Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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quinta-feira, 24 de março de 2016

DVD 'Rainha dos raios ao vivo' expõe Alice em instante de plenitude artística

Resenha de DVD
Título: Rainha dos raios ao vivo
Artista: Alice Caymmi
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * * * *

A edição do primeiro DVD de Alice Caymmi, Rainha dos raios ao vivo, chega ao mercado fonográfico um pouco tardia, neste mês de março de 2016, mas ainda em tempo de perpetuar um instante de plenitude artística da cantora e compositora carioca. A artista já mostrou que honraria o nobre sobrenome no álbum de estreia, Alice Caymmi (Kuarup / Sony Music, 2012). Entre músicas inéditas de safra autoral que vislumbrava o horizonte da MPB, Alice mostrou que criava onda própria ao dar a voz grave a Sargaço mar (Dorival Caymmi, 1985), música do avô-gênio que rendeu clipe exibido na versão mais bem acabada do show Rainha dos raios e rebobinada nos extras do DVD ora lançado e captado em dezembro de 2014 na apresentação do espetáculo no Teatro Itália, na cidade de São Paulo (SP). Até a cantora e compositora islandesa Björk manifestou publicamente a admiração com a abordagem de Unravel (Björk e Guy Sigsworth, 1997) que valorizou o primeiro álbum de Alice. Contudo, foi com a edição do segundo álbum - Rainha dos raios, lançado pela gravadora Joia Moderna, do DJ Zé Pedro, em 15 de setembro de 2014 - que Alice Caymmi cresceu, apareceu e seduziu o universo pop em 2014 com sucesso que se estendeu por 2015. O encontro da artista com o produtor e multi-instrumentista Diogo Strausz - piloto do disco e único músico presente no palco do Teatro Itália - resultou em disco inebriante que evidenciou a forte personalidade de Alice Caymmi como intérprete, expandiu o universo estético-musical da artista (com repertório que ia de MC Marcinho a Caetano Veloso, passando por Alberto Continentino e Domenico Lancellotti, compositores da apoteótica Como vês) e gerou show que teve versão mais convencional até ser remodelado pelo diretor Paulo Borges, ícone da moda paulistana, na primeira incursão pelo mundo da música. O DVD Rainha dos raios ao vivo exibe a versão hi-tech concebida por Borges. Trata-se de impactante espetáculo audiovisual que ampliou o significado das músicas do disco - com base no vídeo-cenário criado por Richard Luiz, diretor do DVD - e acrescentou outras músicas ao repertório de Alice (clique aqui para ler a resenha do show e aqui para ver o roteiro seguido pela cantora nas apresentações do Teatro Itália). Além de criar a cena do espetáculo, Borges se revelou diretor sensível ao refinar a postura da cantora em cena, podando excessos que evidenciaram, na versão anterior do show, a necessidade de um diretor (Alice costumava falar muito e por vezes perdia a noção de timing do show). O que se vê e ouve no DVD Rainha dos raios ao vivo é um show perfeito de uma cantora em momento áureo, valorizado - verdade seja dita - pela produção sofisticada erguida em tempo recorde, somente quatro meses após o telefonema dado por Alice em agosto de 2014 para o DJ Zé Pedro para sondar a viabilidade do álbum Rainha dos raios ser editado pela gravadora Joia Moderna. O disco em si já estava pronto, mas foi a ponte entre Zé Pedro e Paulo Borges que pavimentou a versão mais refinada do show Rainha dos raios ora eternizada no DVD, cujos extras incluem making of e o clipe do samba Falam de mim (Noel Rosa de Oliveira, Éden Silva e Aníbal Silva, 1948) que propaga a gravação lançada pela cantora na web em 9 de fevereiro de 2015. É registro destoante do clima do show, feito já sem a produção fundamental de Diogo Strausz. Clipe por clipe, o da valsa Antes de tudo (Alice Caymmi, 2014) - cujo vídeo também é rebobinado nos extras - está mais em sintonia com o tom impactante do disco e show Rainha dos raios. E o clipe de Homem (Caetano Veloso, 2006) - filmado com travestis e exibido no DVD ao fim do show, como vídeo escondido fora dos extras - corrobora a força e o impacto daquele momento na carreira da artista, que realmente reinou entre o fim de 2014 e o início de 2015. Caberá ao tempo rei mostrar se Alice Caymmi vai se manter rainha no universo pop em álbuns e shows futuros. Ou se o espetáculo exibido em Rainha dos raios ao vivo vai se tornar o instante mais relevante da carreira da artista. Um instante de plenitude deixado para a eternidade.

domingo, 13 de março de 2016

Eis a bela capa do primeiro DVD de Alice Caymmi, 'Rainha dos raios ao vivo'

Esta é a capa do primeiro DVD da cantora e compositora carioca Alice Caymmi. Rainha dos raios ao vivo traz o registro do show dirigido por Paulo Borges e baseado no repertório do segundo álbum da cantora, Rainha dos raios, lançado originalmente pela gravadora Joia Moderna em setembro de 2014. O show foi captado em dezembro de 2014, em apresentação no Teatro Itália, em São Paulo (SP). Previsto de início para 2015, o primeiro DVD de Alice Caymmi chega ao mercado fonográfico de fato na segunda quinzena deste mês de março de 2016 em edição da gravadora Universal Music.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Alice Caymmi grava participação no álbum (de inéditas) preparado pela Blitz

A banda carioca Blitz prepara desde 2015 um álbum com músicas inéditas. Enquanto aguarda a edição do DVD Rainha dos raios, previsto para ser (enfim) lançado em março deste ano de 2016 pela gravadora Universal Music, a cantora carioca Alice Caymmi gravou ontem, 19 de fevereiro de 2016, participação neste disco do grupo comandado por Evandro Mesquita desde a década de 1980.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Universal Music lança em 21 de agosto reedição em CD de 'Rainha dos raios'

Prevista de início para ter sido posta nas lojas pela gravadora Universal Music em julho de 2015, a reedição em CD de Rainha dos raios - o aclamado segundo álbum de Alice Caymmi, apresentado ao mercado fonográfico em setembro de 2014 através da gravadora Joia Moderna - pela multinacional do disco vai chegar efetivamente às lojas a partir de 21 de agosto. Enquanto não lança seu primeiro DVD pela mesma Universal Music, Alice e a gravadora promovem o clipe da valsa Antes de tudo (Alice Caymmi, 2014), uma das nove músicas do disco. Dirigido por Martin Toro, da Nova Cia. de Cinema, o clipe de Antes de tudo por ser visto no canal da artista no Vevo/YouTube.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Alice estreia show 'Rainha dos raios' no Rio já com Lucas no lugar de Strausz

A IMAGEM DO SOM - Diante de plateia calorosa que lotou a reformada Sala Cecília Meirelles na noite de ontem, 15 de julho de 2015, Alice Caymmi - em foto de Rodrigo Goffredo - estreou enfim na sua cidade natal, o Rio de Janeiro (RJ), a requintada versão hi-tech do show Rainha dos raios. A estrutura tecnológica idealizada e erguida em cena pelo diretor Paulo Borges - com cenário de Richard Luiz (formado nos cinco telões de LED de alta definição que projetam imagens que expandem o significado das músicas do roteiro) e a iluminação de Wagner Freire - foi reproduzida em cena. A novidade está na substituição do músico Diogo Strausz - produtor do álbum Rainha dos raios (Joia Moderna, 2014), disco que vai ser em breve relançado com distribuição nacional pela gravadora Universal Music - pelo guitarrista Lucas Vasconcellos. Fundamental para o êxito do CD Rainha dos raios, Strausz foi substituído por não ter chegado a um acordo financeiro com os produtores da turnê nacional do espetáculo. Em que pese a particularidade do toque da guitarra de Vasconcellos, o som pouco ou nada mudou, já que as bases pré-gravadas criadas por Strausz foram reproduzidas no show, gravado ao vivo na sua estreia nacional - em dezembro de 2014, no Teatro Itália, em São Paulo (SP) - para edição de DVD que chega ao mercado fonográfico neste segundo semestre de 2015 em edição da Universal Music. Sem a tensão da estreia, Alice Caymmi reinou no palco da Sala Cecília Meirelles em apresentação perfeita que teve seus ingressos esgotados dias antes, sinalizando o crescimento da popularidade da cantora e compositora carioca. Clique aqui para (re)ler a crítica da bela versão hi-tech do show Rainha dos raios postada em Notas Musicais.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Alice assina com Universal para reeditar CD 'Rainha dos raios' (e lançar DVD)

Alice Caymmi é a mais nova integrante do elenco da gravadora Universal Music. A cantora e compositora carioca - em foto de Daryan Dornelles - está assinando contrato com a multinacional do disco para reeditar seu segundo álbum, Rainha dos raios (Joia Moderna, 2014), e lançar seu primeiro DVD com a gravação do show captado em 11 de dezembro de 2014 em apresentação no Teatro Itália, em São Paulo (SP). Enquanto espera o DVD, clique aqui para ler a resenha do registro ao vivo da remodelada versão hi-tech do show Rainha dos raios criada e dirigida por Paulo Borges.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

CDs de Alice, Ney e Paralamas disputam troféu pop no 26º Prêmio da Música

Um dos discos mais cultuados na cena indie brasileira em 2014, o segundo álbum da cantora carioca Alice Caymmi - Rainha dos raios, produzido por Diogo Strausz e lançado pela gravadora Joia Moderna - incidiu com força na lista de indicados à 26º edição do Prêmio da Música Brasileira. Além de ter rendido a Alice uma indicação de melhor cantora na categoria pop / rock/ reggae / hip hop / funk, Rainha dos raios disputa o troféu de melhor álbum dessa abrangente categoria com discos ao vivo de Ney Matogrosso e Paralamas do Sucesso. O cantor mato-grossense concorre com Atento aos sinais ao vivo (Som Livre, 2014), registro do show de tom pop roqueiro que estreou em fevereiro de 2013. Já o trio carioca está no páreo com Multishow ao vivo - Os Paralamas do Sucesso 30 anos, registro do espetáculo em que Herbert Vianna (voz e guitarra), João Barone (bateria) e Bi Ribeiro (baixo) revisaram três coerentes décadas de vida e som. Nessa categoria, o júri do Prêmio da Música Brasileira - criado pelo empresário José Maurício Machline - minimizou a força de Encarnado (Independente, 2014), o atordoante álbum solo de Juçara Marçal, indicada ao prêmio de cantora da categoria juntamente com Alice Caymmi e Marisa Monte. Disco que encarou a morte de frente, Encarnado figurou em várias listas de melhores CDs de 2014.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Força dos intérpretes jamais deve ser minimizada no reino dos 'cantautores'

EDITORIAL - Música forte e comunicativa do compositor baiano Luciano Salvador Bahia, lançada na voz do autor (em dueto com Eduardo Dussek) no seu álbum Abstraia, baby (Dubas, 2014), Tango do mal foi salva do ostracismo ao ganhar a voz potente de Simone Mazzer - em foto de Rodrigo Ferdinand - em gravação que abre o recente primeiro álbum solo da cantora paranaense, Férias em videotape (Dubas, 2015), e que explora todas as nuances da letra com interpretação precisa. Posta em rotação na trilha sonora da novela Babilônia (TV Globo, 2015), a gravação de Tango do mal por Mazzer é exemplo de como a força de um intérprete não deve ser menosprezada na era dos cantautores. Outro exemplo recente do poder de uma voz reside na faixa que abre o segundo álbum da cantora carioca Alice Caymmi, Rainha dos raios (Joia Moderna, 2014). Música de grande força dramática, Como vês (Domenico Lancellotti e Bruno Di Lullo, 2013) jazia submersa na gravação sem vida feito pelo grupo carioca Tono em seu terceiro álbum, Aquário (Independente, 2013). O registro de Alice revitalizou a música, impactou a cena indie e foi parar na trilha sonora de minissérie exibida pela TV Globo no início do ano, Felizes para sempre? (TV Globo, 2015), veiculando em escala nacional uma gravação que evidencia a química explosiva resultante da combinação da música certa com o intérprete adequado. Outros exemplos do poder de um intérprete podem ser conferidos em É, o experimental primeiro álbum de Duda Brack, lançado neste mês de abril de 2015. Cantora gaúcha radicada na cidade do Rio de Janeiro (RJ), Brack valoriza músicas de compositores - César Lacerda e Dani Black, por exemplo - que são mais cantautores do que cantores (sobretudo César). Projetados a partir da era dos festivais que mobilizaram a música brasileira no fim dos anos 1960, cantautores são bem-vindos em qualquer época. Compositores, às vezes, podem não ter aquela voz, mas, como criadores, conhecem o sentido de cada verso que cantam. E há aqueles que, independentemente de serem grandes compositores, também são grandes cantores (casos de Caetano Veloso e do divino Milton Nascimento, para citar dois exemplos de artistas projetados na era dos festivais). De todo modo, o modelo atual de música feita e veiculada via web favorece a figura do cantautor e pode ser bem aproveitada por intérpretes. A cantora e compositora paulistana Tulipa Ruiz é caso recente de artista que se destaca tanto pela produção autoral quanto pela habilidade vocal. Mas o fato é que vigora há anos o reinado do compositor que canta - com ou sem dotes vocais. Só que a figura de um intérprete - como o excelente Filipe Catto, melhor cantor do que compositor - jamais deve ser minimizada na era dos cantautores. Um intérprete sagaz é até capaz de tornar uma música maior do que ela é. Duda Brack é exemplo de cantora que toma para si músicas que, em vozes mais opacas, talvez passassem despercebidas. O ideal é que intérpretes e cantautores convivam em harmonia no pulverizado mercado fonográfico, sem que um seja anulado em favor do outro - mesmo que o brilho do intérprete seja maior.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Clipe de 'Como vês' já revela as primeiras imagens do primeiro DVD de Alice

A IMAGEM DO SOM - Extraída do clipe da regravação de Como vês (Domenico Lancellotti e Bruno Di Lullo, 2013), música do repertório do grupo carioca Tono, a imagem acima mostra Alice Caymmi no palco do Teatro Itália, em São Paulo (SP), em 11 de dezembro de 2014. Já em rotação no YouTube, o vídeo exibe as primeiras imagens do primeiro DVD da cantora carioca. O DVD vai ser lançado neste ano de 2015 com o registro ao vivo do sofisticado show concebido e dirigido por Paulo Borges. Dirigido por Richard Luiz para a Protótipo Filme, o clipe reproduz Como vês em registro que tem totalmente arranjo fiel à gravação lançada no segundo álbum de Alice, Rainha dos raios (Joia Moderna, 2014), e propagada em escala nacional nas chamadas e na trilha sonora da minissérie Felizes para sempre? (TV Globo, 2015), com excelente repercussão popular. Só que o arranjo eletrônico do produtor Diogo Strausz ganha no espetáculo, no fim, um floreio jazzy inexistente na (retumbante)  gravação de estúdio.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Alice Caymmi cai em samba de 1948 com 'single' produzido por ela e Benjão

"Falam de mim, mas eu não ligo / ... / Por ciúme ou por despeito, falam de mim / ... / Falam de mim, mas quem fala não tem razão", sentencia Alice Caymmi através dos versos de Falam de mim (Noel Rosa de Oliveira, Éden Silva e Aníbal Silva). Samba lançado em disco em 1948 pela dupla Zé da Zilda e Zilda do Zé, Falam de mim ganhou registro de Nana Caymmi em 1977 e, desde 2014, vem sendo reavivado na voz de Alice Caymmi. Após cair nesse samba com Jards Macalé em apresentação do show Rainha dos raios, em novembro de 2014, a cantora carioca lança hoje, 9 de fevereiro de 2015, single independente no portal SoundCloud com sua gravação oficial de Falam de mim. Com bases gravadas no estúdio Maravilha 8, no Rio de Janeiro (RJ), o single foi produzido por Gustavo Benjão - que toca bateria, guitarra, xequerê e congas clave na gravação - com a própria Alice Caymmi. E não impacta como o CD Rainha dos raios. Programações e samples de Rodrigo Gorkie contribuem para dar tom contemporâneo a um samba atual em tempos de falatórios inconsequentes em redes sociais...

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Strausz junta Alice, Danilo, Leno e Kassin no álbum solo 'Spectrum vol. 1'

 Spectrum se refere ao espectro musical e emocional do álbum. Eu sou novo, tenho muito o que explorar e esse álbum é uma chance de suprir meu desejo de me aventurar”, pontua o artista carioca Diogo Strausz a respeito do título de seu primeiro álbum solo, Spectrum vol. 1, cujo lançamento está agendado para 27 de janeiro de 2015. Produtor, compositor, arranjador e multi-instrumentista que deu seus primeiros passos profissionais como guitarrista do extinto grupo carioca R. Sigma, Strauz dispara seu primeiro disco solo de forma independente no rastro da consagração obtida entre a crítica musical por conta da produção do segundo álbum de Alice Caymmi, Rainha dos raios (Joia Moderna, 2014). Alice, aliás, integra o vasto time de convidados do disco ao lado de Apollo, Danilo Caymmi, Leno (pai de Strausz) e Kassin, entre outros nomes relacionados na intencionalmente envelhecida capa vintage de Spectrum vol. 1. Já em rotação na web, o primeiro single do álbum, Não deixe de alimentar, é faixa de groove que remete aos anos 1970, gravada com os vocais das cantoras Ledjane Motta e Maria Pia. Outras músicas do disco são Chibom (incursão de Strausz pelo universo nortista da guitarrada), Me ama (faixa formatada com Kassin e batida de drum'n'bass) e Narcissus. "Quero, com esse álbum, colocar pra fora dois anos de ideias guardadas e que ficavam tocando dentro da minha cabeça sem serem ouvidas por outros. Espero poder compartilhá-las agora", idealiza Strausz, com o fôlego otimista da juventude.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Strausz dispara seu primeiro disco solo no embalo da projeção com Alice

O produtor e versátil músico carioca Diogo Strausz entra em 2015 como um dos nomes mais incensados da cena contemporânea brasileira. No embalo da projeção obtida como produtor de Rainha dos raios (Joia Moderna, 2014), o incensado segundo álbum da cantora carioca Alice Caymmi, o artista - já conhecido desde antes no universo da música eletrônica carioca - vai lançar neste começo de 2015 seu primeiro disco solo, Spectrum vol. 1, gravado com vários convidados.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Retrô 2014: Alice cresce, (re)aparece e se torna a personalidade pop do ano

Retrospectiva 2014 - Aos 24 anos, Alice Caymmi quebrou a onda que batia na praia de sua nobre família musical e se tornou a personalidade pop de 2014. No ano em que o Brasil celebrou o centenário de nascimento de seu avô. um certo Dorival Caymmi (1914 - 2008), cujo cancioneiro foi tropicalizado por sua neta em janeiro no carnavalizante show Dorivália, a cantora e compositora carioca cresceu como intérprete e (re)apareceu com um segundo álbum, Rainha dos raios, que aprimorou o talento já visível no anterior Alice Caymmi (Kuarup / Sony Music, 2012), disparando descarga elétrica na música brasileira contemporânea. E arrebatando críticos e personalidades como Nelson Motta, Paulo Borges e Roberta Sá, entre outros nomes influentes. Produzido por Diogo Strausz, Rainha dos raios foi lançado em setembro, em edição digital, pela gravadora Joia Moderna, do DJ Zé Pedro. Em novembro, ganhou edição física em CD. Em dezembro, deu origem a um show requintado, concebido e dirigido por Paulo Borges - o todo-poderoso da São Paulo Fashion Week - para ser gravado para exibição nos cinemas e edição de DVD em 2015. Aliado às ousadias estilísticas dessa cantora capaz de irmanar Caetano Veloso, MC Marcinho e Michael Sullivan em seu repertório, o visual estranho de Alice Caymmi - geralmente fora dos padrões e quase sempre imponente, provocante, para não dizer esquisito, como percebido na foto de Daryan Dornelles - ajudou a traduzir em imagem o temperamento forte da artista. Alvo de reportagens nos principais jornais do Brasil, tendo sido eleita a carioca do ano na área musical pela revista Veja Rio, Alice Caymmi sai consagrada de 2014, em sua própria praia, com ovação impensável para a menina tímida que debutou em disco em 2001, aos 11 anos, cantando música de sua meia-irmã Juliana Caymmi, Seus olhos, em faixa pouco ou nada ouvida de álbum de sua forte tia Nana Caymmi, Desejo (Universal Music, 2001). Não, não teve tempo ruim para Alice Caymmi em 2014.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Alice reina em um show sofisticado em que Paulo Borges refina sua postura

Resenha de show - Gravação de DVD
Título: Rainha dos raios
Artista: Alice Caymmi (em foto de Caio Galucci)
Local: Teatro Itália (São Paulo, SP)
Data: 11 de dezembro de 2014
Cotação: * * * * *

Três meses após ver sua estrela ascender meteoricamente com a edição de um segundo álbum que caiu como raio na cena musical brasileira, Alice Caymmi igualou no palco o requinte do disco lançado em setembro deste ano de 2014 pela gravadora Joia Moderna, do DJ Zé Pedro. Idealizada e dirigida por Paulo Borges (o todo-poderoso da São Paulo Fashion Week), a versão remodelada do show Rainha dos raios - apresentada no Teatro Itália, em São Paulo (SP), em 11 e 12 de dezembro - representa o ápice precoce da trajetória da cantora e compositora carioca em cena. Em show pautado pela sofisticação, a artista entrou em cena com estrutura técnica compatível com seu talento e com a expectativa gerada pelo frisson causado pelo CD. Essa estrutura hi-tech foi erguida por Borges com o requinte do cenário de Richard Luiz (centrado nos cinco telões de LED de alta definição que expandem com imagens o significado de cada música do roteiro), dos figurinos de Walério Araújo e João Pimenta (exuberantes, mutantes e em sintonia com a salutar estranheza entranhada no canto de Alice) e da iluminação de Wagner Freire (uma luz que, além de bela, ajuda a compor a cena). Mas a sofisticação do show não se resume à sua ficha técnica. Mostrando talento até então insuspeito para dirigir shows de música, Borges refinou e teatralizou o canto de Alice Caymmi, podando excessos de espontaneidade que, ao mesmo tempo em que reiteravam a personalidade forte da cantora, também tiravam por vezes o foco do canto da artista. No show captado por oito câmeras para possibilitar sua exibição nos cinemas e a posterior edição em DVD (o primeiro de Alice), a cantora interpretou as 14 músicas do roteiro sob a marcação rígida de Borges. Sua única fala na estreia de 11 de dezembro de 2104 se resumiu a um "boa noite" ao público que lotou as 278 cadeiras do Teatro Itália. O show falou por si só. Sob direção firme, Alice realçou todas as nuances das músicas com gestual expressivo, teatral. As ênfases feitas em Meu recado, por exemplo, ajudaram a cantora a dar com clareza o recado da letra dessa balada pop de espírito soul que abre a parceria de Alice com o compositor pernambucano Michael Sullivan (balada de clara vocação popular como tantas feitas pelo hitmaker nos anos 1980). Quando começou a cantar Meu mundo caiu (Maysa, 1958), para citar outro efeito da direção detalhista de Borges, Alice estava de cabeça baixa, mas terminou a música fitando o alto do palco, em gestual que traduziu a evolução emocional da personagem da passional canção imortalizada pela cantora paulista Maysa (1936 - 1977). A exibição nos telões de imagens de um baile dos dourados anos 1950 contribuiu para criar uma atmosfera de encantamento em um belo número que nem pode ser tachado de ponto alto porque o show transcorreu absolutamente perfeito, sem baixos. Cada número provocou uma sensação diferente, seja pelo efeito visual, seja pela interpretação refinada da cantora (em geral, por ambos). A opção por deixar Alice a sós no palco com o homem-orquestra Diogo Strausz - produtor do álbum Rainha dos raios - se revelou acertada. Por mais que o disco tenha sido gravado com a participação eventual de outros músicos, Strausz orquestrou Rainha dos raios sozinho. Em cena, munido de sua guitarra e dos teclados que reproduzem as bases do disco, Strausz armou a cama eletrônica para que a cantora deitasse e rolasse na interpretação de músicas como Paint it black (Mick Jagger e Keith Richards, 1966) - sucesso da fase inicial do grupo inglês The Rolling Stones revivido por Alice no show com imagens dos conflitos sociais que agitaram os efervescentes anos 1960 - e Como vês (Domenico Lancellotti e Bruno Di Lullo, 2013), música dramática do grupo carioca Tono que Alice tomou para si com sua voz grave que tem soado cada vez com mais nuances e tons. Aberto com Iansã (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1972), número em que Alice é vestida pelos figurinistas como imponente orixá e no qual os telões projetam imagens de nuvens cinzentas, o roteiro está acrescido - nessa versão do show - do clipe da recriação de Sargaço mar (Dorival Caymmi, 1985), reminiscência do primeiro álbum da artista, Alice Caymmi (Kuarup / Sony Music, 2012). Além de o vídeo ter sido o primeiro ponto de contato de Borges com o canto de Alice, a inserção do clipe faz sentido porque conecta Alice à sua nobre dinastia - link sagaz porque, de todas as vozes da família Caymmi, a dela é a que tem se projetado com alcance fora da praia particular do centenário patriarca Dorival (1914 - 2008). Quem um dia imaginou uma Caymmi dando voz a um sucesso de funk melody como Princesa (MC Marcinho, 1998)? Pois Alice realça, sem amarras estéticas, toda a beleza que há nessa melodia ouvida exaustivamente nos bailes dos anos 1990. Nesse parque de diversões eletrônicas, a valsa-canção Antes de tudo - música da lavra da própria Alice - girou envolvente no rodopio do carrossel que também compõe o cenário. No giro, Alice interagiu com um dos dois robóticos modelos negros, Bruno e Hugo, recrutados por Borges para realçar a teatralidade da cena. Os modelos ganharam especial visibilidade no bloco dance que transformou o palco numa boate enquanto Alice repaginava o pop funk Joga fora (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1986). Na sequência, I feel love (Donna Summer, Giorgio Moroder e Pete Bellotte, 1977) sensualizou o ambiente, transformado numa pista dos dancin' days, com direito a globos espelhados no palco e na plateia. É quando a cantora se amalgamou com os modelos na barra de pole dance do cenário, em erotismo que jamais roçou a vulgaridade. Sucesso do grupo sueco ABBA, Lay all your love on me (Benny Andersson Björn Ulvaeus, 1980) arrematou o bloco dance. Já Jasper (Caetano Veloso, Arto Lindsay e Peter Sheerer, 1989) foi música cantada de início a capella - em mais uma interpretação moldada para a cena - até ser envolta em marcantes beats eletrônicos. Entre tantos números de requinte visual, a prisão de Alice no figurino-gaiola de Sou rebelde (Manuel Alejandro e Ana Magdalena, 1971, em versão em português de Paulo Coelho, 1978) causou especial impacto pela estranheza que amplificou o sentido de uma música pueril, propagada no Brasil na voz miúda de Lilian (da dupla com Leno, pai de Diogo Strausz). Música lançada por Cher em 1966, mas hoje mais associada a Nancy Sinatra (cuja gravação - também de 1966 - foi reavivada ao ser incluída pelo cineasta Quentin Tarantino na trilha sonora de seu cultuado filme Kill Bill, de 2003), Bang bang (My baby shot me down) sintetizou o equilíbrio chique entre direção, interpretação, cenário e iluminação do show. Quando o revólver apontado do telão para a plateia faz bombar sangue ao fim do número, o público já está totalmente arrebatado. Mas o tiro final e certeiro foi dado por Homem (Caetano Veloso, 2003). A versão dub-step de Alice foi incrementada com figurino intencionalmente masculinizado. O microfone se tornou um símbolo fálico, em sintonia com a imagem do travesti nu exibida no telão. Enfim, nasceu uma estrela neste ano de 2014. Mas nasceu também um talentoso diretor de shows musicais. Se Alice por vezes soou como diamante bruto no palco, Paulo Borges soube lapidar o diamante e mostrar em cena todo o brilho dessa cantora-orixá, refinando a postura e o canto da estrela nascente. Soberana, Alice Caymmi reinou em show à altura do seu talento.

♪ ♪ ♪ ♪ ♪  O blog Notas Musicais viajou a São Paulo (SP) a convite da gravadora Joia Moderna. 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Roteiro do primeiro registro ao vivo de Alice rebobina clipe de 'Sargaço mar'

O primeiro contato de Paulo Borges com a voz e o som de Alice Caymmi foi feito através do clipe de Sargaço mar (Dorival Caymmi, 1985). Apresentado ao diretor da São Paulo Fashion Week pelo DJ Zé Pedro, dono da gravadora Joia Moderna, o vídeo foi filmado a partir de uma das melhores gravações do primeiro álbum da cantora carioca, Alice Caymmi (Kuarup / Sony Music, 2012). Apaixonado pela música de Alice a partir do clipe, Borges acabou idealizando e dirigindo a refinada versão remodelada do show Rainha dos raios, baseado no disco homônimo editado pela gravadora Joia Moderna em setembro deste ano de 2014. A estreia dessa nova versão do show aconteceu no Teatro Itália, em São Paulo (SP), em 11 de dezembro de 2014 - data em que oito câmeras captaram a apresentação para produção de gravação ao vivo que vai ser exibida nos cinemas em 2015 antes de ser editada em DVD. O clipe de Sargaço mar foi naturalmente inserido no roteiro, ligeiramente diferente do seguido por Alice na estreia nacional do show em 26 de setembro, no Rio de Janeiro (RJ). Algumas músicas entraram no roteiro e outras saíram. Eis o roteiro eternizado na gravação ao vivo do espetáculo hi-tech concebido e dirigido por Paulo Borges - na primeira incursão musical fora do mundo da moda - e apresentado por Alice Caymmi (em foto de Caio Galucci) no Teatro Itália, em São Paulo, em 11 de dezembro de 2014:

1. Iansã (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1972)
2. Paint it black (Mick Jagger e Keith Richards, 1966)
3. Como vês (Domenico Lancellotti e Bruno Di Lullo, 2013)
4. Meu recado (Michael Sullivan e Alice Caymmi, 2014)
5. Meu mundo caiu (Maysa, 1958)
6. Antes de tudo (Alice Caymmi, 2014)
7. Bang bang (My baby shot me down) (Sonny Bonno, 1966)
8. Princesa (MC Marcinho, 1998)
9. Joga fora (Michael Sullivan & Paulo Massadas, 1986)
10. I feel love (Donna Summer, Giorgio Moroder e Pete Bellotte, 1977)
11. Lay all your love on me (Benny Andersson Björn Ulvaeus, 1980)
12. Jasper (Caetano Veloso, Arto Lindsay e Peter Sheerer, 1989)
13. Sargaço mar (Dorival Caymmi, 1985) - clipe
14. Sou rebelde (Soy rebelde) (Manuel Alejandro e Ana Magdalena, 1971)
      (Versão em português de Paulo Coelho, 1978)

15. Homem (Caetano Veloso, 2006)
Bis:
16. Meu recado (Michael Sullivan e Alice Caymmi, 2014)


♪ ♪  ♪ O blog Notas Musicais viajou a São Paulo (SP) a convite da gravadora Joia Moderna. 

Figurinos são show à parte na gravação ao vivo do DVD de Alice Caymmi

A IMAGEM DO SOM - Assinados pelos estilistas Walério Araújo e João Pimenta, os figurinos usados por Alice Caymmi na gravação ao vivo de seu primeiro DVD foram show à parte na apresentação que lotou o Teatro Itália, em São Paulo (SP), em 11 de dezembro de 2014. Como visto nas fotos de Caio Galucci, os figurinos traduziram a estranheza salutar que pauta o disco e o show Rainha dos raios. Figurinos que foram se transformando ao longo do show, ganhando penas pretas em Jasper (Caetano Veloso, Arto Lindsay e Peter Sheerer, 1989) e incorporando acessórios que sugeriram a imagem de uma gaiola que aprisiona a cantora durante a interpretação de Sou rebelde (Soy rebelde) (Manuel Alejandro e Ana Magdalena, 1971, em versão em português de Paulo Coelho, 1978). Diretor da São Paulo Fashion Week (a semana de moda que dita tendências no Brasil), Paulo Borges assina a concepção do espetáculo que provocou impacto visual entre o descolado público paulista. Apresentado pela Joia Moderna (a gravadora do DJ Zé Pedro que lançou o álbum Rainha dos raios em setembro) e pela Sky, o show fashion vai ser exibido nos cinemas em 2015 antes de ser editado em DVD, coroando o reinado de Alice Caymmi.

♪ ♪ ♪  O blog Notas Musicais viajou a São Paulo (SP) a convite da gravadora Joia Moderna.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Alice filma clipe de 'Homem' com travestis no teatro em que gravará DVD

A foto de Caio Gallucci foca instante de beleza de Alice Caymmi na preparação para a gravação do clipe de Homem. A versão dubstep da cantora carioca para a música de Caetano Veloso - lançada pelo compositor baiano no álbum (Universal Music, 2006) e recriada por Alice sob a produção musical de Diogo Strauz no álbum Rainha dos raios (Joia Moderna, 2014) - ganhou vídeo filmado sob a direção de Dácio Pinheiro em uma boate do tipo inferninho situada na capital paulista e também no mesmo Teatro Itália, em São Paulo (SP), em que a artista vai gravar seu primeiro DVD, em 11 e 12 de dezembro de 2014, em espetáculo idealizado por Paulo Borges. O clipe de Homem foi feito com participações de dois travestis, Melissa Paixão e Viviany Beleboni, escalados para acentuar o tom já subversivo da incensada gravação de Homem por Alice Caymmi.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Show de Alice vai ser gravado para exibição no cinema e edição de DVD

Uma das sensações musicais deste ano de 2014, o disco e show Rainha dos raios, da cantora e compositora Alice Caymmi, vai virar coisa de cinema. Sob a direção de Paulo Borges, a artista - em foto de Daryan Dornelles - vai fazer duas apresentações especiais do show, programadas para 11 e 12 de dezembro de 2014, no Teatro Itália, em São Paulo (SP). Com cenário hi-tech e figurinos de João Pimenta e Walério Araújo, as duas apresentações do show serão filmadas para gerar documentário musical ser exibido nos cinemas e posteriormente editado em DVD ao longo de 2015. Nessas apresentações, Alice vai dividir o palco somente com Diogo Strauz, produtor do disco Rainha dos raios. O roteiro do show vai além das músicas do CD editado via Joia Moderna.

domingo, 30 de novembro de 2014

Alice dá motivo para Sullivan fazer pulsar sua veia soul em show no Rio

A IMAGEM DO SOM - Através da expressão e do olhar de Alice Caymmi, a foto de Rodrigo Goffredo capta o encantamento da cantora carioca por estar dividindo o palco do teatro do Oi Futuro Ipanema, no Rio de Janeiro (RJ), com Michael Sullivan na última das duas apresentações de seu show Rainha dos raios programadas dentro da quarta edição do festival Sonoridades. De fato, um dos pontos mais altos da apresentação de 29 de novembro de 2014 foi o encontro de Alice com Sullivan, cantor e compositor de origem pernambucana que se tornou um dos maiores hitmakers da música brasileira a partir de 1983, ano em que o cantor carioca Tim Maia (1942 - 1998) deu seu vozeirão grave a Me dê motivo, primeiro sucesso da parceria de Sullivan com Paulo Massadas. A propósito, Me dê motivo foi o primeiro dos dois números feitos por Alice em dueto com Sullivan, que tocou seu violão eletroacústico e fez pulsar sua veia soul ao cantar a balada, um clássico do cancioneiro nacional da dor-de-corno. Na sequência, Alice e Sullivan cantaram sua primeira parceria, Meu recado, a "prima de Me dê motivo" na definição espirituosa de Sullivan. Balada de vocação radiofônica com algo de soul, Meu recado é uma das nove músicas alinhadas por Alice em seu aclamado segundo álbum, Rainha dos raios (Joia Moderna, 2014) que está ganhando edição física em CD via Tratore. "Mais do que Caymmi, ela é Alice", saudou Sullivan na troca de confetes com sua mais nova parceira. De fato, as ousadias estilísticas do álbum Rainha dos raios e as alterações no repertório original do show homônimo -  cujo roteiro foi aditivado com o acréscimo de músicas como I feel love (Donna Summer, Giorgio Moroder e Pete Bellotte, 1977), Paint it black (Mick Jagger e Keith Richards, 1966) e Bang bang (My baby shot me down) (Sonny Bonno, 1966), sucessos de Donna Summer (1948 - 2012), do grupo Rolling Stones e de Cher, respectivamente - sinalizam que Alice se distancia cada vez mais da praia da família Caymmi, pavimentando caminho próprio com personalidade forte a ponto de encerrar o show com He-man, título infantil do cancioneiro de Michael Sullivan e Paulo Massadas que fez sucesso em 1986 na gravação do Trem da Alegria, grupo criado por Sullivan em 1984. Da dupla de hitmakers, o roteiro do show Rainha dos raios abarca também o funk pop radiofônico Joga fora (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1986), grande sucesso de Sandra de Sá ambientado por Alice em clima de boate.

'Movimento dos barcos' leva Macalé a participar de show de Alice no Rio

A IMAGEM DO SOM - A foto de Rodrigo Goffredo flagra Alice Caymmi ajoelhada aos pés e ao violão de Jards Macalé. O cantor, compositor e músico carioca foi o convidado-surpresa da última das duas apresentações do show da cantora carioca, Rainha dos raios, no fecho da quarta edição do festival Sonoridades, na noite de ontem, 29 de novembro de 2014. Com curadoria de Nelson Motta, o festival ocupou o palco do teatro do Oi Futuro Ipanema, no Rio de Janeiro (RJ), durante as sextas-feiras e sábados deste mês de novembro de 2014. Chamado ao palco por Alice, Macalé entrou em cena antes do convidado oficial da noite, o cantor e compositor pernambucano Michael Sullivan. Macalé contou ao público que conhecera a família Caymmi por intermédio de Nelson Motta, que o apresentou a Dori Caymmi, tio de Alice. "Que crime!", respondeu de pronto, com humor afiado, a neta do patriarca Dorival Caymmi (1914 - 2008). E o fato é que os movimentos dos barcos e da música brasileira conduziram Macalé ao show baseado no segundo álbum de Alice, Rainha dos raios (Joia Moderna, 2014), um dos discos mais incensados deste ano. A propósito, Movimento dos barcos (Jards Macalé e José Carlos Capinam, 1971) foi a primeira das duas músicas cantadas por Alice com Macalé. "Posso fazer do meu jeito?", pediu a cantora. Fez. No seu tom, do seu jeito, Alice deu voz - cada vez mais segura e com mais nuances - à música lançada por Maria Bethânia no show e disco Rosa dos ventos (1971). Na sequência, mantendo o clima íntimo e minimalista do encontro, Alice e Macalé caíram afinados no samba Falam de mim (Noel Rosa de Oliveira, Éden Silva e Aníbal Silva), lançado em disco em 1948 pela dupla Zé da Zilda e Zilda do Zé, tendo sido regravado em 1977 por Nana Caymmi, tia de Alice. O encontro no palco de Alice Caymmi e Jards Macalé - concretizado por iniciativa do próprio Macalé - provou que o crime de Nelson Motta ao apresentar Jards Macalé a Dori Caymmi compensou muito.