1973). Artista que parecia já ter nascido com o dom de cantar, Jair caía no suingue com desenvoltura que logo lhe deu o merecido status de grande cantor da música brasileira. Em tempos áureos, Jair Rodrigues - visto em foto de 2013 tirada por seu filho Jair Oliveira durante as sessões de gravação do álbum Samba mesmo - foi o fino da bossa. Compositor bissexto, o cantor tinha orgulho de ser sambista e de ter cantado o primeiro rap brasileiro, mas sua obra, embora dominada pela cadência bonita do samba, extrapola rótulos e gêneros. É obra grande como o cantor que hoje sai de cena, com a missão cumprida. Que o céu faça festa para esse rei negro!

sábado, 29 de março de 2014

Até mesmo Dominguinhos, Roberto e Waldick viram samba no CD de Jair

Resenha de CD
Título: Samba mesmo 2
Artista: Jair Rodrigues
Gravadora: Som Livre
Cotação: * * *


O segundo volume de Samba mesmo - disco duplo gravado por Jair Rodrigues, sob produção de seu filho Jair Oliveira, e posto nas lojas pela gravadora Som Livre neste mês de março de 2014 - parece contradizer o título do projeto. Afinal, com arranjos dos violonistas Paulo Dáfilin e Swami Jr., o cantor paulista traz para o universo do samba-canção até sucessos de Dominguinhos (1941 - 2013), Roberto Carlos e Waldick Soriano (1933 - 2008). De volta pro aconchego (Dominguinhos e Nando Cordel, 1985), Como é grande o meu amor por você (Roberto Carlos, 1967) e Tortura de amor (Waldick Soriano, 1962) são envoltos por sons que evocam os conjuntos regionais que davam o tom da música brasileira pré-Bossa Nova, com melhor resultado para o hit de Seu Domingos. Só que o título Samba mesmo não é o que parece. À primeira leitura, sugere recado para pagodeiros sem estirpe que nunca acertam a cadência bonita do gênero dominante nas 13 músicas do CD. Na verdade, o projeto duplo ganhou esse nome porque, quando gravava os dois discos, Jair sempre repetia no estúdio a fala 'Essa é samba mesmo' quando seu filho produtor lhe sugeria a gravação de determinada música. De todo modo, Samba mesmo 2 repete erros e acertos do primeiro volume. Quando a seleção do repertório patina no óbvio, como em Trem das onze (Adoniran Barbosa), Jair funciona como mero crooner em registros que evidenciam perdas e danos na voz de 75 anos. Em contrapartida, quando consegue surpreender, como ao cantar à capella Eu não existo sem você (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958) em afetivo tributo ao cantor paulista Agostinho dos Santos (1932 - 1973), Jair deixa entrever ecos do grande cantor que seduziu plateias nos seus áureos anos 1960 e 1970. Da década de 1970, aliás, mais precisamente de 1974, vem a única música inédita de Samba mesmo 2. Trata-se do samba Força da natureza, composto há 40 anos por Jair com Orlando Marques e Carlos Odilon, mas até então nunca registrado em disco. No mais, Jair transita por temas como A noite do meu bem (Dolores Duran, 1959), Apesar de você (Chico Buarque, 1970) e O mundo é um moinho (Cartola, 1976) nos tons outonais que pontuam este disco duplo. Com Jair, (quase) tudo vira mesmo samba...

sábado, 22 de março de 2014

Voz alegre, Jair experimenta melancolia no volume 1 de 'Samba mesmo'

Resenha de CD
Título: Samba mesmo 1
Artista: Jair Rodrigues
Gravadora: Som Livre
Cotação: * * *

O canto de Jair Rodrigues sempre foi marcado pela alegria. Essa alegria realçava o tom esfuziante da maior parte das interpretações do cantor paulista. Contudo, aos 75 anos, completados em fevereiro de 2014, o intérprete já se permite imprimir tons mais cinzentos no seu canto de cores vivas. Esse tom outonal salta aos ouvidos em vários momentos do primeiro volume de Samba mesmo, o projeto duplo lançado pela gravadora Som Livre. Produzido por Jair Oliveira, filho do artista, tal projeto está calcado em regravações. Todas as 26 músicas são inéditas na voz de Jair, mas somente duas nunca tinham ganhado registro em disco. Uma delas - Se você deixar, samba dengoso do compositor baiano Roque Ferreira - aparece neste primeiro volume, disco pontuado por certa melancolia. Alvo de uma das melhores interpretações de Jair neste disco, Luz negra (Nelson Cavaquinho e Amâncio Cardoso, 1964) acende até o vislumbre da finitude enquanto o samba-canção Esses moços (Pobres moços) (Lupicínio Rodrigues, 1948) destila amargura e desilusão sobre o amor outrora vivido com ardor. Nessa aquarela, os arranjos de Swami Jr., Nailor Proveta e Paulo Dáfilin injetam certa vivacidade nas músicas, valorizando o clima seresteiro de temas como Serenata (Vicente Celestino, 1940). Entre deliciosa obviedade de Noel Rosa (1910 - 1937) (Fita amarela, 1933) e samba pouco ouvido de Martinho da Vila (Todos os sentidos, 2000), erroneamente relacionado entre as músicas inéditas no texto que apresenta o disco, o cantor ambienta Barracão (Luis Antônio e Oldemar Magalhães, 1953) em clima de gafieira e recebe os filhos Jair Oliveira e Luciana Mello na música No rancho fundo (Ary Barroso e Lamartine Babo, 1931). De certa forma, ao dar voz às 13 músicas desse Samba mesmo 1, Jair Rodrigues está mesmo em casa.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Jair vai de Noel a Gonzaguinha nos dois volumes do CD 'Samba mesmo'

Disponibilizados no iTunes pela gravadora Som Livre nesta segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014, os dois volumes do CD Samba mesmo - gravados por Jair Rodrigues em 2013 com produção de Jair Oliveira, filho do cantor paulista - apresentam repertórios formados por regravações de sucessos. Embora o título Samba mesmo sinalize disco dedicado ao samba de cadência tradicional, Rodrigues também transita pelo samba-canção, gênero representado no repertório por standards brasileiros como Bom dia, tristeza (Adoniran Barbosa e Vinicius de Moraes, 1957), No rancho fundo (Ary Barroso e Lamatine Babo, 1931) - música que ficaria mais associada ao universo sertanejo e que o cantor regrava em dueto com sua filha Luciana Melo - e Esses moços (Pobres moços) (Lupicínio Rodrigues, 1948). Na seleção de samba mesmo, Jair vai do Noel Rosa (1910 - 1937) de Fita amarela (1933) ao Gonzaguinha (1945 - 1991) de É (1987), passando pelo Adoniran Barbosa (1911 - 1982) de Trem das onze (1964) e pelo Chico Buarque de Apesar de você (1970). Os dois volumes de Samba mesmo totalizam 26 regravações. Cada disco tem 13 faixas. O primeiro pode ser comprado aqui e o segundo, aqui.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Jair Rodrigues festeja 75 anos com CD duplo produzido por Jair Oliveira

A caminho dos 75 anos de vida, a serem completados em 6 de fevereiro de 2014, o cantor paulista Jair Rodrigues vai festejar a data com a edição de disco duplo produzido por seu filho, o cantor e compositor Jair Oliveira. O CD está feito, tendo sido finalizado em outubro de 2013.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Seu Jorge dá voz a sucesso de Jair Rodrigues para campanha publicitária

Música lançada por Jair Rodrigues em 1964 e considerada a precursora do rap no Brasil por conter passagens mais faladas do que propriamente cantadas, o hit Deixa isso pra lá (Edson Menezes e Alberto Paz) ganha o balanço de Seu Jorge em gravação feita para a campanha publicitária Carinho inspira carinho, idealizada por marca de cosméticos. Já disponível no YouTube, a gravação de Jorge evita enfatizar o discurso falado do rap para priorizar o suingue típico do cantor. E por falar em Jorge, o artista carioca vai lançar, no segundo semestre de 2013, álbum gravado entre Brasil e Estados Unidos com a participação de Marisa Monte e com convidados norte-americanos como a cantora Erykah Badu, o baixista Flea (do Red Hot Chili Peppers), o rapper Mos Def e o violinista e arranjador Miguel Atwood-Ferguson - entre outros.