Guia jornalístico do mercado fonográfico brasileiro com resenhas de discos, críticas de shows e notícias diárias sobre futuros lançamentos de CDs e DVDs. Do pop à MPB. Do rock ao funk. Do axé ao jazz. Passando por samba, choro, sertanejo, soul, rap, blues, baião, música eletrônica e música erudita. Atualizado diariamente. É proibida a reprodução de qualquer texto ou foto deste site em veículo impresso ou digital - inclusive em redes sociais - sem a prévia autorização do editor Mauro Ferreira.
domingo, 24 de agosto de 2014
Elba ainda vai incluir inédita de Jeneci no show 'Cordas, Gonzaga e afins'
Vocalista da banda Os Outros, Botika debuta solo com 'Picolé da cabeça'
♪ Vocalista da banda carioca Os Outros, projetada na mídia ao fazer com Teresa Cristina show com o repertório de Roberto Carlos que se transformou em (ótimo) disco de estúdio, o cantor, compositor e escritor carioca Bernardo Botkay, o Botika, debuta na carreira musical solo com o álbum Picolé da cabeça. Produzido por Bernardo Pauleira, o CD sai pelo selo Bolacha Discos e transita pelo universo do rock em músicas autorais como Pequenininho, Fica só, Lugar não sei e Que você chorou. Mundo de Marlboro é uma parceria do artista com a atriz Carolina Bianchi.Com eco do som da Motown, Armeng faz rap pop em disco para diversão
♪ "Não vou cantar o sofrimento do povo / Muitos já falaram disso e eu não vou falar de novo", avisa o rapper baiano Mr. Armeng, nome artístico do cantor e compositor Maurício de Santos Souza, em Música popular, faixa que abre seu álbum Mr. Armeng, lançado neste mês de agosto de 2014 pela Sony Music. O aviso é cumprido ao longo das dez músicas do disco produzido por Dudu Marote. Armeng faz rap pop, popular, desencanado, com ecos do soul e do r & b propagados nos anos 1970 pela gravadora norte-americana Motown. O extrovertido CD Mr. Armeng foi o prêmio conquistado pelo artista por conta da vitória no reality show musical Breakout Brasil!, promovido através de parceria da Sony Music com o Google e exibido pelo canal pago Sony Spin. Fundador do Freedom Soul Records, único estúdio de Salvador (BA) especializado em rap, Armeng já milita na cena indie baiana desde 2003, tendo emplacado um ou outro hit underground nessa cena local e segmentada. O maior deles, A noite é nossa, figura no repertório do CD gravado com as adesões do cantor e compositor baiano Saulo Fernandes (na música Pele bronzeada) e da cantora paraense Gaby Amarantos (convidada a imprimir seu toque tecnobrega na faixa Pra dominar). Eu vim de lá e Vem cá são faixas do CD.Disco ao vivo mostra que Arlindo Neto continua na aba e no quintal do pai
♪ A caminho dos 23 anos, a serem completados em 24 de novembro de 2014, o cantor, compositor e percussionista carioca Arlindo Neto lança disco ao vivo via Sony Music na aba e no quintal do pai, o bamba Arlindo Cruz. Compositor desde adolescente, Neto conta com a onipresença de Cruz na ficha técnica do CD Arlindo Neto ao vivo, recém-lançado pela Sony Music (a mesma gravadora de seu pai). Além de assinar a produção musical do disco com Jerominho Fernandes e Rogê, Arlindo Cruz canta dois sambas com o filho - Meu caminho (Arlindo Neto, Marquinhos Nunes e Jorge Davi Jr.) e Meu povo (Arlindo Cruz, Arlindo Neto e Renato Moraes) - e é compositor recorrente no repertório. Figuram no CD sambas assinados por Cruz com Rogê (Rio Sampa, gravado com o grupo Os De Paula), Jorge Davi (É verão e Sentimento de posse) e com o próprio Arlindo Neto (Bom aprendiz, destaque do repertório). Sambista projetado na década de 1980 na mesma leva do quintal do Cacique de Ramos que revelou Arlindo Cruz (embora já tivesse sucessos gravados desde a segunda metade dos anos 1970), Jorge Aragão é autor e convidado de Já é, samba feito em parceria com Flávio Cardoso.
sábado, 23 de agosto de 2014
Única música inédita do disco de Sam Alves gera EP com quatro remixes
♪ Única música inédita do álbum que Sam Alves lançou em abril de 2014 via Universal Music, Be with me gerou EP de remixes disponibilizado ontem, 22 de agosto de 2014, nas plataformas digitais pela mesma Universal Music. Be with me é composição de autoria do próprio artista cearense (de criação norte-americana), vencedor da segunda temporada do programa The voice Brasil, exibida pela TV Globo em 2013. O EP Be with me _remixes alinha quatro remixes da música de Sam. Dois, Party mix e Hello summer mix, são obras do DJ Linky. Outro remix é assinado pelo DJ Filipe Guerra. Completando o naipe de remixes, há o Dabox Ibiza to Uk remix, criado pelo DJ Dabox (nome artístico do emergente DJ e produtor Glauber Freitas).
Cantor da BaianaSystem, Passapusso lança álbum solo que inclui Jeneci
♪ Vocalista da banda BaianaSystem, novidade da cena de Salvador (BA), o cantor e compositor baiano Russo Passapusso lança o primeiro álbum solo - Paraíso da miragem (Oloko Records) - em edição digital e em vinil. O lançamento do disco está programado para 26 de agosto de 2014. Produzido e arranjado por Curumin com Lucas Martins e Zé Nigro, Paraíso da miragem foi gravado pelo artista com as adesões de Anelis Assumpção, BNegão, Edgard Scandurra e Marcelo Jeneci na formatação do repertório inteiramente autoral. Se Anelis faz dueto com Passapusso na faixa Sem sol e gravou backing vocal em Flor de plástico, Jeneci toca teclados em músicas como Paraquedas, Sangue do Brasil e Sapato (faixa gravada com a voz de Thalma de Freitas). Já BNegão pôs voz em Autodidata. A arte é de Filipe Cartaxo e Ricardo Fernandes.Marcia dá voz a 'Partículas de amor' de Lucas e Amabis no terceiro álbum
♪ Embora tenha repertório essencialmente autoral, o terceiro álbum da cantora baiana Marcia Castro, Das coisas que surgem, traz seis músicas de lavra alheia em suas 11 faixas. Além da regravação do samba Na menina dos meus olhos (Monsueto Menezes e Flora Matos, 1962), feita com a cantora cubana (criada em Cabo Verde) Mayra Andrade e já divulgada em maio, o álbum Das coisas que surgem inclui um registro de Partículas de amor (Lucas Santtana e Gui Amabis, 2014). A música também figura no recém-lançado sexto álbum de Santtana, Sobre noites e dias (Independente). Produzido por Gui Amabis, parceiro de Santtana na composição do tema, o CD de Marcia Castro tem lançamento previsto para este segundo semestre de 2014.sexta-feira, 22 de agosto de 2014
Pedro Mariano lança DVD (e CD) com a gravação ao vivo de projeto sinfônico
1. Simples (Jair Oliveira, 2006)
2. Certas coisas (Lulu Santos e Nelson Motta, 1984)
3. Pra você dar o nome (Tó Brandileone, 2011)
4. Al otro lado del río (Jorge Drexler, 2004)
5. Um pouco mais perto (Ana Carolina, Chiara Civello e Edu Krieger, 2014) - música inédita
6. Faltando um pedaço (Djavan, 1981)
7. Você (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1974)
8. Sei lá eu (Pedro Viáfora e Pedro Altério, 2011)
9. Ventania (Jair Oliveira, 2007)
10. A medida da paixão (Lenine e Dudu Falcão, 1999)
11. Pontos cardeais (Ivan Lins e Vitor Martins, 1988)
12. Sem você sou não (Jair Oliveira, 2014) - música inédita
13. Poder (Jorge Vercillo, 2007)
14. Simplesmente (Samuel Rosa e Chico Amaral, 2009)
15. Sangrando (Gonzaguinha, 1980)
16. Miragem (Dani Black, 2011)
Elba grava ao vivo no Recife, em setembro, o show em torno de Gonzaga
♪ Elba Ramalho vai gravar ao vivo, no Recife (PE), o show Cordas, Gonzaga e afins. A gravação do DVD vai ser feita na apresentação agendada para 23 de setembro de 2014 no Teatro Luiz Mendonça, na capital de Pernambuco. No show de arquitetura teatral, que vai chegar à cena pela primeira vez em Salvador (BA), em 23 de agosto, a cantora paraibana entrelaça a obra do compositor pernambucano Luiz Gonzaga (1912 - 1989) com músicas de Alceu Valença, Caetano Veloso, Geraldo Azevedo, Gilberto Gil, Lenine e Zé Ramalho, entre outros compositores influenciados - em maior ou menor grau - pelo cancioneiro seminal do Rei do Baião. Sob a direção de André Brasileiro, Elba vai cantar Gonzaga e afins na companhia do grupo instrumental pernambucano SaGRAMA, do quarteto de cordas Encore, do baterista Tostão Queiroga e das sanfonas de Beto Hortis e Marcelo Caldi. Espetáculo comemorativo dos 35 anos de carreira fonográfica da cantora, iniciada em 1979, Cordas, Gonzaga e afins tem textos do dramaturgo pernambucano Newton Moreno e patrocínio do projeto Natura Musical.
Voz fundamental do Quarteto em Cy, Cybele sai de cena no Rio aos 74 anos
♪ Em seus 50 anos de vida artística, iniciada de forma profissional com show feito em 30 de junho de 1964 no Bottle's Bar no Rio de Janeiro (RJ), o Quarteto em Cy teve várias formações e, a rigor, sua origem remete a 1959, quando o grupo vocal ainda se chamava As Baianinhas. Mesmo que não tenha estado em todas essas formações, já que saiu do grupo em 1967 para formar dupla com a irmã Cynara e somente se reintegrou ao quarteto anos depois, em 1980, a cantora baiana Cybele Ribeiro de Sá Leite Freire (3 de maio de 1940 - 21 de agosto de 2014) foi uma das vozes fundamentais desse grupo vocal entranhado na história da MPB nascida e projetada na era dos festivais dos anos 1960. Por isso mesmo, a notícia da saída definitiva de cena de Cybele - ontem, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), aos 74 anos, por conta de isquemia pulmonar decorrente de pneumonia - entristece o meio musical brasileiro. Cybele, que tinha deixado o Quarteto em Cy em 2013 por decisão particular, fez parte da formação original do grupo com suas irmãs Cynara, Cyva e Cylene, nascidas em Ibirataia (BA) no interior da Bahia. Cybele - a terceira da esquerda para a direita na foto que ilustra este post - viveu momentos emblemáticos da música brasileira como a defesa de Sabiá (Antonio Carlos Jobim e Chico Buarque, 1968) - sob vaias injustas - em festival da canção transmitido pela TV em 1968. Na ocasião, Cybele formava dupla com a irmã Cynara. Mas é como integrante do Quarteto em Cy que a sabiá Cybele possivelmente vai ser mais lembrada na história recente da música popular do Brasil - pelo longevo voo artístico alçado com as irmãs em Cy.
CD com registro inédito de show de Gal e Gil, em 1971, sai em setembro
♪ Já em pré-venda, o CD duplo Gilberto Gil & Gal Costa Live in London Nov 26th 1971 chega ao mercado fonográfico no início de setembro de 2014, via selo Discobertas, com o inédito registro ao vivo de show feito pelos cantores baianos Gillberto Gil e Gal Costa em 26 de novembro de 1971 no Student Centre da City University London, na Inglaterra, país europeu que acolheu o então exilado Gil e seu irmão de fé Caetano Veloso. A fita com a gravação do show - captado em estéreo - foi encontrada pelo produtor musical Marcelo Fróes em Londres, em 1998. Dezesseis anos após a discoberta, o áudio da fita chega ao mercado fonográfico, como CD duplo, com as devidas autorizações de Gil e Gal. Eis as músicas alocadas nas 18 faixas do álbum Gilberto Gil & Gal Costa Live in London Nov 26th 1971, um item de colecionador:
Disco 1
1. Coração vagabundo (Caetano Veloso, 1967)
2. Sai do sereno (Onildo Almeida, 1965)
3. Vapor barato (Jards Macalé e Waly Salomão, 1971)
4. Como dois e dois (Caetano Veloso, 1971)
5. Dê um rolê (Moraes Moreira e Luiz Galvão, 1971)
6. Medley: A) Maria Bethânia (Caetano Veloso, 1971) /
B) Bota a mão nas cadeiras (Tema tradicional)
7. Chuva, suor e cerveja (Caetano Veloso, 1969)
8. Falsa baiana (Geraldo Pereira, 1944)
9. Acauã (Zé Dantas, 1952)
Disco 2
1. Procissão (Gilberto Gil e Edy Star, 1965)
2. Brand new dream (Gilberto Gil, 1971)
3. Expresso 2222 (Gilberto Gil) - Música então inédita de Gilberto Gil
4. Aquele abraço (Gilberto Gil, 1969)
5. Sgt. Pepper's lonely hearts club band (John Lennon e Paul McCartney, 1967)
6. One o'clock last morning, 20th april, 1970 (Gilberto Gil, 1971)
7. Oriente (Gilberto Gil) - Música então inédita de Gilberto Gil
8. Up from the skies (Jimi Hendrix, 1967)
9. Viramundo (Gilberto Gil e José Carlos Capinan, 1967)
7. Chuva, suor e cerveja (Caetano Veloso, 1969)
8. Falsa baiana (Geraldo Pereira, 1944)
9. Acauã (Zé Dantas, 1952)
Disco 2
1. Procissão (Gilberto Gil e Edy Star, 1965)
2. Brand new dream (Gilberto Gil, 1971)
3. Expresso 2222 (Gilberto Gil) - Música então inédita de Gilberto Gil
4. Aquele abraço (Gilberto Gil, 1969)
5. Sgt. Pepper's lonely hearts club band (John Lennon e Paul McCartney, 1967)
6. One o'clock last morning, 20th april, 1970 (Gilberto Gil, 1971)
7. Oriente (Gilberto Gil) - Música então inédita de Gilberto Gil
8. Up from the skies (Jimi Hendrix, 1967)
9. Viramundo (Gilberto Gil e José Carlos Capinan, 1967)
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
Ivan Lins posta foto no Facebook em que anuncia edição de disco em breve
♪ "Vem disco novo por aí. Aguardem!!!". Dessa forma, Ivan Lins revelou com foto postada em sua página oficial no Facebook que grava o sucessor do álbum Amorágio (Som Livre, 2012). Nessa foto, o cantor e compositor carioca aparece, no estúdio, ao lado do músico e produtor Marco Brito.
Levantamento mostra que Raul, morto há 25 anos, vive pela obra dos 70
♪ Os 25 anos da morte de Raul Seixas (28 de junho de 1945 - 21 de agosto de 1989) - completados hoje, 21 de agosto de 2014 - motivaram um levantamento do ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) que mostra que a força do mito alimentado em torno do cantor e compositor baiano reside no cancioneiro composto e/ou gravado pelo Maluco Beleza ao longo dos anos 1970. Das 10 músicas mais regravadas do cancioneiro de Raul, nove foram lançadas ao longo da década de 1970 - período em que o artista atingiu seu auge comercial e artístico com a feitura de um rock de sotaque brasileiro e de aura mística que apontou afinidades entre Elvis Presley (1935 - 1977) e Luiz Gonzaga (1912 - 1989). A única exceção na lista é Cowboy fora-da-lei (Raul Seixas e Cláudio Roberto), sucesso do penúltimo álbum de Raul, Uah-bap-lu-bap-lah-béin-bum! (Copacabana, 1987). A curiosidade é, dessas 10 músicas, duas não foram lançadas na voz de Raul, pois trata-se de canções compostas pelo artista para os cantores Diana e Balthazar e, intérpretes originais de Ainda queima a esperança (Raul Seixas e Mauro Motta, 1971) e Se ainda existe amor (Raul Seixas e Sandra Syomara, 1975). Eis as 10 músicas mais regravadas da obra de Raul Seixas e - na sequência - as 10 músicas mais tocadas desse cancioneiro, de acordo com o inédito levantamento do ECAD:
* As dez músicas de Raul Seixas mais regravadas:
1. Medo da chuva (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974)
2. Gita (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974)
3. Se ainda existe amor (Raul Seixas e Sandra Syomara, 1975)
4. Maluco beleza (Raul Seixas e Claudio Roberto, 1977)
5. Metamorfose ambulante (Raul Seixas, 1973)
6. Ainda queima a esperança (Raul Seixas e Mauro Motta, 1971)
7. Tente outra vez (Raul Seixas, Mauro Motta e Paulo Coelho, 1975)
8. Como vovó já dizia (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974)
9. O trem das sete (Raul Seixas, 1974)
10. Cowboy fora-da-lei (Raul Seixas e Claudio Roberto, 1987)
* As dez músicas de Raul Seixas mais tocadas nos últimos cinco anos:
1. Maluco beleza (Raul Seixas e Claudio Roberto, 1977)
2. Tente outra vez (Raul Seixas, Marcelo Motta e Paulo Coelho, 1975)
3. Metamorfose ambulante (Raul Seixas, 1973)
4. Aluga-se (Raul Seixas e Cláudio Roberto, 1980)
5. Gita (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974)
6. Medo da chuva (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974)
7. Cowboy fora-da-lei (Raul
Seixas e Cláudio Roberto, 1987)
8. O carimbador maluco (Raul Seixas, 1983)
9. Eu nasci há dez mil anos atrás (Raul
Seixas e Paulo Coelho, 1976)
10. Ainda queima a esperança (Raul
Seixas e Mauro Motta, 1971)
Gravação de tributo a Raul junta no Rio artistas como Edy, Jeneci e Jerry
♪ Projeto que desde 1992 gera eventos em homenagem ao cantor e compositor baiano Raul Seixas (1945 - 2014), O baú do Raul teve mais uma edição na cidade do Rio de Janeiro (RJ) na noite de 19 de agosto de 2014. Artistas de diferentes estilos e gerações subiram ao palco da Fundição Progresso para participar da gravação ao vivo de CD e DVD a serem editados pela gravadora Som Livre ainda neste ano de 2014, a tempo de lembrar os 25 anos da morte do Maluco Beleza, completados hoje, 21 de agosto. Se o anterior CD / DVD Baú do Raul - Uma homenagem a Raul Seixas (Som Livre, 2004) priorizou os sucessos do artista, o show deste ano de 2014 tirou do baú vários lados B da discografia do roqueiro, abrangendo músicas de todas as fases da carreira fonográfica de Raulzito. Eis as 24 músicas cantadas na Fundição Progresso sob a direção musical de Arnaldo Brandão pelo time eclético de intérpretes (alguns vistos na montagem de fotos de Washington Possato) escalado pela Som Livre para o show apresentado pela DJ Vivi Seixas, filha caçula de Raul, e realizado sob a direção de Dada Burger:
1. Você ainda pode sonhar (Lucy in the sky with diamonds)
(John Lennon e Paul McCartney, 1967, em versão em português de Raul Seixas, 1968)
- Jerry Adriani e Os Panteras
2. Sessão das 10 (Raul Seixas, 1971) - Edy Star
3. Aos trancos e barrancos (Raul Seixas, 1971) - Zeca Baleiro
4. Rock das Aranhas (Raul Seixas e Cláudio Roberto, 1980) - Luiz Carlini
5. Aluga-se (Raul Seixas e Cláudio Roberto, 1980) - Digão (Raimundos)
6. Abre-te Sésamo (Raul Seixas e Cláudio Roberto, 1980)
- Philippe Seabra e Clemente (Plebe Rude)
7. No fundo do quintal da escola (Raul Seixas e Cláudio Roberto) - Tico Santa Cruz
8. Sapato 36 (Raul Seixas e Cláudio Roberto) - Tico Santa Cruz
9. Cowboy fora da lei (Raul Seixas e Cláudio Roberto, 1987)
- Marcelo Jeneci (com Laura Lavieri)
10. Metrô linha 743 (Raul Seixas, 1984) - BNegão
11. Século XXI (Raul Seixas e Marcelo Nova, 1989) - Marcelo Nova
12. Rock'n'roll (Raul Seixas e Marcelo Nova, 1989) - Marcelo Nova
13. Pai Nosso da terra (Raul Seixas, Nasi e Ricardo Gaspa, 1993)
- Nasi & Edgard Scandurra
14. As minas do Rei Salomão (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1973)
- Nasi & Edgard Scandurra
15. Eu nasci há dez mil anos atrás (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1976) - Gabriel Moura
16. Quando acabar o maluco sou eu (Raul Seixas, Cláudio Roberto e Lena Coutinho, 1987)
- Rick Ferreira & Cláudio Roberto
17. Se o rádio não toca (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974) - Cachorro Grande
18. S.O.S. (Raul Seixas, 1974) - Baia
19. Loteria de Babilônia (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974) - Baia
20. DDI (Discagem direta interestellar) (Raul Seixas e Kika Seixas, 1994) - For Fun
21. Sociedade alternativa (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974) - For Fun
22. Medo da chuva (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974) - Ana Cañas
23. Metamorfose ambulante (Raul Seixas, 1973) - Ana Cañas
24. Conserve seu medo (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1978) - Nação Zumbi
Camões apresenta 'Cupim', EP produzido (no Rio) por Bernardo Pauleira
♪ Vocalista da banda Lusíadas, o cantor e compositor carioca Paulo Camões promove seu projeto solo Camões. O disco de estreia do Camões é o EP Cupim, produzido por Bernardo Pauleira. Gravado, mixado e masterizado de abril a junho de 2014, no Rio de Janeiro (RJ), o EP traz músicas como Bem estar, Cupim, Que nó, Segredo e Tá na cara - assinadas por Paulo Camões. O som do Camões é extraído da interação do violão e dos sintetizadores de Paulo com as programações e sintetizadores de Pauleira. Mas as músicas do EP Cupim foram gravadas com as participações do guitarrista Rodrigo Grabowsy e/ou do tecladista Pedro Calloni. Na web.
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
Com 'Amigos imaginários', Anelis joga conversa dentro e (a)firma seu estilo
Resenha de CD
Título: Amigos imaginários
Artista: Anelis Assumpção
Gravadora: Scubidu Records / Pommelo Distribuições
Cotação: * * * *
Título: Amigos imaginários
Artista: Anelis Assumpção
Gravadora: Scubidu Records / Pommelo Distribuições
Cotação: * * * *
♪ "Oi, tudo bem? (...) Eu tô aqui pra jogar conversa dentro. Você tá com tempo? Eu tô aqui...", se coloca à disposição Anelis Assumpção, por meio de versos de Cê tá com tempo? (Anelis Assumpção), uma das doze inéditas músicas autorais de seu segundo álbum solo, Amigos imaginários. Já na faixa que abre o disco, disponível para download gratuito e legalizado no site oficial da artista, a cantora e compositora paulistana convida o ouvinte a entrar no universo desse álbum que firma sua carreira solo e seu estilo autoral. Como o lançamento de Song to Rosa (Anelis Assumpção), canção levada no ritmo veloz do ska, já havia sinalizado em junho, o disco reedita o alto nível de inspiração de seu antecessor Sou suspeita Estou sujeita Não sou santa (Scubidu Records, 2011). Gravado entre fevereiro e maio deste ano de 2014, com produção dividida entre Anelis, Bruno Buarque (bateria), Cris Scabello (guitarra), MAU (baixo) e Zé Nigro (teclados), Amigos imaginários tem forte tempero latino, mas extrapola ritmos e latitudes. Tal tempero é detectado já na levada da segunda faixa, Eu gosto assim (Anelis Assumpção), e no acento cubano de Inconcluso (Anelis Assumpção), abolerada balada cantada em espanhol e aditivada com toque de reggae. Parte do molho do CD, aliás, vem da Jamaica. Temas como Mau juízo estão imersos no universo dub. Devaneios cai no suingue com a voz rapeada do cantor e compositor baiano Russo Passapusso, parceiro de Anelis na ótima composição. Já Minutinho - parceria de Anelis com Alzira E., arrudA (poeta que tem feitos boas conexões musicais com a cena paulista contemporânea) e Jerry Espíndola - é rock que figura entre os grandes momentos do CD. Também há algo de rock (e de samba...) - mas no sentido mais heterodoxo dos dois gêneros - em Declaração, música turbinada com as guitarras personalíssimas de Kiko Dinucci e Rodrigo Campos. Músico fundamental na atual cena musical paulistana, Dinucci é parceiro de Anelis na composição, feita com a adesão de Céu. Como ressalta apropriadamente a colega Tulipa Ruiz no atento texto que escreveu para apresentar o CD, Amigos imaginários é um disco de bando que tem um som de banda, formada pelos produtores do álbum com a adesão de Edy Trombone e de músicos eventuais que tocam em uma ou outra faixa. A sonoridade antenada valoriza músicas em si menos envolventes, como Por quê? (Anelis Assumpção). E esse som parece organizado, preciso, servindo bem a Toc toc toc (Anelis Assumpção) - outra música que sobressai menos no conjunto da obra - e a Deuso deusa (Anelis Assumpção), tema de base percussiva que fecha com aura meio sagrada Amigos imaginários, disco em que Anelis Assumpção joga conversa dentro com boas letras e músicas, (a)firmando seu estilo.
Pitty anuncia a edição do livro 'Cronografia', fotobiografia de sua carreira
♪ Nem bem começou a turnê nacional do show Sete vidas, baseado em seu homônimo quarto disco solo de estúdio, Pitty anunciou a edição de seu primeiro livro. No mercado a partir do início de setembro de 2014, Cronografia: uma trajetória em fotos é - como já anuncia o título do livro - fotobiografia que reconstitui os principais passos da vida e da carreira da artista baiana. Em 160 páginas, Cronografia entrelaça textos escritos pela própria Pitty com centenas de imagens, algumas assinadas por fotógrafos como Caroline Bittencourt, Jorge Bispo, Otavio Sousa, Rui Mendes e Sora Maia. Há também fotos antigas do arquivo pessoal de Priscilla Novaes Leone, que iniciou sua trajetória musical ainda adolescente, no universo do hardcore e do punk, tendo integrado as bandas Inkoma (como vocalista) e Shes (como baterista). Cronografia expõe imagens de todas as fases da carreira da cantora e compositora.
Masterizado na Alemanha, segundo álbum de Alice tem Caetano e Marcinho
♪ Grata revelação da música brasileira nos anos 2010, a cantora e compositora carioca Alice Caymmi aprontou o segundo álbum. Masterizado na Alemanha, o sucessor do autoral Alice Caymmi (Kuarup / Sony Music, 2012) traz no repertório três músicas do compositor baiano Caetano Veloso. Uma é Iansã (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1972). Menos autoral do que seu antecessor, o segundo disco de Alice - vista em foto extraída de seu Instagram - traz também na ficha técnica o nome do funkeiro carioca MC Marcinho. O álbum deverá sair até o fim do ano pela gravadora Joia Moderna.5 a Seco costura referências da música pop brasileira no bom 'Policromo'
Resenha de CD
Título: Policromo
Artista: 5 a Seco
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * * 1/2
Título: Policromo
Artista: 5 a Seco
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * * 1/2
"No badauê / Tristan tzara / Pirou no dadá / Ou endoidou". Tirada de onda com os termos inventivos de algumas letras da música brasileira, a canção Eu amo Djavan (Tó Brandileone e Ricardo Teté) - uma das 14 músicas inéditas do primeiro álbum de estúdio do grupo paulistano 5 a Seco, Policromo - enfileira palavras estranhas ouvidas em hits de nomes com Caetano Veloso, Chico César, Maria Gadú e a dupla Toquinho & Vinicius ao mesmo tempo em que dá a pista das influências e referências utilizadas pelo quinteto na composição de seu repertório autoral. Álbum gravado em São Paulo (SP) de 25 de fevereiro a 12 de março de 2014, com patrocínio obtido no projeto Natural Musical, Policromo confirma a sintonia de Leo Bianchini, Pedro Altério, Pedro Viáfora, Tó Brandileone e Vinicius Calderoni com o universo musical da MPB dos anos 1970 e - sobretudo - com a música pop brasileira mais contemporânea que também bebeu na fonte da MPB e que se impôs a partir dos anos 1990. É nítida, por exemplo, a influência da obra do compositor pernambucano Lenine na arquitetura da canção que abre o disco, Épocas (Pedro Viáfora), e em menor grau em Geografia sentimental (Leo Bianchini e Vinicius Calderoni). E não é por acaso que o 5 a Seco estabelece conexão com outro expressivo nome da geração de Lenine, Lula Queiroga, parceiro de Tó Brandileone na apaixonada e delicada canção Ninguém nem eu. Só que o 5 a Seco não reabre o pano do passado. Confiada a Alê Siqueira, a produção de Policromo recusa ares nostálgicos e cria sonoridade que se afina com os dias de hoje, embora distante da estética da cena contemporânea paulistana. De todo modo, uma canção como Você e eu (Pedro Altério e Rita Altério) ecoa referências de Caetano Veloso e Chico César. Já Nhem tchum sobressai pela engenhosa letra verborrágica de Celso Viáfora, parceiro de Leo Bianchini no tema que lista (im)possibilidades mais prováveis do que a morena mais difícil cair na rede do protagonista da canção. Também verborrágica, Fiat lux (Vinicius Calderoni) é música tensa que tangencia a forma do canto falado sem emular clichês do hip hop e que expõe a ligeira superioridade de Vinicius Calderoni sobre seus colegas na arte da composição. De todo modo, Policromo tem o mérito de ser um disco coeso que investe na canção. A sonoridade urdida pelo produtor Alê Siqueira com unidade contribui para o êxito do disco, mas parece posta sobretudo a serviço de canções como Vem e vai (Tó Brandileone e Vinicius Calderoni) e O sonho (Pedro Altério e Tó Brandileone). São músicas que, a exemplo da funkeada e sincopada Festa de rua (Leo Bianchini, Pedro Altério e Pedro Viáfora), reprocessam elementos da MPB e do pop nativo na busca de identidade artística própria, pessoal. "Escuto histórias das estrelas / Enquanto recolho ideias que / Repousam ao rés do chão", dizem versos de Não tem paz (Vinicius Calderoni), outra expressiva música de Calderoni calcada nas tensões contemporâneas. Mesmo sem impressionar, Policromo confirma a boa expectativa gerada por Ao vivo no Auditório Ibirapuera (Independente, 2012), o combo duplo de CD e DVD que apresentou o 5 a Seco ao mercado fonográfico há dois anos. O bom nível do repertório é o mesmo, sinalizando que o quinteto ama não somente Djavan, mas também Lenine, Chico César e outros nomes que pavimentaram a estrada da música brasileira trilhada pelo 5 a Seco.
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