Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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quarta-feira, 22 de junho de 2016

Bethânia aviva gravação da terceira edição do projeto 'Quintal do Pagodinho'

Presença bissexta em projetos fonográficos coletivos, Maria Bethânia reforça o elenco da terceira edição do Quintal do Pagodinho. Essa terceira edição foi gravada ao vivo neste mês de junho de 2016, em Xerém, distrito de Duque de Caxias na Baixada Fluminense (RJ), na casa de Zeca Pagodinho. O cantor e compositor carioca - visto com Bethânia e com Nelson Sargento na foto de Adriana Penna postada na página oficial de Pagodinho no Facebook - reuniu time estelar formado por nomes como João Bosco, Luiz Melodia, Maria Rita, Moacyr Luz, Paulinho da Viola, Roberta Sá e Zélia Duncan. O CD e o DVD resultantes dessa gravação ao vivo serão lançados no segundo semestre deste ano de 2016 em uma edição do selo Zeca PagoDiscos que vai ser distribuída no mercado via gravadora Universal Music.

sábado, 11 de junho de 2016

Zeca recebe Roberta, Zélia, Maria e Bosco no terceiro 'Quintal do Pagodinho'

Zeca Pagodinho vai gravar neste mês de junho de 2016 - em Xerém, distrito de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense (RJ) - a terceira edição do projeto Quintal do Pagodinho. Produzida por Rildo Hora, a gravação ao vivo vai reunir time estelar de convidados sob a direção (de vídeo) de Joana Mazzucchelli. João Bosco, Luiz Melodia, Maria Rita, Moacyr Luz, Nelson Sargento, Paulinho da Viola, Roberta Sá (com Zeca na foto tirada no ensaio da gravação e postada pela cantora no Facebook) e Zélia Duncan estão entre os convidados do registro audiovisual que gera CD e DVD a serem lançados no segundo semestre deste ano de 2016 pelo selo Zeca PagoDiscos, com a distribuição da Universal Music.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Caixa com 17 álbuns e três coletâneas expõe altitude do bom partido de Zeca

Resenha de caixa de CDs
Título: Partido alto
Artista: Zeca Pagodinho
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * * 1/2

Faz 20 anos que Zeca Pagodinho ingressou na gravadora Universal Music - bancado por Max Pierre, então no posto de diretor artístico da companhia - e lançou álbum produzido por Rildo Hora, Samba pras moças (1995), que representou momento de virada em carreira fonográfica que vinha em escala descendente com série de discos editados sem grande repercussão na gravadora BMG. Embora sejam discos dignos, Pixote (BMG, 1991), Um dos poetas do samba (BMG, 1992) e Alô, mundo! (BMG, 1993) são títulos de menor expressão dentro da obra fonográfica do cantor e compositor carioca. A ponto de não figurarem na caixa com 20 CDs que a Universal Music põe nas lojas neste mês de outubro de 2015 para celebrar os 20 anos do sambista na companhia. Diferentemente do que apregoa numa de suas bordas laterais, a caixa Partido alto embala 17 álbuns e três coletâneas - e não 19 álbuns e uma compilação. Juras de amor (2000) e Zeca Pagodinho ao vivo com os amigos (2011) são coletâneas, e não álbuns. A única compilação da coleção é inédita e se chama Zeca Pagodinho com passo de MPB, tendo sido produzida especialmente para a caixa (embora já esteja à venda de forma avulsa, em edição digital, em lojas virtuais como o iTunes). Com libreto em que o jornalista pernambucano (radicado no Rio de Janeiro) Cleodon Coelho discorre sobre cada um dos 20 títulos encaixotados, a caixa Partido alto abrange período que vai de 1988, ano do álbum Jeito moleque (BMG), até 2013, ano do projeto retrospectivo Multishow ao vivo Zeca Pagodinho 30 anos - Vida que segue. Os dois primeiros álbuns do cantor - o fenomenal Zeca Pagodinho (1986) e Patota de Cosme (1987), gravados na extinta gravadora RGE e atualmente pertencentes ao acervo da Som Livre - ficaram de fora por questões jurídicas. Em contrapartida, Pagodinho pediu - e conseguiu - a inclusão na caixa dos três primeiros álbuns que fez na BMG. Jeito moleque (1988), Boêmio feliz (1989) e Mania da gente (1990) são bons discos, coerentes com o estilo do sambista. Pelo fato de estes três álbuns estarem até então fora de catálogo, as inclusões deles na caixa valorizam a edição do projeto. Até porque as edições encaixotadas não foram remasterizadas. Os álbuns da Universal Music foram embalados na caixa da mesma forma com que foram lançados originalmente no mercado fonográfico, com o mesmo som (já em si satisfatório, pois a masterização original já foi feita para o formato de CD) e com a mesma arte gráfica. Desde que passou a gravar na Universal Music, Zeca passou a seguir a receita orquestral do produtor Rildo Hora - fórmula que, embora siga trilhas já previsíveis, se mostra quase sempre infalível. Ao dar oportunidade de ouvir e analisar a obra de Zeca Pagodinho em perspectiva e em sequência cronológica, a caixa Partido alto evidencia, sobretudo, a coerência com que o sambista vem conduzindo sua carreira, sem sair de seu nobre quintal. Os discos de Zeca misturam sambas com crônicas do cotidiano de seu povo humilde, sambas de tom romântico, temas de pegada baiana - cadência que perseguiu a partir de 1995 com o sucesso de Samba pra moças, parceria do compositor baiano Roque Ferreira com Grazielle - e regravações de temas da lavra majestosa de bambas da velha guarda do samba (sobretudo da Portela, a escola do coração do artista). A fórmula pouco varia - tampouco a alta qualidade do repertório. O que determinou o sucesso maior ou menor dos discos da caixa foi a inclusão de sambas com maior ou menor potencial para fazer sucesso em todo o Brasil, sobretudo no Estado do Rio de Janeiro, praça onde Zeca Pagodinho sempre foi nome forte (inclusive por conta de suas conexões com a Baixada Fluminense). Além da composição que lhe deu título, o álbum Samba pras moças legou para a posteridade Vou botar teu nome na macumba, partido alto composto por Zeca com o então emergente Dudu Nobre, sambista que ingressara na banda do cantor na turnê do show baseado no disco anterior Alô, mundo!. Já Deixa clarear (1996) estourou de imediato por conta do samba Verdade (Nelson Rufino e Carlinhos Santana), que veio a se tornar um dos maiores hits do artista. Na sequência, Hoje é dia de festa (1997) trouxe munição certeira que atingiu em cheio as paradas. Posso até me apaixonar (Dudu Nobre) e Faixa amarela (Zeca Pagodinho, Jessé Pai, Luiz Carlos e Beto Gago) sobreviveram na memória popular. Já Zeca Pagodinho (1998) - raro álbum batizado com o nome do artista - disparou um clássico instantâneo, Vai vadiar (Monarco e Ratinho). Zeca vivia, então, fase de consagração com shows lotados por todo o Brasil. Um sucesso captado com calor por seu primeiro registro de show, Zeca Pagodinho ao vivo (1999), disco gravado no Canecão (RJ) que fechou a década com altos picos de vendagem. Mas nem essa nova explosão diminuiu o ritmo anual dos lançamentos. Em 2000, o cantor já estava de volta ao mercado fonográfico com mais um álbum de estúdio, Água da minha sede, com seu samba-título assinado por Dudu Nobre com Roque Ferreira e gravado com toques de música erudita no arranjo. Vacilão, de Zé Roberto, soou mais familiar para o público de Zeca. A regravação do seminal samba amaxixado Jura (Sinhô, 1928), propagada na abertura da novela O cravo e a rosa (TV Globo, 2000), contribuiu para o êxito do disco. Mas nenhuma música deste álbum atingiu o grau de adesão popular do samba de Serginho Meriti e Eri do Cais que deu nome ao álbum posterior de Zeca, Deixa a vida me levar (2002), e que virou um dos hinos da Copa do Mundo que rendeu ao Brasil o pentacampeonato na competição planetária de futebol. Ainda na ressaca da festa nacional, o cantor fez outro registro ao vivo de show - que rendeu o CD Acústico MTV (2003), o primeiro dos dois discos gravados pelo cantor com a chancela da emissora musical (o Acústico MTV 2 - Gafieira saiu em 2006) - antes de voltar aos estúdios para gravar o álbum À vera (2005), disco de alta qualidade, mas de repercussão mais baixa. A partir daí, como o mercado fonográfico brasileiro já valorizava o formato audiovisual, Zeca passou a alternar discos de estúdio com registros ao vivo editados em CD e em DVD. Uma prova de amor (2008), Uma prova de amor ao vivo (2009), Vida da minha vida (2010) e o já citado ao vivo Vida que segue (2013) são discos que reiteram a coerência do artista na gestão da obra. Embora a adesão popular à obra do cantor já seja menor, comparada com os discos de tempos áureos, o partido de Zeca Pagodinho nunca deixou de ser alto.

sábado, 8 de agosto de 2015

Além de Alcione, trilha de 'A regra do jogo' inclui Mosquito e Zeca Pagodinho

Ambientada na fictícia favela Morro da Macaca, a próxima novela das 21h da Rede Globo - A regra do jogo, programada para estrear em 31 de agosto de 2015 - vai ter sambas e funks na trilha sonora. Além de Alcione, escalada para interpretar Juízo final (Nelson Cavaquinho e Élcio Soares, 1973), a seleção musical da trama de João Emanuel Carneiro vai pôr em cena gravações de Mosquito (Papel de bobão, Mosquito, 2015) e Zeca Pagodinho (Ser humano, Claudemir, Marquinho Índio e Mário Cleide, 2015 - samba que deu título ao álbum de inéditas lançado por Zeca em abril deste ano de 2015). Comparado a Zeca em início de carreira, Mosquito - em foto de Fernando Young - lança o primeiro álbum e já emplaca sua segunda música consecutiva em trilha de novela exibida pela TV Globo às 21h. Seu samba Ô sorte (Mosquito, Tinho Brito e Márcio Claro, 2015) esteve em rotação na trilha sonora de Babilônia,  novela que sairá do ar em 29 de agosto de 2015.

domingo, 12 de julho de 2015

Pagodinho canta samba de 1980 em disco que celebra os 70 de Gonzaguinha

Zeca Pagodinho figura no elenco do disco produzido por Miguel Plopschi para festejar os 70 anos do cantor e compositor carioca Luiz Gonzaga do Nascimento Jr. (1945 - 1991), o Gonzaguinha. O sambista canta no CD E vamos à luta, samba lançado em 1980 em gravações simultâneas de Alcione e do próprio Gonzaguinha. O CD será lançado pela Universal Music neste segundo semestre de 2015.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Com evocações de Zeca, Mosquito toma partido do melhor samba do quintal

Resenha de álbum
Título: Mosquito
Artista: Mosquito
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * * *

Ok, o bordão ô sorte - usado por Mosquito no título e no refrão de seu samba de maior sucesso, Ô sorte (Mosquito, Tinho Brito e Márcio Claro), propagado na trilha sonora da novela Babilônia (TV Globo, 2015) - soa como uma apropriação do patrimônio musical de Wilson das Neves, propagador desse bordão no mundo do samba. Mas Mosquito - nome artístico do cantor e compositor carioca Pedro Assad Medeiros Torres - chega no terreirão do samba com jeito de bamba precoce, a julgar por seu primeiro álbum, Mosquito, lançado neste mês de junho de 2015 pela gravadora Sony Music dois meses após a edição de EP digital. Até a semelhança física com Zeca Pagodinho em início de carreira - realçada pelo jeito franzino de ambos - ajuda a posicionar Mosquito no quintal carioca. O banjo tatuado nas costas - alardeado logo na primeira linha do texto que apresenta o disco - é figura que também evoca a boa procedência do samba de Mosquito. Fosse 35 mais velho, Mosquito provavelmente teria estado na turma que renovou o samba - na virada dos anos 1970 para a década de 1980 - na quadra do Cacique de Ramos. Basta ouvir um partido alto como Vou ver Juliana (Mosquito e Tinho Brito) para atestar que Mosquito faria bonito numa roda do Cacique. Sintomaticamente, Zeca Pagodinho (descoberto por Beth Carvalho no Cacique) participa do disco - produzido por seu compadre artístico Max Pierre - em samba, Atalho (Cléber Augusto, Djalma Falcão e Jorge Aragão),  lançado há 14 anos pelo grupo Fundo de Quintal no álbum Papo de samba (BMG, 2001). De todo modo, embora tome partido do melhor samba do quintal carioca, se desviando da trilha do pagode pop, Mosquito também faz conexões com nomes surgidos após a era do Cacique do Ramos. Cantor e compositor que sempre se equilibrou entre o samba de boa cepa e o pagode de extrato mais populista, Xande de Pilares dá boas contribuições ao álbum de Mosquito com os sambas O amor mandou dizer (Xande de Pilares e Gilson Bernini) - de cuja gravação figura como convidado - e Cadê a viola, Maria? (Xande de Pilares, Gilson Bernini e Mosquito). Entre sambas dolentes como O destino escolheu (Mosquito) e Só por hoje (Mosquito), o partideiro narra em O dono da favela (Mosquito) a história trágica de menino da comunidade aliciado pelo crime e dá a decisão em Não enche (Caetano Veloso, 1997). Lançado por seu compositor Caetano Veloso com a batida do samba-reggae no álbum Livro (Polygram, 1997), o samba se ajusta bem ao tom pagodeiro do registro de Mosquito. Enfim, Mosquito chega com moral no mundo do samba, reproduzindo até os códigos machistas desse universo nos versos de Papel de bobão (Mosquito). Resta saber se há ainda espaço no mercado fonográfico para um disco que - a despeito de ostentar as percussões de Pretinho da Serrinha, expoente do samba pop - gira em torno de roda tradicional.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Junto e misturado com o seu povo, Zeca reitera valores no CD 'Ser humano'

Resenha de CD
Título: Ser humano
Artista: Zeca Pagodinho
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * * 1/2

Ser humano é típico álbum de Zeca Pagodinho. No 23º título de sua discografia oficial, o cantor e compositor carioca se junta e se mistura mais uma vez com seu povo - Almir Guineto, Arlindo Cruz, Nelson Rufino, Rildo Hora, Sombrinha, Trio Calafrio e Zé Roberto, entre outros nomes recorrentes nas fichas técnicas dos CDs do artista - sem a preocupação de reinventar a roda do samba. Pagodinho até amplia sua turma, dialogando musicalmente no disco com Marcos Valle, o humorista Pedro Bismark e Pepeu Gomes. Mas continua o mesmo sambista que iniciou sua carreira solo há 30 anos com sua adesão no projeto coletivo Raça brasileira (RGE, 1985), pedra fundamental do pagode que deu o tom no mundo do samba na segunda metade dos anos 1980. E isso é um trunfo do disco produzido por Rildo Hora com a habitual competência. Disponível no mercado fonográfico a partir de hoje (21 de abril de 2015), Ser humano reitera os valores da vida e do samba de Pagodinho. Amor pela metade (Dunga e Gabrielzinho do Irajá) abre o CD com toque rural que evoca o universo do calango fluminense. "Não vem com essa não... É tudo ou nada!", dá a decisão o cantor, na introdução falada dessa faixa vivaz que cai no suingue, inflada com as cordas características das orquestrações do maestro Rildo Hora. Na sequência, o samba-título Ser humano (Claudemir, Marquinho Índio e Mário Cleide) perfila sujeito boa-praça sem dar nome ao boi. Mas é fácil identificar Pagodinho como o muso inspirador dos versos. Da lavra de Nelson Rufino, Mangas e panos é belo samba melódico cujo arranjo de cordas ao estilo sinfônico dilui (sem excluir) a manemolência do samba da terra do compositor baiano. Os versos relativizam altos e baixos da gangorra romântica. Já A Monalisa (Adilson Bispo e Zé Roberto) pinta o retrato de mulher de "beleza absurda". A cor atípica do quadro é o toque da guitarra de Pepeu Gomes, ora menos hendrixiana para manter a harmonia da paisagem musical. Etc. e tal (Fred Camacho, Dudu Nobre e Marcelinho Moreira) faz ode a um amor de tonalidade mais sensual sem fazer jus ao histórico autoral de seu trio de compositores bambas. Em tom mais majestoso, Perdão, palavra bendita (Monarco e Mauro Diniz) ostenta nobreza na melodia e nos versos que honram a dinastia da Velha Guarda. Monarco faz intervenções no samba, solado por Zeca, que bisa o bom padrão vocal de seu último disco de inéditas, Vida de minha vida (Universal Music, 2010), lançado há cinco anos. Iguaria do repertório inédito, Samba na cozinha (Serginho Meriti, Serginho Madureira e Claudinho Guimarães) tempera o disco com a descontração dos pagodes, tomando partido da malandragem sadia. Os versos fazem analogia do samba com ingredientes usados no fogão. Cria do Trio Calafrio, Mané, rala peito (Barbeirinho do Jacarezinho, Luiz Grande e Marcos Diniz) agrega Carlinhos Pandeiro de Ouro e o humorista mineiro Pedro Bismark, que reaviva sua personagem mais famosa, Nerso da Capitinga, para fazer intervenções (sem a esperada graça) na história machista do mané que mexeu com a mulher errada "do cara da favela". Sem chegar de fato a empolgar, Só na manha (Xande de Pilares, Gilson Bernini e Brasil do Quintal) põe dengo romântico no terreirão do samba ao narrar outra briga de casal. Já Foi embora - samba dolente que expia a saudade da mulher amada que partiu - sobressai no repertório, reafirmando a inspiração entrosada de Arlindo Cruz, Sombrinha e Zeca Pagodinho, compositores do bonito samba. Também alçando voo melódico em alto nível, Nas asas da paixão é outro samba que valoriza Ser humano. Parceria de compositor associado à Bossa Nova (Marcos Valle, cujo piano adorna a faixa) com bamba da geração projetada na quadra do bloco Cacique de Ramos ao longo dos anos 1980, Luiz Carlos da Vila (1949 - 2008), Nas asas da paixão faz inventário poético de amor desfeito. De nostalgia mais feliz, Tempo de menino põe em cena Juninho Thybau, parceiro de Kiki Marcellos no samba que recorda em tom humanista e positivista os dribles infanto-juvenis nas diversidades da vida. Tratada com cordas, A santa garganta (Almir Guineto e Adalto Magalha) louva na sequência a voz e o dom de cantar. Por fim, Boca de banzé - parceria de Efson (1944 - 2014), compositor recentemente falecido, com Paulinho Rezende - fecha o disco com humor espirituoso, mandando - em tom de gafieira - recado para quem se mete na vida alheia. No todo, por mais que seu (bom) repertório inédito nunca acenda a centelha da novidade, Ser humano se revela mais um coerente disco de Zeca Pagodinho, facho positivista de luz e inspiração em tempos sombrios.

sábado, 11 de abril de 2015

Eis capa e músicas de 'Ser humano', o álbum que Zeca lançará em 21 de abril

Com foto de Guto Costa  exposta na capa clicada em praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro (RJ), o 23º álbum do cantor e compositor carioca Zeca Pagodinho, Ser humano, tem seu lançamento programado para 21 de abril de 2015 no iTunes. A edição física em CD está prevista para chegar às lojas a partir do dia seguinte com distribuição da gravadora Universal Music. No disco, gravado no estúdio carioca Cia. dos Técnicos com produção de Rildo Hora, Pagodinho recebe três convidados (Juninho Thybau, Pedro Bismark e Pepeu Gomes) e dá voz a uma parceria póstuma do compositor carioca Marcos Valle com seu conterrâneo Luiz Carlos da Vila (1949 - 2008), Nas asas da paixão, música que junta um compositor identificado com o samba cool da Bossa Nova com outro associado à turma quente projetada nas rodas armadas nos anos 1980 na quadra do bloco Cacique de Ramos. O CD tem 14 músicas, selecionadas entre a turma do sambista. Eis as 14 músicas de Ser humano, primeiro disco de inéditas de Zeca Pagodinho desde o CD Vida da minha vida (Universal Music, 2010):

1. Amor pela metade (Dunga e Gabrielzinho do Irajá)
2. Ser humano (Claudemir, Marquinho Índio e Mário Cleide)
3. Mangas e panos (Nelson Rufino)
4. A Monalisa (Adilson Bispo e Zé Roberto) - com Pepeu Gomes
5. Etc. e tal (Fred Camacho, Dudu Nobre e Marcelinho Moreira)
6. Perdão, palavra bendita (Monarco e Mauro Diniz) - com Monarco
7. Samba na cozinha (Serginho Meriti, Serginho Madureira e Claudinho Guimarães)
8. Mané, rala peito (Barbeirinho do Jacarezinho, Luiz Grande e Marcos Diniz)

    - com Pedro Bismark
9. Só na manhã (Xande de Pilares, Gilson Bernini e Brasil do quintal)
10. Foi embora (Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e Sombrinha)
11. Nas asas da paixão (Marcos Valle e Luiz Carlos da Vila)
12. Tempo de menino (Juninho Thybau e Kiki Marcellos) - com Juninho Thybau
13. A santa garganta (Almir Guineto e Adalto Magalha)
14. Boca de banzé (Paulinho Rezende e Efson)

terça-feira, 24 de março de 2015

Pedro Bismark participa de 'Ser humano', álbum que Zeca vai lançar em abril

A IMAGEM DO SOM - A foto de Murillo Tinoco mostra o ator e humorista mineiro Pedro Bismark (à esquerda) no estúdio Cia. dos Técnicos, no Rio de Janeiro (RJ), em gravação com Zeca Pagodinho. Intérprete de Nerso da Capitinga, uma das personagens mais queridas do extinto programa de TV Escolinha do Professor Raimundo (TV Globo, 1990 / 1995), Bismark participa de Ser humano, álbum de músicas inéditas que o cantor e compositor carioca vai lançar na segunda quinzena de abril de 2015,  em edição da gravadora Universal Music. Bismark encarna sua personagem no CD, já pronto.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Zeca revela o título do disco de inéditas que inclui Pepeu entre convidados

Ser humano. Este é o título do álbum de inéditas que Zeca Pagodinho finaliza no estúdio Cia. dos Técnicos, no Rio de Janeiro (RJ), sob a batuta do produtor Rildo Hora. O nome do disco - que tem lançamento previsto para fim de abril de 2015 em edição da gravadora Universal Music - foi revelado pelo próprio artista em rede social. Pepeu Gomes - com Zeca na foto de Murillo Tinoco - é um dos convidados do álbum, o primeiro disco de músicas inéditas do cantor e compositor carioca desde 2010.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Zeca grava no Rio disco de inéditas em que junta Marcos Valle e Monarco

A IMAGEM DO SOM - Postadas na página oficial de Zeca Pagodinho no Facebook, as fotos acima flagram o cantor carioca no estúdio Cia. dos Técnicos, no Rio de Janeiro, nas sessões de gravação de seu primeiro álbum de inéditas desde Vida da minha vida (Universal Music, 2010). Os cantores e compositores cariocas Marcos Valle e Monarco figuram no CD. Valle participa de música assinada com o bamba Luiz Carlos da Vila (1949 - 2008). Rildo Hora é o produtor do disco.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Zeca escolhe o repertório de seu primeiro CD de inéditas em cinco anos

Através de vídeo postado em redes sociais, Zeca Pagodinho revelou que já seleciona repertório para o CD de inéditas que vai gravar em estúdio e que vai lançar via Universal Music neste ano de 2015. Trata-se do primeiro álbum de inéditas do artista em cinco anos. O último disco de estúdio do cantor, Vida da minha vida, chegou às lojas em 2010 pela mesma gravadora Universal Music.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Aline canta com Arlindo e Zeca em 'Meu ziriguidum', álbum feito com Paulão

Aline Calixto vai lançar seu terceiro álbum - Meu ziriguidum, sucessor de Flor morena (Warner Music, 2011) - em 2015. No disco, produzido por Paulão Sete Cordas com Thiago Delegado, a cantora mineira assina com Gabriel Moura o samba-título Meu ziriguidum, de tom feminista, e canta com Arlindo Cruz e com Zeca Pagodinho em outras faixas. Arlindo é o convidado de Toda noite, samba que compôs com Maurição. Já Zeca - visto com Calixto e Paulão na foto de Fabiane Pereira - participa do samba No pé miudinho, parceria de Moacyr Luz com Délcio Luiz. O repertório inclui regravação de A Vila canta o Brasil, celeiro do mundo - Água no feijão que chegou mais um (Martinho da Vila, Arlindo Cruz, André Diniz, Leonel e Tunico da Vila) - samba-enredo com o qual a escola de samba carioca Unidos de Vila Isabel foi campeã no Carnaval carioca de 2013 - e Eu sou assim (Sérginho Beagá). Eis a letra de No pé miudinho, o samba gravado por Aline Calixto com Zeca Pagodinho em Meu ziriguidum, disco que será lançado em meados de 2015:

No pé miudinho
(Moacyr Luz e Délcio Luiz)

Um samba de fato no pé miudinho
Não deixa sozinho quem sabe o gingado
Arrasta a sandália chega de mansinho
Com muito respeito pra ser respeitado
Corrente medalha a beca de linho
O chapéu de palha é bonito de ver
Olha o sujeito arrumado
No malandreado versou benguelê
Zanzou deixou seu recado
No malandreado sorriu pra você

O samba da jeito na vida
Abraço apertado união
É força pra dar a partida
Batendo na palma da mão
Se tá tudo junto inflama
Se vem misturado é o maior
O samba é a última chama
Que faz esse mundo melhor

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Coletânea 'Festa Brasil' celebra a Copa com craques como Chico e Zeca

Enquanto a Sony Music lança no Brasil e no mundo o álbum oficial da Copa do Mundo de 2014, a concorrente Universal Music entra no campo nacional com a coletânea Festa Brasil. A jogada é oferecer gravação inédita de Zeca Pagodinho - Filhos de Vera Cruz, belo samba-enredo de autoria dos compositores Altay Veloso e Paulo César Feital - entre 13 fonogramas antigos de craques como Chico Buarque e Jorge Ben Jor. Eis a seleção musical da coletânea Festa Brasil:

1. Filhos de Vera Cruz – Zeca Pagodinho (Gravação inédita)
2. Tempo de alegria – Ivete Sangalo
3. Insolação do coração – Claudia Leitte 
4. Dia de comemorar – Seu Jorge
5. A gente bota pra quebrar – Exaltasamba
6. Choque de ordem – Mumuzinho
7. Só vai de camarote – Grupo Revelação
8. Deixa a vida me levar – Zeca Pagodinho
9. Malandro é malandro, mané é mané – Diogo Nogueira
10. Roberto corta essa / Ponta de lança africano (Umbabarauma) – Jorge Ben Jor
11. Aqui é o país do futebol – Ellen Oléria (com Carlinhos Brown)
12. Já que você não me quer mais – Dilsinho
13. Pelas tabelas – Chico Buarque 
14. Festa – Ivete Sangalo 

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Discobiografia perfila (e exalta) Zeca ao descortinar bastidores de álbuns

Resenha de livro
Título: Zeca - Deixa o samba me levar
Autores Jane Barboza e Leonardo Bruno
Editora: Sonora Editora
Cotação: * * * 1/2

Em 2008, quando gravava seu 19º álbum, Uma prova de amor (2008), Zeca Pagodinho se encantou com samba recém-finalizado por Monarco com Mauro Diniz. Zeca gostou tanto de Não há mais jeito que pôs o samba no disco, no lugar de outra música da dupla de compositores cariocas, Dolores e suas desilusões. Só que Zeca se recusou a abrir mão desse outro samba - até então garantido no repertório do CD - e pediu que os autores segurassem Dolores e suas desilusões para ele, afiançando que ainda iria gravá-la. Promessa que cumpriu ao entrar em estúdio para fazer seu (por ora...) último álbum de estúdio, Vida da minha vida (2010). Contada pelos jornalistas Jane Barboza e Leonardo Bruno no livro Zeca - Deixa o samba me levar, lançado pela Sonora Editora neste mês de maio de 2014, essa história de bastidor exemplifica a relação de cumplicidade e confiança mantida por Zeca Pagodinho com os compositores recorrentes nas fichas técnicas de seus álbuns. Embora contenha dados biográficos do cantor e compositor carioca, o livro é - a rigor - discobiografia de Zeca, escrita nos moldes do projeto multimídia Sambabook, da Musickeria. Vendido de forma avulsa nas livrarias, Zeca - Deixa o samba me levar traça o perfil bonachão do artista em narrativa que exalta Pagodinho. Não deixa de ser um livro chapa branca - até pelo fato de sua coautora Jane Barboza ser assessora de imprensa de Zeca há 12 anos - mas cumpre a função de historiar a trajetória musical do sambista através da exposição, em ordem cronológica, dos 22 álbuns do artista (o 23º está previsto para ser lançado no segundo semestre deste ano de 2014). Mais do que analisar os repertórios de cada disco (como fez primorosamente o jornalista Hugo Sukman na discobiografia de Martinho da Vila, editada em 2013), os autores descortinam os bastidores da produção de cada disco com o relato de causos que ajudam a entender o modus operandi no sambista na confecção de um álbum. Os elogios recorrentes ao caráter do artista são críveis porque, como os autores reiteram de forma até repetitiva ao longo das 272 páginas do livro, Zeca Pagodinho é mesmo uma unanimidade nacional, sendo louvado pela simplicidade com que leva sua vida - e deixa a vida e o samba levá-lo - e pelo desapego ao sucesso. Êxito que veio de forma retumbante com a edição do primeiro álbum do artista, Zeca Pagodinho, lançado pela extinta gravadora RGE em 1986 no rastro da boa repercussão obtida pelo sambista com sua participação no disco coletivo Raça brasileira (RGE, 1985), produzido para testar o potencial comercial de nomes emergentes nos quintais cariocas como a partideira Jovelina Pérola Negra (1944 - 1998) e o próprio Zeca, revelado para o Brasil em 1983 quando Beth Carvalho o convidou para gravar com ela o samba Camarão que dorme a onda leva (Arlindo Cruz, Beto Sem Braço e Zeca Pagodinho) com direito à aparição em clipe exibido no dominical programa Fantástico, da TV Globo (o prefácio de Beth, aliás, é raso, além de curto). Mas nem tudo foram flores na caminhada fonográfica do sambista. Como o segundo álbum Patota de Cosme (1987) não bisou o sucesso comercial do primeiro, que roçou a casa do milhão de cópias no embalo da euforia consumista provocada pelo êxito inicial do Plano Cruzado, a RGE nunca brigou pelo passe de Zeca, que migrou em 1988 para a BMG-Ariola. Tal transferência seria prejudicial para ambos. Tratado como artista de segundo time na BMG, Zeca amargou período de baixa visibilidade nessa gravadora, lançando entre 1988 e 1993 discos que, embora apresentassem repertório condizente com o alto padrão artístico do sambista, obtiveram repercussão progressivamente reduzida (em parte porque, na primeira metade dos anos 1990, o pagode paulista de grupos como Raça Negra e Só pra Contrariar dominaram as paradas, o que teve efeito negativo na carreira de todos os sambistas egressos dos nobres quintais cariocas e até de medalhões como Martinho da Vila). A virada de Zeca - como contam os autores - foi semeada quando ele pegou o telefone e ligou para o empresário Nei Barbosa, se oferecendo para trabalhar sob as regras de Barbosa. O empresário conseguiu um contrato de Zeca com a gravadora então denominada PolyGram. Nessa companhia, sob a produção de Rildo Hora e com o aval financeiro do executivo Max Pierre (incensado em demasia no livro), Zeca recuperou o sucesso, a visibilidade e as vendas já no primeiro álbum que lançou na nova casa, o revigorante Samba pras moças (1995). De lá para cá, Pagodinho nunca mais saiu do tom e da gravadora (que passou a se chamar Universal Music em 1999). Só que, independente do seu grau de sucesso, o artista se conservou o mesmo. O que fez com que o violonista Raphael Rabello (1962 - 1995) aceitasse tocar de graça em faixa do álbum Pixote (BMG-Ariola, 1991) pelo simples prazer de figurar em disco de Zeca - como contam Jane Barboza e Leonardo Bruno entre histórias saborosas como a do roadie Chico, criado em família evangélica e muso inspirador do samba Chico não vai na curimba, parceria do sambista com Dudu Nobre, lançada no álbum Zeca Pagodinho (1998). Afinada com a linguagem popular do artista, a narrativa de Zeca - Deixa o samba me levar flui como um samba de Pagodinho.

terça-feira, 6 de maio de 2014

'Sambabook' mostra que há frutos pouco saboreados no quintal de Zeca

Resenha de CD e DVD
Título: Sambabook Zeca Pagodinho
Artista: Vários
Gravadora: Musickeria / Zeca PagoDiscos / Universal Music
Cotação: * * * *

Projetado em 1983, Zeca Pagodinho vivenciou universo avassalador entre 1985 e 1987, período em que o pagode carioca colou nas rádios como coisa de pele, dominando o mercado fonográfico brasileiro da época. Contudo, ao migrar da extinta gravadora RGE para a BMG-Ariola em 1988, o cantor e compositor carioca amargou fase de menor visibilidade. Situação somente revertida em 1995, ano em que Zeca debutou na gravadora Polygram - encampada em 1999 pela Universal Music - e reconquistou o sucesso popular com o álbum Samba pras moças, produzido por Rildo Hora. Só que, ao longo desse período de menor projeção no mercado e na mídia, o artista lançou bons sambas em discos pouco ouvidos. Alguns desses sambas ganham segunda chance no Sambabook Zeca Pagodinho, projeto no qual podem ser ouvidos em gravações inéditas dispostas entre os 26 fonogramas do terceiro título da série da Musickeria, editado em CD duplo (desmembrado em dois volumes vendidos separadamente) e em DVD no qual são adicionadas histórias de Zeca sobre as músicas. Explorando os tons suaves de sua voz calorosa, a cantora baiana Mariene de Castro ilumina Lua de Ogum (Ratinho e Zeca Pagodinho, 1991) - exemplo de que ainda há frutos a serem colhidos e saboreados como novos no frondoso quintal de Zeca. Samba bonito, Lua de Ogum foi lançado por Zeca no álbum Pixote (BMG-Ariola, 1991), do qual o Sambabook também colhe Em nome da alegria (Almir Guineto, Carlos Senna e Zeca Pagodinho, 1991), bom samba que soaria mais sedutor se tivesse sido gravado com mais viço, sem o cansaço observado na voz de Almir Guineto, parceiro de Zeca Pagodinho na composição. Quem realmente canta em nome da alegria é Jorge Ben Jor, que cai bem no suingue de Depois do temporal (Beto sem Braço e Zeca Pagodinho, 1983), um dos sambas mais antigos da seleção. Foi lançado pelo conjunto Os Originais do Samba em álbum de 1983 e regravado por Zeca em 1995 sem grande repercussão. Como Ben Jor, os cantores em sua maioria ficam à vontade no quintal de Zeca, acomodados pela tradicionalista direção musical de Paulão Sete Cordas. Beth Carvalho confirma que entende tudo de samba com interpretação certeira de Lama nas ruas (Almir Guineto e Zeca Pagodinho, 1986). Partido alto lançado por Beth, Dor de amor (Arlindo Cruz, Acyr Marques e Zeca Pagodinho, 1986) continua grande no registro de Lenine em excelente interpretação que vai surpreender somente quem desconhece que - ao vir para o Rio de Janeiro no início da década de 1980 Rio tentar o sucesso - o artista pernambucano frequentou muito a quadra do bloco Cacique de Ramos, celeiros dos bambas que renovaram o samba carioca ao longo dos anos 1980, após terem sido revelados pela sempre antenada Beth. Bamba de outra esfera, Gilberto Gil é prejudicado pela falta de brilho na voz quando canta Não sou mais disso (Jorge Aragão e Zeca Pagodinho, 1996) com a mesma reverência rítmica à turma do Cacique com que Djavan encara Judia de mim (Wilson Moreira e Zeca Pagodinho, 1986) em raro registro em que o artista alagoano abre mão do balanço e do universo particular de sua música. Na seara das cantoras, Roberta Sá dá voz a Mutirão de amor (Sombrinha, Jorge Aragão e Zeca Pagodinho, 1983) sem dar ao samba - um dos mais belos do cancioneiro autoral de Zeca - a dimensão alcançada por Alcione, intérprete original do samba. Com a voz que Deus lhe deu, a Marrom, a propósito, valoriza o dolente Ter compaixão (Arlindo Cruz, Marquinho China e Zeca Pagodinho, 1989), outro fruto desconhecido do quintal no qual Maria Rita se ambienta com desenvoltura ao cantar Alto lá (Arlindo Cruz, Sombrinha e Zeca Pagodinho, 2000). Já Nilze Carvalho podia ter posto um pouquinho mais de tempero em Já mandei botar dendê (Arlindo Cruz, Maurição e Zeca Pagodinho, 1995), mas está bem ao cantar este saboroso tema do álbum, Samba pras moças (Polygram, 1995), que devolveu o sucesso a Zeca. Os dois rappers também fazem bonito. Marcelo D2 encontra a batida perfeita de Quem é ela? (Dudu Nobre e Zeca Pagodinho, 2005). Menos reverente, Emicida improvisa rap e explora bem Bagaço da laranja (Arlindo Cruz, Jovelina Pérola Negra e Zeca Pagodinho, 1985), tirando partido do samba propagado na voz de Jovelina Pérola Negra (1944 - 1998). Já os bambas do samba - Martinho da Vila (Faixa amarela - Jessé Pai, Luiz Carlos, Beto Gago e Zeca Pagodinho, 1997), Jorge Aragão (Termina aqui - Arlindo Cruz, Ratinho e Zeca Pagodinho, 1987) e Dudu Nobre (SPC - Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho, 1986), entre outros - confirmam sua intimidade com o gênero neste Sambabook que tem o mérito de reunir a produção autoral de Zeca Pagodinho, cantor que generosamente costuma pôr suas composições em segundo plano para dar voz a sambas alheios de autores sem projeção. Produzido sob a direção artística do empresário Afonso Carvalho, o Sambabook Zeca Pagodinho mostra que, no caso de Zeca, o compositor é tão importante quanto o cantor.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Zeca vai entrar em campo com gravação de música de Altay para a Copa

Zeca Pagodinho também vai entrar em campo com a gravação de música candidata a figurar na trilha sonora da Copa do Mundo de 2014. Samba de Altay Veloso, letrado por Paulo César Feital, Filhos de Vera Cruz ganhou a voz do cantor e compositor carioca (em foto de Marcio Isensee e Sá) para disco, Festa Brasil, a ser lançado em maio de 2014 pela Universal Music. A música é a única inédita do projeto. Filhos de Vera Cruz usa o jargão do futebol para tocar em questões sociais. A faixa de Zeca vai ser lançada no iTunes antes do CD na forma de single.

sábado, 19 de abril de 2014

'Sambabook' dedicado a Zeca Pagodinho é editado em CD (duplo) e DVD

Com lançamento agendado para esta segunda quinzena de abril de 2014, o Sambabook Zeca Pagodinho chega às lojas nos formatos de CD duplo, DVD e blu-ray com os números musicais captados ao vivo em dezembro de 2013 - a tempo de festejar os 30 anos de carreira do cantor e compositor carioca, projetado em 1983 - em sessões de gravação feitas na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro (RJ). Músicas de autoria de Zeca Pagodinho são recriadas por nomes da MPB e do samba. Eis as 25 músicas e seus respectivos intérpretes no Sambabook Zeca Pagodinho, editado pelo selo do artista, Zeca PagoDiscos, com a distribuição da gravadora Universal Music:

1. Não sou mais disso (Jorge Aragão e Zeca Pagodinho, 1996) - Gilberto Gil
2. Mutirão de amor (Sombrinha, Jorge Aragão e Zeca Pagodinho, 1983) - Roberta Sá
3. Dor de amor (Arlindo Cruz, Acyr Marques e Zeca Pagodinho, 1986) - Lenine
4. Lua de Ogum (Ratinho e Zeca Pagodinho, 1991) - Mariene de Castro
5. Lama nas ruas (Almir Guineto e Zeca Pagodinho, 1986) - Beth Carvalho
6. Quem é ela? (Dudu Nobre e Zeca Pagodinho, 2005) - Marcelo D2
7. Menor abandonado (Mauro Diniz, Pedrinho da Flor e Zeca Pagodinho, 1987) - Sombrinha
8. Depois do temporal (Beto sem Braço e Zeca Pagodinho, 1983) - Jorge Ben Jor
9. Se eu for falar de tristeza (Beto Gago e Zeca Pagodinho, 1986) - Arlindo Cruz
10. Já mandei botar dendê (Arlindo Cruz, Maurição e Zeca Pagodinho, 1995) - Nilze Carvalho
11. Em nome da alegria (Almir Guineto, Carlos Senna e Zeca Pagodinho, 1991) - Almir Guineto
12. São José de Madureira (Beto sem Braço e Zeca Pagodinho, 1984) - Gabrielzinho do Irajá
13. Judia de mim (Wilson Moreira e Zeca Pagodinho, 1986) - Djavan
14. Vou botar teu nome na macumba (Dudu Nobre e Zeca Pagodinho, 1995) - Mumuzinho
15. Alto lá (Arlindo Cruz, Sombrinha e Zeca Pagodinho, 2000) - Maria Rita
16. Talarico, ladrão de mulher (Serginho Procópio e Zeca Pagodinho, 1992) - Péricles
17. Ter compaixão (Arlindo Cruz, Marquinho China e Zeca Pagodinho, 1989) - Alcione
18. Bagaço da laranja (Arlindo Cruz, Jovelina Pérola Negra e Zeca Pagodinho, 1985) - Emicida
19. Lente de contato (Jorge Senna, Wanderson e Zeca Pagodinho, 1990) - Diogo Nogueira & Hamilton de Holanda
20. Brincadeira tem hora (Beto sem Braço e Zeca Pagodinho, 1986) - Frejat
21. Termina aqui (Arlindo Cruz, Ratinho e Zeca Pagodinho, 1987) - Jorge Aragão
22. SPC (Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho, 1986) - Dudu Nobre
23. Faixa amarela (Jessé Pai, Luiz Carlos, Beto Gago e Zeca Pagodinho, 1997) - Martinho da Vila
24. Falsa alegria (Alcino, Monarco e Zeca Pagodinho, 1992) - Monarco & Velha Guarda da Portela
25. Camarão que dorme a onda leva (Arlindo Cruz, Beto sem Braço e Zeca Pagodinho, 1983) - Zeca Pagodinho e elenco

segunda-feira, 17 de março de 2014

Aos 91 anos, Casquinha grava DVD na Portela com Beth, Monarco e Zeca

Aos 91 anos, o cantor e compositor carioca Otto Enrique Trepte - conhecido como Casquinha da Portela no meio do samba do Rio de Janeiro (RJ) - vai gravar seu primeiro DVD em show agendado para a próxima quarta-feira, 19 de março de 2014, na quadra da escola de samba Portela, situada na divisa entre os bairros de Madureira e Oswaldo Cruz, na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro. Idealizado dentro da série Raízes do samba, o DVD - intitulado O samba não tem cor - vai ser gravado sob a direção musical de Mauro Diniz. Aberta ao público, mediante a entrega de um quilo de alimento não perecível, a gravação ao vivo vai contar com as participações de Beth Carvalho, Monarco e Zeca Pagodinho, além do próprio Mauro Diniz. Para quem não liga o nome à música, Casquinha - integrante da Velha Guarda da Portela - é o autor de sambas como A chuva cai (1980) e Recado (1966), compostos em parceria com os cariocas (e portelenses) Argemiro Patrocínio (1923-2003) e Paulinho da Viola, respectivamente.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Gravação ao vivo do 'Samba social clube' tem Beth, Leci, Mariene e Zeca

Beth Carvalho, Leci Brandão, Mariene de Castro - em foto de Adriano Fagundes - e Zeca Pagodinho figuram no elenco da próxima edição do CD e DVD Samba social clube ao vivo, a serem lançados no segundo semestre de 2014 pela gravadora Universal Music. Aberta ao público, a gravação ao vivo está agendada para 14 e 15 de março de 2014 na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro (RJ). O CD e DVD serão gravados sob a direção musical de Paulão Sete Cordas. No primeiro dia de gravação, o elenco é formado por Arlindo Cruz, Hamilton de Holanda, Mariene de Castro, Mumuzinho, Péricles, Serjão Loroza, Sombrinha, Xande de Pilares e Zeca Pagodinho. No segundo dia da gravação ao vivo, Almir Guineto, Beth Carvalho, Dudu Nobre, Jorge Aragão, Fundo de Quintal, Leci Brandão, Mart'nália, Moacyr Luz, Monarco, Nelson Sargento, Neguinho da Beija-Flor, Reinaldo e Teresa Cristina sobem ao palco do Rio de Janeiro.