♪ A IMAGEM DO SOM - Através da expressão e do olhar de Alice Caymmi, a foto de Rodrigo Goffredo capta o encantamento da cantora carioca por estar dividindo o palco do teatro do Oi Futuro Ipanema, no Rio de Janeiro (RJ), com Michael Sullivan na última das duas apresentações de seu show Rainha dos raios programadas dentro da quarta edição do festival Sonoridades. De fato, um dos pontos mais altos da apresentação de 29 de novembro de 2014 foi o encontro de Alice com Sullivan, cantor e compositor de origem pernambucana que se tornou um dos maiores hitmakers da música brasileira a partir de 1983, ano em que o cantor carioca Tim Maia (1942 - 1998) deu seu vozeirão grave a Me dê motivo, primeiro sucesso da parceria de Sullivan com Paulo Massadas. A propósito, Me dê motivo foi o primeiro dos dois números feitos por Alice em dueto com Sullivan, que tocou seu violão eletroacústico e fez pulsar sua veia soul ao cantar a balada, um clássico do cancioneiro nacional da dor-de-corno. Na sequência, Alice e Sullivan cantaram sua primeira parceria, Meu recado, a "prima de Me dê motivo" na definição espirituosa de Sullivan. Balada de vocação radiofônica com algo de soul, Meu recado é uma das nove músicas alinhadas por Alice em seu aclamado segundo álbum, Rainha dos raios (Joia Moderna, 2014) que está ganhando edição física em CD via Tratore. "Mais do que Caymmi, ela é Alice", saudou Sullivan na troca de confetes com sua mais nova parceira. De fato, as ousadias estilísticas do álbum Rainha dos raios e as alterações no repertório original do show homônimo - cujo roteiro foi aditivado com o acréscimo de músicas como I feel love (Donna Summer, Giorgio Moroder e Pete Bellotte, 1977), Paint it black (Mick Jagger e Keith Richards, 1966) e Bang bang (My baby shot me down) (Sonny Bonno, 1966), sucessos de Donna Summer (1948 - 2012), do grupo Rolling Stones e de Cher, respectivamente - sinalizam que Alice se distancia cada vez mais da praia da família Caymmi, pavimentando caminho próprio com personalidade forte a ponto de encerrar o show com He-man, título infantil do cancioneiro de Michael Sullivan e Paulo Massadas que fez sucesso em 1986 na gravação do Trem da Alegria, grupo criado por Sullivan em 1984. Da dupla de hitmakers, o roteiro do show Rainha dos raios abarca também o funk pop radiofônico Joga fora (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1986), grande sucesso de Sandra de Sá ambientado por Alice em clima de boate.
Guia jornalístico do mercado fonográfico brasileiro com resenhas de discos, críticas de shows e notícias diárias sobre futuros lançamentos de CDs e DVDs. Do pop à MPB. Do rock ao funk. Do axé ao jazz. Passando por samba, choro, sertanejo, soul, rap, blues, baião, música eletrônica e música erudita. Atualizado diariamente. É proibida a reprodução de qualquer texto ou foto deste site em veículo impresso ou digital - inclusive em redes sociais - sem a prévia autorização do editor Mauro Ferreira.
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domingo, 30 de novembro de 2014
sexta-feira, 14 de março de 2014
Dorivália, show tropicalista de Alice Caymmi, pode virar CD via Sullivan
Se depender da vontade do produtor e compositor pernambucano Michael Sullivan, o show Dorivália, de Alice Caymmi, vai ganhar registro em disco. No show, estreado em janeiro de 2014 no Rio de Janeiro (RJ), a cantora carioca faz abordagem carnavalizante do cancioneiro de seu avô, um certo Dorival Caymmi (1914 - 2008). O figurino tropicalista usado pela artista na estreia paulista de Dorivália - como visto na foto de Lauro Lisboa Garcia - traduz o espírito do show concebido dentro das homenagens pelo centenário de nascimento de Caymmi.
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
CD prova que várias canções de Sullivan são fortes e resistem ao tempo
Resenha de CD
Título: Michael Sullivan - Mais forte que o tempo
Artista: vários
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * *
Título: Michael Sullivan - Mais forte que o tempo
Artista: vários
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * *
Prestes a fazer 64 anos, em 9 de março de 2014, Ivanilton de Souza Lima atua há 50 anos no mundo da música. Aos 14, já cantava no Recife (PE), sua cidade natal. Em fins dos anos 1960, o cantor iniciante migrou para o Rio de Janeiro (RJ), se tornou compositor - fazendo sua primeira música em 1968, em parceria com Hyldon - e integrou o grupo Os Selvagens. Mas foi na década de 1970 que, além de fazer parte do conjunto Renato e seus Blue Caps, o cantor e compositor alcançou a fama com o nome artístico de Michael Sullivan. O primeiro sucesso - My life (Michael Sullivan, Richard Lee e Mark, 1976), canção composta em inglês, como mandava a cartilha fonográfica da época - entrou na trilha sonora da novela O casarão (TV Globo, 1976) e estourou nas rádios. Começou ali a escalada de sucesso do compositor que, ao relegar o ofício de cantor a segundo plano, virou o maior donatário das paradas radiofônicas dos anos 1980 ao lado de Paulo Massadas, o parceiro letrista que conheceu em 1979 e com o qual compôs uma série de músicas de fácil adesão popular. Produzido em escala industrial ao longo da década de 1980, para atender a demanda da direção artística da gravadora RCA / BMG-Ariola (leia-se, Miguel Plopschi) e também de outros cantores ávidos por sucessos populares, o cancioneiro de Sullivan & Massadas teve sua qualidade diluída com série de músicas pobres, triviais e esquecíveis. Contudo, um punhado delas resistiu ao tempo por conta de suas melodias fortes e belas. Algumas dessas melhores canções de Sullivan - compostas com Massadas e eventualmente com outros parceiros - ganharam regravações reunidas no CD Mais forte que o tempo, produzido em 2013 para celebrar os 45 anos da obra autoral de Sullivan e os 30 de sucesso da dupla Sullivan & Massadas, cujo primeiro hit, Me dê motivo, é de 1983. Propagado no vozeirão de Tim Maia (1942 - 1998), Me dê motivo reaparece em Mais forte que o tempo em registro refinado de Adriana Calcanhotto em que a voz e o violão da cantora gaúcha se harmonizam com o cello de Jaques Morelenbaum. Apesar da sofisticação da gravação, Calcanhotto ameniza a dor de corno expressada pela letra. Este é o problema do disco: do ponto de vista harmônico, as regravações superam os registros originais, feitos de forma padronizada, seguindo o molde tecnopop dos anos 1980. Só que as interpretações geralmente perdem no confronto com as originais, porque o cancioneiro direto de Sullivan & Massadas normalmente exige cantores que exteriorizam emoções e elevam os tons sem medo de exacerbar - como, por exemplo, Ana Carolina, nome inexplicavelmente fora da seleção de intérpretes de Mais forte que o tempo. My life, por exemplo, soa sem pressão na voz delicada de Sandy. Outro exemplo: em gravação produzida por Christiaan Oyens que destaca o órgão de Leonardo Brandão, Zélia Duncan refina Meu dilema (Michael Sullivan e Leonardo) - sucesso de Fafá de Belém em 1987 - sem levar em conta a alma popular da doída canção. Já Alice Caymmi ombreia a mesma Fafá ao gravar, em momento iluminado, Abandonada (Michael Sullivan e Paulo Sérgio Valle, 1996), último grande sucesso popular da obra de Sullivan. Na contramão da linha cool, a cantora carioca mantém Abandonada em ponto de fervura em gravação que esbanja modernidade com primoroso arranjo vocal que reforça a intensidade do tema. Alice Caymmi é o grande destaque do disco ao lado de Carlinhos Brown, que se tornou parceiro de Sullivan nos anos 2000. O tribalista traz Whisky a go go (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1984) para o universo noturno das atuais baladas em registro eletrônico que preserva o espírito festivo da gravação do grupo carioca Roupa Nova. Aliás, os vocais do Roupa Nova são substituídos pelos vocais de outro emblemático conjunto, Os Cariocas, na regravação de Um sonho a dois (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1986), feita pelos Cariocas com Roberta Sá e Pedro Mariano. Justiça seja feita: em que pese o belo fraseado de Roberta Sá, a música - que tem uma das letras mais melosas e bobas de Massadas - flui com mais naturalidade na gravação de Joanna com o Roupa Nova. Nem Ney Matogrosso, com todo seu rigor estilístico, consegue fazer frente a Roberto Carlos quando canta Amor perfeito (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1986), a canção que Claudia Leitte, então à frente do grupo baiano Babado Novo, transformou com êxito em axé music. Em contrapartida, Fernanda Takai é a única que, numa linha cool, consegue fazer bonito, valorizando a melodia sedutora e os versos de Fui eu (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1988), hit na voz do cantor carioca José Augusto. O dueto de Monique Kessous com Fagner em Talismã (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1989) - sucesso do cantor Elson do Forrogode - também se destaca no tributo. Sem medo de se entregar ao espírito kitsch do cancioneiro de Sullivan, Arnaldo Antunes dá voz a Vou fazer você mulher - parceria do compositor com o escritor Paulo Coelho, lançada na voz do próprio Sullivan em disco de 1979 - em gravação turbinada com vocais que reforçam os códigos da canção sentimental brasileira. Já Jorge Vercillo põe floreios e firulas que dão sofisticação harmônica a Nem um toque (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1986) - sucesso da cantora Rosana - sem prejuízo da interpretação. E por falar em interpretação, ao cantar Não vá (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1986), Negra Li provoca saudade do canto caloroso de Sandra de Sá, que tem outros três hits de seu bem-sucedido álbum de 1986 - Retratos e canções, Entre nós e Joga fora, todos da dupla Sullivan & Massadas - ouvidos nas vozes de Moska, do próprio Sullivan com Anayle Lima e do Grupo Benditos, respectivamente. Chuva fina (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1988) - música menos emblemática, cujo lugar no disco poderia ter sido ocupado por canções mais expressivas de Sulivan & Massadas, como Nem morta (1986) e Deslizes (1988) - cai bem na voz de Zeca Baleiro, intérprete sem fronteiras estéticas. Mas o que não dá mesmo para entender é a reprodução da gravação original de Um dia de domingo (Michael Sullivan & Paulo Massadas) com Gal Costa e Tim Maia se todos os outros registros são inéditos (sem falar que o nome de Tim não é creditado na contracapa). Mesmo assim, com altos e baixos, Mais forte que o tempo cumpre seu objetivo de expor a força de canções que atravessaram gerações, embora tenha sido desvalorizadas pelos críticos e formadores de opinião da época por contrariarem a norma de bom gosto. Canções - verdade seja dita - a quem muitos ídolos da MPB (assustados com a explosão do pop rock brasileiro em 1982) recorreram para se manter nas paradas dos anos 1980. O tempo provou que, mesmo dono de obra esvaziada pela escala industrial de sua produção, Michael Sullivan é autor de melodias já enraizadas na memória brasileira. Mérito que ninguém pode tirar do compositor.
domingo, 29 de setembro de 2013
Arnaldo, Lenine, Takai e Zélia em CD que celebra cancioneiro de Sullivan
Dominante nas paradas musicais brasileiras da década de 80, em escalada iniciada em 1983 com o estouro da gravação de Me dê motivo na voz de Tim Maia (1942 - 1998), o cancioneiro de Michael Sullivan - sobretudo o composto com Paulo Massadas - perdeu força ao longo dos anos por ter começado a ser fabricado em escala industrial. Mas deixou algumas canções populares que resistiram ao tempo e atravessaram gerações. Algumas delas estão sendo regravadas em disco que pode redimensionar a obra de Sullivan na música brasileira - sem o carimbo brega lhe imposto na época de sua criação. Parceria de Sullivan e Massadas lançada pelo cantor José Augusto em 1988, Fui eu ganhou a voz de Fernanda Takai. Canção gravada por Fafá de Belém em 1987, Meu dilema - parceria de Sullivan com seu irmão Leonardo - foi regravada por Zélia Duncan. Arnaldo Antunes e Lenine também figuram no disco, cujo elenco também inclui a novata Alice Caymmi, representante da terceira geração da Família Caymmi.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Disco em tributo a Sullivan tem dueto de Fagner e Kessous na faixa 'Talismã'
♪ Está em produção um disco em tributo a Michael Sullivan, nome artístico do cantor, compositor e produtor pernambucano Ivanilton de Souza Lima. Previsto para ser lançado com distribuição da gravadora Som Livre, o CD inclui regravações do cancioneiro composto por Sullivan nos anos 1980 e 1990, a maioria em parceria com Paulo Massadas. Intérprete de Deslizes (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1987), um dos maiores sucessos da dupla de hitmakers, Fagner gravou dueto com a cantora carioca Monique Kessous em Talismã (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1989), sucesso na voz do cantor Elson do Forrogode em 1989. A foto flagra Sullivan com Fagner e Kessous no estúdio.
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