Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA 2015 – Notas Musicais escolhe os melhores discos do ano

RETROSPECTIVA 2015 – Sim, foi um ano de grandes discos. Os 13 títulos apresentados por Notas Musicais como os melhores de 2015 são os discos que receberam a cotação máxima de cinco estrelas ao serem resenhados no blog. A lista inclui 12 álbuns e um EP lançado pelo grupo Metá Metá. São 13 discos - e não 10 ou 20, números mais comuns em listas do gênero - porque os 13 obtiveram a mesma cotação máxima e não seria justo eliminar três somente para chegar a uma seleção redonda de dez títulos. A relação dos 13 discos expõe a independência de Notas Musicais na análise de álbuns e EPs, sejam eles de artistas do mainstream ou de uma cena independente ouvida somente em nichos específicos. Não importou se o disco vendeu bem, se foi comentado nas redes sociais ou se foi envolvido em aura hype. O único critério levado em consideração foi a qualidade do disco na avaliação de Notas Musicais. Eis - em ordem alfabética - os (13) melhores discos de 2015:

A mulher do fim do mundo (Circus) – Elza Soares
– O disco do ano! Aos 85 anos, a cantora carioca se revigorou ao se juntar à turma noise de SP 

 Antes do mundo acabar (Biscoito Fino) – Zélia Duncan
– No fundo sempre mutante, a artista abriu alas ao se transformar em bamba do samba do Rio

 Carbono (Universal Music) – Lenine
– Em perfeita alquimia com parceiros e músicos, artista atingiu a batida perfeita em CD denso

 Dois amigos, um século de música (Sony Music) – Caetano Veloso e Gilberto Gil
– O registro ao vivo do show capturou a cumplicidade e a irmandade dos dois gênios da MPB

 Don Don – Danilo Caymmi canta Dorival (Maravilha 8) – Danilo Caymmi
– Com os toques de Bruno Di Lullo e Domenico Lancellotti, Danilo cantou Dorival com frescor

 É (Independente) – Duda Brack
– Cantora mostrou atitude, personalidade e voz em disco (in)tenso produzido por Bruno Giorgi

 Estratosférica (Sony Music) – Gal Costa
– Vinda de belo recanto escuro, a cantora brilhou ao dar voz a repertório de tons mais claros

 LOV (Independente) – Toni Platão
– Produzido por Berna Ceppas, o cantor carioca se elevou em CD quente de canções de amor

 Mama Kalunga (Casa de Fulô) – Virgínia Rodrigues
– Em conexão com a mãe África, a cantora baiana reacendeu o fogo sagrado de canto sublime

 Metá Metá EP (Independente) – Metá Metá
– O grupo paulistano se reencontrou no tempo hard de EP que ficou entre o punk e o samba

 Multiplicar-se única – Canções de Tom Zé (Canto Discos / Tratore) – Regina Machado
– A cantora somou à obra do tropicalista baiano em disco (bem!) produzido por Dante Ozzetti

 Pancadélico (Sony Music) – Jota Quest
– O grupo acertou novamente o tom do baile pop black em produção liderada por Jerry Barnes

 Uma temporada fora de mim (Deck) – Hélio Flanders
– No (com)passo da paixão, o vocalista do Vanguart alçou alto voo solo em álbum belo e doído

RETROSPECTIVA 2015 – Cantoras do Brasil fazem os grandes shows no ano

RETROSPECTIVA 2015 – Caetano Veloso e Gilberto Gil reinaram nos palcos do Brasil e do mundo ao longo de 2015 com a turnê Dois amigos, um século de música, arrastando multidões por onde passaram com o show que os reuniu em cena após 22 anos. Chico César também percorreu o país com o apaixonante show Estado de poesia. Contudo, foram as cantoras do Brasil que fizeram os melhores shows do ano - até onde alcançou o raio de visão do editor de Notas musicais. Nove dos dez melhores shows de 2015 foram feitos por vozes de mulheres. Eis, na visão de Notas musicais, os dez shows de artistas brasileiros que mais se destacaram ao longo do ano, que hoje sai de cena:

A mulher do fim do mundo  Elza Soares (foto de Rodrigo Goffredo)
– No show mais impactante do ano, Elza reinou soberana ao cantar samba em esquema noise


♪ Abraçar e agradecer  Maria Bethânia (foto de Rodrigo Goffredo)
– Ao festejar em cena 50 anos de carreira, a cantora ritualizou o que há de mais eterno nela

Bibi Ferreira canta o repertório de Sinatra  Bibi Ferreira ( foto de Mauro Ferreira)
– Aos 93 anos, a atriz cantora esbanjou jovialidade ao encarar cancioneiro associado ao cantor

♪ Corpo de baile  Mônica Salmaso ( foto de Mauro Ferreira)
– Show valorizado por vídeo-cenário de Walter Carvalho elevou Guinga e Paulo César Pinheiro

♪ Dois amigos, um século de música  Caetano Veloso e Gilberto Gil (foto de Rodrigo Goffredo)
– Dois gigantes da MPB tropicalista se reencontraram no palco para (re)afirmar a irmandade
 

♪ Do meu olhar para fora  Elba Ramalho (foto de Mauro Ferreira)
– A Leoa ofereceu farto banquete de sons em show à altura do moderno disco que o inspirou

♪ Do tamanho certo para o meu sorriso  Fafá de Belém (foto de Caio Gallucci)
– Sob a direção chiquérrima de Paulo Borges, o coração brega da cantora bateu no ritmo certo

É  Duda Brack ( foto de Rodrigo Goffredo)
– Em show curto, mas intenso, a voz-revelação reproduziu a perfeição feroz do primeiro disco

♪ Ela disse-me assim  Canções de Lupicínio Rodrigues  Gal Costa (foto de Rodrigo Goffredo)
– A cantora oxigenou o coração magoado do compositor sem obstruir artérias de obra passional

♪ Partir  Fabiana Cozza (em foto de Rodrigo Goffredo)
– Dirigida por Elias Andreato, a cantora se depurou em cena e fez o melhor show da carreira

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA 2015 – As músicas que transcenderão a frequência de 2015

RETROSPECTIVA 2015 – Os álbuns ainda resistem como obras de arte na era da música digital. Contudo, os singles voltaram a ganhar força e autonomia nos últimos anos fonográficos. Cada vez mais, artistas jogam na web - em clipes ou no formato de single digital - canções não necessariamente associadas a um álbum. Ao longo de 2015, algumas canções conseguiram se destacar e se fazer ouvir no fluxo contínuo de sons e informações que alimentam as plataformas de música digital. Atento aos álbuns, mas também às canções em si, Notas Musicais elege 20 músicas que vão transcender a frequência do ano que se acaba. 2015 finda amanhã, mas algumas músicas ficarão e sobreviverão na memória afetiva de quem as ouviu. Eis as 20 melhores músicas de 2015:

Bang (Anitta, Umberto Tavares e Jefferson Junior) 
– Anitta acerta o alvo com petardo certeiro disparado no momento exato para revitalizar a carreira

 Blecaute (Rogério Flausino, Márcio Buzelin, Wilson Sideral, Nile Rodgers e Jerry Barnes)
– Refrão e groove irresistíveis jogam luz sobre o baile black do Jota Quest com a presença de Anitta

 Canção e silêncio (Zé Manoel)
– Uma bela canção de coração partido solidificou a carreira do cantor e compositor pernambucano

Da taça (Chico César)
– Embriagante e abolerada canção de amor, com toque de arrocha, que bebe da fonte sentimental

 Dentro do tempo que eu sou (Hélio Flanders)
– Em belo dueto com Cida Moreira, Hélio Flanders expia dores entre nostalgias, solidão e urgências

Enquanto desaba o mundo (Kassin)
– O voo solo de Zabelê alcança altitude com neobolero aclimatado em atmosfera romântica e cool

Eu mudei  (Zélia Duncan e Bia Paes Leme)
– Transformada em bamba do samba, Zélia Duncan emula a nobreza e a poesia das velhas guardas

 Felicidade (Seu Jorge, Pretinho da Serrinha, Gabriel Moura e Leandro Fab)
– Seu Jorge faz a festa com música otimista que evoca o balanço pop funk romântico de Tim Maia

 Jabitacá (Junio Barreto, José Paes Lira e Bactéria)
– Gal Costa remove montanhas ao percorrer caminhos (por vezes) psicodélicos em nome da paixão 

Mãe (Emicida, DJ Duh, Renan Inquério e Dona Jacira)
– Em tom pungente, o rapper Emicida narra a luta vitoriosa da mãe, Dona Jacira, parceira no tema

♪ Mama Kalunga (Tiganá Santana)
– O canto sagrado de Virgínia Rodrigues atinge o sublime nesta linda saudação afro à deusa água

♪ Maria da Vila Matilde (Douglas Germano)
– Guerreira, Elza Soares bate de frente com a violência doméstica contra mulher em samba valente

♪ Meu bem (Naldo Benny)
– Em funk de perfeita arquitetura pop, Naldo mostra que ainda pode compor sucessos radiofônicos

♪ Olhos (César Lacerda e Luiz Rocha)
– Bela balada que sinalizou a grande evolução de César Lacerda como compositor em segundo álbum

♪ Passarinhos (Emicida e Xuxa Levy)
– Em dueto com Vanessa da Mata, o rapper trata tema pesado (a falta de abrigo) com leveza pop

♪ Por baixo (Tom Zé)
– Gal Costa cai no suingue nordestino para desnudar a malícia dessa delícia luxuriosa do tropicalista

♪ Samba triste (Clima)
– Em gravação elevada à máxima potência cool, Mariana Aydar evoca a aura da bossa sempre nova

♪ Sem medo nem esperança (Arthur Nogueira e Antonio Cícero)
– Gal Costa celebra o momento presente no tom roqueiro e contemporâneo de uma grande música 

♪ Tô na vida (Ana Cañas, Arnaldo Antunes e Lúcio Maia)
– Inspirada pelo soul, Cañas compôs com Arnaldo e Maia um inspirado blues de versos confessionais

♪ Um milhão de novas palavras (César Lacerda e Fernando Temporão)
– Filipe Catto atinge ponto de fervura na gravação de rock politizado que ecoa a poética de Cazuza

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA 2015 – Bethânia faz da festa dos 50 anos o enredo de 2015

RETROSPECTIVA 2015 – Maria Bethânia fez da festa dos 50 anos de carreira o enredo de seu samba em 2015. Ao longo do ano, a cantora baiana celebrou as cinco décadas de carreira - contadas a partir da estreia apoteótica no espetáculo Opinião, em 13 de fevereiro de 1965 - com show, exposição, tributo na 26ª edição do Prêmio da Música Brasileira, gravação de DVD do show, edição de (outro) DVD com registro de recital de poesia estreado em 2009 e lançamento do CD com a gravação ao vivo do show em tributo à obra da cantora apresentado na cerimônia de entrega do prêmio. Longa, a festa ainda se estenderá por 2016 no Carnaval da cidade do Rio de Janeiro (RJ) com o desfile da escola de samba Mangueira, que vai passar na avenida com o enredo Maria Bethânia - A menina dos olhos de Oyá, escolhido para reverenciar a teatral intérprete pelos já devidamente comemorados 50 anos de carreira e pelos 70 anos de vida, a serem completados em junho de 2016. A festa dos 50 anos de carreira começou já em janeiro com a estreia de Abraçar e agredecer, show comemorativo da efeméride que ritualizou o que há de eterno e sagrado no canto da intérprete (em foto de Rodrigo Goffredo). A turnê rodou o Brasil ao longo do ano, terminando neste mês de dezembro na mesma cidade do Rio de Janeiro (RJ) em que o espetáculo chegou à cena. No meio da rota nacional, uma das temporadas da turnê na cidade de São Paulo (SP) serviu, em agosto, para a gravação ao vivo do show, ainda inédita no mercado fonográfico. Antes, em junho, Bethânia foi reverenciada na cerimônia de entrega do 26º Prêmio da Música Brasileira com show coletivo cujo registro ganhou edição em CD posto no mercado fonográfico neste mês de dezembro pela gravadora Biscoito Fino (o DVD está previsto para chegas às lojas em janeiro de 2016). Em julho, a exposição Maria de todos nós abriu as portas, no Rio de Janeiro (RJ), para apresentar signos e símbolos do universo artístico da cantora. Em outubro, Bethânia foi ao estúdio pôr voz na gravação do samba-enredo escolhido pela Mangueira para celebrar a artista no Carnaval de 2016. O disco com os sambas foi lançado em novembro. Em dezembro, a edição de Caderno de poesias (Quitanda / UFMG) - livro que traz encartado o DVD com o registro audiovisual do recital Bethânia e as palavras (2009) - coroou ano em que Maria Bethânia pareceu celebrar a si própria.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA 2015 – Desunião de Joelma e Chimbinha dissolve Calypso

RETROSPECTIVA 2015 – Em atividade desde que surgiu em Belém (PA) em 1999, a Banda Calypso chegou ao fim em 2015. Para efeitos legais, a banda - comandada pela dupla formada pela cantora paraense Joelma da Silva Mendes com o guitarrista também paraense Cledivan de Almeida Farias, o Chimbinha - permanece em cena com a formação original até 31 de dezembro de 2015. Mas, na prática, a Calypso implodiu em 19 de agosto de 2015, data em que foi anunciada a ruidosa separação do casal Joelma e Chimbinha. A desunião afetiva dos artistas resultou na dissolução da parceria musical que atingiu o ápice em 2005 com a repercussão do oitavo álbum da Banda Calypso. A partir de 1º de janeiro de 2016, a cantora segue carreira solo com o nome artístico de Joelma Calypso. Já Chimbinha passa a se chamar Ximbinha e a comanda a banda X Calypso ao lado da cantora potiguar Thábata Mendes, recrutada em outubro para ocupar o posto de Joelma. É o fim!!

domingo, 27 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA 2015 – Estrelas da música mudam de lugar e saem de cena

RETROSPECTIVA 2015 – Salvo alguma fatalidade reservada para os cinco dias que faltam para enterrar 2015, o suicídio do compositor sul mato-grossense Geraldo Roca - parceiro de Paulo Simões na música Trem do Pantanal (1975) - na noite de 25 de dezembro fechou o arco de partidas de ano marcado por perdas substanciais no universo pop brasileiro. Diversas estrelas da música - 26! - mudaram de lugar, saindo de cena ao longo do ano. Por ordem de saída, a música do Brasil perdeu este ano Lincoln Olivetti (1954 - 2015), Vanja Orico (1929 - 2015), Odete Lara  (1929 - 2015), Renato Rocha (1961 - 2015), José Rico (1946 - 2015), Vital Dias (1960 - 2015), Inezita Barroso (1925 - 2015), Severo do Acordeom (1950 - 2015), Cleide Alves (1946 - 2015), Percy Weiss (1955 - 2015), Mangabinha (1942 - 2015), Selma do Coco (1935 - 2015), Vó Maria (1911 - 2015), José Messias (1928 - 2015), Fernando Brant (1946 - 2015), Ivinho (1953 - 2015), Cristiano Araújo (1986 - 2015), Renato Ladeira (1958 - 2015), Luizito da Mangueira (1954 - 2015), Cláudia Barroso (1932 - 2015), Luiz Carlos Miele (1938 - 2015), Waldir 59 (1928 - 2015), Marília Pera (1943 - 2015), Selma Reis (1960 - 2015), Júpiter Maçã (1968 - 2015) e Geraldo Roca (1958 - 2015). Ficou a Arte!!

sábado, 26 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA 2015 – Elza Soares transcende com o disco e show do ano

RETROSPECTIVA 2015 – Elza Soares transcendeu 2015 com o disco e o show do ano, A mulher do fim do mundo. Aos 85 anos, a valente cantora carioca lançou um dos melhores álbuns de carreira fonográfica iniciada em dezembro de 1959. Conectada com ótimos músicos e compositores da cena contemporânea de São Paulo (SP), a menina mulher da pele preta caiu no samba em esquema noise, dando a voz a um repertório inteiramente inédito composto para Elza por compositores como Kiko Dinucci, Rodrigo Campos e Romulo Fróes. Fênix, a cantora dura na queda se elevou mais uma vez, erguida por samba roqueiro nascido da dor que impulsiona a vida punk de Elza. Lançado em outubro em edição da Circus, simultaneamente com o impactante show que entronizou Elza no posto de cantora mais relevante de 2015, o álbum A mulher do fim do mundo começou a ganhar forma em abril, produzido por Guilherme Kastrup sob a direção artística de Celso Sim e Romulo Fróes. Elza pôs a voz em maio nas 11 músicas. Antecedido em agosto pelo single Maria da Vila Matilde (Porque se a da Penha é brava, imagine a da Vila Matilde!), samba de Douglas Germano em que Elza ataca com bravura a violência doméstica sofrida pelas mulheres, o álbum arrebatou crítica e público e foi transposto para o palco com a mesma força, mostrando que a vida da artista é cheia de som e fúria.  Elza Soares reinou,  pairando soberana acima de tudo e de todos em 2015.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA 2015 – Alaíde lança dois CDs, grava DVD e festeja 80 anos

RETROSPECTIVA 2015 – Aos 80 anos de vida, completados em 8 de dezembro deste ano de 2015 e devidamente festejados com shows nas cidades de Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo(SP), a cantora e compositora carioca Alaíde Costa continuou em plena atividade artística ao longo de 2015. Em julho, a cantora gravou álbum com o cantor pernambucano Gonzaga Leal, Porcelana, lançado em novembro por vias independentes. Em agosto, com produção de Thiago Marques Luiz, Alaíde gravou o primeiro DVD da carreira no estúdio 185, em São Paulo (SP), dando voz a músicas que nunca havia cantado - caso de Preciso chamar sua atenção (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1969) - em registro audiovisual previsto para ser lançado em 2016 através do Canal Brasil. Em setembro, a cantora lançou Alegria é guardada em cofres, catedrais (Minas Records), álbum gravado em 2012 com produção de Geraldo Rocha - autor da foto que ilustra o post - e com a reunião de Alaíde com o violonista e compositor mineiro Toninho Horta. Em novembro e dezembro, os dois shows comemorativos dos 80 anos da intérprete coroaram ano de grande produtividade para Alaíde Costa.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA 2015 – Wesley Safadão é aquele artista que teve ano 100%

RETROSPECTIVA 2015 – Wesley Oliveira da Silva viveu ano áureo aos 27 anos de idade e 12 de carreira que deslanchou ao longo de 2015 a reboque do estouro de músicas como Camarote (Neto Barros e Jota Reis) - lançada em single que virou viral no YouTube - e Aquele 1%, composição de Vinicius Poeta e Benício Neto registrada pela dupla sertaneja Marcos & Belutti com a participação de Wesley em gravação lançada em junho que também se transformou num dos maiores hits do ano. Conectado com o universo das baladas, o cantor cearense de forró - conhecido pelo nome artístico de Wesley Safadão em alusão ao fato de ter começado a carreira musical na banda Garota Safada, formada pela família do artista e na qual ele ingressou em 2007 como vocalista - é um dos fenômenos musicais de um Brasil popular que ignora o hype ditado pela mídia e que elege os próprios ídolos. Com média de 25 shows mensais, feitos mediante cachês de valores estratosféricos que podem chegar a R$ 500 mil, Wesley acumula milhões de seguidores nas redes sociais e milhões de visualizações de clipes postados na web. É contratado da gravadora Som Livre, por onde já lançou quatro títulos de discografia iniciada em 2003 como integrante da banda Garota Safada, mas ainda distribui CDs de graça pelo Nordeste do Brasil como forma de alavancar os shows que tornaram Wesley Safadão uma das vozes mais populares e rentáveis de 2015. Assistindo à crise de camarote,  Wesley Oliveira da Silva é aquele exemplo raro de artista para quem 2015 foi ano 100%.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA 2015 – Luan continua no trono sertanejo com hit e biografia

RETROSPECTIVA 2015Popstar do universo sertanejo, Luan Santana se manteve firme no trono ao longo de 2015. O cantor e compositor sul mato-grossense de 24 anos deu voz a um dos grandes sucessos populares do ano, Escreve aí, parceria de Luan com Douglas Cezar, Bruno Caliman e Dudu Borges, produtor musical do show acústico gravado ao vivo pelo cantor em dezembro de 2014 e lançado pela gravadora Som Livre, em CD e DVD, em abril deste ano de 2015. Antes mesmo de Luan Santana acústico chegar ao mercado fonográfico, Escreve aí foi lançada como single digital em 13 de março e se tornou sucesso instantâneo no universo pop sertanejo. Um outro single digital, com a música Chuva de arroz (Luan Santana e Dudu Borges), já tinha sido lançado em outubro de 2014, preparando o público do artista para este projeto em que Luan evocou no cenário e no figurino o clima das décadas de 1950 e 1960. Mas o hit foi Escreve aí. Lançada um mês depois da edição em fevereiro do single com a música Cartório (Tierry Coringa e Magno Santana, 2014), gravada pelo cantor em dueto com Claudia Leitte para projeto da cantora, Escreve aí reiterou a sintonia entre Luan Santana e o público do universo pop sertanejo, escrevendo mais um capítulo de bem-sucedida história juvenil contada pelo jornalista mineiro Ricardo Marques em Luan SantanaA biografia, livro lançado em setembro pela editora Record com excelente repercussão comercial.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA 2015 – 'Soledade' mostra que o pulso de Cida ainda pulsa...

RETROSPECTIVA 2015 – O ano marcou a volta aos estúdios de Cida Moreira, digníssima dama da canção brasileira. Em janeiro, a cantora anunciou a entrada no Art Brasil Studio de São Paulo (SP) para começar a gravar o primeiro álbum de estúdio após o consagrador A dama indigna (Joia Moderna, 2011). Finalizado ao longo do primeiro semestre do ano, o disco Soledade foi lançado em 31 de agosto pela gravadora Joia Moderna, precedido pelo single Forasteiro, precisa abordagem da angustiada balada de Thiago Pethit e Hélio Flanders, lançada em 2010 por Pethit. Entre músicas inteiras e composições alocadas no disco como vinhetas, Cida - em foto de Diego Ciarlariello - se mostrou dona de 16 canções lançadas entre 1928 e este ano de 2015. Soledade alçou altos voos artísticos quando a cantora ergueu no patamar sólidas paredes sonoras de Construção (Chico Buarque, 1971) com o demolidor arranjo de Arthur de Faria e quando Cida tomou O pulso (Arnaldo Antunes, Marcelo Frommer e Tony Bellotto, 1989) dos Titãs para realçar os versos do tema em arranjo nervoso e ruidoso, formatado com a eletrônica dos teclados de Ricardo Severo. Forasteiro e O pulso ganharam clipes que mantiveram elevado o status do ótimo disco, digno da grande dama.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA 2015 – Filho de Cássia, Chico faz shows e lança bom álbum

RETROSPECTIVA 2015 – Ao longo do ano, Francisco Ribeiro Eller começou a deixar de ser o Chicão - como o filho da cantora Cássia Eller (1962 - 2001) era chamado e conhecido em casa e no meio musical - para se tornar Chico Chico, nome artístico que escolheu para se lançar como cantor e compositor. Ainda é impossível dissociá-lo por completo da mãe, mas o rapaz de 22 anos tem feito a parte dele ao se decidir pela carreira musical. Nos shows que fez em 2015 no circuito alternativo da cidade do Rio de Janeiro (RJ), onde nasceu em agosto de 1993, Chico cantou essencialmente músicas autorais e evitou o repertório de Cássia, a quem já evoca naturalmente por conta do timbre e do jeito casual de se vestir e de se portar em cena. A busca por personalidade própria guiou o jovem artista na gravação do primeiro álbum, assinado pela 2 x 0 Vargem Alta, banda fluminense que integra e com a qual Chico Chico tem dado decisivos passos musicais para pavimentar caminho próprio na música e na vida. Produzido pelo violonista Rodrigo Garcia, o (bom) disco foi lançado em outubro pelo selo Porangareté, com a distribuição da Coqueiro Verde Records.

domingo, 20 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA 2015 – Elba expande olhar musical com belo álbum e DVD

RETROSPECTIVA 2015 – Há um ano, em dezembro de 2014, Elba Ramalho lançou EP digital, Do meu olhar, que sinalizou o excelente ano musical vivido pela cantora paraibana em 2015. Focando andanças atrevidas da artista em três gravações de tom humanista, o EP Do meu olhar deu pista certeira do álbum que Elba lançou em março deste ano de 2015, Do meu olhar pra fora, com distribuição da gravadora Coqueiro Verde Records. No 33º álbum de discografia iniciada em 1979, Elba expandiu olhar musical ao apresentar 12 músicas gravadas com o toque pop contemporâneo da produção de Luã Mattar e Yuri Queiroga. Promovido com show que estreou em abril, em São Paulo (SP), o álbum se revelou um dos melhores e mais ambiciosos discos da trajetória da Leoa do Norte. Coroando ano feliz, de grande harmonia pessoal e profissional, a artista lançou em dezembro, também via Coqueiro Verde Records, kit de CD e DVD Cordas, Gonzaga e afins, com a gravação ao vivo do homônimo show de arquitetura teatral apresentado em 2014 por Elba com o grupo armorial SaGRAMA e o quarteto de cordas Encore, ambos de Pernambuco. A Leoa continua valente.

sábado, 19 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA 2015 – Júlia Vargas brilha, já pronta para cantar pelo Brasil

 RETROSPECTIVA 2015 – Cantora e percussionista fluminense natural de Cabo Frio (RJ), Júlia Vargas tenta se fazer ouvir no Brasil desde 2012, ano em que lançou o primeiro álbum, Júlia Vargas, equivocadamente editado pela gravadora Sony Music somente em formato digital, ao qual muitos consumidores de discos de MPB - principal público-alvo da artista - ainda são refratários. Como o mercado fonográfico brasileiro está em processo de decomposição, a cantora precisou de paciência. Contudo, ao longo deste ano de 2015, o canto grave de Júlia Vargas começou a ecoar com mais força neste país de cantoras, mas por ora basicamente em palcos cariocas e fluminenses. Por enquanto, a cantora ainda tem sido associada a Chico Chico, nome artístico do cantor e compositor carioca Francisco Ribeiro Eller, filho da cantora Cássia Eller (1962 - 2011). Só que, nos shows divididos com Chico, Júlia Vargas mostrou que já tem cacife e maturidade para fazer nome e caminhar sozinha. Lançado neste segundo semestre de 2015, o segundo título da discografia da cantora - Ao vivo em Niterói, projeto de Rodrigo Garcia assinado por Júlia Vargas com a banda Os Barnabés e editado pelo selo Porangareté, com distribuição da gravadora Coqueiro Verde Records, em kit que junta CD e DVD em embalagem de DVD - perpetua números do show da artista. Músicas da compositora paraibana Cátia de França - Coito das araras (1979), Geração (1985), Minha vida é uma rede (1985) e Os galos (1979), baião cantado por Júlia em dueto com João Cavalcanti - predominam no roteiro em que Milton Nascimento está triplamente representado com Cravo e canela (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1971),  Caxangá (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1977) e a citação a capella de Ponta de areia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1974) que abre a gravação ao vivo do show captado em apresentação no Teatro Municipal de Niterói, palco mais nobre da cidade fluminense de Niterói (RJ). Além da intervenção de João Cavalcanti, o show exibido em Ao vivo em Niterói tem adesões de Rodrigo Maranhão - em Sonho, tema de Maranhão em que o compositor ecoa a prosódia dos cantadores da nação nordestina - e do percussionista Marcos Suzano, cujo pandeiro trava duelo com a zabumba de Durval Pereira (integrante de Os Barnabés) em Onde o xaxado tá? (Gilberto Gil e Rodolfo Stroeter, 1998). Enfim, no canto de MPB de acento nordestino, Júlia mostrou em 2015 que está pronta para ser ouvida e aclamada no Brasil, país de cantoras. Resta saber se o Brasil já está pronto para ouvir Júlia Vargas.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA 2015 – Em ano estratosférico, Gal vai de Lupicínio a Criolo

 RETROSPECTIVA 2015 – O ano de Gal Costa foi estratosférico. Shows e álbum pautados pela excelência mantiveram a verdadeira baiana em cena e na mídia ao longo de 2015 sem perda do prestígio (re)conquistado com o revigorante álbum Recanto (Universal Music, 2011) e o show decorrente do disco idealizado por Caetano Veloso para trazer Gal de volta à tona. Em março, a cantora oxigenou o coração magoado do compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914 - 1974) em show arrojado, Ela disse-me assim - Canções de Lupicínio Rodrigues, que revitalizou a obra do autor de Vingança (1951) e que manteve Gal envolta em aura de modernidade. Do recanto escuro de Lupi, Gal migrou para a atmosfera mais clara e pop do álbum Estratosférica (Sony Music), lançado em maio. No disco, produzido por Kassin e Moreno Veloso sob a direção artística de Marcus Preto, Gal deu voz a músicas de compositores da cena contemporânea brasileira - Arthur Nogueira, Céu, Criolo, Jonas Sá e Mallu Magalhães, entre eles - com a voz cristalina que ecoa pelo Brasil há 50 anos. Em junho, o primeiro disco solo da cantora, Gal Costa (Philips, 1969), foi efetivamente relançado no formato de LP dentro da série Clássicos em vinil, da Polysom. Aliás, Estratosférica também ganhou edição em vinil, em julho, mês em que a edição deluxe do álbum chegou ao iTunes com duas inéditas músicas adicionais. Em setembro, mês em que Gal festejou 70 anos de vida, a cantora estreou em Salvador (BA), na Bahia natal, o luminoso show Estratosférica, ainda em turnê pelo Brasil e com previsão de originar DVD e CD ao vivo em 2016. Em grande momento artístico, Gal Costa se refletiu bela e feliz no espelho mágico de 2015, ano estratosférico, para ela.

domingo, 13 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA 2015 – Hit de novela faz Tiê ser ouvida noite e dia no Brasil

RETROSPECTIVA 2015 – Disco alvo de alto investimento da Warner Music, que bancou inclusive gravações nos Estados Unidos, o terceiro álbum de Tiê, Esmeraldas, foi lançado em setembro de 2014 sem a repercussão esperada por artista e gravadora. Este ano de 2015 chegou sem mudar o status do disco, que parecia fadado ao fracasso. Até que a inclusão da música A noite na trilha sonora da novela I love Paraisópolis - exibida pela TV Globo com sucesso entre maio e novembro, no horário das 19h - virou o jogo a favor de Tiê. Tema da protagonista da trama, Marizete (Bruna Marquezine), A noite tocou diariamente na novela, migrou para as rádios, virou hit na web e impulsionou a venda do single no iTunes, fazendo o Brasil ouvir noite e dia a voz terna de Tiê, cantora e compositora paulistana revelada na cena indie da cidade de São Paulo (SP) na segunda metade dos anos 2000. Justiça seja feita: os diretores da Warner Music sempre acreditaram em A noite, versão em português - escrita pela própria Tiê com Adriano Cintra, André Whoong e Rita Wainer - da canção italiana La notte (Giuseppe Anastasi, 2012), lançada com sucesso pela cantora italiana Arisa há três anos no álbum Amami (Warner Music, 2012). Com sedutor refrão que se ajustou ao tom pop do álbum de Tiê, A noite já tinha sido eleita o primeiro single do álbum. Escolha que pareceu equivocada no início, mas que se mostrou acertada a partir da inclusão da música na trilha sonora de I love paraisópolis – prova de que uma música em novela, se bem tocada na trama, ainda pode mudar o status de um CD, cantor ou música no mercado fonográfico.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA 2015 – Fabiana Cozza parte para Bahia em disco excelente

RETROSPECTIVA 2015 – Fabiana Cozza partiu para a Bahia e fez o melhor álbum da carreira, lançado em junho. A viagem não foi geográfica, mas musical. Sem sair da cidade de São Paulo (SP), onde gravou Partir (Agô Produções, 2015) com produção do violonista Swami Jr., a cantora paulistana - em foto de Stella Handa - lapidou joias do cancioneiro afro-brasileiro em rota que reiterou a permanente conexão da Bahia com a mãe África. Partir é alto ponto de excelência na discografia da artista, que tinha pisado no terreirão carioca do samba no último álbum de estúdio, Fabiana Cozza (Agô Produções, 2011), antes de celebrar o canto sagrado da cantora mineira Clara Nunes (1942-1983) em show estreado em 2012 que deu origem a DVD e CD ao vivo no fim de 2013.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA 2015 – Gadú alça voo nas asas do disco e do show 'Guelã'

RETROSPECTIVA 2015 – Após descansar imagem já desgastada, Maria Gadú voltou à cena, se libertou das pressões mercadológicas para repetir o sucesso do primeiro álbum, lançado em 2009, e alçou interessante voo artístico nas asas do terceiro álbum de estúdio, Guelã. Anunciado em abril, Guelã foi lançado em maio pelo selo Slap (da gravadora Som Livre) com nove músicas inéditas de autoria da artista paulistana e a recriação de Trovoa (Maurício Pereira, 2007). Gadú seguiu rota interiorizada na viagem pessoal de Guelã, disco pautado por silêncios e sons de guitarra (tocada pela própria Gadú). Em junho, a cantora e compositora estreou show fiel ao conceito e ao espírito do disco, reiterando a liberdade conquistada na condução da carreira. A artista perdeu parte da popularidade, só que ganhou moral entre a crítica e o público que soube alçar voo com Maria Gadú.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA 2015 – Gravado por Gal, Arthur Nogueira cresce e aparece

RETROSPECTIVA 2015"Não sou mais tola / Nem mais me queixo / Não tenho medo / Nem esperança / Nada do que fiz / Por mais feliz / Está à altura / Do que há por fazer". Os versos cantados por Gal Costa na batida do rock, na abertura do álbum Estratosférica (Sony Music, 2015), foram escritos pelo poeta Antonio Cícero para música de Arthur Nogueira. Cantor e compositor paraense radicado em São Paulo (SP), Nogueira ganhou visibilidade a partir do lançamento do festejado disco de Gal, em maio. Em junho, no embalo da boa repercussão da música que compôs com Cícero, Nogueira editou o segundo álbum, Sem medo nem esperança (Joia Moderna, 2015), batizado com o título da composição lançada por Gal e gravado com mais parcerias com Cícero. Em agosto, o artista - em foto de Diego Ciarlariello - estreou em São Paulo (SP) belo show que evidenciou o timbre grave de voz posta a serviço de repertório apresentado com pegada roqueira e com intervenções de Cida Moreira e Lira. Em 6 de outubro, dia em que Antonio Cícero festejou 70 anos, Nogueira arremessou na web gravação inédita de Água perrier (Adriana Calcanhotto e Antonio Cícero, 1992), primeira faixa de álbum em tributo ao 70º aniversário de Cícero, disco idealizado e assinado por Nogueira com o produtor e músico Arthur Kunz. Intitulado Presente - Antonio Cícero 70, disco será lançado no primeiro trimestre de 2016, dando sequência à discografia de um artista que sai de 2015  maior e com mais projeção do que na entrada do ano.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA 2015 – Ná dá mau passo em CD após se afinar com Wisnik

RETROSPECTIVA 2015 – Ná Ozzetti lançou dois álbuns ao longo de 2015. O primeiro, Ná e Zé (Circus), parecia mais do mesmo, mas se revelou afinado ao ser lançado em abril, reiterando afinidades musicais entre Ná e José Miguel Wisnik. Três meses depois, em 21 de julho, a cantora e compositora paulistana - em foto de José de Holanda - deu o primeiro mau passo da carreira fonográfica ao lançar Thiago França (YB Music), disco que frustrou a grande expectativa depositada no encontro da artista projetada no Grupo Rumo - um dos ícones do movimento vanguardista que renovou a música da cidade de São Paulo (SP) na primeira metade da década de 1980 - com os músicos do grupo Passo Torto, símbolo da movimentação que vem dando novo frescor à música de Sampa ao longo dos anos 2010. Pois Thiago França pareceu ser disco mais do Passo Torto do que de Ná Ozzetti, cuja voz cristalina ficou abafada entre ruídos de repertório irregular. Com título que mais pareceu piada interna (entendida somente por quem sabe que Thiago França é músico paulistano que muitos julgam pertencer ao Passo Torto, o fantástico quarteto formado Kiko Dinucci, Marcelo Cabral, Rodrigo Campos e Romulo Fróes), o álbum pecou pelo ausência de equilíbrio entre voz, arranjos, letras e melodias. Ná se afinou muito mais com Zé.