Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


Mostrando postagens com marcador Monique Kessous. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Monique Kessous. Mostrar todas as postagens

domingo, 26 de junho de 2016

Show 'Dentro de mim cabe o mundo' expande o universo musical de Kessous

Resenha de show
Título: Dentro de mim cabe o mundo
Artista: Monique Kessous (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Teatro do Espaço Tom Jobim (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 25 de junho de 2016
Cotação: * * * *

Dentro da obra fonográfica da carioca Monique Kessous parecem caber duas artistas de ambições distintas. Uma é a cantora e compositora hábil na feitura de populares canções de amor que despontou no álbum anterior, Monique Kessous (Sony Music, 2010), enfrentando comparações com Marisa Monte atiçadas por equivocados planejamentos de marketing de gravadora. Outra é a cantora e compositora que se sabe capaz de voos mais altos no universo musical. Lançado em abril deste ano de 2016, em edição independente, o quarto álbum de Kessous, Dentro de mim cabe o mundo, harmoniza essas duas personas artísticas, expandindo o universo musical da parceira de João Cavalcanti em Espiral (2016), música que contém o título do álbum, apresentada no bis do show do lançamento do disco em número em que Kessous se acompanha pilotando um mini-synth. Estreado oficialmente na cidade natal do Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 25 de junho de 2016, em apresentação que encheu o teatro do Espaço Tom Jobim, o show Dentro de mim cabe o mundo reitera a expansão do universo musical de Kessous. Dentro do espaço cênico da artista, moldado com elegância pela cenógrafa Jeane Terra, cabem músicas do grupo Karnak, da cantora e compositora paulistana Maysa (1936 - 1977), da cantora e compositora norte-americana Lady Gaga e até da funkeira carioca Valesca Popozuda. O roteiro de Kessous rebobina discurso assertivo, afirmativo das conquistas do mundo feminino. O que tornou natural até discurso lido contra a cultura do estupro, tema ora em inflamado debate nas redes sociais. Kessous toma partido explícito das mulheres ao ler texto escrito por Edu Krieger para o show a pedido da artista. "Todos somos filhos de Deus / Só não falamos as mesmas línguas", proclama a cantora em versos de O mundo (André Abujamra, 1995), o manifesto humanista do grupo Karnak por mais amor e tolerância no planeta terra. O show insere Kessous nesse conflitado mundo contemporâneo. A atualidade do discurso é acentuada pelo toque moderno da banda formada pelos músicos Bicudo (bateria), Denny Kessous (guitarra, teclados e direção musical), João Arruda (guitarra), Junior Moraes (percussão e programações) e Vini Lobo (baixo e synths), aos quais se junta a própria Kessous, que se reveza em cena no toque da guitarra, do violão eletroacústico e do mini-synth. Contudo, a compositora que sabe falar a língua do povo também está em cena, apresentando canções de amor como Eu sem você (Monique Kessous, 2016), capazes de seguir a bem-sucedida sina mercadológica de hits anteriores como Frio (Monique Kessous, 2010), balada, aliás, calorosamente recebida pela plateia majoritariamente formada por fãs e convidados. O show tem nuances e matizes. Um clima passional, de atmosfera brega-chique, se instaura em cena a partir da imperativa Me ama, me adora, bem me quer sim (Monique Kessous e Denny Kessous, 2016), preparando o ambiente para a abordagem tecnobrega de Nu (Zeca Baleiro, 2012) - número turbinado com récita de alguns versos de Bloco do prazer (Moraes Moreira e Fausto Nilo, 1979), música regravada por Kessous no álbum anterior - e para o jogo de sedução armado em Meu papo é reto (Monique Kessous e Chico César, 2016), tema cheio de malícia e erotismo. A expansão do universo musical da artista permite que um samba como Acorde - emulador das nobrezas dos bambas das velhas guardas - seja apresentado (com o luxuoso coro vintage de Ana Claudia Lomelino, Lia Sabugosa e Silvia Machete) sem estranhamento. Acorde soou tão natural como a intervenção de Moska, na voz e no toque da guitarra eletroacústica, na balada Por causa do seu pensamento (Moska, 2016), composta pelo artista sob encomenda para Kessous. Disposta a explorar outros territórios do vasto mundo musical, a cantora rebobina a Resposta (1956) de Maysa com vibe roqueira e um link inteligente com Beijinho no ombro (André Vieira, Leandro Castro e Wallace Viana, 2013), hit popular que tirou a cantora carioca Valesca Popozuda da gaiola em que ficam confinadas as funkeiras desbocadas. Ao dar sequência ao roteiro com um dos temas mais loquazes do cancioneiro de Lady Gaga, Born this way (Lady Gaga e Jeppe Laursen, 2011), Kessous manda papo reto para um mundo ainda machista que, não raro, nega a mulher o prazer e a liberdade sexual. E dá outro recado quando arremata o bis com interpretação firme de Coração vagabundo (Caetano Veloso, 1967), feita na pressão que pulsa em quase todo o show. Sim, o coração pop popular de Monique Kessous quer guardar - e abarcar - o mundo na artista que ora evolui,  indo além do universo musical em que se lançou no mercado nos anos 2000.

Dentro do mundo cênico de Kessous cabem Gaga, Karnak, Maysa e Popozuda

Música de autoria da cantora e compositora Maysa (1936 - 1977) a que Maria Bethânia já recorreu em show para dar recado indireto aos que a criticaram por regravar É o amor (Zezé Di Camargo & Luciano, 1991) em álbum de 1999, Resposta - canção lançada por Maysa em 1956, há 60 anos - ganha a voz assertiva de Monique Kessous. Cantada com batida contemporânea, em vibe roqueira, Resposta é uma das boas surpresas do roteiro de Dentro de mim cabe o mundo, show baseado no homônimo álbum autoral lançado pela cantora, compositora e instrumentista carioca em abril deste ano de 2016. O show teve estreia oficial na noite de ontem, 25 de junho de 2016, em apresentação no teatro do Espaço Tom Jobim, na cidade natal do Rio de Janeiro (RJ). No roteiro de Kessous, Resposta aparece sagazmente linkada a um tema de outro estilo, mas de  significado similar, Beijinho no ombro (André Vieira, Leandro Castro e Wallace Viana, 2013), sucesso da funkeira carioca Valesca Popozuda. Fora do trilho autoral, mas em sintonia com o espírito planetário do conceito do álbum Dentro de mim cabe o mundo, Kessous também cantou O mundo (André Abujamra, 1995) - música do grupo Karnak que já ganhou vozes como as de Ney Matogrosso, Pedro Luís e Zeca Baleiro - e Coração vagabundo (Caetano Veloso, 1967). Nu - música de Zeca Baleiro, lançada na voz do autor em 2012 - também figura no repertório do show. Assim como Resposta, outra surpresa do roteiro foi Born this way (Lady Gaga e Jeppe Laursen, 2011), música de Lady Gaga cantada por Kessous com citação de Express yourself (Madonna e Stephen Bray, 1989), em fina ironia, já que Gaga foi acusada de plagiar em Born this way a ideologia - a liberdade sexual e afetiva das mulheres - do tema de Madonna. Aliás, o número precedeu discurso contundente escrito por Edu Krieger e lido por Kessous contra a cultura do estupro. Eis o roteiro seguido em 25 de junho de 2016 por Monique Kessous - em foto de Rodrigo Goffredo - na estreia (oficial) do show  Dentro de mim cabe o mundo  no Espaço Tom Jobim, no Rio de Janeiro (RJ):

1. Aqui tem (Monique Kessous, 2016)
2. O mundo (André Abujamra, 1995)
3. A lei é deixar fluir (Monique Kessous e Denny Kessous, 2016)
4. Eu sem você (Monique Kessous, 2016) /
5. Levo a minha vida assim (Monique Kessous, 2010)

6. Pedaço de ilusão (Monique Kessous, 2016)
7. Volte pra mim (Monique Kessous e Denny Kessous, 2013)
8. Me ama, me adora, bem me quer sim (Monique Kessous e Denny Kessous, 2016)
9. Nu (Zeca Baleiro, 2012) /
10. Bloco do prazer (Moraes Moreira e Fausto Nilo, 1979) - trecho recitado

11. Meu papo é reto (Monique Kessous e Chico César, 2016)
12. Por causa do seu pensamento (Monique Kessous, 2016) - com Moska
13. O círculo (El círculo) (Kevin Johansen, 2010, em versão de Moska, 2016)
14. Aonde eu for (Monique Kessous e Denny Kessous, 2016)
15. Frio (Monique Kessous, 2010)
16. Acorde (Monique Kessous, 2016) - com Ana Claudia Lomelino, Lia Sabugosa e Silvia Machete
17. Resposta (Maysa, 1956) /
18. Beijinho no ombro (André Vieira, Leandro Castro e Wallace Viana, 2013)
19. Born this way (Lady Gaga e Jeppe Laursen, 2011)
      - com citação de Express yourself (Madonna e Stephen Bray, 1989)

♪ ♪  Leitura de texto escrito por Edu Krieger para o show
20. Todo mundo quer (Monique Kessous e Denny Kessous, 2016)
21. Seja agora (Pedro da Silva Martins, 2013)
Bis:
22. Espiral (Monique Kessous e João Cavalcanti, 2016)
23. Coração vagabundo (Caetano Veloso, 1967)

Lia, Lomelino e Machete fazem coro de samba na estreia do show de Kessous

No recém-lançado quarto álbum, Dentro de mim cabe o mundo (Independente, 2016), Monique Kessous gravou pela primeira vez um samba de lavra própria, Acorde. Na gravação, a cantora e compositora carioca contou com coro feminino formado por vozes de cinco cantoras conterrâneas da geração de Kessous. Ana Claudia Lomelino, Anna Ratto, Lia Sabugosa, Nina Becker e Silvia Machete fizeram em Acorde um coro que evoca o canto das pastoras das velhas guardas das tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro. Três dessas cinco cantoras - Ana Claudia Lomelino (de cabelo curto), Lia Sabugosa (grávida) e Silvia Machete (à direita na foto de Rodrigo Goffredo) - reproduziram o coro em luxuosa participação na estreia oficial do show Dentro de mim cabe o mundo, em apresentação que encheu o teatro do Espaço Tom Jobim, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), na noite de ontem, 25 de junho de 2016. Acorde é música em que Kessous emula os sambas de compositores das velhas guardas.

Kessous canta com Moska na estreia do show 'Dentro de mim cabe o mundo'

Quando arquitetava o quarto álbum, Monique Kessous mandou um e-mail para Moska com o título 'Pensando em você'. Pelo título do e-mail, Moska pensou que a cantora e compositora carioca lhe pedia autorização para gravar Pensando em você, canção que Moska lançou no álbum Tudo novo de novo (EMI Music, 2003) e que Kessous já andava cantando em shows. Ao ler o e-mail, Moska viu que Kessous na realidade lhe pedia uma música inédita para compor o repertório do terceiro álbum autoral da artista. Inspirado pelo título do e-mail, Moska compôs para Kessous a canção Por causa do seu pensamento, incluída pela cantora no álbum Dentro de mim cabe o mundo (Independente, 2016) em gravação feita com o toque suave da guitarra do próprio Moska. Foi essa música que Moska cantou e tocou com Kessous - como visto na foto de Rodrigo Goffredo - ao participar da estreia oficial do show Dentro de mim cabe o mundo em apresentação que encheu o teatro do Espaço Tom Jobim, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), na noite de ontem, 25 de junho de 2016. Número teve programação eletrônica.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Monique Kessous lança terceiro disco autoral, 'Dentro de mim cabe o mundo'

Com capa que expõe o belo e colorido projeto gráfico criado por Ana Amélia Martino a partir de foto de Mariama Lemos de Moraes e de ilustrações de Francisco Freitas, o quarto álbum - o terceiro autoral - da cantora, compositora e instrumentista carioca Monique Kessous, Dentro de mim cabe o mundo, está sendo lançado neste mês de abril de 2016. Kessous assina a direção de arte e a produção do disco, coproduzido por Berna Ceppas. A convite da artista, o editor de Notas Musicais - Mauro Ferreira - assina o texto que apresenta o disco aos críticos e a formadores de opinião. Eis o texto - release, no jargão dos jornalistas - que conceitua o harmonioso álbum Dentro de mim cabe o mundo:

Em antenada conexão com o mundo, Monique Kessous manda papo reto em disco que faz ode ao amor e ao momento presente com participações de Ney Matogrosso, Moska, Jesse Harris e do músico Mamadou Diabaté, do Mali

No terceiro álbum autoral, Dentro de mim cabe o mundo, artista carioca expande a produção de compositora em safra de inéditas formatadas com canto de sereia - no tom contemporâneo de músicos de ponta da cena musical brasileira - e dá voz a músicas de Kevin Johansen e Pedro da Silva Martins, do grupo lusitano Deolinda

“Quando eu canto, eu posso ser o que eu quiser
A minha voz carrega o mundo como quer
Eu sou sereia, rainha do mar
Eu sou branquinha e canto o povo brasileiro
Eu sou do Rio de Janeiro
Sou afrodite, sou o fruto proibido
Eu canto a vida e carrego
Tudo o que eu vi passar...”


♪ Os versos da primeira estrofe de Aqui tem – música de autoria de Monique Kessous que abre Dentro de mim cabe o mundo, o terceiro álbum autoral da cantora, compositora e multi-instrumentista carioca – dão a pista certeira do canto da sereia neste álbum de tom contemporâneo que firma e expande a produção autoral da artista. Aqui tem celebra a mestiçagem latina que dá o tom da música brasileira, enraizada nos sons da mãe África. Pautada pelos toques de três guitarras (a de Davi Moraes, a de Denny Kessous e a de Felipe Pinaud), pelo baticum da percussão e da bateria de Thiago Silva, pela pulsação do baixo de Alberto Continentino, pelo sopro do trompete de Jessé Sadoc e pelas sutis programações de Berna Ceppas, Aqui tem traduz de cara o avanço e os caminhos mais diversificados seguidos por Kessous em Dentro de mim cabe o mundo. Com produção assinada pela própria artista, o disco co-pilotado por Berna Ceppas reúne alguns dos músicos mais requisitados da cena musical brasileira. Com a sonoridade moderna dos instrumentos destes virtuoses contemporâneos, Kessous celebra a leveza da vida em álbum que faz ode ao amor e ao momento presente.

Sucessor de Com essa cor (Som Livre, 2008) e Monique Kessous (Sony Music, 2010) na discografia autoral da artista, Dentro de mim cabe o mundo chega ao universo pop neste mês de abril de 2016 como uma evolução natural da obra da cantora e compositora. Marcantes no último álbum da artista, as melodiosas canções de amor continuam cabendo com perfeição no mundo musical de Kessous. Pedaço de ilusão (Monique Kessous), Eu sem você (Monique Kessous) e Aonde eu for – uma das quatro composições feitas por Monique para o disco com o irmão e parceiro Denny Kessous – vão provocar imediato reconhecimento no público que curtiu Calma aí, Coração, Frio e outros hits do anterior álbum de 2010 que ampliou a popularidade da cantora em escala nacional. Pedaço de ilusão tem todo jeito de hit que vai se juntar aos sucessos da artista. Eu sem você reverbera sonoridade pop folk calcada nos violões e nos ukeleles tocados por Monique, Denny Kessous e Felipe Pinaud em arranjo que inclui também o baixo de Dadi e a bateria e percussão de Stéphane San Juan (músico recorrente nas 13 músicas de Dentro de mim cabe o mundo). Já Aonde eu for sobressai pela fina sintonia entre música e letra. A melodia dá a sensação de estar em movimento permanente, seguindo a rota amorosa dos versos da canção.

E por falar em deslocamentos em nomes do amor, a canção Por causa do seu pensamento – música inédita composta por Moska especialmente para este terceiro álbum autoral de Kessous – move montanhas para aproximar amantes nem que seja somente pela força imperativa da mente. Moska – que já participara do álbum anterior de Kessous, fazendo dueto com a cantora na vintage valsa Noites sem luar – volta a imprimir a marca de artista em Dentro de mim cabe o mundo. Desta vez, como instrumentista. Moska toca a guitarra suave que se harmoniza com o violão do músico norte-americano Jesse Harris – outro ilustre convidado do disco e da canção Por causa do seu pensamento – no arranjo da faixa.

Artista que vem fazendo conexões com cantores e compositores da América Latina, Moska também está presente em Dentro de mim cabe o mundo como o versionista de O círculo. Com liberdade para mudar eventualmente o sentido original dos versos em espanhol, Moska traduziu – a pedido de Kessous - para o português a letra de El círculo, música de autoria de Kevin Johansen (norte-americano de vivência argentina), lançada em disco pelo próprio autor no álbum The nada (2000). Por sugestão de Kessous, o verso "Te di todo y ya no doy mas" virou "Te dei tudo e só quero mais”, sublinhando a sede de amor e vida que pauta o disco. Faixa gravada com a kora tocada pelo músico Mamadou Diabaté, ícone do Mali, O círculo é música que valoriza o momento presente e, nesse sentido, se afina com Seja agora, outra conexão de além-mar feita por Kessous em Dentro de mim cabe o mundo.

Seja agora é a leve adaptação para o português do Brasil – feita com sutileza pela própria Monique Kessous – da música homônima do grupo lusitano Deolinda, uma das bandas mais cultuadas no universo musical contemporâneo da Terrinha. Seja agora é composição de Pedro da Silva Martins, guitarrista do grupo, e foi apresentada pela Deolinda no terceiro álbum de músicas inéditas da banda, Mundo pequenininho, lançado em 2013.

Sem sair do Brasil, Monique Kessous também viaja para outros universos musicais em Dentro de mim cabe o mundo. Primeira parceria da artista com o cantor, compositor e músico paraibano Chico César, um dos mais celebrados artistas da cena pós-1990, Meu papo é reto insere o som e o disco em clima noturno de balada, pegação. A cena da música – previamente lançada em single nas plataformas digitais em 3 de setembro de 2015 – se passa numa boate e fala de uma cantada que pode ser hetero ou homossexual, de acordo com a percepção de cada ouvinte. Kessous manda o papo reto na companhia de ninguém menos do que Ney Matogrosso, um dos maiores cantores do Brasil, ícone GLS associado a um universo erotizado que se afina perfeitamente com o tom da música e que foi traduzido nas imagens de cores quentes do clipe gravado por Kessous com Ney e disponibilizado na web em 7 de janeiro deste ano de 2016.

O álbum Dentro de mim cabe o mundo também promove outra viagem musical, esta feita para dentro da própria cidade do Rio de Janeiro (RJ) em que Kessous veio ao mundo. Primeiro samba gravado pela artista, Acorde tem o tom contemporâneo do disco. Mas evoca – pela melodia, pelo toque luxuoso do cavaquinho de Mauro Diniz e pelo estelar coro feminino formado por Ana Claudia Lomelino, Anna Ratto, Lia Sabugosa, Nina Becker e Silvia Machete – a nobreza do samba de tempos idos, imemoriais. É como se o coro feminino representasse as lendárias figuras das pastoras das escolas de samba mais tradicionais do Rio. Em qualquer tempo, antigo ou moderno, Acorde tem cacife para ser louvado como o belo samba que de fato é.

Com o suingue funkeado da guitarra de Davi Moraes, A lei é deixar fluir – parceria de Monique com o irmão Denny Kessous - reitera o tom reflexivo-existencial que pauta o álbum Dentro de mim cabe o mundo sempre em tempo de delicadeza. Tudo sempre soa leve e natural no disco, inclusive o canto da sereia Monique. Nada pesa a mão no álbum. Mesmo que o toque virtuoso do acordeom de Marcelo Caldi evoque o clima passional do tango na imperativa Me ame, me adora, bem me quer sim (outra da lavra de Monique com Denny Kessous) e mesmo que Todo mundo quer (mais uma música dos entrosados irmãos Kessous) tenha sede insaciável de vida, a leveza pauta o álbum da primeira a última música, Espiral, primeira parceria de Kessous com o compositor carioca João Cavalcanti. Composição que embute na letra o verso-título do álbum Dentro de mim cabe o mundo, Espiral tem a aura celestial da harpa de Cristina Braga, orquestrada por Felipe Pinaud no arranjo da faixa. O piano de Daniel Jobim e a lira grega – tocada pela própria Kessous – ajudam a envolver Espiral no clima delicado do tema. Afinal, dentro do terceiro álbum autoral de Monique Kessous cabe um mundo de amor que busca a paz pessoal e universal, celebra o ser humano e valoriza o aqui, o agora. Aqui neste disco tem a música que Monique Kessous quis fazer, pois a voz da cantora carrega o mundo como ela - a artista – quer, como ela vê esse mundo que ora se abre para novos sons, levadas e parcerias.

Mauro Ferreira
Abril de 2016

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

À espera da edição do quarto álbum, Kessous expõe o clipe gravado com Ney

O quarto álbum de Monique Kessous, Dentro de mim cabe o mundo, permanece inédito no mercado fonográfico, embora tenha sido gravado ao longo de 2014 e finalizado em janeiro de 2015, já há um ano. À espera do lançamento do terceiro álbum autoral da discografia, a cantora e compositora carioca permanece divulgando a música Meu papo é reto, primeira parceria de Kessous com o cantor e compositor paraibano Chico César. Single gravado com a participação do cantor Ney Matogrosso e lançado nas plataformas digitais em 3 de setembro de 2015, Meu papo é reto gerou clipe que vai ser posto em rotação na web a partir da próxima quinta-feira, 7 de janeiro de 2016.  Ney - visto com Kessous na foto de Mariama Lemos de Moraes - também participa do clipe, no clima sedutor do tema.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Kessous lança single sobre cantada gay gravado com Ney e feito com Chico

Monique Kessous apresenta mais uma música do quarto álbum, Dentro de mim cabe o mundo, o terceiro de repertório autoral. Mais de um ano após lançar na web Volte para mim (Monique Kessous e Denny Kessous), balada pop de grande potencial radiofônico que foi excluída da seleção final do disco, a cantora e compositora carioca apresenta Meu papo é reto, single que entrou hoje, 3 de setembro de 2015, em rotação no Spotify. Primeira parceria de Kessous com o compositor paraibano Chico César, Meu papo é reto foi a última música a ser gravada para o disco produzido por Berna Ceppas. Música que versa sobre uma cantada entre dois homens gays, passada na porta de uma boate, Meu papo é reto foi gravada com a participação realmente especial do cantor Ney Matogrosso. Com a gravação, Kessous - vista em foto de Yuri Sardenberg postada na página da artista no Facebook - afasta o fantasma da comparação com Marisa Monte que vem rondando sua carreira desde o álbum anterior, Monique Kessous (Sony Music, 2010), por conta de equivocada estratégia de marketing da gravadora Sony Music. Gravado com músicos como Alberto Continentino e Domenico Lancellotti, Dentro de mim cabe o mundo segue a linha essencialmente autoral de seu antecessor e traz no repertório (parcialmente composto por Monique com seu irmão Denny Kessous) o samba Acorde - gravado com coro formado pelas cantoras Ana Claudia Lomelino, Anna Ratto, Lia Sabugosa, Nina Becker e Silvia Machete - e Espiral, música de Kessous com João Cavalcanti, gravada com o piano de Daniel Jobim e com a harpa de Cristina Braga. O repertório inclui também inédita de Moska, Por causa do seu pensamento, gravada com as participações do cantor e compositor carioca e do artista norte-americano Jesse Harris.  O álbum reúne 13 músicas.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Kessous inaugura parceria com Chico César em seu terceiro álbum (autoral)

A IMAGEM DO SOM - "...Querido Chico, agora parceiro, com muita honra...". Por esse comentário, feito para foto que postou há dias em sua página oficial no Facebook, a cantora e compositora carioca Monique Kessous revelou que inaugura parceria com o cantor e compositor paraibano Chico César em seu terceiro álbum de repertório autoral, Dentro de mim cabe o mundo, previsto para ser lançado neste primeiro semestre de 2015.  Berna Ceppas produziu o álbum, idealizado pela artista desde 2012.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Kessous volta para o estúdio, com Berna, para incluir nova música em álbum

A IMAGEM DO SOM - Postada por Monique Kessous em sua página oficial no Facebook, a foto flagra a cantora e compositora carioca em estúdio do Rio de Janeiro (RJ) com o produtor de seu terceiro álbum de repertório autoral, Berna Ceppas. Embora o disco intitulado Dentro de mim cabe o mundo já estivesse pronto, a artista aproveitou que o lançamento ficou para este ano de 2015 e voltou para o estúdio para gravar mais uma música. "Tive que voltar pro estúdio para gravar uma música que surgiu na minha vida assim do nada, e se tornou muito especial pra mim... Mas prometo que estamos chegando....eu e o disco, na pressão!", avisou Kessous, sem revelar detalhes sobre a composição. Essa música nova vai se juntar no CD a composições autorais como o samba Acorde - gravado com coro feminino formado pelas cantoras Ana Claudia Lomelino, Anna Ratto, Lia Sabugosa, Nina Becker e Silvia Machete - e Espiral, música de Kessous e João Cavalcanti, gravada com o piano de Daniel Jobim e com a harpa de Cristina Braga. Monique assina quatro das 13 músicas com o irmão Denny Kessous.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Kessous junta cinco cantoras de sua geração em samba de seu quarto álbum

A foto de Mariama Lemos de Moraes flagra Monique Kessous - quarta da esquerda para a direita - em estúdio da cidade do Rio de Janeiro (RJ) com cinco cantoras da atual geração na gravação de Acorde, samba de autoria da artista carioca, composto por Kessous para o quarto álbum, o terceiro de repertório autoral. Ao recrutar Ana Claudia Lomelino, Anna Ratto, Lia Sabugosa, Nina Becker e Silvia Machete para gravar Acorde, primeiro samba que compôs, Kessous quis formar coro à moda das pastoras das velhas guardas das tradicionais escolas de samba da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Produzido por Berna Ceppas, o álbum se chama Dentro de mim cabe o mundo. Com repertório que inclui quatro músicas feitas por Monique em parceria com ou irmão, Denny Kessous, o disco traz músicas autorais como A lei é deixar fluir - uma das quatro dos irmãos - e Espiral, música composta por Kessous com João Cavalcanti, gravada com o piano de Daniel Jobim e a harpa de Cristina Braga. O lançamento do álbum estaria previsto para o fim deste ano de 2014, mas pode ficar para 2015. Música revelada na web no primeiro semestre deste ano, Volte para mim, bonita balada de aura pop romântica propagada na trilha sonora da novela Geração Brasil (TV Globo, 2014), ganhou clipe - dirigido por Mariama Lemos de Moraes - e já posto em rotação no  YouTube.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Monique Kessous divulga 'Volte para mim', bela balada de seu quarto álbum

♪ Bela balada com cacife para se tornar um sucesso popular, Volte para mim é a primeira música divulgada do quarto álbum de Monique Kessous. Envolta em arranjo que realça a moldura delicada da música, essa melodiosa canção já está em rotação na web e faz parte do inédito repertório - basicamente autoral e composto por Monique com o irmão Denny Kessous - gravado pela cantora e compositora carioca no CD produzido por Berna Ceppas. A ficha técnica do disco da artista alinha nomes de músicos como Cristina Braga (harpa), Davi Moraes (guitarra) e Marcelo Caldi (acordeom).

terça-feira, 4 de março de 2014

Kessous posta foto com a banda com que grava, no Rio, o seu quarto álbum

 A cantora e compositora carioca Monique Kessous vem postando, em seu site oficialteasers e fotos que dão pistas sobre seu quarto álbum, em fase de gravação no Rio de Janeiro (RJ). A foto acima flagra a artista com a banda masculina arregimentada para o disco, idealizado desde 2012 e efetivamente gravado desde o fim de 2013, com produção de Berna Ceppas. Monique posa - da esquerda para a direita - com Alberto Continentino, Berna Ceppas, Domenico Lancellotti, Denny Kessous (irmão e parceiro de Monique em boa parte das músicas do repertório autoral do disco), Martin, Davi Moraes (sentado à esquerda) e Pedro Sá. CD sucede o álbum Monique Kessous (2010).

sábado, 9 de novembro de 2013

Kessous grava enfim no Rio o quarto álbum, com produção de Berna Ceppas

♪ O cronograma inicial previa a entrada de Monique Kessous em estúdio no primeiro semestre de 2013 para começar a gravar o quarto álbum. Mas o disco está sendo efetivamente gravado, no Rio de Janeiro (RJ), neste segundo semestre de 2013 com produção de Berna Ceppas. O sucessor de Monique Kessous (Sony Music, 2010) vai apresentar repertório essencialmente autoral. Contudo, a boa cantora e compositora carioca ganhou música inédita de Moska, Por causa do seu pensamento.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Disco em tributo a Sullivan tem dueto de Fagner e Kessous na faixa 'Talismã'

♪ Está em produção um disco em tributo a Michael Sullivan, nome artístico do cantor, compositor e produtor pernambucano Ivanilton de Souza Lima. Previsto para ser lançado com distribuição da gravadora Som Livre, o CD inclui regravações do cancioneiro composto por Sullivan nos anos 1980 e 1990, a maioria em parceria com Paulo Massadas. Intérprete de Deslizes (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1987), um dos maiores sucessos da dupla de hitmakers, Fagner gravou dueto com a cantora carioca Monique Kessous em Talismã (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1989), sucesso na voz do cantor Elson do Forrogode em 1989. A foto flagra Sullivan com Fagner e Kessous no estúdio.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Kessous planeja entrar em estúdio após Carnaval para gravar o quarto álbum

 Monique Kessous está se preparando para entrar em estúdio para começar a gravar o quarto álbum. Em ascensão desde o lançamento do álbum anterior, Monique Kessous (2010), a cantora e compositora carioca pretende entrar em estúdio após o Carnaval, entre este mês de fevereiro de 2013 e março. O disco vai ser gravado sem vínculo com a Sony Music, a gravadora que editou o terceiro álbum da artista, forçando semelhança com Marisa Monte. Para o quarto álbum, Kessous ganhou em 2012 música inédita de Moska,  Por causa do seu pensamento, já prevista para o disco.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Com música inédita de Moska na manga, Kessous já idealiza o quarto álbum

♪ Com uma música inédita do compositor carioca Moska na manga, Por causa do seu pensamento, Monique Kessous já idealiza o quarto álbum - o sucessor de Liverpool Bossa (Albatroz, 2007), Com essa cor (Som Livre, 2008) e Monique Kessous (Sony Music, 2010). Contudo, a cantora - em foto de Mariama Lemos de Moraes - ainda trabalha na promoção do terceiro álbum, cuja música Coração (Monique Kessous, 2010) acaba de ter lançado um clipe, já em (alta) rotação na internet.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Show de Kessous reitera e até acentua a espantosa semelhança com Marisa

Resenha de Show
Título: Monique Kessous
Artista: Monique Kessous (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Teatro Rival (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 26 de abril de 2011
Cotação: * * * 1/2

 Foi obra do acaso, mas pareceu até provocação: no momento em que o público começou a ocupar as mesas do Teatro Rival, para ver o show apresentado por Monique Kessous na noite de 26 de abril de 2011, começou a tocar Ainda lembro, gravação feita por Marisa Monte para seu álbum Mais (1991). Acaso se transformou em ironia pelo fato de o (bom) show reiterar e acentuar a espantosa semelhança de Kessous com Marisa, já evidente no terceiro álbum da cantora, Monique Kessous, produzido por Rodrigo Vidal e lançado em novembro de 2010 pela Sony Music. No show, essa incômoda similaridade salta não somente aos ouvidos - pelas vozes de timbres parecidos e pela maneira de cantar - mas também aos olhos. Dona de beleza esbelta, Kessous lembra Marisa por esse porte esguio e até pela postura corporal em cena - o uso das mãos, por exemplo, remente ao gestual da artista que, em maior ou menor escala, tem servido de matriz para as cantoras surgidas a partir de 1990. Basta ver um registro audiovisual de números do show como Coração (Monique Kessous, 2010) e o medley que agrega A quantas anda (Monique Kessous, 2010) e Levo a minha vida assim (Monique Kessous, 2010) para comprovar essa semelhança que ultrapassa o estágio de mera influência. Se esse vínculo com Marisa for natural, é preciso trabalhar a postura cênica de Kessous para diminuí-lo. Se for estratégia da gravadora Sony Music (que fez mistério sobre a identidade de Kessous ao lançar o single de Frio), esse marketing precisa ser repensado. Até porque o show ratifica o talento da artista carioca como cantora e como compositora. Como cantora, Kessous já exibe segurança precoce em cena. É uma cantora de verdade - afinada, sem truques de estúdio - que dá a impressão de ter tido formação lírica. Como compositora, ela parece ter bom domínio do idioma pop, com ênfase na canção popular romântica - gênero com o qual dialoga, por exemplo, sua música Calma aí, alocada no roteiro após a melodiosa Frio, hit radiofônico por excelência. Não foi por acaso que um dos números mais aplaudidos do show foi sua releitura de Espumas ao vento (Accyoli Neto, 1997), tema popular abordado com classe por Kessous. A propósito, sempre que canta repertório alheio, Kessous o faz com personalidade. Na sua voz de soprano, o frevo Bloco do prazer (Moraes Moreira e Fausto Nilo, 1979) sai mais devagar para que se possa apreciar a letra. Disritmia (Martinho da Vila, 1974) também reaparece com pulsação diferente da habitual num dos poucos números que Kessous mostra que, se quiser, pode se distanciar da matriz-Marisa. Em contrapartida, o clima portenho da abordagem de Sonhos (Peninha, 1977) se diluiu no show. De todo modo, Sonhos já soa batida após tantas interpretações. Kessous contagia mais quando, longe da obviedade, rebobina com suingue Qual é, baiana? (Moacyr Albuquerque e Caetano Veloso, 1971), tema lançado por Caetano Veloso no compacto duplo O Carnaval do Caetano (Philips, 1971) e regravado por Gal Costa sete anos depois no disco Água viva (Philips, 1978). Também surpreende, mas sem contagiar tanto, a abordagem do r & b Ain't no Sunshine (Bill Withers, 1971) em ritmo que tangencia a levada do reggae. E, surpresa por surpresa, a causada pela aparição no roteiro de Swing de Campo Grande (Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor e Galvão, 1972) é boa, mas também é má pelo fato de o cancioneiro d'Os Novos Baianos ser referência fundamental do universo de ninguém menos do que ela, Marisa Monte, influência presente em demasia num show cuja direção musical, elegante e contemporânea, recusa mudernices para não tirar o foco da voz e do repertório (pop)ular de Monique Kessous. A banda é boa, a cantora é boa, enfim, o show é bom, apesar do bis morno com Tempo - música de 2010, assinada por Kessous com Charles Silva - e O tic-tac do meu coração (Alcyr Pires Vermelho e Valfrido Silva, 1935). Contudo, enquanto o fantasma da comparação com Marisa Monte continuar rondando Monique Kessous, a compositora da linda valsa Noites sem luar (Monique Kessous, Denny Kessous e Fernanda Shcolnik, 2010) - apresentada no show de 26 de abril em inebriante dueto com Moska -  não vai marcar a própria identidade no país das cantoras. Uma pena, já que, ao cantar o xote-rock Revendo amigos (Jards Macalé e Waly Salomão, 1972) em clima de baioque, Monique Kessous mostra que também seduz o espectador quando consegue ser somente... Monique Kessous.

Kessous recebe Moska em show no Rio para cantar a valsa 'Noites sem luar'

 Ao gravar o terceiro álbum (Monique Kessous, lançado pela Sony Music em novembro de 2010), a cantora e compositora carioca Monique Kessous convidou Moska para fazer dueto com ela em Noites sem luar, belíssima valsa composta por Monique com o irmão Denny Kessous e com Fernanda Shcolnik. Tal dueto foi revivido ao vivo na noite de terça-feira, 26 de abril de 2011, em show feito pela cantora no Teatro Rival, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Na sequência de Noites sem luar, obra-prima de gênero que remete à fase pré-moderna da música brasileira, Monique Kessous e Moska - vistos em foto de Mauro Ferreira - interpretaram juntos em tom caloroso Pensando em você, uma das canções mais românticas (e belas) do repertório autoral do carioca Paulinho Moska.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Semelhança vocal com Marisa ronda Kessous no autoral terceiro (bom) disco

Resenha de CD
Título: Monique Kessous
Artista: Monique Kessous
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * * 1/2

 Em agosto de 2010, em ousada ação de marketing, a gravadora Sony Music apresentou Frio, o primeiro single do terceiro álbum de Monique Kessous, mas fez mistério sobre a identidade da cantora - o que levou todo mundo a supor que se tratasse da nova música de Marisa Monte pela notável semelhança do timbre de Kessous com o da compositora de Beija eu (Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Arto Lindsay, 1991). Mas a dona da voz era Kessous, cantora e compositora carioca que chegou a alcançar alguma projeção com Pitangueira, canção ruralista do segundo álbum, Com essa cor (Som Livre, 2008), realocada como faixa-bônus no atual disco. Real e acima da média, a similaridade de timbres é reiterada pela audição de Monique Kessous, o álbum que a Sony Music está pondo nas lojas neste mês de novembro de 2010. E o fato é que tal semelhança ronda o disco em que a cantora  apresenta melodioso repertório autoral de tom confessional. Um cancioneiro que expõe Kessous - como ela mesma reconhece em verso de Vem, parceria com o irmão Denny Kessous. Embalado com elegância pelo produtor Rodrigo Vidal, o pop da artista é redondo. Músicas como Coração, Levo a minha vida assim, A quantas anda e Frio parecem vocacionadas para as paradas sem nunca recorrer a apelações populistas. Mas, nelas, o canto de Kessous remete - sim e o tempo todo - a Marisa Monte, às vezes de forma espantosa, como em  A quantas anda - o que impede que a ascendente artista marque realmente a própria identidade no já populoso país das cantoras. Contudo, justiça seja feita, o álbum Monique Kessous é bom pela qualidade do repertório, pela afinação da cantora e pela sagacidade das duas releituras inseridas entre o cancioneiro autoral. Sonhos (Peninha, 1977) é envolvida em clima portenho em registro que evoca o tango contemporâneo de grupos como Gotan Project. Já Bloco do prazer (Moraes Moreira e Fausto Nilo, 1979) - frevo popularizado em 1982 na voz de Gal Costa - perde o tom de festa em registro minimalista que evidencia os versos de Nilo ao unir a voz de Kessous somente ao baixo de Dunga e ao bandolim de Davi Moraes. Da seara autoral, Tempo - parceria de Kessous com Charles Silva - evidencia o bom uso dos efeitos e programações pilotadas por Rodrigo Vidal enquanto Noites sem luar é valsa à moda antiga entoada pela cantora com Moska num dueto que parece vindo de algum lugar do passado. Enfim, Monique Kessous já desponta como promissora cantora e compositora no sucessor de Liverpool Bossa (Albatroz, 2007) e Com essa cor (2008), só que vai precisar dissipar a real e incômoda semelhança com Marisa Monte para poder imprimir a própria identidade no universo pop de país povoado por cantoras em demasia, várias sem voz no mercado.