♪ Dori Caymmi criou melodias para 12 sonetos do poeta e compositor Paulo César Pinheiro. As 12 músicas expandem a produtiva parceria dos artistas cariocas - em foto de Roberto Filho - e vão gerar álbum de Dori intitulado Sonetos e previsto para ser lançado em 2017. Antes, porém, Dori lança neste ano de 2016 um outro álbum de inéditas cujo repertório também inclui parcerias com Paulo César Pinheiro. Disco de tristeza é uma das parcerias inéditas do álbum que sairá ainda neste ano de 2016.
Guia jornalístico do mercado fonográfico brasileiro com resenhas de discos, críticas de shows e notícias diárias sobre futuros lançamentos de CDs e DVDs. Do pop à MPB. Do rock ao funk. Do axé ao jazz. Passando por samba, choro, sertanejo, soul, rap, blues, baião, música eletrônica e música erudita. Atualizado diariamente. É proibida a reprodução de qualquer texto ou foto deste site em veículo impresso ou digital - inclusive em redes sociais - sem a prévia autorização do editor Mauro Ferreira.
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sexta-feira, 3 de junho de 2016
sábado, 14 de maio de 2016
Lafer regrava Lago e Noel em disco feito com Dori e viaja com Swani e Alden
♪ Médico pediatra que iniciou carreira fonográfica na segunda metade da década de 1990 para dar vazão à produção autoral no campo da música, o cantor, compositor e violonista paulistano (de origem ucraniana) Manu Lafer lança dois álbuns neste ano de 2016, ambos com produção de Alê Siqueira e com distribuição da Tratore. Um lado meu que você não conhece expõe Lafer ao lado de Dori Caymmi na capa do CD. Na realidade, Dori toca os violões do disco e assina os arranjos das 11 músicas do repertório dividido entre temas autorais e regravações como as de Fracasso (Mario Lago, 1946) e Mais um samba popular (Noel Rosa e Vadico), obscuro samba composto em 1934 e lançado em disco 20 anos depois, em 1954. O álbum tem vocais de Dori, que gravou a voz principal de Ou sou eu (Manu Lafer) e Samba de uma nota só (Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça, 1960). Já o outro álbum, Trip the light fantastic, junta Lafer ao violonista paulista Swami Jr. e ao guitarrista norte-americano de jazz Howard Alden, diretor musical do disco que tem repertório composto inteiramente por 15 músicas em inglês como The very thought of you (Ray Noble, 1934).
terça-feira, 19 de abril de 2016
Sem se rebelar, Dori finca cânones da própria obra ao musicar texto de Lago
Resenha de álbum
Título: Foru 4 Tiradente na Conjuração Baiana
Artista: Dori Caymmi (a partir de texto de Mário Lago)
Gravadora: Acari Records
Cotação: * * * 1/2
Título: Foru 4 Tiradente na Conjuração Baiana
Artista: Dori Caymmi (a partir de texto de Mário Lago)
Gravadora: Acari Records
Cotação: * * * 1/2
♪ Na década de 1970, o ator, compositor e poeta carioca Mário Lago (1911 - 2002) ampliou o caráter multimídia da obra militante ao escrever o texto de espetáculo musical de caráter histórico sobre a Conjuração Baiana, movimento de 1798 pela independência do Brasil que culminou, em 8 de novembro de 1799, com o enforcamento dos quatro líderes negros da revolta (João de Deus Nascimento, Lucas Dantas Torres, Luiz Gonzaga das Virgens e Manuel Faustino dos Santos). Foru 4 Tiradente na Conjuração Baiana - disco lançado pela gravadora carioca Acari Records neste mês de abril de 2016 - apresenta as 14 músicas feitas por Dori Caymmi em 2014 a partir do texto inédito do acervo de Lago. O compositor carioca criou as músicas sem se rebelar contra o próprio estilo de música, já naturalmente entranhada nas trilhas mais profundas do Brasil interiorano de rios, matas e sertões. Embora sem apresentar repertório à altura das estupendas safras autorais dos últimos álbuns de Dori, centrados na parceria do artista com o compositor e poeta Paulo César Pinheiro, o CD Foru 4 Tiradente na Conjuração Baiana reitera e finca cânones da obra nacionalista de Dori nas 14 faixas que totalizam meros 27 minutos (a maioria dos temas dura um ou dois minutos). Após a abertura, feita com texto recitado em que o ator Milton Gonçalves comete erro (apontado no encarte do disco) ao situar a morte dos Tiradentes baianos em 1779, a música Cantadores remete de cara ao universo nordestino na rima dos versos entoados por Dori com Sérgio Santos (cantor mineiro identificado com os sons desse Brasil profundo). O disco, aliás, tem time estelar de solistas. Intérpretes de Bateram no boi, as cantoras Joyce Moreno e Mônica Salmaso são nomes recorrentes na ficha técnica do álbum, assim como Sérgio Santos e Renato Braz (grande cantor paulista cuja voz grave e densa se afina com o universo musical de Dori). Em Viver de pecar, Braz forma como Dori, Joyce e Salmaso um quarteto fantástico de intérpretes que entendem o que está sendo cantado. O sotaque lusitano da voz de Roberto Leão - ouvida em Governador, tema gravado somente com o violão de Dori - evoca o Portugal que mantinha o Brasil sobre jugo do qual os quatro bravos Tiradentes baianos tentaram em vão livrar o país a partir do movimento que mobilizou Salvador (BA) e o Recôncavo Baiano. Ouvintes atentos identificarão no arranjo de Como foi - música cantada por Renato Braz - sonoridade que remete à trilha sonora da novela Gabriela (TV Globo, 1975), da qual Dori participou como compositor e arranjador. Talvez pelo toque das flautas, a cargo de Teco Cardoso em Foru 4 Tiradente na Conjuração Baiana. Músico magistral, Teco consegue evocar pelo toque das flautas o clima de luta embutido em Vai isso vai. Por mais que os textos de músicas como A coroa balançou e Número um é o primeiro tenham sido escritos para a cena, as composições - na grande maioria - ganham vida própria no disco. Cantada por Dori com Sérgio Santos no fecho do disco, a sombria Escuro é exemplo de como a música nacionalista de Dori Caymmi deu peso ao texto (já originalmente poético, no caso de Escuro) de Mário Lago, levando Foru 4 Tiradente na Conjuração Baiana para rincões distantes de Brasil que ainda vive sob jugos de forças dominadoras, sinalizando que a revolta continua em cena.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
Álbum em que Lisa Ono canta Baden, Ben, Dori e Gil, 'Brasil' sai no Brasil
♪ Cantora, compositora e violonista nascida em São Paulo (SP), mas criada no Japão desde os dez anos de idade, Lisa Ono volta ao mercado fonográfico nacional com o álbum Brasil, editado pela gravadora Deck no Brasil neste mês de fevereiro de 2015, mas já lançado no Japão em maio de 2014. Produzido por Mario Adnet, o CD alinha regravações de 12 músicas brasileiras lançadas, em sua grande maioria, nos anos 1960. Jorge Ben Jor aparece duplamente na seleção com Mas que nada (1963) e Chove chuva (1963), músicas lançadas por Ben em seu primeiro álbum, Samba esquema novo (Philips, 1963). Gilberto Gil tem sua Roda (1966), parceria com João Augusto, revivida por Ono. Como exposto na capa solar do disco, o repertório de Brasil também inclui Bim bom (João Gilberto, 1959), Lapinha (Baden Powell e Paulo César Pinheiro, 1968), O cantador (Dori Caymmi e Nelson Motta, 1966), Reza (Edu Lobo e Ruy Guerra, 1965), Sá Marina (Antonio Adolfo e Tibério Gaspar,1968) e Upa neguinho (Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri,1967).
terça-feira, 18 de março de 2014
'Setenta anos' é andança poética por dentro do coração do cantador Dori
Resenha de CD
Título: Setenta anos
Artista: Dori Caymmi
Gravadora: Acari Records
Cotação: * * * *
Título: Setenta anos
Artista: Dori Caymmi
Gravadora: Acari Records
Cotação: * * * *
Há um Brasil mais profundo, entranhado em um universo interiorano e interiorizado. É esse Brasil - de rios, matas, ventos, luares e mares míticos - que Dori Caymmi adentra, através da poesia de Paulo César Pinheiro, em seu disco de inéditas Setenta anos, lançado pelo cantor, compositor, violonista e arranjador carioca neste mês de março de 2014. O título do CD alude ao 70º aniversário de Dori - festejado em 26 de agosto de 2013 - mas o álbum ora editado pela gravadora carioca Acari Records tem beleza atemporal. É um disco de voz, de violão - "amigo querido" há 55 anos, como o artista poetiza na dedicatória do CD gravado em julho de 2013 com produção e arranjos concretizados pelo próprio Dori - e de canções. São, mais precisamente, 13 músicas inéditas, todas compostas por Dori a partir de versos do compositor e poeta carioca Paulo César Pinheiro. Canções gravadas sem adornos e artefatos, desnudadas em sua "deslumbrante simplicidade", como caracteriza com precisão a cantora e compositora Joyce Moreno no texto que escreveu para apresentar Setenta anos. Do coeso repertório, Alguma voz salta logo aos ouvidos como uma das obras-primas do álbum. "Quando eu ouço alguma voz, / Na janela do horizonte, / De alguém cantando por nós / É Deus cantando defronte", afiança Dori com sua voz tão doce e ao mesmo tempo tão profunda, repleta de símbolos e significados. Tal como o mar centenário de seu pai Dorival Caymmi (1914 - 2008), evocado na poética de músicas como Espuma, Manto real - canção que descreve o momento em que uma sereia emerge das águas banhadas pela imaginação do poeta - e Pesca de rede. Por mais que a belíssima Dentro d'água (outra joia que emerge no mar de canções de Dori) descreva 24 horas na vida da morena esculpida pela pena do poeta, Setenta anos é um disco mais para a noite, ou para o entardecer, do que para a luz do dia. "A luz do dia me alumbra / De inspirações infinitas / Mas vem de trás da penumbra / Minhas canções mais bonitas", reconhece o poeta em versos de Dia e noite. Mas Tela viva contraria tal sensação ao pintar com poesia as cores impressionistas de um alvorecer praieiro. Assim como as imagens das forças da natureza, a morena esculpida na mente romântica do cantador poeta também é recorrente no disco, aparecendo em versos como os de À toa e de Beira-rio, beira-estrada, beira-mar. Por estar focado nesse universo interiorano, reiterado na Toada do carro-de-boi, Setenta anos se impõe como um disco conceitual. Instrumento preciso, o violão de Dori se afia em Mestre, desafiador tema valente do poeta calejado nas rodas de capoeira. No todo, ao se embrenhar mais uma vez por seu mundo de dentro, Setenta anos - disco feito nos mesmos moldes do antecessor Poesia musicada (2011) - confirma o momento produtivo de Dori Caymmi. Parafraseando a letra de Trevo santo, é como se cada verso fosse uma andança por dentro do coração do cantador. Que - aos 70 anos - ainda bate forte por esse Brasil profundo.
Joyce Moreno apresenta 'Setenta anos', CD de inéditas de Dori Caymmi
Coube a Joyce Moreno - com quem Dori Caymmi gravou o álbum Rio-Bahia, lançado em 2005 no Japão - escrever o texto que apresenta Setenta anos, disco de inéditas que celebra as sete década de vida do cantor, compositor, violonista e arranjador carioca. Eis o texto sucinto e preciso de Joyce sobre o CD de voz e violão que Dori - em foto de Myrian Vilas Boas - lança neste mês de março de 2014, em edição da gravadora Acari Records, com 13 músicas inéditas:
"O violão é a mais perfeita tradução musical do Brasil. E meu
amigo Dori Caymmi é um dos mestres do violão brasileiro. Durante estes tantos
anos de amizade e música, não foram poucas as vezes em que me flagrei
'estudando' com ele, observando seus acordes e as harmonias que ninguém no
planeta faz igual. O Dori cantor é igualmente sublime, enchendo de sentido e
emoção qualquer canção em que se aventure. Mas aqui está o compositor. Aos
setenta anos, sem precisar provar mais nada, Dori se reinventa a cada dia,
compondo com a fome de bola de um garoto e a calma de um velho
marinheiro.
Quando se espera que o compositor descanse sobre a grande
obra já construída, ele vem com este CD, de deslumbrante simplicidade,
homenageando o instrumento do qual é ao mesmo tempo parceiro e senhor. Músicas
inéditas, despidas de qualquer recurso que não seja a própria beleza, todas
infalivelmente matadoras, criadas sobre poemas de Paulo César Pinheiro, parceiro
de tantos anos. Canções que falam de um paraíso perdido, um país que talvez só
exista ainda na imaginação dos poetas. De um Brasil que hoje, quem sabe, talvez
seja apenas uma fotografia na parede. Mas como dói."
Joyce Moreno
Rio de Janeiro, verão de 2014
quarta-feira, 12 de março de 2014
Com Adnet, Dori orquestra tributo a Dorival que une Caetano, Chico e Gil
Postada por Danilo Caymmi em seu facebook, a foto acima flagra Dori Caymmi no estúdio da gravadora Biscoito Fino, no Rio de Janeiro (RJ), durante a produção do segundo disco em tributo ao centenário de nascimento do compositor baiano Dorival Caymmi (1914 - 2008). Em fase de gravação, o álbum Dorival Caymmi - Centenário tem arranjos sinfônicos divididos entre Dori e Mario Adnet. Diferentemente de Caymmi (Som Livre, 2013), álbum de raridades do cancioneiro lapidar de Dorival, gravado por Dori com seus irmãos Danilo e Nana Caymmi, Centenário está centrado nos grandes sucessos do compositor e junta os três irmãos Caymmi a Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil. Sozinho, Caetano dá voz ao samba-canção Sábado em Copacabana (Dorival Caymmi e Carlos Guinle, 1951) e ao samba Saudade da Bahia (Dorival Caymmi, 1957). Solo, Gil cai nos sambas Rosa Morena (Dorival Caymmi, 1942) e O samba da minha terra (Dorival Caymmi, 1940). Já Chico interpreta Dora (Dorival Caymmi, 1945) e Marina (Dorival Caymmi, 1947). Juntos, Caetano, Chico e Gil fazem novamente a pergunta-título do samba O que é que a baiana tem? (Dorival Caymmi, 1939). Já Danilo canta sozinho Nem eu (Dorival Caymmi, 1952) e remexe no Vatapá (Dorival Caymmi, 1942) enquanto Nana reconta A lenda do Abaeté (Dorival Caymmi, 1948) e se embrenha no Sargaço mar (Dorival Caymmi, 1985). Além de arranjar metade do disco, Dori canta João Valentão (Dorival Caymmi, 1953) assim como Adnet interpreta o samba A vizinha do lado (Dorival Caymmi, 1946). Juntos, os Caymmi entoam a Canção da partida (Dorival Caymmi, 1957). O CD-tributo Dorival Caymmi - Centenário tem lançamento previsto para este primeiro semestre de 2014.
sexta-feira, 7 de março de 2014
Eis a capa do álbum (de inéditas) que festeja os 70 anos de Dori Caymmi
Esta é a capa de Setenta anos, álbum de inéditas que festeja - com sete meses de atraso - as sete décadas de vida de Dori Caymmi. Os 70 anos do cantor, compositor, violonista e arranjador carioca foram completados em 26 de agosto de 2013, mas o disco comemorativo da efeméride está sendo lançado neste mês de março de 2014. O disco apresenta 13 músicas inéditas compostas por Dori a partir de versos do poeta e compositor carioca Paulo César Pinheiro. Setenta anos é um disco de voz e violão como o seu antecessor Poesia musicada (2011), também centrado na parceria de Dori Caymmi com o seu amigo Paulo César Pinheiro.
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Danilo, Dori e Nana se afinam ao celebrar no Rio obra de Dorival Caymmi
Evento: 51º Festival Villa-Lobos
Título: Caymmi 100 anos
Artistas: Danilo Caymmi, Dori Caymmi e Nana Caymmi (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 10 de novembro de 2013
Cotação: * * * * 1/2
Os olhares cúmplices dirigidos por Nana Caymmi a Dori Caymmi - com direito a gestos que expressavam seu contentamento com os arranjos do irmão maestro - foram a mais perfeita tradução da afinidade entre os três irmãos no sublime show que abriu no Rio de Janeiro (RJ) as comemorações pelo centenário de nascimento do compositor baiano Dorival Caymmi (1914 - 2008). Ao lado do irmão caçula Danilo Caymmi, Dori e Nana celebraram a beleza atemporal do cancioneiro do patriarca da família, lustrando pérolas raras retiradas das profundezas do mar do compositor - registradas no álbum Caymmi (Som Livre), já garantido na lista de melhores discos de 2013 - e dando voz também aos sambas, canções praieiras e sambas-canção que atravessaram gerações e imortalizaram a obra de Dorival. Depois de passar por São Paulo (SP) em junho, o show de lançamento do CD Caymmi chegou à cidade que acolheu o artista (em abril de 1938) e lhe deu fama nacional. Foi na noite de ontem, 10 de novembro de 2013, em apresentação única que embeveceu o público que lotou o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, apesar dos problemas no som (baixo) do microfone de Danilo Caymmi no início do espetáculo. Programado dentro da 51ª edição do Festival Villa-Lobos, o show roçou a perfeição do disco. "É inacreditável! Fico às vezes viajando nas canções do meu pai. São muito bonitas", enfatizou Nana, se permitindo ainda se surpreender com a arquitetura irretocável das letras e melodias de Dorival. Aos 72 anos, firme no posto de umas maiores cantoras do Brasil de todos os tempos, Nana somente entrou em cena na 16ª música do roteiro - o que fez com que a belíssima Sereia (Dorival Caymmi) fosse ouvida sem sua voz marcante (no disco, essa até então desconhecida canção praieira é entoada pelos três irmãos) no medley que juntou Sereia com Rainha do mar (Dorival Caymmi, 1939) pela afinidade temática. Na primeira parte do show, Dori - presente em cena do início ao fim, na condição de violonista, maestro e (eventual) cantor do espetáculo - dividiu o palco com Danilo, que abriu o show solando Caminhos do mar (Dorival Caymmi, Danilo Caymmi e Dudu Falcão, 2001) com Dori nos vocais. Na sequência, Dori solou Itapoã (Dorival Caymmi, 1972) - com aquela voz que evoca toda a profundeza do canto doce de Dorival - e puxou o cordão de Roda pião (Dorival Caymmi, 1939), sendo seguido por Danilo neste samba que alterna tons lúdicos e melancólicos ao abordar os efeitos do giro inexorável do tempo. Ao solar Fiz uma viagem (Dorival Caymmi, 1957), Danilo caiu com jeito no samba de Dorival. E, cada um a seu jeito, Danilo e Dori seguraram bem a atenção da plateia nesta primeira parte do show. Ao cantar O bem do mar (Dorival Caymmi, 1954) e Sargaço mar (Dorival Caymmi, 1985), Dori pareceu encarnar o velho pescador tão bem decantado no cancioneiro de Dorival. Como arranjador, Dori confirmou sua maestria ao remodelar o samba O que é que a baiana tem? (Dorival Caymmi,1939) com sutis alterações no andamento, no que o próprio Dori caracterizou como "uma versão mais contemporânea". Já Danilo brilhou ao esboçar registro mais emotivo para Nem eu (Dorival Caymmi, 1954), dentro do tom do samba-canção, e ao reger palmas e coro do público em Retirantes (Dorival Caymmi e Jorge Amado, 1975), após trazer à tona a Toada à toa (2009), menos inspirada parceria feita com seu pai (a partir de letra encontrada no baú de Dorival). Afinados entre si, os dois irmãos ainda uniram vozes no medley que agrega os sambas Quando eu durmo - outro título até então desconhecido do cancioneiro de Caymmi - e Balaio grande (Dorival Caymmi e Oswaldo Santiago, 1941). Foi após esse medley que entrou no palco Nana Caymmi, senhora da cena desde que abriu o vozeirão inigualável para entoar Cantiga de cego (Dorival Caymmi e Jorge Amado, 1981) - gravada por Dorival para a trilha sonora da novela Terras do sem fim (TV Globo, 1981/1982) - e, na sequência, solar Modinha para Tereza Batista (Dorival Caymmi e Jorge Amado, 1992), outro tema que linka o cancioneiro de Caymmi à obra literária do escritor baiano Jorge Amado (1912 - 2001), amigo e parceiro de Dorival. A Modinha para Tereza Batista foi a deixa para Danilo Caymmi puxar o samba Vamos falar de Tereza (1992), parceria sua com Dorival, produzida para a trilha sonora da minissérie Tereza Batista (TV Globo, 1992). Então Danilo saiu do palco, que passou a ser ocupado somente por Dori com Nana e com a banda virtuosa formada por Flávio Mendes (violão), Itamar Assiere (piano), Jefferson Lescowich (baixo), Armando Marçal (percussão) e Jurim Moreira (bateria). Foi quando Nana simulou um sotaque português para cantar Francisca Santos das Flores (Dorival Caymmi, 1972) em misto pungente de fado, samba-canção e modinha. Foi um dos momentos culminantes em show de pontos altos. Na sequência, com sua habitual categoria, Nana fez emergir A Mãe d'Água e a menina (Dorival Caymmi, 1985), deu a receita pouco conhecida de Acaçá (Dorival Caymmi, 1997), recontou História pro Sinhozinho (Dorival Caymmi, 1945) e, com o apoio vocal de Dori, elevou os tons para chamar Dora (Dorival Caymmi, 1945) - em momento arrepiante - e perfilou João Valentão (Dorival Caymmi, 1953). Os sambas-canção Só louco (Dorival Caymmi, 1955) e Não tem solução (Dorival Caymmi e Carlos Guinle, 1950) reiteraram o fato de Nana sempre ter sido cantora grande o suficiente para cantar Caymmi à sua moda, num tom que é só seu. Mas que se afinou harmoniosamente com os tons de seus irmãos no samba-canção Marina (Dorival Caymmi, 1947) e no sempre comovente Acalanto (Dorival Caymmi, 1957). No fim, a Canção da partida (Dorival Caymmi, 1957) - parte da Suíte dos pescadores - preparou o clima de despedida da família Caymmi, encerrando show marcado pela emoção de reverenciar o imortal Dorival Caymmi, um dos maiores compositores do mundo.
Família Caymmi alterna raridades e sucessos de Dorival em show no Rio
Primeiro projeto fonográfico lançado em tributo ao centenário de nascimento Dorival Caymmi (1914 - 2008), a ser comemorado ao longo de 2014, o irretocável álbum Caymmi - posto nas lojas em junho deste ano de 2013, em edição da gravadora Som Livre - teve como maior mérito o resgate de músicas raras ou até mesmo desconhecidas do cancioneiro do compositor baiano. Danilo Caymmi, Dori Caymmi e Nana Caymmi deram vozes a pérolas pescadas nas profundezas do mar de Dorival, como a belíssima Sereia. No show de lançamento do disco, que chegou ao Rio de Janeiro (RJ) dentro da programação da 51ª edição do Festival Villa-Lobos cinco meses após a estreia nacional em São Paulo (SP), a família Caymmi entrelaça tais raridades no roteiro com os principais sucessos do compositor. Eis o roteiro seguido por Dori, Nana e Danilo - em foto de Rodrigo Amaral - na apresentação do show Caymmi 100 anos que seduziu o Theatro Municipal do Rio de Janeiro na noite de domingo, 10 de novembro de 2013:
1. Caminhos do mar (Dorival Caymmi, Danilo Caymmi e Dudu Falcão, 2001) - Danilo
2. Itapoã (Dorival Caymmi, 1972) - Dori
3. Fiz uma viagem (Dorival Caymmi, 1957) - Danilo
4. Roda pião (Dorival Caymmi, 1939) - Danilo e Dori
5. Sereia (Dorival Caymmi) /
6. Rainha do mar (Dorival Caymmi, 1939) - Danilo e Dori
7. O bem do mar (Dorival Caymmi, 1954) - Dori
8. Nem eu (Dorival Caymmi, 1954) - Danilo
9. Sargaço mar (Dorival Caymmi, 1985) - Dori
10. Toada à toa (Dorival Caymmi e Danilo Caymmi, 2009) - Danilo
11. Maricotinha (Dorival Caymmi e Antonio Carlos Jobim, 1994) - Danilo
12. O que é que a baiana tem? (Dorival Caymmi, 1939) - Danilo e Dori
13. Retirantes (Dorival Caymmi e Jorge Amado, 1975) - Danilo
14. Quando eu durmo (Dorival Caymmi) /
15. Balaio grande (Dorival Caymmi e Oswaldo Santiago, 1941) - Danilo e Dori
16. Cantiga de cego (Dorival Caymmi e Jorge Amado, 1981) - Nana
17. Modinha para Tereza Batista (Dorival Caymmi e Jorge Amado, 1992) - Nana
18. Pra falar de Tereza (Dorival Caymmi e Danilo Caymmi, 1992) - Danilo
19. Francisca Santos das Flores (Dorival Caymmi, 1972) - Nana
20. A Mãe d'Água e a menina (Dorival Caymmi, 1985) - Nana
21. Acaçá (Dorival Caymmi, 1997) - Nana
22. História pro Sinhozinho (Dorival Caymmi, 1945) - Nana
23. Dora (Dorival Caymmi, 1945) - Nana (com Dori nos vocais)
24. João Valentão (Dorival Caymmi, 1953) - Nana (com Dori nos vocais)
25. Só louco (Dorival Caymmi, 1955) - Nana
26. Não tem solução (Dorival Caymmi e Carlos Guinle, 1950) - Nana
27. Marina (Dorival Caymmi, 1947) - Danilo, Dori e Nana
28. Acalanto (Dorival Caymmi, 1957) - Danilo, Dori e Nana
29. Canção da partida (Suíte dos pescadores) (Dorival Caymmi, 1957) - Danilo, Dori e Nana
Bis:
30. O bem e o mal (Danilo Caymmi e Dudu Falcão, 1990) - improviso de Danilo Caymmi
31. Modinha para Tereza Batista (Dorival Caymmi e Jorge Amado, 1992) - Danilo, Dori e Nana
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Frevo de Dori batiza 'Ninho de Vespa', segundo álbum da Spok Orquestra
Com capa de aura psicodélica assinada pelo artista plástico pernambucano Sebba Cavalcanti, o segundo álbum de estúdio da Spok Frevo Orquestra, Ninho de vespa, vai ser lançado neste mês de novembro de 2013. O sucessor de Passo de anjo (2004) - álbum de estúdio que gerou o DVD e o CD ao vivo Passo de anjo ao vivo (2008) - foi batizado com o nome do frevo Ninho de vespa, composto por Dori Caymmi com Paulo César Pinheiro e lançado por Dori no disco Brazilian serenata (1990). Dori participou da gravação da Spok. Em Ninho de vespa, a orquestra de frevo também faz conexões com o bandolinista Hamilton de Holanda, parceiro e convidado da faixa Tá achando que tá devagar?. Alguns frevos do álbum têm toque jazzístico.
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Wanda vai receber Dori e Lyra em gravação que festeja 50 anos de bossa
Carlos Lyra e Dori Caymmi confirmaram participação na gravação ao vivo do show Isso é bossa nova, isso é muito natural..., apresentado desde 2012 pela cantora paulista (mas de criação carioca) Wanda Sá. O Canal Brasil agendou a gravação para 19 de novembro de 2013, em apresentação do show no Espaço Tom Jobim, no Rio de Janeiro (RJ). O DVD e o CD ao vivo resultantes da gravação vão ser lançados em 2014, em edição da gravadora Biscoito Fino, para festejar os 70 anos de vida e os 50 de carreira de Wanda Sá. O show reúne hits da Bossa Nova.
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Dori festeja 70 anos com álbum de inéditas gravado no estilo voz & violão
Contrariando a lógica revisionista do mercado fonográfico, Dori Caymmi vai festejar seus 70 anos de vida - completados na última segunda-feira, 26 de agosto de 2013 - com a edição de um disco de repertório inédito, centrado nas parcerias do compositor carioca com o poeta também carioca Paulo César Pinheiro. Já finalizado, o álbum foi gravado no estilo voz & violão.
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Dori chega aos 70 anos como um dos mais geniais arranjadores do Brasil
Nascido em 26 de agosto de 1943, no Rio de Janeiro (RJ), Dori Caymmi chega aos 70 anos nesta segunda-feira, 26 de agosto de 2013, entronizado no posto de um dos grandes arranjadores do Brasil. O injusto silêncio da mídia em torno da data está em sintonia com a discrição com que o cantor e compositor carioca tem levado sua carreira, longe dos holofotes e das badalações. Se o arranjador - discípulo de Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994), Eumir Deodato, Gil Evans (1912 - 1988) e Luiz Eça (1936 - 1992), entre outros mestres maestros - tem dado valiosa e notória contribuição à música brasileira a partir dos anos 60, o compositor ainda precisa ter sua obra corretamente dimensionada. Na seara da composição, Dori bebeu das águas de seu mestre e pai, um certo Dorival Caymmi (1914 - 2008), mas soube navegar em outros mares e sair da sombra deste gigante da MPB - ainda que, a cada vez que Dori abre seu vozeirão grave, o canto do artista revolva as profundezas do mar de Caymmi. Sua discografia solo - iniciada em 1972 com o álbum Dori Caymmi (Odeon) - guarda títulos poucos ouvidos como o denso e interiorizado Mundo de dentro, um dos melhores discos editados no Brasil em 2010 (centrado na parceria de Dori com Paulo César Pinheiro, o álbum foi lançado em 2009 nos Estados Unidos com o título de Inner world). De temperamento extrovertido quando está entre amigos chegados ou quando disserta em seus shows sobre os (des)caminhos da MPB com tiradas demolidoras, Dori Caymmi - em foto de Myriam Vilas Boas - parece viver em contrapartida imerso em seu mundo de dentro. Dori é da turma quieta de Edu Lobo - outro gênio que se torna septuagenário nesta última semana de agosto de 2013 - e parece viver para a música, alimento de sua alma, motor do barco que o conduz por seu próprio mar.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Nana, Dori e Danilo expõem profundezas do mar de Dorival em 'Caymmi'
Resenha de CD
Título: Caymmi
Artistas: Nana Caymmi, Dori Caymmi e Danilo Caymmi
Gravadora: Som Livre
Cotação: * * * * *
Título: Caymmi
Artistas: Nana Caymmi, Dori Caymmi e Danilo Caymmi
Gravadora: Som Livre
Cotação: * * * * *
Disco que abre as comemorações fonográficas pelo centenário de nascimento de Dorival Caymmi (1914 - 2008), a ser festejado em 30 de abril de 2014, o CD Caymmi é a mais bela e importante homenagem que Nana Caymmi, Dori Caymmi e Danilo Caymmi poderiam prestar ao patriarca da família. Por conta de criteriosa pesquisa que teve como ponto de partida consulta ao Cancioneiro da Bahia, livro publicado por Dorival em 1947 com as músicas que compusera até então, os filhos conseguem a proeza de (re)apresentar músicas que vão soar como inéditas para sucessivas gerações. É o caso da belíssima Sereia (Dorival Caymmi), canção praieira então desconhecida até por Danilo. O canto lindo de Sereia se faz ouvir em Caymmi nas vozes dos três filhos de Dorival em medley que entremeia a música com o samba Rainha do mar (1939). Outra raridade é o buliçoso samba Quando eu durmo, outro tema também desconhecido que abre este disco que sublinha o elo entre as obras de Caymmi e do escritor baiano Jorge Amado (1912 - 2001), letrista da pouco ouvida Cantiga de cego (gravada por Dorival em 1981 para a trilha sonora da novela Terras do sem fim e entoada neste tributo por Nana em registro que abarca as vozes de Danilo e Dori ao fim da faixa), da Modinha para Teresa Batista (também interpretada por Nana e unida no CD com a conhecida Vamos falar de Teresa, parceria de Dorival com Danilo propagada em 1992 na trilha sonora da minissérie Teresa Batista, exibida pela TV Globo) e de Retirantes (música lançada em 1975 na abertura da novela Escrava Isaura). O CD Caymmi reconstitui a imagem mítica e folclórica da Bahia cristalizada no cancioneiro de Dorival. Símbolo religioso desse universo afro-brasileiro habitado pela nega-personagem do samba Balaio grande (Dorival Caymmi e Oswaldo Santiago, 1941), Yemanjá é entidade evocada repetidas vezes em repertório que reapresenta Itapoã (1972), outro tema pouco ouvido deste cancioneiro magistral. Em estado de graça como intérprete, Nana brilha soberana em Caymmi ao dar a já ignorada receita de Acaçá (1997) e, sobretudo, ao transformar Francisco Santos das Flores (1972) em fado com direito a um sotaque português que concentra toda a pungência e melancolia do gênero lusitano. Na faixa sublime, o bandolim de Pedro Amorim cumpre o papel reservado no fado à guitarra portuguesa. Produtor do álbum, Dori Caymmi brilha como arranjador ao orquestrar a obra de Dorival com reverência - e com direito a flautas em seis das 13 faixas do CD lançado pela gravadora Som Livre - mas sem ranços nostálgicos. Moderno em sua atemporalidade, o cancioneiro de Caymmi soa atual e leve somente com uso de instrumentos tradicionais. Com destreza para cantar os sambas do pai, Danilo segue seguro pelo roteiro rítmico e melódico de Fiz uma viagem (1957) - outro exemplo da habilidade do trio para apresentar músicas que soam como novas - e se une ao mano Dori para circular Roda pião (1939), samba de gente grande que alude melancolica e metaforicamente ao giro inexorável do tempo em versos de tom lúdico. No fim do álbum, em mais um instante sublime de sua carreira, Nana mergulha na poesia da canção A mãe d'água e a menina (1985), fecho pungente de disco que expõe a profundeza do mar de canções de Dorival Caymmi, fazendo emergir joias valiosas que reiteram a genialidade do ourives baiano.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Capa do CD que saúda 100 anos de Caymmi expõe autorretrato do artista
Autorretrato de Dorival Caymmi (1914 - 2008), que também era pintor, ilustra a capa do álbum em que os três filhos do compositor baiano - Danilo, Dori e Nana - celebram os 100 anos de nascimento do artista, a serem completos em 30 de abril de 2014. A ideia de usar o autorretrato na capa do disco - já nas lojas, em edição da gravadora Som Livre - foi de Danilo. Intitulado Caymmi, o CD alinha em 13 faixas 16 músicas menos ouvidas do genial cancioneiro do compositor-ourives. Produzido por Dori, o álbum expõe no encarte seis quadros de Caymmi.
domingo, 24 de março de 2013
Sai em junho CD em que Danilo, Dori e Nana cantam 100 anos de Dorival
Tem lançamento agendado para junho de 2013, em edição da Som Livre, o CD em que os irmãos Danilo Caymmi, Dori Caymmi e Nana Caymmi celebram o centenário de nascimento de seu pai, o compositor baiano Dorival Caymmi (1914 - 2008). Sob a produção de Dori, os três irmãos dão vozes a músicas menos conhecidas do patriarca da família. O CD Caymmi - 100 anos foi gravado no Rio de Janeiro (RJ) neste ano de 2013 para abrir a agenda do centenário.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Dori produz no Rio CD em que família Caymmi saúda 100 anos de Dorival
Postada no Facebook de Danilo Caymmi, a foto flagra os irmãos Danilo, Dori e Nana Caymmi em estúdio, no Rio de Janeiro (RJ), gravando o CD Caymmi 100 Anos. Produzido por Dori, o disco festeja o centenário de nascimento do patriarca da família, Dorival Caymmi (1914 - 2008). Embora o 100º aniversário de Caymmi seja somente em abril de 2014, os irmãos vão dar a partida nos festejos em abril de 2013 com a edição do CD ora em processo de gravação.
domingo, 6 de janeiro de 2013
Nana, Danilo e Dori querem lançar disco em tributo a Caymmi já em abril
Os irmãos Nana, Danilo e Dori Caymmi já preparam o disco que assinam juntos em tributo ao centenário de nascimento do patriarca da família, Dorival Caymmi (1914-2008). O compositor faria 100 anos somente em abril de 2014. Mas o plano do trio é lançar o CD já em abril deste ano de 2013, iniciando o festejo do centenário. A ideia é gravar músicas obscuras de Caymmi.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
CD com música de Dori sobre poesia de Pinheiro brilha na terra e no mar
Resenha de CD
Título: Poesia Musicada
Artista: Dori Caymmi
Gravadora: Acari Records
Cotação: * * * *
Título: Poesia Musicada
Artista: Dori Caymmi
Gravadora: Acari Records
Cotação: * * * *
"Estrela que me incendeia / Acende na terra / Acende na mata / Acende no mar, Candeia", entoa Dori Caymmi com seu canto denso e profundo que parece emergir do fundo do mar ou vir de dentro das matas. Os poéticos versos são de Estrela de Cinco Pontas, belíssimo tema que abre o CD Poesia Musicada, lançado pela Acari Records neste mês de setembro de 2011. A poesia é de Paulo César Pinheiro, autor das 13 letras inéditas musicadas por Dori - seu parceiro desde 1969, ano em que os compositores fizeram juntos Evangelho, música gravada por Dori em 1972 - para este álbum afinado que navega sempre em águas tradicionalistas. Conta Dori em breve texto escrito por ele para o encarte que o disco nasceu em junho de 2010, quando achou em seus guardados uma poesia de Pinheiro, Rede, musicada naquele mesmo instante. "Parece que ele gostou porque outras doze a seguiram e o resultado está aqui, Poesia Musicada, que acabou sendo a maneira perfeita para comemorar nossos 42 anos de parceria", conclui Dori no minitexto do CD, gravado em maio no Rio de Janeiro (RJ) e finalizado em junho nos Estados Unidos. A data não é redonda como a poesia de Pinheiro e a música de Dori. Mas isso pouco importa. Ambas - música e poesia - brilham no mar e na terra. Herdeiro das tradições de seu pai, um certo Dorival Caymmi (1914 - 2008), Dori enfileira canções praieiras como Marinhagem (a mais bonita da safra marítima, arranjada pelo artista com flautas de Teco Cardoso que remetem às orquestrações feitas por Dori em 1975 para a trilha sonora da novela Gabriela), Dona Iemanjá, Vereda, Canto Praieiro (outro destaque do repertório marítimo), Estrela Verde e Velho do Mar (Meu Pai), além da citada Rede. Da safra da terra, o maior trunfo de Poesia Musicada é Violeiro, toada seresteira, linda de doer. Outra toada, Projeto de Vida, é pontuada por imagens poéticas de idealizado cenário rural e pela sanfona de Toninho Ferragutti. Em paisagem mais cinzenta, Barco navega por águas mais bravias sem que Pinheiro perca o controle do leme poético. "Canoeiro, me perdoa, / Poesia é peixe não / Mas se pesca de canoa / Na maré do coração", ensina o poeta da música no refrão de Estrela Verde. Já Música no Ar tem seu clima seresteiro realçado na parte final pelos cavaquinhos de Luciana Rabello e Ana Rabello. Conceitual pela unidade estética dos versos de Pinheiro e das melodias de Dori, Poesia Musicada expõe o fino acabamento dessa parceria em que a música se harmoniza com a letra com tal precisão que parecem emergir da inspiração de um só compositor. É fato que o alto nível de inspiração melódica exibido por Dori na primeira metade do disco nem sempre se repete na segunda. Mas nem por isso Poesia Musicada deixa de ser álbum à altura do histórico da parceria já quarentona. "Porque a vida para / Para quem não cria", sentencia Dori em versos alocados pelo poeta ao fim da letra de Violeiro. Eles criam.
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