Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


sábado, 23 de maio de 2015

Eis a capa de 'Partir', CD de Cozza saudado por Bethânia em texto no encarte

Com capa que expõe sóbria foto em preto e branco de Stela Handa, o quinto álbum da cantora paulistana Fabiana Cozza, Partir, traz no encarte um texto assinado por ninguém menos do que Maria Bethânia. No texto, a cantora baiana saúda Partir - disco produzido pelo compositor e violonista Swami Jr. - com direito a citação de verso ("Junhos de fumaça e frio") de Genipapo absoluto (1989), música de seu mano Caetano Veloso. Eis o texto em que Bethânia tece loas ao disco - que vai chegar ao mercado fonográfico em junho de 2015 - e às escolhas de Fabiana Cozza:

"Fabiana, seu disco é lindo. Você sempre canta bonito, sempre usando com maestria seu timbre, alcance vocal, apuro nas notas, caprichosa na escolha dos músicos. E mais que tudo isso, eu gosto que você cante a sua música, livre. Só a graça de Deus e suas escolhas. Isso eu sempre vou reverenciar num artista.

Adoro as cantigas escolhidas por você nesse disco, a nudez dos arranjos, onde sua voz passeia lisa e clara. Fico alegre quando ouço Eu não pedi - música com raiz no samba do meu Recôncavo. Que beleza!

E gosto de sentir a lua e a garoa que moram em sua voz sobre a música do meu lugar, aquele onde os fevereiros são de festa e luz, e os "junhos de fumaça e frio". Brava!" 

Sua fã, Maria Bethânia

Do Amor mostra 'O aviso diz', primeira música do terceiro álbum do quarteto

O quarteto carioca Do Amor lançou esta semana a primeira música de seu terceiro álbum. O aviso diz já está disponível para audição no portal SoundCloud. O último álbum de Gabriel Bubu (guitarra e voz), Gustavo Benjão (guitarra e voz), Marcelo Callado (bateria e voz) e Ricardo Dias Gomes (baixo e voz) foi Piracema (Maravilha 8, 2013).  Clique aqui para ler a resenha desse disco.

Single 'Eses ojos verdes' expõe Mutantes sem as cores de sua originalidade

Resenha de single
Título: Eses ojos verdes
Artista: Os Mutantes
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * 

Single lançado pelo grupo paulistano Os Mutantes no YouTube e na plataforma digital Rdio neste mês de maio de 2015, a canção em espanhol Eses ojos verdes apresenta uma banda desbotada, sem as cores vivas de sua formação original. Primeiro single de álbum a ser lançado neste ano de 2015, Eses ojos verdes remete de imediato ao popular bolero cubano Aquellos ojos verdes (Adolfo Ultrera e Nilo Menéndez, 1929). Mas em vez de soar como uma paródia do sentimental cancioneiro latino-americano - graça que Os Mutantes sabiam fazer com maestria na formação clássica que incluía Arnaldo Dias Baptista e Rita Lee - Eses ojos verdes soa como simulacro desse repertório de romantismo derramado. Tudo a ver, de certa forma, com um grupo que, nos últimos discos, pareceu um simulacro de si mesmo. Sensação reiterada nessa formação atual em que o remanescente Sergio Dias (voz e guitarra) está junto de Esmeria Bulgari (voz), Vinicius Junqueira (baixo), Henrique Peters (teclados e vocal) e Claudio Tchernev (bateria). A impressão que fica é a de que o single - assim como o vindouro álbum de músicas inéditas - é mero pretexto para que o grupo continue em cena, capitalizando  prestígio angariado no mercado internacional  por conta da discografia de sua fase inicial. Pode ser que o mercado externo ainda se deixe seduzir pela aura de magia envolta em torno da figura lendária dos Mutantes. No Brasil, Eses ojos verdes soa sem cor...

Dennis DJ grava primeiro DVD, no Rio, em baile com Monobloco e Buchecha

Dennis DJ - nome artístico do produtor musical e DJ fluminense Dennison de Lima Gomes - vai gravar hoje, 23 de maio de 2015, seu primeiro DVD. A gravação ao vivo do Baile do Dennis acontece em show na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ), com intervenções do cantor fluminense Buchecha e do carioca Monobloco (com Dennis - visto de boné vermelho - na foto de João Gomes). O Monobloco encorpará o registro da música Carol (M. Cruz, 2015), linkando o DJ ao grupo de Carnaval. Já Buchecha entra em cena para cantar Santinha, música já gravada pelo MC com o DJ. Produtor ligado ao funk e ao rap, Dennis DJ é o compositor da melodia (letrada por MC Naldinho) da polêmica Um tapinha não dói (2000), um dos (grandes) sucessos do funk carioca nos anos 2000.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Sony Music antecipa em quatro dias venda da edição digital de álbum de Gal

Prevista de início para começar no iTunes em 26 de maio de 2015, a venda da edição digital do álbum Estratosférica, de Gal Costa, foi antecipada em quatro dias pela gravadora Sony Music. Desde hoje, 22 de maio, já é possível comprar o 33º álbum solo da discografia da cantora baiana (em foto de Bob Wolfenson). Mas, por ora, somente é possível fazer o download de 14 das 16 faixas. As duas (ótimas) músicas exclusivas da edição digital de Estratosférica - Átimo de som (Arnaldo Antunes e Zé Miguel Wisnik) e Vou buscar você pra mim (Guiherme Arantes) - devem ser adicionadas ao repertório somente daqui a alguns meses, numa data ainda não divulgada pela Sony.

Autobiografia de Erasmo vira filme com Chay Suede no papel do Tremendão

A vida de Erasmo Carlos deu um livro, Minha fama de mau, biografia lançada em 2009 pela editora Objetiva. Agora essa vida vai dar um filme baseado justamente no livro escrito pelo cantor carioca. Com o ator, cantor e compositor capixava Chay Suede já confirmado no papel do Tremendão, o longa-metragem vai começar a ser filmado no segundo semestre deste ano de 2015. Orquestrado pela LMC LaToller e Indiana Produções, o filme Erasmo Carlos - Minha fama de mau vai ser dirigido por Lui Farias, o autor também do roteiro, assinado com L. G. Bayão e Letícia Mey.

Alice assina com Universal para reeditar CD 'Rainha dos raios' (e lançar DVD)

Alice Caymmi é a mais nova integrante do elenco da gravadora Universal Music. A cantora e compositora carioca - em foto de Daryan Dornelles - está assinando contrato com a multinacional do disco para reeditar seu segundo álbum, Rainha dos raios (Joia Moderna, 2014), e lançar seu primeiro DVD com a gravação do show captado em 11 de dezembro de 2014 em apresentação no Teatro Itália, em São Paulo (SP). Enquanto espera o DVD, clique aqui para ler a resenha do registro ao vivo da remodelada versão hi-tech do show Rainha dos raios criada e dirigida por Paulo Borges.

Ainda no papel de crooner, Boaventura vai de Elvis a Roberto em 'Your song'

Já devidamente acomodado na personagem do crooner galã, papel assumido desde que engatou carreira fonográfica na gravadora Sony Music a partir de 2009 após anos de atuação em musicais de teatro, o ator e cantor baiano Daniel Boaventura acentua a aura romântica de seu repertório em seu segundo registro ao vivo de show. Sucesso na voz do cantor norte-americano Elvis Presley (1935 - 1977), a adocicada balada Love me tender  (Elvis Presley e Ken Darby, 1956) é um dos sucessos interpretados por Boaventura no repertório do show gravado em 6 de dezembro de 2014 - em apresentação no Teatro Bradesco do Rio de Janeiro (RJ) -  e eternizado no CD duplo e no DVD Your song - Ao vivo, recém-lançados pela Sony Music. As inclusões no roteiro de nada menos do que três músicas românticas do repertório de Roberto Carlos - Como é grande o meu amor por você (Roberto Carlos, 1967), Como vai você? (Antonio Marcos e Mário Marcos, 1972) e Olha (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1975) - reiteram a ênfase nesse viés sentimental. Ao longo dos 25 números do show, Boaventura recebe os cantores Carlos Rivera, Filippa Giordano e Kiara Sasso para duetos em standards estrangeiros. Com o mexicano Rivera, o dueto acontece em Perhaps, perhaps, perhaps, versão em inglês (de Joe Davis) da canção cubana Quizás, quizás, quizás (Osvaldo Farrés, 1947). Já a italiana Giordano entra em cena em Come fly with me (Sammy Cahn e James Van Heusen, 1957) e permanece no palco para um segundo dueto com Boaventura em Smile (Charles Chaplin, 1936, com letra de John Turner e Geoffrey Parsons, 1954), composição erroneamente creditada na ficha técnica a Pete Murray, compositor australiano autor de canção homônima. Já a carioca Kiara Sasso participa de Time stand still, balada da compositora norte-americana Diane Warren lançada por Boaventura em seu último disco de estúdio, One more kiss (Sony Music, 2014).

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Caixa embala reedições dos cinco álbuns feitos por Renato Teixeira na RCA

Renato Teixeira completou 70 anos de vida ontem, 20 de maio de 2015. Para festejar o aniversário do cantor, compositor e músico paulista, o departamento de marketing estratégico da gravadora Sony Music produziu - sob o comando de Hugo Pereira Nunes - a caixa Renato Teixeira - Obra completa na RCA de 1978 a 1982, que traz reedições remasterizadas (por Luigi Hoffer e Carlos Savalla) dos cinco álbuns lançados pelo artista na gravadora RCA entre 1978 e 1982. Garapa (1980), Uma doce canção (1981) e Um brasileiro errante (1982) eram títulos até então inéditos no formato de CD. Romaria (1978) e Amora (1979) já tinham saído reeditados em CD, mas Amora volta ao catálogo com três faixas-bônus. Além da gravação original de Frete (Renato Teixeira, 1979), tal como feita pelo cantor para a abertura da série Carga pesada (TV Globo, 1979), Amora apresenta a gravação (feita na época) de música que permaneceu inédita em disco, Murro n'água (Renato Teixeira, 1979), e recupera Minha triste casa grande (Renato Teixeira 1979), música lançada em 1979 somente como lado B do compacto de Cavalo bravo (Renato Teixeira, 1979). A reedição de Garapa também vem turbinada com repertório adicional. Trata-se da inédita gravação original de Terumi (Renato Teixeira, 1980), música que somente seria incluída pelo artista em sua discografia oficial no álbum Renato Teixeira, editado em 1986, sem repercussão, pela extinta gravadora 3M. A caixa embala os discos em miniaturas das capas das edições originais em LP. Mas toda a arte gráfica e as informações dos discos estão reproduzidas no libreto iniciado com o texto Renato Teixeira, o fino estilista do Brasil caipira, assinado por Mauro Ferreira, editor de Notas Musicais. Isca para colecionadores de discos, o box está sendo lançado neste mês de maio de 2015.

Selo de Emicida vai lançar edição digital de álbum de inéditas de Chico César

Caberá ao selo do rapper paulistano Emicida, Laboratório Fantasma, orquestrar o lançamento digital do nono álbum do cantor e compositor paraibano Chico César (de vermelho na foto ao lado de Emicida - de boné - e do executivo Evandro Fióti e de seu empresário André Bourgeois). Primeiro trabalho de repertório inédito lançado por Chico desde Francisco, forró y frevo (Chita Discos / EMI Music, 2008), o disco se chama Estado de poesia, nome da belíssima música lançada por Maria Bethânia no show Carta de amor (2012 / 2013). O primeiro single do álbum - ainda não revelado - vai estar nas plataformas digitais a partir de 2 de junho de 2015. Já o lançamento do disco completo - que reúne 14 composições de autoria de Chico -  está agendado para 23 de junho.

Roberto Mendes é compositor predominante no quinto CD de Fabiana Cozza

Com lançamento programado para junho de 2015, o quinto CD da cantora paulistana Fabiana Cozza, Partir, alinha 14 músicas em seu repertório. Nada menos do que cinco são assinadas pelo compositor baiano Roberto Mendes (com Cozza na foto postada pela artista em seu Facebook). Mendes assina Orixá (com Jorge Portugal), Teus olhos em mim (com Nizaldo Costa), Não pedi (outra parceria com Nizaldo Costa), Voz guia (com Jorge Portugal) e Seu moço (com Hermínio Bello de Carvalho). Em Partir, disco produzido por Swami Jr., Cozza também dá voz a Velhos de coroa (Sérgio Pererê), Entre o mangue e o mar (Alzira E e Arruda), Chicala (João Cavalcanti), Fim da dança (Vidal Assis com Moyseis Marques) e Mama Kalunga (Tiganá Santana),  entre outras músicas.

Luz reza pela cartilha do samba nobre ao festejar os 10 anos do 'Trabalhador'

Resenha de CD
Título: 10 anos & outros sambas
Artista: Moacyr Luz & Samba do Trabalhador
Gravadora: Ritmiza Produções
Cotação: * * * *

Lançado neste mês de maio de 2015, o CD 10 anos & outros sambas festeja a primeira década de vida do Samba do trabalhador, roda inaugurada pelo compositor carioca Moacyr Luz em 29 de maio de 2005, no Clube Renascença, no Andaraí, bairro da Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, reduto dos melhores pagodes. Luz abre a roda toda segunda-feira, ao lado de sambistas como Álvaro Santos e Junior de Oliveira. Ao longo desses 10 anos, o Samba do Trabalhador vem ocupando o lugar crucial que foi da quadra do Cacique de Ramos na década de 1980. Evento que aglutina sambistas e público disposto a ouvir novos sambas, o Samba do Trabalhador vem promovendo a renovação do repertório cantado nos pagodes cariocas. Terceiro produto fonográfico da roda comandada por Moacyr Luz, o CD 10 anos & outros sambas - gravado em estúdio com o revezamento da voz de Luz e dos compositores mais significativos da roda - é a prova de que o melhor samba continua brotando nos quintais do Rio, como nos tempos áureos do Cacique. Até porque o diferencial deste disco, em relação aos outros dois registros fonográficos do evento, reside no ineditismo da maior parte do repertório autoral. Dos 12 sambas alinhados no disco, nove são inéditos. Onze têm a assinatura de Luz, geralmente na coautoria (a exceção é Se parasse de chover, parceria de Mingo Silva - o mais novo integrante do Samba do Trabalhador - com Anderson Balaco). A safra inédita é de boa qualidade. E os três grandes sambas já previamente gravados - Anjo vagabundo (Moacyr Luz e Luiz Carlos da Vila, 1997), Samba de fato (Moacyr Luz e Paulo César Pinheiro, 1998) e No compasso do samba (Sereno e Moacyr Luz, 2012), lançados em disco pela cantora Simone Moreno, pelo grupo Mandingueiro e pelo grupo Dose Certa, respectivamente - se afinam com a ideologia e a cadência da roda, rezando pela mesma cartilha. Aliás, um dos maiores destaques da safra inédita é A reza do samba (Gustavo Clarão e Moacyr Luz), do poderoso refrão "Segunda-feira é das almas / É bom também de sambar / Tem uma vela pro santo / A outra é pra vadiar". A reza do samba exalta o próprio evento que inspirou o disco e a criação da composição. A propósito, parte do repertório cultua o próprio samba e o orgulho de ser sambista. Exemplo é Cria do samba (Álvaro Santos, Mingo Silva e Moacyr Luz), outro trunfo da safra. Único samba assinado somente por Luz, Camarão Vegê tem seu delicioso sabor realçado pelo acordeom de Bebe Kramer, músico convidado da faixa. Já Toda a hora (Toninho Geraes e Moacyr Luz) ergue brinde à bebida e ao espírito da boêmia que rege as rodas de samba. Em tom mais sagrado, o belo samba Joia rara exalta a realeza de Dona Ivone Lara com o toque da gaita de Rildo Hora, reiterando a maestria da parceria de Sereno com Moacyr Luz. Enfim, em seu primeiro disco de repertório inédito, o Samba do Trabalhador propaga a ideologia e os valores nobres do samba, com fé nos tambores, de peito e coração abertos. E que venham mais dez anos,  pois o samba desses trabalhadores é de primeira.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Roberta canta inédita de Martinho com compositor em CD que sai em agosto

Previsto para ser lançado em agosto de 2015, em edição do selo MP,B Discos que vai chegar às lojas com distribuição da gravadora Som Livre, o sexto álbum de Roberta Sá inclui música inédita do compositor fluminense Martinho da Vila. A cantora potiguar pediu música a Martinho para o disco - gravado no Rio de Janeiro (RJ) com produção de Rodrigo Campello - e ganhou Amanhã é sábado. Martinho participou da gravação da faixa. Outras músicas do CD são Covardia (Ataulfo Alves e Mário Lago) - samba de 1938 que Roberta transformou em fado, em gravação feita em Lisboa em dueto com o cantor português António Zambujo - e Boca em boca, primeira parceria de Roberta com o compositor carioca Xande de Pilares, projetado como vocalista do Grupo Revelação.

Catto começa a gravar no Rio, com produção de Kassin, seu álbum 'Tomada'

A IMAGEM DO SOM - Postada por Ricky Scaff em seu Facebook, a foto acima flagra o cantor e compositor gaúcho Filipe Catto com o baterista carioca Domenico Lancellotti na área externa de estúdio da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Desde a última segunda-feira, 18 de maio de 2015, Catto grava no Rio seu segundo álbum de estúdio, Tomada, sob a produção de Alexandre Kassin. Além de músicas autorais, o repertório de Tomada inclui Partiu - música de Marina Lima, lançada pela cantora e compositora carioca em shows, em 2013, mas ainda inédita em disco - e Depois de amanhã,  a primeira parceria de Catto com Moska. O álbum vai sair no segundo semestre de 2015.

Show em que Maga canta Gil e Caetano chega ao DVD entre perdas e ganhos

Resenha de CD
Título: Para Gil & Caetano
Artista: Margareth Menezes
Gravadora: Canal Brasil / Coqueiro Verde Records
Cotação: * * * 1/2

Margareth Menezes é a melhor cantora de música afro-pop-baiana, o gênero rotulado como axé music. Mas nem por isso conseguiu ser dona da melhor discografia do gênero. Nenhum CD ou DVD da artista conseguiu captar toda a força dessa voz que irradia magia e calor. Para Gil e Caetano - CD e DVD ora lançados na coleção Canal Brasil com distribuição da gravadora Coqueiro Verde Records - tampouco transmite todo esse calor, mas é um dos melhores títulos da irregular obra fonográfica de Maga. A captação da imagem - feita em 27 de maio de 2014 em apresentação do show na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ),  sob a direção de Darcy Burger - resultou em DVD por vezes frio. Contudo, entre perdas e ganhos, o show idealizado pela cantora em 2012 - para celebrar os 70 anos de vida então completados pelos cantores e compositores baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil - ganha registro de maior beleza plástica na comparação com o formato original do show (clique aqui para ler a resenha da estreia carioca de Para Gil e Caetano). Entre os ganhos, há o cenário e as projeções que valorizam as exposições de músicas como Reconvexo (Caetano Veloso, 1989). Há também as participações especiais dos homenageados Gilberto Gil - mais bem aproveitado na abordagem terna de Deixar você (Gilberto Gil, 1992) do que na apropriação indébita de Refazenda (Gilberto Gil, 1975), feita com a adesão desnecessária de Preta Gil - e Caetano Veloso, visto nos extras do DVD em duetos com Margareth em Luz do sol (Caetano Veloso, 1982) e Uns (Caetano Veloso, 1983). Pela própria natureza afro-baiana da cantora, temas como Milagres do povo (Caetano Veloso, 1985), Gema (Caetano Veloso, 1980) e o samba Buda Nagô (Gilberto Gil, 1992) já parecem talhados para a voz de Maga. E ela aproveita bem essas músicas. Mas um dos méritos de Para Gil e Caetano é explorar o potencial da intérprete em outras latitudes musicais. No compasso do blues que pauta Como 2 e 2 (Caetano Veloso, 1971), Margareth mostra que é uma grande cantora fora do terreiro do axé. Talento já evidenciado pela interpretação segura de O quereres (Caetano Veloso, 1984) que abre o DVD com a cantora caminhando lentamente pelo cenário, no fundo do palco, ao alto. Se houve ganhos que vieram realmente somar na conta, como a requisição da cantora baiana Rosa Passos para (re)dividir o samba Eu vim da Bahia (Gilberto Gil, 1965) em dueto com a anfitriã, houve ganhos que parecem subtrair no saldo final. Caso da participação de Preta Gil, cantora sem maturidade para expor toda a expressão e significado de Panis et circensis (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1968), hino tropicalista que revive em dueto com Margareth. Já as entradas de Bem Gil e Moreno Veloso na banda - em números como Clichê do clichê (Gilberto Gil e Vinicius Cantuária, 1985), a música menos sedutora do roteiro - poderiam ter sido mais evidenciadas. Entre as perdas propriamente ditas, há Bahia de todas as contas (Gilberto Gil, 1983), samba menor de Gil que se constituíra uma das gratas surpresas do roteiro original do show por ter sido valorizado pela interpretação da cantora no show criado sob a eletroacústica direção musical da própria Margareth e do violonista Alexandre Leão, que solta a voz opaca em Força estranha (Caetano Veloso, 1978) e em Meu bem, meu mal (Caetano Veloso, 1981). Já presente no roteiro desde a estreia, Eclipse oculto (Caetano Veloso, 1983) tem sua aura pop iluminada pela presença de Saulo Fernandes, convidado do número. Sozinha, na companhia da banda que harmoniza violões e percussões, a cantora esboça clima épico em Um índio (Caetano Veloso, 1976) e tenta criar um ambiente de introspecção que favoreça a densidade sagrada de Se eu quiser falar com Deus (Gilberto Gil, 1981). Enfim, no momento em que a Bahia celebra os 30 anos do som já diluído da axé music, Margareth Menezes se aproxima da MPB em registro ao vivo que  - entre perdas e ganhos -  jamais depõe contra as obras de Caetano e Gil.

Coletânea da série 'Novelas' reúne 10 registros de Iorc veiculados em tramas

Em evidência atualmente por conta de sua abordagem da canção What a wonderful world (Bob Thiele e George David Weiss, 1967), feita para a abertura da novela Sete vidas (TV Globo, 2015), Tiago Iorc ganha coletânea editada pela gravadora Som Livre na série Novelas. O disco alinha dez gravações do cantor e compositor brasiliense (criado na Inglaterra) veiculadas em tramas exibidas pela TV Globo. Dentre as seis músicas de autoria de Iorc, a compilação Novelas inclui Scared (Tiago Iorc, 2008), Blame (Tiago Iorc, 2008), Nothing but a song (Tiago Iorc, 2008), Gave me a name (Tiago Iorc, 2011), Story of a man (Tiago Iorc, 2011) e It's a fluke (Tiago Iorc, Maycon Ananias e Jesse Harris, 2013), músicas ouvidas em trilhas sonoras das novelas Duas caras (TV Globo, 2007 / 2008), A favorita (TV Globo, 2008), Malhação (temporada de 2007 / 2008), A vida da gente (TV Globo, 2011), Malhação (desta vez na temporada de 2011) e Flor do Caribe (TV Globo, 2013), respectivamente. Fora do trilho autoral, há os covers de My girl (Smokey Robinson e Ronald White), hit do grupo norte-americano The Temptations gravado por Iorc em registro propagado na trilha sonora da novela Viver a vida (TV Globo, 2009) - e Proibida pra mim (Grazon) (Thiago, Pelado, Marcão, Champignon e Chorão, 1997), música do repertório do extinto grupo Charlie Brown Jr. ouvida com Iorc na trilha sonora da novela Geração Brasil (TV Globo, 2014). A edição é digital.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Festejada festa de Gal, 'Estratosférica' abre e clareia recantos para a cantora

Resenha de CD
Título: Estratosférica
Artista: Gal Costa
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * * * *

Havia entre os admiradores de Gal Costa a incerteza se a cantora daria outro passo adiante após Recanto (Universal Music, 2011) - revigorante álbum articulado por Caetano Veloso que repôs a cantora baiana na linha de frente da música brasileira - ou se, de olho no retrovisor, Gal acionaria novamente o piloto automático em disco pautado por regravações. Com edição física em CD posta nas lojas a partir de hoje, 19 de maio de 2015, Estratosférica dissipa a dúvida. Gal dá outro passo firme para frente. No lugar de Caetano, há Marcus Preto, diretor artístico do disco - produzido por Alexandre Kassin e Moreno Veloso - e articulador das conexões de Gal com compositores de uma geração contemporânea que, em sua maioria, eram até então inéditos na voz ainda cristalina da intérprete. Menos radical e eletrônico do que Recanto na questão dos arranjos, Estratosférica se ilumina pela grandeza do repertório inédito selecionado por Gal entre cerca de 150 músicas recolhidas por Preto. Estratosférica é um disco moderno, de sons contemporâneos, que amplia o diálogo com a cena musical atual sem negar o passado pop de Gal. Estratosférica é tudo o que Aquele frevo axé (BMG, 1998) quase foi e o que Hoje (Trama, 2005) poderia ter sido se a produção e os arranjos deste disco que tentou arejar o som de Gal não tivessem sido confiados a César Camargo Mariano, extraordinário músico mais identificado com o ontem do que com o hoje. Nesse sentido, Estratosférica soa como um disco de carreira como Fantasia (Philips, 1981), mas filtrado, aí sim, pelos sons dos dias de hoje. Porque produtores, diretor artístico, compositores e músicos da antenada banda arregimentada para o disco - André Lima (teclados), Guilherme Monteiro (guitarra), Pupillo (bateria) e o próprio Kassin (baixo e programações) - se afinam e olham para a mesma direção. Estratosférica é um disco enraizado no momento presente, saudado já no estupendo rock, Sem medo nem esperança (Arthur Nogueira e Antonio Cícero), que abre sintomaticamente o disco, iluminando a obra autoral do compositor paraense Arthur Nogueira e vislumbrando o futuro através de versos ("Nada do que fiz / Por mais feliz / Está à altura / Do que que há por fazer") que servem como carta de princípios da artista. Diferentemente de Recanto, disco que encantou mais pela sonoridade seca e compacta do que pelo (inspirado) conjunto de canções inéditas de seu mentor Caetano Veloso, Estratosférica é álbum que alinha grandes canções na voz monumental de sua intérprete, soando como um disco de carreira de tempos em que a música parecia mais importante do que conceitos e propostas. Tanto que abre espaço para uma balada como Jabitacá (Junio Barreto, José Paes Lira e Bactéria), cuja leve psicodelia - sublinhada pelo órgão de André Lima e o lap steel de Kassin - não encobre o romantismo latente nos versos. Entre os autores de Jabitacá, música batizada com nome de serra situada na divisa entre Pernambuco e Paraíba, há o pernambucano Junio Barreto, único compositor duplamente presente no repertório selecionado para as 14 faixas do CD e as 12 do vinil ainda indisponível no mercado fonográfico. Junio é parceiro de Céu e de Pupillo na vivaz música-título Estratosférica, espécie de refazenda de uma festa do interior perfumada por um regionalismo pop latino que o ouvido sagaz de Gal intuiu que pediria metais orquestrados por Lincoln Olivetti (1935 - 2014), no que acabou se transformando no último arranjo do maestro fluminense. Genial como arranjador, mas compositor irregular, Olivetti também comparece nos créditos de Estratosférica como parceiro do carioca Rogê em Muita sorte, outra música banhada em regionalismo pop - no caso, nas águas eternamente límpidas do compositor baiano Dorival Caymmi (1914 - 2008), cujo universo inspirou a letra de música que harmoniza no arranjo o primitivismo do ritmo do samba de roda - marcado na percussão de Armando Marçal e nas palmas das mãos de Moreno Veloso (também no ukelele) e de Kassin - com a eletrônica up to date do produtor carioca Diogo Strausz, criador de algumas programações da faixa. Estratosférica olha para o futuro sem renegar sons referenciais do passado glorioso de Gal. Ecstasy (Thalma de Freitas e João Donato) - música e letra criadas por Thalma a partir de harmonia deixada pelo parceiro em seu laptop - tem a levada donatiana do pianista acriano, piloto de seu teclado rhodes na faixa pautada por leveza e também pelo suingue dos metais orquestrados por Marlon Sette. Entre o balanço de Ecstasy e a pacificidade amorosa da lírica canção Espelho d'água (Marcelo Camelo e Thiago Camelo), única das 15 músicas inéditas já previamente cantada por Gal antes da gravação do disco no estúdio RootSans (SP), Estratosférica apresenta a afinada primeira parceria de Milton Nascimento com Criolo. Dez anjos contabiliza perdas e danos de um mundo sem esperança, esculpido pelo aço duro da dor e do medo. Impressiona a sintonia da melodia de Milton com o universo tenso no qual está entranhado o cancioneiro do rapper paulistano, porta-voz das quebradas. Contribuição da compositora paulistana Mallu Magalhães ao repertório, Quando você olha pra ela - música lançada em single no iTunes para promover o álbum - se situa na temperatura amena em que os produtores Kassin e Moreno aclimataram Estratosférica. Nessa canção que concilia toques de samba e da obra de Jorge Ben Jor, mas que não é uma coisa nem outra, Gal encarna a outra sem grandes dramas, apesar de ameaças que parecem que jamais serão cumpridas ("Eu  vou fugir de casa / Você vai ter saudade"). Música cheia de verve e erotismo, Por baixo mostra que Tom Zé ainda é um compositor cheio de tesão e graça. Encorpada por sons sintetizados por Kassin, Casca (Alberto Continentino e Jonas Sá, 2010) joga para a galera da eletrônica, espalhando no ar o perfume da paixão. Acalanto romântico dos tribalistas Arnaldo Antunes, Cezar Mendes e Marisa Monte, Amor, se acalme baixa novamente a onda e propõe o amor em paz já vivenciado em Espelho d'água. Mas Anuviar (Moreno Veloso e Domenico Lancellotti) - canção cortada por pausas intencionais cujo arranjo evoca aquelas baladas de alma soul dos anos 1970 ouvidas nos programas de flashbacks das FMs  - pesa o tempo, com sons de progressiva intensidade em que sobressaem tanto a eletrônica quanto a guitarra heavy de Guilherme Monteiro. Único registro da presença no disco de Caetano Veloso, autor da letra, Você me deu apresenta melodia terna de Zeca Veloso, filho de Caetano. É uma das faixas de tom mais eletrônico que exemplifica a habilidade dos produtores para irmanar elementos do passado e do presente sem que Estratosférica soe retrô ou futurista. Música exclusiva da edição digital, mas que somente vai estar disponível daqui a alguns meses, Vou buscar você pra mim é um sambalada que tem a bossa e a habilidade pop de Guilherme Arantes, compositor até nunca gravado por Gal. Outra faixa-bônus da edição digital que ainda está indisponível, Átimo de som (Arnaldo Antunes e Zé Miguel Wisnik) mostra que os computadores também podem fazer arte em torno da deusa música, mas que tudo começa mesmo com o som, com o brilho natural de uma voz como a de Gal, de movimentos precisos como uma hélice no centro. "Um átimo de som / Num átomo de ar / Pode ser capaz de disparar  / O que sente o pensamento / O que pensa a sensação / Antes mesmo de virar canção", canta Gal, do túnel seco de uma garganta única que tem produzido sensações estratosféricas ao longo de 50 anos de carreira festejados com este retumbante Estratosférica, festejada festa que abre e clareia recantos ainda a serem explorados por essa grande cantora hoje a caminho dos 70 anos. Disco à altura dos melhores álbuns de Gal, pela atitude rocker e pela pegada jovial que persiste até em canções de amor que poderiam soar triviais (mas que estão cheias de frescor), Estratosférica sinaliza que ainda há muito por fazer.  E Gal está aí para fazer.

Single gravado com Arnaldo anuncia álbum de Todos os Caetanos do Mundo

Em atividade em Belo Horizonte (MG) desde 2009, o quarteto mineiro Todos os Caetanos do Mundo vai lançar seu primeiro álbum, Pega a melodia e engole, em 2 de junho de 2015. Parceria da vocalista Julia Branco com o guitarrista Luiz Rocha, a música-título Pega a melodia e engole já está disponível para audição em plataformas digitais como o portal SoundCloud. Embora a música já tenha sido lançada pela banda em EP editado de forma independente em Belo Horizonte (MG), em 2012, a atual gravação é inédita, tendo sido feita com a adesão do cantor e compositor paulistano Arnaldo Antunes. Mas o álbum Pega a melodia e engole, produzido por Chico Neves, vai apresentar músicas inteiramente inéditas em disco, casos de Amanhã é véspera (Luiz Rocha), Por que você só pensa em Deus? (Luiz Rocha), Sim (Luiz Rocha e Natália Gomes) e Tempo pra dizer (Luiz Rocha, Júlia Branco e Thiago Braga). Repertório de Pega a melodia e engole é autoral.

Metá se encontra no tempo 'hard' de EP que transita entre o punk e o samba

Resenha de EP
Título: Metá Metá EP 2015
Artista: Metá Metá
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * * * *
 Disco disponível para download gratuito e audição na web

"Penso que o tempo / Sempre quis me devorar / Me perco nesse tempo / Me perco nesse tempo...", vociferou a banda paulistana As Mercenárias, expoente feminino do punk brasileiro dos anos 1980, através dos versos de Me perco nesse tempo (Edgard Scandurra), tema do primeiro álbum do grupo, Cadê as armas? (Baratos Afins, 1986). Decorridos quase trinta anos dessa primal gravação, outro grupo paulistano, Metá Metá, se encontra nesse tempo hard em gravação pesada que valoriza EP gravado em 2 de abril de 2015 no estúdio El Rocha, em São Paulo (SP), e lançado esta semana pelo Metá Metá às vésperas de partir para turnê europeia. Disponibilizado para download gratuito e audição desde ontem, 18 de maio de 2015, o EP retrata em três gravações - que totalizam inebriantes 10 minutos e 46 minutos - o momento áureo vivido por Juçara Marçal (voz, forte), Kiko Dinucci (voz e guitarra), Thiago França (sax), Marcelo Cabral (baixo) e Serginho Machado (bateria) desde a estreia em disco, em 2011, há apenas quatro anos. A regravação de Me perco nesse tempo consegue ser tão punk quanto o registro d'As Mercenárias ao mesmo tempo em que escapa do universo punk oitentista, trazendo a música para os dias e os sons atuais. Música de autoria de Kiko Dinucci que abre o EP e que foi lançada pelo compositor paulistano há oito anos no álbum que dividiu com Juçara Marçal, Padê (Independente, 2007), Atotô tem revolvida sua raiz afro-brasileira com gás e o peso da guitarra de Dinucci. No registro do Metá, Atotô é envolvida em ambiência noise que combina distorções, ruídos e tensões sem macular a matriz afro. É a mesma tensão que pauta a terceira faixa do EP, Sozinho, um transamba de Douglas Germano que o Metá Metá já mostrava em shows, mas até então nunca tinha registrado em disco. A rigor, a gravação é acústica, mas a fricção do violão de Dinucci com o sopro intencionalmente torto do sax tenor de Thiago França produz eletricidade e se afina com o tom inquieto, hard, deste disco em que o Metá Metá se encontra em estado de ebulição,  em plena efervescência criativa, devorando o seu tempo.

Gang aumenta dose de brega no tecnomelody de 'Todo mundo tá tremendo'

Resenha de CD
Título: Todo mundo tá tremendo
Artista: Gang do Eletro
Gravadora: Deck
Cotação: * * * 

DJ Waldo Squash, Maderito, Keila Gentil e William Love estão um pouco mais bregas do que tecnos no segundo álbum da Gang do Eletro, Todo mundo tá tremendo. A batida animada do tecnomelody ainda está lá, detectável nas bases das 10 músicas do disco, que totaliza apenas 27 minutos. Há, inclusive, um tema instrumental intitulado Bass melody. Contudo, músicas como Esperança (Keila Gentil) e Declaração de amor (Tonny Brasil) indicam que a dose de brega deste segundo álbum do quarteto paraense é maior do que a do antecessor Gang do Eletro (Deck, 2012), o primeiro álbum da turma. Já a dose de autorreferência é tão grande quanto à do primeiro álbum. Balançando com a Gang (Waldo Squash), Todo mundo tá tremendo (Maderito) e Na onda do movimento (Maderito e Waldo Squash) - destaque do repertório, menos sedutor (no todo) do que o do primeiro álbum - versam sobre personagens e elementos da cena do Norte. Lobo mau digital (Maderito e Waldo Squash) faz graça ao situar o enredo da histórias em quadrinhos na era cibernética. Música eleita o primeiro single de Todo mundo tá tremendo, Dig don (Não vou mais chorar) (Edilson Moreno e Paulinho Santana) reforça o tom brega romântico que pauta o álbum. O nosso amor (Tonny Brasil) sintetiza bem a mistura de brega com com a batida do eletro sem efetivamente cativar o ouvinte. Produzido e mixado por Waldo Squash, Todo mundo tá tremendo é bom disco, mas é mais light  e não bisa a inspirada efervescência do antecessor Gang do Eletro.