♪ RETROSPECTIVA 2015 – Ao longo do ano, Francisco Ribeiro Eller começou a deixar de ser o Chicão - como o filho da cantora Cássia Eller (1962 - 2001) era chamado e conhecido em casa e no meio musical - para se tornar Chico Chico, nome artístico que escolheu para se lançar como cantor e compositor. Ainda é impossível dissociá-lo por completo da mãe, mas o rapaz de 22 anos tem feito a parte dele ao se decidir pela carreira musical. Nos shows que fez em 2015 no circuito alternativo da cidade do Rio de Janeiro (RJ), onde nasceu em agosto de 1993, Chico cantou essencialmente músicas autorais e evitou o repertório de Cássia, a quem já evoca naturalmente por conta do timbre e do jeito casual de se vestir e de se portar em cena. A busca por personalidade própria guiou o jovem artista na gravação do primeiro álbum, assinado pela 2 x 0 Vargem Alta, banda fluminense que integra e com a qual Chico Chico tem dado decisivos passos musicais para pavimentar caminho próprio na música e na vida. Produzido pelo violonista Rodrigo Garcia, o (bom) disco foi lançado em outubro pelo selo Porangareté, com a distribuição da Coqueiro Verde Records.
Guia jornalístico do mercado fonográfico brasileiro com resenhas de discos, críticas de shows e notícias diárias sobre futuros lançamentos de CDs e DVDs. Do pop à MPB. Do rock ao funk. Do axé ao jazz. Passando por samba, choro, sertanejo, soul, rap, blues, baião, música eletrônica e música erudita. Atualizado diariamente. É proibida a reprodução de qualquer texto ou foto deste site em veículo impresso ou digital - inclusive em redes sociais - sem a prévia autorização do editor Mauro Ferreira.
Mostrando postagens com marcador Chico Chico. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Chico Chico. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Filho de Cássia, Chico trilha o caminho da mãe com banda 2 x 0 Vargem Alta
Resenha de CD
Título: 2 x 0 Vargem Alta
Artista: 2 x 0 Vargem Alta
Gravadora: Porangareté / Coqueiro Verde Records
Cotação: * * * 1/2
Título: 2 x 0 Vargem Alta
Artista: 2 x 0 Vargem Alta
Gravadora: Porangareté / Coqueiro Verde Records
Cotação: * * * 1/2
♪ Todas as atenções em torno do primeiro álbum da banda fluminense 2 x 0 Vargem Alta estão concentradas no fato de o quinteto destacar na sua formação a presença do cantor, compositor e violonista carioca Francisco Ribeiro Eller, o Chicão, filho da cantora Cássia Eller (1962 - 2001). A banda, aliás, somente surgiu - em São Pedro da Serra, distrito de Nova Friburgo (RJ) - em função do fluxo criativo das composições de Chico Chico, nome artístico adotado pelo rapaz de 22 anos nascido em agosto de 1993. As composições de Chico dominam o repertório do bom álbum da 2 x 0 Vargem Alta, idealizado e produzido pelo violonista Rodrigo Garcia para seu selo Porangareté e lançado neste mês de outubro de 2015 com distribuição da gravadora Coqueiro Verde Records. A criação das músicas justificou o disco, que, por sua vez, justificou a oficialização da banda - formada por Chico Chico (voz e violão), Artur Pedrosa (bateria), Dudu Solto (baixo), Leandro Bocão (guitarra) e Pedro Fonseca (teclados). Como já provou em show feito com a (excelente) cantora fluminense Júlia Vargas, Chico Chico jamais soa como um clone de Cássia Eller, ainda que seu timbre evoque o da mãe por herança genética. De todo modo, sem anular sua personalidade própria, é nítido que Chico segue a pegada musical de Cássia, sobretudo quando dá voz a baladas de acento blues, casos de Quanto calor (Chico Chico) - composição que também ecoa benéfica influência das canções feitas por Jards Macalé nos anos 1970 em parceria com Waly Salomão (1943 - 2003) - e de Notas de cem (Chico Chico). Não é por acaso que a 2 x 0 Vargem Alta fecha o disco de repertório essencialmente inédito e autoral com reverente cover do delta blues Hard time killing floor blues (1931) - joia do seminal baú de Skip James (1902 - 1969), bluesman norte-americano que cultivou o blues nascido às margens do mítico rio Mississipi - em que Chico remete a Cássia em seu início de carreira fonográfica, em 1990. Há no disco da 2 x 0 Vargem Alta toda uma carga jovial de quem ainda faz música de forma espontânea. Não é por acaso também que a banda abre o álbum com erro ("De novo, de novo. Foi mal...", desculpa-se Chico) deixado intencionalmente na introdução de Garota da soleira (Chico Chico), faixa de pegada roqueira. Músicas como Minha voz (Chico Chico) apresentam um compositor ainda intuitivo que parece seguir o fluxo espontâneo de sua criação sem método. Entre dois temas instrumentais, Caponav (conduzido pela levada do violão) e Billy (de toque country dado pela gaita que sobressai no arranjo), 2 x 0 Vargem Alta registra composição de autoria de Tui Lana, De manhã cedo. Promovido nas rádios e na web pela canção-declaração de amor As folhas da Praça Paris (Chico Chico), o álbum também se embrenha pela nação nordestina com o baião Amor pra dar (Chico Chico) e traz a voz já maturada de Júlia Vargas em Chia (Chico Chico) em provas de que, mesmo sem marcar um golaço, a banda 2 x 0 sai vitoriosa no seu primeiro lance no volátil mundo do disco.
terça-feira, 11 de agosto de 2015
Chico Chico é boa promessa ao lado da radiante Júlia Vargas, cantora pronta
Título: Chico Chico & Júlia Vargas
Artistas: Chico Chico e Júlia Vargas (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Casa de Cultura Laura Alvim (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 9 de agosto de 2015
Cotação: * * * 1/2
♪ Show de volta ao cartaz no Beco das Garrafas (RJ) em 14 de agosto de 2015, às 22h30m,
e na varanda da Casa de Cultura Laura Alvim (RJ) em 16 de agosto de 2015, às 17h30m
♪ Chico Chico e Júlia Vargas fazem trabalhos musicais distintos. A junção dos dois artistas em show que virou cult no circuito da Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro (RJ) é estratégia inteligente para que um amplie sua visibilidade a reboque (do público) do outro. A mais beneficiada por essa tática mercadológica é Júlia, luminosa cantora e percussionista fluminense que está pronta para o sucesso. "Você é muito boa!", gritou para Júlia um espectador que se espremeu na varanda da Casa de Cultura Laura Alvim no fim da tarde de domingo, 9 de agosto de 2015, para ver o show que começou a gerar burburinho em temporada em boate do recém-revitalizado Beco das Garrafas e acabou parando no projeto Música na varanda, da Laura Alvim. A varanda ficou pequena para abrigar o público dos dois artistas, ainda basicamente formado via lista amiga por um círculo de convidados e curiosos. Júlia se beneficia da junção mais do que Chico porque os holofotes estão voltados para este jovem cantor, compositor e violonista carioca de 21 anos que está prestes a lançar seu primeiro disco como integrante mais destacado da banda 2x0 Vargem Alta. Chico Chico, afinal, é ninguém menos do que Francisco Ribeiro Eller, o filho de Cássia Eller (1962 - 2001), cantora carioca da qual o Brasil sente saudade doída por conta de sua precoce saída de cena. Contudo, Chico Chico jamais se porta no palco como um clone da mãe. Há, sim, leves evocações de Cássia no timbre da voz (mera herança genética) e, sobretudo, no visual despojado. Mas o trabalho musical de Chico segue linha que diverge do trilho aberto por Cássia ao longo dos anos 1990. No show, ele mostra e canta músicas autorais que revelam compositor promissor. Minha voz (de poética árida), Garoto da soleira (de pegada nervosa) e Notas de cem (apresentado no show com arranjo folk acústico de toque bluesy) merecem menções honrosas. Tema cantado no set solo de Chico, O muro - outro número de acento funk - sinaliza, em contrapartida, um compositor por vezes ainda pueril, em processo inicial de maturação. Já Júlia Vargas está no ponto para ganhar visibilidade nacional. No show, feito por Chico e Júlia na companhia do violonista Rodrigo Garcia, a cantora irradia luz e segurança de veterana, com voz e presença cênica inebriantes. No roteiro de ritmo predominantemente nordestino, Júlia dá voz a músicas igualmente incisivas dessa região arretada, casos de Coito das araras (Cátia de França, 1979) e de Desabafo (Cecéu, 1982), ambas gravadas pela artista em seu primeiro disco, Júlia Vargas (Sony Music, 2012), infelizmente lançado somente em edição digital - o que limitou sua projeção na mídia e sua absorção pelo público que consome MPB, ainda apegado aos formatos físicos. No show, Júlia linka o baião Desabafo - lançado em disco pela cantora pernambucana Marinês (1935 - 2007) - com tema agitado e questionador da lavra de Gilberto Gil e Rodolfo Stroeter, Onde o xaxado tá? (1998). Neste número, Júlia xaxa, toca zambumba e ainda costura as duas músicas com citação de Hit the road Jack (Percy Mayfield, 1960), o ritmado blues que Ray Charles (1930 - 2004) tomou para si a partir de 1961. Momentos antes, Júlia já tinha seduzido o público ao cantar em sequência três temas do repertório da cantora africana Miriam Makeba (1932 - 2008) - Jol'inkomo (Wigger Kenter, 1967), The click song (Qongqothwane) (Tema tradicional da África do Sul) e Oxgam (Baxabene Oxamu) (Letta Mbulu, 1967) - em bloco turbinado pelo sons de percussão tirados por Rodrigo Garcia de seu violão preciso. Nesse bloco africano, que tem música cantada no dialeto xhosa (da África do Sul), Júlia Vargas reitera que é artista para figurar no primeiro time da música brasileira pela voz, pela luminosidade e pela personalidade na escolha de seu repertório. Minha vida é uma rede (Cátia de França, 1985) e Uirapuru blues (Claos Mózi, 2012) - música lançada pela cantora em seu álbum digital de 2012 - confirmam a forte personalidade artística da cantora. De presença menos imponente em cena, Chico Chico também revela personalidade. Seja no toque agalopado do violão que toca em Minha vida é uma rede, seja na opção por cantar músicas alheias de poética e batida secas, como De manhã cedo (A cara do medo) (Tui Lana, 2015). Enfim, o show Chico Chico & Júlia Vargas expõem dois artistas de talento. Ele ainda tem um caminho a percorrer, mas já dá sinal de que terá fôlego para a caminhada. Ela já está em ponto de bala, com sua voz e sua presença radiantes.
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Chico e Júlia põem Alceu, Cátia e Gil no roteiro de show de toque nordestino
♪ Não foi por acaso que, antes de Chico Chico e Júlia Vargas entrarem em cena no minúsculo palco armado na varanda da Casa de Cultura Laura Alvim, um DJ tocou gravações de artistas nordestinos como a cantora cearense Amelinha e o cantor e compositor pernambucano Lenine. Sucesso cult no circuito de shows da Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro (RJ), o show conjunto do cantor e compositor carioca - para quem não liga o nome artístico à pessoa, Chico Chico é Francisco Ribeiro Eller, filho da icônica cantora carioca Cássia Eller (1962 - 2001), atualmente com 21 anos - e da (excelente) cantora fluminense tem acento predominantemente nordestino. O roteiro, aliás, inclui duas músicas da compositora paraibana Cátia de França - Coito das araras (1979) e Minha vida é uma rede (1985) - entre tema da lavra do compositor pernambucano Alceu Valença (Solidão, de 1984). Sem falar que a música que abre o show - apresentado ontem, 9 de agosto de 2015, no projeto Música na varanda, da Laura Alvim - é estilizado baião de Marcos Padilha e Miguel Dias intitulado... Baião. Com músicas de autoria do próprio Chico Chico (como Amor pra dar, O muro e Notas de cem), o show virou cult a partir de sua temporada em boate do Beco das Garrafas (em Copacabana, no Rio de Janeiro), onde vai ser reapresentado na próxima sexta-feira, 14 de agosto, dois dias antes de voltar à varanda da Laura Alvim, em 16 de agosto. Eis o roteiro seguido na Casa de Cultura Laura Alvim por Chico Chico e Júlia Vargas - vistos em foto de Rodrigo Goffredo - na apresentação feita no projeto Música na varanda no Rio, no fim da tarde de 9 de agosto de 2015:
2. Coito das araras (Cátia de França, 1979)
3. Solidão (Alceu Valença, 1984)
4. Minha voz (Chico Chico, 2015)
5. Garoto da soleira (Chico Chico, 2015)
6. Talismã (Luhli, 2015)
7. O muro (Chico Chico, 2015)
8. De manhã cedo (A cara do medo) (Tui Lana, 2015)
9. Notas de cem (Chico Chico, 2015)
10. Jol'inkomo (Wigger Kenter, 1967)
11. The click song (Qongqothwane) (Tema tradicional da África do Sul) /
12. Oxgam (Baxabene Oxamu) (Letta Mbulu, 1967)
13. Desabafo (Cecéu, 1982) - com citação de Hit the road Jack (Percy Mayfiedl, 1960) /
14. Onde o xaxado tá? (Gilberto Gil e Rodolfo Stroeter, 1998)
15. Amor pra dar (Chico Chico, 2015)
16. Minha vida é uma rede (Cátia de França, 1985)
Bis:
17. Uirapuru blues (Claos Mózi, 2012)
Assinar:
Postagens (Atom)



