Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


terça-feira, 25 de agosto de 2015

'Essa mulher' e 'Saudade do Brasil' - álbuns de Elis - são reeditados em caixa


Grandes álbuns que marcaram a (breve) passagem da cantora gaúcha Elis Regina (1945- 1982) pela gravadora WEA (Warner Music), entre 1979 e 1980, Essa mulher (1979) e Saudade do Brasil (1980) vão ganhar mais uma reedição. Desta vez, ambos serão vendidos encaixotados, em edições com melhor tratamento gráfico dos que as anteriores. A caixa inclui, como CD-bônus, uma reedição (esta já comercializada anteriormente) do póstumo álbum ao vivo de 1982 que registra o controvertido show feito pela cantora no Montreux Jazz Festival, em 1979,  em gravação ao vivo renegada pela própria Elis.

Celso Fonseca lança 'Like nice', CD inteiramente autoral de músicas inéditas

Álbum inteiramente autoral de Celso Fonseca, Like nice está sendo lançado no mercado fonográfico do Brasil e do Japão neste mês de agosto de 2015. Precedido pelo single O que vai sobrar (Celso Fonseca) e pela inclusão de sua música-título Like nice (Celso Fonseca) na trilha sonora da novela Babilônia, o disco de inéditas alinha 13 músicas assinadas somente pelo cantor, compositor e músico carioca. Algumas faixas são em inglês. Like nice ganha distribuição no mercado nacional em edição da gravadora Universal Music. Eis, na ordem da edição brasileira do CD, as 13 músicas autorais do álbum:

1. Like nice (Celso Fonseca)
2. O que vai sobrar (Celso Fonseca)
3. Stormy (Celso Fonseca)
4. Por que era você (Celso Fonseca)
5. Road to paradise (Celso Fonseca)
6. Onda infinita do amor (Celso Fonseca)
7. I could have danced (Celso Fonseca)
8. Rio 56 (Celso Fonseca)
9. Canção que vem (Celso Fonseca)
10. Meu silêncio (Celso Fonseca)
11. Céu (Celso Fonseca)
12. January in the tropics (Celso Fonseca)
13. Zum zum (Celso Fonseca)

Aos 80 anos, Alaíde canta Roberto no seu primeiro DVD, feito via Canal Brasil

 A caminho dos 80 anos, a serem completados em 8 de dezembro de 2015, Alaíde Costa grava seu primeiro DVD através do Canal Brasil. As gravações acontecem no estúdio 185, em São Paulo (SP). O repertório inclui músicas inéditas na voz da cantora carioca, caso de Preciso chamar sua atenção (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1969), música que Roberto Carlos gravou em seu álbum de 1976 com título diferente da gravação original do tema, feita por seu parceiro Erasmo Carlos, que registrou a canção em 1969 com o nome de Vou ficar nu para chamar sua atenção. O DVD será editado em 2016.

Álbum autoral de Fátima Guedes inclui música gravada com o grupo Arranco

A IMAGEM DO SOM - Postada por Andrea Dutra em seu perfil no Facebook, a foto flagra a cantora em estúdio do Rio de Janeiro (RJ) com Fátima Guedes. A imagem foi feita no dia em que o grupo carioca Arranco - do qual Dutra faz parte - gravou sua participação no álbum de músicas autorais que a cantora e compositora carioca vem formatando para mostrar (ainda) neste segundo semestre de 2015.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Terceiro disco solo de Bárbara Eugenia, 'Frou frou', ecoa 'disco music' nativa

Em fase final de captação de recursos na plataforma de financiamento coletivo Embolacha, o terceiro álbum solo de Bárbara Eugenia se chama Frou frou e ecoa a disco music feita no Brasil. A cantora assina a produção do disco com Clayton Martin. O time de convidados inclui Dustan Gallas, Peri Pane, Rafael Castro e Tatá Aeroplano, entre outros. O disco já tem lançamento previsto para outubro de 2015.

Arthur Nogueira cresce como cantor e revela poesias em belo show roqueiro

Resenha de show
Título: Sem medo nem esperança
Artista: Arthur Nogueira (em foto de Diego Ciarlariello)
Local: Teatro do Sesc Belenzinho (São Paulo, SP)
Data: 23 de agosto de 2015
Cotação: * * * * 1/2

Nada do que Arthur Nogueira fez, por mais feliz, esteve à altura do show que o cantor e compositor paraense apresentou na noite de ontem, 23 de agosto de 2015, no palco do teatro do Sesc Belezinho, em São Paulo (SP), a cidade que Nogueira escolheu para viver de música. O que mais impressionou no show de lançamento do álbum Sem medo nem esperança (Joia Moderna, 2015) foi o desabrochar do artista como cantor. Desenvolta e potente, a voz grave do cantor ecoou viçosa em cena, valorizando repertório essencialmente autoral. Parceiro do compositor e poeta carioca Antonio Cícero em Sem medo nem esperança (2015), uma das músicas mais elogiadas do atual álbum da cantora baiana Gal Costa, Estratosférica (Sony Music, 2015), Nogueira mostrou em cena que já independe do aval de Gal para crescer e aparecer como artista. Alto sobre o azul (e outras cores) da intensa luz de Miló Martins, o cantor revelou poesias - suas e alheias - apresentadas em forma de música. Sem medo nem esperança é essencialmente show de rock, mas que transita também pelo universo da música eletrônica contemporânea - sobretudo na parte final, quando o cantor se joga na pista de Eye shark (Arthur Nogueira e Letícia Novaes, 2015) e de Truques (Arthur Nogueira e Antonio Cícero, 2014) - e pela delicadeza das canções. Um dos trunfos do álbum Sem medo nem esperança, a canção Volta (2015) - parceria de Arthur Nogueira com o poeta Omar Salomão - fecha o show lindamente, em anticlímax, remetendo à abertura da apresentação, iniciada com a balada Fim do céu (Arthur Nogueira, Michel Seilman e Adonis, 2015). O roteiro resultou bem amarrado, sinalizando que, na obra autoral de Arthur, as letras eventualmente são mais sedutoras do que as melodias. Tal supremacia é evidente em Vaga (Marina Wisnik e Arthur Nogueira, 2015), por exemplo. Mas a sonoridade roqueira do repertório em cena - som sustentado pela entrosada banda formada pelo diretor musical do show, Arthur Kunz (bateria), com Allen Alencar (guitarra), João Paulo Deogracias (baixo e teclados) e Xavier Francisco (percussão e bateria eletrônica) - atenuou o eventual desequilíbrio, justamente por conta da firme pegada do rock. Aliado à marcação incisiva da bateria de Kunz, o toque cortante da guitarra de Allen Alencar desencapou Por um fio (Slackline) (Arthur Nogueira, 2015), evidenciando a potência do som. Além de crescer em cena na voz de Nogueira, em registro ao vivo que rivaliza com a gravação de estúdio de Gal pelo arranjo grandioso, o rock Sem medo nem esperança é linkado poeticamente e sagazmente no roteiro com Esperança cansa, música de Karina Buhr, lançada pela cantora e compositora baiana (de vivência pernambucana) em seu primeiro álbum, de 2010. "Minha paciência é a razão", sentencia Nogueira através de verso de Buhr. Usando da razão, Nogueira escolheu dois convidados - Cida Moreira e José Paes Lira, o Lirinha - que valorizaram muito o show pelas afinidades poéticas com o anfitrião. Introduzido por solo vocal da cantora em Fawn (Tom Waits e Katheleen Brennan, 2002), um dos temas mais sublimes do cancioneiro do norte-americano Tom Waits, o dueto com Cida em For today I'm a boy (Antony Hegarty, 2005) - joia do grupo norte-americano Antony and the Johnsons - se revelou afinado e em sintonia com a música que Nogueira cantara anteriormente, O que você quiser (Marcelo Segreto e Arthur Nogueira, 2015), já que ambas versam sobre a alternância dos gêneros masculino e feminino nas circunstâncias da vida humana. Enfim, Nogueira cresceu e apareceu na estreia de seu show Sem medo nem esperança, impondo sobretudo sua grave voz masculina, boa surpresa em cena indie povoada por cantautores com mais conceito do que voz. Nogueira tem ambos.

O blog Notas Musicais está na cidade de São Paulo (SP) a convite da gravadora Joia Moderna

Com Cida, Arthur canta Antony em show que teve Karina e Lirinha no roteiro

SÃO PAULO (SP) - "São Paulo, para mim, é a Cida", conceituou sucintamente Arthur Nogueira - cantor e compositor de origem paraense, mas radicado na cidade de São Paulo (SP) - ao saudar a presença da cantora paulistana no palco do teatro do Sesc Belenzinho, em São Paulo (SP), na estreia nacional do show baseado no segundo álbum de Nogueira, Sem medo nem esperança (Joia Moderna, 2015). Uma das convidadas do belo show em que o artista traduziu em música suas vivências paulistanas, com sonoridade roqueira que embute elementos eletrônicos, Cida foi a responsável pelo momento mais sublime da apresentação realizada no início da noite de ontem, 23 de agosto de 2015. Sem ser anunciada, Cida entrou no palco, sentou ao piano e solou, com vocalises, Fawn (2002), tema instrumental da lavra do cantor e compositor norte-americano Tom Waits, criado em parceria com Kathleen Brennan. Na sequência, a cantora fez afinados duetos com Nogueira em For today I am a boy (2005) - música do repertório de Antony and the Johnsons, banda indie norte-americana liderada pelo cantor e compositor Antony Hegarty, autor da canção - e em Preciso cantar (Arthur Nogueira e Dand M, 2013), música que gravou com Arthur como vinheta de seu ainda inédito décimo álbum, Soledade (Joia Moderna, 2015). Além de Cida, Nogueira recebeu o cantor e compositor Lira, com quem cantou Pra fora da terra - parceria de Lirinha com Pupillo, lançada por Lira em seu segundo álbum solo, O labirinto e o desmantelo (Independente, 2015) - e Simbiose (Arthur Nogueira e Antonio Cícero, 2015). Neste número, Lira recitou o poema que, no disco, é ouvido na voz de Cícero. Fora de sua seara autoral, Nogueira ainda cantou Esperança cansa (2010), música do primeiro álbum da cantora e compositora baiana (de criação pernambucana) Karina Buhr, presente na plateia. Eis o roteiro seguido em 23 de agosto de 2015 por Arthur Nogueira - visto com Cida Moreira em foto de Diego Ciarlariello - no Sesc Belenzinho, em São Paulo (SP), na estreia nacional de ótimo show Sem medo nem esperança:

1. Fim do céu (Arthur Nogueira, Michel Seilman e Adonis, 2015)
2. Por um fio (Slackline) (Arthur Nogueira, 2015)
3. Sem medo nem esperança (Arthur Nogueira e Antonio Cícero, 2015)
4. Esperança cansa (Karina Buhr, 2010)
5. O que você quiser (Marcelo Segreto e Arthur Nogueira, 2015)
6. Fawn (Tom Waits e Kathleen Brennan, 2002) - Cida Moreira
7. For today I'm a boy (Antony Hegart, 2005) - Arthur Nogueira e Cida Moreira
8. Preciso cantar (Arthur Nogueira e Dand M) - Arthur Nogueira e Cida Moreira
9. Vaga (Marina Wisnik e Arthur Nogueira, 2015)
10. Antigo verão (Arthur Nogueira e Antonio Cícero, 2013)
11. Pra fora da terra (Lira e Pupillo, 2015) - Arthur Nogueira e Lira
12. Simbiose (Arthur Nogueira e Antonio Cícero, 2015) - Arthur Nogueira e Lira
13. Eye Shark (Arthur Nogueira e Letícia Novaes, 2015)
14. Truques (Arthur Nogueira e Antonio Cícero, 2015)
15. Gratuito (Arthur Nogueira e Renato Torres, 2009)
16. Volta (Arthur Nogueira e Omar Salomão, 2015)
Bis:
17. Sem medo nem esperança (Arthur Nogueira e Antonio Cícero, 2015)

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Arthur Nogueira canta com Lira em show que celebra sua vida em São Paulo

SÃO PAULO (SP) - "Esse show celebra a minha vida em São Paulo. E os dois discos que eu mais ouvi desde que cheguei aqui são os dois discos desse cara", revelou o cantor e compositor paraense Arthur Nogueira no palco do teatro do Sesc Belezinho, em São Paulo (SP), justificando a presença do cara - o cantor e compositor pernambucano José Paes Lira, o Lirinha - como convidado da estreia nacional do show de lançamento de seu segundo álbum, Sem medo nem esperança (Joia Moderna, 2015). Ambos são vistos em fotos de Diego Ciarlariello na estreia, realizada na noite de ontem, 23 de agosto de 2015. Dois duetos celebraram as afinidades entre os dois artistas, ambos com trabalhos marcados por forte carga poética. De Lira, Nogueira escolheu cantar Pra fora da terra (Lira e Pupillo, 2005), uma das músicas mais bonitas do segundo álbum solo do vocalista e mentor do extinto grupo pernambucano Cordel do Fogo Encantado, O labirinto e o desmantelo (Independente, 2015). De Nogueira, Lira quis cantar Simbiose (2015), uma das parcerias do colega com o compositor (e poeta) carioca Antonio Cícero lançadas no álbum Sem medo nem esperança.  Lira recitou o poema do tema.

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domingo, 23 de agosto de 2015

Dois em Um grava ao vivo, na Bahia, com as adesões de Rebeca e Zé Manoel

Duo independente radicado na Bahia e formado pelo multi-instrumentista baiano Luisão Pereira com a violoncelista carioca Fernanda Monteiro, Dois em Um vai fazer a primeira gravação ao vivo de sua discografia. O registro do show está programado para 4 e 5 de setembro de 2015, em Salvador (BA), e vai gerar DVD produzido com patrocínio do projeto Natura Musical. A cantora e compositora baiana Rebeca Matta e o cantor e compositor pernambucano Zé Manoel vão participar da gravação. "O conceito será bem diferente dos DVDs de shows", ressalta Luisão Pereira. O Dois em Um - em foto de Mayra Lins - já tem dois álbuns editados no mercado, sendo que o mais recente, Agora (Independente, 2013), já foi lançado há dois anos com repertório inédito e autoral.

Ultraje surfa entre tango, bolero e rocks em projeto de 'covers' instrumentais

Há 25 anos, bem no início da década de 1990, o grupo paulistano Ultraje a Rigor já começava a amargar fase de menor sucesso comercial e partiu para um projeto de covers, gravando músicas que influenciaram a banda no álbum intitulado Por quê Ultraje a Rigor? (Warner Music, 1990). Decorridos estes 25 anos, o grupo de Roger Moreira surpreende ao lançar o segundo volume do projeto nas plataformas digitais através do selo EF / Sony Music. Já disponível, Por quê Ultraje a Rigor? Vol. 2 é disco inteiramente instrumental gravado em um único dia no estúdio 500, em São Paulo (SP), com produção pilotada por Roger e pelos músicos da atual formação de sua banda. O repertório inclui 20 músicas. Uma das mais conhecidas é o tango La cumparsita (Gerardo Matos Rodríguez, 1916), recriado pelo Ultraje na onda da surf music. A propósito, o repertório inclui Love pipe (1997), tema do repertório do grupo russo-americano The Red Elvises, cujo som inclui muito surf rock. Entre bolero como Perfídia (Alberto Domínguez, 1939) e tema instrumental de surf rock como Walk, don't run (Johnny Smith, 1954), o Ultraje a Rigor toca até o tema de abertura do programa de TV  The Noite, talk-show apresentado pelo humorista Danilo Gentili na emissora SBT.

Eis a capa do álbum em que Alaíde canta hits do Clube da Esquina com Horta

Com capa assinada pelo designer mineiro Leonardo Tasori, o álbum em que a cantora carioca Alaíde Costa dá voz a músicas do repertório do Clube da Esquina - somente com o toque do violão do músico e compositor mineiro Toninho Horta - já está no forno. O título inusitado - Alegria é guardada em cofres, catedrais - foi extraído da letra de Aqui, oh! (1969), parceria de Horta com o compositor mineiro Fernando Brant (1946 - 2015). Gravado em 2012, com produção de Geraldo Rocha, o disco vai ser lançado em setembro de 2015 de forma independente. O CD abre com inédito tema instrumental de Toninho, Nos tempos do Paulinho, composto em memória de seu irmão Paulo Horta. O repertório inclui hits de compositores associados ao Clube da Esquina como Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967), Outubro (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967), Beijo partido (Toninho Horta, 1975), Nascente (Flávio Venturini e Murilo Antunes, 1977), Sol de primavera (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1979) e Tudo que você podia ser (Márcio Borges e Lô Borges, 1972). Entre as músicas menos conhecidas, o disco rebobina Saguin (Toninho Horta, 1980) e Bons amigos (Toninho Horta e Ronaldo Bastos, 1980). O repertório tem licença poética com a inclusão de Sem você (Tom Jobim e Vinicius de Moraes, 1959), primeira música que Horta ouviu na voz de Alaíde em gravação de 1961 feita com o violão de Baden Powell (1937-2000).

Como 'Lady Day', Lilian Valeska dá show e legitima musical de tom narrativo

Resenha de musical
Título: A vida de Billie Holiday - Amargo fruto
Texto: Jau Sant'Angelo e Ticiana Studart
Direção: Ticiana Studart
Direção musical: Marcelo Alonso Neves
Elenco: Lilian Valeska, Vilma Melo e Milton Filho
Cotação: * * *
 Espetáculo m cartaz de quinta-feira a sábado no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro (RJ), até 27 de setembro de 2015. Temporadas agendadas na Arena Carioca Dicró, em 3 e 4 de outubro de 2015, e na Arena Carioca Fernando Torres, em 10 e 11 de outubro de 2015

Nunca houve um musical encenado no Rio de Janeiro (RJ) com Lilian Valeska no elenco em que essa atriz e cantora carioca não tenha sobressaído em cena quando soltava seu vozeirão de espírito soul, lapidado em igreja presbiteriana da Penha, bairro do subúrbio carioca. Diplomada na escola da música negra-americana, a voz de Lilian tem alma que, aliada à sua técnica, a tornou uma grande cantora. Seus dotes vocais há muito credenciavam a artista para o posto de protagonista de um musical. Papel no qual Lilian dá show ao cantar o repertório da cantora norte-americana Billie Holliday (1915 - 1959) em Amargo fruto, musical recém-chegado à cena carioca, em temporada no Teatro Carlos Gomes até 27 de setembro, no ano em que o universo pop celebra o centenário de nascimento de Lady Day. Ao cantar standards do repertório da diva do jazz como God bless the child (Billie Holiday e Arthur Herzog Jr., 1942), Lilian acerta o tom e surpreende até mesmo quem já conhece seu honroso histórico nos palcos cariocas porque o repertório de Lady Day exige inflexões e emissões vocais específicas. Sem cair no erro de imitar a inimitável cantora, Lilian põe sua voz e sua alma nesse repertório de grandes canções, afinada com sofisticada direção musical de Marcelo Alonso Neves, hábil ao arregimentar para a cena um quarteto de baixo (Berval Moraes), bateria (Emile Saubole), saxofone (Gabriel Gabriel) e piano (Rodrigo de Marsillac) capaz de evocar a íntima atmosfera jazzística dos night-clubs e boates em que Billie se apresentou em seu início de carreira. Habituada a brilhar em músicas pautadas pela intensidade dramática, Lilian também surpreende em cena ao ostentar apurado senso rítmico em números de clima mais suave como Night and day (Cole Porter, 1932) - usada no roteiro para exemplificar o sucesso de Billie em sua primeira turnê pela Europa - e All of me (Gerald Marks e Seymour Simons, 1931), número em que brilha também a atriz Vilma Melo no papel da dançarina que tenta roubar a cena de Billie. Vilma, a propósito, está muito bem nas diversas personagens que encarna ao longo do espetáculo, incluindo a mãe de Billie e a camareira que acode a estrela em suas crises de abstinência e nas adversidades existenciais. Mas Lilian Valeska - vista em cena em imagem extraída de vídeo da TV Globo - é senhora absoluta da cena nos números musicais. E são eles, os números musicais, que legitimam este musical de tom narrativo. O texto de Jau Sant'Angelo - assinado com Ticiana Studart, diretora do espetáculo - prioriza à narração em detrimento da ação. Há, sim, dramatizações de passagens importantes da vida de Billie, mas a trajetória trágica dessa cantora de temperamento tão forte quanto suas interpretações é essencialmente contada de forma narrativa. Cabe ao elenco - completado por Milton Filho, ator que se reveza nos papéis dos homens (quase todos cafajestes) que ajudaram Lady Day a se afundar no universo das drogas - narrar em ordem cronológica a vida de Billie Holiday em relatos secos, feitos com a objetividade de um texto jornalístico. A opção pela narração impede que Amargo fruto tenha dramaticidade condizente com a existência da artista. Contudo, a direção de Ticiana Studart faz com que o espetáculo seja conduzido com fluência. O drama, por vezes, está mais nas músicas cantadas por Lilian - como a que batiza o espetáculo na tradução em português, Strange fruit (Abel Meeropol, 1939) - do que no texto em si. Aliás, funciona bem o recurso de traduzir para o português e recitar os versos poéticos de Strange fruit, poema que denuncia o racismo que violentou negros norte-americanos na primeira metade do século XX, antes de Lilian cantar a música com a letra original em inglês. Distante do padrão Broadway, Amargo fruto é musical sustentado pelo talento vocal de Lilian Valeska. Não é fácil cantar músicas como Lady sings the blues (Herbie Nichols e Billie Holiday, 1956), Speak low (Kurt Weill e Ogden Nash, 1943) e Summertime (George Gershwin e DuBose Heyward, 1935) - número que fecha o roteiro musical - com propriedade e sem sair do tom que remete à atmosfera de Billie. Os arranjos estão dentro do clima, mas se desprendem dos originais. Sem procurar mimetizar Billie Holiday em cena, Lilian Valeska honra o genial repertório reunido para compor o roteiro do musical. A grande cantora é bem maior do que o espetáculo em si e vale o ingresso para ver Amargo fruto.

sábado, 22 de agosto de 2015

Obras de Roberto e Erasmo legitimam a Jovem Guarda semeada há 50 anos

EDITORIAL - Antes de Elvis Presley (1935 - 1977) acender a chama do rock'n'roll nos anos 1950 podia até haver nada, como entendeu e sentenciou John Lennon (1940 - 1980) em frase de efeito, mas o fato é que - pioneirismo da geração de Elvis à parte - o universo pop começou realmente a ser construído e solidificado na primeira metade dos anos 1960 com a explosão mundial do grupo inglês The Beatles. Foi no rastro da Beatlemania que a Jovem Guarda - o primeiro movimento de música pop do Brasil - foi semeada há exatos 50 anos, na tarde dominical de 22 de agosto de 1965, quando a TV Record estreou o programa Jovem Guarda sob o comando de Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa. A adesão da juventude ao programa e a consequente consagração de Roberto Carlos - que já vinha numa escala ascendente de sucesso desde 1964 - com o lançamento do rock Quero que vá tudo pro inferno (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1965), carro-chefe de seu álbum estrategicamente intitulado Jovem Guarda (CBS, 1965), detonou a explosão do movimento. A Jovem Guarda criou ídolos, ditou modas, sentenciou costumes e introduziu a guitarra elétrica na música brasileira para desespero da purista ala nacionalista que defendia uma música brasileira imune às influências do pop que dominava o mundo no embalo do iê-iê-iê. Mas a Jovem Guarda passou, embora ainda ecoe na canção popular brasileira, legitimada pelos cancioneiros de Roberto Carlos e Erasmo Carlos e pela força perene de eventuais canções românticas de lavra alheia como Devolva-me (Renato Barros e Lilian Knapp, 1966) - balada que toda a geração anos 2000 conheceu na voz de Adriana Calcanhotto - e Nossa canção (Luiz Ayrão, 1966). Decorridos 50 anos da sua explosão, analisada sob a perspectiva do tempo, a Jovem Guarda legou para a posteridade dois artistas geniais. Tanto que Roberto Carlos e Erasmo Carlos foram os únicos a manter real relevância artística após o fim desse movimento pautado por um rebeldia ingênua e apolítica que provocou revoluções mais na área comportamental do que social. Entronizado no posto de Rei da juventude, Roberto soube fazer a transição de forma exemplar parta o mundo adulto, a partir de 1968, e se tornou na década de 1970 o Rei da canção popular brasileira, com vendagens astronômicas de seus álbuns anuais. Mesmo sem o mesmo sucesso comercial do parceiro, Erasmo manteve acesa a chama do rock, mas experimentou outros ritmos, também sendo entronizado como um dos reis do universo pop brasileiro (e o tempo fez mais bem à música de Erasmo do que à de Roberto). Os demais artistas - de repertórios bastante irregulares, calcados em hits eventuais, não raro produzidos a partir de versões de baladas e rocks estrangeiros - migraram para o brega ou para o sertanejo. Nem mesmo Wanderléa, que chegou a lançar alguns álbuns antenados ao longo dos anos 1970, conseguiu manter o pique criativo e se desvincular do cancioneiro geralmente pop e pueril da Jovem Guarda. Roberto e Erasmo foram os gênios, os grandes protagonistas do movimento que se torna cinquentenário a partir deste mês de agosto de 2015. Houve importantes coadjuvantes entre cantores (Eduardo Araújo, Jerry Adriani, Wanderley Cardoso), cantoras (Wanderléa, sobretudo e sobretodas, e Martinha), duplas (Leno & Lilian, Os Vips) e compositores (Carlos Imperial, creditado com parceiro de Eduardo Araújo em Vem quem que estou fervendo, sucesso de Erasmo em 1967). Mas quem deu consistência ao som da Jovem Guarda foram os discos,  as músicas e as personalidades carismáticas e cúmplices de Roberto Carlos e Erasmo Carlos.

Trio Gato com Fome mostra em CD que o 'caipira' Raul Torres caía no samba

Nascido em Botucatu (SP), o cantor e compositor paulista Raul Torres (1906 - 1970) tem seu nome associado na história da música brasileira ao universo sertanejo por ser o autor de hits caipiras como Cabocla Tereza (Raul Torres e João Pacífico, 1940), Cavalo zaino (Raul Torres, 1959), Chico Mulato (Raul Torres e João Pacífico, 1937), Colcha de retalhos (Raul Torres, 1959), Feijão queimado (Raul Torres e José Rielli, 1946), Moda da mula preta (Raul Torres, 1945), Mourão da porteira (Raul Torres e João Pacífico, 1952), Pingo d'água (Raul Torres e João Pacífico, 1944) e Saudades de Matão (Raul Torres e Jorge Galati). Mas o fato é que o vasto cancioneiro autoral de Raul Torres extrapola a fronteira caipira desde os anos 1930, incluindo emboladas, jongos, marchas e sambas. No álbum Em busca dos sambas de Raul Torres, de título autoexplicativo, o paulistano Trio Gato com Fome mostra que o compositor também fez música na cadência bonita do samba desde a década de 1930. No disco, produzido pelo próprio grupo sob a direção musical do violonista Milton Mori, o Trio Gato com Fome registra dez sambas da lavra de Torres. Entre eles, A cuíca tá roncando - sucesso na gravação original feita em 1934 pelo próprio autor do samba - e A baiana diz que tem (Raul Torres, 1941), tema regravado no disco do trio com o clarinete de Nailor Proveta. Erguendo a ponte entre as músicas rural e urbana do compositor, o trio regrava músicas raras como Mineirinha (Raul Torres, 1941), Bananeira (Raul Torres, 1932) - samba registrado pelo trio com a adesão da percussão de Paulo Dias - e  Tua mão será meu pandeiro (Raul Torres, 1937).

André Morais lança 'Dilacerado', álbum que tem participações de Elza e Naná

André Morais disponibiliza seu segundo álbum, Dilacerado, para download gratuito a partir de hoje, 22 de agosto de 2015. Conceituado por esse cantor, compositor e poeta paraibano como "um disco de amor e erotismo", Dilacerado expõe na capa uma foto sensual feita pelo artista também paraibano Ary Régis Lima. Sob a direção musical de Herlon Rocha e Pedro Medeiros, Morais produziu a gravação das 10 músicas que compõem o repertório de Dilacerado, sucessor de Bruta flor (Independente, 2011) na discografia deste artista multimídia (em cena também como ator, diretor, roteirista e cineasta). Elza Soares e Naná Vasconcelos participam do disco. A cantora carioca tem sua voz ouvida em Nua, tango composto por Chico César com versos de Morais. Já o percussionista pernambucano põe seu toque em Confissão (Seu Pereira e André Morais) e em Deserto (Seu Pereiro e André Morais). A música-título Dilacerado é assinada por André Morais com a compositora mato-grossense Lucina, também parceira de Alarido e Delito. Inteiramente autoral, Dilacerado oscila entre o amor romântico de Teu (Michel Costa e André Morais) e o amor erotizado de Orgia (Seu Pereira e André Morais), expondo parceria de Morais com Giana Viscardi na faixa .

NX Zero afasta fantasma do emo enquanto busca norte entre rocks e baladas

Resenha de CD
Título: Norte
Artista: NX Zero
Gravadora: Deck
Cotação: * * *

♪ Assim como o grupo gaúcho Fresno, o grupo paulistano NX Zero ganhou projeção no desolador cenário roqueiro brasileiro dos anos 2000 sob a batuta padronizadora do produtor e empresário Rick Bonadio. Assim como o Fresno, o NX Zero rompeu a parceria com Bonadio, decidido a buscar outros timbres para seu som por vezes associado ao emo. Em busca de rumo para sua carreira, ameaçada por crise interna que quase provocou o fim do quinteto, o NX Zero encontrou seu norte na pessoa de Rafael Ramos, que assumiu a função de diretor artístico do EP digital produzido e lançado pela banda no ano passado, Estamos no começo de algo muito bom, não precisa ter nome não. (Independente, 2014), primeiro título da nova fase da discografia do NX Zero. A parceria com Ramos foi bisada no sexto álbum inéditas do grupo, Norte, lançado neste mês de agosto de 2015. É Ramos quem assina a produção deste disco que marca a estreia do NX Zero na gravadora carioca Deck. Produtor habilidoso, Ramos afasta de vez o fantasma do emo que rondava a obra do NX Zero, eliminando resquícios do hardcore melódico em bons rocks como Modo avião (Di Ferrero e Gee Rocha) e Gole de sorte (Di Ferrero e Gee Rocha), voos mais altos do repertório inédito e autoral ao lado da balada pop Meu bem (Di Ferrero, Gee Rocha, Dani Wersler, Fi Ricardo e Caco Grandino), a faixa mais radiofônica do disco. A alardeada influência do soul se mostra imperceptível ao longo das 12 músicas de Norte. Mas o que importa é que, entre rocks nervosos como Por amor (Di Ferrero e Gee Rocha) e baladas menos sedutoras como Vibe (Di Ferrero e Gee Rocha), o NX Zero está procurando outro caminho para seu som. Com a participação luxuosa de Lulu Santos, cuja guitarra slide é ouvida em solo inserido na balada Fração de segundo (Di Ferrero, Gee Rocha, Dani Wersler e Fi Ricardo), Norte aponta esse caminho, que passa pela valorização da guitarra na construção dos arranjos e pela escrita de algumas letras de teor crítico. Se continuar por esse caminho,  o NX Zero tem tudo para crescer e ganhar mais peso na cena roqueira do Brasil.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Caetano e Gil lançam parceria inédita na estreia no Brasil de show em dupla

Sem compor em parceria desde 1993, ano em que lançaram no CD Tropicália 2 (Philips, 1993) músicas que fizeram juntos, como Haiti e Cinema novo, Caetano Veloso e Gilberto Gil lançaram uma música inédita na estreia no Brasil da turnê do show Dois amigos, um século de música. O público que foi ao Citibank Hall de São Paulo (SP) na noite de ontem, 20 de agosto de 2015, ouviu em primeira mão As camélias do quilombo do Leblon, samba que os artistas baianos compuseram na madrugada anterior à estreia nacional do show em que Caetano e Gil - em foto de Raphael Castello, da Ag. News - revivem sucessos de seus repertórios à frente de cenário formado por  bandeira abstrata alocada ao fundo do palco e por várias bandeiras de Estados do Brasil. Assinado por Hélio Eichbauer, o cenário foi outra novidade do show em sua chegada à cena nacional. Eis a letra de  As camélias do quilombo do Leblon,  a primeira parceria de Caetano com Gil em 22 anos:

As camélias do quilombo do Leblon

(Caetano Veloso/Gilberto Gil)

As camélias do quilombo do Leblon
As camélias do quilombo do Leblon
As camélias do quilombo do Leblon
As camélias

As camélias do quilombo do Leblon
As camélias do quilombo do Leblon
As camélias do quilombo do Leblon
Nas lapelas

Vimos as tristes colinas do sul de Hebron
Rimos com as doces meninas sem sair do tom
O que fazer chegando aqui
As camélias do quilombo do Leblon brandir

Somos a guarda negra da redentora
Somos a guarda negra da redentora

Somos a guarda negra da redentora

As camélias da segunda abolição
As camélias da segunda abolição
As camélias da segunda abolição
As camélias

As camélias da segunda abolição
As camélias da segunda abolição
As camélias da segunda abolição
Cadê elas?

Somos assim, capoeiras das ruas do rio
Será sem fim o sofrer do povo do Brasil?
Nele, em mim, vive o refrão
As camélias da segunda abolição virão

Moska lança 'Locura total', disco feito com Paez em português e em espanhol

♪ Álbum gravado pelo cantor e compositor carioca Moska com o cantor e compositor argentino Fito Paez, ícone do rock portenho, Locura total está sendo lançado nesta segunda quinzena de agosto de 2015 nos mercados fonográficos da Argentina e do Brasil, em edição da gravadora Sony Music. Precedido pelo contagiante single Hermanos, lançado em versões simultâneas em português e espanhol, o disco - que tem o nome do paulista Liminha envolvido na produção - apresenta 12 músicas das lavras de Moska e Paez. Adiós a las cosas, Flores de abrazos, Garota muchacha, Locura total, Milagros y heridas e Nuestra historia de amor são algumas músicas do álbum, gravadas em espanhol e português. Aliás, as edições argentina (foto) e brasileira são ligeiramente diferentes, pois priorizam o idioma local. Hermanos é a música que abre o álbum nas duas edições. A brasileira já está disponível para audição a partir de hoje, 21 de agosto, nas plataformas digitais.

Disco de Bossa Nova de Cauby Peixoto vai ser distribuído pela Biscoito Fino

Personalíssimo registro de barítono, o vozeirão de Cauby Peixoto é, por definição, a antítese do canto da Bossa Nova. Mas o cantor fluminense - ainda na ativa aos 84 anos de vida - gravou um disco com canções associadas ao movimento que veio à cena em 1958, pautado por composições de leveza cool e íntima. Produzido por Thiago Marques Luiz, o álbum em que Cauby - em foto de Marco Máximo -  canta hits da Bossa Nova vai ser distribuído pela gravadora carioca  Biscoito Fino.

Sandy agenda segunda gravação ao vivo de sua carreira solo para novembro

Após trabalhar como jurada do reality musical Superstar, exibido pela TV Globo nas noites de domingo, Sandy se prepara para retornar aos palcos com turnê nacional que estreia em 10 de outubro, em São Paulo (SP), e que vai ter seu show captado ao vivo em apresentações agendadas para 14 e 15 de novembro no Teatro Municipal de Niterói, em Niterói (RJ). Na segunda gravação ao vivo de sua carreira solo, Sandy vai registrar músicas inéditas, composições lançadas em seus dois álbuns individuais - Manuscrito (Universal Music, 2010) e Sim (Universal Music, 2013) - e alguns hits do repertório da dupla Sandy & Junior. Estão previstas também abordagens de músicas alheias já registradas por outros artistas, só que inéditas na voz da cantora e compositora paulista.